Questões Militares Sobre hidrologia na engenharia ambiental e sanitária em engenharia ambiental e sanitária

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Q4238785 Português

TEXTO II 


MEDO DA ETERNIDADE

Clarice Lispector


    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.

    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

    Afinal minha irmā juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

    - Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.

    - Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.  

    - Não acaba nunca, e pronto.

    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu.que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-derosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

    - E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

    - Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.

    Perder a eternidade? Nunca.

  O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamonos para a escola.

    -Acabou-se o docinho. E agora?

    - Agora mastigue para sempre.

    Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-pиха cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.

    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.

    - Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza.

    Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!

    - Já ihe disse, repetiu minha irmă, que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.

    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmă, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso.

    Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


SANTOS, Joaquim Ferreira dos (org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. (Adaptado)

Coloque F (falso) ou V (verdadeiro) nas orações abaixo, quanto à transitividade dos verbos destacados e às respectivas classificações apresentadas. A seguir, assinale a opção correta. 

( ) "Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa..."(§7) Transitivo direto
( ) "Parei um instante na rua, perplexa." (§5) - Transitivo direto
( ) "... um dia lhe dou outro..." (§18) - Transitivo direto e indireto
( ) "Afinal minha irma juntou dinheiro..." (§3) - Transitivo direto
( ) "...às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira..." (§7) - Transitivo direto e indireto
( ) "- Já lhe disse, repetiu minha irmă, que ela não acaba nunca." (§18)- Transitivo direto
Alternativas
Q4238784 Português

TEXTO II 


MEDO DA ETERNIDADE

Clarice Lispector


    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.

    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

    Afinal minha irmā juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

    - Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.

    - Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.  

    - Não acaba nunca, e pronto.

    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu.que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-derosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

    - E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

    - Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.

    Perder a eternidade? Nunca.

  O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamonos para a escola.

    -Acabou-se o docinho. E agora?

    - Agora mastigue para sempre.

    Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-pиха cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.

    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.

    - Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza.

    Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!

    - Já ihe disse, repetiu minha irmă, que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.

    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmă, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso.

    Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


SANTOS, Joaquim Ferreira dos (org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. (Adaptado)

Assinale a opção na qual os vocábulos seguem as mesmas regras de acentuação utilizadas em dramático (§1), espécie (§2), (§9) e impossível (§7), respectivamente.
Alternativas
Q4238783 Português

TEXTO II 


MEDO DA ETERNIDADE

Clarice Lispector


    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.

    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

    Afinal minha irmā juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

    - Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.

    - Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.  

    - Não acaba nunca, e pronto.

    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu.que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-derosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

    - E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

    - Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.

    Perder a eternidade? Nunca.

  O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamonos para a escola.

    -Acabou-se o docinho. E agora?

    - Agora mastigue para sempre.

    Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-pиха cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.

    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.

    - Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza.

    Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!

    - Já ihe disse, repetiu minha irmă, que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.

    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmă, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso.

    Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


SANTOS, Joaquim Ferreira dos (org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. (Adaptado)

Uma das características de Rubem Alves é o uso frequente das figuras de linguagem em seus textos. No texto O Tempo é correto afirmar que a figura de linguagem predominante é: 
Alternativas
Q4238782 Português

TEXTO II 


MEDO DA ETERNIDADE

Clarice Lispector


    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.

    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

    Afinal minha irmā juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

    - Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.

    - Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.  

    - Não acaba nunca, e pronto.

    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu.que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-derosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

    - E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

    - Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.

    Perder a eternidade? Nunca.

  O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamonos para a escola.

    -Acabou-se o docinho. E agora?

    - Agora mastigue para sempre.

    Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-pиха cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.

    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.

    - Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza.

    Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!

    - Já ihe disse, repetiu minha irmă, que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.

    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmă, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso.

    Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


SANTOS, Joaquim Ferreira dos (org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. (Adaptado)

Em qual opção o termo destacado pertence a uma classe gramatical DIFERENTE dos demais? 
Alternativas
Q4238781 Português

TEXTO I 


O TEMPO

Rubem Alves


    Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.

    Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".

    A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.

    Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos. 

    Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno. 

    A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.

    Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.

    Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.

    Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.

    Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...

    Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".

    Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.

    Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.

    Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.


ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).

Assinale a opção em que o sinônimo indicado para o termo sublinhado apresenta sentido DIFERENTE daquele que foi utilizado no texto. 
Alternativas
Q4238780 Português

TEXTO I 


O TEMPO

Rubem Alves


    Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.

    Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".

    A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.

    Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos. 

    Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno. 

    A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.

    Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.

    Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.

    Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.

    Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...

    Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".

    Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.

    Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.

    Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.


ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).

Se fôssemos reescrever coerentemente o fragmento "Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou." (§3) na ordem direta, teríamos:
Alternativas
Q4238779 Português

TEXTO I 


O TEMPO

Rubem Alves


    Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.

    Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".

    A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.

    Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos. 

    Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno. 

    A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.

    Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.

    Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.

    Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.

    Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...

    Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".

    Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.

    Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.

    Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.


ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).

Leia o trecho abaixo e, a seguir, assinale a opção na qual a reescritura do trecho manteve o seu sentido original e obedeceu à modalidade culta da língua:

"O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números." (§7)
Alternativas
Q4238778 Português

TEXTO I 


O TEMPO

Rubem Alves


    Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.

    Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".

    A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.

    Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos. 

    Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno. 

    A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.

    Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.

    Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.

    Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.

    Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...

    Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".

    Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.

    Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.

    Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.


ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).

Assinale a opção que segue a mesma regra de plural de "ipê-rosa":
Alternativas
Q4238777 Português

TEXTO I 


O TEMPO

Rubem Alves


    Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.

    Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".

    A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.

    Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos. 

    Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno. 

    A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.

    Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.

    Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.

    Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.

    Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...

    Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".

    Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.

    Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.

    Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.


ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).

Assinale a opção que contém o nome da figura de linguagem/sintaxe observada no fragmento "Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.". (§3)
Alternativas
Q4238776 Português

TEXTO I 


O TEMPO

Rubem Alves


    Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.

    Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".

    A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.

    Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos. 

    Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno. 

    A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.

    Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.

    Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.

    Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.

    Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...

    Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".

    Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.

    Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.

    Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.


ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).

Observe o fragmento "Mas sei que as crianças odeiam Chronos...". (§14)
Seguindo as regras de conjugação verbal da norma culta da Lingua Portuguesa, a opção que completa corretamente os espaços das orações abaixo é:

1 - A paixão ______ minha alma com toda sua força consumidora. 
2 - O advogado da família _______ a partilha da herança.
3 - O veredito do júri _______ de caso para caso.
4 - A menina, muito vaidosa, _______ seu cabelo todas as manhãs.
Alternativas
Q4231868 Inglês

Read text VI to answer question.


The internet went into overdrive when the song "Heart on My Sleeve" first dropped in 2023. Fans were on cloud nine, fully convinced that Drake and The Weeknd had just casually dropped a surprise collaboration. Social media lit up with excitement as listeners praised the track, thinking it was another hit from two of music's biggest creators - and could a whole album be on the way?


But as the song racked up millions of streams on TikTok, the truth surfaced this wasn't a new Drake and The Weeknd collab. In fact, it wasn't them at all. The track was created by a TikTok user, Ghostwriter977, using artificial intelligence to perfectly mimic the two artists' voices. The revelation sent shockwaves across the industry, raising eyebrows and questions about the role of AI in music.


AI-generated music is a polarizing topic; depending on who you ask, it's either the next big innovation or a cultural catastrophe waiting to happen. There's no doubt that artificial intelligence is changing the music industry, but the question remains: is it a tool to unlock new creative frontiers, or is it a threat to the authenticity and soul of music as we know it?


These technologically capable algorithms compose everything from background music to full-fledged songs. Some argue it's an incredible tool for musicians and producers, offering new ways to experiment with sound, composition, and genre - even overcoming writer's block. AI can generate infinite variations of a melody, compose background scores for films, or even write lyrics based on given parameters. AI is more than just a tool for those pushing boundaries - it's a creative partner. It allows artists to break away from traditional musical structures and unlocks a world of possibilities.


But here's the flip side: AI doesn't understand human emotion. It doesn't have the lived experiences that often give music its soul. While an AI can generate a technically proficient melody, can it truly capture the emotional depth of a musician pouring their heart into a track? Critics argue that AI-generated music can feel hollow, lacking the emotion and intention that comes from a human touch. Sure, AI can replicate patterns, styles, and formulas, but does it truly understand why certain notes make us feel a certain way? Many fear that relying too heavily on AI will lead to a flood of cookie-cutter music devoid of real emotion or authenticity.


Looking out for tomorrow, what does AI mean for the future of creativity? Are we moving toward a world where algorithms outpace human artists, churning out music by the minute? This raises concerns for musicians, producers, and even DJs, who worry about their roles being replaced by technology, much like other industries where automation has taken over.


As AI continues to evolve, artists and creators will have to find ways to use AI as a tool while ensuring that the heart of music its ability to move, inspire, and connect remains in human hands. Ultimately, AI-generated music can be a powerful partner, but without careful consideration, it may turn the art of music into just another algorithmic output.


Adapted from https://council.rollingstone.com/blog/

Read text VII to answer question.


Imagem associada para resolução da questão


The Versificator - acrylic on canvas 600mm x 600mm


The title for this painting comes from George Orwell's dystopian novel Nineteen Eighty Four and refers to a fictional device employed by Ingsoc, the ruling party of Oceania. Its primary purpose is to act as a 'writing machine' to produce both literature and music, whose target audience is the working-class people. The Versificator provides a means of creating output without having any of the party members actually engaged in a creative thought, as it can be seen in the excerpt from Orwell's book:


"The tune had been haunting London for weeks past. It was one of countless similar songs published for the benefit of the proles by a sub-section of the Music Department. The words of these songs were composed without any human intervention whatever on an instrument known as a Versificator. But the woman sang so tunefully as to turn the dreadful rubbish into an almost pleasant sound."


Adapted from: https://www.shardcore.org/spx/2023/11/08/the-versificator/



It is possible to state that both modern Artificial Intelligence and the Versificator machine, in George Orwell's Nineteen Eighty Four, are capable of writing songs that:

Alternativas
Q4231867 Inglês

Read text VII to answer question.



The Versificator - acrylic on canvas 600mm x 600mm


The title for this painting comes from George Orwell's dystopian novel Nineteen Eighty Four and refers to a fictional device employed by Ingsoc, the ruling party of Oceania. Its primary purpose is to act as a 'writing machine' to produce both literature and music, whose target audience is the working-class people. The Versificator provides a means of creating output without having any of the party members actually engaged in a creative thought, as it can be seen in the excerpt from Orwell's book:


"The tune had been haunting London for weeks past. It was one of countless similar songs published for the benefit of the proles by a sub-section of the Music Department. The words of these songs were composed without any human intervention whatever on an instrument known as a Versificator. But the woman sang so tunefully as to turn the dreadful rubbish into an almost pleasant sound."


Adapted from: https://www.shardcore.org/spx/2023/11/08/the-versificator/

It is possible to affirm that:
Alternativas
Q4231866 Inglês

Read text VI to answer question.


The internet went into overdrive when the song "Heart on My Sleeve" first dropped in 2023. Fans were on cloud nine, fully convinced that Drake and The Weeknd had just casually dropped a surprise collaboration. Social media lit up with excitement as listeners praised the track, thinking it was another hit from two of music's biggest creators - and could a whole album be on the way?


But as the song racked up millions of streams on TikTok, the truth surfaced this wasn't a new Drake and The Weeknd collab. In fact, it wasn't them at all. The track was created by a TikTok user, Ghostwriter977, using artificial intelligence to perfectly mimic the two artists' voices. The revelation sent shockwaves across the industry, raising eyebrows and questions about the role of AI in music.


AI-generated music is a polarizing topic; depending on who you ask, it's either the next big innovation or a cultural catastrophe waiting to happen. There's no doubt that artificial intelligence is changing the music industry, but the question remains: is it a tool to unlock new creative frontiers, or is it a threat to the authenticity and soul of music as we know it?


These technologically capable algorithms compose everything from background music to full-fledged songs. Some argue it's an incredible tool for musicians and producers, offering new ways to experiment with sound, composition, and genre - even overcoming writer's block. AI can generate infinite variations of a melody, compose background scores for films, or even write lyrics based on given parameters. AI is more than just a tool for those pushing boundaries - it's a creative partner. It allows artists to break away from traditional musical structures and unlocks a world of possibilities.


But here's the flip side: AI doesn't understand human emotion. It doesn't have the lived experiences that often give music its soul. While an AI can generate a technically proficient melody, can it truly capture the emotional depth of a musician pouring their heart into a track? Critics argue that AI-generated music can feel hollow, lacking the emotion and intention that comes from a human touch. Sure, AI can replicate patterns, styles, and formulas, but does it truly understand why certain notes make us feel a certain way? Many fear that relying too heavily on AI will lead to a flood of cookie-cutter music devoid of real emotion or authenticity.


Looking out for tomorrow, what does AI mean for the future of creativity? Are we moving toward a world where algorithms outpace human artists, churning out music by the minute? This raises concerns for musicians, producers, and even DJs, who worry about their roles being replaced by technology, much like other industries where automation has taken over.


As AI continues to evolve, artists and creators will have to find ways to use AI as a tool while ensuring that the heart of music its ability to move, inspire, and connect remains in human hands. Ultimately, AI-generated music can be a powerful partner, but without careful consideration, it may turn the art of music into just another algorithmic output.


Adapted from https://council.rollingstone.com/blog/

What is the best title for this text?
Alternativas
Q4231865 Inglês

Read text VI to answer question.


The internet went into overdrive when the song "Heart on My Sleeve" first dropped in 2023. Fans were on cloud nine, fully convinced that Drake and The Weeknd had just casually dropped a surprise collaboration. Social media lit up with excitement as listeners praised the track, thinking it was another hit from two of music's biggest creators - and could a whole album be on the way?


But as the song racked up millions of streams on TikTok, the truth surfaced this wasn't a new Drake and The Weeknd collab. In fact, it wasn't them at all. The track was created by a TikTok user, Ghostwriter977, using artificial intelligence to perfectly mimic the two artists' voices. The revelation sent shockwaves across the industry, raising eyebrows and questions about the role of AI in music.


AI-generated music is a polarizing topic; depending on who you ask, it's either the next big innovation or a cultural catastrophe waiting to happen. There's no doubt that artificial intelligence is changing the music industry, but the question remains: is it a tool to unlock new creative frontiers, or is it a threat to the authenticity and soul of music as we know it?


These technologically capable algorithms compose everything from background music to full-fledged songs. Some argue it's an incredible tool for musicians and producers, offering new ways to experiment with sound, composition, and genre - even overcoming writer's block. AI can generate infinite variations of a melody, compose background scores for films, or even write lyrics based on given parameters. AI is more than just a tool for those pushing boundaries - it's a creative partner. It allows artists to break away from traditional musical structures and unlocks a world of possibilities.


But here's the flip side: AI doesn't understand human emotion. It doesn't have the lived experiences that often give music its soul. While an AI can generate a technically proficient melody, can it truly capture the emotional depth of a musician pouring their heart into a track? Critics argue that AI-generated music can feel hollow, lacking the emotion and intention that comes from a human touch. Sure, AI can replicate patterns, styles, and formulas, but does it truly understand why certain notes make us feel a certain way? Many fear that relying too heavily on AI will lead to a flood of cookie-cutter music devoid of real emotion or authenticity.


Looking out for tomorrow, what does AI mean for the future of creativity? Are we moving toward a world where algorithms outpace human artists, churning out music by the minute? This raises concerns for musicians, producers, and even DJs, who worry about their roles being replaced by technology, much like other industries where automation has taken over.


As AI continues to evolve, artists and creators will have to find ways to use AI as a tool while ensuring that the heart of music its ability to move, inspire, and connect remains in human hands. Ultimately, AI-generated music can be a powerful partner, but without careful consideration, it may turn the art of music into just another algorithmic output.


Adapted from https://council.rollingstone.com/blog/

The sentence "Fans were on cloud nine", in the 1st paragraph, means that fans were:
Alternativas
Q4231864 Inglês

Read text VI to answer question.


The internet went into overdrive when the song "Heart on My Sleeve" first dropped in 2023. Fans were on cloud nine, fully convinced that Drake and The Weeknd had just casually dropped a surprise collaboration. Social media lit up with excitement as listeners praised the track, thinking it was another hit from two of music's biggest creators - and could a whole album be on the way?


But as the song racked up millions of streams on TikTok, the truth surfaced this wasn't a new Drake and The Weeknd collab. In fact, it wasn't them at all. The track was created by a TikTok user, Ghostwriter977, using artificial intelligence to perfectly mimic the two artists' voices. The revelation sent shockwaves across the industry, raising eyebrows and questions about the role of AI in music.


AI-generated music is a polarizing topic; depending on who you ask, it's either the next big innovation or a cultural catastrophe waiting to happen. There's no doubt that artificial intelligence is changing the music industry, but the question remains: is it a tool to unlock new creative frontiers, or is it a threat to the authenticity and soul of music as we know it?


These technologically capable algorithms compose everything from background music to full-fledged songs. Some argue it's an incredible tool for musicians and producers, offering new ways to experiment with sound, composition, and genre - even overcoming writer's block. AI can generate infinite variations of a melody, compose background scores for films, or even write lyrics based on given parameters. AI is more than just a tool for those pushing boundaries - it's a creative partner. It allows artists to break away from traditional musical structures and unlocks a world of possibilities.


But here's the flip side: AI doesn't understand human emotion. It doesn't have the lived experiences that often give music its soul. While an AI can generate a technically proficient melody, can it truly capture the emotional depth of a musician pouring their heart into a track? Critics argue that AI-generated music can feel hollow, lacking the emotion and intention that comes from a human touch. Sure, AI can replicate patterns, styles, and formulas, but does it truly understand why certain notes make us feel a certain way? Many fear that relying too heavily on AI will lead to a flood of cookie-cutter music devoid of real emotion or authenticity.


Looking out for tomorrow, what does AI mean for the future of creativity? Are we moving toward a world where algorithms outpace human artists, churning out music by the minute? This raises concerns for musicians, producers, and even DJs, who worry about their roles being replaced by technology, much like other industries where automation has taken over.


As AI continues to evolve, artists and creators will have to find ways to use AI as a tool while ensuring that the heart of music its ability to move, inspire, and connect remains in human hands. Ultimately, AI-generated music can be a powerful partner, but without careful consideration, it may turn the art of music into just another algorithmic output.


Adapted from https://council.rollingstone.com/blog/

In the last paragraph, the underlined verbs "have to", "can" and "may" are used to convey the idea of:
Alternativas
Q4231863 Inglês

Read text V to answer question.


More than 58,000 Brazilians are living in Ireland with a growing number working in professional roles, a quarter having Irish partners and more than 40 per cent saying they do not intend to return to Brazil, according to a new report.


The survey, published on Friday by Brazil's embassy in Ireland, suggests 78.5 per cent of the estimated 58,500 Brazilians living in the State have arrived since 2016. Almost two-thirds came to learn English, 61 per cent had a visa specifically allowing them to study but 60 per cent have successfully changed their immigration status since arriving. The report is based on a survey of almost 4,000 Brazilian nationals living in Ireland and research work carried out by consultants.


