Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q4104321 Português

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Procurar o quê*



    O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.


    Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.


    Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.


    Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas do muro, nos espaços vazios.


    Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejava.


    Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manga, e no inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.


    Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casa do impossível.


    Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.


    Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


* Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43.

Na relação que o menino mantém com um irmão e outros observadores de sua conduta,
Alternativas
Q4104320 Português

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Procurar o quê*



    O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.


    Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.


    Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.


    Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas do muro, nos espaços vazios.


    Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejava.


    Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manga, e no inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.


    Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casa do impossível.


    Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.


    Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


* Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43.

Para o poeta, a ação de procurar
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Q4104316 Português

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Um inseto sentimental



    A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido...


    No entanto, basta surgir um inseto para mudar toda a história: o movimento da mão é interrompido pelo intruso, que voa em círculos e faz com insistência. Uma picada no pescoço ou no braço pode acabar com a alegria de escrever uma crônica, mesmo sabendo que vou reescrevê-la mais tarde. Deixo a caneta na mesa, pego ao acaso uma revista e tento afugentar o intruso. Não há mais silêncio, já me desconcentrou, apagou a ideia luminosa da crônica que nasceria.


    Apago a lâmpada: talvez ele se acalme na penumbra. O voo lento pode ser uma trégua e, pensando bem, o inseto não é tão ameaçador assim. De repente, um voo rápido em espiral, e três palmos ele se equilibra no helicóptero perfeito. Uns segundos depois, navega na horizontal e se refugia numa caixa de papelão.


    Acendo a lâmpada, me aproximo da caixa e vejo meu ex-inimigo no centro de uma fotografia antiga. Repousa no rosto de uma mulher ainda jovem, que sorri para a lente do fotógrafo. Pego com cuidado a foto, saio do quarto e o inseto some na tarde morna. Minha mãe me abraça numa manhã de 1960: nós dois alinhados no banco da praça da Matriz, aonde ela levara seu menino para ver o aviário e conversar com os pássaros. Devo essa lembrança ao inseto estranho e sentimental, que me roubou a ideia de uma crônica, mas me deu outra. Agora, quando já escurece, o pegar a caneta e escrever a primeira frase, quase sempre a mais difícil.


                                                                           (Adaptado de HATUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p.11-12).

A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve (...).


No enunciado acima, o segmento sublinhado tem como equivalência de sentido

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Q4104315 Português

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Um inseto sentimental



    A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido...


    No entanto, basta surgir um inseto para mudar toda a história: o movimento da mão é interrompido pelo intruso, que voa em círculos e faz com insistência. Uma picada no pescoço ou no braço pode acabar com a alegria de escrever uma crônica, mesmo sabendo que vou reescrevê-la mais tarde. Deixo a caneta na mesa, pego ao acaso uma revista e tento afugentar o intruso. Não há mais silêncio, já me desconcentrou, apagou a ideia luminosa da crônica que nasceria.


    Apago a lâmpada: talvez ele se acalme na penumbra. O voo lento pode ser uma trégua e, pensando bem, o inseto não é tão ameaçador assim. De repente, um voo rápido em espiral, e três palmos ele se equilibra no helicóptero perfeito. Uns segundos depois, navega na horizontal e se refugia numa caixa de papelão.


    Acendo a lâmpada, me aproximo da caixa e vejo meu ex-inimigo no centro de uma fotografia antiga. Repousa no rosto de uma mulher ainda jovem, que sorri para a lente do fotógrafo. Pego com cuidado a foto, saio do quarto e o inseto some na tarde morna. Minha mãe me abraça numa manhã de 1960: nós dois alinhados no banco da praça da Matriz, aonde ela levara seu menino para ver o aviário e conversar com os pássaros. Devo essa lembrança ao inseto estranho e sentimental, que me roubou a ideia de uma crônica, mas me deu outra. Agora, quando já escurece, o pegar a caneta e escrever a primeira frase, quase sempre a mais difícil.


                                                                           (Adaptado de HATUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p.11-12).

Entre os recursos da elaboração desse texto, pode-se afirmar que

Alternativas
Q4104314 Português

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Um inseto sentimental



    A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido...


    No entanto, basta surgir um inseto para mudar toda a história: o movimento da mão é interrompido pelo intruso, que voa em círculos e faz com insistência. Uma picada no pescoço ou no braço pode acabar com a alegria de escrever uma crônica, mesmo sabendo que vou reescrevê-la mais tarde. Deixo a caneta na mesa, pego ao acaso uma revista e tento afugentar o intruso. Não há mais silêncio, já me desconcentrou, apagou a ideia luminosa da crônica que nasceria.


    Apago a lâmpada: talvez ele se acalme na penumbra. O voo lento pode ser uma trégua e, pensando bem, o inseto não é tão ameaçador assim. De repente, um voo rápido em espiral, e três palmos ele se equilibra no helicóptero perfeito. Uns segundos depois, navega na horizontal e se refugia numa caixa de papelão.


    Acendo a lâmpada, me aproximo da caixa e vejo meu ex-inimigo no centro de uma fotografia antiga. Repousa no rosto de uma mulher ainda jovem, que sorri para a lente do fotógrafo. Pego com cuidado a foto, saio do quarto e o inseto some na tarde morna. Minha mãe me abraça numa manhã de 1960: nós dois alinhados no banco da praça da Matriz, aonde ela levara seu menino para ver o aviário e conversar com os pássaros. Devo essa lembrança ao inseto estranho e sentimental, que me roubou a ideia de uma crônica, mas me deu outra. Agora, quando já escurece, o pegar a caneta e escrever a primeira frase, quase sempre a mais difícil.


                                                                           (Adaptado de HATUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p.11-12).

A aparição de um inseto teve como consequência, para o cronista,
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Q4104311 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Palavras de amor


    Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.


    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiem, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autodiluídas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos, que os não procuram sanar para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adorar coçar as sarnas que têm.


    Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa adorada e com declarações hiperbólicas do meu sentimento.


    Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. O efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto de meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.


    Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo “Declaro a guerra”: essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, e o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.


(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)

A expressão "procurar sarna para se coçar" constitui, em linguagem figurada, um sentido equivalente ao da expressão em linguagem denotativa:
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Q4104309 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Palavras de amor


    Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.


    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiem, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autodiluídas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos, que os não procuram sanar para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adorar coçar as sarnas que têm.


    Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa adorada e com declarações hiperbólicas do meu sentimento.


    Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. O efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto de meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.


    Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo “Declaro a guerra”: essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, e o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.


(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
Alternativas
Q4104306 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Palavras de amor


    Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.


    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiem, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autodiluídas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos, que os não procuram sanar para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adorar coçar as sarnas que têm.


    Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa adorada e com declarações hiperbólicas do meu sentimento.


    Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. O efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto de meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.


    Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo “Declaro a guerra”: essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, e o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.


(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)

No que diz respeito à intensidade dos nossos sentimentos, ocorre uma relevância desmedida quando
Alternativas
Q4104162 Português
Aludindo-se a figuras de linguagem, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.
Coluna I. A- Eufemismo. B- Antítese. C- Hipérbole. D- Metáfora. E- Prosopopeia.
Coluna II. 1- Gastei rios de dinheiro lá. 2- O Bem e o Mal vivem dentro de nós. 3- Aquela menina é uma flor. 4- O mar cantava uma melodia triste. 5- Seu avô virou uma estrelinha.
Alternativas
Q4104159 Português

Leia o texto para responder à questão.


Crônica, de Martha Medeiros.


Era uma festa familiar, dessas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui? De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia: "Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?"

Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta?

Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.

Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a ideia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estreia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.

Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas ideias minhas que não são muito abençoáveis.

Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Permitir-me ser um pouco insignificante.

E, na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Escutar-me e obedecer o meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

De acordo com o texto, pode-se compreender que a expressão “agregados” significa: 
Alternativas
Q4104156 Português

Leia o texto para responder à questão.


Crônica, de Martha Medeiros.


Era uma festa familiar, dessas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui? De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia: "Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?"

Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta?

Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.

Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a ideia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estreia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.

Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas ideias minhas que não são muito abençoáveis.

Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Permitir-me ser um pouco insignificante.

E, na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Escutar-me e obedecer o meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

Analise o texto e marque a alternativa incorreta 
Alternativas
Q4103705 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Economia do cuidado e economia circular

    O crescimento populacional e as mudanças nos hábitos aumentam a produção e o consumo, gerando novos produtos e equipamentos. Sem uma gestão adequada dos resíduos solidos, ocorre degradação ambiental progressiva, afetando os seres vivos. Isso demanda integração das dimensões econômica, social e ambiental, pois a economia linear não e sustentável. Como resposta, a inovação social envolve criar soluçôes originais para problemas coletivos, especialmente ligados às desigualdades e condições de vida precárias. Ela se relaciona com a economia circular, que visa recuperar valor por meio da reutilização de recursos e é fundamental para a sustentabilidade.
    Assim, a reciclagem destaca-se como prática que, além de reduzir impactos ambientais, desempenha papel central no campo social, sobretudo ao se constituir como meio de subsistência para mulheres em situação de vulnerabilidade, muitas delas negras e chefes de domicílio.
   Um estudo demonstra que mulheres negras e pertencentes às classes trabalhadoras enfrentam grande demanda por atividades de cuidado, que contribuem para a manutenção dos privilégios daqueles que recebem tais cuidados. Nesse contexto, é relevante considerar a relação com a economia do cuidado, conceito que remete à divisão sexual do trabalho tradicionalmente atribuída às mulheres, especialmente em sociedades ocidentais, direcionando a elas responsabilidades relativas ao ambiente domestico, ao cuidado de filhos, familiares e demais dependentes. Essa configuração social, influenciada por padrões culturais patriarcais, resulta frequentemente na desvalorização e ausência de remuneração dessas tarefas, perpetuando, assim, as desigualdades de gênero.
    Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024) apontam que mulheres brasileiras dedicam em média 21 ,3 horas semanais às tareÍas domésticas e de cuidado, quase o dobro dos homens (11,7 horas). Mulheres negras realizam 1,6 hora a mais nessas atividades, comparadas às brancas. Entre as mulheres, 32,3% vivem abaixo da linha da pobreza; entre negras, esse percentual é de 41 ,3%, diante de21 ,3% entre brancas. Os dados revelam maior sobrecarga doméstica e exclusão econômica para mulheres negras.
   A centralidade desses fatores e reconhecida em normas nacionais e internacionais. Segundo o relatório Stieglitz-Sen-Fitoussi, o PIB e um indicador limitado de progresso. O relatorio recomenda incluir bem-estar, sustentabilidade ambiental e qualidade de vida nas políticas públicas para evidenciar desigualdades grupais. No Brasil, o Plano Nacional de Cuidados (Decreto n. 12.562, 2025) afirma o cuidado como responsabilidade compartilhada (Estado, família e sociedade), enquanto o Decreto n. 12.561 (2025) propõe princípios eticos para dados e governança circular. Isso destaca a necessidade de novos indicadores sociais e ambientais, integrando trabalho invisível e sustentabilidade.
   Há uma interseção entre a economia do cuidado e a circular, com predominância de mulheres negras em situação vulnerável na coleta e reciclagem de resíduos solidos. Essas trabalhadoras enfrentam condições precárias e invisibilidade, trazendo impactos sociais, econômicos e ambientais. Assim, a reciclagem não e apenas uma prática ambiental, mas também uma luta por reconhecimento e justiça de gênero. A participação feminina nas organizações de catadores(as) promove trabalho sustentável, empoderamento feminino, delegando a elas o poder de fala, visibilidade, ativismo e geração de renda.

Fonte: CARMO, A. A. do. Economia do cuidado e economia circular: O essencial e invisível aos olhos da sociedade. Cad. Gest. Pública Cid., 5ão Paulo, v. 31, n. 3, 2026 (com adaptações).
No último parágrafo, o texto destaca o papel das organizações de catadores e catadoras de resíduos solidos. De acordo com a conclusão do autor, a participação feminina nesses espaços promove uma mudança de paradigma porque: 
Alternativas
Q4103704 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Economia do cuidado e economia circular

    O crescimento populacional e as mudanças nos hábitos aumentam a produção e o consumo, gerando novos produtos e equipamentos. Sem uma gestão adequada dos resíduos solidos, ocorre degradação ambiental progressiva, afetando os seres vivos. Isso demanda integração das dimensões econômica, social e ambiental, pois a economia linear não e sustentável. Como resposta, a inovação social envolve criar soluçôes originais para problemas coletivos, especialmente ligados às desigualdades e condições de vida precárias. Ela se relaciona com a economia circular, que visa recuperar valor por meio da reutilização de recursos e é fundamental para a sustentabilidade.
    Assim, a reciclagem destaca-se como prática que, além de reduzir impactos ambientais, desempenha papel central no campo social, sobretudo ao se constituir como meio de subsistência para mulheres em situação de vulnerabilidade, muitas delas negras e chefes de domicílio.
   Um estudo demonstra que mulheres negras e pertencentes às classes trabalhadoras enfrentam grande demanda por atividades de cuidado, que contribuem para a manutenção dos privilégios daqueles que recebem tais cuidados. Nesse contexto, é relevante considerar a relação com a economia do cuidado, conceito que remete à divisão sexual do trabalho tradicionalmente atribuída às mulheres, especialmente em sociedades ocidentais, direcionando a elas responsabilidades relativas ao ambiente domestico, ao cuidado de filhos, familiares e demais dependentes. Essa configuração social, influenciada por padrões culturais patriarcais, resulta frequentemente na desvalorização e ausência de remuneração dessas tarefas, perpetuando, assim, as desigualdades de gênero.
    Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024) apontam que mulheres brasileiras dedicam em média 21 ,3 horas semanais às tareÍas domésticas e de cuidado, quase o dobro dos homens (11,7 horas). Mulheres negras realizam 1,6 hora a mais nessas atividades, comparadas às brancas. Entre as mulheres, 32,3% vivem abaixo da linha da pobreza; entre negras, esse percentual é de 41 ,3%, diante de21 ,3% entre brancas. Os dados revelam maior sobrecarga doméstica e exclusão econômica para mulheres negras.
   A centralidade desses fatores e reconhecida em normas nacionais e internacionais. Segundo o relatório Stieglitz-Sen-Fitoussi, o PIB e um indicador limitado de progresso. O relatorio recomenda incluir bem-estar, sustentabilidade ambiental e qualidade de vida nas políticas públicas para evidenciar desigualdades grupais. No Brasil, o Plano Nacional de Cuidados (Decreto n. 12.562, 2025) afirma o cuidado como responsabilidade compartilhada (Estado, família e sociedade), enquanto o Decreto n. 12.561 (2025) propõe princípios eticos para dados e governança circular. Isso destaca a necessidade de novos indicadores sociais e ambientais, integrando trabalho invisível e sustentabilidade.
   Há uma interseção entre a economia do cuidado e a circular, com predominância de mulheres negras em situação vulnerável na coleta e reciclagem de resíduos solidos. Essas trabalhadoras enfrentam condições precárias e invisibilidade, trazendo impactos sociais, econômicos e ambientais. Assim, a reciclagem não e apenas uma prática ambiental, mas também uma luta por reconhecimento e justiça de gênero. A participação feminina nas organizações de catadores(as) promove trabalho sustentável, empoderamento feminino, delegando a elas o poder de fala, visibilidade, ativismo e geração de renda.

Fonte: CARMO, A. A. do. Economia do cuidado e economia circular: O essencial e invisível aos olhos da sociedade. Cad. Gest. Pública Cid., 5ão Paulo, v. 31, n. 3, 2026 (com adaptações).
No quinto parágrafo, ao analisar as diretrizes econôrnicas, o autor aÍirma que o PIB é um indicador limitado de progresso. O uso da palavra limitado nesse contexto produz o eÍeito de sentido de:
Alternativas
Q4103701 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Economia do cuidado e economia circular

    O crescimento populacional e as mudanças nos hábitos aumentam a produção e o consumo, gerando novos produtos e equipamentos. Sem uma gestão adequada dos resíduos solidos, ocorre degradação ambiental progressiva, afetando os seres vivos. Isso demanda integração das dimensões econômica, social e ambiental, pois a economia linear não e sustentável. Como resposta, a inovação social envolve criar soluçôes originais para problemas coletivos, especialmente ligados às desigualdades e condições de vida precárias. Ela se relaciona com a economia circular, que visa recuperar valor por meio da reutilização de recursos e é fundamental para a sustentabilidade.
    Assim, a reciclagem destaca-se como prática que, além de reduzir impactos ambientais, desempenha papel central no campo social, sobretudo ao se constituir como meio de subsistência para mulheres em situação de vulnerabilidade, muitas delas negras e chefes de domicílio.
   Um estudo demonstra que mulheres negras e pertencentes às classes trabalhadoras enfrentam grande demanda por atividades de cuidado, que contribuem para a manutenção dos privilégios daqueles que recebem tais cuidados. Nesse contexto, é relevante considerar a relação com a economia do cuidado, conceito que remete à divisão sexual do trabalho tradicionalmente atribuída às mulheres, especialmente em sociedades ocidentais, direcionando a elas responsabilidades relativas ao ambiente domestico, ao cuidado de filhos, familiares e demais dependentes. Essa configuração social, influenciada por padrões culturais patriarcais, resulta frequentemente na desvalorização e ausência de remuneração dessas tarefas, perpetuando, assim, as desigualdades de gênero.
    Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024) apontam que mulheres brasileiras dedicam em média 21 ,3 horas semanais às tareÍas domésticas e de cuidado, quase o dobro dos homens (11,7 horas). Mulheres negras realizam 1,6 hora a mais nessas atividades, comparadas às brancas. Entre as mulheres, 32,3% vivem abaixo da linha da pobreza; entre negras, esse percentual é de 41 ,3%, diante de21 ,3% entre brancas. Os dados revelam maior sobrecarga doméstica e exclusão econômica para mulheres negras.
   A centralidade desses fatores e reconhecida em normas nacionais e internacionais. Segundo o relatório Stieglitz-Sen-Fitoussi, o PIB e um indicador limitado de progresso. O relatorio recomenda incluir bem-estar, sustentabilidade ambiental e qualidade de vida nas políticas públicas para evidenciar desigualdades grupais. No Brasil, o Plano Nacional de Cuidados (Decreto n. 12.562, 2025) afirma o cuidado como responsabilidade compartilhada (Estado, família e sociedade), enquanto o Decreto n. 12.561 (2025) propõe princípios eticos para dados e governança circular. Isso destaca a necessidade de novos indicadores sociais e ambientais, integrando trabalho invisível e sustentabilidade.
   Há uma interseção entre a economia do cuidado e a circular, com predominância de mulheres negras em situação vulnerável na coleta e reciclagem de resíduos solidos. Essas trabalhadoras enfrentam condições precárias e invisibilidade, trazendo impactos sociais, econômicos e ambientais. Assim, a reciclagem não e apenas uma prática ambiental, mas também uma luta por reconhecimento e justiça de gênero. A participação feminina nas organizações de catadores(as) promove trabalho sustentável, empoderamento feminino, delegando a elas o poder de fala, visibilidade, ativismo e geração de renda.

Fonte: CARMO, A. A. do. Economia do cuidado e economia circular: O essencial e invisível aos olhos da sociedade. Cad. Gest. Pública Cid., 5ão Paulo, v. 31, n. 3, 2026 (com adaptações).
No que diz respeito à estruturação logica do texto e às estratégias argumentativas adotadas pelo autor para correlacionar a economia do cuidado à economia circular, analise as partes que seguem:
(1ª parte) O texto adota uma estrutura díssertativoargumentativa, organízando-se a partír da apresentação de um problema (a insustentabrlrdade da economia línear) que se desdobra em uma análise social e normatíva.
(2ª parte) O Para sustentar que a transição ecológica exige novos Índicadores sobre o trabalho invísível, o dutor recorre do senso comum e a ditados populares para convencer o leitor sobre a divisão do trabalho.
Pode-se afirmar que
Alternativas
Q4103698 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Economia do cuidado e economia circular

    O crescimento populacional e as mudanças nos hábitos aumentam a produção e o consumo, gerando novos produtos e equipamentos. Sem uma gestão adequada dos resíduos solidos, ocorre degradação ambiental progressiva, afetando os seres vivos. Isso demanda integração das dimensões econômica, social e ambiental, pois a economia linear não e sustentável. Como resposta, a inovação social envolve criar soluçôes originais para problemas coletivos, especialmente ligados às desigualdades e condições de vida precárias. Ela se relaciona com a economia circular, que visa recuperar valor por meio da reutilização de recursos e é fundamental para a sustentabilidade.
    Assim, a reciclagem destaca-se como prática que, além de reduzir impactos ambientais, desempenha papel central no campo social, sobretudo ao se constituir como meio de subsistência para mulheres em situação de vulnerabilidade, muitas delas negras e chefes de domicílio.
   Um estudo demonstra que mulheres negras e pertencentes às classes trabalhadoras enfrentam grande demanda por atividades de cuidado, que contribuem para a manutenção dos privilégios daqueles que recebem tais cuidados. Nesse contexto, é relevante considerar a relação com a economia do cuidado, conceito que remete à divisão sexual do trabalho tradicionalmente atribuída às mulheres, especialmente em sociedades ocidentais, direcionando a elas responsabilidades relativas ao ambiente domestico, ao cuidado de filhos, familiares e demais dependentes. Essa configuração social, influenciada por padrões culturais patriarcais, resulta frequentemente na desvalorização e ausência de remuneração dessas tarefas, perpetuando, assim, as desigualdades de gênero.
    Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024) apontam que mulheres brasileiras dedicam em média 21 ,3 horas semanais às tareÍas domésticas e de cuidado, quase o dobro dos homens (11,7 horas). Mulheres negras realizam 1,6 hora a mais nessas atividades, comparadas às brancas. Entre as mulheres, 32,3% vivem abaixo da linha da pobreza; entre negras, esse percentual é de 41 ,3%, diante de21 ,3% entre brancas. Os dados revelam maior sobrecarga doméstica e exclusão econômica para mulheres negras.
   A centralidade desses fatores e reconhecida em normas nacionais e internacionais. Segundo o relatório Stieglitz-Sen-Fitoussi, o PIB e um indicador limitado de progresso. O relatorio recomenda incluir bem-estar, sustentabilidade ambiental e qualidade de vida nas políticas públicas para evidenciar desigualdades grupais. No Brasil, o Plano Nacional de Cuidados (Decreto n. 12.562, 2025) afirma o cuidado como responsabilidade compartilhada (Estado, família e sociedade), enquanto o Decreto n. 12.561 (2025) propõe princípios eticos para dados e governança circular. Isso destaca a necessidade de novos indicadores sociais e ambientais, integrando trabalho invisível e sustentabilidade.
   Há uma interseção entre a economia do cuidado e a circular, com predominância de mulheres negras em situação vulnerável na coleta e reciclagem de resíduos solidos. Essas trabalhadoras enfrentam condições precárias e invisibilidade, trazendo impactos sociais, econômicos e ambientais. Assim, a reciclagem não e apenas uma prática ambiental, mas também uma luta por reconhecimento e justiça de gênero. A participação feminina nas organizações de catadores(as) promove trabalho sustentável, empoderamento feminino, delegando a elas o poder de fala, visibilidade, ativismo e geração de renda.

Fonte: CARMO, A. A. do. Economia do cuidado e economia circular: O essencial e invisível aos olhos da sociedade. Cad. Gest. Pública Cid., 5ão Paulo, v. 31, n. 3, 2026 (com adaptações).
O texto propõe uma articulação crítica entre os modelos de produção economica e as estruturas sociais de gênero e raça no Brasil. Tendo em vista o percurso argumentativo do autor e os dados apresentados, assinale a alternativa que apresenta uma afirmação INCOERENTE com as ideias defendidas no texto.
Alternativas
Q4103697 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Economia do cuidado e economia circular

    O crescimento populacional e as mudanças nos hábitos aumentam a produção e o consumo, gerando novos produtos e equipamentos. Sem uma gestão adequada dos resíduos solidos, ocorre degradação ambiental progressiva, afetando os seres vivos. Isso demanda integração das dimensões econômica, social e ambiental, pois a economia linear não e sustentável. Como resposta, a inovação social envolve criar soluçôes originais para problemas coletivos, especialmente ligados às desigualdades e condições de vida precárias. Ela se relaciona com a economia circular, que visa recuperar valor por meio da reutilização de recursos e é fundamental para a sustentabilidade.
    Assim, a reciclagem destaca-se como prática que, além de reduzir impactos ambientais, desempenha papel central no campo social, sobretudo ao se constituir como meio de subsistência para mulheres em situação de vulnerabilidade, muitas delas negras e chefes de domicílio.
   Um estudo demonstra que mulheres negras e pertencentes às classes trabalhadoras enfrentam grande demanda por atividades de cuidado, que contribuem para a manutenção dos privilégios daqueles que recebem tais cuidados. Nesse contexto, é relevante considerar a relação com a economia do cuidado, conceito que remete à divisão sexual do trabalho tradicionalmente atribuída às mulheres, especialmente em sociedades ocidentais, direcionando a elas responsabilidades relativas ao ambiente domestico, ao cuidado de filhos, familiares e demais dependentes. Essa configuração social, influenciada por padrões culturais patriarcais, resulta frequentemente na desvalorização e ausência de remuneração dessas tarefas, perpetuando, assim, as desigualdades de gênero.
    Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024) apontam que mulheres brasileiras dedicam em média 21 ,3 horas semanais às tareÍas domésticas e de cuidado, quase o dobro dos homens (11,7 horas). Mulheres negras realizam 1,6 hora a mais nessas atividades, comparadas às brancas. Entre as mulheres, 32,3% vivem abaixo da linha da pobreza; entre negras, esse percentual é de 41 ,3%, diante de21 ,3% entre brancas. Os dados revelam maior sobrecarga doméstica e exclusão econômica para mulheres negras.
   A centralidade desses fatores e reconhecida em normas nacionais e internacionais. Segundo o relatório Stieglitz-Sen-Fitoussi, o PIB e um indicador limitado de progresso. O relatorio recomenda incluir bem-estar, sustentabilidade ambiental e qualidade de vida nas políticas públicas para evidenciar desigualdades grupais. No Brasil, o Plano Nacional de Cuidados (Decreto n. 12.562, 2025) afirma o cuidado como responsabilidade compartilhada (Estado, família e sociedade), enquanto o Decreto n. 12.561 (2025) propõe princípios eticos para dados e governança circular. Isso destaca a necessidade de novos indicadores sociais e ambientais, integrando trabalho invisível e sustentabilidade.
   Há uma interseção entre a economia do cuidado e a circular, com predominância de mulheres negras em situação vulnerável na coleta e reciclagem de resíduos solidos. Essas trabalhadoras enfrentam condições precárias e invisibilidade, trazendo impactos sociais, econômicos e ambientais. Assim, a reciclagem não e apenas uma prática ambiental, mas também uma luta por reconhecimento e justiça de gênero. A participação feminina nas organizações de catadores(as) promove trabalho sustentável, empoderamento feminino, delegando a elas o poder de fala, visibilidade, ativismo e geração de renda.

Fonte: CARMO, A. A. do. Economia do cuidado e economia circular: O essencial e invisível aos olhos da sociedade. Cad. Gest. Pública Cid., 5ão Paulo, v. 31, n. 3, 2026 (com adaptações).
O quarto parágrafo do texto utiliza dados do IBGE (2024) para mapear a realidade socioeconômica das mulheres brasileiras. A análise conjunta desses dados permite concluir que: 
Alternativas
Q4103696 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Economia do cuidado e economia circular

    O crescimento populacional e as mudanças nos hábitos aumentam a produção e o consumo, gerando novos produtos e equipamentos. Sem uma gestão adequada dos resíduos solidos, ocorre degradação ambiental progressiva, afetando os seres vivos. Isso demanda integração das dimensões econômica, social e ambiental, pois a economia linear não e sustentável. Como resposta, a inovação social envolve criar soluçôes originais para problemas coletivos, especialmente ligados às desigualdades e condições de vida precárias. Ela se relaciona com a economia circular, que visa recuperar valor por meio da reutilização de recursos e é fundamental para a sustentabilidade.
    Assim, a reciclagem destaca-se como prática que, além de reduzir impactos ambientais, desempenha papel central no campo social, sobretudo ao se constituir como meio de subsistência para mulheres em situação de vulnerabilidade, muitas delas negras e chefes de domicílio.
   Um estudo demonstra que mulheres negras e pertencentes às classes trabalhadoras enfrentam grande demanda por atividades de cuidado, que contribuem para a manutenção dos privilégios daqueles que recebem tais cuidados. Nesse contexto, é relevante considerar a relação com a economia do cuidado, conceito que remete à divisão sexual do trabalho tradicionalmente atribuída às mulheres, especialmente em sociedades ocidentais, direcionando a elas responsabilidades relativas ao ambiente domestico, ao cuidado de filhos, familiares e demais dependentes. Essa configuração social, influenciada por padrões culturais patriarcais, resulta frequentemente na desvalorização e ausência de remuneração dessas tarefas, perpetuando, assim, as desigualdades de gênero.
    Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024) apontam que mulheres brasileiras dedicam em média 21 ,3 horas semanais às tareÍas domésticas e de cuidado, quase o dobro dos homens (11,7 horas). Mulheres negras realizam 1,6 hora a mais nessas atividades, comparadas às brancas. Entre as mulheres, 32,3% vivem abaixo da linha da pobreza; entre negras, esse percentual é de 41 ,3%, diante de21 ,3% entre brancas. Os dados revelam maior sobrecarga doméstica e exclusão econômica para mulheres negras.
   A centralidade desses fatores e reconhecida em normas nacionais e internacionais. Segundo o relatório Stieglitz-Sen-Fitoussi, o PIB e um indicador limitado de progresso. O relatorio recomenda incluir bem-estar, sustentabilidade ambiental e qualidade de vida nas políticas públicas para evidenciar desigualdades grupais. No Brasil, o Plano Nacional de Cuidados (Decreto n. 12.562, 2025) afirma o cuidado como responsabilidade compartilhada (Estado, família e sociedade), enquanto o Decreto n. 12.561 (2025) propõe princípios eticos para dados e governança circular. Isso destaca a necessidade de novos indicadores sociais e ambientais, integrando trabalho invisível e sustentabilidade.
   Há uma interseção entre a economia do cuidado e a circular, com predominância de mulheres negras em situação vulnerável na coleta e reciclagem de resíduos solidos. Essas trabalhadoras enfrentam condições precárias e invisibilidade, trazendo impactos sociais, econômicos e ambientais. Assim, a reciclagem não e apenas uma prática ambiental, mas também uma luta por reconhecimento e justiça de gênero. A participação feminina nas organizações de catadores(as) promove trabalho sustentável, empoderamento feminino, delegando a elas o poder de fala, visibilidade, ativismo e geração de renda.

Fonte: CARMO, A. A. do. Economia do cuidado e economia circular: O essencial e invisível aos olhos da sociedade. Cad. Gest. Pública Cid., 5ão Paulo, v. 31, n. 3, 2026 (com adaptações).
A leitura do texto revela que o argumento central do autor converge para a necessidade de uma mudança estrutural no modelo de desenvolvimento contemporâneo. Considerando isso, assinale a alternativa que sintetiza CORRETAMENTE a principal tese defendida ao longo do texto.
Alternativas
Q4103641 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Saúde mental dos trabalhadores passa a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais

    A Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil vivencia um momento de importante evolução normativa. O capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora no 1 (NR-1), que estabelece os requisitos para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) - uma estrutura sistematizada para a identificação de perigos, avaliação e controle de riscos, análise de acidentes e preparação para emergências, articulado com as demais ações de saúde - passou por significativa atualização mediante a Portaria MTE no 1.419, de 27 de agosto de 2024.
    Uma das inovações mais significativas da revisão, que entrou em vigor no dia 26 de maio de2026, foi a inclusão expressa dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho - ligados à forma como o trabalho é organizado - que passam a integrar o gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas, ao lado de riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes.
Na prática, situações como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral ou sexual, pressão excessiva, conflitos interpessoais, falta de autonomia e falhas de gestão tornam-se passíveis de fiscalização e auditoria. Esses fatores já eram analisados de forma indireta, sobretudo a partir das normas de ergonomia, mas agora se tornam exigência explícita dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
    O conceito de sistema de gestão em segurança e saúde no trabalho consolidou-se internacionalmente a partir da década de 1970, impulsionado por avanços científicos, industriais e regulatórios. A partir de então, ficou claro que a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais não se sustenta em ações pontuais, mas exige uma abordagem estruturada e contínua.
    O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lanÇou, em março de 2026, o Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora no 1 (NR-1), que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). O objetivo da publicação é orientar empregadores, trabalhadores, profissionais de segurança e saúde no trabalho e demais atores sociais na implementação de um sistema de gestão voltado à prevenção de riscos no ambiente de trabalho.
    O material apresenta orientações técnicas e interpretativas sobre como identificar, avaliar e gerenciar riscos ocupacionais, contribuindo para a correta aplicação das atualizações recentes da NR-1. Entre os temas abordados está também o gerenciamento dos riscos psicossociais, que incluem fatores relacionados à organização do trabalho que podem impactar a saúde mental dos trabal hadores. 
    A iniciativa faz parte das ações do tt/TE para Íortalecer a cultura de prevenção e incentivar a criação de ambientes de trabalho mais seguros e saudávels. As orientações tambem reforçam a importância da adoção de medidas preventivas e da gestão contínua dos riscos ocupaclonais nas organizações.

Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde mental dos trabalhadores passa a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Brasília, 2026 (com adaptações).
A Portaria MTE no 1.419/2024 introduziu modificações substanciais no panorama da Segurança e Saúde no Trabalho no Brasil. Considerando o impacto dessas alterações regulatorias e a estrutura argumentativa do texto, analise as seguintes assertivas:
I. A inclusão dos riscos psicossociais no GRO atende a uma demanda emergencial decorrente do colapso do sistema de saúde física dos trabalhadores no ano de 2024.
II. Depreende-se do texto que os fatores de risco psicossociais não anulam nem substituem as matrizes de riscos tradicionais (físicos, químicos e biologicos), mas passam a coexistir com elas no PGR.
III. Práticas deleterias no ambiente de trabalho, como jornadas exaustivas e assédio de qualquer natureza, saíram da esfera puramente abstrata para se tornarem alvos explícitos de fiscalização estatal.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4103640 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Saúde mental dos trabalhadores passa a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais

    A Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil vivencia um momento de importante evolução normativa. O capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora no 1 (NR-1), que estabelece os requisitos para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) - uma estrutura sistematizada para a identificação de perigos, avaliação e controle de riscos, análise de acidentes e preparação para emergências, articulado com as demais ações de saúde - passou por significativa atualização mediante a Portaria MTE no 1.419, de 27 de agosto de 2024.
    Uma das inovações mais significativas da revisão, que entrou em vigor no dia 26 de maio de2026, foi a inclusão expressa dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho - ligados à forma como o trabalho é organizado - que passam a integrar o gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas, ao lado de riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes.
Na prática, situações como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral ou sexual, pressão excessiva, conflitos interpessoais, falta de autonomia e falhas de gestão tornam-se passíveis de fiscalização e auditoria. Esses fatores já eram analisados de forma indireta, sobretudo a partir das normas de ergonomia, mas agora se tornam exigência explícita dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
    O conceito de sistema de gestão em segurança e saúde no trabalho consolidou-se internacionalmente a partir da década de 1970, impulsionado por avanços científicos, industriais e regulatórios. A partir de então, ficou claro que a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais não se sustenta em ações pontuais, mas exige uma abordagem estruturada e contínua.
    O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lanÇou, em março de 2026, o Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora no 1 (NR-1), que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). O objetivo da publicação é orientar empregadores, trabalhadores, profissionais de segurança e saúde no trabalho e demais atores sociais na implementação de um sistema de gestão voltado à prevenção de riscos no ambiente de trabalho.
    O material apresenta orientações técnicas e interpretativas sobre como identificar, avaliar e gerenciar riscos ocupacionais, contribuindo para a correta aplicação das atualizações recentes da NR-1. Entre os temas abordados está também o gerenciamento dos riscos psicossociais, que incluem fatores relacionados à organização do trabalho que podem impactar a saúde mental dos trabal hadores. 
    A iniciativa faz parte das ações do tt/TE para Íortalecer a cultura de prevenção e incentivar a criação de ambientes de trabalho mais seguros e saudávels. As orientações tambem reforçam a importância da adoção de medidas preventivas e da gestão contínua dos riscos ocupaclonais nas organizações.

Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde mental dos trabalhadores passa a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Brasília, 2026 (com adaptações).
A alusão à evolução historica dos sistemas de gestão em segurança e saúde no trabalho a partir da década de 1970 funciona, na economia argumentativa do texto, como um recurso para fundamentar a seguinte tese: 
Alternativas
Q4103639 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Saúde mental dos trabalhadores passa a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais

    A Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil vivencia um momento de importante evolução normativa. O capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora no 1 (NR-1), que estabelece os requisitos para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) - uma estrutura sistematizada para a identificação de perigos, avaliação e controle de riscos, análise de acidentes e preparação para emergências, articulado com as demais ações de saúde - passou por significativa atualização mediante a Portaria MTE no 1.419, de 27 de agosto de 2024.
    Uma das inovações mais significativas da revisão, que entrou em vigor no dia 26 de maio de2026, foi a inclusão expressa dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho - ligados à forma como o trabalho é organizado - que passam a integrar o gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas, ao lado de riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes.
Na prática, situações como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral ou sexual, pressão excessiva, conflitos interpessoais, falta de autonomia e falhas de gestão tornam-se passíveis de fiscalização e auditoria. Esses fatores já eram analisados de forma indireta, sobretudo a partir das normas de ergonomia, mas agora se tornam exigência explícita dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
    O conceito de sistema de gestão em segurança e saúde no trabalho consolidou-se internacionalmente a partir da década de 1970, impulsionado por avanços científicos, industriais e regulatórios. A partir de então, ficou claro que a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais não se sustenta em ações pontuais, mas exige uma abordagem estruturada e contínua.
    O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lanÇou, em março de 2026, o Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora no 1 (NR-1), que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). O objetivo da publicação é orientar empregadores, trabalhadores, profissionais de segurança e saúde no trabalho e demais atores sociais na implementação de um sistema de gestão voltado à prevenção de riscos no ambiente de trabalho.
    O material apresenta orientações técnicas e interpretativas sobre como identificar, avaliar e gerenciar riscos ocupacionais, contribuindo para a correta aplicação das atualizações recentes da NR-1. Entre os temas abordados está também o gerenciamento dos riscos psicossociais, que incluem fatores relacionados à organização do trabalho que podem impactar a saúde mental dos trabal hadores. 
    A iniciativa faz parte das ações do tt/TE para Íortalecer a cultura de prevenção e incentivar a criação de ambientes de trabalho mais seguros e saudávels. As orientações tambem reforçam a importância da adoção de medidas preventivas e da gestão contínua dos riscos ocupaclonais nas organizações.

Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde mental dos trabalhadores passa a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Brasília, 2026 (com adaptações).
De acordo com a articulação textual do terceiro parágrafo com as premissas do documento, fatores como falta de autonomia e falhas de gestão tornam-se passíveis de fiscalização e auditoria porque.
Alternativas
Respostas
1381: A
1382: C
1383: D
1384: D
1385: E
1386: B
1387: A
1388: B
1389: C
1390: B
1391: D
1392: D
1393: A
1394: B
1395: C
1396: A
1397: A
1398: C
1399: B
1400: A