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Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto V, julgue (C ou E) o item subsequente.
Evidencia-se na narrativa que o movimento paredista desencadeia um afastamento do narrador em relação à infância, o que o leva a uma crítica a hábitos adquiridos em seu percurso no sistema educacional e, ao mesmo tempo, a uma defesa da racionalidade humana.
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Gabarito: E (Errado)
Tema central: A questão avalia sua capacidade de interpretação textual, especialmente quanto à ironia e ao tom crítico presentes no texto de Machado de Assis. Também exige análise minuciosa das intenções do narrador, fugindo da leitura literal.
Justificativa detalhada:
O texto adota tom marcadamente irônico ao abordar a greve dos açougueiros ("parede de açougueiros") e seu potencial para converter a cidade ao vegetarismo. O narrador, embora narre ter sido "carnívoro por educação e vegetariano por princípio", não faz crítica direta à sua infância nem apresenta uma análise genuína do sistema educacional. O que prevalece no texto machadiano é a sátira, como se nota na frase: "Fiquei carnívoro. Era a sorte humana; foi a minha. Não importa, o homem é carnívoro."
Além disso, ao afirmar que “Deus, ao contrário, é vegetariano”, o narrador reforça o viés irônico: atribui ao divino uma escolha alimentar e constrói argumentos improváveis (como "as plantas, que não berram nem esperneiam, quando lhes tiram a vida"), intensificando a crítica bem-humorada.
Principais erros da alternativa:
- Não há “afastamento do narrador em relação à infância”: O texto recorda os hábitos da infância, mas sem demonstrar ruptura ou crítica estrutural. Trata-se mais de uma constatação exagerada e irônica.
- Ausência de crítica explícita à educação: O narrador menciona ter sido educado como carnívoro, mas não constrói uma crítica ao sistema de ensino.
- “Defesa da racionalidade” é uma extrapolação: O elenco de argumentos do narrador visa mais o humor do que uma defesa racional e séria do vegetarianismo.
Como identificar a armadilha: Questões assim costumam induzir ao erro por tomarem ao pé da letra o discurso do narrador. Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), a interpretação exige reconhecer ironias, subentendidos e contexto social do texto. Sempre pergunte-se: o autor é literal ou está “brincando” com as palavras?
Conclusão e dica para provas: Quando se deparar com textos de autores como Machado de Assis, suspeite do excesso de racionalidade nas alternativas. O tom irônico costuma ser o fio condutor. Atente para expressões exageradas e distanciamento emocional, comuns na ironia machadiana.
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Comentários
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Eu entendo que a afirmativa "o movimento paredista desencadeia um afastamento do narrador em relação à infância" está incorreta, pois não foi este movimento que o afastou do consumo de carne, hábito que adquiriu na infância e juventude.
"Quando cheguei ao uso da razão e organizei o meu código de princípios, incluí nele o vegetarismo..."
Se isso é evidenciado, então eu sou um cego.
Gab- errado
O movimento paredista não afastou o narrador de seu consumo de carne, apreendido desde a infância. O que o afastou desse consumo foram os princípios construídos e adquiridos por ele, que serviram como base para seus hábitos.
"Não sei se sabem que eu era carnívoro por educação e vegetariano por princípio."
Movimento paredista ----------- Quando os jornais anunciaram para o dia 1.º deste mês uma parede de açougueiros...
Achei errado pela seguinte frase: "...a uma defesa da racionalidade humana.".
Extrapolação.
Evidencia-se na narrativa que o movimento paredista desencadeia um afastamento do narrador em relação à infância, o que o leva a uma crítica a hábitos adquiridos em seu percurso no sistema educacional e, ao mesmo tempo, a uma defesa da racionalidade humana.
Quando ele fala por educação, não tem nada a ver com sistema educacional.
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