Questões de Concurso
Sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
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A nova concepção historiográfica inaugurada por Bloch:
I — Será sempre importante refletir sobre as alternativas encontradas para problemas como a desigualdade social entre ricos e pobres e o problema do abandono infantil — cujas raízes históricas ultrapassam os limites cronológicos da própria Idade Média.
II — É interessante propor reflexões a respeito daquele período recuado de nós por pelo menos meio milênio, quando a parte européia que hoje constitui um centro econômico mundial via-se às voltas com problemas perfeitamente atuais vividos pelos países pobres, como fome e crises de abastecimento periódicos, baixo nível tecnológico e surtos recorrentes de doenças infecto-contagiosas.
III — A análise de sociedades antigas é irrelevante para entender os desafios atuais vividos por países pobres.
( ) No Brasil, o fortalecimento do espírito nacionalista proporcionou as "invenções de tradições", de maneira semelhante ao que acontecia nos países europeus.
( ) No Brasil, essas tradições deveriam ser compartilhadas apenas pelos grupos sociais ligados ao poder político
( ) A História tinha como missão ensinar as "tradições nacionais" e despertar o patriotismo.
Assinale a alternativa correta.
I – Predomina uma análise preocupada em denunciar o caráter ideológico da disciplina de História.
II – Afirma-se que o poder institucional manipula ou tem o poder de manipular o ensino, subordinando-o a interesses de determinados setores da sociedade.
Com base nas afirmações acima, assinale a alternativa correta.
“A tradição marxista britânica de história social do trabalho e a obra de Thompson, em especial, haviam colocado as noções de experiência e cultura no cerne das análises sobre a ação social. O desenvolvimento da problemática tendeu rapidamente a ultrapassar o interesse inicial no ativismo operário, para concentrar-se na compreensão da experiência das pessoas comuns, no passado, e de suas reações a esta própria experiência.”
(CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo (Orgs.). Domínios da história: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997. p. 85.)
E. P. Thompson foi um dos principais historiadores do século XX, sendo referência na renovação da historiografia social. A partir dessa perspectiva, assinale o conceito que corresponde corretamente à concepção historiográfica de Thompson.
“Lucien Febvre, no contexto que presidiria a consolidação da Escola dos Annales na França, iria contrapor a esta frase uma outra: ‘Sem problema não há história’. Febvre estava alvejando, com esse dito, uma historiografia que considerava factual, meramente descritiva, fetichizadora do documento e do fato histórico, sempre tratado como algo dado previamente e que caberia ao historiador apenas desvelar. A perspectiva de Febvre era a de que a História deveria sempre ser reconstruída a partir do Presente de acordo com um problema e orientada pela formulação de hipóteses.”
(BARROS, José D’Assunção. Teoria da História. vol. I. Petrópolis: Vozes, 2011. p. 53.)
Assinale a afirmativa que melhor representa a concepção historiográfica defendida por Lucien Febvre.
Leia o texto a seguir:
Um trabalho sistematizado no ensino de conceitos históricos contribui para que o aluno realize uma leitura mais reflexiva e crítica da realidade social. Contudo, esse trabalho não pode ser realizado de forma fragmentada e isolada (...).
No ensino da História, o trabalho com conceitos exige alguns cuidados para que os objetivos propostos sejam alcançados (...).
(Maria Auxiliadora Schmidt e Marlene Cainelli, Ensinar História)
Considerando o contexto abordado pela obra em referência, faz parte desses cuidados necessários
Leia o texto a seguir:
Tendo por base que a TV é um espaço público, ainda que eletrônico, muito singular, pois está submetido a interesses comerciais de grande escala, devemos ter claro que sua experiência cotidiana interfere na dinâmica de assimilação social dos eventos históricos, reduzindo-os a um tempo quase imediato.
(Marcos Napolitano, “A televisão como documento”, em
Circe Bittencourt, O saber histórico na sala de aula)
Para Napolitano, em um telejornal,
Leia o texto a seguir:
A memória não pode ser confundida com a história, como advertem vários historiadores. As memórias precisam ser evocadas e recuperadas e merecem ser confrontadas. As dos velhos e de pessoas que ainda estão no setor produtivo ou as de homens e de mulheres nem sempre coincidem, mesmo quando se referem ao mesmo acontecimento. Mas nenhuma memória, individual ou coletiva, constitui a história.
(Circe Bittencourt, Ensino de História: fundamentos e métodos)
Ao distinguir memória e história, Bittencourt afirma que a história
(Adaptado de CARVALHO, José Murilo de. História: método e crítica. Rio de Janeiro: FGV, 2017, p. 45.)
Considerando o excerto, assinale a alternativa que melhor exemplifica a aplicação do pensamento crítico na análise histórica.
Acerca do uso de diferentes linguagens no ensino de História, marque V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)A análise de uma pintura histórica, como 'Independência ou Morte!' de Pedro Américo, deve focar em verificar se ela retrata fielmente o evento 'como realmente aconteceu', descartando a obra caso contenha imprecisões factuais.
(__)A música popular (como o samba, o rap ou a música de protesto) pode ser utilizada como fonte histórica para compreender as mentalidades, as tensões sociais, as críticas políticas e as experiências de grupos específicos em uma determinada época.
(__)As histórias em quadrinhos (HQs) que abordam temas históricos, como 'Maus' de Art Spiegelman sobre o Holocausto, são inadequadas para o ensino médio, pois sua linguagem simplificada banaliza a complexidade dos eventos.
(__)O cinema de ficção histórica deve ser tratado como um documento que revela mais sobre a época em que foi produzido (suas interpretações, ideologias e preocupações) do que sobre a época que ele pretende retratar.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
DEL PRIORE, M.; VENÂNCIO, R. Uma breve história do Brasil. São Paulo: Planeta do Brasil, 2010.
À luz dessa análise, o IHGB pode ser interpretado como uma instituição que
COELHO, Mauro César; COELHO, Wilma Baía. “A diversidade na História Ensinada nos livros didáticos: mudanças e permanências nas narrativas sobre a formação da nação”. Revista História e Diversidade. Vol. 6, nº 1 (2015)
A partir do texto, compreende-se que a memória histórica brasileira foi moldada por interesses específicos e que sua difusão, especialmente por meio do livro didático, expressa um projeto de nação que a memória histórica brasileira