Questões de Concurso
Sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
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Leia o texto a seguir.
Além de ser o domínio propício para o exame epistemológico das condições de possibilidade de construção de conhecimento válido, a teoria da história auxilia na análise dos princípios que organizam as distintas constituições narrativas de sentido, no estabelecimento de uma correlação substantiva entre o mundo da vida e o conhecimento histórico.
MENDES, Breno; ARRAIS, Cristiano Alencar; BERBERT JÚNIOR, Carlos Oiti. O lugar da teoria da história na formação de historiadores e historiadoras no ensino superior. Varia Historia, Belo Horizonte, v. 39, n. 79, e23108, jan./abr. 2023, p. 21.
O campo de reflexão ao qual os autores se referem e que propõe esse vínculo entre o pensamento histórico e a vida prática é a
Para os historiadores, a habilidade em recapturar os conceitos variantes de Brasil sempre tem sido limitada.
(Stuart B. Schwartz, Gente da terra brasiliense da nasção. Pensando o Brasil: a construção de um povo. Em: Carlos Guilherme Mota (org.). Viagem incompleta. A experiência brasileira (1500-2000). Formação: histórias, 2000. Adaptado)
Segundo o autor, a recaptura mencionada limita-se pela condição
(Circe Maria Fernandes Bittencourt. Ensino de História: fundamentos e métodos, 2008. Adaptado)
Esse modelo, segundo Circe Bittencourt,
(BRASIL/Ministério da Educação. BNCC. Base Nacional Comum Curricular: Ensino Fundamental – História)
Desse modo, considerando as premissas da BNCC, está correto afirmar que, no contexto escolar, é importante que as indagações mencionadas sejam
O problema, em termos do processo de ensino- -aprendizagem, é que o abandono da diacronia, da ideia de processo, pode transformar o conhecimento histórico numa sabedoria de almanaque mal digerida, em que acontecimentos, instituições e movimentos ocorrem do nada para o nada. Será que é isso o que mais nos interessa com relação à disciplina História? Misturar Galileu e Einstein ou Espártaco e Zumbi como se fossem contemporâneos prontos a dialogar pode desistoricizar suas práticas e formas de pensamento se não estivermos muito atentos.
(Jaime Pinsky; Carla Bassanezi Pinsky, “Por uma história prazerosa e consequente”. Em: Leandro Karnal (org.), História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo: Contexto, 2015. Adaptado)
O texto faz uma crítica ao ensino de História que se propõe a trabalhar com
I. No Governo de Lula, em 09 de janeiro de 2003, este faz alterações na Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e nela consta a inclusão da obrigatoriedade da temática da História e Cultura Afro-Brasileira, fora isso, no calendário escolar e brasileiro trouxe um dia que passou a ser emblemático para criarmos consciência sobre nossas origens históricas, esse dia é o 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’.
II. “Transbordo a revolta dos mais oprimidos, Eu sou caboclo da mata do catucá, Eu sou pavor contra tirania, Das matas, o encantado, Cachimbo já foi facão amolado, Salve malungueiro, juremá” – Esse foi um trecho do samba enredo da escola de samba Unidos do Viradouro, que fora em 2024 a campeã do desfile de carnaval do Rio de Janeiro, buscou seu quarto título em 2025 com o enredo “Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos”, que retrata a entidade afro-indígena em suas manifestações como Caboclo, Mestre e Exu/Trunqueiro. Sob a assinatura de Tarcísio Zanon, o desfile retorna ao século XIX, em Pernambuco, para narrar a resistência do quilombo do Catucá e a luta de seu último líder, João Batista, o Malunguinho. Vimos que em 2025, mais de uma das escolas de samba apresentaram em seus sambas enredos uma característica expressiva sobre a história afro-indígena brasileira, destacando o seu valor na História do Brasil.
III. Os tais “limões de cheiro”, símbolo máximo do entrudo, era uma bola de cera ou bexiga animal recheada com uma mistura de água, perfume e, em muitos casos, líquidos menos inocentes, como urina. Apesar da violência, o entrudo fazia parte do calendário festivo anual e tinha muitos adeptos e simpatizantes, inclusive na Corte. Outra herança carnavalesca portuguesa, essa bem mais tranquila, foi o zé-pereira, em que tocadores de bumbos enormes acompanhavam as procissões na região do Minho, em Portugal, os chamados zé-pereiras se espalharam pelo Rio de Janeiro no século 20, assim como em Teresina, no Piauí, que em 2012 o Corso do Zé Pereira entrou para o Livro dos Recordes (Guinness World Records Book) como o maior Desfile de Carros Alegóricos.
IV. Com base nesses discursos podemos afirmar que a religião, a cultura e a raça estiveram presentes na temática Carnaval e a relação entre igreja e os folguedos foram de altos e baixos, visto que durante a Idade Média, “Ao criar a Quaresma, a Igreja Católica instituiu o carnaval” muitos papas foram inimigos da “festa da carne”, mas, no século 15, o papa Paulo II se mostrou mais tolerante ao autorizar a Via Lata, área diante do seu palácio em Roma, para a celebração do carnaval romano, com desfiles, corridas, danças, brincadeiras. “O carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça.” Logo no primeiro parágrafo de seu Manifesto da Poesia Pau-Brasil, um dos mais importantes textos da literatura brasileira, o escritor Oswald de Andrade exalta a importância da festa mais popular do país, que contagia grande parte da população com uma explosão de alegria e transporta a cultura brasileira a todas as partes do mundo.
