Questões de Concurso
Sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
Foram encontradas 1.352 questões
LE GOFF, Jacques. A história deve ser dividida em pedaços? São Paulo: Ed. UNESP, 2015, p.11. (adaptado)
Ao comparar o tempo do calendário com a sistematização do tempo realizada pelo historiador no Ocidente, identifica-se corretamente que a:
Há uma pergunta central na História que não pode ser evitada, no mínimo porque todos nós queremos saber a resposta: como a humanidade passou do homem das cavernas para o astronauta, de um tempo em que éramos assustados por tigres de dentes de sabre para um tempo em que somos assustados por explosões nucleares – isto é, não assustados pelos perigos da natureza, mas por aqueles que nós mesmos criamos? O que faz desta uma pergunta essencialmente histórica é que os seres humanos, embora recentemente bem mais altos e pesados que nunca, são biologicamente quase os mesmos que no início do registro histórico.
HOBSBAWM, Eric. Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
A “pergunta central” a que se refere o trecho está relacionada a um aspecto fundamental do ofício do historiador com implicações no ensino de história. Trata-se da
I- A prática de procurar compreender o significado de objetos, comportamentos e mentalidades levando em conta diferenças culturais entre os agentes em contato foi uma contribuição essencial da Antropologia para a História e marcou importantes estudos das décadas de 1970 e 1980.
PORQUE
II- Os historiadores, desde o advento da Escola dos Annales, fortificaram o diálogo com o historicismo do século XIX, aproximaramse do marxismo e ratificaram as concepções teóricas e metodológicas da Escola Metódica, assumindo novas temáticas e novas abordagens.
A respeito dessas asserções, é CORRETO afirmar que:
I- No século XIX, os historiadores percebiam as fontes como discursos narrativos que tentavam prestar conta de acontecimentos que se deram realmente, ou que, de sua parte, tentam convencer os seus leitores da natureza do real do objeto de suas narrativas.
II- A partir de 1980, fica evidente no Brasil que o historiador não pode interagir com as diversas vozes que estão presentes através das especificidades de documentos sobre o passado.
III- Pode-se afirmar que a partir de 1930 inicia-se uma revolução documental com a expansão das fontes históricas, multiplicando objetos históricos, iluminando aspectos sociais e econômicos.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Quanto à relação entre tempo e História, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Ao longo da história da historiografia, a consciência do tempo assumiu diferentes configurações, mas permaneceu presente desde as origens da prática histórica.
( ) Na historiografia científica, a história deixou de ser vista apenas como estudo do passado e passou, com Marc Bloch, a ser definida como o estudo dos homens no tempo.
( ) A noção de tempo passou a integrar a prática historiográfica após o desenvolvimento dos métodos científicos modernos.
Em relação à Nova História e seu desenvolvimento a partir da Escola dos Annales, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Demonstrou interesse por toda a atividade humana e por uma história preocupada com o estudo das estruturas que moldaram as sociedades ao longo do tempo.
( ) Concebida pela terceira geração dos Annales, propagou o rompimento com a ideia de herança ou continuidade em relação às duas gerações anteriores em prol das novidades de suas contribuições.
( ) Teve como objetivo principal a consagração de uma história “vista de cima”, centrada nos feitos de grandes personagens das esferas políticas, militares e eclesiásticas.
No trabalho com fontes históricas em sala de aula, a historiografia contemporânea orienta que o documento seja compreendido não como reflexo imediato do passado, mas como um(a) _________, cuja análise exige um exercício de _________ voltado à identificação de autoria, contexto de produção, circulação e intencionalidade.
Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas no excerto:
O trabalho do historiador depende da seleção, crítica e interpretação de diferentes fontes históricas, entendidas como vestígios produzidos por sociedades em distintos contextos e com variadas intencionalidades. Essas fontes podem assumir formas diversas e exigem procedimentos específicos de análise (autenticidade, autoria, circulação, público-alvo, silêncios e vieses). Relacione corretamente os tipos de fontes da Coluna I às descrições analíticas da Coluna II.
Coluna I − Tipos de fontes
1. Fonte escrita (documental).
2. Fonte material (arqueológica).
3. Fonte oral.
4. Fonte iconográfica/visual.
Coluna II − Descrições analíticas
(__) Inclui objetos, estruturas e vestígios físicos (cerâmicas, utensílios, edificações, sepultamentos), permitindo inferir práticas cotidianas, técnicas e padrões de consumo, mas exigindo contextualização estratigráfica e cautela com lacunas de preservação.
(__) Abrange leis, cartas, registros administrativos, jornais e diários; demanda crítica interna e externa (autoria, datação, finalidade e circulação) para evitar leitura literal e anacrônica do conteúdo.
(__) Baseia-se em relatos, entrevistas e memórias; requer atenção a seletividades, esquecimentos, disputas de sentido e condições de enunciação, articulando o testemunho com outras evidências.
(__) Compreende pinturas, fotografias, gravuras, mapas e cartazes; solicita análise de linguagem visual, enquadramento, símbolos e contexto de produção/uso, evitando tratá-la como "espelho" imediato da realidade.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo, na Coluna II.
O historiador trabalha com diferentes temporalidades e com registros variados do passado. Nesse processo, tempo histórico e memória se relacionam, mas não se confundem: o primeiro remete à construção analítica de permanências, mudanças e ritmos, enquanto a segunda envolve lembranças socialmente elaboradas, atravessadas por disputas de sentido. Considerando esses fundamentos, analise as afirmativas:
I. O tempo histórico é uma construção analítica que permite compreender processos de mudança e permanência em diferentes ritmos, não se limitando à simples cronologia de datas e acontecimentos.
II. A memória é um fenômeno individual e coletivo, seletivo e situado, podendo ser influenciada por identidades, interesses, experiências e disputas sociais, o que exige crítica e contextualização quando utilizada como fonte.
III. A memória substitui o trabalho histórico, pois o testemunho direto garante acesso imediato e neutro ao passado, dispensando confronto com outras fontes e procedimentos de crítica.
IV. O tempo histórico pode ser analisado por múltiplas escalas temporais (curta, média e longa duração), permitindo explicar simultaneamente eventos, conjunturas e estruturas.
Assinale a alternativa correta.
SANTOS NETO, Antônio Fonseca. A História nas mãos. Entrevista publicada da Revista Revestrés. Edição 46. Agosto de 2020. Acesso em: 07 fev. 2026.
A partir da análise do texto, é possível identificar uma posição epistemológica que tensiona tanto o positivismo factualista, quanto determinadas vertentes da pós-modernidade. Considerando os debates historiográficos relativos ao estatuto do fato histórico, à renovação metodológica promovida pela Escola dos Annales e às formulações associadas à chamada Nova História, assinale a alternativa que melhor expressa a posição teórica presente no texto acima.
Sobre os diferentes conflitos em torno do manuseio e do entendimento acerca da noção de memória no campo historiográfico, é CORRETO afirmar que: