Leia os textos a seguir. Texto I O homem, como zoon logikó...
Texto I
O homem, como zoon logikón, é um ser que, em razão de sua psyqué, ao mesmo tempo pertence ao âmbito da natureza e por essência se distingue de todos os outros seres da natureza em virtude do predicado da racionalidade, ele é um “animal racional”, um zoon logikón. A racionalidade é, pois, a diferença específica do homem, e, ao se acentuar esse aspecto, Aristóteles prolonga a linha de reflexão antropológica que tem sua origem na Sofística e que fora continuada, mesmo sofrendo profunda inflexão, pela antropologia socrático-platônica. Enquanto ser dotado de razão e linguagem, o homem transcende de alguma maneira a natureza e não pode ser considerado simplesmente um ser “natural”.
VAZ, Henrique de C. Lima. Antropologia filosófica. São Paulo: Loyola, 2020. p. 51. (Adaptado).
Texto II
Outros autores interpretam o homem como possibilidade de autoprojeção. É nesse sentido que Kant afirma que, para poder atribuir ao homem seu lugar na natureza viva e assim caracterizá-lo, só resta dizer que ele tem o caráter que ele mesmo faz, porquanto sabe aperfeiçoar-se segundo os fins por ele mesmo criados. Na filosofia contemporânea, esse conceito de homem foi assumido por vários pensadores. Por um lado, eles frisam que o homem é aquilo que ele mesmo pode e quer tornar-se, que projeta seu modo de ser ou de viver e que esse projeto passa a constituir, em algum grau, parte de seu ser. Por outro lado, esses mesmos pensadores reconhecem as limitações dessa possibilidade de se projetar, já que cada projeto já encontra como dados os elementos que utiliza. Sartre insistiu na liberdade absoluta da possibilidade de projetar e considerou puramente arbitrária ou gratuita a escolha de um projeto qualquer.
ABBGAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 512-513. (Adaptado).
Em ambos os textos são apresentados posicionamentos acerca do que constitui definição de ser humano. A comparação entre esses textos indica que eles
Gabarito comentado
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Alternativa correta: D
Tema central: a questão compara duas concepções filosóficas sobre o que define o ser humano — uma que destaca a racionalidade como essência (ligada à tradição aristotélica) e outra que enfatiza a autoprojeção e liberdade para criar a própria identidade (associada ao existencialismo, ex.: Sartre; e a leituras kantianas sobre aperfeiçoamento).
Resumo teórico rápido: Essencialismo (Aristóteles): o humano tem uma diferença específica — a razão; pertence à natureza, mas se distingue por esse traço (zoon logikón). Existencialismo / antropologia do projeto (Sartre, leituras contemporâneas): o humano é aquilo que faz de si mesmo; liberdade de projetar a própria existência, embora limitada por condições dadas (cf. Kant sobre autoaperfeiçoamento; Abbagnano sobre autoprojeção).
Por que a alternativa D é correta: ela afirma claramente que os textos apresentam pontos de vista diferentes: o primeiro é essencialista (homem definido pela racionalidade) e o segundo aproxima-se do existencialismo/construtivismo do projeto (homem como autoprojeto). Isso corresponde diretamente aos autores citados e às tradições filosóficas referidas.
Análise das alternativas incorretas:
A — incorreta: fala em mesma concepção e em perspectiva materialista, o que não condiz com os textos (Aristóteles e Kant/Sartre não são materialistas aqui).
B — incorreta: mistura termos — o primeiro texto não enfatiza aspectos metafísicos da capacidade criadora; ele destaca racionalidade como essência, não o autoprojeto.
C — incorreta: afirma permanência da noção e posição racionalista em todos os períodos; o segundo texto problematiza e desloca a ênfase para liberdade/projeto, ou seja, não há identidade monolítica da tradição.
E — incorreta: exagera oposição — o segundo não nega racionalidade; propõe outra ênfase (projeto/autonomia), e o primeiro não reduz o humano apenas ao pertencimento natural sem destacar a diferença racional.
Dica de prova: foque em palavras-chave: "essência", "diferença específica", "racionalidade" → sugere essencialismo; "autoprojeção", "escolha", "liberdade" → aponta existencialismo/construtivismo. Evite distratores que trocam categorias (ex.: materialista vs metafísico) sem relação direta com o texto.
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Texto I (Aristóteles): essencialismo → homem = animal racional.
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Texto II (Kant/Sartre): existencialismo → homem é projeto, constrói-se pela liberdade.
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