Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q4404009 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
O texto tem como principal objetivo:
Alternativas
Q4403965 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Analise as afirmativas a seguir.
I. No excerto “‘O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo’, explica Breno”, o termo “boicotados” pode ser substituído por “sabotados” sem perda de sentido.
II. Em “Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.”, o termo “forasteiros” pode ser substituído por “nativos” sem alteração de sentido.
III. No trecho “O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então.”, o vocábulo “formalismos” é sinônimo de “academicismos”.
IV. Em “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência.”, o termo “minorizadas” pode ser considerado antônimo de “predominantes”.
V. No período “O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade.”, a expressão “indissociável de” pode ser substituída por “intrínseco a”.

Estão corretas as afirmativas  
Alternativas
Q4403964 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Assinale a alternativa em que a relação semântica estabelecida pelo elemento coesivo está correta.  
Alternativas
Q4403963 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Com relação ao uso predominante de linguagem denotativa e conotativa, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4403962 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Leia o seguinte trecho do texto:
“[...] os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões.”

De acordo com o texto, a Guinlagem do Camaco é caracterizada como uma variação linguística
Alternativas
Q4403961 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
São objetivos dos trabalhos do cineasta e dos pesquisadores do Camaco citados no texto, exceto:
Alternativas
Q4403960 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Considerando o contexto histórico e social da Guinlagem do Camaco, assinale a alternativa correta.  
Alternativas
Q4403959 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
O texto tem como principal objetivo:
Alternativas
Q4403915 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Analise as afirmativas a seguir.
I. No excerto “‘O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo’, explica Breno”, o termo “boicotados” pode ser substituído por “sabotados” sem perda de sentido.
II. Em “Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.”, o termo “forasteiros” pode ser substituído por “nativos” sem alteração de sentido.
III. No trecho “O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então.”, o vocábulo “formalismos” é sinônimo de “academicismos”.
IV. Em “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência.”, o termo “minorizadas” pode ser considerado antônimo de “predominantes”.
V. No período “O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade.”, a expressão “indissociável de” pode ser substituída por “intrínseco a”.

Estão corretas as afirmativas 
Alternativas
Q4403914 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Assinale a alternativa em que a relação semântica estabelecida pelo elemento coesivo está correta. 
Alternativas
Q4403913 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Com relação ao uso predominante de linguagem denotativa e conotativa, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4403912 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Leia o seguinte trecho do texto:
“[...] os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões.”

De acordo com o texto, a Guinlagem do Camaco é caracterizada como uma variação linguística
Alternativas
Q4403911 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
São objetivos dos trabalhos do cineasta e dos pesquisadores do Camaco citados no texto, exceto:
Alternativas
Q4403910 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Considerando o contexto histórico e social da Guinlagem do Camaco, assinale a alternativa correta.  
Alternativas
Q4403909 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
O texto tem como principal objetivo:
Alternativas
Q4403862 Português
Musculação realmente pode ajudar a viver mais?

Fazer entre 90 minutos e duas horas de musculação por semana pode reduzir significativamente o risco de morte precoce, de acordo com uma nova pesquisa.

Dados reunidos a partir de estudos de longa duração sugerem que a prática regular de treino de força no longo prazo pode reduzir de forma significativa a probabilidade de morte por doenças cardíacas e derrames. Os benefícios também incluíram a redução do risco de morte por doenças neurológicas.

Especialistas afirmaram que isso constitui mais uma evidência de que o treino de força pode ajudar a prevenir ou adiar problemas de saúde e pode aliviar a pressão sobre serviços de saúde sobrecarregados.

Kate Hogarth tem apenas 28 anos, mas já pensa em como se manter saudável para desfrutar de seu futuro. Ela gosta de treinar com pesos e do aumento da autoestima que isso lhe proporciona no presente — mas também reconhece os benefícios de longo prazo para a saúde.

“Quero ser independente mais tarde na vida. Existem muitos estudos que mostram todos os benefícios do treino de força, para a saúde cardiovascular, músculos, ossos e saúde mental”, diz ela. “Quero poder viajar pelo mundo quando tiver 70, 80 e 90 anos e quero poder pegar meus netos no colo e brincar com eles, e ter esse nível de independência é muito importante.”

O sistema britânico de saúde (NHS, na sigla em inglês) afirma que a atividade aeróbica regular pode reduzir o risco de doenças cardíacas, derrames e diabetes tipo 2, além de reduzir o estresse e aumentar a autoestima.

Mas o que tem sido menos claro é o papel que a musculação pode desempenhar na redução do risco de morte. Isso está começando a mudar.

Pesquisadores que publicaram um artigo no British Journal of Sports Medicine analisaram dados de três estudos envolvendo 147.374 homens e mulheres com mais de 30 anos. Eles constataram que aqueles que praticavam musculação consistentemente entre 90 minutos e duas horas por semana reduziram o risco de morte prematura por qualquer causa em 13%.

O risco de morte por doença cardiovascular — como ataque cardíaco ou derrame, por exemplo — foi 19% menor. Para morte causada por doença neurológica — como demência, por exemplo — a redução foi ainda maior, de 27%.

Os pesquisadores concluíram que os “menores riscos” foram observados entre aqueles que realizavam níveis elevados tanto de exercício aeróbico quanto de treino de força.

Entre essas pessoas mais ativas, que faziam muitas horas de exercícios aeróbicos por semana, o risco de morte precoce por qualquer causa caiu em até 58%. [...]

HUGHES, Dominic; HITCHEN, Lesley; GOVAN, James. Musculação realmente pode ajudar a viver mais? BBC News. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ clypj6jl5xpo. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, uma passagem com marcas de subjetividade e uma passagem com informação baseada em dados e pesquisas.
Alternativas
Q4403861 Português
Musculação realmente pode ajudar a viver mais?

Fazer entre 90 minutos e duas horas de musculação por semana pode reduzir significativamente o risco de morte precoce, de acordo com uma nova pesquisa.

Dados reunidos a partir de estudos de longa duração sugerem que a prática regular de treino de força no longo prazo pode reduzir de forma significativa a probabilidade de morte por doenças cardíacas e derrames. Os benefícios também incluíram a redução do risco de morte por doenças neurológicas.

Especialistas afirmaram que isso constitui mais uma evidência de que o treino de força pode ajudar a prevenir ou adiar problemas de saúde e pode aliviar a pressão sobre serviços de saúde sobrecarregados.

Kate Hogarth tem apenas 28 anos, mas já pensa em como se manter saudável para desfrutar de seu futuro. Ela gosta de treinar com pesos e do aumento da autoestima que isso lhe proporciona no presente — mas também reconhece os benefícios de longo prazo para a saúde.

“Quero ser independente mais tarde na vida. Existem muitos estudos que mostram todos os benefícios do treino de força, para a saúde cardiovascular, músculos, ossos e saúde mental”, diz ela. “Quero poder viajar pelo mundo quando tiver 70, 80 e 90 anos e quero poder pegar meus netos no colo e brincar com eles, e ter esse nível de independência é muito importante.”

O sistema britânico de saúde (NHS, na sigla em inglês) afirma que a atividade aeróbica regular pode reduzir o risco de doenças cardíacas, derrames e diabetes tipo 2, além de reduzir o estresse e aumentar a autoestima.

Mas o que tem sido menos claro é o papel que a musculação pode desempenhar na redução do risco de morte. Isso está começando a mudar.

Pesquisadores que publicaram um artigo no British Journal of Sports Medicine analisaram dados de três estudos envolvendo 147.374 homens e mulheres com mais de 30 anos. Eles constataram que aqueles que praticavam musculação consistentemente entre 90 minutos e duas horas por semana reduziram o risco de morte prematura por qualquer causa em 13%.

O risco de morte por doença cardiovascular — como ataque cardíaco ou derrame, por exemplo — foi 19% menor. Para morte causada por doença neurológica — como demência, por exemplo — a redução foi ainda maior, de 27%.

Os pesquisadores concluíram que os “menores riscos” foram observados entre aqueles que realizavam níveis elevados tanto de exercício aeróbico quanto de treino de força.

Entre essas pessoas mais ativas, que faziam muitas horas de exercícios aeróbicos por semana, o risco de morte precoce por qualquer causa caiu em até 58%. [...]

HUGHES, Dominic; HITCHEN, Lesley; GOVAN, James. Musculação realmente pode ajudar a viver mais? BBC News. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ clypj6jl5xpo. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Releia o trecho a seguir.
“O risco de morte por doença cardiovascular — como ataque cardíaco ou derrame, por exemplo — foi 19% menor.”
Nesse trecho, o uso do sinal de pontuação travessão tem como função
Alternativas
Q4403860 Português
Musculação realmente pode ajudar a viver mais?

Fazer entre 90 minutos e duas horas de musculação por semana pode reduzir significativamente o risco de morte precoce, de acordo com uma nova pesquisa.

Dados reunidos a partir de estudos de longa duração sugerem que a prática regular de treino de força no longo prazo pode reduzir de forma significativa a probabilidade de morte por doenças cardíacas e derrames. Os benefícios também incluíram a redução do risco de morte por doenças neurológicas.

Especialistas afirmaram que isso constitui mais uma evidência de que o treino de força pode ajudar a prevenir ou adiar problemas de saúde e pode aliviar a pressão sobre serviços de saúde sobrecarregados.

Kate Hogarth tem apenas 28 anos, mas já pensa em como se manter saudável para desfrutar de seu futuro. Ela gosta de treinar com pesos e do aumento da autoestima que isso lhe proporciona no presente — mas também reconhece os benefícios de longo prazo para a saúde.

“Quero ser independente mais tarde na vida. Existem muitos estudos que mostram todos os benefícios do treino de força, para a saúde cardiovascular, músculos, ossos e saúde mental”, diz ela. “Quero poder viajar pelo mundo quando tiver 70, 80 e 90 anos e quero poder pegar meus netos no colo e brincar com eles, e ter esse nível de independência é muito importante.”

O sistema britânico de saúde (NHS, na sigla em inglês) afirma que a atividade aeróbica regular pode reduzir o risco de doenças cardíacas, derrames e diabetes tipo 2, além de reduzir o estresse e aumentar a autoestima.

Mas o que tem sido menos claro é o papel que a musculação pode desempenhar na redução do risco de morte. Isso está começando a mudar.

Pesquisadores que publicaram um artigo no British Journal of Sports Medicine analisaram dados de três estudos envolvendo 147.374 homens e mulheres com mais de 30 anos. Eles constataram que aqueles que praticavam musculação consistentemente entre 90 minutos e duas horas por semana reduziram o risco de morte prematura por qualquer causa em 13%.

O risco de morte por doença cardiovascular — como ataque cardíaco ou derrame, por exemplo — foi 19% menor. Para morte causada por doença neurológica — como demência, por exemplo — a redução foi ainda maior, de 27%.

Os pesquisadores concluíram que os “menores riscos” foram observados entre aqueles que realizavam níveis elevados tanto de exercício aeróbico quanto de treino de força.

Entre essas pessoas mais ativas, que faziam muitas horas de exercícios aeróbicos por semana, o risco de morte precoce por qualquer causa caiu em até 58%. [...]

HUGHES, Dominic; HITCHEN, Lesley; GOVAN, James. Musculação realmente pode ajudar a viver mais? BBC News. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ clypj6jl5xpo. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Com relação aos argumentos utilizados para defender o ponto de vista dos autores, assinale a alternativa incorreta. 
Alternativas
Q4403859 Português
Musculação realmente pode ajudar a viver mais?

Fazer entre 90 minutos e duas horas de musculação por semana pode reduzir significativamente o risco de morte precoce, de acordo com uma nova pesquisa.

Dados reunidos a partir de estudos de longa duração sugerem que a prática regular de treino de força no longo prazo pode reduzir de forma significativa a probabilidade de morte por doenças cardíacas e derrames. Os benefícios também incluíram a redução do risco de morte por doenças neurológicas.

Especialistas afirmaram que isso constitui mais uma evidência de que o treino de força pode ajudar a prevenir ou adiar problemas de saúde e pode aliviar a pressão sobre serviços de saúde sobrecarregados.

Kate Hogarth tem apenas 28 anos, mas já pensa em como se manter saudável para desfrutar de seu futuro. Ela gosta de treinar com pesos e do aumento da autoestima que isso lhe proporciona no presente — mas também reconhece os benefícios de longo prazo para a saúde.

“Quero ser independente mais tarde na vida. Existem muitos estudos que mostram todos os benefícios do treino de força, para a saúde cardiovascular, músculos, ossos e saúde mental”, diz ela. “Quero poder viajar pelo mundo quando tiver 70, 80 e 90 anos e quero poder pegar meus netos no colo e brincar com eles, e ter esse nível de independência é muito importante.”

O sistema britânico de saúde (NHS, na sigla em inglês) afirma que a atividade aeróbica regular pode reduzir o risco de doenças cardíacas, derrames e diabetes tipo 2, além de reduzir o estresse e aumentar a autoestima.

Mas o que tem sido menos claro é o papel que a musculação pode desempenhar na redução do risco de morte. Isso está começando a mudar.

Pesquisadores que publicaram um artigo no British Journal of Sports Medicine analisaram dados de três estudos envolvendo 147.374 homens e mulheres com mais de 30 anos. Eles constataram que aqueles que praticavam musculação consistentemente entre 90 minutos e duas horas por semana reduziram o risco de morte prematura por qualquer causa em 13%.

O risco de morte por doença cardiovascular — como ataque cardíaco ou derrame, por exemplo — foi 19% menor. Para morte causada por doença neurológica — como demência, por exemplo — a redução foi ainda maior, de 27%.

Os pesquisadores concluíram que os “menores riscos” foram observados entre aqueles que realizavam níveis elevados tanto de exercício aeróbico quanto de treino de força.

Entre essas pessoas mais ativas, que faziam muitas horas de exercícios aeróbicos por semana, o risco de morte precoce por qualquer causa caiu em até 58%. [...]

HUGHES, Dominic; HITCHEN, Lesley; GOVAN, James. Musculação realmente pode ajudar a viver mais? BBC News. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ clypj6jl5xpo. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Qual é a ideia central defendida pelo texto?
Alternativas
Q4403777 Português
Musculação realmente pode ajudar a viver mais?

Fazer entre 90 minutos e duas horas de musculação por semana pode reduzir significativamente o risco de morte precoce, de acordo com uma nova pesquisa.

Dados reunidos a partir de estudos de longa duração sugerem que a prática regular de treino de força no longo prazo pode reduzir de forma significativa a probabilidade de morte por doenças cardíacas e derrames. Os benefícios também incluíram a redução do risco de morte por doenças neurológicas.

Especialistas afirmaram que isso constitui mais uma evidência de que o treino de força pode ajudar a prevenir ou adiar problemas de saúde e pode aliviar a pressão sobre serviços de saúde sobrecarregados.

Kate Hogarth tem apenas 28 anos, mas já pensa em como se manter saudável para desfrutar de seu futuro. Ela gosta de treinar com pesos e do aumento da autoestima que isso lhe proporciona no presente — mas também reconhece os benefícios de longo prazo para a saúde.

“Quero ser independente mais tarde na vida. Existem muitos estudos que mostram todos os benefícios do treino de força, para a saúde cardiovascular, músculos, ossos e saúde mental”, diz ela. “Quero poder viajar pelo mundo quando tiver 70, 80 e 90 anos e quero poder pegar meus netos no colo e brincar com eles, e ter esse nível de independência é muito importante.”

O sistema britânico de saúde (NHS, na sigla em inglês) afirma que a atividade aeróbica regular pode reduzir o risco de doenças cardíacas, derrames e diabetes tipo 2, além de reduzir o estresse e aumentar a autoestima.

Mas o que tem sido menos claro é o papel que a musculação pode desempenhar na redução do risco de morte. Isso está começando a mudar.

Pesquisadores que publicaram um artigo no British Journal of Sports Medicine analisaram dados de três estudos envolvendo 147.374 homens e mulheres com mais de 30 anos. Eles constataram que aqueles que praticavam musculação consistentemente entre 90 minutos e duas horas por semana reduziram o risco de morte prematura por qualquer causa em 13%.

O risco de morte por doença cardiovascular — como ataque cardíaco ou derrame, por exemplo — foi 19% menor. Para morte causada por doença neurológica — como demência, por exemplo — a redução foi ainda maior, de 27%.

Os pesquisadores concluíram que os “menores riscos” foram observados entre aqueles que realizavam níveis elevados tanto de exercício aeróbico quanto de treino de força.

Entre essas pessoas mais ativas, que faziam muitas horas de exercícios aeróbicos por semana, o risco de morte precoce por qualquer causa caiu em até 58%. [...]

HUGHES, Dominic; HITCHEN, Lesley; GOVAN, James. Musculação realmente pode ajudar a viver mais? BBC News. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ clypj6jl5xpo. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Considerando o depoimento da jovem entrevistada, e os dados científicos apresentados, é correto afirmar que a prática da musculação é apresentada no texto como
Alternativas
Respostas
581: E
582: A
583: D
584: C
585: B
586: B
587: C
588: E
589: A
590: D
591: C
592: B
593: B
594: C
595: E
596: C
597: D
598: A
599: E
600: B