Questões de Concurso Comentadas sobre teoria literária em literatura

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Q4152836 Literatura
En una clase de la 1ª serie de la Enseñanza Media, el profesor solicitó la lectura del siguiente poema de Santa Teres
¡Oh qué bien tan sin segundo!
¡Oh casamiento sagrado!
Que el Rey de la Magestad,
Haya sido el desposado.
¡Oh qué venturosa suerte,
Os estaba aparejada,
Que os quiere Dios por amada,
Y ha os ganado con su muerte!
En servile estad muy fuerte,
Pues que lo habeis profesado,
Que el Rey de la Magestad,
Es ya vuestro desposado.
Ricas joyas os dará.
DE JESÚS, S. T. Poesías de Santa Teresa. Madrid: M. Rivadeneyra, 1861. p. 513.

Después de la lectura, un estudiante dice que el poema era un buen ejemplo de poesía mística.

La afirmación del estudiante está correcta porque en el poema, por medio del lenguaje amoroso y religioso, concreta la vía
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Q4152831 Literatura
O discurso indireto livre, presente em diversos romancistas do século XIX e desenvolvido, sob formas refinadas, no romance do século XX, manifesta-se mesclando, no mesmo enunciado, a voz do narrador e a voz da personagem, resultando, de acordo com a elucidativa expressão de Roy Pascal, em uma voz dual. Essa voz dual, na sua contaminação, ora satírica, ora irônica, ora simpateticamente lírica, da voz da personagem e da voz do narrador, pode gerar no leitor dificuldade na interpretação do texto, em particular no que diz respeito à focalização.
SILVA, V. M. A. Teoria da Literatura. 8. ed. Coimbra: Almedina, 2018. p. 764 (adaptado).

Considerando essa abordagem, assinale a opção que apresenta um trecho da obra Quincas Borba, de Machado de Assis, em que se encontra essa voz dual por meio do discurso indireto livre.
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152296 Literatura
Entre os gêneros textuais digitais que têm surgido no contexto da cibercultura e que têm provocado novas possibilidades de acesso ao conhecimento, há o gênero narrativa digital (digital storytelling). Visando à sua produção, os alunos, em sua maioria, além de tablets e notebooks, possuem um artefato digital quase indispensável atualmente: o smartphone. Este agrega múltiplas funções: acesso às redes sociais e a sites diversos, jogos, câmeras fotográficas, ferramentas de gravação de áudio. Essas e outras funcionalidades permitem a participação ativa em construções de narrativas variadas, de forma autoral, individual e(ou) coletivamente, criando-se e recriando-se histórias.
OLIVEIRA, J. V. dos S.; SILVA, S. B. B. da. Os gêneros textuais digitais como estratégias pedagógicas no ensino de língua portuguesa na perspectiva dos (multi)letramentos e dos multiletramentos. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 59, n. 3, p. 2162-2182, 2021 (adaptado).

A leitura escolar, em seu formato canônico, normalmente não autoriza ligações com aquilo que se situa fora do literário: o universo do leitor. Ciente disso, o professor de uma escola dos anos finais do Ensino Fundamental tem o propósito de oportunizar a formação de leitores trazendo para a sala de aula autores que questionem o valor do cânone, aproximando a literatura da cultura de massa.

Para relacionar a literatura não canônica com o contexto digital apresentado anteriormente, uma estratégia adequada seria o professor abordar
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152276 Literatura
O cortiço
Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.
Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.
AZEVEDO, A. O cortiço. SP: Ática, 1995. p. 36.

Uma das características da literatura está na literariedade, termo cunhado pelo formalismo russo na tentativa de identificar propriedades presentes nas obras literárias que as diferenciam de outros discursos produzidos na sociedade.
No fragmento apresentado de O cortiço, a literariedade está presente no trecho 
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152273 Literatura
Para discutir características da literatura afro-brasileira contemporânea, um professor escolheu apresentar às suas turmas de Ensino Médio a escritora Conceição Evaristo. Para um primeiro contato com a obra da autora, ele escolheu o seguinte trecho do conto Olhos d’água.
Lembro-me ainda do temor de minha mãe nos dias de fortes chuvas. Em cima da cama, agarrada a nós, ela nos protegia com seu abraço. E com os olhos alagados de prantos balbuciava rezas a Santa Bárbara, temendo que o nosso frágil barraco desabasse sobre nós. E eu não sei se o lamento-pranto de minha mãe, se o barulho da chuva... Sei que tudo me causava a sensação de que a nossa casa balançava ao vento. Nesses momentos os olhos de minha mãe se confundiam com os olhos da natureza. Chovia, chorava! Chorava, chovia! Então, por que eu não conseguia lembrar a cor dos olhos dela?
[...]
E também, já naquela época, eu entoava cantos de louvor a todas as nossas ancestrais, que desde a África vinham arando a terra da vida com as suas próprias mãos, palavras e sangue. Não, eu não esqueço essas Senhoras, nossas Yabás, donas de tantas sabedorias. Mas de que cor eram os olhos de minha mãe?
EVARISTO, C. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas. Fundação Biblioteca Nacional, 2016.

Nessa situação, para promover uma discussão com a turma, é adequado o professor explicar aos alunos que a narrativa apresentada pelo texto
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152270 Literatura
TEXTO 1
Dudu gostava muito de brincar de ser, brincava todos os dias na escola. Aliás, acho que foi ele quem inventou essa brincadeira.
– Vamos brincar de ser?
– Vamos! Eu vou ser a princesa!
– Eu vou ser a fada!
Mariana e Lili falaram ao mesmo tempo. Elas adoravam essa brincadeira.
– Eu vou ser a bruxa!
– disse Dudu.
– Mas, Dudu, homens não podem ser bruxas! Você pode ser um mago...
Dudu não queria, ele gostava mesmo era de ser a bruxa. Os amigos da escola acabaram se acostumando.
MARTINS, G. da C. O menino que brincava de ser. 4. ed. São Paulo: DCL, 2000 (adaptado).

TEXTO 2
Os juízos de valor que constituem a literatura são historicamente variáveis e têm, eles próprios, uma estreita relação com as ideologias sociais. Eles se referem, em última análise, não apenas ao gosto particular, mas aos pressupostos pelos quais certos grupos sociais exercem e mantêm o poder sobre outros.
EAGLETON, T. Teoria da literatura: uma introdução. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006 (adaptado).

Considerando-se os textos apresentados, é correto afirmar que os textos literários possibilitam discutir os papéis atribuídos aos gêneros feminino e masculino na sociedade porque
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152265 Literatura
Em uma aula de Literatura para o Ensino Médio, uma professora levou sua turma a refletir sobre a leitura dos clássicos, a partir do seguinte trecho, de autoria de ltalo Calvino.
Os clássicos não são lidos por dever ou por respeito, mas só por amor. Exceto na escola: a escola deve fazer com que você conheça bem ou mal um certo número de clássicos dentre os quais (ou em relação aos quais) você poderá depois reconhecer os “seus” clássicos. A escola é obrigada a dar-lhe instrumentos para efetuar uma opção: mas as escolhas que contam são aquelas que ocorrem fora e depois de cada escola.
CALVINO, l. Por que ler os clássicos. Tradução: Nilson Moulin. São Paulo: Companhia das Letras, 1993 (adaptado).

O excerto provocou grande debate sobre o que é sugerido como leitura na escola, em contraposição às obras que os adolescentes realmente gostam de ler. Nessa conversa, os alunos mencionaram livros que leram por indicação da escola e outros que conheceram fora dela, com os quais se identificavam mais. Uma aluna, então, trouxe à tona textos que havia lido a partir das redes sociais, como o Instagram, e acrescentou um novo ponto à discussão: a instapoesia.

Aproveitando a introdução desse novo tópico, a professora refletiu sobre a instapoesia como uma produção contemporânea. Em sala, a docente leu instapoemas de autoras populares no Instagram, como Rupi Kaur e Ryane Leão, poetas feministas indiano-canadense e brasileira, respectivamente. Contudo, em meio à discussão, um aluno questionou se tais produções seriam mesmo literatura. Como encaminhamento, a professora sugeriu que os estudantes fizessem uma pesquisa sobre instapoesia e informou que, nas aulas seguintes, retomaria as reflexões sobre o que se lê na escola, bem como sobre o que é literatura clássica e o que é arte marginal.

Nessa situação, na retomada das reflexões sobre esse tema, seria adequado a professora
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Q3910336 Literatura
Leia os textos a seguir.
CORIFEU
Vede bem, habitantes de Tebas, meus concidadãos! Este é Édipo, decifrador dos enigmas famosos; ele foi um senhor poderoso e por certo o invejastes em seus dias passados de prosperidade invulgar. Em que abismos de imensa desdita ele agora caiu! Sendo assim, até o dia fatal de cerrarmos os olhos não devemos dizer que um mortal foi feliz de verdade antes dele cruzar as fronteiras da vida inconstante sem jamais ter provado o sabor de qualquer sofrimento!
(SÓFOCLES. Rei Édipo. A Trilogia Tebana. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p.105.)
Quando as trinta naus de Atenas chegaram à costa da Trácia, encontraram Potidéia e outros lugares já em revolta. Os comandantes das naus, considerando impossível, com sua força presente, fazer a guerra ao mesmo tempo contra Perdicas e os lugares que este sublevou, voltaram a sua atenção para a Macedônia – seu objetivo inicial – e, conseguindo um ponto de apoio lá, iniciaram as operações de guerra em combinação com Filipe e os irmãos de Derdas, que já haviam invadido a Macedônia vindos do interior à frente de suas tropas.
(TUCIDIDE. História da Guerra do Peloponeso. Brasília: Editora da Universidade de Brasilia, 1987. p.80.)
Com base nos textos e tendo como referência o debate aristotélico sobre a relação entre poesia, história e filosofia na obra Poética, de Aristóteles, considere as afirmativas a seguir.
I. A superioridade da filosofia reside no fato de tratar do particular, ao passo que a história versa principalmente sobre o universal.
II. Ao dar nomes aos personagens, a poesia se torna particular e mergulha no domínio da história, afastando o teatro da filosofia.
III. Não é função do poeta descrever o que aconteceu na realidade, mas representar o que poderia acontecer.
IV. O compromisso do poeta não é com a verdade, mas sim com a verossimilhança e a necessidade dos fatos descritos para a obra de arte.
Assinale a alternativa correta.
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Ano: 2024 Banca: COPS-UEL Órgão: UEL Prova: COPS-UEL - 2024 - UEL - Conhecimentos Gerais |
Q3903308 Literatura

Leia o poema O Quinto Império, de Fernando Pessoa, a seguir, e responda à questão abaixo.


Triste de quem vive em casa,

Contente com o seu lar,

Sem que um sonho, no erguer de asa,

Faça até mais rubra a brasa

Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!

Vive porque a vida dura.

Nada na alma lhe diz

Mais que a lição da raiz —

Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem

No tempo que em eras vem.

Ser descontente é ser homem.

Que as forças cegas se domem

Pela visão que a alma tem!

E assim, passados os quatro

Tempos do ser que sonhou,

A terra será teatro

Do dia claro, que no atro

Da erma noite começou.

Grécia, Roma, Cristandade,

Europa — os quatro se vão

Para onde vai toda idade.

Quem vem viver a verdade

Que morreu D. Sebastião?


PESSOA, Fernando. Melhores poemas de Fernando Pessoa. Seleção Teresa Rita Lopes. 12. ed. São Paulo: Global, 2004, p. 54-55. 

Com base no poema O Quinto Império, assinale a alternativa correta. 
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Q3595182 Literatura
O educador precisa dedicar uma atenção especial à seleção do tipo de obra literária a ser trabalhada em sala de aula. Normalmente, os critérios de seleção de obras literárias são categorizados em formais e subjetivos. Assim, são considerados critérios formais, exceto:
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Q3595173 Literatura
A literatura, vista pela perspectiva de Curto, Morillo e Teixidó (2000), representa uma fonte inesgotável de temas de trabalho, sendo justificada por si mesma. De acordo com os referidos autores, é importante que a literatura seja trabalhada em sala de aula a partir de seu objetivo principal. Que objetivo é esse?
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Q3595171 Literatura
Ao abordar aspectos relacionados com a literatura e a formação do leitor, Bordini e Aguiar (1988) destacam uma série de variáveis que vão ao encontro do esvaziamento do ensino de literatura. Tais problemáticas são descritas a seguir. Destaque a alternativa que foi construída em desacordo com a proposta das referidas autoras.
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Q3539975 Literatura
Texto VIII


Mudança 


Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas.

Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.

Arrastaram-se para lá, devagar, sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.

Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. [...]

A catinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.


(RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 71. ed. Rio de Janeiro: Record, 1886. p. 8-10). (Fragmento). 
A partir da leitura do excerto da obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, só NÃO se pode afirmar que: 
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Q3539972 Literatura
Texto V 


Vivo só, com um criado. A casa em que moro é própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um dia, há bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a casa em que me criei na antiga Rua de Matacavalos, dando-lhe o mesmo aspecto e economia daquela outra, que desapareceu. Construtor e pintor entenderam bem as indicações que lhes fiz: é o mesmo prédio assobradado, três janelas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas e salas. [...] O mais é também análogo e parecido. Tenho chacarinha, flores, legume, uma casuarina, um poço e lavadouro.

Uso louça velha e mobília velha. Enfim, agora, como outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa.

O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde, mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. [...]


(ASSIS. Machado de. Dom Casmurro. 32. ed. São Paulo: Ática. 1997. p. 14. (Fragmento). 


Texto VI


Eram cinco horas da manha e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. [...]

[...] No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, sem se saber onde, grasnar de marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. [...]

Dai a pouco, em volta das bicas era um zum-zum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de 4gua que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pelo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. [...]


(AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 26. ed. São Paulo: Ática, 1994. p. 35-36). (Fragmento). 
A partir da leitura dos textos V e VI, percebe-se que há entre eles certa distinção que os situa entre as estéticas Realista e Naturalista. Aliás, essa dicotomia se coloca, em muitos casos, como um dos problemas apresentados na discussão teórica da historiografia literária. Mesmo assim, nota-se que há uma necessidade comum entre elas, aproximando-as, pois ambas possuem uma espécie de comprometimento com o real, mas que assume formas distintas, pois: 
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Q3539971 Literatura
Partindo do entendimento, segundo Zilá Bernd (1992), de que ha a existência de matizes românticas e modernistas na elaboração da conotação coletiva de identidade cultural, tanto no projeto literário contido nas obras mencionadas de José de Alencar e Mário de Andrade, mencionadas na questão anterior, só NAO é correto afirmar que:

BERND, Zilá. Literatura e identidade nacional. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1992. 
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Q3539968 Literatura
O texto abaixo é base para responder a questão.

TEXTO IV 


Buscando a Cristo


A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.


A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lagrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.


A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me


A vós, lado patente, quero unir-me, 
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme. 


(MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. São Paulo: Cultrix, 1981.) 
No soneto de Gregório de Matos, destaca-se a importância da visualidade, evidenciada na escolha das palavras que descrevem o corpo de Cristo em agonia e na imagem vívida do Cristo crucificado, que é retratada com detalhes na composição poética. Portanto, poesia e pintura, utilizando seus materiais distintos (palavras e tintas, tropos e cores, papel e tela), convergem para criar uma única representação que inspira a elaboração tanto do soneto quanto do quadro que é descrito ou pintado por Gregório. Assim, a partir dessa informação, é CORRETO concluir que: 

I - O jogo de palavras antitéticas (“receber'/"castigar”, “abertos”/"fechados”, “eclipsados”/"despertos”, "perdoar"/"condenar”") dialoga com o jogo claro-escuro da pintura barroca, acentuado pelas cores contrastantes dos elementos “sangue” e “lágrimas”, presentes no poema.
Il - Sobre o jogo de luz e sombras (sagrado e profano) trabalhado pelo poeta e pintor barroco, pode-se dizer que elas estão centradas na figura do Cristo em unido com o próprio eu lírico, como se evidencia no ultimo verso do poema, em que os três adjetivos (“unido”, “atado”, “firme”) se unem não só no plano semântico como também no visual e plástico: o eu lírico se une em palavra e em figura a imagem de Cristo.
III - O jogo de palavras antitéticas (“receber”/"castigar”, “abertos”/"fechados”, “eclipsados”/"despertos”, “perdoar”/"condenar”) dialoga com a dicotomia claro-escuro da pintura barroca, acentuado pelas cores contrastantes dos elementos “sangue” e “lagrimas”, presentes no poema.
IV - Uma das principais caracteristicas desse poema centra-se na unido entre o sentimento e a razdo que os artistas renascentistas procuraram realizar. Assim, no poema barroco, sublimam-se as emoções, aproximando-o do racionalismo da arte do Renascimento.

Estão CORRETAS somente as afirmativas: 
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Q3539967 Literatura
A contribuição de Aristóteles é essencial para o desenvolvimento da teoria moderna dos gêneros. Assim, a partir do século XIX, especialmente no contexto do romantismo alemão, é que a definição dos gêneros literários se consolida, elaborada a partir de critérios que levaram em consideração a forma, a subjetividade e a relação com a realidade. Nesse período, a literatura será estudada a partir de três gêneros fundamentais: lírico, épico e dramático. Acerca do gênero lírico, só NÃO é correto afirmar que: 
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Q3539966 Literatura
O termo gênero é frequentemente utilizado para descrever certos padrões de composição artística que, ao longo do tempo, têm sido empregados para moldar a imaginação humana. O filósofo Aristóteles foi um dos pioneiros a explorar os géneros literários, identificando diferenças e hierarquias entre as diversas formas de expressão literária na Grécia Antiga. Essas análises foram posteriormente compiladas em sua obra Arte Poética (2003), que se tornou um clássico amplamente estudado e ainda é relevante para professores, pesquisadores e estudantes de Literatura. A respeito dessa obra, em síntese, é CORRETO afirmar que, para Aristóteles:

ARISTOTELES. Arte poética. São Paulo: Martin Claret, 2003. 
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Q3539965 Literatura
Texto III


O que as palavras representavam, simbolizavam ou significavam tinha uma importância muito secundaria. O que importava era o som delas, quando as ouvi pela primeira vez nos lábios dos distantes e incompreensíveis adultos que pareciam, por alguma razão, viver em meu mundo. E essas palavras eram, para mim, o mesmo que as notas dos sinos, os sons dos instrumentos musicais, os ruídos do vento, do mar e da chuva, o chacoalhar da carroça de leite, o galope dos cascos no calçamento, os dedilhados dos ramos no vidro de uma janela podiam ser para alguém que, surdo de nascença, tenha encontrado miraculosamente sua audição. Não me importava como que as palavras diziam, nem como que acontecia com Jack &Jill & Mamãe Gansa. Eu me importava com as formas dos sons de seus nomes e as palavras descrevendo suas ações, criadas em meus ouvidos. Eu me importava com as cores que as palavras lançavam nos meus olhos (THOMAS, 2003, p. XV.).


THOMAS, Dylan. Preface: Notes on the art of poetry. In: THOMAS, Dylan. The poems of Dylan Thomas. New York: New Directions Publishing Corporation, 2003. p. xv-xxil. In.: PIETRANI, Anélia Montechiari. A Literatura e outras artes, uma contribuição à discussão. 2018, p. 111-129. Disponível em: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=we b&cd=&ved=2ahUKEwib8b-wh]6 CAXUWRLgEHaifD88QFnoECBUQAQ&url=https%3A%2F%2Fperiodicos.unisa.bré62Findex. php%2Fveredas%2Farticle%2Fdownload%2F60%2F33%2F 162&usg=A0wWaw2ySfXQiFCD5DTHOgXCHoQI&opi=89978449. Acesso em 30/10/2023).
O texto propõe uma reflexão a respeito da arte poética, levando-nos a perceber que “a alfabetização no mundo da vida e no mundo da palavra acontece simultaneamente" (PIETRANI, 2018, p. 112). A partir desse pressuposto, e com base na leitura do texto Ill, só NÃO se pode afirmar que: 
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Q3539964 Literatura
Texto I


SARAMAGO - A resposta está na pergunta. Pretendo tocar os leitores, criar polémicas, estimular discussões. Mas isto não significa que a literatura tenha poder para mudar o mundo. Já não é pouco que seja capaz de exercer influência sobre algumas pessoas. O mundo é demasiado grande, somos mais de sete bilhões os que habitamos neste planeta, e o poder real está nas mãos das grandes multinacionais que evidentemente não nasceram para ser agentes da nossa felicidade.[...]” (O Globo. Rio de Janeiro. 20 mar. 2004.)


Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/ news/view/cecilia-giannetti>. Acesso em: 30 out. 2023). (Fragmento). 


Texto Il


“[...] ser escritor não é apenas escrever livros, é muito mais uma atitude perante a vida, uma exigência e uma intervenção [...] Creio mais na possibilidade da transformação ética do ser humano na pratica cotidiana da convivência. Que a arte e a literatura podem ajudar? Sim, mas só ajudar.” (In.: AGUILERA, 2010, p.123-126).


AGUILERA, F. G. As palavras de Saramago. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. 
Ao estudarmos e/ou ensinarmos Literatura, em muitos momentos ha dúvidas se os textos literários têm o poder de transformar a realidade ou existem apenas para nos aliviar do peso da vida cotidiana. Será que a arte existe porque a nossa vida não basta? De acordo com o que pensa José Saramago (1922-2010), escritor português contemporâneo que recebeu o Nobel de Literatura em 1998, em entrevistas concedidas aos jornais “O Globo” (texto I) e Jornal de Lisboa (texto Il), é CORRETO afirmar que a literatura: 
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Respostas
301: A
302: A
303: D
304: D
305: A
306: A
307: C
308: C
309: E
310: D
311: C
312: A
313: B
314: B
315: D
316: C
317: E
318: E
319: C
320: C