Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

Foram encontradas 130.666 questões

Q4406601 Português

O texto a seguir é referência para a questão



O trabalho como princípio educativo



    Compreender a relação indissociável entre trabalho, ciência, tecnologia e cultura significa compreender o trabalho como princípio educativo, o que não significa “aprender fazendo”, nem é sinônimo de formar para o exercício do trabalho. Considerar o trabalho como princípio educativo equivale dizer que o ser humano é produtor de sua realidade e, por isso, se apropria dela e pode transformá-la. Equivale dizer, ainda, que nós somos sujeitos de nossa história e de nossa realidade. Em síntese, o trabalho é a primeira mediação entre o homem e a realidade material e social.


    O trabalho também se constitui como prática econômica, obviamente porque nós garantimos nossa existência, produzindo riquezas e satisfazendo necessidades. Na sociedade moderna a relação econômica vai se tornando fundamento da profissionalização. Mas, sob a perspectiva da integração entre trabalho, ciência e cultura, a profissionalização se opõe à simples a formação para o mercado de trabalho. Antes, ela incorpora valores éticos-políticos e conteúdos históricos e científicos que caracterizam a práxis humana.


    Portanto, formar profissionalmente não é preparar exclusivamente para o exercício do trabalho, mas é proporcionar a compreensão das dinâmicas socioprodutivas das sociedades modernas, com as suas conquistas e os seus revezes, e também habilitar as pessoas para o exercício autônomo e crítico de profissões, sem nunca se esgotar a elas.


Disponível em: https://www.gov.br. Adaptado.

Considerado como princípio educativo, o trabalho é compreendido em seu sentido ontológico e em seu sentido histórico, respectivamente:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: SEED-PR Órgão: SEED-PR Provas: SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Ambiente e Saúde | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Biologia | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Ciências | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Controle e Processos Industriais | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Educação Digital e Computação/Programação | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Filosofia | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Educação Especial | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Física | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Educação Física | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Formação de Docentes | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Geografia | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Gestão de Negócios | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / História | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Informação e Comunicação | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Infraestrutura | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Produção Industrial | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Química | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Recursos Naturais | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Produção Cultural e Design | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Segurança | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Séries Iniciais | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Sociologia | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Turismo, Hospitalidade e Lazer | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Língua Inglesa | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Língua Portuguesa | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Matemática | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Pedagogia | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Produção Alimentícia |
Q4406561 Português

O texto a seguir é referência para a questão



    Em 10 de dezembro de 1987, Londrina foi palco de um evento que entraria para a história policial brasileira: o assalto com o maior número de reféns já registrados no país. Sete homens armados invadiram a agência do Banestado, exigindo uma montanha de 30 milhões de cruzados e, no processo, mantiveram mais de 300 pessoas reféns.



    Essa é a história que o diretor José Eduardo Belmonte decidiu contar em Assalto à Brasileira, filme que adapta um dos capítulos policiais mais bizarros do país. O longa não perde tempo com introduções prolixas; rapidamente somos jogados no olho do furacão, acompanhando Paulo (Murilo Benício), um jornalista recém-demitido que vai à agência buscar sua rescisão, e Moreno (Christian Malheiros), o líder do assalto. Os motivos dos criminosos são contextualizados pela crise econômica da época, mas o filme prefere a ação imediata a longas explicações.



    Benício é o grande destaque do longa. Ele entrega uma atuação fantástica, um equilíbrio entre a tensão, a comédia e a malandragem do personagem em cada cena, seja no desespero inicial ou nas negociações com a polícia. Contudo, o foco não recai apenas sobre o ator. Quase todo o elenco entrega performances memoráveis. Muitos dos reféns roubam a cena com reações cômicas diante do absurdo, e a química entre os assaltantes é um acerto cirúrgico; suas interações fazem o público se divertir, como se tivessem reunido “Os Trapalhões” para executar um grande assalto. […]



    Outro ponto técnico que merece destaque é a direção de arte e a fotografia. Trabalhando com um espaço limitado – o banco assaltado em questão –, a equipe constrói uma ambientação incrivelmente fiel à década de 80, desde a redação da Folha de Londrina até a multidão histérica do lado de fora. […]



Disponível em: https://www.omelete.com.br/.

Quanto ao gênero textual, esse texto é:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: SEED-PR Órgão: SEED-PR Provas: SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Ambiente e Saúde | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Biologia | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Ciências | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Controle e Processos Industriais | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Educação Digital e Computação/Programação | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Filosofia | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Educação Especial | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Física | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Educação Física | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Formação de Docentes | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Geografia | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Gestão de Negócios | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / História | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Informação e Comunicação | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Infraestrutura | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Produção Industrial | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Química | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Recursos Naturais | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Produção Cultural e Design | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Segurança | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Séries Iniciais | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Sociologia | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Turismo, Hospitalidade e Lazer | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Língua Inglesa | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Língua Portuguesa | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Matemática | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Pedagogia | SEED-PR - 2026 - SEED-PR - Arte / Produção Alimentícia |
Q4406560 Português

O texto a seguir é referência para a questão



    Em 10 de dezembro de 1987, Londrina foi palco de um evento que entraria para a história policial brasileira: o assalto com o maior número de reféns já registrados no país. Sete homens armados invadiram a agência do Banestado, exigindo uma montanha de 30 milhões de cruzados e, no processo, mantiveram mais de 300 pessoas reféns.



    Essa é a história que o diretor José Eduardo Belmonte decidiu contar em Assalto à Brasileira, filme que adapta um dos capítulos policiais mais bizarros do país. O longa não perde tempo com introduções prolixas; rapidamente somos jogados no olho do furacão, acompanhando Paulo (Murilo Benício), um jornalista recém-demitido que vai à agência buscar sua rescisão, e Moreno (Christian Malheiros), o líder do assalto. Os motivos dos criminosos são contextualizados pela crise econômica da época, mas o filme prefere a ação imediata a longas explicações.



    Benício é o grande destaque do longa. Ele entrega uma atuação fantástica, um equilíbrio entre a tensão, a comédia e a malandragem do personagem em cada cena, seja no desespero inicial ou nas negociações com a polícia. Contudo, o foco não recai apenas sobre o ator. Quase todo o elenco entrega performances memoráveis. Muitos dos reféns roubam a cena com reações cômicas diante do absurdo, e a química entre os assaltantes é um acerto cirúrgico; suas interações fazem o público se divertir, como se tivessem reunido “Os Trapalhões” para executar um grande assalto. […]



    Outro ponto técnico que merece destaque é a direção de arte e a fotografia. Trabalhando com um espaço limitado – o banco assaltado em questão –, a equipe constrói uma ambientação incrivelmente fiel à década de 80, desde a redação da Folha de Londrina até a multidão histérica do lado de fora. […]



Disponível em: https://www.omelete.com.br/.

De acordo com o texto, é correto afirmar:
Alternativas
Q4406376 Português
Leia a situação a seguir.
Júlia caminhava pela sala quando ouviu um barulho vindo da cozinha: — CRASH!
Ela correu até lá e encontrou uma panela caída no chão. — Nossa! Que susto! — exclamou. O gato, sentado ao lado da panela, apenas observava a cena.
Considerando os recursos linguísticos empregados no trecho, assinale V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas.
( ) “CRASH!” funciona como onomatopeia, pois procura representar linguisticamente um som produzido na situação narrada.
( ) “Nossa!” funciona como interjeição e, no contexto, contribui para expressar a reação de surpresa e susto de Júlia.
( ) Onomatopeias e interjeições desempenham necessariamente a mesma função: ambas representam sons produzidos por objetos ou animais.
 ( ) Se a expressão “Nossa!” fosse retirada do trecho, nenhuma informação relacionada à reação emocional de Júlia seria afetada, pois interjeições não contribuem para a construção do sentido.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q4406362 Português

Leia a situação apresentada no quadrinho a seguir.

Imagem associada para resolução da questão


Considerando a relação entre a linguagem verbal e os elementos da situação apresentada, o humor do quadrinho é construído principalmente porque:

Alternativas
Q4406361 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

O banco da praça

    Todos os dias, pouco antes das sete da manhã, seu Antônio atravessava a praça a caminho do trabalho. Durante anos, passou pelo mesmo banco de madeira sem prestar muita atenção nele. Até que, numa segunda-feira, encontrou sobre o banco um pequeno vaso com uma muda de planta e um bilhete: “Se puder, cuide de mim.”
    Antônio olhou em volta, mas não viu ninguém. Achou graça no pedido e seguiu seu caminho. Na manhã seguinte, percebeu que a terra do vaso estava seca. Tirou da mochila a garrafa de água que levava para o trabalho e despejou um pouco sobre a planta.
    Nos dias seguintes, repetiu o gesto. Certa manhã, porém, encontrou a terra ainda úmida. Alguém havia chegado antes dele. Depois disso, começou a notar pequenas mudanças: às vezes, algumas folhas secas haviam sido retiradas; em outros dias, o vaso aparecia em um ponto mais protegido do sol forte.
    Antônio nunca descobriu quem havia deixado a planta no banco nem quem passou a ajudá-lo a cuidar dela. Algumas semanas depois, quando surgiu a primeira flor, encontrou um novo bilhete preso ao vaso: “Parece que deu certo.”
    Ele sorriu. Enquanto seguia para o trabalho, pensou que talvez o bilhete estivesse falando de algo maior do que a flor.
No trecho:
“em outros dias, o vaso aparecia em um ponto mais protegido do sol forte”,
considerando o sentido da palavra destacada no contexto, assinale a alternativa em que aparece um antônimo adequado de “protegido”. 
Alternativas
Q4406360 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

O banco da praça

    Todos os dias, pouco antes das sete da manhã, seu Antônio atravessava a praça a caminho do trabalho. Durante anos, passou pelo mesmo banco de madeira sem prestar muita atenção nele. Até que, numa segunda-feira, encontrou sobre o banco um pequeno vaso com uma muda de planta e um bilhete: “Se puder, cuide de mim.”
    Antônio olhou em volta, mas não viu ninguém. Achou graça no pedido e seguiu seu caminho. Na manhã seguinte, percebeu que a terra do vaso estava seca. Tirou da mochila a garrafa de água que levava para o trabalho e despejou um pouco sobre a planta.
    Nos dias seguintes, repetiu o gesto. Certa manhã, porém, encontrou a terra ainda úmida. Alguém havia chegado antes dele. Depois disso, começou a notar pequenas mudanças: às vezes, algumas folhas secas haviam sido retiradas; em outros dias, o vaso aparecia em um ponto mais protegido do sol forte.
    Antônio nunca descobriu quem havia deixado a planta no banco nem quem passou a ajudá-lo a cuidar dela. Algumas semanas depois, quando surgiu a primeira flor, encontrou um novo bilhete preso ao vaso: “Parece que deu certo.”
    Ele sorriu. Enquanto seguia para o trabalho, pensou que talvez o bilhete estivesse falando de algo maior do que a flor.
A respeito das informações apresentadas no texto e da relação entre elas, analise as afirmativas a seguir.
I. No início da narrativa, o banco da praça fazia parte do caminho habitual de Antônio, mas não despertava especialmente sua atenção.
II. Antônio começou a cuidar da planta porque recebeu pessoalmente de quem a deixou no banco a responsabilidade de regá-la diariamente.
III. O fato de Antônio encontrar a terra ainda úmida em certa manhã permite concluir que outra pessoa também havia realizado um cuidado com a planta.
IV. O segundo bilhete apresenta uma frase cujo sentido pode ser relacionado tanto ao florescimento da planta quanto à experiência de cuidado compartilhado construída ao longo da narrativa.
Está correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q4406359 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

O banco da praça

    Todos os dias, pouco antes das sete da manhã, seu Antônio atravessava a praça a caminho do trabalho. Durante anos, passou pelo mesmo banco de madeira sem prestar muita atenção nele. Até que, numa segunda-feira, encontrou sobre o banco um pequeno vaso com uma muda de planta e um bilhete: “Se puder, cuide de mim.”
    Antônio olhou em volta, mas não viu ninguém. Achou graça no pedido e seguiu seu caminho. Na manhã seguinte, percebeu que a terra do vaso estava seca. Tirou da mochila a garrafa de água que levava para o trabalho e despejou um pouco sobre a planta.
    Nos dias seguintes, repetiu o gesto. Certa manhã, porém, encontrou a terra ainda úmida. Alguém havia chegado antes dele. Depois disso, começou a notar pequenas mudanças: às vezes, algumas folhas secas haviam sido retiradas; em outros dias, o vaso aparecia em um ponto mais protegido do sol forte.
    Antônio nunca descobriu quem havia deixado a planta no banco nem quem passou a ajudá-lo a cuidar dela. Algumas semanas depois, quando surgiu a primeira flor, encontrou um novo bilhete preso ao vaso: “Parece que deu certo.”
    Ele sorriu. Enquanto seguia para o trabalho, pensou que talvez o bilhete estivesse falando de algo maior do que a flor.
Considerando o desenvolvimento do texto, a reflexão de Antônio no último parágrafo sugere que: 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FSPSS Órgão: FSPSS Prova: FSPSS - 2026 - FSPSS - Técnico em Enfermagem |
Q4406264 Português
Leia a frase a seguir:
“Uma casa com cachorro é um lar feliz.”
Assinale a alternativa que apresenta uma interpretação adequada do sentido da frase.
Alternativas
Q4405472 Português
Modelos de funcionalidade e incapacidade


A partir de 2001, foi introduzida a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), um modelo biopsicossocial que integra fatores ambientais e pessoais no conceito de funcionamento e incapacidade.

A CIF, usada junto com a CID da OMS, fornece uma visão mais ampla da saúde em níveis individual e populacional.

Diferente de modelos anteriores, não foca apenas na doença, mas classifica estados de saúde comuns a todas as pessoas.

Na fisioterapia, a CIF orienta avaliações e intervenções ao considerar limitações corporais, atividades, participação e fatores contextuais.

Assim, a incorporação da CIF promove uma abordagem clínica mais holística e centrada no funcionamento do paciente.


KISNER, Carolyn.; COLBY, L.A.; BORSTAD, J. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 7. ed. - Santana de Parnaíba/SP: Manole, 2021.
Com base no texto sobre a CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde), assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4405263 Português

    Texto CG1A1


    A corrida pela exploração dos chamados minerais críticos à transição energética acentua os conflitos socioambientais existentes no setor mineral brasileiro. Esses elementos naturais são necessários para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono e a produção de componentes utilizados na fabricação de baterias, veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas, entre outros itens. Além disso, eles também são aplicados majoritariamente em atividades não relacionadas com a transição energética.


    No total, 101 mil pessoas em 15 estados foram impactadas pela extração de minerais da transição, que desencadeou 380 confrontos no país entre 2020 e 2023. A Amazônia Legal, composta por nove estados brasileiros, foi a região com mais disputas, concentrando 46,3% das ocorrências.


    Um dos autores das pesquisas, o geógrafo Luiz Jardim Wanderley, da Universidade Federal Fluminense (UFF), esclarece que são consideradas conflitos as reações dos atingidos pelos impactos socioambientais e pelas situações de violência, que incluem trabalho em condições análogas à escravidão, estupros, acidentes, ameaças, tentativas de assassinato e mortes.


    Os conflitos identificados nesse levantamento podem se sobrepor. O tipo mais prevalente abarca disputas pelo uso da terra, que abrangeram 59,2% das ocorrências, seguidas de embates relativos a acesso à água (39,4%), problemas de saúde (16,4%) e questões trabalhistas (12,4%), explica Wanderley. Entre os minerais utilizados na produção de componentes necessários à transição energética, o cobre e a bauxita foram os que provocaram mais danos, com 25,3% das ocorrências cada um deles. Ao mesmo tempo, esses elementos apresentaram valorização no mercado entre 2020 e 2023. “Os dados sugerem que há uma correlação entre a intensidade da extração do mineral, seu valor de venda e a incidência de conflitos”, diz.



Christina Queiroz. Pesquisas mapeiam conflitos causados pela mineração
In: Revista Pesquisa FAPESP, São Paulo, n.º 343, set./2024, p. 78-82 (com adaptações).
No trecho “eles também são aplicados majoritariamente em atividades não relacionadas com a transição energética” (primeiro parágrafo do texto CG1A1), o vocábulo “majoritariamente” poderia ser substituído, sem alteração dos sentidos originais, por
Alternativas
Q4405260 Português

    Texto CG1A1


    A corrida pela exploração dos chamados minerais críticos à transição energética acentua os conflitos socioambientais existentes no setor mineral brasileiro. Esses elementos naturais são necessários para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono e a produção de componentes utilizados na fabricação de baterias, veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas, entre outros itens. Além disso, eles também são aplicados majoritariamente em atividades não relacionadas com a transição energética.


    No total, 101 mil pessoas em 15 estados foram impactadas pela extração de minerais da transição, que desencadeou 380 confrontos no país entre 2020 e 2023. A Amazônia Legal, composta por nove estados brasileiros, foi a região com mais disputas, concentrando 46,3% das ocorrências.


    Um dos autores das pesquisas, o geógrafo Luiz Jardim Wanderley, da Universidade Federal Fluminense (UFF), esclarece que são consideradas conflitos as reações dos atingidos pelos impactos socioambientais e pelas situações de violência, que incluem trabalho em condições análogas à escravidão, estupros, acidentes, ameaças, tentativas de assassinato e mortes.


    Os conflitos identificados nesse levantamento podem se sobrepor. O tipo mais prevalente abarca disputas pelo uso da terra, que abrangeram 59,2% das ocorrências, seguidas de embates relativos a acesso à água (39,4%), problemas de saúde (16,4%) e questões trabalhistas (12,4%), explica Wanderley. Entre os minerais utilizados na produção de componentes necessários à transição energética, o cobre e a bauxita foram os que provocaram mais danos, com 25,3% das ocorrências cada um deles. Ao mesmo tempo, esses elementos apresentaram valorização no mercado entre 2020 e 2023. “Os dados sugerem que há uma correlação entre a intensidade da extração do mineral, seu valor de venda e a incidência de conflitos”, diz.



Christina Queiroz. Pesquisas mapeiam conflitos causados pela mineração
In: Revista Pesquisa FAPESP, São Paulo, n.º 343, set./2024, p. 78-82 (com adaptações).
Dos sentidos do texto CG1A1 conclui-se que, no trecho “No total, 101 mil pessoas em 15 estados foram impactadas pela extração de minerais da transição, que desencadeou 380 confrontos no país entre 2020 e 2023” (segundo parágrafo), o vocábulo “que” retoma
Alternativas
Q4405259 Português

    Texto CG1A1


    A corrida pela exploração dos chamados minerais críticos à transição energética acentua os conflitos socioambientais existentes no setor mineral brasileiro. Esses elementos naturais são necessários para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono e a produção de componentes utilizados na fabricação de baterias, veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas, entre outros itens. Além disso, eles também são aplicados majoritariamente em atividades não relacionadas com a transição energética.


    No total, 101 mil pessoas em 15 estados foram impactadas pela extração de minerais da transição, que desencadeou 380 confrontos no país entre 2020 e 2023. A Amazônia Legal, composta por nove estados brasileiros, foi a região com mais disputas, concentrando 46,3% das ocorrências.


    Um dos autores das pesquisas, o geógrafo Luiz Jardim Wanderley, da Universidade Federal Fluminense (UFF), esclarece que são consideradas conflitos as reações dos atingidos pelos impactos socioambientais e pelas situações de violência, que incluem trabalho em condições análogas à escravidão, estupros, acidentes, ameaças, tentativas de assassinato e mortes.


    Os conflitos identificados nesse levantamento podem se sobrepor. O tipo mais prevalente abarca disputas pelo uso da terra, que abrangeram 59,2% das ocorrências, seguidas de embates relativos a acesso à água (39,4%), problemas de saúde (16,4%) e questões trabalhistas (12,4%), explica Wanderley. Entre os minerais utilizados na produção de componentes necessários à transição energética, o cobre e a bauxita foram os que provocaram mais danos, com 25,3% das ocorrências cada um deles. Ao mesmo tempo, esses elementos apresentaram valorização no mercado entre 2020 e 2023. “Os dados sugerem que há uma correlação entre a intensidade da extração do mineral, seu valor de venda e a incidência de conflitos”, diz.



Christina Queiroz. Pesquisas mapeiam conflitos causados pela mineração
In: Revista Pesquisa FAPESP, São Paulo, n.º 343, set./2024, p. 78-82 (com adaptações).
Com base nas ideias expressas no texto CG1A1, é correto afirmar que
Alternativas
Q4405166 Português
Leia o Texto III para responder às questões de 38 a 40. [

Texto III

SEGUIMOS OS LÍDERES DESDE SEMPRE
Estudo sugere o porquê de as pessoas – mesmo em sociedades primitivas - sempre escolherem copiar quem se destaca, um movimento que andou com a evolução humana (por Lígia Moraes)    

    Os poderosos em todo o mundo têm sido tão desastrados, à esquerda e à direita, em meio à permanente polarização, que a noção de liderança também foi arrastada para a sarjeta. É uma pena, porque os comandantes de fato — que levam equipes a portos seguros, com sensatez e firmeza — deveriam ser sempre celebrados, como os executivos de empresas que prosperam ou os chefes de bateria das escolas de samba, para ficar com dois exemplos saudáveis. [...]
    Um estudo recente feito por uma equipe da Universidade Estadual do Arizona (ASU, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, sugere que a solução, digamos assim, de concentrar influência em poucos indivíduos já existia nos primeiros grupos de caçadorescoletores, que não seriam assim tão igualitários como faz pressupor o lugar-comum. E adeus à ingênua ideia de que desigualdades acentuadas da postura de indivíduos tenham surgido posteriormente, com a agricultura e as sociedades mais complexas. [...]“Em algum momento do nosso passado, os humanos se tornaram dependentes da cultura”, anota Thomas Morgan, antropólogo evolucionista da ASU, um dos — sim — líderes do estudo. “Não resolvemos problemas sozinhos, precisamos trabalhar em equipe e aprender uns com os outros. Nesse contexto, pessoas realmente habilidosas, inteligentes ou carismáticas são valiosas”.
    As hierarquias de prestígio são muito distintas das regras de dominância observadas, por exemplo, em primatas. Nada a ver, para ficar com um nome do século XIII, com o estilo do “líder” mongol Gengis Khan, que expandiu seu império na Ásia Central pela violência, pelo sangue, no estúpido avesso da sedução pela palavra. [...] Ao longo de milhares de gerações, os humanos que seguiram bons exemplos provavelmente sobreviveram e prosperaram. Mas descobrir quem seria um bom líder é um problema complexo, e os humanos não resolvem problemas sozinhos — fazemos isso em grupo. Portanto, monitoramos não apenas o quão boas as pessoas são, mas também quem os outros estão seguindo.
    As descobertas ajudam a explicar padrões que vemos em todos os lugares: em locais de trabalho, na política, na hora do recreio escolar, dentro de casa e nas redes sociais, é claro. Na internet parte-se do pressuposto de que, se muitos seguem alguém, deve haver um bom motivo — e haja carnaval de influencers. [...] Se a autoridade foi validada por tantos, lá vou eu também, e o risco de erros cresce exponencialmente.
    Mas nem sempre há o pior dos mundos, porque pessimismo faz mal. “Quanto mais pessoas seguem um indivíduo, mais influente essa pessoa se torna. Se aqueles que têm influência possuem informações úteis, é possível escolher com quem aprender”, diz Robin Watson, da Universidade de Lincoln, que também participou do levantamento da ASU. Resumo da ópera: siga o líder, é bom têlo, mas evite armadilhas. O prestígio é um atalho, uma forma de economia mental. Como não temos tempo para analisar tudo, a atenção coletiva é uma pista de quem vale a pena ouvir — mesmo nas redes sociais. No avesso do que uma vez exclamou o dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues (1912-1980): nem toda unanimidade é burra. Fonte: VEJA, 20/02/26, edição nº 2983 .
São diversos os propósitos comunicativos dos textos que circulam socialmente. A reportagem é um texto que contribui para formar opiniões. Assim, é objetivo do texto:
I- Rebater o suporte da internet como um possível norte para orientar a escolha do líder.
II- Mostrar a relevância da liderança, sem negar a necessidade de monitorar quem tem muitos seguidores.
III- Questionar a pressão por uma liderança, dado o perigo latente de provocar polarização.
IV- Ressaltar, apoiado em pesquisa, que não é novidade a influência de um indivíduo sobre os outros.
V- Problematizar o desconhecimento dos indivíduos sobre os diferentes tipos de liderança.
É CORRETO o que se afirma apenas em: 
Alternativas
Q4405161 Português
Leia o Texto II para responder à questão.
Texto II

AS TENSÕES INSTITUCIONAIS TENDEM A SE INTENSIFICAR

    Janeiro sempre chega com água farta em Brasília. O céu fecha, a umidade sobe, as tempestades se formam rapidamente e, em poucas horas, o que parecia rotina vira alagamento. O curioso é que, no Brasil, esse padrão climático encontra um paralelo quase perfeito no funcionamento das instituições. Assim como a cidade parece precisar da chuva para se reorganizar, o sistema político nacional parece depender da crise para se mover. Parece que o país só reage quando o mau tempo se instala. Na bonança, as engrenagens rangem, a agenda emperra, o planejamento some do radar. Na tempestade, surgem decisões rápidas, pactos improvisados e uma coordenação que raramente se vê em tempos normais.
    O calendário ajuda a explicar. Janeiro é mês de recesso, transição administrativa e expectativas difusas. Mas também é quando problemas acumulados transbordam. Déficits ocultos reaparecem, crises regulatórias emergem, conflitos entre poderes ganham novo fôlego. A água que cai do céu funciona como metáfora de um sistema que só se dispõe a agir quando pressionado pelo risco imediato. O novo ano, contudo, não herda apenas os problemas de sempre. Herda a mais grave crise institucional desde o golpe militar de 1964 — uma crise que não eclodiu de repente, mas que vem se avolumando ao longo deste século, alimentada por tensões sucessivas entre os poderes, pela erosão da confiança nas instituições e por um modelo de governança que há muito dá sinais de esgotamento. O 8 de janeiro de 2023 foi apenas a erupção mais visível de um vulcão que já fumegava havia anos.
    Nesse cenário, a agenda legislativa de 2026 será decisivamente influenciada por dois vetores que se reforçam mutuamente: o conflito institucional ainda não resolvido e o ciclo eleitoral que se avizinha. Na prática, isso significa um Congresso em que cada ator cuida prioritariamente de si. Deputados e senadores calcularão cada voto pensando nas urnas. O Executivo medirá cada gesto pela repercussão na campanha. E o Judiciário seguirá oscilando entre a contenção e o protagonismo. Reformas de fundo tendem a ficar para depois. O Brasil se acostumou a governar no modo emergência. Reformas avançam apenas quando há colapso fiscal à vista. Ajustes institucionais só prosperam após escândalos ruidosos. A cooperação entre os poderes costuma surgir não por vocação, mas por medo do transbordamento. Passada a tormenta, volta a estiagem decisória: comissões esvaziam, projetos dormem, diagnósticos ficam nas gavetas. Esse vício tem custo alto. A previsibilidade se perde, o investimento recua, a confiança pública se desgasta. A exceção vira norma, e a regra perde autoridade. Governa-se pelo improviso, não pelo planejamento; pela urgência, não pela estratégia. Como em uma cidade que nunca investe em drenagem, prefere-se lidar com o alagamento a prevenir a enchente.
    As chuvas de janeiro, portanto, não são apenas um fenômeno meteorológico. Elas anunciam, simbolicamente, um ano em que as tensões institucionais tendem a se intensificar. O céu pesado sobre a Praça dos Três Poderes reflete um sistema que segue dependente da tempestade para funcionar. Enquanto o país não aprender a operar sob céu aberto — com instituições capazes de agir sem o empurrão da crise —, janeiro continuará sendo mais do que o início do ano. Será o prenúncio de novas tormentas políticas. E as águas de março, que fecham o verão, ainda estão por vir. Fonte: VEJA, 09/01/2026, edição nº 2977. 
De acordo com o texto II, a crise das instituições é causada por quais dos fatores citados na sequência?
I- O conflito entre os poderes e a desconfiança em relação às instituições.
II- O adiamento e também o isolamento das decisões.
III- O autoritarismo do poder judiciário.
IV- O improviso na resolução dos problemas.
V- Ainterferência de empresários nas reformas políticas.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q4405160 Português
Leia o Texto II para responder à questão.
Texto II

AS TENSÕES INSTITUCIONAIS TENDEM A SE INTENSIFICAR

    Janeiro sempre chega com água farta em Brasília. O céu fecha, a umidade sobe, as tempestades se formam rapidamente e, em poucas horas, o que parecia rotina vira alagamento. O curioso é que, no Brasil, esse padrão climático encontra um paralelo quase perfeito no funcionamento das instituições. Assim como a cidade parece precisar da chuva para se reorganizar, o sistema político nacional parece depender da crise para se mover. Parece que o país só reage quando o mau tempo se instala. Na bonança, as engrenagens rangem, a agenda emperra, o planejamento some do radar. Na tempestade, surgem decisões rápidas, pactos improvisados e uma coordenação que raramente se vê em tempos normais.
    O calendário ajuda a explicar. Janeiro é mês de recesso, transição administrativa e expectativas difusas. Mas também é quando problemas acumulados transbordam. Déficits ocultos reaparecem, crises regulatórias emergem, conflitos entre poderes ganham novo fôlego. A água que cai do céu funciona como metáfora de um sistema que só se dispõe a agir quando pressionado pelo risco imediato. O novo ano, contudo, não herda apenas os problemas de sempre. Herda a mais grave crise institucional desde o golpe militar de 1964 — uma crise que não eclodiu de repente, mas que vem se avolumando ao longo deste século, alimentada por tensões sucessivas entre os poderes, pela erosão da confiança nas instituições e por um modelo de governança que há muito dá sinais de esgotamento. O 8 de janeiro de 2023 foi apenas a erupção mais visível de um vulcão que já fumegava havia anos.
    Nesse cenário, a agenda legislativa de 2026 será decisivamente influenciada por dois vetores que se reforçam mutuamente: o conflito institucional ainda não resolvido e o ciclo eleitoral que se avizinha. Na prática, isso significa um Congresso em que cada ator cuida prioritariamente de si. Deputados e senadores calcularão cada voto pensando nas urnas. O Executivo medirá cada gesto pela repercussão na campanha. E o Judiciário seguirá oscilando entre a contenção e o protagonismo. Reformas de fundo tendem a ficar para depois. O Brasil se acostumou a governar no modo emergência. Reformas avançam apenas quando há colapso fiscal à vista. Ajustes institucionais só prosperam após escândalos ruidosos. A cooperação entre os poderes costuma surgir não por vocação, mas por medo do transbordamento. Passada a tormenta, volta a estiagem decisória: comissões esvaziam, projetos dormem, diagnósticos ficam nas gavetas. Esse vício tem custo alto. A previsibilidade se perde, o investimento recua, a confiança pública se desgasta. A exceção vira norma, e a regra perde autoridade. Governa-se pelo improviso, não pelo planejamento; pela urgência, não pela estratégia. Como em uma cidade que nunca investe em drenagem, prefere-se lidar com o alagamento a prevenir a enchente.
    As chuvas de janeiro, portanto, não são apenas um fenômeno meteorológico. Elas anunciam, simbolicamente, um ano em que as tensões institucionais tendem a se intensificar. O céu pesado sobre a Praça dos Três Poderes reflete um sistema que segue dependente da tempestade para funcionar. Enquanto o país não aprender a operar sob céu aberto — com instituições capazes de agir sem o empurrão da crise —, janeiro continuará sendo mais do que o início do ano. Será o prenúncio de novas tormentas políticas. E as águas de março, que fecham o verão, ainda estão por vir. Fonte: VEJA, 09/01/2026, edição nº 2977. 
No Texto II, o fenômeno das chuvas e suas implicações para as cidades, como Brasília, é tomado como parâmetro para tratar do funcionamento das instituições. No plano global, o autor se utiliza da comparação e da explicação no desenvolvimento da progressão temática, mas outras relações semânticas se estabelecem no texto.
Dados os fragmentos abaixo, retirados do segundo parágrafo, analise o sentido que se depreende da combinação das orações.
I- “Janeiro é mês de recesso, transição administrativa e expectativas difusas. // Mas também é quando problemas acumulados transbordam”.
II- “O novo ano [...]. Herda a mais grave crise institucional desde o golpe militar de 1964 — uma crise que não eclodiu de repente, // mas que vem se avolumando ao longo deste século, alimentada por tensões sucessivas entre os poderes [...] e por um modelo de governança que há muito dá sinais de esgotamento”.
O sentido viabilizado pelo uso do MAS TAMBÉM, em (I), e do MAS, em (II) é de: 
Alternativas
Q4405154 Português
Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Ei, Ardoca

    O barulhar seco e cortante do trem irritava os ouvidos de Ardoca. O atrito da máquina nos trilhos ecoava constantemente no fundo de seus tímpanos. Aos domingos, dentro de casa, no silêncio da mulher, nas vozes e brincadeiras dos filhos, ele ouvia o grito arranhado do aço espichado sobre o solo. Grito lancinante e cortante debaixo do comboio pesadão que parecia massacrar a linha férrea inerte. Ardoca nascera quase que dentro daquela máquina. Sua mãe, moradora do subúrbio, fazia a viagem diária rumo ao trabalho. Ela grávida, ele estufando na barriga materna respondia aos solavancos do trem com chutes internos. Depois, cá fora, no mundo, no colo da mãe, acordava e chorava durante todo o tempo da viagem. Cresceu em meio aos solavancos, ao empurra-empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, aos lamentos e cochilos dos trabalhadores e trabalhadoras cansados. Assistiu inúmeras vezes, como testemunha cega e muda, a assaltos, assassinatos, tráfico e uso de droga nos vagões superlotados. Acada viagem, Ardoca mais estranhava e desacostumava à vida do trem. Queria viajar com o mesmo descuido de alguns que jogavam porrinha ou dormiam durante o percurso, mas permanecia sempre desesperadamente acordado. Estava sempre atento, tenso, como se o trem, a qualquer momento, pudesse autocolidir, se autoembarafunhar, fazendo com que o último vagão se fechasse em círculo sobre o primeiro e soltasse tudo pelos ares.
    E foi então, que em uma tarde, Ardoca caminhou com passos lentos em direção à estação. Era sábado. O movimento menor de passageiros não garantiu porém a possibilidade de um lugar vazio. Ele se sentia cansado por todos os dias, todos os trabalhos, e por toda a vida. Entrou na fila para a compra do bilhete. O funcionário deu-lhe o troco. Ardoca com um gesto recusou. Olhou o trem, a composição pareceu-lhe mais longa ainda. Subiu com dificuldades, encostou-se à parede do vagão e depois lentamente foi escorregando o corpo até chegar ao chão. Algumas pessoas riram. Alguém gritou que o homem estava bêbado. Outro completou a observação dizendo que o dinheiro do pobre não dava para o alimento, mas dava para a cachaça. O trem continuava parado, mas a barulheira sobre os trilhos alcançava e feria os ouvidos de Ardoca. Ele sorria um pouco. Um suor frio escorria sobre a sua face. Um grupo de crentes cantava olhando para ele como se quisesse comovê-lo. Aleluiavam aos altos brados um Senhor que, segundo eles, falava em silêncio aos homens. Ardoca abandonava o corpo, que pendia lentamente para um lado. O passageiro do banco próximo encolheu o pé. Um camelô que vendia água pulou por cima dele para atender uma pessoa. Ardoca respirava com dificuldade, debaixo do negro de sua pele, um tom amarelo desbotado aparecia. Uma mulher levantou, comprou um copo d'água e deu-lhe de beber, tentando reanimá-lo. Os crentes continuavam bradando o hino. O vendedor de água, buscando um espaço para fazer valer a sua fala, anunciava o seu produto em altíssima voz. O trem parado continuava mortificando os ouvidos fragilizados de Ardoca. Enquanto isso, sua vida ia se aprofudando mais e mais no dissentir de tudo. Ele buscava a respiração lá no fundo. A mulher que lhe socorreu parecia querer chorar. Neste momento entrou no vagão um passageiro correndo e gritando. Desesperado, empurrou as pessoas buscando passagem em direção ao rapaz desfalecido, chamando por ele
     — Ei, Ardoca! Ei, Ardoca!
    Rapidamente o tomou no colo, desceu do trem e o depositou no banco da estação. Acomposição iniciou lentamente a partida. Cá de dentro, a mulher que se condoera de Ardoca e alguns outros passageiros ainda puderam ver. Aquele que o socorrera estava a meter a mão nos bolsos de Ardoca e a arrancar-lhe os sapatos e o relógio que ele trazia no pulso. Ardoca estava sendo assaltado. A mulher fez menção de descer, mas a máquina ganhou velocidade e partiu. Não era preciso porém nem dor, nem lágrimas. O outro podia levar os poucos pertences de Ardoca. Podia tomar-lhe tudo. Ardoca não tinha mais nada, nem a vida. Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolvera tudo. Num gesto desesperado e solitário bebera lentamente um veneno e decidira levantar para morrer no trem. O outro levava os pertences de alguém que já despertencia à vida e jazia no banco da estação.
     O barulho da máquina sobre os trilhos entoava uma música réquiem de descanso eterno para Ardoca. Amém.

Fonte:Evaristo, Conceição. Olhos d'água. 1. ed. – Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 
Avalie as asserções a respeito do conto “Ei, Ardoca!”, listadas a seguir.
I- Ao referir-se ao “barulhar” do trem, a autora alude não só ao ruído que emerge do atrito com a linha férrea, mas a toda agitação resultante da mistura de ações realizadas naquele recinto.
II- O 1º parágrafo é descritivo-narrativo, e mostra a difícil realidade vivida por muitos trabalhadores durante o percurso de casa para o trabalho no trem: superlotação, violência, pobreza, alvoroço e diferentes práticas sociais e culturais das.
III- O 1º parágrafo denuncia a vida precária do personagem central da narrativa, Ardoca, representada na tensão vivida por ele – o ruído do trem e tudo que o cerca cotidianamente –, situação que justifica o ato de desistir da vida, descrito no 2º parágrafo
IV- A descrição, no 3º parágrafo, da atitude do personagem que finge socorrer Ardoca, tem como propósito mostrar o perigo das amizades e a indiferença ao sofrimento do próximo como uma atitude generalizada no subúrbio.
V- O texto inicia e finaliza fazendo alusão ao barulho e a recorrência a termos da mesma esfera semântica, como: gritos, vozes, brados, entre outros, além de promover a unidade temática, consolida uma simbologia expressa na narrativa – a ideia de continuidade, repetição, rotina, e a perda de sentido existencial do personagem Ardoca.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: CPCON Órgão: Prefeitura de Guarabira - PB Provas: CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Agente Fiscal de Tributos | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Arquiteto e Urbanista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Arquivista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Assistente Social | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Auditor de Controle Interno | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Auditor Fiscal de Tributos Municipais | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Biomquímico | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Educador Físico | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Enfermeiro 40h | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Engenheiro Civil | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Reumatologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Socorrista 24h | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Veterinário | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Nutricionista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Odontólogo | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Odontológo Pediatra | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Procurador Municipal | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Programador | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Psicólogo | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Farmacêutico | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Fisioterapeuta | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Fonoaudiólogo | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Cardiologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Gastroenterologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Mastologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Neurologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Neuropediatra | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Pediatra | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico PSF | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Terapeuta Ocupacional |
Q4404772 Português

Leia o Texto III para responder à questão.

Texto III - Dona Anésia


Fonte: http://www.willtirando.com.br/anesia-324/ .Acesso em: 21 abr. 2026.

No trecho “acreditar em mim mesmo” / “acreditar em mim mesma”, o efeito de sentido central decorre de: 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: CPCON Órgão: Prefeitura de Guarabira - PB Provas: CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Agente Fiscal de Tributos | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Arquiteto e Urbanista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Arquivista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Assistente Social | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Auditor de Controle Interno | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Auditor Fiscal de Tributos Municipais | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Biomquímico | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Educador Físico | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Enfermeiro 40h | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Engenheiro Civil | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Reumatologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Socorrista 24h | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Veterinário | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Nutricionista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Odontólogo | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Odontológo Pediatra | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Procurador Municipal | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Programador | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Psicólogo | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Farmacêutico | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Fisioterapeuta | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Fonoaudiólogo | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Cardiologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Gastroenterologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Mastologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Neurologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Neuropediatra | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Pediatra | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico PSF | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Terapeuta Ocupacional |
Q4404771 Português

Leia o Texto III para responder à questão.

Texto III - Dona Anésia


Fonte: http://www.willtirando.com.br/anesia-324/ .Acesso em: 21 abr. 2026.

Quanto ao gênero textual e à situação sociocomunicativa, a tirinha caracteriza-se como:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: CPCON Órgão: Prefeitura de Guarabira - PB Provas: CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Agente Fiscal de Tributos | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Arquiteto e Urbanista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Arquivista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Assistente Social | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Auditor de Controle Interno | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Auditor Fiscal de Tributos Municipais | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Biomquímico | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Educador Físico | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Enfermeiro 40h | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Engenheiro Civil | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Reumatologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Socorrista 24h | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Veterinário | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Nutricionista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Odontólogo | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Odontológo Pediatra | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Procurador Municipal | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Programador | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Psicólogo | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Farmacêutico | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Fisioterapeuta | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Fonoaudiólogo | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Cardiologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Gastroenterologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Mastologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Neurologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Neuropediatra | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Pediatra | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico PSF | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Terapeuta Ocupacional |
Q4404770 Português

Leia o Texto III para responder à questão.

Texto III - Dona Anésia


Fonte: http://www.willtirando.com.br/anesia-324/ .Acesso em: 21 abr. 2026.

A construção do humor na tirinha decorre principalmente de:
Alternativas
Respostas
541: E
542: C
543: E
544: C
545: C
546: A
547: C
548: B
549: D
550: D
551: C
552: D
553: D
554: B
555: A
556: E
557: E
558: B
559: E
560: D