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Em 2024 o governo brasileiro estuda elevar o teor de etanol na gasolina comercial de 27,5% para 35,0%. Uma atividade experimental que pode ser realizada nas aulas de Química para explorar essa temática, bastante difundida em materiais didáticos de Química, envolve a adição de água a um volume conhecido de gasolina comercial contida numa proveta graduada. Após a agitação da mistura com um bastão de vidro, forma-se uma fase composta por água e etanol na parte inferior da proveta e uma fase contendo gasolina quase sem etanol na parte superior. Pela redução no volume da fase contendo gasolina é possível saber o teor de etanol na gasolina comercial. A figura a seguir ilustra os resultados obtido neste experimento.

Qual é teor de etanol nesta amostra de gasolina comercial e quais conteúdos científicos que os estudantes deveriam mobilizar para compreender o experimento?
Fonte: SJÖSTRÖM, J.; TALANQUER, V. Humanizing Chemistry Education:
From Simple Contextualization to Multifaceted Problematization. Journal of
Chemical Education. 2014, 91, 1125-1131. A figura apresentada pelos autores propõe que no ensino de química:
“[…] o professor deve descobrir o que o aluno já sabe (sua estrutura cognitiva) e ensiná-lo de acordo. Os conhecimentos e as ideias prévias dos alunos podem facilitar ou dificultar a aprendizagem formal de novos corpos de conhecimentos organizados. […] a assimilação de uma nova ideia ocorre a partir da ancoragem da mesma em conhecimentos que o aluno já tem (subsunçores); neste processo a estrutura cognitiva do aprendiz pode ser modificada, uma vez que novos significados são assimilados, modificando os subsunçores que já possuía”.
MARCONDES; PEIXOTO, 2007. In: ZANON; MALDANER, 2007, p.45.
Neste trecho, as autoras apresentam parte da teoria de aprendizagem proposta por:
Fonte: http://phet.colorado.edu Embora essa simulação apresente potencial pedagógico, ela pode induzir o estudante a desenvolver concepções alternativas ao analisar as equações químicas considerando as quantidades de substância (mol) dos reagentes e produtos envolvidos. A partir da análise da figura, quais deveriam ser os ingredientes em excesso mostrados na simulação e qual a concepção alternativa que poderia ser desenvolvida pelo estudante?
“Para Bakhtin, a construção de sentidos é dialógica por natureza. Isso significa que não podemos analisar as enunciações apenas na perspectiva de quem as produz, mas também na perspectiva do(s) interlocutor(es), esteja(m) ele(s) fisicamente presente(s) ou não […] Outra ideia trazida por Bakhtin, fundamental para a compreensão do processo de significação, é a noção de vozes. Para Bakhtin, essa noção não se refere apenas aos sons emitidos na fala, mas envolve um fenômeno muito mais geral das perspectivas dos sujeitos envolvidos e de suas visões de mundo. […] A construção do entendimento está, portanto, relacionada com as muitas formas como duas ou mais vozes entram em contato”.
MACHADO, 1999, p. 58-59.
De acordo com as ideias bakhtinianas apresentadas por Machado (1999), a significação e a construção de sentidos:
Ao tentar planejar uma sequência de ensino sobre o tema “Alimentação saudável”, um professor começou a registrar as ideias que teve espontaneamente, sem se preocupar a princípio com a ordem das etapas que deveria seguir:
1. Exercícios sobre identificação de aminoácidos e carboidratos a partir de suas fórmulas estruturais;
2. Estudos dos conceitos de carboidratos, proteínas e gorduras;
3. Proposição e debate de um problema social ligado aos hábitos alimentares dos brasileiros;
4. Aplicação dos conceitos científicos aprendidos na resolução do problema social proposto;
5. Dois experimentos investigativos, o primeiro tratando da identificação de amido e proteína em alimentos comuns aos brasileiros; e o segundo sobre a determinação da energia produzida na combustão de alimentos;
6. Pesquisa sobre hábitos alimentares dos brasileiros, abordado aspectos culturais, regionais e econômicos.
De que maneira o professor poderia ordenar as etapas propostas para caracterizar mais adequadamente uma abordagem temática?
Maldaner e colaboradores (2012) propõem a organização do currículo escolar para as disciplinas de Ciências da Natureza a partir de “Situações de Estudo” (SE). Segundo os autores,
“A produção de uma SE começa com a identificação de um contexto vivencial que, sendo conceitualmente rico para diversos campos das ciências, demonstre a potencialidade de ser problematizado e tematizado enquanto eixo articulador de aprendizados que permitam significar conteúdos, conceitos e temas escolares.”
MALDANER et al, 2012. In: MALDANER; ZANON, 2012.
Segundo os autores, poderiam constituir exemplos de Situações de Estudo:
Existe uma variedade de possibilidades de enfoques que podem ser dados ao ensino das transformações químicas na educação básica. A este respeito, Machado (1999) considera que:
“Ao resolvermos abordar o tema transformações químicas, por exemplo, podemos optar por incluir determinados aspectos e excluir outros. Ou seja, vamos optar por restringir sentidos ou por propiciar determinados campos de sentido dentro dos quais os alunos poderão compreender o que venha ser uma transformação química. Podemos, por exemplo, classificar as transformações químicas como síntese, análise, dupla troca, simples troca, ou preferir encaminhar a discussão pelo reconhecimento da reação química como uma transformação que envolve a formação de novos materiais e que pode ser ou não acompanhada de evidências, ou ainda compreender as transformações envolvidas quando se faz pão”.
MACHADO, 1999, p. 160.
Segundo a autora, é correto afirmar que o ensino das transformações químicas:
Maldaner (2013), ao refletir sobre algumas concepções docentes, considera que:
“Geralmente, os professores manifestam as suas ideias sobre a matéria, o ensino, a aprendizagem, o aluno, a metodologia de trabalho etc, de uma forma muito simples, próprias do ‘senso comum’, e distantes do que propõem os conhecimentos pedagógicos hoje aceitos pela comunidade científica”.
MALDANER, 2013, p. 63.
Segundo a citação do autor, pode-se considerar um exemplo de pensamento de senso comum docente:
“O problemático na disciplinaridade é que ela se exerce desde um espaço-tempo privilegiado – a modernidade europeia – que, assim, se institui como norma, como referência e fonte de esclarecimento destinada a ordenar tanto o mundo natural como o social. Tudo o mais que possa existir entre o céu e a Terra são “outros”, em geral, tidos com exóticos, incompletos, anormais, deficitários e necessitando de coordenação, controle, correção e suprimento. A contribuição desse tipo de análise para a escolarização, o currículo e a pedagogia é inestimável, uma vez que nos alerta para a necessidade de conceber os campos como territórios de disputa, como arenas sociais em que estão em jogo as próprias identidades. É nesse espaço que se afirmam e se fortalecem as diferenças utilizadas como argumentos lógicos, naturais, que têm funcionado como justificativa para a desigualdade e a exclusão.”
COSTA, Marisa Vorraber. Poder, discurso e política cultural: contribuições dos Estudos Culturais ao campo do currículo. In: LOPES, A. C.; MACEDO, E. (org.). Currículo: debates contemporâneos. São Paulo: Cortez, 2002, p. 142- 143
“[...] a interdisciplinaridade não deve diluir as disciplinas, mas sim manter a individualidade de cada uma ao mesmo tempo que congrega temas relacionados. [...] a contextualização deve ser entendida como a possibilidade de transitar do plano experimental vivenciado pelos alunos para a esfera das abstrações e das construções que regem fenômenos de cada uma das disciplinas.”
CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. Estágios nos Cursos de Licenciatura. São Paulo: CENGAGE, 2012
Tendo em vista que o conteúdo escolar deve ser organizado nas dimensões conceitual, procedimental e atitudinal, qual alternativa representa a respectiva ocorrência dessas três dimensões em relação à interdisciplinaridade e à contextualização?
“É pela educação que se busca, socialmente, formar trabalhadores com as altas habilidades e a capacidade de inovação entendidas como essenciais para sustentar os modelos tecnológicos de produção vigentes. Argumenta-se, nesse contexto, que há necessidade da formação em habilidades e competências mais complexas, supostamente garantidas por uma educação que interrelacione as disciplinas escolares.”
LOPES, Alice C. Políticas de integração curricular. Rio de Janeiro: Editora UERJ, 2008, p. 20