Questões de Concurso Comentadas sobre teoria literária em literatura

Foram encontradas 416 questões

Q4042913 Literatura
Em uma aula introdutória de Literatura, o professor explicou que os gêneros literários não devem ser compreendidos como compartimentos absolutamente rígidos, mas como formas históricas de organização da linguagem artística. Ainda assim, cada gênero preserva traços predominantes que ajudam na sua identificação. À luz dessa perspectiva, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q4040074 Literatura
Leia as afirmações sobre a obra O Mulato, de Aluísio Azevedo, indique se são (F) falsas ou (V) verdadeiras e marque a alternativa propícia.
( ) O episódio é relatado na 3ª pessoa verbal. É o narrador quem conta os fatos, tanto do presente, como do passado. Ele conhece e domina todos os acontecimentos e todos os pensamentos das personagens. Trata-se de um narrador onisciente.
( ) O romance O Mulato, relata um caso de amor em que as convenções sociais, o preconceito, o conservadorismo vencem o sentimento, (amor), das personagens.
( ) Entre o Bem e o Mal, o último é vitorioso no romance.
( ) O vilão, o mau Cônego Diogo, elimina o mocinho, que é desprezado por todos, enquanto que o vilão é admirado e respeitado.
( ) A mocinha se casa com o cúmplice do vilão. As constatações mostram que as personagens não podem escolher seu próprio destino, pois ele é decidido por fatores alheios à sua vontade. As vidas humanas são joguetes do meio, dos instintos, da época, fato que caracteriza O Mulato como um romance romântico. 
Alternativas
Q4039994 Literatura
Leia as afirmações sobre a obra O Mulato, de Aluísio Azevedo, indique se são (F) falsas ou (V) verdadeiras e marque a alternativa propícia.
( ) O episódio é relatado na 3ª pessoa verbal. É o narrador quem conta os fatos, tanto do presente, como do passado. Ele conhece e domina todos os acontecimentos e todos os pensamentos das personagens. Trata-se de um narrador onisciente.
( ) O romance O Mulato, relata um caso de amor em que as convenções sociais, o preconceito, o conservadorismo vencem o sentimento, (amor), das personagens.
( ) Entre o Bem e o Mal, o último é vitorioso no romance.
( ) O vilão, o mau Cônego Diogo, elimina o mocinho, que é desprezado por todos, enquanto que o vilão é admirado e respeitado.
( ) A mocinha se casa com o cúmplice do vilão. As constatações mostram que as personagens não podem escolher seu próprio destino, pois ele é decidido por fatores alheios à sua vontade. As vidas humanas são joguetes do meio, dos instintos, da época, fato que caracteriza O Mulato como um romance romântico.
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Q4018457 Literatura
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece o componente curricular Arte como um campo de saber que articula dimensões sensíveis e epistemológicas, organizando-se em linguagens que devem ser exploradas em sua especificidade e em seus diálogos transversais. Conforme o texto que consta expressamente na BNCC, as linguagens artísticas que constituem e compõem o componente curricular de Arte são, EXCETO
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Q4010622 Literatura
No panorama da literatura infantil brasileira, a obra de Monteiro Lobato é frequentemente apontada por críticos como Nelly Novaes Coelho como o marco divisório entre a “literatura escolar” e a “literatura de arte”. Sobre o papel inovador de Lobato e a influência de sua estética sobre os seguidores do gênero no Brasil, é correto afirmar que:
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Q3995127 Literatura
Segundo a Base Nacional Comum Curricular, o ensino de literatura na escola deve:
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Q3993706 Literatura
Em uma turma do 7º ano do Ensino Fundamental, a professora de Língua Portuguesa organiza uma sequência de leitura de poemas e contos. As atividades incluem momentos de leitura compartilhada, discussão sobre as emoções e sentidos despertados pelos textos, análise de elementos literários (como narrador, personagens, eu-lírico, ritmo e imagens poéticas) e produção de textos criativos inspirados nas leituras. A professora também incentiva a comparação entre diferentes gêneros literários e a relação das obras com experiências pessoais e contextos socioculturais dos alunos, evitando reduzir o trabalho literário à memorização de conceitos técnicos ou informações biográficas.
Com base no estudo de caso e nas concepções contemporâneas de ensino das formas literárias no Ensino Fundamental indicadas na BNCC, analise as assertivas a seguir.
I- A prática pedagógica descrita contribui para a formação do leitor literário, ao valorizar a fruição estética, a interpretação plural e o diálogo entre texto, leitor e contexto.
II- O trabalho com elementos estruturais dos textos literários, quando articulado à experiência de leitura dos alunos, favorece a compreensão das formas literárias sem comprometer o prazer estético.
III- A abordagem adotada pela professora é inadequada, pois o ensino das formas literárias no Ensino Fundamental deve priorizar a classificação de gêneros, escolas literárias e dados históricos sobre os autores.
É CORRETO o que se afirma em:
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Q3993705 Literatura
Considerando as concepções contemporâneas de ensino de literatura e os princípios de formação do leitor literário crítico no Ensino Fundamental segundo a Base Nacional Curricular (BNCC) e demais documentos normativos norteadores do ensino da Língua Portuguesa, assinale a alternativa CORRETA.
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Q3957949 Literatura
HÍPICA
Saltos records
cavalos da Penha
correm jóqueis de Higienópolis
Os magnatas As meninas
E a orquestra toca chá
Na sala de cocktails

ANDRADE, Oswald de. Poesias Reunidas. In: Obras Completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974. v. 7, p. 129.

Dadas as afirmativas, considerando-se que o poema de Oswald de Andrade descreve cenas de lazer da alta burguesia,

I. O poeta Oswald de Andrade lança mão da fragmentação cubista e, por meio de flashes cinematográficos, utiliza-se de linguagem sintética e imagética, descrevendo um cenário elitizado.
II. Uma vez que o sentido só pode ser estabelecido, em sua totalidade, por meio das relações entre os enunciados e entre os contextos de produção e de recepção do texto, o poema “Hípica” apresenta-se incoerente.
III. Oswald de Andrade utiliza o poema para ironizar a vida social fútil e o luxo da burguesia paulistana da época, um tema recorrente no período pós-modernista.
IV. Os versos: “cavalos da Penha / correm jóqueis de Higienópolis” podem sugerir uma sutil justaposição de mundos, típica da visão crítica do autor.
V. O poema não segue uma estrutura narrativa linear. Ele funciona como uma colagem de cenas ou flashes cinematográficos, influenciado pela fase pós-modernista.

verifica-se que estão corretas apenas
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Q3953694 Literatura
A literatura brasileira constitui um campo de produção artística marcado pela relação entre forma estética, contexto histórico e identidade cultural. Ao longo de seu desenvolvimento, diferentes movimentos literários dialogaram com transformações sociais, políticas e linguísticas do país, incorporando tanto heranças europeias quanto elementos locais. Autores brasileiros, em distintos períodos, utilizaram a linguagem literária como instrumento de crítica, reflexão e representação da realidade, contribuindo para a consolidação de uma tradição plural, heterogênea e em constante renovação (BOSI, 2010).
Assinale a alternativa CORRETA.
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Q3953693 Literatura
A literatura portuguesa desenvolveu-se em estreita relação com os processos históricos, sociais e culturais de sua formação, reunindo obras e autores de diferentes épocas e estilos. Ao longo do tempo, consolidou-se como um sistema literário marcado pela diversidade formal e temática, refletindo transformações estéticas e culturais sem perder continuidade histórica (SARAIVA; LOPES, 2015).
Assinale a alternativa CORRETA.
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Q3942298 Literatura

No campo dos estudos narrativos, o conceito de “epifania” é recorrente na análise de textos breves, especialmente em determinadas formas literárias modernas.


Considerando esse conceito, assinale a alternativa que caracteriza corretamente o conceito no âmbito da narrativa literária.

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Q3942288 Literatura
A originalidade histórica e literária da obra Úrsula de Maria Firmina dos Reis não reside apenas em sua posição cronológica no debate abolicionista, mas sobretudo na forma como o romance reorganiza os regimes de voz e de autoridade narrativa.

Considerando essa perspectiva, assinale a alternativa que expressa corretamente esse deslocamento discursivo promovido pela obra.
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Q3942287 Literatura
Em O Ateneu, romance de Raul Pompeia, a representação da escola-internato ultrapassa a função de simples cenário narrativo. Considerando a relação entre literatura, poder e instituições, assinale a alternativa que expressa corretamente essa função simbólica do espaço escolar. 
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Q3929954 Literatura

A costureira das fadas

 

Depois do jantar, o príncipe levou Narizinho à casa da melhor costureira do reino. Era uma aranha de paris, que sabia fazer vestidos lindos, lindos até não poder mais! ela mesma tecia a fazenda, ela mesma inventava as modas.

– Dona Aranha – disse o príncipe – quero que faça para esta ilustre dama o vestido mais bonito do mundo. Vou dar uma grande festa em sua honra e quero vê-la deslumbrar a corte.

Disse e retirou-se. Dona Aranha tomou da fita métrica e, ajudada por seis aranhinhas muito espertas, principiou a tomar as medidas. Depois teceu depressa, depressa, uma fazenda cor-de-rosa com estrelinhas douradas, a coisa mais linda que se possa imaginar. Teceu também peças de fita e peças de renda e de entremeio – até carretéis de linha fabricou.

 

Monteiro Lobato. Reinações de Narizinho. São Paulo: Brasiliense, 1973.

O texto em análise – A costureira das fadas - constitui exemplo de: 
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Q3928798 Literatura
Amor

    Todo o seu desejo vagamente artístico encaminhara-se há muito no sentido de tornar os dias realizados e belos; com o tempo seu gosto pelo decorativo se desenvolvera e suplantara a íntima desordem. Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem.
    No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado.
        (...)
      O bonde vacilava nos trilhos, entrava em ruas largas. Ana respirou profundamente e uma grande aceitação deu ao seu rosto um ar de mulher. O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto.
     A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego.
    O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles.
     Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar — o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento da mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir — como se ele a tivesse insultado, Ana olhava-o. E quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio.

Clarice Lispector. Todos os contos. Benjamin Moser (org.).
Rio de Janeiro: Rocco, 2016, p. 145-7 (com adaptações).

O texto Amor ilustra um aspecto marcante e inovador da narrativa intimista de Clarice Lispector no contexto da terceira fase do Modernismo brasileiro. Esse aspecto corresponde 
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Q3928788 Literatura
O alienista

    Nisto chegou do Rio de Janeiro D. Evarista, esposa do alienista, a tia, a mulher do Crispim Soares, e toda a mais comitiva — ou quase toda — que algumas semanas antes partira de Itaguaí.
    (...)
    Três horas depois cerca de cinquenta convivas sentavam-se em volta da mesa de Simão Bacamarte; era o jantar das boas-vindas. D. Evarista foi o assunto obrigado dos brindes, discursos, versos de toda a casta, metáforas, amplificações, apólogos. Ela era a esposa do novo Hipócrates, a musa da ciência, anjo, divina, aurora, caridade, vida, consolação; trazia nos olhos duas estrelas segundo a versão modesta de Crispim Soares e dous sóis, no conceito de um vereador. (...) Um dos oradores, por exemplo, Martim Brito, rapaz de vinte e cinco anos, pintalegrete acabado, curtido de namoros e aventuras, declamou um discurso em que o nascimento de D. Evarista era explicado pelo mais singular dos reptos. “Deus”, disse ele, “depois de dar o universo ao homem e à mulher, esse diamante e essa pérola da coroa divina,” (e o orador arrastava triunfalmente esta frase de uma ponta a outra da mesa) “Deus quis vencer a Deus, e criou D. Evarista.” 
    D. Evarista baixou os olhos com exemplar modéstia. Duas senhoras, achando a cortesanice excessiva e audaciosa, interrogaram os olhos do dono da casa; e, na verdade, o gesto do alienista pareceu-lhes nublado de suspeitas, de ameaças e, provavelmente, de sangue. O atrevimento foi grande, pensaram as duas damas. (...) Mas o alienista sorria agora para o Martim Brito e, levantados todos, foi ter com ele e falou-lhe do discurso. Não lhe negou que era um improviso brilhante, cheio de rasgos magníficos. Seria dele mesmo a ideia relativa ao nascimento de D. Evarista ou tê-la-ia encontrado em algum autor que?... Não senhor; era dele mesmo; achou-a naquela ocasião e parecera-lhe adequada a um arroubo oratório. De resto, suas ideias eram antes arrojadas do que ternas ou jocosas. Dava para o épico. (...)
    “Pobre moço!”, pensou o alienista. E continuou consigo: “Trata-se de um caso de lesão cerebral: fenômeno sem gravidade, mas digno de estudo...”
    D. Evarista ficou estupefata quando soube, três dias depois, que o Martim Brito fora alojado na Casa Verde. Um moço que tinha ideias tão bonitas! As duas senhoras atribuíram o ato a ciúmes do alienista. Não podia ser outra cousa; realmente, a declaração do moço fora audaciosa demais.
    Ciúmes? Mas como explicar que, logo em seguida, fossem recolhidos José Borges do Couto Leme, pessoa estimável, o Chico das cambraias, folgazão emérito, o escrivão Fabrício e ainda outros? O terror acentuou-se. Não se sabia já quem estava são, nem quem estava doudo. 

Machado de Assis. O alienista. In: 50 contos de Machado de Assis.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p.38; 55-56 (com adaptações).
A estrutura narrativa do trecho reproduzido de O alienista é conduzida
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Q3925238 Literatura

Texto XVI

Ainda estou aqui


Meu filho nasceu às 8h45. Me lembro e me lembrarei de cada segundo do seu parto. Me lembro de ver sua cabecinha saindo. De ele balançar os bracinhos na luz. De eu chorar sem sair lágrimas. Ou de sair lágrimas sem eu chorar. Duvido que me esquecerei de algum detalhe desse dia milagroso. Existir é passar de um estado para outro: tenho fome, como, tenho frio, me agasalho, estou alegre, e agora triste, e depois estarei alegre, penso e chego a conclusões, me lembro de algo que me toca o coração, sinto um cheiro que me lembra alguém, sinto um gosto que me lembra um lugar, me emociono. Emocionar-se é passar de um estado para o outro. Você vê um quadro hoje. Vê o quadro de novo daqui a dez anos, o revê daqui a vinte, trinta, quarenta… É o mesmo quadro com a mesma moldura, na mesma parede do mesmo museu, com a mesma luz, é você, mas cada vez será visto de outra forma. Cada vez ele nos conta uma história. O quadro não mudou. Já nós…


[...]


Se tudo é recriação de algo já inventado, nada é invenção.


Sei que repetirei lá na frente o que narrei antes. Este livro sobre memórias nasce assim. Histórias são recuperadas. Umas puxam outras. As histórias vão e voltam com mais detalhes e referências. Faço uma releitura da vida da minha família. Reescrever o que já escrevi.


Ainda vejo o facho, não quero me afastar. Existem várias formas de contar a história sobre a memória e a falta dela. Procurarei a fogueira no alto quando o mar me puxar. Vou para voltar. Quem nadou em mar aberto sabe: antes de lutar desesperadamente contra a correnteza, é melhor deixar-se levar por instantes; é preciso ter calma e coragem; a correnteza enfraquece, então saímos fora.


PAIVA, Marcelo Rubens. Ainda estou aqui. Rio de Janeiro: Alfagura, 2014. p. 27-9.

Considerando-se os documentos oficiais vigentes para o ensino de literatura na Educação Básica e o Texto XVI, que critérios poderiam ser adotados para fundamentar a seleção desse livro de Marcelo Rubens Paiva para o 9o ano do ensino fundamental?
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Q3925232 Literatura

Texto XIII

Mineirinho


É, suponho que é em mim, como um dos representantes do nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: “O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no céu”. Respondi-lhe que “mais do que muita gente que não matou”. Por quê? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim.


Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.


Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais.

[...]


LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p. 18.

Clarice Lispector é situada na história da literatura brasileira na chamada Geração de 1945 ou 3a Geração Modernista.

Em termos de linguagem, essa categorização se justifica no Texto XIII pelo fato de este apresentar um(a)

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Q3925228 Literatura

Texto XII

Morte do leiteiro

A Cyro Novaes 


Há pouco leite no país,

é preciso entregá-lo cedo.

Há muita sede no país,

é preciso entregá-lo cedo.

Há no país uma legenda,

que ladrão se mata com tiro.


Então o moço que é leiteiro

de madrugada com sua lata

sai correndo e distribuindo

leite bom para gente ruim.

Sua lata, suas garrafas

e seus sapatos de borracha

vão dizendo aos homens no sono

que alguém acordou cedinho

e veio do último subúrbio

trazer o leite mais frio

e mais alvo da melhor vaca

para todos criarem força

na luta brava da cidade.


Na mão a garrafa branca

não tem tempo de dizer

as coisas que lhe atribuo

nem o moço leiteiro ignaro,

morador na Rua Namur,

empregado no entreposto,

com 21 anos de idade,

sabe lá o que seja impulso

de humana compreensão.

E já que tem pressa, o corpo

vai deixando à beira das casas

uma apenas mercadoria.


E como a porta dos fundos

também escondesse gente

que aspira ao pouco de leite

disponível em nosso tempo,

avancemos por esse beco,

peguemos o corredor,

depositemos o litro...

Sem fazer barulho, é claro,

que barulho nada resolve.


Meu leiteiro tão sutil

de passo maneiro e leve,

antes desliza que marcha.

É certo que algum rumor

sempre se faz: passo errado,

vaso de flor no caminho,

cão latindo por princípio,

ou um gato quizilento.

E há sempre um senhor que acorda,

resmunga e torna a dormir.


Mas este acordou em pânico

(ladrões infestam o bairro),

não quis saber de mais nada.

O revólver da gaveta

saltou para sua mão.

Ladrão? se pega com tiro.

Os tiros na madrugada

liquidaram meu leiteiro.

Se era noivo, se era virgem,

se era alegre, se era bom,

não sei,

é tarde para saber.


Mas o homem perdeu o sono

de todo, e foge pra rua.

Meu Deus, matei um inocente.

Bala que mata gatuno

também serve pra furtar

a vida de nosso irmão.

Quem quiser que chame médico,

polícia não bota a mão

neste filho de meu pai.

Está salva a propriedade.

A noite geral prossegue,

a manhã custa a chegar,

mas o leiteiro

estatelado, ao relento,

perdeu a pressa que tinha.


Da garrafa estilhaçada,

no ladrilho já sereno

escorre uma coisa espessa

que é leite, sangue... não sei.

Por entre objetos confusos,

mal redimidos da noite,

duas cores se procuram,

suavemente se tocam,

amorosamente se enlaçam,

formando um terceiro tom

a que chamamos aurora.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Record, 2009. p. 178-179.
Publicado no livro Rosa do Povo (1945), o poema de Drummond (Texto XII) apresenta um(a)
Alternativas
Respostas
1: C
2: C
3: B
4: C
5: A
6: B
7: C
8: B
9: B
10: A
11: D
12: B
13: E
14: B
15: D
16: C
17: B
18: A
19: D
20: D