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Texto 3
A importância do ato de escrever
Ao escrever, vivenciamos um deslocamento da nossa
interioridade para exterioridade: vamos do gesto da escrita para
o gesto da leitura e voltamos, mais uma vez, para a (re)escrita.
Assim, vivenciamos um movimento de ir e vir entre os atos de
escrever e ler.
Escrever é revelar o que existe dentro do nosso mundo
interno, e só podemos saber o que vai vir lá de dentro quando,
de fato, escrevemos, pois se trata de um conhecimento que se
completa com essa passagem do “dentro” para o “fora”.
Os atos de ler e de escrever (as palavras e o mundo) são
imprescindíveis para se conhecer a vida, a sociedade e o
próprio “eu”. Dessa forma, como a leitura do mundo vem antes
da leitura da palavra – como nos ensina Paulo Freire – e sempre
está imbricada nesta, escrever a palavra, com marcas de
autoria, exige de quem escreve uma postura ativa, própria de
uma pessoa que se engaja, age e transforma o mundo.
Escrevemos o mundo, escrevemos nossos dias, escrevemos
nossos desejos, nossas crenças, nossas vontades e nossas
ideologias todos os dias quando vivemos nossas vidas. É
preciso ampliar esse olhar para o que é escrever, o que é ser
autor/a, a fim de que possamos ter mais consciência das
escolhas que fazemos ao produzir um texto. Quando
assumimos uma postural autoral ativa, fazemos algo que vai
muito além do que simplesmente preencher uma folha (ou uma
tela) com palavras.
DIAS, Juliana de Freitas. Leitura e produção de textos. São Paulo: Contexto,
2023. p. 56. [Adaptado]