Questões de Concurso
Sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
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Com efeito, algumas das práticas e crenças da chamada História oral “militante” levaram a equívocos que convêm evitar. O primeiro deles consiste em considerar que o relato que resulta da entrevista de História oral já é a própria “História”, levando à ilusão de se chegar à “verdade do povo” graças ao levantamento do testemunho oral. [...]. Essa confusão aparece algumas vezes ainda hoje em trabalhos ditos acadêmicos; por exemplo, em dissertações ou teses que se limitam a apresentar o texto transcrito de uma ou mais entrevistas realizadas, como se esse fosse um resultado legítimo e final da pesquisa.
(V. Alberti, “Fontes orais – Histórias dentro da História”. Em: C.B. Pinsky (org.), Fontes Históricas, 2008)
Partindo do contexto abordado pelo fragmento, está correto afirmar que as fontes orais
Não estamos longe da definição de Lucien Febvre, um especialista no século XVI, o qual, junto com Marc Bloch, fundou nos idos de 1929 a prestigiosa escola dos Annales, que teria papel fundamental na constituição de um novo modelo de historiografia. Segundo Febvre, a “história era filha de seu tempo”, o que já demonstrava a intenção do grupo de problematizar o próprio “fazer histórico” e sua capacidade de observar.
(Lilia M. Schwarcz, “Apresentação à edição brasileira – Por uma historiografia da reflexão”. Em: Marc Bloch, Apologia da História, 2001)
Considerando o exposto, de acordo com a corrente historiográfica abordada, está correto afirmar que
Disponível em: https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/historia/ensinohistoria-memoria-. Acesso em: 14 ago. 2025.
Sobre a citação acima, podemos considerar que se refere à importância da(o):
Considerando a História no decorrer do século XIX, analise as afirmações a seguir.
I- A História, para Ranke, era o reino do espírito, que se manifestava de forma individual. Era feita de individualidades, cada uma dotada de estrutura interna e sentido únicos.
II- A História científica seria produzida por um sujeito que se neutraliza enquanto sujeito para fazer aparecer o seu objeto.
III- Os positivistas franceses praticaram os mesmos princípios defendidos por Ranke, dominado pelo Espírito que produz a História.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
I- A História Cultural, tal como a entende Roger Chartier, tem por principal objeto identificar o modo como em diferentes lugares e momentos uma determinada realidade cultural é construída, pensada, dada a ler.
II- Uma das grandes contribuições de Roger Chartier para a História Cultural está na elaboração de práticas e representações e de acordo com este horizonte teórico, a cultura poderá ser examinada no âmbito produzido pela relação interativa entre estes dois polos.
III- Para o historiador Roger Chartier as representações não se inserem em campo de concorrências e competições e não geram apropriações nem enunciam termos de poder e de dominação.
É CORRETO o que se afirma em:
No contexto pedagógico atual, a História Contemporânea, tendo em vista que ela está mais próxima do cotidiano do aluno, tem sido muito valorizada como ponte para o estudo do passado mais remoto. Há o risco de o ensino (e a pesquisa) voltarem-se para um certo presentismo subjetivista e cometer um dos (ou todos) três pecados capitais da explicação histórica: o anacronismo, o voluntarismo teórico e o descritivismo nominalista.
(Marcos Napolitano, “Pensando a estranha História sem fim”. Em: Leandro Karnal, História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas, 2015. Adaptado)
Marcos Napolitano define o voluntarismo teórico como
TEXTO I
Conceitos, na medida em que envolvem todo o processo semiótico, não podem ser definidos; apenas aquilo que não tem história pode ser definido.
NIETZSCHE, Friedrich, The Birth of Tragedy and The Genealogy of Morals, trans. Francis Golffing. New York: Doubleday, 1956 apud KOSELLECK, Reinhart. Introduction and Prefaces to the Geschichtliche Grundbegriffe. In: Contributions to the History of Concepts. Volume 6, Issue 1, Summer 2011.
TEXTO II
Como todo conceito, o de História Pública possuí múltiplos significados. De 11 a 13 de fevereiro de 2015, na Villa Schifanoia, subúrbio de Florença, ocorreu o evento “História Pública e a Mídia” (2015). O encontro registra testemunhos de oito países europeus, todos respondendo a uma única pergunta: “o que é História Pública”? Para Argyri Panezi, trata-se da escrita da história “apresentada de forma acessível ao grande público”. Christine Dupont, fala da História Pública como “campo de comunicação da história”, no qual a historiadora “põe-se em perigo”, entendendo que sua formação é digna de ser compartilhada com um público maior do que o limitado círculo de pares. Étienne Deschamps lembra que se trata de uma “abordagem histórica firmada em uma formação acadêmica tradicional”, oriunda do meio universitário, mas que “se transforma em uma forma de engajamento com a sociedade (…), de maneira a responder às demandas sociais” (2015). Indo mais longe, Marta Carosio defende o envolvimento do público no “processo de pesquisa histórica”, de maneira a fazê-lo refletir sobre a relevância do passado na vida social. Jozefien de Bock leva esse argumento adiante, afirmando que História Pública “não é apresentar a história para uma audiência, mas o momento em que acadêmicos e não acadêmicos escrevem história juntos”
O que é História Pública? Disponível em: historiapublica.sites.ufsc.br. Acesso em: 15 maio, 2025.
Sobre a temática da História Pública, marque a alternativa correta.
A imaginação e a multiplicidade das fontes são dois predicados importantes na composição da biografia.
(Lilia Moritz Schwarz e Heloisa Murgel Starling, Brasil: uma biografia)
Para a composição da biografia em referência, as autoras entendem que
(Jaime Pinsky e Carla Bassanezi Pinsky, Por uma História prazerosa e consequente. Em: Leandro Karnal (org.). História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. Adaptado)
Segundo os autores do artigo citado, cabe ao professor
Diz-se algumas vezes: “A história é a ciência do passado.”
(BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. Adaptado)
Marc Bloch discorda dessa afirmação, entendendo que a história é
Por maior que seja a variedade de conhecimentos que se queira proporcionar aos pesquisadores mais bem armados, eles encontrarão sempre, e geralmente muito rápido, seus limites. Nenhum remédio, então, senão substituir a multiplicidade de competências em um mesmo homem por uma aliança de técnicas praticadas por eruditos diferentes, mas todas voltadas para a elucidação de um tema único.
(BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. Adaptado)
O método proposto por Bloch pressupõe
(LUCA, Tania Regina de. Práticas de pesquisa em história. São Paulo: Contexto, 2020. p. 132.)
A metodologia da pesquisa histórica depende da análise rigorosa das fontes, que são os vestígios do passado utilizados para interpretar e construir narrativas históricas. Considerando essa perspectiva, assinale a afirmativa correta.
(BRAUDEL, Fernand. Escritos sobre a História. São Paulo: Perspectiva. 2005. p. 45.)
Considerando o ‘tempo dos eventos’ no contexto da concepção das temporalidades do historiador francês Fernand Braudel (1902- 1985), assinale a afirmativa correta.
(PINSKY, Carla Bassanezi (Org.). Fontes históricas. São Paulo: Contexto, 2008. p. 13.)
A partir da crítica à narrativa linear tradicional, surgiram novas interpretações sobre o tempo histórico, em especial a partir dos trabalhos da Escola dos Annales. Sobre essas diferentes formas de compreender a produção do saber histórico e as temporalidades, assinale a alternativa correta.
Essa descrição refere-se
Documento 1
[...] para certas atividades, como a de caçar, pescar ou pilotar canoa, que já exercia quando livre, o índio mostrou ser um bom escravo. Por isso, houve sempre a escravidão indígena [...] para a agricultura, porém, tiveram os portugueses de recorrer à escravidão africana, pois os negros já viviam na África na condição de escravos e eram muito mais resistentes que os índios.”
(HERMIDA, Antônio José Borges. Compêndio de história do Brasil. Companhia Editora Nacional. 10° Ed. São Paulo,l1963.
Documento 2
No Brasil, durante os períodos imperial e colonial, é possível perceber que houve um grande desprezo pelo trabalho, principalmente o braçal. [...] no que diz respeito à mão de obra, os portugueses, inicialmente, optaram pela escravização dos povos nativos e, em seguida, dos africanos. Durante o primeiro século da colonização, a mão de obra indígena foi largamente utilizada em todos os trabalhos. No entanto, a opção pelos africanos garantiu lucro aos traficantes de escravos e a consequente sustentação da economia brasileira por mais de três séculos.
(MOCELIN, Renato; CAMARGO, Rosiane de. História em debate. São Paulo. Editora do Brasil, 2016, p.133 (Coleção História em Debate V.1)
Considerando as correspondências e as contradições contidas nos dois documentos e que estas permitem subsidiar debates sobre o fazer do historiador e sobre os desafios do trabalho com documentos escritos, deve-se concluir que
A manufatura, diz Marx, “estropia o trabalhador e faz dele uma espécie de monstro, favorecendo, como numa estufa, o desenvolvimento de habilidades parciais, suprimindo todo um mundo de instintos e capacidades”. [...] Em Tempos Modernos são excelentes as cenas em que o corpo alcança uma condição automatizada, com movimentos precisos e ritmo regular. Procurando mostrá-lo como mais uma peça da engrenagem, o personagem de Chaplin perde o controle, tornando-se puro movimento automático das mãos. [...] Carlitos, enlouquecido, puro movimento automático, [persegue] uma mulher pela rua, ao confundir botões de seu vestido com os parafusos que deve apertar.
(Carlos Alberto Vesentini, “História e ensino: o tema do sistema de fábrica visto através de filmes”. In: Circe Maria Fernandes Bittencourt (org.) O saber histórico na sala de aula, 1998)
A comparação, veiculada pelo excerto,
(BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício do historiador. Adaptado)
Marc Bloch apresenta essa reflexão com o intuito de