Despite high levels of fluency in English, participation in the workforce and social engagement with Irish people, 56 per cent of the respondents said they had experienced discrimination. Brazil's ambassador to Ireland, Marcel Biato, said the findings of the survey, highlighting the "seamless" integration of Brazilian people into Irish life, was somehow a good response in a week when an unprovoked assault on a Brazilian man in Limerick made headlines. Mr. Biato said the embassy had been in touch with Brazilians living in Limerick and Irish authorities to ensure everything possible was done to counter the threat of further similar violence happening.


The survey findings suggest there has been a substantial evolution in the type of work being undertaken since Brazilians arrived in the 1990s to work in Irish meat processing plants and on construction sites. Some 85 per cent of those surveyed have higher level qualifications and a growing number work in areas such as information technology and professional services.


It found 61 per cent of Brazilians in Ireland live in Dublin, with 8 per cent in Cork. Some 16.6 per cent reported owning their own homes; a quarter said they had children, two-thirds of whom were born in Ireland. It also found that some 60 per cent of responds had a complete or strong sense of "belonging in Ireland". It also suggests that the number of Brazilian people in Ireland increased by 8,500 between 2022 and when the survey was carried out late last year.


Mr. Biato described the research as "the first of its kind, a pioneering effort to provide a detailed profile of Brazilians living in this country". He said it provided "a wealth of information about many aspects of the personal and professional lives of this population, as well as its main concerns and aspirations".


With the research suggesting more than 80 per cent maintain strong links to home or their culture, Mr. Biato said the embassy was working to support a new generation of Brazilian-Irish who he hoped would be "true ambassadors of their dual inheritance". However, he said this would happen only "if the new generation learns to value diversity and practise tolerance. This is an especially urgent challenge in the face of the threat of the normalisation of anti-immigrant sentiment."


Adapted from https://www.irishtimes.com/ireland/social-affairs/2024/04/19/

According to the survey, which option is true about the Brazilians living in Ireland?
Alternativas
Q4231862 Inglês

Read text V to answer question.


More than 58,000 Brazilians are living in Ireland with a growing number working in professional roles, a quarter having Irish partners and more than 40 per cent saying they do not intend to return to Brazil, according to a new report.


The survey, published on Friday by Brazil's embassy in Ireland, suggests 78.5 per cent of the estimated 58,500 Brazilians living in the State have arrived since 2016. Almost two-thirds came to learn English, 61 per cent had a visa specifically allowing them to study but 60 per cent have successfully changed their immigration status since arriving. The report is based on a survey of almost 4,000 Brazilian nationals living in Ireland and research work carried out by consultants.


Despite high levels of fluency in English, participation in the workforce and social engagement with Irish people, 56 per cent of the respondents said they had experienced discrimination. Brazil's ambassador to Ireland, Marcel Biato, said the findings of the survey, highlighting the "seamless" integration of Brazilian people into Irish life, was somehow a good response in a week when an unprovoked assault on a Brazilian man in Limerick made headlines. Mr. Biato said the embassy had been in touch with Brazilians living in Limerick and Irish authorities to ensure everything possible was done to counter the threat of further similar violence happening.


The survey findings suggest there has been a substantial evolution in the type of work being undertaken since Brazilians arrived in the 1990s to work in Irish meat processing plants and on construction sites. Some 85 per cent of those surveyed have higher level qualifications and a growing number work in areas such as information technology and professional services.


It found 61 per cent of Brazilians in Ireland live in Dublin, with 8 per cent in Cork. Some 16.6 per cent reported owning their own homes; a quarter said they had children, two-thirds of whom were born in Ireland. It also found that some 60 per cent of responds had a complete or strong sense of "belonging in Ireland". It also suggests that the number of Brazilian people in Ireland increased by 8,500 between 2022 and when the survey was carried out late last year.


Mr. Biato described the research as "the first of its kind, a pioneering effort to provide a detailed profile of Brazilians living in this country". He said it provided "a wealth of information about many aspects of the personal and professional lives of this population, as well as its main concerns and aspirations".


With the research suggesting more than 80 per cent maintain strong links to home or their culture, Mr. Biato said the embassy was working to support a new generation of Brazilian-Irish who he hoped would be "true ambassadors of their dual inheritance". However, he said this would happen only "if the new generation learns to value diversity and practise tolerance. This is an especially urgent challenge in the face of the threat of the normalisation of anti-immigrant sentiment."


Adapted from https://www.irishtimes.com/ireland/social-affairs/2024/04/19/

In the sentence "(...) two thirds of whom were born in Ireland" (5th paragraph), the relative pronoun refers to:
Alternativas
Q4231861 Inglês

Read text V to answer question.


More than 58,000 Brazilians are living in Ireland with a growing number working in professional roles, a quarter having Irish partners and more than 40 per cent saying they do not intend to return to Brazil, according to a new report.


The survey, published on Friday by Brazil's embassy in Ireland, suggests 78.5 per cent of the estimated 58,500 Brazilians living in the State have arrived since 2016. Almost two-thirds came to learn English, 61 per cent had a visa specifically allowing them to study but 60 per cent have successfully changed their immigration status since arriving. The report is based on a survey of almost 4,000 Brazilian nationals living in Ireland and research work carried out by consultants.


Despite high levels of fluency in English, participation in the workforce and social engagement with Irish people, 56 per cent of the respondents said they had experienced discrimination. Brazil's ambassador to Ireland, Marcel Biato, said the findings of the survey, highlighting the "seamless" integration of Brazilian people into Irish life, was somehow a good response in a week when an unprovoked assault on a Brazilian man in Limerick made headlines. Mr. Biato said the embassy had been in touch with Brazilians living in Limerick and Irish authorities to ensure everything possible was done to counter the threat of further similar violence happening.


The survey findings suggest there has been a substantial evolution in the type of work being undertaken since Brazilians arrived in the 1990s to work in Irish meat processing plants and on construction sites. Some 85 per cent of those surveyed have higher level qualifications and a growing number work in areas such as information technology and professional services.


It found 61 per cent of Brazilians in Ireland live in Dublin, with 8 per cent in Cork. Some 16.6 per cent reported owning their own homes; a quarter said they had children, two-thirds of whom were born in Ireland. It also found that some 60 per cent of responds had a complete or strong sense of "belonging in Ireland". It also suggests that the number of Brazilian people in Ireland increased by 8,500 between 2022 and when the survey was carried out late last year.


Mr. Biato described the research as "the first of its kind, a pioneering effort to provide a detailed profile of Brazilians living in this country". He said it provided "a wealth of information about many aspects of the personal and professional lives of this population, as well as its main concerns and aspirations".


With the research suggesting more than 80 per cent maintain strong links to home or their culture, Mr. Biato said the embassy was working to support a new generation of Brazilian-Irish who he hoped would be "true ambassadors of their dual inheritance". However, he said this would happen only "if the new generation learns to value diversity and practise tolerance. This is an especially urgent challenge in the face of the threat of the normalisation of anti-immigrant sentiment."


Adapted from https://www.irishtimes.com/ireland/social-affairs/2024/04/19/

Mark the option in which the explanation, in parenthesis, for the use of the verb tense in the corresponding sentence is correct.
Alternativas
Q4231860 Inglês
Read text IV to answer question.

In order to contribute with defense and sovereignty over Brazilian Jurisdictional Waters, the Brazilian Navy has concentrated its efforts on the Submarine Development Program (PROSUB), which will expand the Force's operational capacity to protect and preserve our Blue Amazon*. As part of the new Growth Acceleration Program PAC, of the Federal Government, and under coordination of the Navy Command, PROSUB was created in 2008, comprising the construction of an industrial Infrastructure and Support for the operation and maintenance of submarines, the construction of four conventional submarines and the construction project of the first Brazilian conventionally armed submarine with nuclear propulsion.

