Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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I. Considerando que toda ação verbal só ocorre sob a forma de algum gênero de texto, significa que explorar um texto em sala de aula é, necessariamente, trabalhar com gêneros textuais.
II. Dada a recorrência do estudo de gêneros em sala de aula, é importante converter o tópico “gênero do texto” em mais um conteúdo programático com definições, classificações, nomenclaturas etc. para posteriormente serem cobradas e avaliadas em atividades e provas.
III. As principais características dos gêneros textuais a serem exploradas na análise de um texto em sala de aula são: os propósitos comunicativos, sua forma de composição, as opções linguísticas, as relações entre oralidade e escrita, o registro de linguagem, entre outras.
IV. O ensino dos gêneros restringe-se aos seus aspectos estruturais e deve-se atentar para estabelecer a supremacia dos gêneros escritos sobre os gêneros da oralidade.
É correto o que se afirma em
Considere os seguintes exemplos de escrita:

Escreva V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma a seguir sobre os exemplos apresentados.
( ) São, respectivamente, “palavra” e “frase”, logo não constituem textos, pois ninguém se comunica segundo esses modelos; nessas condições, pratica-se a não linguagem e exercita-se a não textualidade da língua.
( ) Cumprem uma função comunicativa claramente identificável e inserem-se num determinado contexto social, em consonância com o que prescreve cada espaço cultural, fazendo, assim, parte da memória cultural de cada grupo.
( ) São exemplos de frases soltas, sem interlocutores, sem qualquer dependência contextual explícita e sem um propósito comunicativo qualquer, pois não importa o que cada exemplo diz nem como é dito.
( ) São exemplos do tipo de palavras ou frases que devem ser ensinadas desde as primeiras experiências de escrita, uma vez que são formadas de uma ou poucas mensagens, mas com intenções comunicativas claras e facilmente identificadas.
Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:
I. “Meu poema é um tumulto: a fala que nele fala outras vozes arrasta em alarido.” (Ferreira Gullar)
II. “Um discurso não vem ao mundo numa inocente solitude, mas constrói-se através de um já-dito em relação ao qual toma posição.” (Dominique Maingueneau)
III. “Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave?” (Carlos Drummond de Andrade)
IV. “Cada enunciado é um elo da cadeia muito complexa de outros enunciados.” (Mikhail Bakhtin)
A pressuposição da existência do fenômeno da intertextualidade está corretamente ilustrada somente em
I. A concepção dialógica de texto implica três universos constitutivamente articulados: o da materialidade, o da singularidade do texto e o da condição advinda dessa combinatória.
II. O fato de um texto só ter vida em contato com outro texto (contexto) significa dizer que a intertextualidade é a única característica implicada na concepção dialógica do texto.
III. Na perspectiva dialógica, o texto ganha existência e realiza-se, com pelo menos dois interlocutores, em conjunção com discursos situados histórica, cultural e socialmente.
IV. O texto, em uma concepção dialógica, pode ser compreendido como entidade autônoma, passível de ser lido e analisado exclusivamente por sua constituição material.
É correto o que se afirma em
I. A leitura nada mais é do que uma decodificação de sinais, com reprodução mecânica de informações ou com respostas convergentes a estímulos escritos pré-elaborados.
II. O ato de ler envolve apreensão, apropriação e transformação de significados a partir de um documento escrito.
III. A leitura sem compreensão e sem recriação do significado é pseudoleitura, é um empreendimento puramente superficial.
IV. A leitura facilita o surgimento da reflexão e da “tomada de posição”, ou seja, do confronto dos significados desvelados e da participação na busca da verdade.
Está correto o que se afirma somente em
Texto 1
Leia com atenção o poema abaixo, de autoria de Hilda Hilst no seu livro Cantares:
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
HILST, Hilda. Cantares. São Paulo: Editora Globo, 2012.
Assinale a alternativa correta considerando as tipologias textuais e os recursos expressivos empregados.
Texto 1
Leia com atenção o poema abaixo, de autoria de Hilda Hilst no seu livro Cantares:
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
HILST, Hilda. Cantares. São Paulo: Editora Globo, 2012.
Analise as afirmativas abaixo sobre o modo como o amor é representado.
1. O eu lírico manifesta o desejo de manter distância crítica do amor, reconhecendo seu poder de dominação e de perda de si, por isso pede que o sentimento não a cegue nem a persiga.
2. O amor é apresentado como força idealizadora e protetora, capaz de conduzir o sujeito à plenitude e à estabilidade emocional.
3. As imagens de pequenez — “aranhas e formigas” — traduzem o aprendizado da humildade e a aceitação da fragilidade humana diante das paixões.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
SUA MAJESTADE, A CACHAÇA
Cachaça sempre foi sinônimo de deboche: “Aqui só dá cachaceiro”, vai curtir essa cachaça pra lá!”, “cachorro que morde bode, mulher que erra uma vez, e homem que bebe cachaça, nem o diabo pode com os três”...e vai por aí afora.
Fabricante de cachaça não aceita ser cachaceiro, mas empresário, industrial e, quando muito, alambiqueiro. Dizem que a cachaça é originária da Índia, e que começou a sua produção no Brasil, em São Vicente (SP), em 1526, e em Olinda (PB). Uma das muitas lendas reza que escravos colocavam sempre a garapa, o caldo da cana, no tacho, e iam mexendo e fervendo até pegar o ponto de melado.
Certo dia, quando o feitor estava muito exigente para um serviço, eles, sem dar tempo para ferver bastante, como exigia a fazeção do melado, esconderam o tacho e deixaram para o dia seguinte. Quando foram buscá-lo, o caldo estava azedo, mas, com medo de jogarem fora, colocaram o caldo novo por cima e ferveram juntos, mexendo bastante. Acontece que o azedo, fermentado, se tornou álcool e evaporou. O restante foi formando gotículas no telhado da rebaixa do engenho e, como goteira, foi pingando. Era a cachaça, daí o nome pinga.
E quando dançavam, ali mesmo, no engenho, os pingos, caindo nos seus rostos, na boca, os alegravam bastante. Sempre que queriam ficar alegres, dançavam ali e “lambiam” a pinga. E quando pingava nas suas costas feridas pelas chibatadas do feitor, ardia; daí o nome de água ardente. Com o tempo, a pinga foi sendo aprimorada e caiu no gosto das demais pessoas, começando pelos feitores e senhores de escravos. A cachaça, agora, é a “bebida oficial do Brasil”.
Nada de pinga e nada de aguardente. Cachaça vem de cachaza (castelhano), que significa vinho das borras (da uva). Há umas 30 mil marcas brasileiras. A brasileiríssima cachaça artesanal, cuja produção anual atinge 400 milhões de litros, da qual só é exportada 1%, tem muitas virtudes, pois sara doenças, esquenta no frio, esfria no calor, desinibe e desperta, alegra na tristeza e consola na paixão, faz mudo falar, é alívio na dor e força na fraqueza, anima velório e sustenta pagode, anestesia e desinfeta e ...(...) Vamos tomar uma “saideira”?
(Disponível em: O popular-E-book – crônicas do Bariani. P.31/32. 03/08/2006. Texto adaptado. Acesso em: 7 set. 2025).
Considere a leitura integral do texto “Sua majestade, a cachaça” e analise as informações a seguir:
I – O título, “Sua majestade, a cachaça, pode ser uma forma de ressaltar, honrar e glorificar o prestígio da aguardente de cana-de-açúcar.
II –.A expressão: “Nada de pinga e nada de aguardente não se classifica como período, nem como oração, é, apenas, uma frase.
III – A tipologia de base dessa crônica é a narração entremeada com trechos descritivos e dissertativos.
IV - Infere-se do texto que o autor apresenta a origem da cachaça, bem como, dos nomes pelos quais ela é conhecida.
Marque a alternativa que apresenta todas as afirmações corretas:

(blogdoaftm.com.br. Mudanças no mercado de trabalho. Acesso em: 7 de set. 2025)
Considere os diálogos entre as personagens dessa charge e analise as informações a seguir:
I – Em todas as falas o nível de linguagem é o padrão – norma culta.
II – Em todos os balões, o nível da linguagem é adequado ao contexto de comunicação.
III – Em todos os balões predomina um nível de linguagem artificial.
IV – Nos dois primeiros balões predomina o nível culto, nos dois últimos, o nível coloquial.
Marque a alternativa correta:
CANÇÃO EXCÊNTRICA
Ando à procura de espaço
Para o desenho da vida.
Em números me embaraço
E perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
Em vez de abrir um compasso,
Projeto-me num abraço
E gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
É já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
Começa a achar um cansaço
Esta procura de espaço
Para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
Não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida
(MEIRELES, Cecília. Os melhores poemas de Cecília Meireles/seleção Maria Fernanda. 8. ed. São Paulo: Global, 1996, p.32).
CANÇÃO EXCÊNTRICA
Ando à procura de espaço
Para o desenho da vida.
Em números me embaraço
E perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
Em vez de abrir um compasso,
Projeto-me num abraço
E gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
É já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
Começa a achar um cansaço
Esta procura de espaço
Para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
Não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida
(MEIRELES, Cecília. Os melhores poemas de Cecília Meireles/seleção Maria Fernanda. 8. ed. São Paulo: Global, 1996, p.32).
Considere a leitura do poema “Canção excêntrica” e analise as afirmações a seguir sobre a sua temática:
I – Canção excêntrica pode significar aquilo que foge do comum, é a procura inevitável, os questionamentos que fazemos na vida.
II – Considerando a flexão dos verbos e o emprego dos pronomes, o foco temático está centrado numa terceira pessoa do discurso.
III – Conforme o poema, perdemos sempre a medida, pois a vida nos joga ao embate contínuo do estar vivendo.
IV – Pode-se inferir do texto que a busca incessante pelo desenho da vida diferencia-nos como pessoas, ao mesmo tempo, que nos identifica como seres inquietos e incompletos.
Marque a alternativa correta:
