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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385641 Português
Leia o trecho da entrevista e observe a imagem abaixo.

        O torturador, o traficante de escravos, o senhor de escravos, o capataz da plantação, todas essas pessoas tornaram-se piores ao ter a autorização para cometer os crimes que cometeram. Essa discussão continua atualíssima porque o policial que assedia, agride, mata um negro, também se torna um péssimo ser humano. 
Trecho de entrevista de Eurídice Figueiredo, professora do programa de pós-graduação em estudos de literatura da UFF (Universidade Federal Fluminense). Disponível em: https://tinyurl.com/42cdmmyd. Acesso em 12 ago. 2024.

Captura_de tela 2025-06-03 100424.png (312×208)
Manifestantes protestam em Saint Louis, nos EUA, contra a violência policial. Disponível em: https://vermelho.org.br/2016/07/11/eua-tem-mais-protestoscontra-racismo-e-violencia-policial/ Acesso em: 20 jun. 2024.

Marque a alternativa CORRETA: 
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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385640 História

Leia o texto:



        "A esquadra composta de oito naus, três fragatas, dois brigues, uma escuna de guerra, uma charrua de mantimentos e mais de vinte navios mercantes da marinha lusitana foi pequena para alojar 15 mil almas, embarcadas portando o que puderam carregar de seus bens materiais, tanto públicos quanto particulares, levados a bordo "sem despacho, nem revista" , tudo avaliado depois em cerca de 80 milhões de cruzados. Após os atropelos de um embarque organizado em algumas poucas horas, ganhava a esquadra a foz do Tejo (...) que mudaria a história de Portugal e do Brasil".


MALERBA, Jurandir. A Corte no Exílio. Civilização e poder no Brasil às vésperas da Independência ( 1808 a 1821). São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p.20.

Sobre o significado desse evento para o entendimento da História do Brasil, assinale a alternativa CORRETA:
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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385639 História

Luís Gama, o ex-escravo que se tornou advogado


Luís Gonzaga Pinto da Gama nasceu em 1830, em Salvador, lho de mãe africana livre e pai branco de origem portuguesa. Quando o menino tinha quatro anos, sua mãe, Luísa, teria participado da revolta dos Malês, na Bahia, pelo m da escravidão.


Adelina, a charuteira que atuava como 'espiã'


Filha bastarda e escrava do próprio pai, Adelina passou a vender charutos que ele produzia nas ruas e estabelecimentos comerciais de São Luís (MA). (...) Adelina enviava à associação Clube dos Mortos - que escondia escravos e promovia sua fuga - informações que conseguia sobre ações policiais e estratégias dos escravistas.


Dragão do Mar, o jangadeiro que se recusou a transportar escravos para os navios


O jangadeiro e prático (condutor de embarcações) Francisco José do Nascimento (1839-1914), um homem pardo conhecido como Dragão do Mar, foi membro do Movimento Abolicionista Cearense, um dos principais da província, a primeira do Brasil a abolir a escravidão.


Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44091469 Acesso em: 20 jun.2024.

Sobre a ação dessas personagens históricas e sua relação com o fim da escravidão, é CORRETO afirmar que:
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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385638 História
Leia os textos I e II, de autoria dos escritores africanos contemporâneos, Paulina Chiziane e Ngugi wa Thiong'o.


TEXTO I


Desperta! Lava os olhos no banho da liberdade
Busca as tuas pegadas nas frias cinzas da História
Regressar às raízes é isto: percorrer caminhos sinuosos
Até descobrir o teu brilho no espelho do mundo


As campanhas coloniais colocaram-te uma venda nos olhos
Resiste. Não te deixes apagar e luta com o
que te ofusca Reconhece-te. Estás presente em todas as
maravilhas do mundo.
(...)
Procura-te
À tua música chamam folclore e à arte, artesanato
Ao teu religioso, superstição e ao teu sagrado, diabólico
Tira as mordaças com que te animalizam. Conhece-te.

Fonte: CHIZIANE, Paulina. O canto dos escravizados. Belo Horizonte: Nandyala, 2018. 


TEXTO II


        Os oprimidos e explorados da terra mantêm seu desafio: liberdade frente ao saque. Porém, a arma mais perigosa que é empunhada e brandida a cada pelo imperialismo contra esse desafio coletivo é a bomba cultural. O efeito de uma bomba cultural é aniquilar as crenças dos povos nos seus nomes, línguas e entorno natural, na sua tradição de luta, sua unidade e capacidades e, por fim, em si mesmos. 

Fonte: Descolonizar la mente. Barcelona: Editorial Debolsillo, 2010, pp.7-8. [e-book].

Marque a alternativa CORRETA sobre a relação dos Textos I e II com o processo de dominação imperialista da África:
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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385637 Física

                                                                 Considere g = 10, 0 m/s2



Em relação aos processos de propagação do calor, assinale a alternativa CORRETA.

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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385636 Física

                                                                 Considere g = 10, 0 m/s2



Em relação às ondas sonoras, assinale a alternativa CORRETA. 

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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385635 Física

                                                                  Considere g = 10, 0 m/s2



Em relação ao microscópio óptico e à luneta astronômica, assinale a alternativa CORRETA.

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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385634 Química
Considere g = 10, 0 m/s2

Considere um dispositivo que consiste em um tubo de maior área e uma parede central contendo um pequeno orifício que deixa a passagem de fluxo de ar para outro lado somente em um sentido. Sabe-se que o fluxo de ar é incompressível, que a velocidade do som no ar é de aproximadamente 340,0 m/s, que o diâmetro do orifício é de 1,0 mm2 e que a velocidade do fluxo de ar no orifício é o dobro da velocidade do som no ar. O valor da velocidade do fluxo de ar antes do orifício numa área de 10,0 cm2 é de
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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385633 Física
Considere g = 10, 0 m/s2

Sabe-se que a densidade da água do mar é aproximadamente de 1,0 g/cm3 e que uma atmosfera equivale a 1,0 × 105 N/m2 . A profundidade no mar que corresponde a uma pressão de 2,0 atm é de aproximadamente
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Q3385632 Biologia
Os animais (Metazoa = animais) constituem um grupo com mais de 1,5 milhão de espécies descritas. Os metazoários (Metazoa) são muito diversificados e possuem características morfológicas, fisiológicas e evolutivas muito distintas. Em relação às características presentes nos distintos grupos animais, marque a opção que contém informações CORRETAS. 
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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385631 Biologia
O fóssil de Archaeopteryx lithographica é reconhecido como o primeiro registro de ave existente na natureza há milhões de anos atrás. No entanto, este organismo ainda apresentava uma mistura de características presentes em dinossauros Theropoda, mas ausentes nas aves atuais.

É uma característica de Archaeopteryx lithographica também encontrada nas aves atuais
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Q3385630 Saúde Pública
Em reportagem publicada no dia 11 de dezembro de 2023 pela "BBC News Brasil", foram listadas as "doenças que podem aumentar no Brasil com as mudanças climáticas". Percebemos que os dias estão cada vez mais quentes e que as chuvas estão mais fortes devido às mudanças climáticas. Assim, as doenças transmitidas por hospedeiros invertebrados (artrópodes e moluscos) aos humanos serão cada vez mais prevalentes, visto a adaptação desses hospedeiros às mudanças do clima. Segundo a matéria publicada pela BBC, "a forte desigualdade social existente no país deve ter impacto direto sobre quem mais sofrerá com os efeitos das mudanças climáticas na saúde pública".

Dentre as doenças comuns em ecossistemas tropicais, aquelas transmitidas por hospedeiros invertebrados (artrópodes e moluscos) são: 
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Q3385629 Biologia
A Dra. Maria Beatriz de Barros Barreto, professora da UFRJ, participou do último Congresso Europeu de Algas, realizado em Brest, na França, em agosto de 2023, e descreveu que os pontos mais discutidos nesse congresso foram as alterações nas comunidades de algas marinhas, devido às mudanças climáticas. Vários pesquisadores no mundo verificaram a substituição de florestas marinhas formadas por algas pardas de grande porte, com mais de 1 metro de comprimento, por algas filamentosas formando tapetes de poucos centímetros de altura. O impacto dessa substituição ainda é incerto, mas pode ocorrer uma perda de espécies de algas pardas, que formam um grupo de organismos com representantes
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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385628 Biologia
Leia o trecho da reportagem a seguir.

As mudanças climáticas globais estão tornando os fungos patogênicos mais resistentes devido à aceleração de suas mutações genéticas e, no Brasil, a plantação de cacau é fortemente afetada pelo fungo Moniliophtera perniciosa, chamado comumente de vassoura de bruxa, que causa enegrecimento e morte do cacaueiro, causando grandes estragos nas lavouras e encarecendo os processos de controle dessa infestação.

Com relação aos organismos considerados como fungos, pode-se afirmar que são um grupo formado por:
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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385627 Português
TEXTO III


Amor
Clarice Lispector


        Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...] - o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.



TEXTO V


Legiões de mulheres não têm por quinhão senão uma fadiga indefinidamente recomeçada no decorrer de um combate que jamais comporta uma vitória. Mesmo em casos mais privilegiados, essa vitória nunca é definitiva. Há poucas tarefas que se aparentem, mais do que as da dona de casa, ao suplício de Sísifo; dia após dia, é preciso lavar os pratos, espanar os móveis, consertar a roupa, que no dia seguinte já estarão novamente sujos, empoeirados, rasgada.
No trecho acima (texto V), Simone de Beauvoir compara o trabalho de uma mulher do lar, dedicada aos afazeres domésticos e à criação dos filhos, ao mito de Sísifo, personagem da mitologia grega que foi condenado a repetir eternamente a tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha. Considerando os textos III e V, assinale a alternativa correta:
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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385626 Literatura
TEXTO III


Amor
Clarice Lispector


        Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]

- o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


                                                                          FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.  



TEXTO IV


        A questão da epifania (epiphaneia) pode ser compreendida num sentido místico-religioso e num sentido literário. No sentido místico-religioso, a epifania é o aparecimento de uma divindade e uma manifestação espiritual - e é neste sentido que a palavra surge descrevendo a aparição de Cristo aos gentios. Aplicado à literatura, o termo significa o relato de uma experiência que, a princípio, se mostra simples e rotineira, mas que acaba por mostrar toda a força de uma inusitada revelação. É a percepção de uma realidade atordoante quando os objetos mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas comportam iluminação súbita na consciência dos figurantes, e a grandiosidade do êxtase pouco tem a ver com o elemento prosaico em que se inscreve a personagem.

Fonte: SANT'ANNA, Affonso Romano de. Com Clarice. São Paulo: Editora Unesp, 2013, p.128.
Considerando o conteúdo do texto IV, assinale a alternativa em que há o momento de "epifania" da personagem Ana, do conto de Clarice Lispector, no Texto III.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385625 Literatura
TEXTO III


Amor
Clarice Lispector


        Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]

- o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.
Nos trechos apresentados do conto "Amor", de Clarice Lispector, observa-se:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385624 Português

TEXTO II



Um Índio

Caetano Veloso



Um índio descerá de uma estrela colorida,  brilhante

    

De uma estrela que virá numa velocidade estonteante

    

E pousará no coração do Hemisfério Sul, na  América, num claro instante

    

Depois de exterminada a última nação indígena


E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida

      

Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

   




Virá Impávido que nem Muhammad Ali


Virá que eu vi


Apaixonadamente como Peri


Virá que eu vi


Tranquilo e infalível como Bruce Lee


Virá que eu vi


O axé do afoxé Filhos de Gandhi


Virá



Um índio preservado em pleno corpo físico


Em todo sólido, todo gás e todo líquido


Em átomos, palavras, alma, cor


Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico

  

Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífco

   

Do objeto-sim resplandecente descerá o índio


E as coisas que eu sei que ele dirá, fará


Não sei dizer assim de um modo explícito


(...)



E aquilo que nesse momento se revelará aos  povos

    

Surpreenderá a todos não por ser exótico


Mas pelo fato de poder ter sempre estado  oculto

    

Quando terá sido o óbvio



Fonte: UM ÍNDIO. Caetano Veloso. In: BICHO. Philips Records, 1977. 1 LP, faixa 5.



GLOSSÁRIO:


Muhammad Ali: foi um famoso pugilista estadunidense.

Peri: personagem indígena da obra "O guarani", de José de Alencar.

Bruce Lee: de origem chinesa, foi um conhecedor e praticante de muitas artes marciais, além de ator e diretor de cinema.

Afoxé Filhos de Gandhi: "O Desfile de Afoxés", ou "Cortejo de Afoxés", é uma expressão característica do carnaval baiano, com raízes vinculadas à religiosidade afro-baiana, e reconhecido como patrimônio cultural imaterial no estado" Já o "Afoxé Filhos de Gandhi" é um importante grupo baiano que desfila tradicionalmente no carnaval de Salvador.



Disponível em https://www.multirio.rj.gov.br/index.php/reportagens/17562- afox%C3%A9, Acesso em 07/08/2024.

Sobre a canção "Um índio", de Caetano Veloso, marque a única alternativa que NÃO se apresenta como uma leitura possível:

Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385623 Português

TEXTO I



Melro

Carlos Drummond de Andrade



Melro que cantas no morrer da noite,

com estas asas rotas aprende teu voo.

A vida toda

esperaste a hora e a vez de teu voo.


Melro que cantas no morrer da noite,

com estes olhos fundos aprende a ver.

A vida toda

esperaste a hora e a vez de ser livre.


Voa, melro, voa, melro,

para o clarão da escura noite.


Voa, melro, voa, melro,

para o clarão da escura noite.


Melro que cantas no morrer da noite,

com estas asas rotas aprende teu voo

A vida toda

esperaste a hora e a vez de teu voo

esperaste a hora e a vez de teu voo

esperaste a hora e a vez de teu voo.


Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Tradução de "Blackbird", canção de Lenon e McCaartney. In: REALIDADE. São Paulo: Editora Abril, ano III, nº 36, mar. 1969, p. 61 (Pesquisado na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional).



GLOSSÁRIO:


Melro: ave de penas pretas, também chamada de açum-preto, graúna, pássaro preto, entre outros nomes.

Em março de 1969, o poeta Carlos Drummond de Andrade traduziu algumas canções da banda inglesa The Beatles, do então recém lançado Álbum Branco. Dentre as canções, escreveu o poema "Melro", uma tradução da composição dos Beatles, cujo título original é "Blackbird" (pássaro preto - outro possível sinônimo de Melro, em língua portuguesa). Essa canção composta pela banda britânica teria como motivação a luta do Movimento dos Direitos Civis dos Negros, nos Estados Unidos.

A partir da leitura do poema de Drummond e considerando as informações acima, assinale a alternativa que melhor interprete os versos lidos:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 3 - Exatas - Dia 1 |
Q3381470 Biologia
“Uma pesquisa realizada com indígenas do povo Yanomami, do subgrupo Ninam, de nove aldeias localizadas em Roraima, mostrou que todos os participantes estão contaminados por mercúrio. Os maiores níveis de exposição foram detectados em indígenas que vivem nas aldeias localizadas mais próximas aos garimpos ilegais de ouro. [...] Os pesquisadores destacam que indígenas com níveis mais elevados de mercúrio apresentaram déficits cognitivos e danos em nervos nas extremidades, como mãos, braços, pés e pernas, com mais frequência.”
FONTE: https://portal.fiocruz.br/noticia/2024/04/yanomamis-de-novealdeias-assediadas-pelo-garimpo-estao-contaminados-por-mercurio
Atividades de mineração que despejam mercúrio (uma substância não biodegradável) em corpos d’água podem contaminar comunidades biológicas inteiras através da cadeia alimentar. Sobre o processo conhecido como biomagnificação, sabe-se que
Alternativas
Respostas
2221: E
2222: D
2223: C
2224: B
2225: B
2226: C
2227: E
2228: A
2229: A
2230: D
2231: E
2232: B
2233: B
2234: B
2235: B
2236: B
2237: D
2238: B
2239: E
2240: D