Foram encontradas 50.188 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q4036705 Enfermagem
O acompanhamento do Crescimento e Desenvolvimento (CD) na puericultura utiliza a Caderneta de Saúde da Criança para monitorar marcos importantes. O desenvolvimento neuropsicomotor segue um sentido céfalo-caudal e próximo-distal. Ao avaliar uma criança de 6 meses de idade durante a consulta de enfermagem, quais marcos do desenvolvimento são esperados para esta faixa etária, considerando os parâmetros do Ministério da Saúde?
Alternativas
Q4036704 Enfermagem
A prevenção de Lesões por Pressão (LPP) é um indicador de qualidade da assistência de enfermagem e envolve medidas de redução de carga mecânica e cuidados com a pele. A escala de Braden é amplamente utilizada para predizer o risco de desenvolvimento dessas lesões. Sobre as medidas de prevenção e estadiamento de LPP, analise as afirmativas a seguir e assinale V para as verdadeiras e F para as falsas.
(__)A mudança de decúbito deve ser realizada a cada 2 horas em pacientes acamados, podendo esse intervalo ser ampliado se o paciente estiver utilizando colchão especial viscoelástico e apresentar pele íntegra, conforme avaliação do enfermeiro.
(__)Uma Lesão por Pressão Estágio 1 caracteriza-se por pele íntegra com eritema que não embranquece à digitopressão, indicando lesão tecidual profunda iminente ou inicial.
(__)O uso de massagem vigorosa em proeminências ósseas avermelhadas é recomendado para estimular a circulação e prevenir a necrose tecidual.
(__)Coxins e travesseiros devem ser utilizados para manter proeminências ósseas (como joelhos e calcanhares) livres de contato direto umas com as outras ou com a superfície do leito (flutuação dos calcanhares).
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4036702 Enfermagem
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) estabelece normas rígidas para a conservação de imunobiológicos, sendo a Rede de Frio fundamental para garantir a potência das vacinas desde o laboratório produtor até o braço do usuário. Falhas na temperatura podem inativar os imunobiológicos, gerando prejuízos e riscos à saúde pública. Considerando as normas técnicas do Manual de Rede de Frio do Ministério da Saúde sobre equipamentos e controle de temperatura na sala de vacina, analise as afirmativas a seguir e assinale V para as verdadeiras e F para as falsas.
(__)As câmaras refrigeradas são os equipamentos preferenciais para o armazenamento de imunobiológicos na sala de vacinação, devendo a temperatura ser mantida entre +2°C e +8°C.
(__)No refrigerador doméstico, quando utilizado excepcionalmente, as vacinas que não podem ser submetidas a temperaturas negativas devem ser alocadas na primeira prateleira, logo abaixo do congelador.
(__)A leitura da temperatura deve ser realizada diariamente, no mínimo duas vezes ao dia, no início e no final da jornada de trabalho, registrando-se as temperaturas máxima, mínima e de momento.
(__)As garrafas com água (bobinas reutilizáveis) devem ser colocadas na porta da geladeira doméstica para estabilização térmica, garantindo a manutenção da temperatura em caso de falta de energia.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4036701 Enfermagem
Os acidentes ofídicos são comuns em diversas regiões do Brasil e o enfermeiro deve saber identificar as manifestações clínicas para auxiliar no diagnóstico e administrar o soro específico prescrito com segurança. Os dois gêneros de serpentes mais prevalentes causam síndromes distintas: botrópico (Jararaca) e crotálico (Cascavel). Sobre a assistência e clínica desses acidentes, analise as afirmativas a seguir e assinale V para as verdadeiras e F para as falsas.
(__)O acidente crotálico (Cascavel) caracteriza-se principalmente por ação neurotóxica, apresentando fácies miastênica (ptose palpebral), visão turva (diplopia) e urina de cor escura (mioglobinúria).
(__)O acidente botrópico (Jararaca) tem ação proteolítica e coagulante, causando dor intensa local, edema, equimose, bolhas e risco de hemorragias sistêmicas (gengivorragia, hematúria).
(__)O torniquete é um procedimento recomendado nos primeiros 30 minutos após a picada de qualquer serpente peçonhenta para retardar a absorção do veneno pela circulação linfática. 
(__)A administração do soro antiveneno deve ser feita preferencialmente por via intramuscular profunda na região glútea para garantir absorção lenta e evitar reações anafiláticas imediatas.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4036700 Enfermagem
Durante a consulta de enfermagem ginecológica, o enfermeiro realiza a coleta de material para o exame citopatológico (Papanicolau), fundamental para o rastreamento do câncer do colo do útero. Para garantir a qualidade da amostra e a fidelidade do resultado, é necessário seguir rigorosamente as recomendações do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e das Diretrizes Brasileiras. Considerando as recomendações técnicas para a coleta e o rastreamento, assinale a alternativa correta sobre o procedimento e a periodicidade.
Alternativas
Q4036699 Enfermagem
As intoxicações exógenas por medicamentos e agrotóxicos (organofosforadoscarbamatos) são ocorrências frequentes na emergência. O manejo inicial envolve a estabilização clínica e, quando indicado, o uso de antídotos ou antagonistas específicos. Sobre a assistência nessas situações, analise as afirmativas a seguir e assinale V para as verdadeiras e F para as falsas.
(__)Na intoxicação por inibidores da colinesterase (organofosforadoschumbinho), o paciente apresenta síndrome colinérgica (sialorreia, miose, bradicardia, broncorreia). O antídoto de escolha para reverter os efeitos muscarínicos é a Atropina.
(__)O Carvão Ativado é indicado rotineiramente em todas as intoxicações, inclusive por cáusticos e corrosivos, devendo ser administrado mesmo se o paciente estiver rebaixado e sem via aérea protegida.
(__)Em caso de intoxicação por opioides (como morfina ou fentanil), o antagonista específico a ser administrado é a Naloxona, que reverte a depressão respiratória e do sistema nervoso central.
(__)A lavagem gástrica tem maior eficácia se realizada na primeira hora após a ingestão, mas é contraindicada se o paciente ingeriu substâncias corrosivas ou hidrocarbonetos devido ao risco de perfuração ou aspiração.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4036698 Saúde Pública
A Política Nacional de Humanização (HumanizaSUS) aposta na indissociabilidade entre atenção e gestão, e no protagonismo dos sujeitos. Seus princípios e diretrizes buscam alterar a lógica hierarquizada e verticalizada dos serviços de saúde. Analise as assertivas abaixo sobre os conceitos fundamentais da PNH.
I.O Acolhimento com Classificação de Risco é uma diretriz da PNH que visa garantir atendimento por ordem de chegada, assegurando a democracia no acesso a todos os usuários indistintamente.
II.A Transversalidade é um princípio da PNH que prevê o aumento do grau de comunicação intra e intergrupos, rompendo com o isolamento das práticas e saberes profissionais.
III.A Ambiência na PNH refere-se à criação de espaços saudáveis, acolhedores e confortáveis, que respeitem a privacidade e favoreçam a interação entre pacientes, acompanhantes e profissionais.
Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS: 
Alternativas
Q4036697 Direito Sanitário
O Controle Social é um dos princípios organizativos do SUS, garantindo que a sociedade participe da formulação e fiscalização das políticas públicas de saúde. A Lei nº 8.14290 define as instâncias colegiadas. Analise as assertivas abaixo sobre a composição e funcionamento dos Conselhos de Saúde.
I.Os Conselhos de Saúde devem ter composição paritária, ou seja, 50% dos membros devem ser representantes dos usuários, 25% dos trabalhadores de saúde e 25% de gestoresprestadores de serviço.
II.O Conselho de Saúde tem caráter permanente e deliberativo, atuando na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros.
III.As Conferências de Saúde reúnem-se a cada dois anos com a representação dos vários segmentos sociais, para avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde.
Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS:
Alternativas
Q4036690 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
No trecho "Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir", os pronomes "se" e "lhe" cumprem funções sintáticas distintas e estão corretamente colocados segundo a norma padrão, uma vez que:
Alternativas
Q4036689 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
Na frase "Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto", os termos "que" e "se" exercem funções morfossintáticas distintas. Com base na norma-padrão da gramática da Língua Portuguesa, assinale a alternativa que apresenta a classificação correta desses termos. 
Alternativas
Q4036688 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
No trecho "Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto", a pontuação desempenha papel essencial na construção do sentido e na organização sintática e estilística da frase. Assinale a alternativa que apresenta a análise correta quanto ao uso dos dois-pontos e das vírgulas.
Alternativas
Q4036687 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
Assinale a alternativa cuja palavra em destaque foi acentuada pela mesma regra que a palavra "resíduos" em "A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar".
Alternativas
Q4036685 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
A construção simbólica da personagem no texto aponta para uma experiência de dissolução subjetiva que transcende os efeitos imediatos da pandemia. Com base nessa perspectiva, assinale a alternativa que apresenta uma interpretação coerente com os recursos metafóricos e o percurso narrativo da personagem.
Alternativas
Q4036684 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
A construção narrativa do texto "A velha" transcende a descrição de uma experiência individual e propõe uma crítica simbólica a transformações sociais profundas. 
Nesse contexto, assinale a alternativa que expressa a mensagem central da narrativa.
Alternativas
Q4036683 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
No trecho "A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos...", o emprego da forma verbal "se via" apresenta uma construção específica da regência do verbo "ver". Com base na norma culta e na classificação dos verbos quanto à predicação e ao uso pronominal, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4036682 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
No trecho "Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta", a escolha lexical contribui para a construção da atmosfera do texto. Considerando o campo semântico, o sentido contextual e a relação entre os vocábulos, assinale a alternativa que apresenta a análise correta da significação da palavra "narrativa" nesse contexto.
Alternativas
Q4036050 Saúde Pública
Durante uma reunião de planejamento em uma Unidade Básica de Saúde de uma comunidade rural, a equipe de enfermagem observou baixa adesão da população às ações educativas e às atividades de controle de doenças crônicas. Diante disso, a enfermeira propôs uma estratégia de mobilização social, envolvendo lideranças locais, associações comunitárias e grupos religiosos, a fim de fortalecer o vínculo entre os serviços de saúde e os moradores. Considerando o papel da organização social e comunitária na efetivação das ações de saúde coletiva, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4036049 Saúde Pública
A Vigilância em Saúde constitui um conjunto de ações integradas destinadas a promover, proteger e prevenir agravos à saúde da população, articulando diferentes áreas e políticas públicas. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)A Vigilância em Saúde atua exclusivamente no monitoramento de doenças transmissíveis, sendo sua principal função identificar surtos e epidemias para intervenção imediata.

(__)A Vigilância Ambiental em Saúde compreende o monitoramento de fatores físicos, químicos e biológicos do meio ambiente que possam interferir na saúde humana.

(__)A Vigilância Epidemiológica e a Vigilância Sanitária são instâncias independentes, sem interface técnica ou administrativa no âmbito do SUS.

(__)A Vigilância em Saúde deve ser desenvolvida de forma integrada às demais ações de atenção e promoção da saúde, considerando o território e o perfil epidemiológico da população.



Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4036048 Enfermagem
Os distúrbios hidroeletrolíticos e metabólicos, como as alterações de sódio, potássio e glicose sérica, exigem da equipe de enfermagem avaliação clínica imediata, monitorização contínua e intervenções seguras que previnam complicações neurológicas e cardiovasculares. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)Na hiponatremia grave com sintomas neurológicos, a correção do sódio deve ser rápida, visando normalizar os valores séricos nas primeiras 6 horas, para prevenir o risco de edema cerebral.

(__)A hipercalemia pode causar arritmias cardíacas fatais; a administração intravenosa de gluconato de cálcio é uma das medidas de emergência para estabilizar a membrana miocárdica.

(__)Na hipoglicemia grave, quando não há acesso venoso disponível, a administração de glicose a 50% por via oral é indicada, desde que o paciente esteja consciente e consiga deglutir.

(__)Na cetoacidose diabética, a reposição de insulina deve ser iniciada somente após a normalização completa do potássio sérico, independentemente de sua concentração inicial.


Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4036047 Enfermagem
Os fundamentos da enfermagem envolvem princípios teóricos que orientam a prática profissional, a tomada de decisão clínica e o cuidado centrado no paciente. A compreensão do metaparadigma e das teorias de enfermagem é essencial para aplicar o conhecimento científico na assistência e fortalecer a identidade da profissão. Sobre os fundamentos de enfermagem, analise as alternativas abaixo e assinale a correta. 
Alternativas
Respostas
2881: D
2882: D
2883: B
2884: C
2885: C
2886: C
2887: D
2888: A
2889: A
2890: B
2891: A
2892: C
2893: B
2894: A
2895: B
2896: A
2897: D
2898: A
2899: A
2900: B