Questões de Concurso
Comentadas sobre teoria literária em literatura
Foram encontradas 416 questões
( ) O episódio é relatado na 3ª pessoa verbal. É o narrador quem conta os fatos, tanto do presente, como do passado. Ele conhece e domina todos os acontecimentos e todos os pensamentos das personagens. Trata-se de um narrador onisciente.
( ) O romance O Mulato, relata um caso de amor em que as convenções sociais, o preconceito, o conservadorismo vencem o sentimento, (amor), das personagens.
( ) Entre o Bem e o Mal, o último é vitorioso no romance.
( ) O vilão, o mau Cônego Diogo, elimina o mocinho, que é desprezado por todos, enquanto que o vilão é admirado e respeitado.
( ) A mocinha se casa com o cúmplice do vilão. As constatações mostram que as personagens não podem escolher seu próprio destino, pois ele é decidido por fatores alheios à sua vontade. As vidas humanas são joguetes do meio, dos instintos, da época, fato que caracteriza O Mulato como um romance romântico.
( ) O episódio é relatado na 3ª pessoa verbal. É o narrador quem conta os fatos, tanto do presente, como do passado. Ele conhece e domina todos os acontecimentos e todos os pensamentos das personagens. Trata-se de um narrador onisciente.
( ) O romance O Mulato, relata um caso de amor em que as convenções sociais, o preconceito, o conservadorismo vencem o sentimento, (amor), das personagens.
( ) Entre o Bem e o Mal, o último é vitorioso no romance.
( ) O vilão, o mau Cônego Diogo, elimina o mocinho, que é desprezado por todos, enquanto que o vilão é admirado e respeitado.
( ) A mocinha se casa com o cúmplice do vilão. As constatações mostram que as personagens não podem escolher seu próprio destino, pois ele é decidido por fatores alheios à sua vontade. As vidas humanas são joguetes do meio, dos instintos, da época, fato que caracteriza O Mulato como um romance romântico.
Com base no estudo de caso e nas concepções contemporâneas de ensino das formas literárias no Ensino Fundamental indicadas na BNCC, analise as assertivas a seguir.
I- A prática pedagógica descrita contribui para a formação do leitor literário, ao valorizar a fruição estética, a interpretação plural e o diálogo entre texto, leitor e contexto.
II- O trabalho com elementos estruturais dos textos literários, quando articulado à experiência de leitura dos alunos, favorece a compreensão das formas literárias sem comprometer o prazer estético.
III- A abordagem adotada pela professora é inadequada, pois o ensino das formas literárias no Ensino Fundamental deve priorizar a classificação de gêneros, escolas literárias e dados históricos sobre os autores.
É CORRETO o que se afirma em:
Saltos records
cavalos da Penha
correm jóqueis de Higienópolis
Os magnatas As meninas
E a orquestra toca chá
Na sala de cocktails
ANDRADE, Oswald de. Poesias Reunidas. In: Obras Completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974. v. 7, p. 129.
Dadas as afirmativas, considerando-se que o poema de Oswald de Andrade descreve cenas de lazer da alta burguesia,
I. O poeta Oswald de Andrade lança mão da fragmentação cubista e, por meio de flashes cinematográficos, utiliza-se de linguagem sintética e imagética, descrevendo um cenário elitizado.
II. Uma vez que o sentido só pode ser estabelecido, em sua totalidade, por meio das relações entre os enunciados e entre os contextos de produção e de recepção do texto, o poema “Hípica” apresenta-se incoerente.
III. Oswald de Andrade utiliza o poema para ironizar a vida social fútil e o luxo da burguesia paulistana da época, um tema recorrente no período pós-modernista.
IV. Os versos: “cavalos da Penha / correm jóqueis de Higienópolis” podem sugerir uma sutil justaposição de mundos, típica da visão crítica do autor.
V. O poema não segue uma estrutura narrativa linear. Ele funciona como uma colagem de cenas ou flashes cinematográficos, influenciado pela fase pós-modernista.
verifica-se que estão corretas apenas
Assinale a alternativa CORRETA.
Assinale a alternativa CORRETA.
No campo dos estudos narrativos, o conceito de “epifania” é recorrente na análise de textos breves, especialmente em determinadas formas literárias modernas.
Considerando esse conceito, assinale a alternativa que caracteriza corretamente o conceito no âmbito da narrativa literária.
Considerando essa perspectiva, assinale a alternativa que expressa corretamente esse deslocamento discursivo promovido pela obra.
A costureira das fadas
Depois do jantar, o príncipe levou Narizinho à casa da melhor costureira do reino. Era uma aranha de paris, que sabia fazer vestidos lindos, lindos até não poder mais! ela mesma tecia a fazenda, ela mesma inventava as modas.
– Dona Aranha – disse o príncipe – quero que faça para esta ilustre dama o vestido mais bonito do mundo. Vou dar uma grande festa em sua honra e quero vê-la deslumbrar a corte.
Disse e retirou-se. Dona Aranha tomou da fita métrica e, ajudada por seis aranhinhas muito espertas, principiou a tomar as medidas. Depois teceu depressa, depressa, uma fazenda cor-de-rosa com estrelinhas douradas, a coisa mais linda que se possa imaginar. Teceu também peças de fita e peças de renda e de entremeio – até carretéis de linha fabricou.
Monteiro Lobato. Reinações de Narizinho. São Paulo: Brasiliense, 1973.
Texto XVI
Ainda estou aqui
Meu filho nasceu às 8h45. Me lembro e me lembrarei de cada segundo do seu parto. Me lembro de ver sua cabecinha saindo. De ele balançar os bracinhos na luz. De eu chorar sem sair lágrimas. Ou de sair lágrimas sem eu chorar. Duvido que me esquecerei de algum detalhe desse dia milagroso. Existir é passar de um estado para outro: tenho fome, como, tenho frio, me agasalho, estou alegre, e agora triste, e depois estarei alegre, penso e chego a conclusões, me lembro de algo que me toca o coração, sinto um cheiro que me lembra alguém, sinto um gosto que me lembra um lugar, me emociono. Emocionar-se é passar de um estado para o outro. Você vê um quadro hoje. Vê o quadro de novo daqui a dez anos, o revê daqui a vinte, trinta, quarenta… É o mesmo quadro com a mesma moldura, na mesma parede do mesmo museu, com a mesma luz, é você, mas cada vez será visto de outra forma. Cada vez ele nos conta uma história. O quadro não mudou. Já nós…
[...]
Se tudo é recriação de algo já inventado, nada é invenção.
Sei que repetirei lá na frente o que narrei antes. Este livro sobre memórias nasce assim. Histórias são recuperadas. Umas puxam outras. As histórias vão e voltam com mais detalhes e referências. Faço uma releitura da vida da minha família. Reescrever o que já escrevi.
Ainda vejo o facho, não quero me afastar. Existem várias formas de contar a história sobre a memória e a falta dela. Procurarei a fogueira no alto quando o mar me puxar. Vou para voltar. Quem nadou em mar aberto sabe: antes de lutar desesperadamente contra a correnteza, é melhor deixar-se levar por instantes; é preciso ter calma e coragem; a correnteza enfraquece, então saímos fora.
PAIVA, Marcelo Rubens. Ainda estou aqui. Rio de Janeiro: Alfagura, 2014. p. 27-9.
Texto XIII
Mineirinho
É, suponho que é em mim, como um dos representantes do nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: “O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no céu”. Respondi-lhe que “mais do que muita gente que não matou”. Por quê? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim.
Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.
Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais.
[...]
LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p. 18.
Clarice Lispector é situada na história da literatura brasileira na chamada Geração de 1945 ou 3a Geração Modernista.
Em termos de linguagem, essa categorização se justifica no Texto XIII pelo fato de este apresentar um(a)
Texto XII
Morte do leiteiro
A Cyro Novaes
Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.
Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morador na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.
E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.
Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.
Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.
Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.
Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.