Supported by three pillars: technology transfer, except in the nuclear area, nationalization of equipment and systems, and personnel training, the Program is enabling the first industrial complex and logistical support dedicated to naval means with nuclear propulsion in the southern hemisphere.

Built in an area of 750 thousand square meters, the Itaguaí Naval Complex is one of the largest engineering works in the country, designed to build and house the new generation of Brazilian submarines. The first of four Brazilian conventional submarines (S-BR), the Submarine "Riachuelo" (S-40) was launched to the sea on December 14th, 2018. In sequence, the Humaitá (S-41) was launched in 2020; the Tonelero (S-42), in 2024 and the Almirante Karam (S-43), in 2025.

The first Brazilian conventionally armed submarine with nuclear propulsion, main scope of the program, will be named "Álvaro Alberto", a tribute to the Admiral who was the pioneer in the use of nuclear technology in the country. The completion of the Program will also strengthen several sectors of the national industry of strategic importance for the country's economic development.

*Blue Amazon (Amazônia Azul) is the name given to Brazil's jurisdictional waters and continental shelf since 2004, covering roughly 5.7 million maritime area in the South Atlantic. It is a strategic concept highlighting immense economic (oil, fishing, minerals) and biodiversity resources, deemed as vital for national security as the land-based (Green) Amazon rainforest.

Adapted from https://www.gov.br/defesa/pt-br/assuntos/industria-de-defesa/cartilha_projetos-estrategicos_site_eng.pdf

In the sentence "In order to contribute with the defense and sovereignty over Brazilian Jurisdictional Waters" (1st paragraph), the underlined phrase is used to express:

Alternativas
Q4231859 Inglês
Read text IV to answer question.

In order to contribute with defense and sovereignty over Brazilian Jurisdictional Waters, the Brazilian Navy has concentrated its efforts on the Submarine Development Program (PROSUB), which will expand the Force's operational capacity to protect and preserve our Blue Amazon*. As part of the new Growth Acceleration Program PAC, of the Federal Government, and under coordination of the Navy Command, PROSUB was created in 2008, comprising the construction of an industrial Infrastructure and Support for the operation and maintenance of submarines, the construction of four conventional submarines and the construction project of the first Brazilian conventionally armed submarine with nuclear propulsion.

Supported by three pillars: technology transfer, except in the nuclear area, nationalization of equipment and systems, and personnel training, the Program is enabling the first industrial complex and logistical support dedicated to naval means with nuclear propulsion in the southern hemisphere.

Built in an area of 750 thousand square meters, the Itaguaí Naval Complex is one of the largest engineering works in the country, designed to build and house the new generation of Brazilian submarines. The first of four Brazilian conventional submarines (S-BR), the Submarine "Riachuelo" (S-40) was launched to the sea on December 14th, 2018. In sequence, the Humaitá (S-41) was launched in 2020; the Tonelero (S-42), in 2024 and the Almirante Karam (S-43), in 2025.

The first Brazilian conventionally armed submarine with nuclear propulsion, main scope of the program, will be named "Álvaro Alberto", a tribute to the Admiral who was the pioneer in the use of nuclear technology in the country. The completion of the Program will also strengthen several sectors of the national industry of strategic importance for the country's economic development.

*Blue Amazon (Amazônia Azul) is the name given to Brazil's jurisdictional waters and continental shelf since 2004, covering roughly 5.7 million maritime area in the South Atlantic. It is a strategic concept highlighting immense economic (oil, fishing, minerals) and biodiversity resources, deemed as vital for national security as the land-based (Green) Amazon rainforest.

Adapted from https://www.gov.br/defesa/pt-br/assuntos/industria-de-defesa/cartilha_projetos-estrategicos_site_eng.pdf
Mark the option that contains a correct statement about the text.
Alternativas
Respostas
261: A
262: B
263: B
264: C
265: B
266: D
267: A
268: D
269: E
270: A
271: C
272: D
273: C
274: A
275: A
276: E
277: D
278: B
279: D
280: A