Questões de Concurso Para assistente social

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Q4324137 Português
TEXTO I

Q1_10.png (272×121)

A perda da linguagem e a perda da liberdade

Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa


Roberto Motta


    São 5h30 da manhã e eu começo a caminhada pela praia do Rio de Janeiro. Há grupos espalhados pela areia, muita gente. Não são banhistas. Estão se recuperando de uma longa noite. Ao redor deles há uma mancha de lixo: garrafas de todos os tipos, embalagens de alimentos industrializados e restos de comida. E o odor de maconha. Caixas de som estão ligadas na potência máxima. As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.

    Essa praia é o meu quintal. Sempre que o mar permite, eu nado. Nos outros dias, eu leio. Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.

    Não tenho uma boa explicação para minha obsessão por leitura. Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio. É uma sensação física. Sempre foi assim. Quando era muito criança, livros já me interessavam. No final da década de 1970, minha mãe me deixava na biblioteca pública de Salvador enquanto ia fazer compras. Não leio em busca de conhecimento ou cultura. Dizer isso seria mentir. Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo. Preciso de variedade. Mas minha obsessão tem outra origem. É uma necessidade orgânica: sou dependente de leitura. Na falta de livros e revistas, leio bulas de remédio, rótulos de embalagens e manuais de instruções. Para alguém como eu, a internet foi um milagre. Nunca mais fiquei sem ter algo para ler. 

    Além de disponibilizar infinito material de leitura, a internet transformou todo mundo em escritor, nem que sejam apenas de comentários em postagens alheias. Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade. É a ideia de que existem muitos “saberes” igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada. O cidadão ocidental confortavelmente instalado em um sistema de bem-estar social que lhe garante a sobrevivência, é alimentado com o equivalente cultural de uma dieta de carboidratos, álcool e maconha. Exatamente como o pessoal da praia do início deste texto. 

    Comentários nas redes sociais expõem a torturante experiência de ter algo a dizer, mas não saber como. A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. Tudo se reduz a “amo” ou “odeio” e a “comunistas” versus “fascistas”. Políticos são classificados como santos ou impostores, submetidos aleatoriamente a ataques virulentos ou a adulação desmedida. A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.

    Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa. Fiz uma postagem com a recomendação do livro Trilogia Cósmica, de C. S. Lewis. Um dos comentários foi feito por alguém que se identificou como Alberto, ex-usuário de tudo. Ele disse: “Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos. Acho que estamos certos porque a realidade é líquida. Preferimos receber o resumo da sua geração”. Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve. 

    Acontece que a linguagem é a ferramenta do raciocínio. Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos. Até que esses pensamentos sejam articulados, eles não existem de forma consciente. Bom senso e clareza de raciocínio não são privilégio de pessoas instruídas, isso é evidente; existem pessoas simples que conduzem suas vidas com padrões morais elevados e acumulam conquistas pessoais maiores do que as de muitos “intelectuais”. Entretanto, na maioria dos casos – e exceto por um esforço extraordinário – a falta de um vocabulário leva a um embotamento da sensibilidade e do raciocínio, assim como a falta de treinamento leva à atrofia muscular. O universo fica reduzido a um estreito conjunto de experiências mundanas, quase sempre primitivas, quase sempre envolvendo as partes inferiores do corpo. O resultado é um vazio experiencial – um mal tornado ainda mais terrível porque o portador da aflição não consegue nomear a enfermidade. O primeiro impulso é preencher o vazio com barulho, porque o silêncio é insuportável para uma mente que não tem como pensar. Por isso, a onipresença de equipamentos sonoros em todos os lugares e momentos. 

    É impossível encontrar, na minha cidade, uma praia livre de caixas de som, ou uma clínica cujos pacientes, nas salas de espera, não sejam tutelados – não sei se essa é a melhor palavra – por aparelhos de televisão permanentemente ligados. A forma mais popular de anestesia, claro, é o celular: não há desespero existencial que resista a uma sequência de reels. Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas, do neomarxismo woke ao ambientalismo xiita, dos métodos infalíveis para enriquecer com criptomoedas ao extremismo religioso. Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões. O lixo criado pelo homem é consumido pelo homem como se fosse o caminho da verdade.

    Permitam-me sugerir a redescoberta da linguagem, por meio da leitura, como remédio. Mas o caminho da libertação não passa apenas por livros – ele exige bons livros. Como disse o filósofo Arthur Schopenhauer: “A arte de não ler é uma arte muito importante. Ela consiste em não se interessar por aquilo que, em determinado momento, esteja ocupando a atenção do público em geral. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler livros ruins: pois a vida é curta”.


Fonte: MOTTA, Roberto. A perda da linguagem e a perda da liberdade. https://revistaoeste.com/revista/edicao-305/a-perda-da-linguagem-e-a-perda-da-liberdade/ 
Leia cada afirmação abaixo sobre termos componentes das respectivas orações e períodos antes de julgar o que se pede.

I. Em “Há grupos espalhados pela areia, muita gente.” (1º par.), o verbo destacado poderia ser devidamente substituído por “Têm” a fim de manter a correção gramatical de concordância e o valor semântico do contexto.
II. Em “Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo.” (3º par.), há em destaque a presença de um objeto direto preposicionado.
III. Em “É a ideia de que existem muitos ‘saberes’ igualmente importantes...” (4º par.), nota-se em destaque um complemento verbal de “existem”, exigindo concordância verbal obrigatória.
IV. Em “Ele disse: ‘Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos’.” (6º par.), nota-se uma transgressão normativa de natureza de regência verbal.

Pode-se dizer que está correto o que se afirmou somente em:
Alternativas
Q4324136 Português
TEXTO I

Q1_10.png (272×121)

A perda da linguagem e a perda da liberdade

Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa


Roberto Motta


    São 5h30 da manhã e eu começo a caminhada pela praia do Rio de Janeiro. Há grupos espalhados pela areia, muita gente. Não são banhistas. Estão se recuperando de uma longa noite. Ao redor deles há uma mancha de lixo: garrafas de todos os tipos, embalagens de alimentos industrializados e restos de comida. E o odor de maconha. Caixas de som estão ligadas na potência máxima. As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.

    Essa praia é o meu quintal. Sempre que o mar permite, eu nado. Nos outros dias, eu leio. Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.

    Não tenho uma boa explicação para minha obsessão por leitura. Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio. É uma sensação física. Sempre foi assim. Quando era muito criança, livros já me interessavam. No final da década de 1970, minha mãe me deixava na biblioteca pública de Salvador enquanto ia fazer compras. Não leio em busca de conhecimento ou cultura. Dizer isso seria mentir. Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo. Preciso de variedade. Mas minha obsessão tem outra origem. É uma necessidade orgânica: sou dependente de leitura. Na falta de livros e revistas, leio bulas de remédio, rótulos de embalagens e manuais de instruções. Para alguém como eu, a internet foi um milagre. Nunca mais fiquei sem ter algo para ler. 

    Além de disponibilizar infinito material de leitura, a internet transformou todo mundo em escritor, nem que sejam apenas de comentários em postagens alheias. Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade. É a ideia de que existem muitos “saberes” igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada. O cidadão ocidental confortavelmente instalado em um sistema de bem-estar social que lhe garante a sobrevivência, é alimentado com o equivalente cultural de uma dieta de carboidratos, álcool e maconha. Exatamente como o pessoal da praia do início deste texto. 

    Comentários nas redes sociais expõem a torturante experiência de ter algo a dizer, mas não saber como. A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. Tudo se reduz a “amo” ou “odeio” e a “comunistas” versus “fascistas”. Políticos são classificados como santos ou impostores, submetidos aleatoriamente a ataques virulentos ou a adulação desmedida. A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.

    Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa. Fiz uma postagem com a recomendação do livro Trilogia Cósmica, de C. S. Lewis. Um dos comentários foi feito por alguém que se identificou como Alberto, ex-usuário de tudo. Ele disse: “Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos. Acho que estamos certos porque a realidade é líquida. Preferimos receber o resumo da sua geração”. Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve. 

    Acontece que a linguagem é a ferramenta do raciocínio. Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos. Até que esses pensamentos sejam articulados, eles não existem de forma consciente. Bom senso e clareza de raciocínio não são privilégio de pessoas instruídas, isso é evidente; existem pessoas simples que conduzem suas vidas com padrões morais elevados e acumulam conquistas pessoais maiores do que as de muitos “intelectuais”. Entretanto, na maioria dos casos – e exceto por um esforço extraordinário – a falta de um vocabulário leva a um embotamento da sensibilidade e do raciocínio, assim como a falta de treinamento leva à atrofia muscular. O universo fica reduzido a um estreito conjunto de experiências mundanas, quase sempre primitivas, quase sempre envolvendo as partes inferiores do corpo. O resultado é um vazio experiencial – um mal tornado ainda mais terrível porque o portador da aflição não consegue nomear a enfermidade. O primeiro impulso é preencher o vazio com barulho, porque o silêncio é insuportável para uma mente que não tem como pensar. Por isso, a onipresença de equipamentos sonoros em todos os lugares e momentos. 

    É impossível encontrar, na minha cidade, uma praia livre de caixas de som, ou uma clínica cujos pacientes, nas salas de espera, não sejam tutelados – não sei se essa é a melhor palavra – por aparelhos de televisão permanentemente ligados. A forma mais popular de anestesia, claro, é o celular: não há desespero existencial que resista a uma sequência de reels. Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas, do neomarxismo woke ao ambientalismo xiita, dos métodos infalíveis para enriquecer com criptomoedas ao extremismo religioso. Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões. O lixo criado pelo homem é consumido pelo homem como se fosse o caminho da verdade.

    Permitam-me sugerir a redescoberta da linguagem, por meio da leitura, como remédio. Mas o caminho da libertação não passa apenas por livros – ele exige bons livros. Como disse o filósofo Arthur Schopenhauer: “A arte de não ler é uma arte muito importante. Ela consiste em não se interessar por aquilo que, em determinado momento, esteja ocupando a atenção do público em geral. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler livros ruins: pois a vida é curta”.


Fonte: MOTTA, Roberto. A perda da linguagem e a perda da liberdade. https://revistaoeste.com/revista/edicao-305/a-perda-da-linguagem-e-a-perda-da-liberdade/ 
Assinale a alternativa cuja oração em destaque esteja devidamente classificada na sequência do fragmento.
Alternativas
Q4324135 Português
TEXTO I

Q1_10.png (272×121)

A perda da linguagem e a perda da liberdade

Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa


Roberto Motta


    São 5h30 da manhã e eu começo a caminhada pela praia do Rio de Janeiro. Há grupos espalhados pela areia, muita gente. Não são banhistas. Estão se recuperando de uma longa noite. Ao redor deles há uma mancha de lixo: garrafas de todos os tipos, embalagens de alimentos industrializados e restos de comida. E o odor de maconha. Caixas de som estão ligadas na potência máxima. As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.

    Essa praia é o meu quintal. Sempre que o mar permite, eu nado. Nos outros dias, eu leio. Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.

    Não tenho uma boa explicação para minha obsessão por leitura. Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio. É uma sensação física. Sempre foi assim. Quando era muito criança, livros já me interessavam. No final da década de 1970, minha mãe me deixava na biblioteca pública de Salvador enquanto ia fazer compras. Não leio em busca de conhecimento ou cultura. Dizer isso seria mentir. Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo. Preciso de variedade. Mas minha obsessão tem outra origem. É uma necessidade orgânica: sou dependente de leitura. Na falta de livros e revistas, leio bulas de remédio, rótulos de embalagens e manuais de instruções. Para alguém como eu, a internet foi um milagre. Nunca mais fiquei sem ter algo para ler. 

    Além de disponibilizar infinito material de leitura, a internet transformou todo mundo em escritor, nem que sejam apenas de comentários em postagens alheias. Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade. É a ideia de que existem muitos “saberes” igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada. O cidadão ocidental confortavelmente instalado em um sistema de bem-estar social que lhe garante a sobrevivência, é alimentado com o equivalente cultural de uma dieta de carboidratos, álcool e maconha. Exatamente como o pessoal da praia do início deste texto. 

    Comentários nas redes sociais expõem a torturante experiência de ter algo a dizer, mas não saber como. A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. Tudo se reduz a “amo” ou “odeio” e a “comunistas” versus “fascistas”. Políticos são classificados como santos ou impostores, submetidos aleatoriamente a ataques virulentos ou a adulação desmedida. A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.

    Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa. Fiz uma postagem com a recomendação do livro Trilogia Cósmica, de C. S. Lewis. Um dos comentários foi feito por alguém que se identificou como Alberto, ex-usuário de tudo. Ele disse: “Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos. Acho que estamos certos porque a realidade é líquida. Preferimos receber o resumo da sua geração”. Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve. 

    Acontece que a linguagem é a ferramenta do raciocínio. Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos. Até que esses pensamentos sejam articulados, eles não existem de forma consciente. Bom senso e clareza de raciocínio não são privilégio de pessoas instruídas, isso é evidente; existem pessoas simples que conduzem suas vidas com padrões morais elevados e acumulam conquistas pessoais maiores do que as de muitos “intelectuais”. Entretanto, na maioria dos casos – e exceto por um esforço extraordinário – a falta de um vocabulário leva a um embotamento da sensibilidade e do raciocínio, assim como a falta de treinamento leva à atrofia muscular. O universo fica reduzido a um estreito conjunto de experiências mundanas, quase sempre primitivas, quase sempre envolvendo as partes inferiores do corpo. O resultado é um vazio experiencial – um mal tornado ainda mais terrível porque o portador da aflição não consegue nomear a enfermidade. O primeiro impulso é preencher o vazio com barulho, porque o silêncio é insuportável para uma mente que não tem como pensar. Por isso, a onipresença de equipamentos sonoros em todos os lugares e momentos. 

    É impossível encontrar, na minha cidade, uma praia livre de caixas de som, ou uma clínica cujos pacientes, nas salas de espera, não sejam tutelados – não sei se essa é a melhor palavra – por aparelhos de televisão permanentemente ligados. A forma mais popular de anestesia, claro, é o celular: não há desespero existencial que resista a uma sequência de reels. Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas, do neomarxismo woke ao ambientalismo xiita, dos métodos infalíveis para enriquecer com criptomoedas ao extremismo religioso. Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões. O lixo criado pelo homem é consumido pelo homem como se fosse o caminho da verdade.

    Permitam-me sugerir a redescoberta da linguagem, por meio da leitura, como remédio. Mas o caminho da libertação não passa apenas por livros – ele exige bons livros. Como disse o filósofo Arthur Schopenhauer: “A arte de não ler é uma arte muito importante. Ela consiste em não se interessar por aquilo que, em determinado momento, esteja ocupando a atenção do público em geral. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler livros ruins: pois a vida é curta”.


Fonte: MOTTA, Roberto. A perda da linguagem e a perda da liberdade. https://revistaoeste.com/revista/edicao-305/a-perda-da-linguagem-e-a-perda-da-liberdade/ 
Sobre as regras de acentuação gráfica, assinale a alternativa cuja afirmação se encontre incorreta.
Alternativas
Q4324134 Português
TEXTO I

Q1_10.png (272×121)

A perda da linguagem e a perda da liberdade

Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa


Roberto Motta


    São 5h30 da manhã e eu começo a caminhada pela praia do Rio de Janeiro. Há grupos espalhados pela areia, muita gente. Não são banhistas. Estão se recuperando de uma longa noite. Ao redor deles há uma mancha de lixo: garrafas de todos os tipos, embalagens de alimentos industrializados e restos de comida. E o odor de maconha. Caixas de som estão ligadas na potência máxima. As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.

    Essa praia é o meu quintal. Sempre que o mar permite, eu nado. Nos outros dias, eu leio. Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.

    Não tenho uma boa explicação para minha obsessão por leitura. Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio. É uma sensação física. Sempre foi assim. Quando era muito criança, livros já me interessavam. No final da década de 1970, minha mãe me deixava na biblioteca pública de Salvador enquanto ia fazer compras. Não leio em busca de conhecimento ou cultura. Dizer isso seria mentir. Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo. Preciso de variedade. Mas minha obsessão tem outra origem. É uma necessidade orgânica: sou dependente de leitura. Na falta de livros e revistas, leio bulas de remédio, rótulos de embalagens e manuais de instruções. Para alguém como eu, a internet foi um milagre. Nunca mais fiquei sem ter algo para ler. 

    Além de disponibilizar infinito material de leitura, a internet transformou todo mundo em escritor, nem que sejam apenas de comentários em postagens alheias. Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade. É a ideia de que existem muitos “saberes” igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada. O cidadão ocidental confortavelmente instalado em um sistema de bem-estar social que lhe garante a sobrevivência, é alimentado com o equivalente cultural de uma dieta de carboidratos, álcool e maconha. Exatamente como o pessoal da praia do início deste texto. 

    Comentários nas redes sociais expõem a torturante experiência de ter algo a dizer, mas não saber como. A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. Tudo se reduz a “amo” ou “odeio” e a “comunistas” versus “fascistas”. Políticos são classificados como santos ou impostores, submetidos aleatoriamente a ataques virulentos ou a adulação desmedida. A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.

    Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa. Fiz uma postagem com a recomendação do livro Trilogia Cósmica, de C. S. Lewis. Um dos comentários foi feito por alguém que se identificou como Alberto, ex-usuário de tudo. Ele disse: “Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos. Acho que estamos certos porque a realidade é líquida. Preferimos receber o resumo da sua geração”. Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve. 

    Acontece que a linguagem é a ferramenta do raciocínio. Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos. Até que esses pensamentos sejam articulados, eles não existem de forma consciente. Bom senso e clareza de raciocínio não são privilégio de pessoas instruídas, isso é evidente; existem pessoas simples que conduzem suas vidas com padrões morais elevados e acumulam conquistas pessoais maiores do que as de muitos “intelectuais”. Entretanto, na maioria dos casos – e exceto por um esforço extraordinário – a falta de um vocabulário leva a um embotamento da sensibilidade e do raciocínio, assim como a falta de treinamento leva à atrofia muscular. O universo fica reduzido a um estreito conjunto de experiências mundanas, quase sempre primitivas, quase sempre envolvendo as partes inferiores do corpo. O resultado é um vazio experiencial – um mal tornado ainda mais terrível porque o portador da aflição não consegue nomear a enfermidade. O primeiro impulso é preencher o vazio com barulho, porque o silêncio é insuportável para uma mente que não tem como pensar. Por isso, a onipresença de equipamentos sonoros em todos os lugares e momentos. 

    É impossível encontrar, na minha cidade, uma praia livre de caixas de som, ou uma clínica cujos pacientes, nas salas de espera, não sejam tutelados – não sei se essa é a melhor palavra – por aparelhos de televisão permanentemente ligados. A forma mais popular de anestesia, claro, é o celular: não há desespero existencial que resista a uma sequência de reels. Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas, do neomarxismo woke ao ambientalismo xiita, dos métodos infalíveis para enriquecer com criptomoedas ao extremismo religioso. Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões. O lixo criado pelo homem é consumido pelo homem como se fosse o caminho da verdade.

    Permitam-me sugerir a redescoberta da linguagem, por meio da leitura, como remédio. Mas o caminho da libertação não passa apenas por livros – ele exige bons livros. Como disse o filósofo Arthur Schopenhauer: “A arte de não ler é uma arte muito importante. Ela consiste em não se interessar por aquilo que, em determinado momento, esteja ocupando a atenção do público em geral. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler livros ruins: pois a vida é curta”.


Fonte: MOTTA, Roberto. A perda da linguagem e a perda da liberdade. https://revistaoeste.com/revista/edicao-305/a-perda-da-linguagem-e-a-perda-da-liberdade/ 
Veja cada afirmação abaixo antes de julgar o que se pede.

( ) Em “Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público.” (9º par.) – a presença do pronome oblíquo átono em destaque condiciona a regência do verbo seguinte em relação à necessidade de uso da preposição “de”.
( ) Em “Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas...” (8º par.), a preposição em destaque tem seu uso justificado por uma caso de regência nominal.
( ) Em “Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos.” (7º par.), os elementos coesivos em destaque possuem papel morfossintático análogo.
( ) Em “Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa.” (6º par.), os vocábulos em destaque pertencem à mesma classe morfológica.
( ) Em “A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares...” (5º par.), o vocábulo em destaque expressa valor semântico de quantidade em relação ao nome que modifica.

Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, tem-se pela ordem a seguinte sequência:
Alternativas
Q4324133 Português
TEXTO I

Q1_10.png (272×121)

A perda da linguagem e a perda da liberdade

Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa


Roberto Motta


    São 5h30 da manhã e eu começo a caminhada pela praia do Rio de Janeiro. Há grupos espalhados pela areia, muita gente. Não são banhistas. Estão se recuperando de uma longa noite. Ao redor deles há uma mancha de lixo: garrafas de todos os tipos, embalagens de alimentos industrializados e restos de comida. E o odor de maconha. Caixas de som estão ligadas na potência máxima. As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.

    Essa praia é o meu quintal. Sempre que o mar permite, eu nado. Nos outros dias, eu leio. Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.

    Não tenho uma boa explicação para minha obsessão por leitura. Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio. É uma sensação física. Sempre foi assim. Quando era muito criança, livros já me interessavam. No final da década de 1970, minha mãe me deixava na biblioteca pública de Salvador enquanto ia fazer compras. Não leio em busca de conhecimento ou cultura. Dizer isso seria mentir. Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo. Preciso de variedade. Mas minha obsessão tem outra origem. É uma necessidade orgânica: sou dependente de leitura. Na falta de livros e revistas, leio bulas de remédio, rótulos de embalagens e manuais de instruções. Para alguém como eu, a internet foi um milagre. Nunca mais fiquei sem ter algo para ler. 

    Além de disponibilizar infinito material de leitura, a internet transformou todo mundo em escritor, nem que sejam apenas de comentários em postagens alheias. Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade. É a ideia de que existem muitos “saberes” igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada. O cidadão ocidental confortavelmente instalado em um sistema de bem-estar social que lhe garante a sobrevivência, é alimentado com o equivalente cultural de uma dieta de carboidratos, álcool e maconha. Exatamente como o pessoal da praia do início deste texto. 

    Comentários nas redes sociais expõem a torturante experiência de ter algo a dizer, mas não saber como. A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. Tudo se reduz a “amo” ou “odeio” e a “comunistas” versus “fascistas”. Políticos são classificados como santos ou impostores, submetidos aleatoriamente a ataques virulentos ou a adulação desmedida. A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.

    Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa. Fiz uma postagem com a recomendação do livro Trilogia Cósmica, de C. S. Lewis. Um dos comentários foi feito por alguém que se identificou como Alberto, ex-usuário de tudo. Ele disse: “Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos. Acho que estamos certos porque a realidade é líquida. Preferimos receber o resumo da sua geração”. Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve. 

    Acontece que a linguagem é a ferramenta do raciocínio. Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos. Até que esses pensamentos sejam articulados, eles não existem de forma consciente. Bom senso e clareza de raciocínio não são privilégio de pessoas instruídas, isso é evidente; existem pessoas simples que conduzem suas vidas com padrões morais elevados e acumulam conquistas pessoais maiores do que as de muitos “intelectuais”. Entretanto, na maioria dos casos – e exceto por um esforço extraordinário – a falta de um vocabulário leva a um embotamento da sensibilidade e do raciocínio, assim como a falta de treinamento leva à atrofia muscular. O universo fica reduzido a um estreito conjunto de experiências mundanas, quase sempre primitivas, quase sempre envolvendo as partes inferiores do corpo. O resultado é um vazio experiencial – um mal tornado ainda mais terrível porque o portador da aflição não consegue nomear a enfermidade. O primeiro impulso é preencher o vazio com barulho, porque o silêncio é insuportável para uma mente que não tem como pensar. Por isso, a onipresença de equipamentos sonoros em todos os lugares e momentos. 

    É impossível encontrar, na minha cidade, uma praia livre de caixas de som, ou uma clínica cujos pacientes, nas salas de espera, não sejam tutelados – não sei se essa é a melhor palavra – por aparelhos de televisão permanentemente ligados. A forma mais popular de anestesia, claro, é o celular: não há desespero existencial que resista a uma sequência de reels. Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas, do neomarxismo woke ao ambientalismo xiita, dos métodos infalíveis para enriquecer com criptomoedas ao extremismo religioso. Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões. O lixo criado pelo homem é consumido pelo homem como se fosse o caminho da verdade.

    Permitam-me sugerir a redescoberta da linguagem, por meio da leitura, como remédio. Mas o caminho da libertação não passa apenas por livros – ele exige bons livros. Como disse o filósofo Arthur Schopenhauer: “A arte de não ler é uma arte muito importante. Ela consiste em não se interessar por aquilo que, em determinado momento, esteja ocupando a atenção do público em geral. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler livros ruins: pois a vida é curta”.


Fonte: MOTTA, Roberto. A perda da linguagem e a perda da liberdade. https://revistaoeste.com/revista/edicao-305/a-perda-da-linguagem-e-a-perda-da-liberdade/ 
Sobre os elementos linguísticos componentes do texto I, avalie as afirmações a seguir antes de julgar o que se pede.

I. Os vocábulos “perda” e “uso” se mostram como substantivos abstratos primitivos que dão origem aos seus respectivos verbos derivados: “perder” e “usar”.
II. Em “Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio.” (3º par.), o pronome oblíquo tônico se encontra na posição proclítica, mas não de forma obrigatória.
III. Em “Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade.” (4º par.), o vocábulo destacado sofreu o processo de derivação parassintética quanto à inserção de prefixo e sufixo junto ao radical.
IV. Em “É a ideia de que existem muitos ‘saberes’ igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada.” (4º par.), a expressão destacada poderia ser coesivamente substituída por “destes” a fim de manter a correção e o sentido do contexto.

Pode-se afirmar que se encontra correto o que foi afirmado somente em:
Alternativas
Q4324132 Português
TEXTO I

Q1_10.png (272×121)

A perda da linguagem e a perda da liberdade

Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa


Roberto Motta


    São 5h30 da manhã e eu começo a caminhada pela praia do Rio de Janeiro. Há grupos espalhados pela areia, muita gente. Não são banhistas. Estão se recuperando de uma longa noite. Ao redor deles há uma mancha de lixo: garrafas de todos os tipos, embalagens de alimentos industrializados e restos de comida. E o odor de maconha. Caixas de som estão ligadas na potência máxima. As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.

    Essa praia é o meu quintal. Sempre que o mar permite, eu nado. Nos outros dias, eu leio. Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.

    Não tenho uma boa explicação para minha obsessão por leitura. Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio. É uma sensação física. Sempre foi assim. Quando era muito criança, livros já me interessavam. No final da década de 1970, minha mãe me deixava na biblioteca pública de Salvador enquanto ia fazer compras. Não leio em busca de conhecimento ou cultura. Dizer isso seria mentir. Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo. Preciso de variedade. Mas minha obsessão tem outra origem. É uma necessidade orgânica: sou dependente de leitura. Na falta de livros e revistas, leio bulas de remédio, rótulos de embalagens e manuais de instruções. Para alguém como eu, a internet foi um milagre. Nunca mais fiquei sem ter algo para ler. 

    Além de disponibilizar infinito material de leitura, a internet transformou todo mundo em escritor, nem que sejam apenas de comentários em postagens alheias. Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade. É a ideia de que existem muitos “saberes” igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada. O cidadão ocidental confortavelmente instalado em um sistema de bem-estar social que lhe garante a sobrevivência, é alimentado com o equivalente cultural de uma dieta de carboidratos, álcool e maconha. Exatamente como o pessoal da praia do início deste texto. 

    Comentários nas redes sociais expõem a torturante experiência de ter algo a dizer, mas não saber como. A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. Tudo se reduz a “amo” ou “odeio” e a “comunistas” versus “fascistas”. Políticos são classificados como santos ou impostores, submetidos aleatoriamente a ataques virulentos ou a adulação desmedida. A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.

    Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa. Fiz uma postagem com a recomendação do livro Trilogia Cósmica, de C. S. Lewis. Um dos comentários foi feito por alguém que se identificou como Alberto, ex-usuário de tudo. Ele disse: “Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos. Acho que estamos certos porque a realidade é líquida. Preferimos receber o resumo da sua geração”. Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve. 

    Acontece que a linguagem é a ferramenta do raciocínio. Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos. Até que esses pensamentos sejam articulados, eles não existem de forma consciente. Bom senso e clareza de raciocínio não são privilégio de pessoas instruídas, isso é evidente; existem pessoas simples que conduzem suas vidas com padrões morais elevados e acumulam conquistas pessoais maiores do que as de muitos “intelectuais”. Entretanto, na maioria dos casos – e exceto por um esforço extraordinário – a falta de um vocabulário leva a um embotamento da sensibilidade e do raciocínio, assim como a falta de treinamento leva à atrofia muscular. O universo fica reduzido a um estreito conjunto de experiências mundanas, quase sempre primitivas, quase sempre envolvendo as partes inferiores do corpo. O resultado é um vazio experiencial – um mal tornado ainda mais terrível porque o portador da aflição não consegue nomear a enfermidade. O primeiro impulso é preencher o vazio com barulho, porque o silêncio é insuportável para uma mente que não tem como pensar. Por isso, a onipresença de equipamentos sonoros em todos os lugares e momentos. 

    É impossível encontrar, na minha cidade, uma praia livre de caixas de som, ou uma clínica cujos pacientes, nas salas de espera, não sejam tutelados – não sei se essa é a melhor palavra – por aparelhos de televisão permanentemente ligados. A forma mais popular de anestesia, claro, é o celular: não há desespero existencial que resista a uma sequência de reels. Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas, do neomarxismo woke ao ambientalismo xiita, dos métodos infalíveis para enriquecer com criptomoedas ao extremismo religioso. Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões. O lixo criado pelo homem é consumido pelo homem como se fosse o caminho da verdade.

    Permitam-me sugerir a redescoberta da linguagem, por meio da leitura, como remédio. Mas o caminho da libertação não passa apenas por livros – ele exige bons livros. Como disse o filósofo Arthur Schopenhauer: “A arte de não ler é uma arte muito importante. Ela consiste em não se interessar por aquilo que, em determinado momento, esteja ocupando a atenção do público em geral. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler livros ruins: pois a vida é curta”.


Fonte: MOTTA, Roberto. A perda da linguagem e a perda da liberdade. https://revistaoeste.com/revista/edicao-305/a-perda-da-linguagem-e-a-perda-da-liberdade/ 
“As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.”. Progressão textual é um conceito que abrange a continuidade de ideias em torno de uma temática desenvolvida. Colaboram com a efetividade desse conceito mecanismos linguísticos como elementos diversos em torno da Coesão a fim de se edificar a Coerência na macroestrutura. Assim sendo, assinale a alternativa cuja passagem retirada do texto I não se refira contextual e argumentativamente à mesma linha crítica na continuidade de sua elaboração.
Alternativas
Q4324131 Português
TEXTO I

Q1_10.png (272×121)

A perda da linguagem e a perda da liberdade

Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa


Roberto Motta


    São 5h30 da manhã e eu começo a caminhada pela praia do Rio de Janeiro. Há grupos espalhados pela areia, muita gente. Não são banhistas. Estão se recuperando de uma longa noite. Ao redor deles há uma mancha de lixo: garrafas de todos os tipos, embalagens de alimentos industrializados e restos de comida. E o odor de maconha. Caixas de som estão ligadas na potência máxima. As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.

    Essa praia é o meu quintal. Sempre que o mar permite, eu nado. Nos outros dias, eu leio. Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.

    Não tenho uma boa explicação para minha obsessão por leitura. Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio. É uma sensação física. Sempre foi assim. Quando era muito criança, livros já me interessavam. No final da década de 1970, minha mãe me deixava na biblioteca pública de Salvador enquanto ia fazer compras. Não leio em busca de conhecimento ou cultura. Dizer isso seria mentir. Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo. Preciso de variedade. Mas minha obsessão tem outra origem. É uma necessidade orgânica: sou dependente de leitura. Na falta de livros e revistas, leio bulas de remédio, rótulos de embalagens e manuais de instruções. Para alguém como eu, a internet foi um milagre. Nunca mais fiquei sem ter algo para ler. 

    Além de disponibilizar infinito material de leitura, a internet transformou todo mundo em escritor, nem que sejam apenas de comentários em postagens alheias. Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade. É a ideia de que existem muitos “saberes” igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada. O cidadão ocidental confortavelmente instalado em um sistema de bem-estar social que lhe garante a sobrevivência, é alimentado com o equivalente cultural de uma dieta de carboidratos, álcool e maconha. Exatamente como o pessoal da praia do início deste texto. 

    Comentários nas redes sociais expõem a torturante experiência de ter algo a dizer, mas não saber como. A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. Tudo se reduz a “amo” ou “odeio” e a “comunistas” versus “fascistas”. Políticos são classificados como santos ou impostores, submetidos aleatoriamente a ataques virulentos ou a adulação desmedida. A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.

    Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa. Fiz uma postagem com a recomendação do livro Trilogia Cósmica, de C. S. Lewis. Um dos comentários foi feito por alguém que se identificou como Alberto, ex-usuário de tudo. Ele disse: “Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos. Acho que estamos certos porque a realidade é líquida. Preferimos receber o resumo da sua geração”. Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve. 

    Acontece que a linguagem é a ferramenta do raciocínio. Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos. Até que esses pensamentos sejam articulados, eles não existem de forma consciente. Bom senso e clareza de raciocínio não são privilégio de pessoas instruídas, isso é evidente; existem pessoas simples que conduzem suas vidas com padrões morais elevados e acumulam conquistas pessoais maiores do que as de muitos “intelectuais”. Entretanto, na maioria dos casos – e exceto por um esforço extraordinário – a falta de um vocabulário leva a um embotamento da sensibilidade e do raciocínio, assim como a falta de treinamento leva à atrofia muscular. O universo fica reduzido a um estreito conjunto de experiências mundanas, quase sempre primitivas, quase sempre envolvendo as partes inferiores do corpo. O resultado é um vazio experiencial – um mal tornado ainda mais terrível porque o portador da aflição não consegue nomear a enfermidade. O primeiro impulso é preencher o vazio com barulho, porque o silêncio é insuportável para uma mente que não tem como pensar. Por isso, a onipresença de equipamentos sonoros em todos os lugares e momentos. 

    É impossível encontrar, na minha cidade, uma praia livre de caixas de som, ou uma clínica cujos pacientes, nas salas de espera, não sejam tutelados – não sei se essa é a melhor palavra – por aparelhos de televisão permanentemente ligados. A forma mais popular de anestesia, claro, é o celular: não há desespero existencial que resista a uma sequência de reels. Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas, do neomarxismo woke ao ambientalismo xiita, dos métodos infalíveis para enriquecer com criptomoedas ao extremismo religioso. Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões. O lixo criado pelo homem é consumido pelo homem como se fosse o caminho da verdade.

    Permitam-me sugerir a redescoberta da linguagem, por meio da leitura, como remédio. Mas o caminho da libertação não passa apenas por livros – ele exige bons livros. Como disse o filósofo Arthur Schopenhauer: “A arte de não ler é uma arte muito importante. Ela consiste em não se interessar por aquilo que, em determinado momento, esteja ocupando a atenção do público em geral. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler livros ruins: pois a vida é curta”.


Fonte: MOTTA, Roberto. A perda da linguagem e a perda da liberdade. https://revistaoeste.com/revista/edicao-305/a-perda-da-linguagem-e-a-perda-da-liberdade/ 
Analise cada afirmação abaixo sobre o texto I antes de julgar o que se pede.

( ) Em “Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.” (1º par.), a descrição inicial feita pelo cronista representa que a crítica objetiva do cenário testemunhado por ele se estende para um período ulterior de existência daquele público juvenil.
( ) Em “Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.” (2º par.), nota-se a intencionalidade autoral restritamente ligada à crítica feita em relação à delinquência juvenil. 
( ) Em “A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. [...] A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.” (5º par.), infere-se que, para o autor, o domínio linguístico se relaciona com o desenvolvimento social no que tange à civilidade necessária para o indivíduo julgara si próprio e o meio circundante.
( ) Em “Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve.” (6º par.), o autor expõe como a articulação do pensamento prescinde de domínio linguístico.
( ) Em “Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões.” (8º par.), o autor expõe quão profícuo se mostra a existência das teorias citadas para a formação do espírito coletivo.

Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se afirmar que, pela ordem, a sequência correta é:
Alternativas
Q4324130 Português
TEXTO I

Q1_10.png (272×121)

A perda da linguagem e a perda da liberdade

Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa


Roberto Motta


    São 5h30 da manhã e eu começo a caminhada pela praia do Rio de Janeiro. Há grupos espalhados pela areia, muita gente. Não são banhistas. Estão se recuperando de uma longa noite. Ao redor deles há uma mancha de lixo: garrafas de todos os tipos, embalagens de alimentos industrializados e restos de comida. E o odor de maconha. Caixas de som estão ligadas na potência máxima. As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.

    Essa praia é o meu quintal. Sempre que o mar permite, eu nado. Nos outros dias, eu leio. Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.

    Não tenho uma boa explicação para minha obsessão por leitura. Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio. É uma sensação física. Sempre foi assim. Quando era muito criança, livros já me interessavam. No final da década de 1970, minha mãe me deixava na biblioteca pública de Salvador enquanto ia fazer compras. Não leio em busca de conhecimento ou cultura. Dizer isso seria mentir. Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo. Preciso de variedade. Mas minha obsessão tem outra origem. É uma necessidade orgânica: sou dependente de leitura. Na falta de livros e revistas, leio bulas de remédio, rótulos de embalagens e manuais de instruções. Para alguém como eu, a internet foi um milagre. Nunca mais fiquei sem ter algo para ler. 

    Além de disponibilizar infinito material de leitura, a internet transformou todo mundo em escritor, nem que sejam apenas de comentários em postagens alheias. Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade. É a ideia de que existem muitos “saberes” igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada. O cidadão ocidental confortavelmente instalado em um sistema de bem-estar social que lhe garante a sobrevivência, é alimentado com o equivalente cultural de uma dieta de carboidratos, álcool e maconha. Exatamente como o pessoal da praia do início deste texto. 

    Comentários nas redes sociais expõem a torturante experiência de ter algo a dizer, mas não saber como. A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. Tudo se reduz a “amo” ou “odeio” e a “comunistas” versus “fascistas”. Políticos são classificados como santos ou impostores, submetidos aleatoriamente a ataques virulentos ou a adulação desmedida. A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.

    Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa. Fiz uma postagem com a recomendação do livro Trilogia Cósmica, de C. S. Lewis. Um dos comentários foi feito por alguém que se identificou como Alberto, ex-usuário de tudo. Ele disse: “Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos. Acho que estamos certos porque a realidade é líquida. Preferimos receber o resumo da sua geração”. Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve. 

    Acontece que a linguagem é a ferramenta do raciocínio. Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos. Até que esses pensamentos sejam articulados, eles não existem de forma consciente. Bom senso e clareza de raciocínio não são privilégio de pessoas instruídas, isso é evidente; existem pessoas simples que conduzem suas vidas com padrões morais elevados e acumulam conquistas pessoais maiores do que as de muitos “intelectuais”. Entretanto, na maioria dos casos – e exceto por um esforço extraordinário – a falta de um vocabulário leva a um embotamento da sensibilidade e do raciocínio, assim como a falta de treinamento leva à atrofia muscular. O universo fica reduzido a um estreito conjunto de experiências mundanas, quase sempre primitivas, quase sempre envolvendo as partes inferiores do corpo. O resultado é um vazio experiencial – um mal tornado ainda mais terrível porque o portador da aflição não consegue nomear a enfermidade. O primeiro impulso é preencher o vazio com barulho, porque o silêncio é insuportável para uma mente que não tem como pensar. Por isso, a onipresença de equipamentos sonoros em todos os lugares e momentos. 

    É impossível encontrar, na minha cidade, uma praia livre de caixas de som, ou uma clínica cujos pacientes, nas salas de espera, não sejam tutelados – não sei se essa é a melhor palavra – por aparelhos de televisão permanentemente ligados. A forma mais popular de anestesia, claro, é o celular: não há desespero existencial que resista a uma sequência de reels. Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas, do neomarxismo woke ao ambientalismo xiita, dos métodos infalíveis para enriquecer com criptomoedas ao extremismo religioso. Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões. O lixo criado pelo homem é consumido pelo homem como se fosse o caminho da verdade.

    Permitam-me sugerir a redescoberta da linguagem, por meio da leitura, como remédio. Mas o caminho da libertação não passa apenas por livros – ele exige bons livros. Como disse o filósofo Arthur Schopenhauer: “A arte de não ler é uma arte muito importante. Ela consiste em não se interessar por aquilo que, em determinado momento, esteja ocupando a atenção do público em geral. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler livros ruins: pois a vida é curta”.


Fonte: MOTTA, Roberto. A perda da linguagem e a perda da liberdade. https://revistaoeste.com/revista/edicao-305/a-perda-da-linguagem-e-a-perda-da-liberdade/ 
Sobre a elaboração do texto I e a exposição de suas ideias, é correto dizer que se trata de um(a):
Alternativas
Q4324129 Português
TEXTO I

Q1_10.png (272×121)

A perda da linguagem e a perda da liberdade

Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa


Roberto Motta


    São 5h30 da manhã e eu começo a caminhada pela praia do Rio de Janeiro. Há grupos espalhados pela areia, muita gente. Não são banhistas. Estão se recuperando de uma longa noite. Ao redor deles há uma mancha de lixo: garrafas de todos os tipos, embalagens de alimentos industrializados e restos de comida. E o odor de maconha. Caixas de som estão ligadas na potência máxima. As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.

    Essa praia é o meu quintal. Sempre que o mar permite, eu nado. Nos outros dias, eu leio. Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.

    Não tenho uma boa explicação para minha obsessão por leitura. Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio. É uma sensação física. Sempre foi assim. Quando era muito criança, livros já me interessavam. No final da década de 1970, minha mãe me deixava na biblioteca pública de Salvador enquanto ia fazer compras. Não leio em busca de conhecimento ou cultura. Dizer isso seria mentir. Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo. Preciso de variedade. Mas minha obsessão tem outra origem. É uma necessidade orgânica: sou dependente de leitura. Na falta de livros e revistas, leio bulas de remédio, rótulos de embalagens e manuais de instruções. Para alguém como eu, a internet foi um milagre. Nunca mais fiquei sem ter algo para ler. 

    Além de disponibilizar infinito material de leitura, a internet transformou todo mundo em escritor, nem que sejam apenas de comentários em postagens alheias. Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade. É a ideia de que existem muitos “saberes” igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada. O cidadão ocidental confortavelmente instalado em um sistema de bem-estar social que lhe garante a sobrevivência, é alimentado com o equivalente cultural de uma dieta de carboidratos, álcool e maconha. Exatamente como o pessoal da praia do início deste texto. 

    Comentários nas redes sociais expõem a torturante experiência de ter algo a dizer, mas não saber como. A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. Tudo se reduz a “amo” ou “odeio” e a “comunistas” versus “fascistas”. Políticos são classificados como santos ou impostores, submetidos aleatoriamente a ataques virulentos ou a adulação desmedida. A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.

    Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa. Fiz uma postagem com a recomendação do livro Trilogia Cósmica, de C. S. Lewis. Um dos comentários foi feito por alguém que se identificou como Alberto, ex-usuário de tudo. Ele disse: “Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos. Acho que estamos certos porque a realidade é líquida. Preferimos receber o resumo da sua geração”. Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve. 

    Acontece que a linguagem é a ferramenta do raciocínio. Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos. Até que esses pensamentos sejam articulados, eles não existem de forma consciente. Bom senso e clareza de raciocínio não são privilégio de pessoas instruídas, isso é evidente; existem pessoas simples que conduzem suas vidas com padrões morais elevados e acumulam conquistas pessoais maiores do que as de muitos “intelectuais”. Entretanto, na maioria dos casos – e exceto por um esforço extraordinário – a falta de um vocabulário leva a um embotamento da sensibilidade e do raciocínio, assim como a falta de treinamento leva à atrofia muscular. O universo fica reduzido a um estreito conjunto de experiências mundanas, quase sempre primitivas, quase sempre envolvendo as partes inferiores do corpo. O resultado é um vazio experiencial – um mal tornado ainda mais terrível porque o portador da aflição não consegue nomear a enfermidade. O primeiro impulso é preencher o vazio com barulho, porque o silêncio é insuportável para uma mente que não tem como pensar. Por isso, a onipresença de equipamentos sonoros em todos os lugares e momentos. 

    É impossível encontrar, na minha cidade, uma praia livre de caixas de som, ou uma clínica cujos pacientes, nas salas de espera, não sejam tutelados – não sei se essa é a melhor palavra – por aparelhos de televisão permanentemente ligados. A forma mais popular de anestesia, claro, é o celular: não há desespero existencial que resista a uma sequência de reels. Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas, do neomarxismo woke ao ambientalismo xiita, dos métodos infalíveis para enriquecer com criptomoedas ao extremismo religioso. Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões. O lixo criado pelo homem é consumido pelo homem como se fosse o caminho da verdade.

    Permitam-me sugerir a redescoberta da linguagem, por meio da leitura, como remédio. Mas o caminho da libertação não passa apenas por livros – ele exige bons livros. Como disse o filósofo Arthur Schopenhauer: “A arte de não ler é uma arte muito importante. Ela consiste em não se interessar por aquilo que, em determinado momento, esteja ocupando a atenção do público em geral. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler livros ruins: pois a vida é curta”.


Fonte: MOTTA, Roberto. A perda da linguagem e a perda da liberdade. https://revistaoeste.com/revista/edicao-305/a-perda-da-linguagem-e-a-perda-da-liberdade/ 
A partir da leitura do texto I e das ideias defendidas por seu autor, pode-se indicar como constatação correta o que se afirma em:
Alternativas
Q4323123 Serviço Social
A Lei nº 11.340/2006 (Lei nº 11.340/2006) cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher e prevê a atuação articulada de diferentes órgãos públicos, incluindo os serviços da assistência social. Nesse contexto, analise as sentenças abaixo:
I.A violência doméstica e familiar contra a mulher compreende, entre suas formas, a violência patrimonial, entendida como conduta de retenção, subtração ou destruição parcial de seus objetos, bens e recursos econômicos.
II.Entre as medidas integradas de prevenção previstas na lei está a promoção de estudos e pesquisas com perspectiva de gênero e raça, para a sistematização de dados sobre as causas e as consequências da violência doméstica.
III.O atendimento à mulher em situação de violência doméstica compete privativamente aos órgãos de segurança pública, sendo vedada a inclusão da ofendida em programas assistenciais dos entes federados.

É correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q4323122 Serviço Social
A gestão da informação no Sistema Único de Assistência Social (SUAS) apoia-se em sistemas nacionais que registram dados sobre famílias, serviços e unidades. Sobre esses sistemas de informação, julgue as afirmações abaixo como Verdadeiras (V) ou Falsas (F):
(__)O Cadastro Único para Programas Sociais constitui instrumento de identificação e caracterização socioeconômica das famílias de baixa renda, utilizado para a seleção de beneficiários de programas sociais do Governo Federal.
(__)O Censo SUAS consiste em processo de coleta anual de informações sobre as unidades da rede socioassistencial, os conselhos e os órgãos gestores, subsidiando o planejamento e o monitoramento da política.
(__)O Registro Mensal de Atendimentos destina-se ao cálculo do valor dos benefícios eventuais concedidos pelo município, substituindo a escrituração contábil do Fundo Municipal de Assistência Social.

A sequência correta, de cima para baixo, é: 
Alternativas
Q4323121 Serviço Social
A Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, aprovada pela Resolução CNAS nº 109/2009, organiza e padroniza os serviços socioassistenciais ofertados no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), considerando os diferentes níveis de proteção social. Com base nessa organização, analise a afirmativa a seguir e preencha corretamente as lacunas:
Os serviços socioassistenciais são organizados de acordo com os níveis de proteção social, contemplando a Proteção Social __________, que inclui, por exemplo, o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF); a Proteção Social Especial de __________ Complexidade, que compreende, entre outros, o Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI); e a Proteção Social Especial de __________ Complexidade, que inclui serviços como o Acolhimento Institucional.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta para o preenchimento das lacunas:
Alternativas
Q4323120 Serviço Social
A Vigilância Socioassistencial é reconhecida como uma das funções da política de assistência social, ao lado da proteção social e da defesa de direitos. No âmbito municipal, sua estruturação subsidia o planejamento da oferta de serviços e a organização da rede socioassistencial.
Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta corretamente o objeto da Vigilância Socioassistencial no Sistema Único de Assistência Social:
Alternativas
Q4323119 Serviço Social
Leia o estudo de caso a seguir:
Uma senhora de 66 anos procura o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de um município de médio porte relatando que não possui vínculo previdenciário, nunca contribuiu para a Previdência Social e reside com a filha desempregada e dois netos. A renda mensal do grupo familiar é composta por um trabalho informal da filha, resultando em renda per capita inferior a um quarto do salário-mínimo. A assistente social responsável realiza o atendimento e orienta a família quanto ao acesso a um benefício previsto na Lei Orgânica da Assistência Social.

Com base no caso apresentado e na Lei nº 8.742/1993, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4323118 Direito Constitucional
A Constituição Federal de 1988 estruturou a seguridade social como um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinado a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Em seu artigo 194, parágrafo único, a Constituição estabelece os objetivos que devem orientar a organização da seguridade social pelo poder público.
Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta corretamente um dos objetivos da organização da seguridade social previstos no texto constitucional:
Alternativas
Q4323117 Serviço Social
Considerando o Código de Ética Profissional do Assistente Social e a atuação profissional em órgão gestor da política de assistência social, analise as seguintes asserções e a relação proposta entre elas:
I.No exercício de suas atribuições, o assistente social deve preservar o sigilo das informações obtidas em razão de sua atuação profissional, observando as hipóteses previstas no Código de Ética para eventual revelação de informações sigilosas.
PORQUE
II.É direito do assistente social ter acesso às informações institucionais necessárias ao exercício de suas atribuições profissionais, observados os princípios e normas que regulamentam sua atuação.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4323116 Estatuto da Pessoa Idosa - Lei nº 10.741 de 2003
O Estatuto da Pessoa Idosa estabelece um conjunto de direitos destinados a assegurar a proteção integral e a promoção da dignidade da pessoa idosa. Considerando as disposições do art. 2º da Lei nº 10.741/2003, analise o trecho a seguir e preencha corretamente as lacunas:
A pessoa idosa goza de todos os direitos fundamentais inerentes à ______, sem prejuízo da proteção integral assegurada pelo Estatuto, garantindo-se todas as oportunidades e facilidades para a preservação de sua _____ física e mental e para seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de _____ e dignidade.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q4323115 Serviço Social
Leia o estudo de caso a seguir:
Uma assistente social ocupante de cargo efetivo na Secretaria Municipal de Assistência Social é designada para compor equipe responsável pela reformulação do Plano Municipal de Assistência Social. No decorrer dos trabalhos, é solicitada a coordenar a elaboração do documento, a realizar o levantamento de indicadores sociais do território e a emitir parecer técnico sobre a matéria, para subsidiar a deliberação do conselho. A profissional consulta a legislação que regulamenta a profissão para verificar a compatibilidade dessas atividades com suas competências.

Com base no caso apresentado e na Lei nº 8.662/1993, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4323114 Serviço Social
A Política Nacional de Assistência Social (PNAS/2004) estabelece princípios, diretrizes, objetivos e formas de organização da assistência social no Brasil, orientando sua implementação no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Com base nas disposições da PNAS/2004, julgue as afirmativas a seguir como Verdadeiras (V) ou Falsas (F):
(__)A assistência social possui caráter contributivo e sua oferta é condicionada ao pagamento prévio de contribuições pelos usuários.
(__)A PNAS/2004 estabelece que a assistência social deve ser organizada de forma centralizada, concentrando no governo federal a execução dos serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais.
(__)A PNAS/2004 estabelece que a participação da sociedade na formulação e no controle das ações da assistência social ocorre de forma consultiva, sem mecanismos de deliberação ou controle social.

A sequência correta, de cima para para baixo, é:
Alternativas
Q4323113 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência estabelece conceitos que orientam a atuação do poder público na remoção de barreiras e na promoção da acessibilidade, com repercussão direta no planejamento dos serviços públicos municipais.
Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta corretamente o conceito de desenho universal previsto na Lei nº 13.146/2015:
Alternativas
Respostas
881: D
882: A
883: C
884: E
885: B
886: D
887: E
888: A
889: C
890: A
891: D
892: C
893: A
894: A
895: D
896: D
897: C
898: D
899: D
900: C