Questões de Vestibular
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Leia o texto a seguir para responder a questão.
TEXTO III
O operário em construção
Vinicius de Moraes
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
[...] Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
A mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
[...] E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
[...] Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
[...] Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
[...] Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
— Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
[...] E o operário disse: Não!
— Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
— Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
[...]
Fonte: https://edisciplina.usp.br/mod/resource/view.php?id=5229060. Acesso em: 08 jul. 2024. (adaptado).
Por isso, ao comparar os textos, pode-se afirmar que
Em qual trecho do texto foi utilizado um eufemismo com a intenção discursiva de atenuar “o pior do capitalismo: a exploração com cara boa”?
Sejam r a reta de equação y = mx+b, A e B os pontosem que essa reta intersecta as retas s1 : y = 3x e s2 : y = −x/5, respectivamente. O ponto M = (3, 1) é o ponto médio do segmento 
As coordenadas do ponto em que a reta r intersectao eixo das ordenadas é
De acordo com o número de soluções, o sistema linear dado é classificado como
Dados os polinômios F(x) e Q(x), ao dividir F(x) por Q(x) encontra-se como resto o polinômio R(x) = x3 − x2 + ax − 9. Sabe-se que F(x) e Q(x) são divisíveis pelo binômio x − 1.
O conjunto que contém todas as raízes do polinômio R(x) é
De quantas maneiras esses 8 casais podem ser dispostos nessas cadeiras de forma que cada noivo e respectiva noiva fiquem juntos, ou seja, em cadeiras adjacentes?
A medida da área do triângulo ABC é igual a
Indique qual o mecanismo apresenta o funcionamento dessa vacina.
FONTE: https://portal.fiocruz.br/noticia/2024/04/yanomamis-de-novealdeias-assediadas-pelo-garimpo-estao-contaminados-por-mercurio
Atividades de mineração que despejam mercúrio (uma substância não biodegradável) em corpos d’água podem contaminar comunidades biológicas inteiras através da cadeia alimentar.
Sobre o processo conhecido como biomagnificação, sabe-se que
Leia o texto a seguir.
“Diante de uma alteração no ambiente, os indivíduos podem deixar o local, morrer ou novos mutantes adaptados se estabelecerem. Por causa do aumento nas temperaturas globais, muitas espécies estão deslocando seu habitat em direção aos pólos mais frios, bem como para localidades de maior altitude. Porém, se não houver possibilidade de adaptação ou de se deslocarem para ambientes mais propícios, populações inteiras podem ser extintas no limite superior de sua tolerância térmica. [...] As interações entre as espécies também serão afetadas por causa desses deslocamentos, das alterações relacionadas às adaptações e das mortes de animais e plantas, o que, inevitavelmente, alterará as complexas interrelações dentro dos habitats, dos ecossistemas e até mesmo dos biomas.”
Fonte:Salisbury, C. 2017. Mudança climática causa extinções locais amplamente disseminadas; maior ameaça está nos trópicos. Mongabay. https://brasil.mongabay.com/(adaptado)
A partir dos conceitos presentes no texto acima, pode-se dizer que
Fonte:https://www.bbc.com/portuguese/articles/czq2z545dq1o. Acessado em: 10 de julho de 2024.
Sobre esse grave problema ambiental registrado no Pantanal, marque a opção CORRETA.
Fonte: Antônio de Pereda - Alegoria da Vaidade (1634) Óleo sobre tela. Disponível em: https://www.meisterdrucke.pt/impressoesartisticas-sofisticadas/Antonio-Pereda-y-Salgado/36286/Vaidade,- c.1634.html. Acesso em: 09/07/2024.
Por volta de 1650 difundiu-se na Europa ocidental um gênero de representação pictórica bastante popular na era barroca. A historiografia da arte o denominou de Vanitas, interpretado como “vaidade”. Nesse sentido, considerando a FIGURA I, é possível afirmar que:
TEXTO II
Uberismo é a total desumanização das relações trabalhistas
Não há um patrão de carne e osso, não existe um departamento de recursos humanos
Há palavras cuja sonoridade é aparentemente inócua, cuja grafia parece inocente, insuspeita, mas basta ir um pouco além da fisionomia ortográfica para entender os infernos que escondem. Uberismo seria uma das mais recentes formas de exploração da forma de trabalho, consistente numa hiperexploração dos trabalhadores por meio de plataformas. Um emaranhado algorítmico pensado para arrancar direitos trabalhistas na forma de startup jovem, de sucesso, vibrante, lucrativa. Recomendo a leitura atenta do que escreve o professor Ruy Braga, da USP, excelente pesquisador na área sobre as ameaças brutais da “plataformização” do trabalho ou a tirania à qual as novas tecnologias digitais submetem a vida dos trabalhadores mais precarizados. É a total desumanização das relações trabalhistas. Não há um patrão de carne e osso, não existe um departamento de recursos humanos, muitos sindicatos rejeitam representar essas categorias. O contato com o “cliente” resume-se, muitas vezes, a uma entrega rápida e insensível, com um portão com grades no meio de dois indivíduos, que no momento estão a centímetros de distância, mas cujas mãos apenas se tocam e cujas vidas se tocam menos ainda. Não há direitos, não há humanidade. Um país como Brasil é o ambiente perfeito para esse processo de uberização da vida. Milhões de trabalhadores informais, uma pauperização crescente, um exército de jovens sem formação, a volta da miséria, o desmonte incessante dos direitos trabalhistas. [...]
No Brasil, a carne do trabalhador precarizado se vende barata. Muito barata. Uber, Ifood, Rappi, o mundo do trabalhador escravizado pelo algoritmo que, em tempos de crise, absorve, engole milhões de profissionais sem expectativas. São os descartáveis. Mas, paradoxos de uma vida fortuita, os descartáveis viraram essenciais na pandemia. O número de entregadores antes do coronavírus era de 280 mil. Depois da pandemia, passaram a 500 mil. São números impressionantes: 500 mil invisíveis que entregam comida, mas cujas famílias passam fome ou convivem com ela. São 500 mil. Mais gente, menos lucro.
O estudo “Condições de Trabalho de Entregadores Via Plataforma Digital Durante a Covid-19” identificou as jornadas de trabalho maiores e a queda nos rendimentos de 58,9% dos entregadores. [...] Não se preocupe. O entregador é microempresário, empreendedor. Não é pobreza, é um processo de sucesso individual. Os entregadores não são trabalhadores, são “parceiros” das plataformas. Os jovens que se endividam para comprar uma moto investem no seu futuro. Num país como Brasil, o discurso da meritocracia mata, assim como matam as motos dos entregadores cansados de trabalhar durante mais de dez horas por dia. Entre março e maio deste ano, 87 morreram na capital paulista.
[...]
Mas a exploração tem seus limites. Os explorados também explodem. Os invisíveis se cansam da invisibilidade. As greves de entregadores e a formação dos “Entregadores Antifascistas” são focos de luz nas trevas. Entre as exigências dos trabalhadores estão reajuste de preços, entrega de EPIs para trabalhar com mais segurança durante a pandemia, fim dos bloqueios indevidos, demanda de auxílios ou licenças de saúde e acidente, questionamentos com relação a programas de pontos realizados por algumas plataformas. Dignidade para os que são tratados com indignidade. É a revolta dos de baixo, dos que passavam despercebidos e hoje se tornaram essenciais. Todo o meu respeito, todo o meu apoio.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/artigo/uberismo-e-a-totaldesumanizacao-das-relacoes-trabalhistas/. Acesso em: 08 jul. 2024. (adaptado).
Embora os textos I, II e III sejam de gêneros de texto diferentes, eles relacionam-se quanto à temática e à crítica presentes.
Por isso, ao comparar os textos I, II e III, pode-se afirmar que