Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3953591 Português
Leia o Texto 3 para responder à questão.


Texto 3


A importância do ato de escrever


   Ao escrever, vivenciamos um deslocamento da nossa interioridade para exterioridade: vamos do gesto da escrita para o gesto da leitura e voltamos, mais uma vez, para a (re)escrita. Assim, vivenciamos um movimento de ir e vir entre os atos de escrever e ler.

    Escrever é revelar o que existe dentro do nosso mundo interno, e só podemos saber o que vai vir lá de dentro quando, de fato, escrevemos, pois se trata de um conhecimento que se completa com essa passagem do “dentro” para o “fora”.

    Os atos de ler e de escrever (as palavras e o mundo) são imprescindíveis para se conhecer a vida, a sociedade e o próprio “eu”. Dessa forma, como a leitura do mundo vem antes da leitura da palavra – como nos ensina Paulo Freire – e sempre está imbricada nesta, escrever a palavra, com marcas de autoria, exige de quem escreve uma postura ativa, própria de uma pessoa que se engaja, age e transforma o mundo. Escrevemos o mundo, escrevemos nossos dias, escrevemos nossos desejos, nossas crenças, nossas vontades e nossas ideologias todos os dias quando vivemos nossas vidas. É preciso ampliar esse olhar para o que é escrever, o que é ser autor/a, a fim de que possamos ter mais consciência das escolhas que fazemos ao produzir um texto. Quando assumimos uma postural autoral ativa, fazemos algo que vai muito além do que simplesmente preencher uma folha (ou uma tela) com palavras.


DIAS, Juliana de Freitas. Leitura e produção de textos. São Paulo: Contexto, 2023. p. 56. [Adaptado]
Considere o seguinte recorte: “Dessa forma, como a leitura do mundo vem antes da leitura da palavra – como nos ensina Paulo Freire – e sempre está imbricada nesta, escrever a palavra, com marcas de autoria, exige de quem escreve uma postura ativa, própria de uma pessoa que se engaja, age e transforma o mundo”. Nesse trecho, o termo “nesta”, considerando o contexto de ocorrência, estabelece uma coesão referencial com
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Q3953590 Português
Leia o Texto 3 para responder à questão.


Texto 3


A importância do ato de escrever


   Ao escrever, vivenciamos um deslocamento da nossa interioridade para exterioridade: vamos do gesto da escrita para o gesto da leitura e voltamos, mais uma vez, para a (re)escrita. Assim, vivenciamos um movimento de ir e vir entre os atos de escrever e ler.

    Escrever é revelar o que existe dentro do nosso mundo interno, e só podemos saber o que vai vir lá de dentro quando, de fato, escrevemos, pois se trata de um conhecimento que se completa com essa passagem do “dentro” para o “fora”.

    Os atos de ler e de escrever (as palavras e o mundo) são imprescindíveis para se conhecer a vida, a sociedade e o próprio “eu”. Dessa forma, como a leitura do mundo vem antes da leitura da palavra – como nos ensina Paulo Freire – e sempre está imbricada nesta, escrever a palavra, com marcas de autoria, exige de quem escreve uma postura ativa, própria de uma pessoa que se engaja, age e transforma o mundo. Escrevemos o mundo, escrevemos nossos dias, escrevemos nossos desejos, nossas crenças, nossas vontades e nossas ideologias todos os dias quando vivemos nossas vidas. É preciso ampliar esse olhar para o que é escrever, o que é ser autor/a, a fim de que possamos ter mais consciência das escolhas que fazemos ao produzir um texto. Quando assumimos uma postural autoral ativa, fazemos algo que vai muito além do que simplesmente preencher uma folha (ou uma tela) com palavras.


DIAS, Juliana de Freitas. Leitura e produção de textos. São Paulo: Contexto, 2023. p. 56. [Adaptado]
Defende-se, no Texto 3, a ideia de que ler e escrever
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Q3953589 Português
Leia o Texto 2 para responder à questão.


Texto 2


Fome de água no berço das águas: Mulheres do Cerrado lutam por segurança hídrica e alimentar no bioma mais ameaçado do Brasil


Ludmila Pereira


   O Cerrado passa por transformações profundas. As razões não são naturais, e sim atribuídas à expansão do uso industrial da terra, em atividades ligadas ao agronegócio. Esse modelo de exploração da terra acelera mudanças climáticas e reforça alterações regionais, gerando um ciclo maléfico de seca e de ameaça a populações já vulnerabilizadas, em especial as mulheres.

   Um estudo publicado em 2024, na revista científica Nature Communication, mostra que o meio do Brasil – onde fica o Cerrado – passa pela seca mais severa dos últimos 700 anos. Outra análise, realizada por um grupo de pesquisadores do Instituto Cerrados e da Agência Nacional de Águas (ANA), mostra que o volume de água do Cerrado pode reduzir 34% até 2050. Devido à expansão agrícola, 90% das bacias hidrográficas do Cerrado podem diminuir o seu fluxo de água.

   Os efeitos já são sentidos no campo e na cidade. Ligar a torneira e não encontrar o principal ingrediente para a primeira refeição do dia é desolador. Em casos como esse, as mulheres são as mais impactadas. Em geral, pesa sobre elas a responsabilidade de garantir água para a alimentação e para o cuidado da casa. Nesse contexto, mulheres, especialmente as mães solos, se tornam reféns de adoecimento e preocupação constante, como conta a quilombola Emília Costa durante um dos encontros da Articulação de Mulheres do Cerrado.

   “O primeiro impacto que a gente sente das violações do Cerrado é em nossos corpos, justamente porque nós mulheres temos relação direta de cuidado e uma sensibilidade melhor para sentir as coisas benéficas e, infelizmente, também as mazelas que chegam até nós, em nossos territórios”, relata Costa, do Quilombo Santo Antônio do Costa, no Maranhão.