Está correto o que se afirma apenas em:
O primeiro procedimento implica o uso de uma forma de registro de memória, a cronológica, constituída por meio de uma seleção de eventos históricos consolidados na cultura historiográfica contemporânea (1ª parte). O terceiro procedimento diz respeito à escolha de fontes e documentos. O exercício de transformar um objeto em documento é prerrogativa do sujeito que o observa e o interroga para desvendar a sociedade que o produziu (2ª parte).
A sentença está:
Leia o trecho a seguir.
A maioria das pessoas tende a pensar que a História Cultural aborda a cultura superior, a Cultura com C maiúsculo. Então, o leitor pode querer uma palavra de explicação. Enquanto o historiador das ideias esboça a filiação do pensamento formal, de um filósofo para outro, o historiador etnográfico estuda a maneira como as pessoas comuns entendiam o mundo. Tenta descobrir a cosmologia, mostrar como organizavam a realidade em suas mentes e a expressavam em seu comportamento. Não tenta transformar em filósofo o homem comum, mas ver como a vida comum exigia uma estratégia. Operando ao nível corriqueiro, as pessoas comuns aprendem a “se virar” e podem ser tão inteligentes, à sua maneira, quanto os filósofos. Mas, em vez de tirarem conclusões lógicas, pensam com coisas, ou com qualquer material que sua cultura lhes ponha à disposição, como histórias ou cerimônias.
Adaptado de: DARNTON, Robert. O grande massacre dos gatos. E outros episódios
da História cultural francesa. Rio de Janeiro: Graal, 1986, p. XIV.
Assinale a opção que descreve corretamente a compreensão do autor sobre o objeto de estudo da História Cultural.
Leia o trecho a seguir.
Comparações e conexões são dois meios muito diferentes de cruzar limites. As comparações visam transcender a unidade única e fechada de análise para contrastar entre duas ou mais unidades para destacar diferenças e/ou semelhanças, para testar atribuições casuais ou para formular um padrão ou generalização. A outra forma importante de transcender fronteiras é conectar unidades que são geralmente abordadas separadamente e sublinhando os laços em jogo entre eles. Neste caso, os limites são ultrapassados substancialmente, em vez de analiticamente, já que o cruzamento é indispensável para definir uma unidade de análise maior do que o normal ou o próprio objeto de pesquisa.
Adaptado de: OLSTEIN, Diego. Thinking History Globally. New York: Palgrave
Macmillan, 2015, p. 59.
Com base na leitura do trecho, analise as afirmativas a seguir, que apresentam definições de História Comparada e de História Conectada.
I. A História Comparada estuda duas ou mais unidades de análise histórica para encontrar afinidades ou divergências entre elas.
II. A História Conectada examina uma única unidade de análise histórica para aprofundar o estudo e torná-lo mais específico.
III. A História Comparada e a História Conectada são metodologias idênticas, pois buscam relacionar diferentes unidades de análise históricas.
Está correto o que se afirma em
À luz de todas as razões apresentadas, é certo o que se afirma sobre o conhecimento histórico, conforme preconizado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Anos Finais, EXCETO:
Acerca de arquivo, patrimônio, memória, difusão e pesquisa de documentos históricos, julgue o item que se segue.
A memória do ato administrativo é formada por três elementos: o documento de arquivo; o documento técnico-científico ou informativo; e os elementos dispersos.
Acerca de arquivo, patrimônio, memória, difusão e pesquisa de documentos históricos, julgue o item que se segue.
O repositório digital confiável gerencia documentos e metadados.
Acerca de arquivo, patrimônio, memória, difusão e pesquisa de documentos históricos, julgue o item que se segue.
A preservação dos documentos arquivísticos digitais, inclusive na fase permanente, deve estar associada a um repositório digital confiável.
Julgue o item que se segue, relativo à tipologia e à diversidade de documentos no âmbito do Poder Judiciário, à gestão da memória no Poder Judiciário e à difusão em arquivos.
A exemplo da moderna concepção do papel dos museus, abrindo-se a ações culturais e educativas, os arquivos podem desempenhar idêntica função para a difusão do conhecimento histórico.
Julgue o item que se segue, relativo à tipologia e à diversidade de documentos no âmbito do Poder Judiciário, à gestão da memória no Poder Judiciário e à difusão em arquivos.
Entre os tipos mais comuns de documentação existentes nos arquivos do Poder Judiciário, encontram-se inventários e testamentos, processos cíveis e processos criminais.
Julgue o item que se segue, relativo à tipologia e à diversidade de documentos no âmbito do Poder Judiciário, à gestão da memória no Poder Judiciário e à difusão em arquivos.
A abertura dos arquivos do Poder Judiciário para a elaboração de monografias, dissertações e teses acadêmicas é uma forma de ação cultural e educativa capaz de ampliar sua difusão na sociedade.
Em relação à história, difusão e pesquisa de documentos históricos e à associação entre arquivo, patrimônio e memória, julgue o item seguinte.
Na atualidade, a pesquisa documental perdeu grande parte de sua importância devido à facilidade de difusão propiciada pela informática, notadamente pela rede mundial de computadores.
Em relação à história, difusão e pesquisa de documentos históricos e à associação entre arquivo, patrimônio e memória, julgue o item seguinte.
Compreende-se, na atualidade, a impossibilidade de se produzir conhecimento histórico a partir da memória, dada sua extrema subjetividade.
Em relação à história, difusão e pesquisa de documentos históricos e à associação entre arquivo, patrimônio e memória, julgue o item seguinte.
No contexto do surgimento da revista francesa Annales, os historiadores desconheciam a ideia de interdisciplinaridade como meio para a valorização da ciência histórica, à época entendida como um saber singular e específico.