Questões de Concurso
Sobre aspectos psicológicos da educação em pedagogia
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Texto para a questão.
A Escola como Território de Resiliência e Ética na Era da Complexidade
A função social da escola contemporânea tem sido tensionada por fenômenos que transcendem os muros da sala de aula, exigindo do fazer docente uma postura que vai além da mera transposição didática. No cenário atual, a instituição escolar não é apenas um espaço de instrução, mas um território estratégico de resiliência e mediação de conflitos globais e locais. Diante da emergência climática, por exemplo, a escola assume um papel ambivalente: ao mesmo tempo em que deve educar para a sustentabilidade e para a "continuidade da vida", ela se vê desafiada a estruturar-se como um porto seguro físico e emocional para comunidades impactadas por eventos extremos. Essa "pedagogia da resiliência" não se limita ao conteúdo programático de Ciências ou Geografia, mas permeia a gestão do cuidado e a formação de uma consciência coletiva sobre a interdependência entre os sistemas humanos e naturais.
Paralelamente, a aceleração tecnológica, materializada na onipresença da Inteligência Artificial e na ubiquidade dos dispositivos móveis, impõe novos dilemas éticos e pedagógicos. O debate sobre a restrição do uso de celulares no ambiente escolar, que culminou em normativas recentes no cenário brasileiro, reflete uma tentativa de resgatar a atenção e a interação humana como fundamentos do processo de aprendizagem. Contudo, a proibição isolada, desacompanhada de uma reflexão crítica sobre a literacia digital, corre o risco de ser um paliativo diante de uma realidade onde a tecnologia já reconfigurou as formas de pensar e se relacionar. O desafio do professor, portanto, reside em equilibrar a necessária desconexão para o foco com a indispensável inclusão digital ética, transformando a ferramenta técnica em instrumento de emancipação intelectual e não de mera passividade consumista.
Nesse contexto de múltiplas transições, a educação para a equidade — sustentada por marcos legais como as leis que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afrobrasileira e indígena — deixa de ser uma efeméride para se tornar o cerne de uma prática antirracista e inclusiva. A escola que se pretende democrática deve enfrentar as desigualdades estruturais que se manifestam no cotidiano escolar, desde a escolha dos materiais didáticos até a sensibilidade no acolhimento das diversidades. Assim, o magistério hoje exige uma competência polifônica: a capacidade de articular o rigor do conhecimento científico com a sensibilidade das habilidades socioemocionais, compreendendo que o sucesso da aprendizagem está intrinsecamente ligado à capacidade da escola de se manter relevante, humana e ética em um mundo em constante e imprevisível transformação.
I. Ela é uma responsabilidade exclusiva dos professores de áreas ligadas às Ciências da Natureza.
II. Envolve a formação de uma consciência sobre a interdependência entre seres humanos e o meio ambiente.
III. Transcende o conteúdo programático, alcançando a gestão do cuidado e o suporte emocional.
Está(ão) correta(s) apenas:
A promoção da autonomia constitui princípio central das práticas inclusivas no cotidiano escolar.
Assinale a alternativa que expressa corretamente uma prática do EAI alinhada a esse princípio.
O desenvolvimento humano ocorre de forma contínua e apresenta especificidades nas diferentes etapas da Educação Básica, influenciando os processos de ensino e aprendizagem.
Assinale a alternativa correta acerca da aprendizagem na Educação Infantil, à luz das teorias contemporâneas do desenvolvimento.
As teorias da aprendizagem oferecem diferentes explicações sobre como o sujeito aprende e, consequentemente, orientam práticas pedagógicas distintas.
Assinale a alternativa que relaciona corretamente a teoria sociointeracionista à prática pedagógica.
I - A dislexia é entendida como uma desordem neurobiológica que compromete a aquisição e o desenvolvimento da linguagem escrita;
II - A discalculia é uma desordem estrutural nas habilidades matemáticas, com origem em desordens genéticas ou congênitas naquelas partes do cérebro que são um substrato anatômico-fisiológico de maturação das habilidades matemáticas;
III - A disgrafia é um transtorno de escrita geralmente associado a graus 1 e 2 de autismo, que decorrem de problemas neurológicos que impedem a aquisição de linguagem.
Dos itens acima:
I. Os fatores de risco para problemas de desenvolvimento podem ser classificados em genéticos (por exemplo: síndrome de Down), biológicos (por exemplo: prematuridade, hipóxia neonatal, meningites) e/ou ambientais (fatores familiares, de ambiente físico, fatores sociais). No entanto, a maior parte dos traços de desenvolvimento da criança é de origem multifatorial e representa a interação entre a herança genética e os fatores ambientais.
II. Os distúrbios com predomínio motor (como, por exemplo, a paralisia cerebral) costumam ser diagnosticados mais facilmente do que os de linguagem ou os cognitivos. No entanto, estes últimos têm maior correlação com o progresso do desenvolvimento do que as alterações na evolução do comportamento motor.
III. Embora as deficiências graves possam ser reconhecidas ainda na infância, distúrbios de linguagem, hiperatividade e transtornos emocionais não são facilmente diagnosticados antes dos três ou quatro anos de idade. Da mesma forma, distúrbios de aprendizagem raramente são identificados antes do ingresso da criança na escola.
São corretas as afirmativas: