Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
Foram encontradas 140.342 questões
I. “Meu poema é um tumulto: a fala que nele fala outras vozes arrasta em alarido.” (Ferreira Gullar)
II. “Um discurso não vem ao mundo numa inocente solitude, mas constrói-se através de um já-dito em relação ao qual toma posição.” (Dominique Maingueneau)
III. “Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave?” (Carlos Drummond de Andrade)
IV. “Cada enunciado é um elo da cadeia muito complexa de outros enunciados.” (Mikhail Bakhtin)
A pressuposição da existência do fenômeno da intertextualidade está corretamente ilustrada somente em
I. A concepção dialógica de texto implica três universos constitutivamente articulados: o da materialidade, o da singularidade do texto e o da condição advinda dessa combinatória.
II. O fato de um texto só ter vida em contato com outro texto (contexto) significa dizer que a intertextualidade é a única característica implicada na concepção dialógica do texto.
III. Na perspectiva dialógica, o texto ganha existência e realiza-se, com pelo menos dois interlocutores, em conjunção com discursos situados histórica, cultural e socialmente.
IV. O texto, em uma concepção dialógica, pode ser compreendido como entidade autônoma, passível de ser lido e analisado exclusivamente por sua constituição material.
É correto o que se afirma em
I. A leitura nada mais é do que uma decodificação de sinais, com reprodução mecânica de informações ou com respostas convergentes a estímulos escritos pré-elaborados.
II. O ato de ler envolve apreensão, apropriação e transformação de significados a partir de um documento escrito.
III. A leitura sem compreensão e sem recriação do significado é pseudoleitura, é um empreendimento puramente superficial.
IV. A leitura facilita o surgimento da reflexão e da “tomada de posição”, ou seja, do confronto dos significados desvelados e da participação na busca da verdade.
Está correto o que se afirma somente em
Texto 1
Leia com atenção o poema abaixo, de autoria de Hilda Hilst no seu livro Cantares:
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
HILST, Hilda. Cantares. São Paulo: Editora Globo, 2012.
Assinale a alternativa correta considerando as tipologias textuais e os recursos expressivos empregados.
Texto 1
Leia com atenção o poema abaixo, de autoria de Hilda Hilst no seu livro Cantares:
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
HILST, Hilda. Cantares. São Paulo: Editora Globo, 2012.
Analise as afirmativas abaixo sobre o modo como o amor é representado.
1. O eu lírico manifesta o desejo de manter distância crítica do amor, reconhecendo seu poder de dominação e de perda de si, por isso pede que o sentimento não a cegue nem a persiga.
2. O amor é apresentado como força idealizadora e protetora, capaz de conduzir o sujeito à plenitude e à estabilidade emocional.
3. As imagens de pequenez — “aranhas e formigas” — traduzem o aprendizado da humildade e a aceitação da fragilidade humana diante das paixões.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
SUA MAJESTADE, A CACHAÇA
Cachaça sempre foi sinônimo de deboche: “Aqui só dá cachaceiro”, vai curtir essa cachaça pra lá!”, “cachorro que morde bode, mulher que erra uma vez, e homem que bebe cachaça, nem o diabo pode com os três”...e vai por aí afora.
Fabricante de cachaça não aceita ser cachaceiro, mas empresário, industrial e, quando muito, alambiqueiro. Dizem que a cachaça é originária da Índia, e que começou a sua produção no Brasil, em São Vicente (SP), em 1526, e em Olinda (PB). Uma das muitas lendas reza que escravos colocavam sempre a garapa, o caldo da cana, no tacho, e iam mexendo e fervendo até pegar o ponto de melado.
Certo dia, quando o feitor estava muito exigente para um serviço, eles, sem dar tempo para ferver bastante, como exigia a fazeção do melado, esconderam o tacho e deixaram para o dia seguinte. Quando foram buscá-lo, o caldo estava azedo, mas, com medo de jogarem fora, colocaram o caldo novo por cima e ferveram juntos, mexendo bastante. Acontece que o azedo, fermentado, se tornou álcool e evaporou. O restante foi formando gotículas no telhado da rebaixa do engenho e, como goteira, foi pingando. Era a cachaça, daí o nome pinga.
E quando dançavam, ali mesmo, no engenho, os pingos, caindo nos seus rostos, na boca, os alegravam bastante. Sempre que queriam ficar alegres, dançavam ali e “lambiam” a pinga. E quando pingava nas suas costas feridas pelas chibatadas do feitor, ardia; daí o nome de água ardente. Com o tempo, a pinga foi sendo aprimorada e caiu no gosto das demais pessoas, começando pelos feitores e senhores de escravos. A cachaça, agora, é a “bebida oficial do Brasil”.
Nada de pinga e nada de aguardente. Cachaça vem de cachaza (castelhano), que significa vinho das borras (da uva). Há umas 30 mil marcas brasileiras. A brasileiríssima cachaça artesanal, cuja produção anual atinge 400 milhões de litros, da qual só é exportada 1%, tem muitas virtudes, pois sara doenças, esquenta no frio, esfria no calor, desinibe e desperta, alegra na tristeza e consola na paixão, faz mudo falar, é alívio na dor e força na fraqueza, anima velório e sustenta pagode, anestesia e desinfeta e ...(...) Vamos tomar uma “saideira”?
(Disponível em: O popular-E-book – crônicas do Bariani. P.31/32. 03/08/2006. Texto adaptado. Acesso em: 7 set. 2025).
Considere a leitura integral do texto “Sua majestade, a cachaça” e analise as informações a seguir:
I – O título, “Sua majestade, a cachaça, pode ser uma forma de ressaltar, honrar e glorificar o prestígio da aguardente de cana-de-açúcar.
II –.A expressão: “Nada de pinga e nada de aguardente não se classifica como período, nem como oração, é, apenas, uma frase.
III – A tipologia de base dessa crônica é a narração entremeada com trechos descritivos e dissertativos.
IV - Infere-se do texto que o autor apresenta a origem da cachaça, bem como, dos nomes pelos quais ela é conhecida.
Marque a alternativa que apresenta todas as afirmações corretas:

(blogdoaftm.com.br. Mudanças no mercado de trabalho. Acesso em: 7 de set. 2025)
Considere os diálogos entre as personagens dessa charge e analise as informações a seguir:
I – Em todas as falas o nível de linguagem é o padrão – norma culta.
II – Em todos os balões, o nível da linguagem é adequado ao contexto de comunicação.
III – Em todos os balões predomina um nível de linguagem artificial.
IV – Nos dois primeiros balões predomina o nível culto, nos dois últimos, o nível coloquial.
Marque a alternativa correta:
CANÇÃO EXCÊNTRICA
Ando à procura de espaço
Para o desenho da vida.
Em números me embaraço
E perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
Em vez de abrir um compasso,
Projeto-me num abraço
E gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
É já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
Começa a achar um cansaço
Esta procura de espaço
Para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
Não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida
(MEIRELES, Cecília. Os melhores poemas de Cecília Meireles/seleção Maria Fernanda. 8. ed. São Paulo: Global, 1996, p.32).
CANÇÃO EXCÊNTRICA
Ando à procura de espaço
Para o desenho da vida.
Em números me embaraço
E perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
Em vez de abrir um compasso,
Projeto-me num abraço
E gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
É já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
Começa a achar um cansaço
Esta procura de espaço
Para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
Não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida
(MEIRELES, Cecília. Os melhores poemas de Cecília Meireles/seleção Maria Fernanda. 8. ed. São Paulo: Global, 1996, p.32).
Considere a leitura do poema “Canção excêntrica” e analise as afirmações a seguir sobre a sua temática:
I – Canção excêntrica pode significar aquilo que foge do comum, é a procura inevitável, os questionamentos que fazemos na vida.
II – Considerando a flexão dos verbos e o emprego dos pronomes, o foco temático está centrado numa terceira pessoa do discurso.
III – Conforme o poema, perdemos sempre a medida, pois a vida nos joga ao embate contínuo do estar vivendo.
IV – Pode-se inferir do texto que a busca incessante pelo desenho da vida diferencia-nos como pessoas, ao mesmo tempo, que nos identifica como seres inquietos e incompletos.
Marque a alternativa correta:
