Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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Leia o texto para responder à questão.
Os Cavalinhos de Platiplanto
O meu avô Rubem havia me prometido um cavalinho de sua fazenda do Chove-Chuva se eu deixasse lancetarem* o meu pé, arruinado com uma estrepada no brinquedo de pique. Por duas vezes o farmacêutico Osmúsio estivera lá em casa com a sua caixa de ferrinhos para o serviço, mas eu fiz tamanho escarcéu que ele não chegou a passar a porta do quarto. Da segunda vez meu pai pediu a seu Osmúsio que esperasse na varanda enquanto ele ia ter uma conversa comigo. Eu sabia bem que espécie de conversa seria; e aproveitando a vantagem da doença, mal ele caminhou para a cama, eu comecei novamente a chorar e gritar, esperando atrair a simpatia da minha mãe e, se possível, também a de algum vizinho para reforçar. Por sorte vovô Rubem ia chegando justamente naquela hora. Quando vi a barba dele apontar na porta, compreendi que estava salvo pelo menos por aquela vez; era uma regra assentada lá em casa que ninguém devia contrariar vovô Rubem. Em todo caso, chorei um pouco mais para consolidar minha vitória, e só sosseguei quando ele intimou meu pai a sair do quarto.
Vovô sentou-se na beira da cama, pôs o chapéu e a bengala ao meu lado e perguntou porque era que meu pai estava judiando comigo. Para impressioná-lo melhor eu disse que era porque eu não queria deixar seu Osmúsio cortar o meu pé.
– Cortar fora?
Não era exatamente isso que eu tinha querido dizer, mas achei eficaz confirmar; e por prudência não falei, apenas bati a cabeça.
– Mas que malvados! Então isso se faz? Deixe eu ver.
E depois de examinar:
– É exagero deles. Não é preciso cortar nada. Basta lancetar.
Ele deve ter notado o meu desapontamento, porque explicou depressa, fazendo cócega na sola do meu pé:
– Mas nessas coisas, mesmo sendo preciso, quem resolve é o dono da doença. Se você não disser que pode, eu não deixo ninguém mexer, nem o rei. Você não é mais desses menininhos de cueiro, que não têm querer. Na festa do Divino você já vai vestir um parelhinho de calça comprida que eu vou comprar, e vou lhe dar também um cavalinho pra você acompanhar a folia.
– Com arreio mexicano?
– Com arreio mexicano. Já encomendei ao Felipe. Mas tem uma coisa. Se você não ficar bom desse pé, não vai poder montar. Eu acho que o jeito é você mandar lancetar logo.
José J. Veiga, “Os Cavalinhos de Platiplanto”. Em: Antologia Escolar de Contos Brasileiros, org. Herberto Sales)
* lancetar: abrir um abscesso, furúnculo ou vesícula para drenar líquidos.
Leia o texto para responder à questão.
Os Cavalinhos de Platiplanto
O meu avô Rubem havia me prometido um cavalinho de sua fazenda do Chove-Chuva se eu deixasse lancetarem* o meu pé, arruinado com uma estrepada no brinquedo de pique. Por duas vezes o farmacêutico Osmúsio estivera lá em casa com a sua caixa de ferrinhos para o serviço, mas eu fiz tamanho escarcéu que ele não chegou a passar a porta do quarto. Da segunda vez meu pai pediu a seu Osmúsio que esperasse na varanda enquanto ele ia ter uma conversa comigo. Eu sabia bem que espécie de conversa seria; e aproveitando a vantagem da doença, mal ele caminhou para a cama, eu comecei novamente a chorar e gritar, esperando atrair a simpatia da minha mãe e, se possível, também a de algum vizinho para reforçar. Por sorte vovô Rubem ia chegando justamente naquela hora. Quando vi a barba dele apontar na porta, compreendi que estava salvo pelo menos por aquela vez; era uma regra assentada lá em casa que ninguém devia contrariar vovô Rubem. Em todo caso, chorei um pouco mais para consolidar minha vitória, e só sosseguei quando ele intimou meu pai a sair do quarto.
Vovô sentou-se na beira da cama, pôs o chapéu e a bengala ao meu lado e perguntou porque era que meu pai estava judiando comigo. Para impressioná-lo melhor eu disse que era porque eu não queria deixar seu Osmúsio cortar o meu pé.
– Cortar fora?
Não era exatamente isso que eu tinha querido dizer, mas achei eficaz confirmar; e por prudência não falei, apenas bati a cabeça.
– Mas que malvados! Então isso se faz? Deixe eu ver.
E depois de examinar:
– É exagero deles. Não é preciso cortar nada. Basta lancetar.
Ele deve ter notado o meu desapontamento, porque explicou depressa, fazendo cócega na sola do meu pé:
– Mas nessas coisas, mesmo sendo preciso, quem resolve é o dono da doença. Se você não disser que pode, eu não deixo ninguém mexer, nem o rei. Você não é mais desses menininhos de cueiro, que não têm querer. Na festa do Divino você já vai vestir um parelhinho de calça comprida que eu vou comprar, e vou lhe dar também um cavalinho pra você acompanhar a folia.
– Com arreio mexicano?
– Com arreio mexicano. Já encomendei ao Felipe. Mas tem uma coisa. Se você não ficar bom desse pé, não vai poder montar. Eu acho que o jeito é você mandar lancetar logo.
José J. Veiga, “Os Cavalinhos de Platiplanto”. Em: Antologia Escolar de Contos Brasileiros, org. Herberto Sales)
* lancetar: abrir um abscesso, furúnculo ou vesícula para drenar líquidos.
Leia o texto para responder à questão:
Um dever de todos nós
Ninguém tem a prerrogativa de machucar crianças e adolescentes, sob que pretexto for. Ninguém. Precisamos varrer deste país a mentalidade perversa de que pais ou responsáveis podem infligir castigos físicos e psicológicos para “discipliná-los”. Não podem. Meninas e meninos são sujeitos de direitos, não propriedades das famílias.
Nossa sociedade é ainda bastante permissiva com as agressões a seu público mais vulnerável. Uma mostra disso apareceu na pesquisa Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes no Brasil, realizada pelo Infinis — Instituto Futuro é Infância Saudável —, em parceria com a Quaest.
Para 62% dos entrevistados, ao presenciar uma criança apanhando na rua, a reação mais provável é não se envolver. Entre os principais motivos apontados para essa postura estão a percepção de que “cada um sabe da própria vida” e que seria constrangedor interferir na forma como outras famílias educam seus filhos. Pois é. Chamam a isso de educar. Entendimento que reitera ser este um país onde espancar significa “disciplinar”. É a naturalização da crueldade.
A pesquisa — feita com 2.202 pessoas em todas as regiões do país e divulgada na semana passada — destacou, ainda, que 91% dos brasileiros consideram o diálogo a melhor forma de educar. No entanto, 49% deles admitiram ter dado tapas em crianças ou adolescentes, 27% disseram que já usaram objetos para agredi-los e 62% afirmaram ter gritado com eles.
A Lei Menino Bernardo, incluída no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ressalta que “a criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los”. Essa lei está em vigor desde 2014, mas poucos sabem de sua existência.
O Estado tem a obrigação de tomar a frente do combate à violência contra meninos e meninas, com políticas públicas efetivas, campanhas de conscientização e fortalecimento dos serviços de suporte às famílias e de atendimento às vítimas.
Crianças e adolescentes sendo agredidos é um problema público, não privado. Quem souber ou perceber maus-tratos, seja dentro da própria família, seja fora dela, deve denunciar. Ter um ambiente de acolhimento e afeto é um direito de meninos e meninas. Garantir que essa prerrogativa seja respeitada é dever de todos nós.
(Cida Barbosa. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 23.07.2026. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão:
Um dever de todos nós
Ninguém tem a prerrogativa de machucar crianças e adolescentes, sob que pretexto for. Ninguém. Precisamos varrer deste país a mentalidade perversa de que pais ou responsáveis podem infligir castigos físicos e psicológicos para “discipliná-los”. Não podem. Meninas e meninos são sujeitos de direitos, não propriedades das famílias.
Nossa sociedade é ainda bastante permissiva com as agressões a seu público mais vulnerável. Uma mostra disso apareceu na pesquisa Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes no Brasil, realizada pelo Infinis — Instituto Futuro é Infância Saudável —, em parceria com a Quaest.
Para 62% dos entrevistados, ao presenciar uma criança apanhando na rua, a reação mais provável é não se envolver. Entre os principais motivos apontados para essa postura estão a percepção de que “cada um sabe da própria vida” e que seria constrangedor interferir na forma como outras famílias educam seus filhos. Pois é. Chamam a isso de educar. Entendimento que reitera ser este um país onde espancar significa “disciplinar”. É a naturalização da crueldade.
A pesquisa — feita com 2.202 pessoas em todas as regiões do país e divulgada na semana passada — destacou, ainda, que 91% dos brasileiros consideram o diálogo a melhor forma de educar. No entanto, 49% deles admitiram ter dado tapas em crianças ou adolescentes, 27% disseram que já usaram objetos para agredi-los e 62% afirmaram ter gritado com eles.
A Lei Menino Bernardo, incluída no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ressalta que “a criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los”. Essa lei está em vigor desde 2014, mas poucos sabem de sua existência.
O Estado tem a obrigação de tomar a frente do combate à violência contra meninos e meninas, com políticas públicas efetivas, campanhas de conscientização e fortalecimento dos serviços de suporte às famílias e de atendimento às vítimas.
Crianças e adolescentes sendo agredidos é um problema público, não privado. Quem souber ou perceber maus-tratos, seja dentro da própria família, seja fora dela, deve denunciar. Ter um ambiente de acolhimento e afeto é um direito de meninos e meninas. Garantir que essa prerrogativa seja respeitada é dever de todos nós.
(Cida Barbosa. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 23.07.2026. Adaptado)
Considere as passagens do texto:
• ... pais ou responsáveis podem infligir castigos físicos e psicológicos para “discipliná-los”. (1º parágrafo)
• Entre os principais motivos apontados para essa postura... (3º parágrafo)
• ... e que seria constrangedor interferir na forma como outras famílias educam seus filhos. (3º parágrafo)
No contexto em que estão empregados, os termos destacados significam, correta e respectivamente:
Leia o texto para responder à questão:
Um dever de todos nós
Ninguém tem a prerrogativa de machucar crianças e adolescentes, sob que pretexto for. Ninguém. Precisamos varrer deste país a mentalidade perversa de que pais ou responsáveis podem infligir castigos físicos e psicológicos para “discipliná-los”. Não podem. Meninas e meninos são sujeitos de direitos, não propriedades das famílias.
Nossa sociedade é ainda bastante permissiva com as agressões a seu público mais vulnerável. Uma mostra disso apareceu na pesquisa Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes no Brasil, realizada pelo Infinis — Instituto Futuro é Infância Saudável —, em parceria com a Quaest.
Para 62% dos entrevistados, ao presenciar uma criança apanhando na rua, a reação mais provável é não se envolver. Entre os principais motivos apontados para essa postura estão a percepção de que “cada um sabe da própria vida” e que seria constrangedor interferir na forma como outras famílias educam seus filhos. Pois é. Chamam a isso de educar. Entendimento que reitera ser este um país onde espancar significa “disciplinar”. É a naturalização da crueldade.
A pesquisa — feita com 2.202 pessoas em todas as regiões do país e divulgada na semana passada — destacou, ainda, que 91% dos brasileiros consideram o diálogo a melhor forma de educar. No entanto, 49% deles admitiram ter dado tapas em crianças ou adolescentes, 27% disseram que já usaram objetos para agredi-los e 62% afirmaram ter gritado com eles.
A Lei Menino Bernardo, incluída no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ressalta que “a criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los”. Essa lei está em vigor desde 2014, mas poucos sabem de sua existência.
O Estado tem a obrigação de tomar a frente do combate à violência contra meninos e meninas, com políticas públicas efetivas, campanhas de conscientização e fortalecimento dos serviços de suporte às famílias e de atendimento às vítimas.
Crianças e adolescentes sendo agredidos é um problema público, não privado. Quem souber ou perceber maus-tratos, seja dentro da própria família, seja fora dela, deve denunciar. Ter um ambiente de acolhimento e afeto é um direito de meninos e meninas. Garantir que essa prerrogativa seja respeitada é dever de todos nós.
(Cida Barbosa. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 23.07.2026. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão:
Um dever de todos nós
Ninguém tem a prerrogativa de machucar crianças e adolescentes, sob que pretexto for. Ninguém. Precisamos varrer deste país a mentalidade perversa de que pais ou responsáveis podem infligir castigos físicos e psicológicos para “discipliná-los”. Não podem. Meninas e meninos são sujeitos de direitos, não propriedades das famílias.
Nossa sociedade é ainda bastante permissiva com as agressões a seu público mais vulnerável. Uma mostra disso apareceu na pesquisa Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes no Brasil, realizada pelo Infinis — Instituto Futuro é Infância Saudável —, em parceria com a Quaest.
Para 62% dos entrevistados, ao presenciar uma criança apanhando na rua, a reação mais provável é não se envolver. Entre os principais motivos apontados para essa postura estão a percepção de que “cada um sabe da própria vida” e que seria constrangedor interferir na forma como outras famílias educam seus filhos. Pois é. Chamam a isso de educar. Entendimento que reitera ser este um país onde espancar significa “disciplinar”. É a naturalização da crueldade.
A pesquisa — feita com 2.202 pessoas em todas as regiões do país e divulgada na semana passada — destacou, ainda, que 91% dos brasileiros consideram o diálogo a melhor forma de educar. No entanto, 49% deles admitiram ter dado tapas em crianças ou adolescentes, 27% disseram que já usaram objetos para agredi-los e 62% afirmaram ter gritado com eles.
A Lei Menino Bernardo, incluída no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ressalta que “a criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los”. Essa lei está em vigor desde 2014, mas poucos sabem de sua existência.
O Estado tem a obrigação de tomar a frente do combate à violência contra meninos e meninas, com políticas públicas efetivas, campanhas de conscientização e fortalecimento dos serviços de suporte às famílias e de atendimento às vítimas.
Crianças e adolescentes sendo agredidos é um problema público, não privado. Quem souber ou perceber maus-tratos, seja dentro da própria família, seja fora dela, deve denunciar. Ter um ambiente de acolhimento e afeto é um direito de meninos e meninas. Garantir que essa prerrogativa seja respeitada é dever de todos nós.
(Cida Barbosa. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 23.07.2026. Adaptado)
Leia a tira para responder à questão.

Leia a tira para responder à questão.

Leia o texto para responder à questão.
Não façam isso!
Ao que consta, pretendem retirar a língua francesa do currículo escolar. Isso me faz lembrar de uma amiga minha que foi para a Alemanha apenas sabendo francês. Como eu lhe observasse que era pouco, ela retrucou:
– Não vale a pena conhecer alemães que não saibam francês.
Na verdade, o que devemos à França não é a cultura francesa, é a cultura universal. Toda obra, para universalizar-se, teria de passar pelos tradutores franceses. Se não fosse a França, o mundo ocidental teria perdido Dostoiévski. Imagina só o que teríamos quanto ao conhecimento da alma se não conhecêssemos Dostoiévski. Nada.
Ou quase nada, acrescento a tempo. Pois acabo de lembrar-me de Shakespeare.
A minha queixa, porém, é contra os americanos.
Já disse e repito que, se há males que vêm para bem, há bens que vêm para mal. Exemplo: os Estados Unidos ganharam a guerra. Resultado: o povo, em geral, só lê os best-sellers americanos que eles nos impingem.
São tão ruins que chego a desconfiar que sejam apenas literatura de exportação.
(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013)
Leia o texto para responder à questão.
Não façam isso!
Ao que consta, pretendem retirar a língua francesa do currículo escolar. Isso me faz lembrar de uma amiga minha que foi para a Alemanha apenas sabendo francês. Como eu lhe observasse que era pouco, ela retrucou:
– Não vale a pena conhecer alemães que não saibam francês.
Na verdade, o que devemos à França não é a cultura francesa, é a cultura universal. Toda obra, para universalizar-se, teria de passar pelos tradutores franceses. Se não fosse a França, o mundo ocidental teria perdido Dostoiévski. Imagina só o que teríamos quanto ao conhecimento da alma se não conhecêssemos Dostoiévski. Nada.
Ou quase nada, acrescento a tempo. Pois acabo de lembrar-me de Shakespeare.
A minha queixa, porém, é contra os americanos.
Já disse e repito que, se há males que vêm para bem, há bens que vêm para mal. Exemplo: os Estados Unidos ganharam a guerra. Resultado: o povo, em geral, só lê os best-sellers americanos que eles nos impingem.
São tão ruins que chego a desconfiar que sejam apenas literatura de exportação.
(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013)
Leia o texto para responder à questão.
Ideia Perigosa
O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.
Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.
Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.
Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.
Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.
No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.
(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)
Considere as passagens:
• Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea… (2º parágrafo)
• Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas… (3º parágrafo)
• No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior… (4º parágrafo)
• … promoveria maior equidade social… (6º parágrafo)
Em conformidade com o sentido do texto e com a norma-padrão, as expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, por:
Leia o texto para responder à questão.
Ideia Perigosa
O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.
Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.
Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.
Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.
Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.
No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.
(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.
Ideia Perigosa
O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.
Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.
Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.
Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.
Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.
No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.
(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.
Ideia Perigosa
O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.
Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.
Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.
Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.
Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.
No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.
(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.
Ideia Perigosa
O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.
Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.
Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.
Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.
Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.
No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.
(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)
Leia a tira para responder à questão.

A palavra destacada no trecho acima tem o sentido de:
Leia o texto a seguir para responder à questão.
“Não complique sua vida”. Eu gostaria que alguém tivesse me dito isso aos 18 anos. Alguém possivelmente me falou aos 28, mas demorei para escutar. Então, agilize-se. Repita em voz alta, escreva no espelho do banheiro ou deixe um recado na porta da geladeira: não complique sua vida.
Você tem noção da rapidez com que a vida escorre pelos dedos? Mesmo que você morra bem velhinho, ainda assim, passa muito rápido. Você terá desilusões amorosas, dívidas a pagar e sonhos inalcançáveis. É a nossa mochila de pedras. Cada um tem a sua e dá conta dela — ou já deu, e sabe como foi difícil. Não coloque nem mais uma pedrinha sequer.
Amores confusos são tentadores. Quem é que não estufa o peito diante de um desafio? Quem resiste à tentação de mergulhar no redemoinho dos quereres? Quem não se sente um super-herói ao conquistar uma declaração de amor que parecia impossível? Quando vê, está viciado nessas batalhas, correndo atrás de mais adrenalina. Ah, querido sofredor, entendo que você insista neste drama até a metade do livro, mas não fique para ver o final. Abandone a leitura pela metade. Abandone suas complicações pela metade.
Largue o namorado encostado, a parceira confusa e o emprego (se aquele escritório é um hospício). Porém, a não ser em casos de polícia, não brigue feio com seus pais e mantenha os amigos de infância por perto; é sempre divertido ouvir quem conheceu você na juventude. Junte dinheiro para viajar. Lá fora você encontrará o paraíso e a solidão.
O amanhã jamais vai deixar de ser uma página em branco. Então, celebre a cada vez que o dia terminar bem. Você nem imagina a turbulência que poderia ter surgido. Ora, você imagina sim, você sabe.
(Martha Medeiros. Não complique sua vida. Disponível em: https://oglobo.globo.com, 26.07.2026. Adaptado)