Questões de Concurso Para intérprete de libras

Questões Discursivas

Foram encontradas 1.843 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q3295971 Português

Antes de responder à questão, leia o texto a seguir:



Nostalgia: nossas memórias se tornaram um produto?



Ana Luiza Pires

Lucas Mascarenhas de Miranda



      Você já se pegou pensando nos 'bons e velhos tempos'? Já assistiu a um desenho antigo ou ouviu uma música que marcou sua infância? Já visitou a casa de um ente querido que não via há anos ou encontrou fotos da sua infância e de lugares em que nunca mais esteve? Essas situações costumam nos provocar um sentimento muito diferente, chamado de nostalgia. E engana-se quem pensa que ele está ligado apenas a lembranças de momentos especiais que vivemos na nossa vida. A nostalgia pode nos conectar até a épocas que sequer vivemos e a experiências que nunca tivemos, mas que, de alguma forma, nos tocam profundamente. Mas de onde vem essa sensação? O que significa 'sentir nostalgia'?


    Em 1688, o médico suíço Johannes Hofer ( 1669-1752) identificou uma doença misteriosa que se apresentava como uma saudade patológica de casa e levava a diversos sintomas físicos e mentais. E foi da junção das palavras do grego antigo nóstos ('regresso ao lar') e álgos ('dor' ou 'sofrimento') que nasceu o tem10 'nostalgia'.


   Soldados que iam para guerras, jovens que deixavam seus lares para estudar fora, indivíduos escravizados que eram arrancados de suas terras, muitas foram as pessoas diagnosticadas e até vitimadas pela nostalgia.


    Com o tempo, o significado do termo foi se modificando até chegar a esse sentimento que conhecemos hoje, uma espécie de saudade de épocas passadas, de momentos vividos ou não, mas que nos parecem familiares e nos tocam. A forma como entendemos a nostalgia mudou tanto ao longo dos séculos que hoje muitos a enxergam como um sentimento potencialmente bom, que desencadeia emoções boas.


    E se a nostalgia é algo bom e nos afeta tanto, ela se toma um poderoso meio de acessar nossos sentimentos e influenciar nossas decisões.


     O uso de memórias afetivas em filmes e séries se tornou uma prática comum e, mais do que isso, uma poderosa estratégia para atrair público e aumentar vendas, ao explorar o vínculo emocional que as pessoas têm com o passado.


    Você já ouviu falar em remake, reboot ou revival? Eles nos ajudam a entender como algumas obras despertam tanto nosso interesse, especialmente quando envolvem nossas memórias ou reinterpretações de histórias que já conhecemos.


    Um remake é uma nova versão de uma obra já existente, mas com a mesma história. Os remakes podem trazer novas abordagens, novos elementos, mudanças de elenco, mas sem mudanças significativas no enredo. Já o reboot é uma obra que reinicia uma história, desconsiderando versões anteriores e trazendo mudanças expressivas, mas resgatando o universo e os personagens. Por fim, o revival acontece quando uma série ou franquia retorna com uma continuação direta, mesmo após ter sido considerada finalizada. 


     Essas três formas de adaptar histórias já contadas estão presentes em várias iniciativas, trazendo de volta grandes sucessos da TV e do cinema e até atores e atrizes que marcaram épocas e fizeram parte da vida de uma geração inteira.


    Um exemplo notável é a atriz Winona Ryder, que, após se destacar nas telas nos anos 1980 e 1990, voltou ao estrelato em 2016 com a série Stranger things, que revive a estética dos anos I980, conquistando tanto os fãs daquela época quanto uma nova geração de espectadores.


    Diversas outras séries originais também buscam resgatar memórias, apresentando histórias ambientadas em períodos passados e reavivando a estética, a narrativa e o contexto vivido naquele tempo. O apelo à nostalgia nas mídias é uma forma de garantia de retomo econômico que atravessa gerações, atraindo tanto quem viveu aquele período quanto novos públicos.


     Na TV aberta nacional, essa tendência se manifesta há anos em remakes de grandes novelas, mas podemos citar exemplos atuais como Pantanal e Renascer. Em 2025, a telenovela Êta mundo bom! (20162017) ganhará uma continuidade, algo incomum de se ver na televisão. Em 2024, vimos as continuações de dois grandes sucessos dos anos 2000: o filme O auto da compadecida 2 e a série Cidade de Deus: a luta não para.


    Na indústria norte-americana, também temos vários exemplos de adaptações de obras consagradas, como o recente lançamento do filme Wicked, que mostra a história não contada das bruxas do clássico O mágico de Oz, e o reboot da saga Harry Potter, previsto para ser lançado em 2026 e que contou com testes de mais de 32 mil crianças para compor o trio de ouro na nova versão da história.


      Embora reboots, remakes e revivals não sejam novidade, é notável que a indústria do entretenimento tem investido cada vez mais em adaptações de títulos já conhecidos. E um dos motivos, além do fato de ser uma ótima estratégia comercial, são as crescentes possibilidades que a tecnologia nos oferece de preservar a memória e acessar obras antigas.


    Um marco importante para o audiovisual foi o surgimento das fitas de vídeo na década de 1950, o que mudou completamente a programação televisiva. Antes dessa inovação, todos os programas eram transmitidos ao vivo. Os artistas e a equipe técnica precisavam executar tudo em tempo real, o que significava que qualquer erro se tornava parte da transmissão. Além disso, os canais não tinham conteúdo suficiente para preencher todos os horários.


     Com as fitas, os programas passaram a ser gravados, editados e exibidos posteriormente, o que abriu novas possibilidades criativas. Essa mudança não só facilitou a exibição de reprises, mas também permitiu que novas gerações tivessem acesso a programas clássicos, resgatando conteúdos do passado.


     Hoje, com a digitalização de arquivos e a popularização das plataformas de streaming e das redes sociais, o passado está mais acessível do que nunca nas mídias digitais. Isso torna a nostalgia uma ferramenta poderosa não apenas por mexer com nossas emoções, mas também por atingir um número cada vez maior de pessoas.

     Nesse cenário, o serviço de streaming Netflix se destaca por ser pioneiro no formato e, principalmente, por explorar a nostalgia de forma estratégica, com um vasto catálogo de produções que usam a memória para criar conexões emocionais com o público. Mas, afinal, quais são essas estratégias?


     A Netflix nasceu em 1997 como um serviço de aluguel de filmes e revolucionou o mercado ao criar um modelo de assinatura mensal, sem multas por atraso. A plataforma foi a primeira a lançar o serviço de streaming e, não à toa, se tornou uma das mais populares do mundo, disponível em mais de 190 países.


   Por muito tempo, fomos limitados pelos horários da grade da TV para assistir aos nossos programas favoritos, sendo necessário esperar por um horário específico para ver aquele filme ou novela que tanto desejávamos. Mas o formato on demand (sob demanda) dos streamings nos deu o poder de assistir aos conteúdos a qualquer momento e em qualquer lugar.


    Em 2012, a Netflix começou a investir em produções originais e a experimentar novas estratégias para ampliar seu público. Nesses lançamentos, a nostalgia começou a se destacar como uma ferramenta poderosa, trazendo impactos positivos nos números e nas críticas.


   Usando a nostalgia como uma de suas principais estratégias mercadológicas, a plataforma produziu adaptações e continuações de séries clássicas, bem como obras originais ambientadas em épocas marcantes para diversas gerações. A série Gilmore girls, por exemplo, foi transmitida originalmente pelo canal The CW entre 2000 e 2007 e, em 2016, ganhou um reviva! pela Netflix, que retomou a história das personagens dez anos após os eventos da última temporada.


    No cenário brasileiro, a série De volta aos 15 apresenta um retrato fiel dos anos 2000 e suas peculiaridades. A produção resgata elementos que marcaram a vida de toda uma geração, como as roupas características da época, os hits musicais que estavam no topo das paradas e a popularização dos blogues.


    Um dos casos de maior sucesso recente da plataforma é a série Stranger things. Com sua ambientação nos anos 1980, repleta de referências culturais da época, desde cenários e figurinos até músicas e quadrinhos, a produção homenageia clássicos do cinema, jogos de RPG e outros elementos.


    E o efeito da nostalgia é tão poderoso que até jovens que não viveram os anos 1980 experimentam um sentimento nostálgico, uma espécie de saudade do que não viveram. O poder financeiro dessa ferramenta pode ser percebido pela quantidade de produtos licenciados que fazem referência ao universo da série, pelas lojas temáticas, pelos jogos, pelas exposições interativas ao redor do mundo e pelo sucesso repentino e estrondoso da música 'Running up that hill ', de Kate Bush. Após ser usada em uma das cenas mais memoráveis de um episódio da quarta temporada (2022), a canção voltou às paradas, impulsionando um renascimento da música dos anos 1980 e levando o álbum de Kate Bush a um novo sucesso, 37 anos após seu lançamento.


     Pode ser complexo tentar explicar, sob a ótica da psicologia, como a nostalgia é capaz de afetar nossos sentimentos e nos tornar mais suscetíveis ao consumo. Mas, quando olhamos apenas para os seus efeitos, fica evidente que esse poder existe e vem sendo muito utilizado. E não apenas a Netflix e os demais streamings se valem da nostalgia. Diversas produções, seja na TV, seja no cinema e em outras mídias, têm explorado essa ferramenta de forma magistral, utilizando remakes, reboots e revivals para conquistar tanto gerações mais velhas quanto o público jovem, que se vê imerso em narrativas e estéticas de tempos passados.


     Essa conexão entre o passado e o presente e essa transformação da memória em mercadoria mostram como as emoções humanas, especialmente a saudade e o apego, são constantemente manipuladas em um mercado cada vez mais orientado para a experiência.


    A nostalgia, mais do que um simples sentimento, tornou-se um dos pilares da cultura contemporânea, demonstrando que, de fato, o passado não apenas vive em nossa memória, mas também se reinventa a cada nova geração, se materializa em produtos e, acima de tudo, se vende.



Adaptado de: https://cienciahoje.org.br/a1tigo/nostalgia-nossas-memorias-se-tornaram-um-produto/




No texto, os autores discutem a forma como a nostalgia foi sendo reinterpretada ao longo do tempo. De acordo com o que se afirma no trecho "A nostalgia pode nos conectar até a épocas que sequer vivemos e a experiências que nunca tivemos, mas que, de alguma forma, nos tocam profundamente.", conclui-se que:
Alternativas
Q3253907 História e Geografia de Estados e Municípios
A 19ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) trouxe um grande feito para Brejo Santo, com alunos medalhistas e alunos-destaque com menção honrosa. Dentre as escolas públicas do município, a que mais teve alunos medalhistas e alunos-destaque foi:
Alternativas
Q3253906 Geografia

O quadro a seguir apresenta dados geográficos, demográficos e econômicos da Região Metropolitana do Cariri (RMC). Analise os dados e assinale a alternativa incorreta:

Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Q3253905 Atualidades
O estado do Ceará registrou um saldo positivo na geração de empregos, em novembro de 2024, na série com ajustes, de acordo com os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Em relação à Região Nordeste, os estados que apresentaram saldos de 7.191, 5.526 e 4.443 vagas foram, respectivamente:
Alternativas
Q3253904 História e Geografia de Estados e Municípios
A população do município de Brejo Santo, no Ceará, era de 51.090 habitantes, segundo o Censo de 2022 do IBGE. Dessa forma, a Câmara Municipal será composta de:
Alternativas
Q3253903 Direito Constitucional
O número de Deputados à Assembleia Legislativa corresponderá ao triplo da representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze. Segundo esses cálculos o número de deputados estaduais no estado do Ceará é de:
Alternativas
Q3253902 Direito Constitucional
Acerca dos direitos dos cidadãos, assinale a alternativa correta: 
Alternativas
Q3253901 Direito Constitucional
Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, dispor sobre:
Alternativas
Q3253900 Direito Constitucional
Chegar a uma definição do que seja o Estado Democrático de Direito não é uma tarefa fácil, sendo mais aconselhável compreender os valores e princípios que o envolvem ou com ele estão relacionados, para que sua compreensão seja a mais fiel  possível. Dessa forma, são considerados como valores e princípios do Estado Democrático de Direito, com exceção de: 
Alternativas
Q3253899 Direito Constitucional
Analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta referente aos elementos que constituem o Estado:
I. no sentido jurídico, nação é expressão que designa o conjunto de nacionais, onde nacional é toda pessoa que detém o vínculo da nacionalidade (ou cidadania) com determinado Estado; II. o termo população exprime um conceito essencialmente quantitativo (demográfico), indicando a totalidade de habitantes de um Estado; III. a soberania, em termos gerais e no sentido moderno, refere-se a um poder independente no plano interno, além de um poder supremo no plano internacional; IV. pode-se afirmar que o território consiste na porção geográfica sobre a qual o Estado exerce sua soberania, ou seja, no perímetro geográfico da soberania estatal.
Alternativas
Q3253898 Português
Dado a fragmento: “A filha tentava convencer a mãe a ir à praia”, marque a opção em que há uso inadequado do uso da crase:
Alternativas
Q3253896 Português

Observe a tirinha a seguir, depois marque a alternativa correta acerca das regras de acentuação gráfica: 

Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Q3253895 Português
Nudez

A filha tentava convencer a mãe a ir a praia e a velha resistia: estava muito idosa e gorda para vestir maiô.
 — Mas, mamãe, eu já vi de maiô, na praia, muitas senhoras mais velhas e mais gordas do que você!
E a velha, suavemente:
— Eu tambem já vi. Por isso mesmo é que não vou.
Para mim, o critério dessa velha é o critério certo em matéria de nudez. O que é feio se esconde. Um moço, uma moça, no esplendor da juventude, seus belos corpos podem se mostrar praticamente desnudos, de biquíni, de sunga, de cavado: assim tão enxutos, rijos e tostados, chegam a ser castos. Predomina a impressão de beleza e saúde sobre a sugestão erótica. E, depois, sabe-se que aquela floração é tão transitória! Deixem que os jovens fruam o instante passageiro, que usem e mostrem os corpos na sua hora de flor, antes que chegue a hora da semente e do declínio.
 Afirmam os nudistas, com perfeita lógica, que, todo o mundo andando nu, a nudez acostuma e deixa de escandalizar: Sim, acredito que num campo de nudistas se acabe vivendo com a mesma naturalidade que numa sala de família. Aliás, quem convive com índios sabe disso: o hábito torna a nudez invisível.
O que eu tenho contra os nudistas é a exibição obrigatória da feiura humana, o seu despojamento total, a miséria fisiológica sem um véu que a disfarce. O ridículo, a falta de dignidade de todo o mundo nu.
Certa amiga minha que, numa praia da Noruega, de repente se viu dentro de um grande bando de gente nua, diz que o seu choque primeiro não foi o da vergonha, foi o do grotesco. As pelancas, os babados, os rins flácidos, os joelhos grossos. A velhota magra com seus ossinhos de frango assado, a quarentona de busto murchinho, o senhor ruivo de barriga redonda, braços e canelas tão finos e peludos que, se tivesse mais duas pernas, seria igual a uma aranha. A matrona obesa e o seu esposo idem e o par de jovens rechonchudos, de mãos dadas como dois porquinhos enamorados. A seca donzela machona de coxas de cavalete, e a falsa Vênus de cintura grossa, com o falso atleta de torso enorme e pernas curtas. Da tribo toda, praticamente só se salvavam os adolescentes e as crianças.
A humanidade nua é feia, não há dúvida. E por isso mesmo a gente se oculta debaixo da roupa. Talvez mais do que para o defender do frio, a roupa se inventou para encobrir o corpo e lhe dar dignidade. O que é bonito se mostra, o que é feio se esconde, é a lei de todas as culturas humanas. Nada mais triste do que a deterioração do que foi belo. Ninguém usa no dedo um anel sem a pedra, ninguém bota na sala um ramo de flores murchas.

(Fonte: Rachel de Queiroz. As Menininhas e outras crônicas. RJ: J. Olympio, 1976.)
Observe os fragmentos, em seguida responda o que se pede:  “... e o par de jovens rechonchudos, de mãos dadas como dois porquinhos enamorados.”  “... assim tão enxutos, rijos e tostados, chegam a ser castos.”
Os grafemas “x” e “ch” podem representar o mesmo som. Dadas as opções a seguir, marque a que aparece desvio da norma: 
Alternativas
Q3253894 Português
Nudez

A filha tentava convencer a mãe a ir a praia e a velha resistia: estava muito idosa e gorda para vestir maiô.
 — Mas, mamãe, eu já vi de maiô, na praia, muitas senhoras mais velhas e mais gordas do que você!
E a velha, suavemente:
— Eu tambem já vi. Por isso mesmo é que não vou.
Para mim, o critério dessa velha é o critério certo em matéria de nudez. O que é feio se esconde. Um moço, uma moça, no esplendor da juventude, seus belos corpos podem se mostrar praticamente desnudos, de biquíni, de sunga, de cavado: assim tão enxutos, rijos e tostados, chegam a ser castos. Predomina a impressão de beleza e saúde sobre a sugestão erótica. E, depois, sabe-se que aquela floração é tão transitória! Deixem que os jovens fruam o instante passageiro, que usem e mostrem os corpos na sua hora de flor, antes que chegue a hora da semente e do declínio.
 Afirmam os nudistas, com perfeita lógica, que, todo o mundo andando nu, a nudez acostuma e deixa de escandalizar: Sim, acredito que num campo de nudistas se acabe vivendo com a mesma naturalidade que numa sala de família. Aliás, quem convive com índios sabe disso: o hábito torna a nudez invisível.
O que eu tenho contra os nudistas é a exibição obrigatória da feiura humana, o seu despojamento total, a miséria fisiológica sem um véu que a disfarce. O ridículo, a falta de dignidade de todo o mundo nu.
Certa amiga minha que, numa praia da Noruega, de repente se viu dentro de um grande bando de gente nua, diz que o seu choque primeiro não foi o da vergonha, foi o do grotesco. As pelancas, os babados, os rins flácidos, os joelhos grossos. A velhota magra com seus ossinhos de frango assado, a quarentona de busto murchinho, o senhor ruivo de barriga redonda, braços e canelas tão finos e peludos que, se tivesse mais duas pernas, seria igual a uma aranha. A matrona obesa e o seu esposo idem e o par de jovens rechonchudos, de mãos dadas como dois porquinhos enamorados. A seca donzela machona de coxas de cavalete, e a falsa Vênus de cintura grossa, com o falso atleta de torso enorme e pernas curtas. Da tribo toda, praticamente só se salvavam os adolescentes e as crianças.
A humanidade nua é feia, não há dúvida. E por isso mesmo a gente se oculta debaixo da roupa. Talvez mais do que para o defender do frio, a roupa se inventou para encobrir o corpo e lhe dar dignidade. O que é bonito se mostra, o que é feio se esconde, é a lei de todas as culturas humanas. Nada mais triste do que a deterioração do que foi belo. Ninguém usa no dedo um anel sem a pedra, ninguém bota na sala um ramo de flores murchas.

(Fonte: Rachel de Queiroz. As Menininhas e outras crônicas. RJ: J. Olympio, 1976.)
“O que é bonito se mostra, o que é feio se esconde, é a lei de todas as culturas humanas.” O excerto retirado do texto apresenta uma das regras de uso da vírgula. A opção que apresenta a mesma regra é:
Alternativas
Q3253893 Português
Nudez

A filha tentava convencer a mãe a ir a praia e a velha resistia: estava muito idosa e gorda para vestir maiô.
 — Mas, mamãe, eu já vi de maiô, na praia, muitas senhoras mais velhas e mais gordas do que você!
E a velha, suavemente:
— Eu tambem já vi. Por isso mesmo é que não vou.
Para mim, o critério dessa velha é o critério certo em matéria de nudez. O que é feio se esconde. Um moço, uma moça, no esplendor da juventude, seus belos corpos podem se mostrar praticamente desnudos, de biquíni, de sunga, de cavado: assim tão enxutos, rijos e tostados, chegam a ser castos. Predomina a impressão de beleza e saúde sobre a sugestão erótica. E, depois, sabe-se que aquela floração é tão transitória! Deixem que os jovens fruam o instante passageiro, que usem e mostrem os corpos na sua hora de flor, antes que chegue a hora da semente e do declínio.
 Afirmam os nudistas, com perfeita lógica, que, todo o mundo andando nu, a nudez acostuma e deixa de escandalizar: Sim, acredito que num campo de nudistas se acabe vivendo com a mesma naturalidade que numa sala de família. Aliás, quem convive com índios sabe disso: o hábito torna a nudez invisível.
O que eu tenho contra os nudistas é a exibição obrigatória da feiura humana, o seu despojamento total, a miséria fisiológica sem um véu que a disfarce. O ridículo, a falta de dignidade de todo o mundo nu.
Certa amiga minha que, numa praia da Noruega, de repente se viu dentro de um grande bando de gente nua, diz que o seu choque primeiro não foi o da vergonha, foi o do grotesco. As pelancas, os babados, os rins flácidos, os joelhos grossos. A velhota magra com seus ossinhos de frango assado, a quarentona de busto murchinho, o senhor ruivo de barriga redonda, braços e canelas tão finos e peludos que, se tivesse mais duas pernas, seria igual a uma aranha. A matrona obesa e o seu esposo idem e o par de jovens rechonchudos, de mãos dadas como dois porquinhos enamorados. A seca donzela machona de coxas de cavalete, e a falsa Vênus de cintura grossa, com o falso atleta de torso enorme e pernas curtas. Da tribo toda, praticamente só se salvavam os adolescentes e as crianças.
A humanidade nua é feia, não há dúvida. E por isso mesmo a gente se oculta debaixo da roupa. Talvez mais do que para o defender do frio, a roupa se inventou para encobrir o corpo e lhe dar dignidade. O que é bonito se mostra, o que é feio se esconde, é a lei de todas as culturas humanas. Nada mais triste do que a deterioração do que foi belo. Ninguém usa no dedo um anel sem a pedra, ninguém bota na sala um ramo de flores murchas.

(Fonte: Rachel de Queiroz. As Menininhas e outras crônicas. RJ: J. Olympio, 1976.)
Talvez mais do que para o defender do frio, a roupa se inventou para encobrir o corpo e lhe dar dignidade. A palavra em destaque foi formada pelo processo de: 
Alternativas
Q3253892 Português
Nudez

A filha tentava convencer a mãe a ir a praia e a velha resistia: estava muito idosa e gorda para vestir maiô.
 — Mas, mamãe, eu já vi de maiô, na praia, muitas senhoras mais velhas e mais gordas do que você!
E a velha, suavemente:
— Eu tambem já vi. Por isso mesmo é que não vou.
Para mim, o critério dessa velha é o critério certo em matéria de nudez. O que é feio se esconde. Um moço, uma moça, no esplendor da juventude, seus belos corpos podem se mostrar praticamente desnudos, de biquíni, de sunga, de cavado: assim tão enxutos, rijos e tostados, chegam a ser castos. Predomina a impressão de beleza e saúde sobre a sugestão erótica. E, depois, sabe-se que aquela floração é tão transitória! Deixem que os jovens fruam o instante passageiro, que usem e mostrem os corpos na sua hora de flor, antes que chegue a hora da semente e do declínio.
 Afirmam os nudistas, com perfeita lógica, que, todo o mundo andando nu, a nudez acostuma e deixa de escandalizar: Sim, acredito que num campo de nudistas se acabe vivendo com a mesma naturalidade que numa sala de família. Aliás, quem convive com índios sabe disso: o hábito torna a nudez invisível.
O que eu tenho contra os nudistas é a exibição obrigatória da feiura humana, o seu despojamento total, a miséria fisiológica sem um véu que a disfarce. O ridículo, a falta de dignidade de todo o mundo nu.
Certa amiga minha que, numa praia da Noruega, de repente se viu dentro de um grande bando de gente nua, diz que o seu choque primeiro não foi o da vergonha, foi o do grotesco. As pelancas, os babados, os rins flácidos, os joelhos grossos. A velhota magra com seus ossinhos de frango assado, a quarentona de busto murchinho, o senhor ruivo de barriga redonda, braços e canelas tão finos e peludos que, se tivesse mais duas pernas, seria igual a uma aranha. A matrona obesa e o seu esposo idem e o par de jovens rechonchudos, de mãos dadas como dois porquinhos enamorados. A seca donzela machona de coxas de cavalete, e a falsa Vênus de cintura grossa, com o falso atleta de torso enorme e pernas curtas. Da tribo toda, praticamente só se salvavam os adolescentes e as crianças.
A humanidade nua é feia, não há dúvida. E por isso mesmo a gente se oculta debaixo da roupa. Talvez mais do que para o defender do frio, a roupa se inventou para encobrir o corpo e lhe dar dignidade. O que é bonito se mostra, o que é feio se esconde, é a lei de todas as culturas humanas. Nada mais triste do que a deterioração do que foi belo. Ninguém usa no dedo um anel sem a pedra, ninguém bota na sala um ramo de flores murchas.

(Fonte: Rachel de Queiroz. As Menininhas e outras crônicas. RJ: J. Olympio, 1976.)
Observe o fragmento a seguir e marque a alternativa em que o texto não apresente ideias similares aos termos em destaque: “Deixem que os jovens fruam o instante passageiro, que usem e mostrem os corpos na sua hora de flor, antes que chegue a hora da semente e do declínio.” 
Alternativas
Q3253891 Português
Nudez

A filha tentava convencer a mãe a ir a praia e a velha resistia: estava muito idosa e gorda para vestir maiô.
 — Mas, mamãe, eu já vi de maiô, na praia, muitas senhoras mais velhas e mais gordas do que você!
E a velha, suavemente:
— Eu tambem já vi. Por isso mesmo é que não vou.
Para mim, o critério dessa velha é o critério certo em matéria de nudez. O que é feio se esconde. Um moço, uma moça, no esplendor da juventude, seus belos corpos podem se mostrar praticamente desnudos, de biquíni, de sunga, de cavado: assim tão enxutos, rijos e tostados, chegam a ser castos. Predomina a impressão de beleza e saúde sobre a sugestão erótica. E, depois, sabe-se que aquela floração é tão transitória! Deixem que os jovens fruam o instante passageiro, que usem e mostrem os corpos na sua hora de flor, antes que chegue a hora da semente e do declínio.
 Afirmam os nudistas, com perfeita lógica, que, todo o mundo andando nu, a nudez acostuma e deixa de escandalizar: Sim, acredito que num campo de nudistas se acabe vivendo com a mesma naturalidade que numa sala de família. Aliás, quem convive com índios sabe disso: o hábito torna a nudez invisível.
O que eu tenho contra os nudistas é a exibição obrigatória da feiura humana, o seu despojamento total, a miséria fisiológica sem um véu que a disfarce. O ridículo, a falta de dignidade de todo o mundo nu.
Certa amiga minha que, numa praia da Noruega, de repente se viu dentro de um grande bando de gente nua, diz que o seu choque primeiro não foi o da vergonha, foi o do grotesco. As pelancas, os babados, os rins flácidos, os joelhos grossos. A velhota magra com seus ossinhos de frango assado, a quarentona de busto murchinho, o senhor ruivo de barriga redonda, braços e canelas tão finos e peludos que, se tivesse mais duas pernas, seria igual a uma aranha. A matrona obesa e o seu esposo idem e o par de jovens rechonchudos, de mãos dadas como dois porquinhos enamorados. A seca donzela machona de coxas de cavalete, e a falsa Vênus de cintura grossa, com o falso atleta de torso enorme e pernas curtas. Da tribo toda, praticamente só se salvavam os adolescentes e as crianças.
A humanidade nua é feia, não há dúvida. E por isso mesmo a gente se oculta debaixo da roupa. Talvez mais do que para o defender do frio, a roupa se inventou para encobrir o corpo e lhe dar dignidade. O que é bonito se mostra, o que é feio se esconde, é a lei de todas as culturas humanas. Nada mais triste do que a deterioração do que foi belo. Ninguém usa no dedo um anel sem a pedra, ninguém bota na sala um ramo de flores murchas.

(Fonte: Rachel de Queiroz. As Menininhas e outras crônicas. RJ: J. Olympio, 1976.)
O excerto que melhor representa a mensagem síntese do texto é:
Alternativas
Q3253890 Português
Nudez

A filha tentava convencer a mãe a ir a praia e a velha resistia: estava muito idosa e gorda para vestir maiô.
 — Mas, mamãe, eu já vi de maiô, na praia, muitas senhoras mais velhas e mais gordas do que você!
E a velha, suavemente:
— Eu tambem já vi. Por isso mesmo é que não vou.
Para mim, o critério dessa velha é o critério certo em matéria de nudez. O que é feio se esconde. Um moço, uma moça, no esplendor da juventude, seus belos corpos podem se mostrar praticamente desnudos, de biquíni, de sunga, de cavado: assim tão enxutos, rijos e tostados, chegam a ser castos. Predomina a impressão de beleza e saúde sobre a sugestão erótica. E, depois, sabe-se que aquela floração é tão transitória! Deixem que os jovens fruam o instante passageiro, que usem e mostrem os corpos na sua hora de flor, antes que chegue a hora da semente e do declínio.
 Afirmam os nudistas, com perfeita lógica, que, todo o mundo andando nu, a nudez acostuma e deixa de escandalizar: Sim, acredito que num campo de nudistas se acabe vivendo com a mesma naturalidade que numa sala de família. Aliás, quem convive com índios sabe disso: o hábito torna a nudez invisível.
O que eu tenho contra os nudistas é a exibição obrigatória da feiura humana, o seu despojamento total, a miséria fisiológica sem um véu que a disfarce. O ridículo, a falta de dignidade de todo o mundo nu.
Certa amiga minha que, numa praia da Noruega, de repente se viu dentro de um grande bando de gente nua, diz que o seu choque primeiro não foi o da vergonha, foi o do grotesco. As pelancas, os babados, os rins flácidos, os joelhos grossos. A velhota magra com seus ossinhos de frango assado, a quarentona de busto murchinho, o senhor ruivo de barriga redonda, braços e canelas tão finos e peludos que, se tivesse mais duas pernas, seria igual a uma aranha. A matrona obesa e o seu esposo idem e o par de jovens rechonchudos, de mãos dadas como dois porquinhos enamorados. A seca donzela machona de coxas de cavalete, e a falsa Vênus de cintura grossa, com o falso atleta de torso enorme e pernas curtas. Da tribo toda, praticamente só se salvavam os adolescentes e as crianças.
A humanidade nua é feia, não há dúvida. E por isso mesmo a gente se oculta debaixo da roupa. Talvez mais do que para o defender do frio, a roupa se inventou para encobrir o corpo e lhe dar dignidade. O que é bonito se mostra, o que é feio se esconde, é a lei de todas as culturas humanas. Nada mais triste do que a deterioração do que foi belo. Ninguém usa no dedo um anel sem a pedra, ninguém bota na sala um ramo de flores murchas.

(Fonte: Rachel de Queiroz. As Menininhas e outras crônicas. RJ: J. Olympio, 1976.)
A leitura geral do texto nos permite inferir:
I. por ter sido escrito há mais de cinquenta anos, o seu conteúdo está bastante ultrapassado; II. apresenta várias situações que enfatizam as relações e normas sociais onde aquele que “foge do padrão” preestabelecido sofre imposições e julgamentos; III. é um forte apelo a sensualidade e à liberdade, afinal o que é bonito é para ser mostrado; IV. o ser humano influencia o meio e é por ele influenciado, razão pela qual o texto enfatiza a necessidade de esconder as imperfeições; V. por tratar questões referentes ao ser e estar no mundo, o texto apresenta atemporalidade, é atual e relevante.
Dadas as proposições, marque a correta: 
Alternativas
Respostas
641: E
642: E
643: B
644: C
645: B
646: D
647: E
648: C
649: A
650: A
651: D
652: D
653: A
654: C
655: B
656: A
657: D
658: E
659: B
660: B