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Q3827377 Legislação Municipal
Assinale a alternativa correta de acordo com a Lei Complementar nº 90, de 27 de junho de 1994, que dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos do Município de Concórdia e autarquias.
Alternativas
Q3827371 Geografia
A transição energética é um dos temas centrais nas discussões globais sobre sustentabilidade e combate às mudanças climáticas. Nesse cenário, uma nova fonte de energia, produzida através da eletrólise da água utilizando fontes renováveis (como eólica e solar), tem ganhado destaque como o “combustível do futuro” para descarbonizar indústrias pesadas.
Assinale a alternativa que indica corretamente a denominação dessa fonte energética limpa.
Alternativas
Q3827368 Geografia
O Censo Demográfico de 2022, realizado pelo IBGE, trouxe dados atualizados sobre a dinâmica populacional brasileira, revelando tendências importantes para o planejamento de políticas públicas.
Assinale a alternativa que indica corretamente a tendência demográfica confirmada pelos dados oficiais mais recentes ao analisar a taxa de crescimento geométrico da população brasileira em comparação com os censos anteriores (2000 e 2010).
Alternativas
Q3827367 Meteorologia
A Organização Meteorológica Mundial confirmou que 2023 foi o ano mais quente já registrado em dados recentes de pesquisa, impulsionado pelas mudanças climáticas e por um fenômeno natural que aquece as águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse fenômeno altera os padrões de chuva e temperatura em escala global, afetando a agricultura e o abastecimento de água.
Assinale a alternativa que indica corretamente o fenômeno climático responsável por esse aquecimento adicional observado no período recente.
Alternativas
Q3827366 Português
Avalie as frases abaixo:
1. Discutiram-se os fatos.
2. Precisam-se de bons profissionais nesta Prefeitura.
3. Fizeram-se vários concursos em 2024.
4. Necessita-se de operários para a messe.
5. Aluga-se casas.
Assinale a alternativa correta sobre as frases.
Alternativas
Q3827365 Português
Identifique as frases abaixo como certa ( C ) ou errada ( E ), considerando a gramática normativa.
( ) Durante a discussão, ele não interviu nenhuma vez.
( ) Houve muita descrição da jovem, não se expôs à nada.
( ) O homem cuja a preocupação ultrapassa o prazer é infeliz.
( ) Houve muita discussão e ninguém chegou a um consenso.
( ) “Toda língua são rastros de velho mistério.”
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q3827364 Português
Considerando a regência verbal, complete as lacunas das frases.
■ Quero abraçar aquele rapaz. Quero ......................................
■ Não vou julgar você. Não vou ......................................
■ Isso vai pertencer ao rapaz. Isso vai ......................................
■ Deves obedecer sempre aos mais velhos. Deve ...................................... sempre.
■ Vai contar à outra a fofoca? Vai ...................................... a fofoca?
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.
Alternativas
Q3827363 Português
Assinale a alternativa em que obrigatoriamente deve ser usada uma crase.
Alternativas
Q3827361 Português
Assinale a alternativa em que há a seguinte sequência de nomes: feminino, masculino, feminino. 
Alternativas
Q3827360 Português

Leia a crônica de Rubem Braga.

 

MAR

 

A primeira vez que eu vi o mar eu não estava sozinho. Estava no meio de um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que é menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia ideia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem. Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.


Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito: o mar! Era qualquer coisa de largo, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogavam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, que explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar…


Depois o mar entrou na minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e que passava horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer – como aquela caravela de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou sua mão… Um rapaz de 14 ou 15 anos que nas noites de lua cheia, quando a maré baixa e descobre tudo e a praia é imensa, ia na praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente, alguém que passava pelo areal branco e dava boa noite… Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer.


Mar maior que a terra, mar do primeiro amor, mar dos pobres pescadores maratimbas, mar das cantigas do Catambá, mar das festas, mar terrível daquela morte que nos assustou, mar das tempestades de repente, mar do alto e mar da praia, mar de pedra e mar do mangue… A primeira vez que saí sozinho numa canoa parecia ter montado num cavalo bravo e bom, senti força e perigo, senti orgulho de embicar numa onda um segundo antes da arrebentação. A primeira vez que estive quase morrendo afogado, quando a água batia na minha cara e a corrente do “arrieiro” me puxava para fora, não gritei nem fiz gestos de socorro; lutei sozinho, cresci dentro de mim mesmo. Mar suave e oleoso, lambendo o batelão. Mar dos peixes estranhos, mar virando a canoa, mar das pescarias noturnas de camarão para isca. Mar diário e enorme, ocupando toda a vida, uma vida de bamboleio de canoa, de paciência, de força, de sacrifício sem finalidade, de perigo sem sentido, de lirismo, de energia; grande perigoso mar fabricando um homem…


Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ora aflito, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mais corajoso que audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa, mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas ele é teu filho, é um dos teus, e ainda pode comparecer diante de ti gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante às grandes ondas que arrebentavam – um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar…

 

Vocabulário

■ caravela: espécie de água-viva

■ maratimbas: do interior do Espírito Santo

■ catambá: dança popular do Espírito Santo

■ embicar: atravessar com a embarcação

■ batelão: canoa, barcaça

■ arrieiro: correnteza marítima

Observe as frases.
1. Fomos ver o mar. 2. Era de manhã, fazia sol. 3. De repente houve um grito: o mar.
Assinale a alternativa que mostra uma afirmação correta.
Alternativas
Q3827359 Português

Leia a crônica de Rubem Braga.

 

MAR

 

A primeira vez que eu vi o mar eu não estava sozinho. Estava no meio de um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que é menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia ideia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem. Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.


Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito: o mar! Era qualquer coisa de largo, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogavam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, que explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar…


Depois o mar entrou na minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e que passava horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer – como aquela caravela de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou sua mão… Um rapaz de 14 ou 15 anos que nas noites de lua cheia, quando a maré baixa e descobre tudo e a praia é imensa, ia na praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente, alguém que passava pelo areal branco e dava boa noite… Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer.


Mar maior que a terra, mar do primeiro amor, mar dos pobres pescadores maratimbas, mar das cantigas do Catambá, mar das festas, mar terrível daquela morte que nos assustou, mar das tempestades de repente, mar do alto e mar da praia, mar de pedra e mar do mangue… A primeira vez que saí sozinho numa canoa parecia ter montado num cavalo bravo e bom, senti força e perigo, senti orgulho de embicar numa onda um segundo antes da arrebentação. A primeira vez que estive quase morrendo afogado, quando a água batia na minha cara e a corrente do “arrieiro” me puxava para fora, não gritei nem fiz gestos de socorro; lutei sozinho, cresci dentro de mim mesmo. Mar suave e oleoso, lambendo o batelão. Mar dos peixes estranhos, mar virando a canoa, mar das pescarias noturnas de camarão para isca. Mar diário e enorme, ocupando toda a vida, uma vida de bamboleio de canoa, de paciência, de força, de sacrifício sem finalidade, de perigo sem sentido, de lirismo, de energia; grande perigoso mar fabricando um homem…


Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ora aflito, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mais corajoso que audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa, mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas ele é teu filho, é um dos teus, e ainda pode comparecer diante de ti gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante às grandes ondas que arrebentavam – um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar…

 

Vocabulário

■ caravela: espécie de água-viva

■ maratimbas: do interior do Espírito Santo

■ catambá: dança popular do Espírito Santo

■ embicar: atravessar com a embarcação

■ batelão: canoa, barcaça

■ arrieiro: correnteza marítima

A última frase do terceiro parágrafo “Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer” mostra:
Alternativas
Q3827358 Português

Leia a crônica de Rubem Braga.

 

MAR

 

A primeira vez que eu vi o mar eu não estava sozinho. Estava no meio de um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que é menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia ideia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem. Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.


Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito: o mar! Era qualquer coisa de largo, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogavam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, que explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar…


Depois o mar entrou na minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e que passava horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer – como aquela caravela de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou sua mão… Um rapaz de 14 ou 15 anos que nas noites de lua cheia, quando a maré baixa e descobre tudo e a praia é imensa, ia na praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente, alguém que passava pelo areal branco e dava boa noite… Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer.


Mar maior que a terra, mar do primeiro amor, mar dos pobres pescadores maratimbas, mar das cantigas do Catambá, mar das festas, mar terrível daquela morte que nos assustou, mar das tempestades de repente, mar do alto e mar da praia, mar de pedra e mar do mangue… A primeira vez que saí sozinho numa canoa parecia ter montado num cavalo bravo e bom, senti força e perigo, senti orgulho de embicar numa onda um segundo antes da arrebentação. A primeira vez que estive quase morrendo afogado, quando a água batia na minha cara e a corrente do “arrieiro” me puxava para fora, não gritei nem fiz gestos de socorro; lutei sozinho, cresci dentro de mim mesmo. Mar suave e oleoso, lambendo o batelão. Mar dos peixes estranhos, mar virando a canoa, mar das pescarias noturnas de camarão para isca. Mar diário e enorme, ocupando toda a vida, uma vida de bamboleio de canoa, de paciência, de força, de sacrifício sem finalidade, de perigo sem sentido, de lirismo, de energia; grande perigoso mar fabricando um homem…


Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ora aflito, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mais corajoso que audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa, mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas ele é teu filho, é um dos teus, e ainda pode comparecer diante de ti gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante às grandes ondas que arrebentavam – um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar…

 

Vocabulário

■ caravela: espécie de água-viva

■ maratimbas: do interior do Espírito Santo

■ catambá: dança popular do Espírito Santo

■ embicar: atravessar com a embarcação

■ batelão: canoa, barcaça

■ arrieiro: correnteza marítima

Assinale a alternativa correta, considerando o texto.
Alternativas
Q3827357 Português

Leia a crônica de Rubem Braga.

 

MAR

 

A primeira vez que eu vi o mar eu não estava sozinho. Estava no meio de um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que é menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia ideia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem. Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.


Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito: o mar! Era qualquer coisa de largo, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogavam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, que explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar…


Depois o mar entrou na minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e que passava horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer – como aquela caravela de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou sua mão… Um rapaz de 14 ou 15 anos que nas noites de lua cheia, quando a maré baixa e descobre tudo e a praia é imensa, ia na praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente, alguém que passava pelo areal branco e dava boa noite… Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer.


Mar maior que a terra, mar do primeiro amor, mar dos pobres pescadores maratimbas, mar das cantigas do Catambá, mar das festas, mar terrível daquela morte que nos assustou, mar das tempestades de repente, mar do alto e mar da praia, mar de pedra e mar do mangue… A primeira vez que saí sozinho numa canoa parecia ter montado num cavalo bravo e bom, senti força e perigo, senti orgulho de embicar numa onda um segundo antes da arrebentação. A primeira vez que estive quase morrendo afogado, quando a água batia na minha cara e a corrente do “arrieiro” me puxava para fora, não gritei nem fiz gestos de socorro; lutei sozinho, cresci dentro de mim mesmo. Mar suave e oleoso, lambendo o batelão. Mar dos peixes estranhos, mar virando a canoa, mar das pescarias noturnas de camarão para isca. Mar diário e enorme, ocupando toda a vida, uma vida de bamboleio de canoa, de paciência, de força, de sacrifício sem finalidade, de perigo sem sentido, de lirismo, de energia; grande perigoso mar fabricando um homem…


Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ora aflito, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mais corajoso que audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa, mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas ele é teu filho, é um dos teus, e ainda pode comparecer diante de ti gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante às grandes ondas que arrebentavam – um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar…

 

Vocabulário

■ caravela: espécie de água-viva

■ maratimbas: do interior do Espírito Santo

■ catambá: dança popular do Espírito Santo

■ embicar: atravessar com a embarcação

■ batelão: canoa, barcaça

■ arrieiro: correnteza marítima

Analise as afirmativas abaixo sobre o texto.
1. A crônica mostra a força do mar na vida de um homem.
2. O cronista mostra arrebatamento e resiliência diante do mar.
3. A descrição do mar no primeiro parágrafo encontra abrigo ao longo do texto.
4. A experiência inicial do cronista com o mar permanece forte ao longo de sua vida. 5. A crônica mostra a incapacidade das pessoas de se maravilharem com a grandeza do mar.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Alternativas
Q4036841 Pedagogia
A efetivação da educação inclusiva exige que a escola adote práticas que assegurem o acesso, a participação e a aprendizagem de todos os estudantes, rompendo com barreiras físicas, pedagógicas e atitudinais. Considerando esse princípio, analise os itens a seguir:
I.A inclusão pressupõe garantir a presença do estudante na escola, assegurando seu acesso a ambientes de convivência e aprendizagem.
II.A participação efetiva do estudante nas atividades escolares depende do oferecimento de condições de acessibilidade, bem como das adaptações curriculares necessárias.
III.A aprendizagem do estudante deve ser compreendida como responsabilidade primordial e básica do atendimento educacional especializado, não cabendo à escola regular interferências pedagógicas no processo.
É CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q4036840 Pedagogia
No contexto escolar, o atendimento a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) requer ações planejadas que considerem suas necessidades específicas de comunicação, interação social e processamento sensorial. Para favorecer o desenvolvimento psicoeducativo desses alunos, diversas recomendações têm sido apontadas como essenciais para orientar o trabalho docente e a organização da rotina escolar. Considerando tais recomendações, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4036839 Pedagogia
O ensino colaborativo possibilita intervenções pedagógicas diversificadas que favorecem a participação do aluno com deficiência intelectual. No contexto da sala de aula, tais ações incluem observação e avaliação contínuas, apoio individualizado, clarificação das tarefas, ilustração com exemplos e estratégias de sensibilização da turma. Com base nesses fundamentos, assinale a alternativa que melhor representa uma ação característica do ensino colaborativo na sala de aula voltada à inclusão do aluno com deficiência intelectual.
Alternativas
Q4036837 Pedagogia
A leitura e a escrita de alunos com deficiência intelectual nos anos iniciais do Ensino Fundamental tornam-se essenciais em contextos de inclusão, considerando que o avanço tecnológico e o grande fluxo de informações da sociedade atual exigem participação ativa em práticas letradas. Para que esse processo aconteça de forma efetiva, alguns movimentos são fundamentais no cotidiano escolar. Julgue-os como Verdadeiros (V) ou Falsos (F):
(__)O apoio da Educação Especial aos professores regentes.
(__)A garantia de momentos de planejamento pedagógico.
(__)A criação de espaços de formação continuada para estudo e reflexão sobre a temática.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA de cima para baixo.
Alternativas
Q4036835 Pedagogia
Ao longo da história, as formas de compreensão e tratamento das pessoas com deficiência intelectual passaram por diferentes fases, que variaram desde interpretações místicas até abordagens de segregação e, mais recentemente, a perspectiva da inclusão. Sobre a evolução histórica da compreensão da deficiência intelectual, julgue os itens a seguir como Verdadeiros (V) ou Falsos (F):
(__)Durante longos períodos, a deficiência intelectual foi associada a crenças místicas e interpretações sobrenaturais.
(__)A fase da segregação caracterizou-se pelo afastamento das pessoas com deficiência do convívio social, muitas vezes em instituições específicas.
(__)A perspectiva inclusiva atual mantém a ideia de que apenas a família é responsável pela formação e pela educação da pessoa com deficiência.
Assinale a alternativa com a sequência CORRETA.
Alternativas
Q4036834 Pedagogia
A identificação das necessidades educacionais especiais constitui um dos principais desafios enfrentados pelos professores que atuam nas Salas de Recursos Multifuncionais. Esse processo é fundamental para a elaboração do plano de atendimento individualizado e, consequentemente, para a remoção de barreiras que possam dificultar a aprendizagem. Diante disso, tal identificação deve ser orientada por:
Alternativas
Q4036833 Pedagogia
A Política Nacional de Educação Especial Inclusiva (Decreto n° 12.686/2025) estabelece uma série de objetivos voltados à garantia de acesso, participação e aprendizagem dos estudantes que compõem o público da educação especial. Considerando o que determina o Art. 4º dessa Política, avalie as afirmações a seguir e responda se são Verdadeiras (V) ou Falsas (F):
(__)Assegurar redes educacionais inclusivas em todos os níveis, etapas e modalidades dos sistemas de ensino é um dos objetivos da Política.
(__)O Atendimento Educacional Especializado (AEE) deve ser garantido apenas na educação infantil, porque é a base da educação básica.
(__)Entre os objetivos está assegurar o acesso, a participação, a permanência e a aprendizagem dos estudantes público da educação especial em classes comuns.
Assinale a alternativa com a sequência CORRETA de cima para baixo. 
Alternativas
Respostas
861: E
862: E
863: E
864: A
865: B
866: C
867: B
868: D
869: B
870: C
871: D
872: B
873: C
874: D
875: D
876: B
877: C
878: A
879: B
880: C