Disponível em: https://diplomatique.org.br/mulheres-do-cerrado-lutam-porseguranca-hidrica-e-alimentar-no-bioma-mais-ameacado-do-brasil/. Acesso em: 18 fev. 2026. [Adaptado].
Considerando-se o processo de progressão temática, o segundo parágrafo do Texto 2 é construído a partir de um recurso argumentativo baseado em 
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Q3953588 Português
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Texto 2


Fome de água no berço das águas: Mulheres do Cerrado lutam por segurança hídrica e alimentar no bioma mais ameaçado do Brasil


Ludmila Pereira


   O Cerrado passa por transformações profundas. As razões não são naturais, e sim atribuídas à expansão do uso industrial da terra, em atividades ligadas ao agronegócio. Esse modelo de exploração da terra acelera mudanças climáticas e reforça alterações regionais, gerando um ciclo maléfico de seca e de ameaça a populações já vulnerabilizadas, em especial as mulheres.

   Um estudo publicado em 2024, na revista científica Nature Communication, mostra que o meio do Brasil – onde fica o Cerrado – passa pela seca mais severa dos últimos 700 anos. Outra análise, realizada por um grupo de pesquisadores do Instituto Cerrados e da Agência Nacional de Águas (ANA), mostra que o volume de água do Cerrado pode reduzir 34% até 2050. Devido à expansão agrícola, 90% das bacias hidrográficas do Cerrado podem diminuir o seu fluxo de água.

   Os efeitos já são sentidos no campo e na cidade. Ligar a torneira e não encontrar o principal ingrediente para a primeira refeição do dia é desolador. Em casos como esse, as mulheres são as mais impactadas. Em geral, pesa sobre elas a responsabilidade de garantir água para a alimentação e para o cuidado da casa. Nesse contexto, mulheres, especialmente as mães solos, se tornam reféns de adoecimento e preocupação constante, como conta a quilombola Emília Costa durante um dos encontros da Articulação de Mulheres do Cerrado.

   “O primeiro impacto que a gente sente das violações do Cerrado é em nossos corpos, justamente porque nós mulheres temos relação direta de cuidado e uma sensibilidade melhor para sentir as coisas benéficas e, infelizmente, também as mazelas que chegam até nós, em nossos territórios”, relata Costa, do Quilombo Santo Antônio do Costa, no Maranhão.


Disponível em: https://diplomatique.org.br/mulheres-do-cerrado-lutam-porseguranca-hidrica-e-alimentar-no-bioma-mais-ameacado-do-brasil/. Acesso em: 18 fev. 2026. [Adaptado].
A expressão “no berço das águas”, presente no título do Texto 2, é construída a partir do uso de uma figura de linguagem denominada de
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Q3953587 Português
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Texto 2


Fome de água no berço das águas: Mulheres do Cerrado lutam por segurança hídrica e alimentar no bioma mais ameaçado do Brasil


Ludmila Pereira


   O Cerrado passa por transformações profundas. As razões não são naturais, e sim atribuídas à expansão do uso industrial da terra, em atividades ligadas ao agronegócio. Esse modelo de exploração da terra acelera mudanças climáticas e reforça alterações regionais, gerando um ciclo maléfico de seca e de ameaça a populações já vulnerabilizadas, em especial as mulheres.

   Um estudo publicado em 2024, na revista científica Nature Communication, mostra que o meio do Brasil – onde fica o Cerrado – passa pela seca mais severa dos últimos 700 anos. Outra análise, realizada por um grupo de pesquisadores do Instituto Cerrados e da Agência Nacional de Águas (ANA), mostra que o volume de água do Cerrado pode reduzir 34% até 2050. Devido à expansão agrícola, 90% das bacias hidrográficas do Cerrado podem diminuir o seu fluxo de água.

   Os efeitos já são sentidos no campo e na cidade. Ligar a torneira e não encontrar o principal ingrediente para a primeira refeição do dia é desolador. Em casos como esse, as mulheres são as mais impactadas. Em geral, pesa sobre elas a responsabilidade de garantir água para a alimentação e para o cuidado da casa. Nesse contexto, mulheres, especialmente as mães solos, se tornam reféns de adoecimento e preocupação constante, como conta a quilombola Emília Costa durante um dos encontros da Articulação de Mulheres do Cerrado.

   “O primeiro impacto que a gente sente das violações do Cerrado é em nossos corpos, justamente porque nós mulheres temos relação direta de cuidado e uma sensibilidade melhor para sentir as coisas benéficas e, infelizmente, também as mazelas que chegam até nós, em nossos territórios”, relata Costa, do Quilombo Santo Antônio do Costa, no Maranhão.


Disponível em: https://diplomatique.org.br/mulheres-do-cerrado-lutam-porseguranca-hidrica-e-alimentar-no-bioma-mais-ameacado-do-brasil/. Acesso em: 18 fev. 2026. [Adaptado].
Qual é o tema discutido no Texto 2? 
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Q3953586 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1


Mulheres falam demais



   Em nossa sociedade, parece haver o mito de que “as mulheres falam demais”. Mas o que isso quer dizer, exatamente? Será que as mulheres falariam mais que os homens e, por isso, “falam demais”? Ou será que elas simplesmente falam mais do que deveriam falar? Será que haveria uma comparação quantitativa entre a fala de homens e de mulheres para ver quem fala mais? Será que haveria um ideal de fala feminina, uma pretensa “quantidade máxima de fala” “normal” para as mulheres? Essas indagações mostram, na verdade, dois mitos que podem ser facilmente desconstruídos.


  Comecemos pela indagação: As mulheres falam quantitativamente mais que os homens? Essa pergunta pode ser pensada por dois vieses: o primeiro é o biológico; o segundo, cultural. Será que biologicamente a mulher está programada para usar mais a fala que o homem? A anatomia humana demonstra que a estrutura cerebral e cognitiva de homens e mulheres é idêntica, não havendo possibilidade de distinguir um dos sexos como “aquele que fala mais”, “aquele que fala melhor” ou “aquele que pode produzir mais frases por dia”. Não encontramos nenhuma evidência de natureza biológica que possa sustentar o mito de que “a mulher fala mais que o homem”.


   Se o mito não encontra nenhum suporte na biologia, será que há aspectos culturais que levam as mulheres falarem mais que os homens? Alguns estudos realizados em culturas ocidentais próximas à nossa (cf. Lakoff, 1975; Tannen, 1991, 1993, 1994; Holmes, 1998, 2013; Holmes; Mayerhoof, 2008; Onnela et al., 2014, entre outros) têm apontado que os homens – sim, os homens – falam mais que as mulheres, especialmente em situações públicas, onde a posse da fala representa status. Os homens não apenas falam mais que as mulheres em situação de poder, eles também as interrompem com frequência, monopolizando a fala, como mostram estudos recentes (cf. Snyder, 2014; Robb, 2015). Isso, inclusive, levou à criação dos termos mansplaining e manterrupting, em inglês. Se, por um lado, os homens falam mais que as mulheres em situações que envolvem poder, algumas pesquisas mostram que, por outro lado, as mulheres costumam falar mais em contexto privado e familiar (Tannen, 1991, 1993, 1994; Holmes, 1998, 2013; Onnela et al., 2014). Em grupos constituídos por pares, em que normalmente não há status, as mulheres costumam ser mais loquazes. O mito parece então ter um fundo cultural. Parece que, em algumas culturas, há um “ideal de fala tácito” que as mulheres deveriam tentar atingir. Segundo esse ideal, elas devem “falar menos que os homens em situações públicas”. Portanto, nessas culturas, se uma mulher tem desenvoltura para falar em público, ela pode levar a fama de “falar demais”.


Chegamos, então, as seguintes conclusões: a) Não podemos afirmar, de maneira categórica, nem tampouco defender a ideia de que a mulher fala mais do que o homem. Como vimos, alguns estudos demonstram que, em contextos familiares e íntimos, as mulheres falam mais do que os homens. Contudo, quando a fala acontece em público, associada a status e poder, o homem não apenas fala mais que a mulher como também tende a não permitir que ela fale tanto quanto ele. b) Há nas sociedades como a nossa uma expectativa de que as mulheres falem menos do que os homens em situações públicas. Por estar situada numa estrutura social patriarcal, quando uma mulher se expressa “mais do que deveria” em público, ela pode receber julgamentos negativos.



OTHERO, Gabriel de Ávila. Mitos de linguagem. São Paulo: Parábola, 2017. p. 13-24. [Adaptado]. 

No enunciado “Isso, inclusive, levou à criação dos termos mansplaining e manterrupting, em inglês”, o operador argumentativo “inclusive” constrói um efeito de sentido de
Alternativas
Q3953585 Português

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Texto 1


Mulheres falam demais



   Em nossa sociedade, parece haver o mito de que “as mulheres falam demais”. Mas o que isso quer dizer, exatamente? Será que as mulheres falariam mais que os homens e, por isso, “falam demais”? Ou será que elas simplesmente falam mais do que deveriam falar? Será que haveria uma comparação quantitativa entre a fala de homens e de mulheres para ver quem fala mais? Será que haveria um ideal de fala feminina, uma pretensa “quantidade máxima de fala” “normal” para as mulheres? Essas indagações mostram, na verdade, dois mitos que podem ser facilmente desconstruídos.


  Comecemos pela indagação: As mulheres falam quantitativamente mais que os homens? Essa pergunta pode ser pensada por dois vieses: o primeiro é o biológico; o segundo, cultural. Será que biologicamente a mulher está programada para usar mais a fala que o homem? A anatomia humana demonstra que a estrutura cerebral e cognitiva de homens e mulheres é idêntica, não havendo possibilidade de distinguir um dos sexos como “aquele que fala mais”, “aquele que fala melhor” ou “aquele que pode produzir mais frases por dia”. Não encontramos nenhuma evidência de natureza biológica que possa sustentar o mito de que “a mulher fala mais que o homem”.


   Se o mito não encontra nenhum suporte na biologia, será que há aspectos culturais que levam as mulheres falarem mais que os homens? Alguns estudos realizados em culturas ocidentais próximas à nossa (cf. Lakoff, 1975; Tannen, 1991, 1993, 1994; Holmes, 1998, 2013; Holmes; Mayerhoof, 2008; Onnela et al., 2014, entre outros) têm apontado que os homens – sim, os homens – falam mais que as mulheres, especialmente em situações públicas, onde a posse da fala representa status. Os homens não apenas falam mais que as mulheres em situação de poder, eles também as interrompem com frequência, monopolizando a fala, como mostram estudos recentes (cf. Snyder, 2014; Robb, 2015). Isso, inclusive, levou à criação dos termos mansplaining e manterrupting, em inglês. Se, por um lado, os homens falam mais que as mulheres em situações que envolvem poder, algumas pesquisas mostram que, por outro lado, as mulheres costumam falar mais em contexto privado e familiar (Tannen, 1991, 1993, 1994; Holmes, 1998, 2013; Onnela et al., 2014). Em grupos constituídos por pares, em que normalmente não há status, as mulheres costumam ser mais loquazes. O mito parece então ter um fundo cultural. Parece que, em algumas culturas, há um “ideal de fala tácito” que as mulheres deveriam tentar atingir. Segundo esse ideal, elas devem “falar menos que os homens em situações públicas”. Portanto, nessas culturas, se uma mulher tem desenvoltura para falar em público, ela pode levar a fama de “falar demais”.


Chegamos, então, as seguintes conclusões: a) Não podemos afirmar, de maneira categórica, nem tampouco defender a ideia de que a mulher fala mais do que o homem. Como vimos, alguns estudos demonstram que, em contextos familiares e íntimos, as mulheres falam mais do que os homens. Contudo, quando a fala acontece em público, associada a status e poder, o homem não apenas fala mais que a mulher como também tende a não permitir que ela fale tanto quanto ele. b) Há nas sociedades como a nossa uma expectativa de que as mulheres falem menos do que os homens em situações públicas. Por estar situada numa estrutura social patriarcal, quando uma mulher se expressa “mais do que deveria” em público, ela pode receber julgamentos negativos.



OTHERO, Gabriel de Ávila. Mitos de linguagem. São Paulo: Parábola, 2017. p. 13-24. [Adaptado]. 

Ao fazer uma citação, o enunciador pode, por meio de algum recurso discursivo, assumir um posicionamento de endosso ou de afastamento em relação ao conteúdo citado. São casos de endosso e de afastamento respectivamente:
Alternativas
Q3953584 Português

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Texto 1


Mulheres falam demais



   Em nossa sociedade, parece haver o mito de que “as mulheres falam demais”. Mas o que isso quer dizer, exatamente? Será que as mulheres falariam mais que os homens e, por isso, “falam demais”? Ou será que elas simplesmente falam mais do que deveriam falar? Será que haveria uma comparação quantitativa entre a fala de homens e de mulheres para ver quem fala mais? Será que haveria um ideal de fala feminina, uma pretensa “quantidade máxima de fala” “normal” para as mulheres? Essas indagações mostram, na verdade, dois mitos que podem ser facilmente desconstruídos.


  Comecemos pela indagação: As mulheres falam quantitativamente mais que os homens? Essa pergunta pode ser pensada por dois vieses: o primeiro é o biológico; o segundo, cultural. Será que biologicamente a mulher está programada para usar mais a fala que o homem? A anatomia humana demonstra que a estrutura cerebral e cognitiva de homens e mulheres é idêntica, não havendo possibilidade de distinguir um dos sexos como “aquele que fala mais”, “aquele que fala melhor” ou “aquele que pode produzir mais frases por dia”. Não encontramos nenhuma evidência de natureza biológica que possa sustentar o mito de que “a mulher fala mais que o homem”.


   Se o mito não encontra nenhum suporte na biologia, será que há aspectos culturais que levam as mulheres falarem mais que os homens? Alguns estudos realizados em culturas ocidentais próximas à nossa (cf. Lakoff, 1975; Tannen, 1991, 1993, 1994; Holmes, 1998, 2013; Holmes; Mayerhoof, 2008; Onnela et al., 2014, entre outros) têm apontado que os homens – sim, os homens – falam mais que as mulheres, especialmente em situações públicas, onde a posse da fala representa status. Os homens não apenas falam mais que as mulheres em situação de poder, eles também as interrompem com frequência, monopolizando a fala, como mostram estudos recentes (cf. Snyder, 2014; Robb, 2015). Isso, inclusive, levou à criação dos termos mansplaining e manterrupting, em inglês. Se, por um lado, os homens falam mais que as mulheres em situações que envolvem poder, algumas pesquisas mostram que, por outro lado, as mulheres costumam falar mais em contexto privado e familiar (Tannen, 1991, 1993, 1994; Holmes, 1998, 2013; Onnela et al., 2014). Em grupos constituídos por pares, em que normalmente não há status, as mulheres costumam ser mais loquazes. O mito parece então ter um fundo cultural. Parece que, em algumas culturas, há um “ideal de fala tácito” que as mulheres deveriam tentar atingir. Segundo esse ideal, elas devem “falar menos que os homens em situações públicas”. Portanto, nessas culturas, se uma mulher tem desenvoltura para falar em público, ela pode levar a fama de “falar demais”.


Chegamos, então, as seguintes conclusões: a) Não podemos afirmar, de maneira categórica, nem tampouco defender a ideia de que a mulher fala mais do que o homem. Como vimos, alguns estudos demonstram que, em contextos familiares e íntimos, as mulheres falam mais do que os homens. Contudo, quando a fala acontece em público, associada a status e poder, o homem não apenas fala mais que a mulher como também tende a não permitir que ela fale tanto quanto ele. b) Há nas sociedades como a nossa uma expectativa de que as mulheres falem menos do que os homens em situações públicas. Por estar situada numa estrutura social patriarcal, quando uma mulher se expressa “mais do que deveria” em público, ela pode receber julgamentos negativos.



OTHERO, Gabriel de Ávila. Mitos de linguagem. São Paulo: Parábola, 2017. p. 13-24. [Adaptado]. 

No enunciado “Parece que, em algumas culturas, há um ‘ideal de fala tácito’ que as mulheres deveriam tentar atingir”, o termo “tácito” pode ser substituído sem prejuízo na textualidade e no sentido por 
Alternativas
Q3953583 Português

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Texto 1


Mulheres falam demais



   Em nossa sociedade, parece haver o mito de que “as mulheres falam demais”. Mas o que isso quer dizer, exatamente? Será que as mulheres falariam mais que os homens e, por isso, “falam demais”? Ou será que elas simplesmente falam mais do que deveriam falar? Será que haveria uma comparação quantitativa entre a fala de homens e de mulheres para ver quem fala mais? Será que haveria um ideal de fala feminina, uma pretensa “quantidade máxima de fala” “normal” para as mulheres? Essas indagações mostram, na verdade, dois mitos que podem ser facilmente desconstruídos.


  Comecemos pela indagação: As mulheres falam quantitativamente mais que os homens? Essa pergunta pode ser pensada por dois vieses: o primeiro é o biológico; o segundo, cultural. Será que biologicamente a mulher está programada para usar mais a fala que o homem? A anatomia humana demonstra que a estrutura cerebral e cognitiva de homens e mulheres é idêntica, não havendo possibilidade de distinguir um dos sexos como “aquele que fala mais”, “aquele que fala melhor” ou “aquele que pode produzir mais frases por dia”. Não encontramos nenhuma evidência de natureza biológica que possa sustentar o mito de que “a mulher fala mais que o homem”.


   Se o mito não encontra nenhum suporte na biologia, será que há aspectos culturais que levam as mulheres falarem mais que os homens? Alguns estudos realizados em culturas ocidentais próximas à nossa (cf. Lakoff, 1975; Tannen, 1991, 1993, 1994; Holmes, 1998, 2013; Holmes; Mayerhoof, 2008; Onnela et al., 2014, entre outros) têm apontado que os homens – sim, os homens – falam mais que as mulheres, especialmente em situações públicas, onde a posse da fala representa status. Os homens não apenas falam mais que as mulheres em situação de poder, eles também as interrompem com frequência, monopolizando a fala, como mostram estudos recentes (cf. Snyder, 2014; Robb, 2015). Isso, inclusive, levou à criação dos termos mansplaining e manterrupting, em inglês. Se, por um lado, os homens falam mais que as mulheres em situações que envolvem poder, algumas pesquisas mostram que, por outro lado, as mulheres costumam falar mais em contexto privado e familiar (Tannen, 1991, 1993, 1994; Holmes, 1998, 2013; Onnela et al., 2014). Em grupos constituídos por pares, em que normalmente não há status, as mulheres costumam ser mais loquazes. O mito parece então ter um fundo cultural. Parece que, em algumas culturas, há um “ideal de fala tácito” que as mulheres deveriam tentar atingir. Segundo esse ideal, elas devem “falar menos que os homens em situações públicas”. Portanto, nessas culturas, se uma mulher tem desenvoltura para falar em público, ela pode levar a fama de “falar demais”.


Chegamos, então, as seguintes conclusões: a) Não podemos afirmar, de maneira categórica, nem tampouco defender a ideia de que a mulher fala mais do que o homem. Como vimos, alguns estudos demonstram que, em contextos familiares e íntimos, as mulheres falam mais do que os homens. Contudo, quando a fala acontece em público, associada a status e poder, o homem não apenas fala mais que a mulher como também tende a não permitir que ela fale tanto quanto ele. b) Há nas sociedades como a nossa uma expectativa de que as mulheres falem menos do que os homens em situações públicas. Por estar situada numa estrutura social patriarcal, quando uma mulher se expressa “mais do que deveria” em público, ela pode receber julgamentos negativos.



OTHERO, Gabriel de Ávila. Mitos de linguagem. São Paulo: Parábola, 2017. p. 13-24. [Adaptado]. 

O Texto 1, considerando-se o modo de organização textual e o desenvolvimento do conteúdo temático, é construído a partir de uma tipologia
Alternativas
Q3953470 Português
A teoria dos gêneros textuais distingue entre a forma composicional e o propósito social do texto. Considerando a diferença entre Gênero (Genre) e Tipo Textual (Text Type), assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3953455 Português
A coesão textual é estabelecida através de recursos léxico-gramaticais que conectam partes do texto. Assim, analise as afirmativas a seguir.
I. A elipse consiste na omissão de uma palavra ou frase que pode ser recuperada pelo contexto precedente.
II. A substituição envolve a troca de um termo por outro item gramatical, como 'one' ou 'do', para evitar repetição.
III. A referência exofórica aponta para elementos fora do texto, situados na situação comunicativa imediata.
IV. A coesão lexical pode ser obtida através da reiteração, sinônimos, antônimos ou hiperônimos.
Assinale a alternativa que apresenta somente a(s) proposição(ões) CORRETA(S)
Alternativas
Q3952980 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Não sou igual a você



Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.


Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada tem a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.


O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.


Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?



CASTRO, Kika. Manifesto a favor do direito de divergir. 6 abr. 2013. Disponível em: https://kikacastro.com.br/2013/04/06/manifesto-a-favor-do-direito-de-div ergir/ . Acesso em: 18 fev. 2026. 

Considerando a tipologia e o gênero textual que caracterizam o texto apresentado, analise a forma de organização discursiva, a finalidade comunicativa predominante e os recursos linguísticos mobilizados pelo autor na construção do sentido, e assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3952928 Português

Ele tem 22 anos e uma missão: varrer o lixo espacial da órbita da Terra


Quem quiser conversar com Leonidas Askianakis precisa primeiro encontrar um horário em sua agenda. Seus compromissos são marcados de forma meticulosa, em intervalos de 30 minutos, das 5h às 23h. Reuniões? Apenas online e sempre sobre um único tema: o espaço. Um jovem com uma missão que não o deixa em paz nem mesmo à noite. Ele fica acordado, lendo as notícias mais recentes da China sobre detritos em órbita e mais perigo para os astronautas. Logo no início de novembro, uma tripulação chinesa teve que estender sua estadia no espaço devido ao receio de que sua espaçonave pudesse ser atingida por lixo espacial durante a volta à Terra.


Aliás, lixo espacial é meio que uma especialidade de Askianakis. Milhares de toneladas deles orbitam a Terra, como satélites desativados, pedaços de foguetes e detritos. É por esse motivo que a órbita terrestre é monitorada 24 horas por dia. Mas, quanto menores os fragmentos, mais difícil é encontrá-los. “Com nossos sistemas de radar terrestres, normalmente detectamos objetos do tamanho de uma bola de tênis, cerca de dez centímetros. Qualquer coisa menor que isso é invisível”, diz Siminski. “Isso significa que sempre há um certo risco.”


É exatamente esse risco que preocupa Askianakis desde o primeiro ano do curso de engenharia aeroespacial na Universidade Técnica de Munique. “Como o lixo espacial pode permanecer em órbita por 200 anos e ninguém faz nada a respeito?”. Com um satélite equipado com radar de alta sensibilidade, algoritmos e padrões de varredura, ele pretende tornar visíveis detritos que variam de um a dez centímetros, possibilitando, pela primeira vez, o monitoramento completo da órbita. Posteriormente, sondas com braços robóticos removerão os fragmentos maiores.


Uma conversa com representantes da Airbus reforçou sua determinação. “Eles estavam cientes do problema e ficaram satisfeitos por alguém estar tentando resolvê-lo. Foi aí que me ocorreu: eu realmente preciso abrir minha própria empresa”. Ele fundou a Project-S. Como que por intervenção divina, pouco depois de sua fundação, a nova lei espacial da União Europeia (UE) entrou em vigor obrigando os operadores de satélites a removerem seus detritos espaciais.



Adaptado de: https://noticias.uol.com.br/ultimasnoticias/deutschewelle/2025/11/26/empresa-alema-quer-criarservico-de-coleta-de-lixo-espacial.htm Acesso em: 27 nov. 2025. 

Considerado a norma-padrão da língua portuguesa, assinale a alternativa em que a reescrita proposta para o excerto se manteve fiel aos sentidos produzidos a partir do texto original.
Alternativas
Q3952917 Português
TEXTO: Adultização e outras brigas com o tempo

        A palavra “adultização” virou senha para um vasto mundo criminoso que prospera à vista de todos na internet, incentivado pela dinâmica algorítmica de redes sociais desreguladas. Esse é o xis do problema, mas quero falar aqui de uma questão mais sutil de linguagem.  

        Adultização – título do excelente vídeobomba do youtuber Felca sobre exploração sexual de menores e substantivo não dicionarizado, criado de forma regular a partir do também recente verbo “adultizar” – é uma das invenções vocabulares a que nossa linguagem tem recorrido para dar conta de problemas novos nas velhas etapas de crescimento de uma vida humana. Infância, adolescência, idade adulta, maturidade e velhice pareciam territórios delimitados com razoável segurança e estabilidade no século passado. As fronteiras entre eles vêm se tornando menos nítidas, por razões variadas que ainda aguardam estudos aprofundados. E as palavras, como sempre, correm atrás dos fatos. 

        É razoável supor que entrem nessa conta fenômenos como o esgotamento dos velhos modelos de crescimento econômico, o aumento da expectativa de vida, o narcisismo como patologia coletiva, o consumismo como religião suprema, os avanços da medicina estética e o sucesso do discurso coach picareta (com perdão da redundância) de que todo mundo pode ser o que quiser. Seja como for, o que me parece indiscutível é que todos esses fatores se organizam sob a batuta do fenômeno mais socialmente relevante – para o bem e para o mal, mais para este que para aquele – do século 21: a rede-socialização desenfreada de tudo o que existe no mundo.  

        Nesse território dentro do espelho, crianças adultizadas – como aqueles tragicômicos empreendedores mirins que aparecem no vídeo do momento falando mal da escola e morrendo de rir de Aristóteles – encontram seu correspondente simétrico em adultos infantilizados, fixados em bonecos, brinquedos, histórias pueris e até chupetas. Se vemos proliferar expressões como “os 60 são os novos 40” e meninas obcecadas por produtos de beleza algumas décadas antes da hora, também cunhamos neologismos como “adultescente” (adulto + adolescente, ou seja, o adulto que reluta em crescer) e eufemismos como “melhor idade” (para substituir a outrora digna, mas hoje aparentemente inaceitável, “velhice”).

        Será que estamos fadados a essa rota de colisão com nossos relógios biológicos? Sermos uma espécie que sabe que vai morrer sempre foi um problema sério, claro, o maior de todos os problemas – é nessa dor que deitam raízes tanto as religiões quanto as artes. Contudo, por que nossa relação com o tempo ficou de repente tão disfuncional?

        Não é difícil encontrar na língua e na linguagem sintomas de que esse tipo de transtorno dismórfico-temporal aspira a ser a única universalidade possível num mundo em que as big techs têm mais poder do que tinha a Igreja Católica na Idade Média. Só pode ser porque dá lucro, esse deus sem metafísica.

SÉRGIO RODRIGUES Adaptado de folha.uol.com.br, 13/08/2025. 
A última frase do texto, em relação às que a antecedem no parágrafo, expressa sentido de: 
Alternativas
Q3952915 Português
TEXTO: Adultização e outras brigas com o tempo

        A palavra “adultização” virou senha para um vasto mundo criminoso que prospera à vista de todos na internet, incentivado pela dinâmica algorítmica de redes sociais desreguladas. Esse é o xis do problema, mas quero falar aqui de uma questão mais sutil de linguagem.  

        Adultização – título do excelente vídeobomba do youtuber Felca sobre exploração sexual de menores e substantivo não dicionarizado, criado de forma regular a partir do também recente verbo “adultizar” – é uma das invenções vocabulares a que nossa linguagem tem recorrido para dar conta de problemas novos nas velhas etapas de crescimento de uma vida humana. Infância, adolescência, idade adulta, maturidade e velhice pareciam territórios delimitados com razoável segurança e estabilidade no século passado. As fronteiras entre eles vêm se tornando menos nítidas, por razões variadas que ainda aguardam estudos aprofundados. E as palavras, como sempre, correm atrás dos fatos. 

        É razoável supor que entrem nessa conta fenômenos como o esgotamento dos velhos modelos de crescimento econômico, o aumento da expectativa de vida, o narcisismo como patologia coletiva, o consumismo como religião suprema, os avanços da medicina estética e o sucesso do discurso coach picareta (com perdão da redundância) de que todo mundo pode ser o que quiser. Seja como for, o que me parece indiscutível é que todos esses fatores se organizam sob a batuta do fenômeno mais socialmente relevante – para o bem e para o mal, mais para este que para aquele – do século 21: a rede-socialização desenfreada de tudo o que existe no mundo.  

        Nesse território dentro do espelho, crianças adultizadas – como aqueles tragicômicos empreendedores mirins que aparecem no vídeo do momento falando mal da escola e morrendo de rir de Aristóteles – encontram seu correspondente simétrico em adultos infantilizados, fixados em bonecos, brinquedos, histórias pueris e até chupetas. Se vemos proliferar expressões como “os 60 são os novos 40” e meninas obcecadas por produtos de beleza algumas décadas antes da hora, também cunhamos neologismos como “adultescente” (adulto + adolescente, ou seja, o adulto que reluta em crescer) e eufemismos como “melhor idade” (para substituir a outrora digna, mas hoje aparentemente inaceitável, “velhice”).

        Será que estamos fadados a essa rota de colisão com nossos relógios biológicos? Sermos uma espécie que sabe que vai morrer sempre foi um problema sério, claro, o maior de todos os problemas – é nessa dor que deitam raízes tanto as religiões quanto as artes. Contudo, por que nossa relação com o tempo ficou de repente tão disfuncional?

        Não é difícil encontrar na língua e na linguagem sintomas de que esse tipo de transtorno dismórfico-temporal aspira a ser a única universalidade possível num mundo em que as big techs têm mais poder do que tinha a Igreja Católica na Idade Média. Só pode ser porque dá lucro, esse deus sem metafísica.

SÉRGIO RODRIGUES Adaptado de folha.uol.com.br, 13/08/2025. 
No 4º parágrafo, ao classificar “melhor idade” como eufemismo, o autor expressa um ponto de vista em relação ao uso de tal expressão.
A partir do texto, tal ponto de vista pode ser caracterizado como uma forma de:  
Alternativas
Q3952911 Português
TEXTO: Adultização e outras brigas com o tempo

        A palavra “adultização” virou senha para um vasto mundo criminoso que prospera à vista de todos na internet, incentivado pela dinâmica algorítmica de redes sociais desreguladas. Esse é o xis do problema, mas quero falar aqui de uma questão mais sutil de linguagem.  

        Adultização – título do excelente vídeobomba do youtuber Felca sobre exploração sexual de menores e substantivo não dicionarizado, criado de forma regular a partir do também recente verbo “adultizar” – é uma das invenções vocabulares a que nossa linguagem tem recorrido para dar conta de problemas novos nas velhas etapas de crescimento de uma vida humana. Infância, adolescência, idade adulta, maturidade e velhice pareciam territórios delimitados com razoável segurança e estabilidade no século passado. As fronteiras entre eles vêm se tornando menos nítidas, por razões variadas que ainda aguardam estudos aprofundados. E as palavras, como sempre, correm atrás dos fatos. 

        É razoável supor que entrem nessa conta fenômenos como o esgotamento dos velhos modelos de crescimento econômico, o aumento da expectativa de vida, o narcisismo como patologia coletiva, o consumismo como religião suprema, os avanços da medicina estética e o sucesso do discurso coach picareta (com perdão da redundância) de que todo mundo pode ser o que quiser. Seja como for, o que me parece indiscutível é que todos esses fatores se organizam sob a batuta do fenômeno mais socialmente relevante – para o bem e para o mal, mais para este que para aquele – do século 21: a rede-socialização desenfreada de tudo o que existe no mundo.  

        Nesse território dentro do espelho, crianças adultizadas – como aqueles tragicômicos empreendedores mirins que aparecem no vídeo do momento falando mal da escola e morrendo de rir de Aristóteles – encontram seu correspondente simétrico em adultos infantilizados, fixados em bonecos, brinquedos, histórias pueris e até chupetas. Se vemos proliferar expressões como “os 60 são os novos 40” e meninas obcecadas por produtos de beleza algumas décadas antes da hora, também cunhamos neologismos como “adultescente” (adulto + adolescente, ou seja, o adulto que reluta em crescer) e eufemismos como “melhor idade” (para substituir a outrora digna, mas hoje aparentemente inaceitável, “velhice”).

        Será que estamos fadados a essa rota de colisão com nossos relógios biológicos? Sermos uma espécie que sabe que vai morrer sempre foi um problema sério, claro, o maior de todos os problemas – é nessa dor que deitam raízes tanto as religiões quanto as artes. Contudo, por que nossa relação com o tempo ficou de repente tão disfuncional?

        Não é difícil encontrar na língua e na linguagem sintomas de que esse tipo de transtorno dismórfico-temporal aspira a ser a única universalidade possível num mundo em que as big techs têm mais poder do que tinha a Igreja Católica na Idade Média. Só pode ser porque dá lucro, esse deus sem metafísica.

SÉRGIO RODRIGUES Adaptado de folha.uol.com.br, 13/08/2025. 
E as palavras, como sempre, correm atrás dos fatos. (2º parágrafo)
De acordo com a frase citada, entre “palavras” e “fatos” há uma relação de:  
Alternativas
Q3952910 Português
TEXTO: Adultização e outras brigas com o tempo

        A palavra “adultização” virou senha para um vasto mundo criminoso que prospera à vista de todos na internet, incentivado pela dinâmica algorítmica de redes sociais desreguladas. Esse é o xis do problema, mas quero falar aqui de uma questão mais sutil de linguagem.  

        Adultização – título do excelente vídeobomba do youtuber Felca sobre exploração sexual de menores e substantivo não dicionarizado, criado de forma regular a partir do também recente verbo “adultizar” – é uma das invenções vocabulares a que nossa linguagem tem recorrido para dar conta de problemas novos nas velhas etapas de crescimento de uma vida humana. Infância, adolescência, idade adulta, maturidade e velhice pareciam territórios delimitados com razoável segurança e estabilidade no século passado. As fronteiras entre eles vêm se tornando menos nítidas, por razões variadas que ainda aguardam estudos aprofundados. E as palavras, como sempre, correm atrás dos fatos. 

        É razoável supor que entrem nessa conta fenômenos como o esgotamento dos velhos modelos de crescimento econômico, o aumento da expectativa de vida, o narcisismo como patologia coletiva, o consumismo como religião suprema, os avanços da medicina estética e o sucesso do discurso coach picareta (com perdão da redundância) de que todo mundo pode ser o que quiser. Seja como for, o que me parece indiscutível é que todos esses fatores se organizam sob a batuta do fenômeno mais socialmente relevante – para o bem e para o mal, mais para este que para aquele – do século 21: a rede-socialização desenfreada de tudo o que existe no mundo.  

        Nesse território dentro do espelho, crianças adultizadas – como aqueles tragicômicos empreendedores mirins que aparecem no vídeo do momento falando mal da escola e morrendo de rir de Aristóteles – encontram seu correspondente simétrico em adultos infantilizados, fixados em bonecos, brinquedos, histórias pueris e até chupetas. Se vemos proliferar expressões como “os 60 são os novos 40” e meninas obcecadas por produtos de beleza algumas décadas antes da hora, também cunhamos neologismos como “adultescente” (adulto + adolescente, ou seja, o adulto que reluta em crescer) e eufemismos como “melhor idade” (para substituir a outrora digna, mas hoje aparentemente inaceitável, “velhice”).

        Será que estamos fadados a essa rota de colisão com nossos relógios biológicos? Sermos uma espécie que sabe que vai morrer sempre foi um problema sério, claro, o maior de todos os problemas – é nessa dor que deitam raízes tanto as religiões quanto as artes. Contudo, por que nossa relação com o tempo ficou de repente tão disfuncional?

        Não é difícil encontrar na língua e na linguagem sintomas de que esse tipo de transtorno dismórfico-temporal aspira a ser a única universalidade possível num mundo em que as big techs têm mais poder do que tinha a Igreja Católica na Idade Média. Só pode ser porque dá lucro, esse deus sem metafísica.

SÉRGIO RODRIGUES Adaptado de folha.uol.com.br, 13/08/2025. 
As fronteiras entre eles vêm se tornando menos nítidas, por razões variadas que ainda aguardam estudos aprofundados. (2º parágrafo)
A declaração feita na frase acima esclarece a seguinte expressão usada anteriormente no 2º parágrafo:  
Alternativas
Q3952908 Português
TEXTO: Adultização e outras brigas com o tempo

        A palavra “adultização” virou senha para um vasto mundo criminoso que prospera à vista de todos na internet, incentivado pela dinâmica algorítmica de redes sociais desreguladas. Esse é o xis do problema, mas quero falar aqui de uma questão mais sutil de linguagem.  

        Adultização – título do excelente vídeobomba do youtuber Felca sobre exploração sexual de menores e substantivo não dicionarizado, criado de forma regular a partir do também recente verbo “adultizar” – é uma das invenções vocabulares a que nossa linguagem tem recorrido para dar conta de problemas novos nas velhas etapas de crescimento de uma vida humana. Infância, adolescência, idade adulta, maturidade e velhice pareciam territórios delimitados com razoável segurança e estabilidade no século passado. As fronteiras entre eles vêm se tornando menos nítidas, por razões variadas que ainda aguardam estudos aprofundados. E as palavras, como sempre, correm atrás dos fatos. 

        É razoável supor que entrem nessa conta fenômenos como o esgotamento dos velhos modelos de crescimento econômico, o aumento da expectativa de vida, o narcisismo como patologia coletiva, o consumismo como religião suprema, os avanços da medicina estética e o sucesso do discurso coach picareta (com perdão da redundância) de que todo mundo pode ser o que quiser. Seja como for, o que me parece indiscutível é que todos esses fatores se organizam sob a batuta do fenômeno mais socialmente relevante – para o bem e para o mal, mais para este que para aquele – do século 21: a rede-socialização desenfreada de tudo o que existe no mundo.  

        Nesse território dentro do espelho, crianças adultizadas – como aqueles tragicômicos empreendedores mirins que aparecem no vídeo do momento falando mal da escola e morrendo de rir de Aristóteles – encontram seu correspondente simétrico em adultos infantilizados, fixados em bonecos, brinquedos, histórias pueris e até chupetas. Se vemos proliferar expressões como “os 60 são os novos 40” e meninas obcecadas por produtos de beleza algumas décadas antes da hora, também cunhamos neologismos como “adultescente” (adulto + adolescente, ou seja, o adulto que reluta em crescer) e eufemismos como “melhor idade” (para substituir a outrora digna, mas hoje aparentemente inaceitável, “velhice”).

        Será que estamos fadados a essa rota de colisão com nossos relógios biológicos? Sermos uma espécie que sabe que vai morrer sempre foi um problema sério, claro, o maior de todos os problemas – é nessa dor que deitam raízes tanto as religiões quanto as artes. Contudo, por que nossa relação com o tempo ficou de repente tão disfuncional?

        Não é difícil encontrar na língua e na linguagem sintomas de que esse tipo de transtorno dismórfico-temporal aspira a ser a única universalidade possível num mundo em que as big techs têm mais poder do que tinha a Igreja Católica na Idade Média. Só pode ser porque dá lucro, esse deus sem metafísica.

SÉRGIO RODRIGUES Adaptado de folha.uol.com.br, 13/08/2025. 
No texto, o autor aborda um processo social que envolve a relação entre idade e comportamento. No que diz respeito ao tempo cronológico, tal processo pode ser explicado como uma forma de: 
Alternativas
Q3952873 Português
Apesar dessas descobertas, o silêncio do cosmos continua misterioso. (3º parágrafo)
Por enquanto, o silêncio do universo é um convite à exploração e à reflexão sobre nosso lugar nesse vasto mistério. (6º parágrafo)  
Ainda no contexto, a palavra “universo” mantém com a palavra “cosmos” relação semântica de:
Alternativas
Q3952872 Português
Com base nas frases a seguir, responda à questão.
Apesar dessas descobertas, o silêncio do cosmos continua misterioso. (3º parágrafo) Por enquanto, o silêncio do universo é um convite à exploração e à reflexão sobre nosso lugar nesse vasto mistério. (6º parágrafo)
No contexto, a palavra “silêncio” expressa a seguinte figura de linguagem: 
Alternativas
Respostas
5521: D
5522: B
5523: C
5524: A
5525: B
5526: C
5527: D
5528: D
5529: B
5530: C
5531: A
5532: A
5533: A
5534: B
5535: A
5536: D
5537: D
5538: C
5539: A
5540: B