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Q3953588 Português
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Texto 2


Fome de água no berço das águas: Mulheres do Cerrado lutam por segurança hídrica e alimentar no bioma mais ameaçado do Brasil


Ludmila Pereira


   O Cerrado passa por transformações profundas. As razões não são naturais, e sim atribuídas à expansão do uso industrial da terra, em atividades ligadas ao agronegócio. Esse modelo de exploração da terra acelera mudanças climáticas e reforça alterações regionais, gerando um ciclo maléfico de seca e de ameaça a populações já vulnerabilizadas, em especial as mulheres.

   Um estudo publicado em 2024, na revista científica Nature Communication, mostra que o meio do Brasil – onde fica o Cerrado – passa pela seca mais severa dos últimos 700 anos. Outra análise, realizada por um grupo de pesquisadores do Instituto Cerrados e da Agência Nacional de Águas (ANA), mostra que o volume de água do Cerrado pode reduzir 34% até 2050. Devido à expansão agrícola, 90% das bacias hidrográficas do Cerrado podem diminuir o seu fluxo de água.

   Os efeitos já são sentidos no campo e na cidade. Ligar a torneira e não encontrar o principal ingrediente para a primeira refeição do dia é desolador. Em casos como esse, as mulheres são as mais impactadas. Em geral, pesa sobre elas a responsabilidade de garantir água para a alimentação e para o cuidado da casa. Nesse contexto, mulheres, especialmente as mães solos, se tornam reféns de adoecimento e preocupação constante, como conta a quilombola Emília Costa durante um dos encontros da Articulação de Mulheres do Cerrado.

   “O primeiro impacto que a gente sente das violações do Cerrado é em nossos corpos, justamente porque nós mulheres temos relação direta de cuidado e uma sensibilidade melhor para sentir as coisas benéficas e, infelizmente, também as mazelas que chegam até nós, em nossos territórios”, relata Costa, do Quilombo Santo Antônio do Costa, no Maranhão.


Disponível em: https://diplomatique.org.br/mulheres-do-cerrado-lutam-porseguranca-hidrica-e-alimentar-no-bioma-mais-ameacado-do-brasil/. Acesso em: 18 fev. 2026. [Adaptado].
A expressão “no berço das águas”, presente no título do Texto 2, é construída a partir do uso de uma figura de linguagem denominada de
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: No trecho "Fome de água no berço das águas", o termo "berço" não designa literalmente um objeto infantil; ele é empregado como imagem de origem, isto é, como lugar de onde as águas nascem. Essa transferência de sentido por analogia implícita caracteriza metáfora e sustenta o gabarito A.

Tema central: figura de linguagem
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque "berço" transfere ao Cerrado a ideia de fonte, origem ou nascedouro das águas. Esse emprego não é literal e depende de semelhança implícita: o Cerrado é apresentado como se fosse o "berço" das águas. Essa transferência de sentido por analogia caracteriza metáfora.
B
Errada
Metonímia exige substituição por contiguidade ou associação objetiva. Não é o que ocorre em "berço das águas": "berço" não aparece no lugar de outro termo por relação material, causal, continente-conteúdo ou equivalente. O sentido decorre de imagem por analogia, portanto não há relação metonímica.
C
Errada
Catacrese pressupõe uso cristalizado de um termo por falta de nome próprio, com função denominativa. Aqui, o uso de "berço" preserva força expressiva e imagética para apresentar o Cerrado como origem das águas. A expressão atua como construção figurada intencional, não como nomeação automática.
D
Errada
Oxímoro exige oposição semântica interna entre os termos da própria expressão. Em "berço das águas", não há palavras contraditórias entre si. O contraste do título está entre "Fome de água" e "berço das águas", mas a questão recorta apenas a expressão "no berço das águas"; isoladamente, ela não configura oxímoro.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: analisar o título inteiro em vez da expressão recortada e tomar qualquer uso não literal como metonímia ou catacrese. O ponto correto era identificar, especificamente em "no berço das águas", a analogia implícita que forma a metáfora.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o termo está em sentido figurado por semelhança implícita; se estiver, o caminho é metáfora.
  • Não trate toda substituição vocabular figurada como metonímia: metonímia pede contiguidade, não analogia.
  • Antes de marcar oxímoro, confira se a oposição está dentro da expressão destacada, e não apenas no contexto ao redor.
  • Só considere catacrese quando houver uso lexical cristalizado com função de nomeação, não quando a imagem expressiva permanece ativa.

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Comentários

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Uma metáfora é uma figura de linguagem em que uma palavra ou expressão é usada fora do seu sentido literal, para criar uma comparação implícita.

Metáfora: comparação com valor conotativo (conectivo implícito) - se o conectivo for explícito será símile. ex: “no berço das águas”

Metonímia: substituição que se baseia numa relação lógica de significado entre dois termos, ex.: bebeu dois copos de cerveja.

Catacrese: sentido analógico, comparação, não em sentido próprio (conotativo), ex.: dente de alho.

Perífrase: mais palavras ao invés de menos, ex.: o ex caçador de marajás (Collor) apresentou ideias contestáveis.

Oxímoro: é uma figura de linguagem que combina palavras de sentidos opostos ou contraditórios em uma mesma expressão, criando um efeito de paradoxo, ênfase ou ironia. Diferente da antítese, o oxímoro une termos conflitantes lado a lado para gerar um novo sentido, frequente na poesia e literatura. Ex: Silêncio ensurdecedor, lúcida loucura, Instante eterno.

Paradoxo: Também conhecido como oxímoro, é uma figura de pensamento que consiste na aproximação de ideias contrárias que se contradizem mutuamente, resultando em uma aparente falta de lógica, mas que, no contexto, faz sentido e gera reflexão. 

Personalização: atribui características humanas a seres inanimados, o que não ocorre.

Chiste: envolve humor direto ou piada explícita; aqui há tom reflexivo, não jocoso.

Gab: A

A) Metáfora – comparação implícita (sem “como”).

Ex.: “Ele é uma fera nos estudos.”

B) Metonímia – troca de uma palavra por outra relacionada.

Ex.: “Li Machado de Assis.” (autor pela obra)

C) Catacrese – uso de palavra por falta de termo próprio.

Ex.: “Braço da cadeira”, “pé da mesa”.

D) Oxímoro – união de ideias opostas.

Ex.: “Silêncio ensurdecedor”.

Prosopopéia: Atribuir características humanas (personificação) a seres não humanos, objetos ou ideias.“O vento cantava na janela.”

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