Questões de Concurso
Sobre uso dos conectivos em português
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I. “Segundo North, as instituições de um país determinam seu desenvolvimento. Mas regras, em si, não são suficientes.” (3º par.)
II. “Políticos são estimulados a mentir, fraudar e roubar porque a recompensa é enorme, e o custo – a possibilidade de punição – é baixo.” (9º par.)
Assinale a alternativa que apresenta, pela ordem, a indicação da natureza semântica das expressões em destaque em cada período acima.
Leia o texto para responder à questão.
Tempo do castigo
Quando eu era criança, ficava de castigo e ia para o quarto pensar. Perguntava quanto tempo e contava os segundos para sair. Até hoje acho essa punição interessante: “Pense no que você fez para conversarmos”. Mas, para ser boa, essa punição precisa ter um tempo combinado. O tempo, na época, me parecia justo por ser proporcional ao erro e ao amor de minha mãe por mim. Eu sabia que ela me amava, sabia que ia ficar um tempo ali e sabia que ia sair e poder falar com ela. Era um acordo.
Hoje temos um jeito adulto de punir: bloquear a pessoa no WhatsApp. Bloquear alguém que se ama é como colocar de castigo. “Você fez algo que não gostei, preciso de um tempo.” E aí vem o importante: quanto tempo é esse tempo? O tempo que pode ser o remédio que cura a relação ou o remédio que vira veneno.
O tempo de castigo era válido quando não trazia mágoa. Quando servia apenas para acalmar os ânimos. Quando era um tempo com a intenção velada da paz.
Quando se diz o que se quer nessa nova interação virtual e se bloqueia sem deixar que o outro responda, coloca-se o outro em um castigo cheio de angústia. E, na espera sem saber o tempo, a mágoa cresce, os argumentos perdem sentido.
Bloquear pode ser usado como um respiro para avançarmos, mas nunca como forma de evitar conversas difíceis, que são justamente as que permitem o amadurecimento que vem dos relacionamentos. As relações avançam nas discussões. O castigo da minha mãe sempre me trouxe uma oportunidade de uma relação mais próxima com ela, entendendo meus erros, e isso me trazia um profundo alívio.
(Alice Ferraz. O Estado de S. Paulo, 6 de dezembro de 2025. Adaptado)
Considerando os mecanismos de coesão e os fatores de coerência presentes no trecho, assinale a alternativa CORRETA.
Leia o texto II a seguir para responder à questão.
A conta que a IA não fechou
A corrida pela inteligência artificial levou muitas empresas a acreditar que seria possível substituir profissionais por tecnologia de forma rápida e com redução de custos. Contudo, a realidade começa a mostrar que essa decisão nem sempre produz os resultados esperados.
Começamos a ver as organizações recontratando funcionários que haviam sido dispensados após a adoção de sistemas de IA. O movimento, conhecido como AI boomerang, evidencia que eficiência não depende apenas de velocidade, mas também de conhecimento, contexto e capacidade de decisão.
A inteligência artificial é extremamente competente para automatizar tarefas repetitivas, organizar grandes volumes de dados e apoiar processos. No entanto, ainda apresenta limitações quando precisa interpretar cenários complexos, compreender nuances, lidar com situações inesperadas ou construir relações de confiança com clientes e parceiros.
O caso da Ford ilustra bem essa realidade. Após ampliar o uso da IA em determinadas operações, a empresa percebeu que a tecnologia não conseguia entregar, sozinha, o padrão de qualidade esperado e trouxe de volta especialistas técnicos para atuar em conjunto com sistemas automatizados.
(Sílvia Letícia, Artigos, 06.08.2026. Disponível em: www.opovo.com.br/)
… eficiência não depende apenas de velocidade, mas também de conhecimento, contexto e capacidade de decisão. (2º parágrafo)
… a empresa percebeu que a tecnologia não conseguia entregar, sozinha, o padrão de qualidade esperado e trouxe de volta especialistas técnicos… (4º parágrafo)
Esses termos relacionam as afirmações em sequência, introduzindo entre elas aspectos semânticos compatíveis com as ideias, respectivamente, de

(Disponível em: cnnbrasil.com.br/comportamento/cultura/quando-jogar-videogame-deixa-de-ser-so-diversao/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerar as duas orações abaixo.
I. Pedro estava doente.
II. Pedro não foi ao trabalho.
Assinalar a alternativa em que as orações I e II foram unidas em uma frase, de forma que a primeira oração seja a causa da segunda.
29 de fevereiro: um dia cheio de curiosidades
Presente no calendário gregoriano, de quatro em quatro anos, o 29 de fevereiro tem a função de sincronizar os dias do ano às estações. O dia extra aparece para compensar o verdadeiro período de rotação da Terra, que demora 365 dias e 6 horas para orbitar o sol. Ao fim de um período de quatro anos, essas horas excedentes são unidas para virar um dia adicional.
Como saber quais anos contam com um dia a mais no calendário? Para começar, eles devem ser divisíveis por quatro. Mas, no caso dos múltiplos de 100, eles devem ser obrigatoriamente divisíveis também por 400. Portanto, 2000 foi ano bissexto, mas 1900, 1800 e 1700 não.
Por que esses anos se chamam “bissextos”? Ao contrário do que alguns pensam, não é porque há dois números “6” na quantidade de dias do ano (366). A expressão veio da Roma Antiga, quando os dias tinham nomes baseados no ciclo lunar. Assim, dia 24 de fevereiro se chamava “antediem sextum calendas martii”, ou seja, “sexto dia antes da lua nova de março”. Antes de ser instituído o 29 de fevereiro, o dia 24 de fevereiro era duplicado de 4 em 4 anos. Portanto, nesses anos ele era chamado de “antediem bis-sextum calendas martii”, algo como “duas vezes o sexto dia antes da lua nova de março”.
Fonte: Guia dos Curiosos. Adaptado.
TEXTO I
Robô humanoide do Exército custa R$ 194 mil
Modelo usado pelo Instituto Militar de Engenharia foi colocado em uma viatura e realizou saudação durante o desfile em Brasília
Um robô humanoide fardado do Exército Brasileiro chamou atenção durante o desfile cívico-militar do 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. As plataformas de marketplace vendem o equipamento, que a chinesa Unitre Robotics fabrica, por cerca de R$ 194 mil.
O Exército confirmou que o modelo usado na cerimônia é o Unitree G1, na versão EDU. O Instituto Militar de Engenharia (IME) adquiriu o equipamento com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.
Durante o desfile, o robô permaneceu sobre uma viatura Marruá e realizou movimentos de saudação protocolar diante da tribuna principal. O equipamento acenou para o público e bateu continência aos chefes dos Três Poderes presentes no palanque.
Entre as autoridades estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, sorriu, aplaudiu e retribuiu a saudação feita pelo robô.
Equipamento é usado em pesquisas do Exército
No IME, o robô integra atividades de ensino, pesquisa e extensão. Segundo o Exército, os dados coletados pelos sensores e a capacidade de processamento do equipamento servem ao desenvolvimento de algoritmos de controle e atuadores.
As pesquisas abrangem áreas como robótica, inteligência artificial, percepção ambiental, navegação e autonomia de sistemas. A chinesa Unitree Robotics projetou o equipamento também para operações em ambientes de risco. Entre suas funções estão a inspeção, identificação, manipulação e neutralização de artefatos explosivos a distância.
O Centro de Comunicação Social do Exército informou que não existe previsão de emprego operacional direto do robô humanoide pela força. Os algoritmos desenvolvidos na plataforma, contudo, podem ter aplicação em tecnologias militares utilizadas em conflitos modernos. Entre os possíveis usos citados pelo Exército estão sistemas embarcados em drones, armamentos remotos, veículos autônomos e robôs destinados à detecção e à desativação de bombas.
Fonte: BATALHA, Victória. Revista Oeste, Tecnologia. Robô humanoide do Exército custa R$ 194 mil. https://revistaoeste.com/tecnologia/robo-humanoide-do-exercito-custa-r-194-mil/ (adaptado).
Leia os períodos abaixo antes de responder ao que se pede.
I. “Segundo o Exército, os dados coletados pelos sensores e a capacidade de processamento do equipamento servem ao desenvolvimento de algoritmos de controle e atuadores.” (5º par.)
II. “Os algoritmos desenvolvidos na plataforma, contudo, podem ter aplicação em tecnologias militares utilizadas em conflitos modernos.” (7º par.)
Assinale a alternativa que apresenta, pela ordem, elementos coesivos de mesma natureza semântica das expressões em destaque dos períodos acima.
O Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos (5 de maio) foi criado para alertar a população sobre os riscos à saúde causados pelo uso indiscriminado de medicamentos e pela automedicação.
O uso incorreto de medicamentos ou o seu consumo sem critérios médicos podem prejudicar a saúde, causando intoxicações, problemas mais graves ou até mesmo a morte.
A automedicação, ou seja, o uso de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas, sem a avaliação prévia de um médico ou dentista, conforme o caso, deve ser evitada. O que é eficaz para uns pode ser nocivo a outros, pois o problema de saúde pode ser bastante diferente, apesar da aparente semelhança dos sintomas percebidos.
Todo medicamento é um remédio, mas nem todo remédio é um medicamento. Existem vários tratamentos, produtos e cuidados que ajudam a combater doenças ou aliviar dores e que não são medicamentos, como, por exemplo, a acupuntura, a fisioterapia ou as caminhadas. Para ser considerado medicamento no Brasil, o respectivo produto precisa ter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Alimentos, mesmo aqueles comercializados em formas tipicamente farmacêuticas, como cápsulas e comprimidos, também não são medicamentos. Manter uma alimentação equilibrada é indispensável para uma boa saúde, mas um alimento não pode ser anunciado como responsável pela cura de doenças.
Medicamentos tampouco são bens de consumo comuns, como roupas, sapatos e artigos de higiene pessoal. Eles são bens de saúde, por isso não podem ser anunciados como produtos de livre mercado.
Qualquer produto terapêutico, independentemente de sua natureza (animal, vegetal, mineral ou sintética), deve ser considerado medicamento e sua fabricação e comercialização devem ser registradas na Anvisa. Para que um medicamento seja registrado e comercializado, é necessária uma análise criteriosa da documentação administrativa e técnico-científica relacionada à qualidade, à segurança e à eficácia do produto para garantir o seu uso terapêutico correto.
Após a obtenção do registro pela empresa e quando o medicamento já está sendo comercializado, cabe à farmacovigilância identificar, avaliar e monitorar a ocorrência dos possíveis eventos adversos relacionados ao seu uso. O objetivo desse monitoramento é garantir que os benefícios do produto sejam maiores que os riscos por ele causados. Também são importantes para a farmacovigilância informações que digam respeito aos eventos adversos gerados por desvios de qualidade, à inefetividade terapêutica, a erros de medicação, ao uso de medicamentos com indicações não aprovadas no registro, ao seu uso abusivo, bem como a intoxicações e interações medicamentosas.
Para aumentar a segurança do uso de medicamentos e estimular a notificação de erros de medicação, a Anvisa implantou, em 2019, um sistema novo de notificações nacional de eventos adversos provocados por medicamentos e de relatos de casos de erros de medicação em serviços de saúde, o VigiMed. O acesso ao sistema é rápido e fácil, o que facilita a notificação e, consequentemente, as ações preventivas da Agência.
Internet: www.artigo.anvisa.gov.br (com adaptações).
TEXTO I
Inadimplência das famílias chega a recorde de 8%
Crédito em atraso há mais de 90 dias atingiu o maior patamar
da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011
A inadimplência das famílias no crédito livre chegou a 8% em agosto, maior nível da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em março de 2011. O indicador considera operações com pagamentos atrasados há mais de 90 dias. Em relação a julho, houve alta de 0,2 ponto porcentual. Na comparação com agosto do ano passado, o avanço foi de 1 ponto porcentual. Os dados foram divulgados durante esta terça-feira, 29.
O crédito livre reúne operações com condições negociadas entre bancos e clientes, como empréstimos pessoais e cartão de crédito. Nesse segmento, a taxa média de juros cobrada das famílias subiu. O índice passou de 60,3% ao ano em julho para 61,7% em agosto.
Os atrasos também aumentaram quando o levantamento considerou todas as modalidades de crédito do sistema financeiro.
Inadimplência cresce no sistema financeiro
Entre as pessoas físicas, o índice chegou a 6% em agosto, alta de 0,2% ponto porcentual no mês. Entre as empresas, a taxa permaneceu em 3,3%. Considerando o conjunto das operações de crédito, a inadimplência passou de 4,9% em julho para 5% em agosto.
O saldo dos empréstimos destinados às famílias também aumentou. O volume chegou a R$ 4,7 trilhões em agosto, crescimento de 0,8% no mês e de 10,5% em 12 meses.
Segundo o Banco Central, os financiamentos de veículos, o cartão de crédito rotativo e os empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado puxaram o avanço no crédito livre.
Os dados mais recentes sobre o peso das dívidas no orçamento das famílias são de julho. Naquele mês, o endividamento alcançou 49,9% da renda disponível acumulada em 12 meses, alta de 0,2 ponto porcentual em relação a junho. A parcela da renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas permaneceu em 28,7%.
Na sexta-feira 25, o governo federal lançou uma nova etapa do Desenrola Brasil para renegociar dívidas antigas. O anúncio ocorreu depois do período considerado pelos dados de agosto do Banco Central. Por isso, os números divulgados nesta terça - feira ainda não mostram possíveis efeitos da medida.
Fonte: BATALHA, Victória. Inadimplência das famílias chega a recorde de 8%
(https://revistaoeste.com/economia/inadimplencia-das-familias-chega-a-recorde-de-8/)
(Adaptado).
Leia os períodos abaixo antes de responder ao que se pede.
I. “Segundo o Banco Central, os financiamentos de veículos, o cartão de crédito rotativo e os empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado puxaram o avanço no crédito livre.” (6º par.)
II. “Na sexta-feira 25, o governo federal lançou uma nova etapa do Desenrola Brasil para renegociar dívidas antigas.” (8º par.)
III. “Por isso, os números divulgados nesta terça-feira ainda não mostram possíveis efeitos da medida.” (8º par.)
Assinale a alternativa que apresenta, pela ordem, elementos coesivos de mesma natureza semântica das expressões em destaque dos períodos acima.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Os anticorpos que atravessam a placenta: como vacina da mãe protege o bebê antes mesmo do parto.
Quando uma vida humana começa, ela depende inteiramente do corpo que a abriga.
Dali vêm oxigênio, alimento, a temperatura estável que a protege do mundo lá fora e os hormônios que regulam seu próprio ritmo de crescimento.
O corpo da mãe também filtra e descarta os resíduos que essa vida em formação ainda não sabe processar sozinha.
E chega também um outro tipo de proteção: um repertório de defesas que vai acompanhar esse bebê nos primeiros meses depois de nascer.
Todo bebê vem ao mundo carregando uma herança da história imunológica da própria mãe — os anticorpos que o corpo dela acumulou ao longo da vida, de infecções que teve, de vacinas que já tomou, atravessam a placenta e chegam a ele ainda dentro do útero.
É um processo que revela uma espécie de sabedoria do corpo ao se antecipar a riscos que ainda nem se apresentam diretamente.
Mas esse mecanismo também pode, e deve, ser direcionado: quando a mãe é vacinada durante a gestação, ela protege a si mesma e fabrica, sob encomenda, uma defesa específica contra ameaças que o bebê pode encontrar assim que nascer.
O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos programas de imunização mais bem-sucedidos do mundo — bom o bastante para que gerações inteiras não soubessem mais o que é ver uma criança morrer de coqueluche.
Em 2024, o país foi lembrado do que acontece quando essa proteção falha: o coeficiente de incidência da doença saltou para o maior patamar da série histórica desde 1990, depois de anos em que a taxa havia despencado para praticamente zero.
Naquele ano, 29 bebês com menos de 1 ano morreram de coqueluche no Brasil — 24 deles eram filhos de mães que não haviam sido vacinadas, segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em entrevista à BBC News Brasil.
A explicação não tem um único culpado. A coqueluche é cíclica por natureza, e o último grande pico brasileiro, antes de 2024, foi em 2014.
A pandemia parece ter represado esse ciclo por um tempo, deixando uma população mais suscetível pela queda na cobertura vacinal desses anos. Parte do salto também reflete a ampliação de testes de PCR no país, que passou a detectar casos que antes passavam despercebidos.
A vacina mais recente do calendário das gestantes também tem potencial para evitar mortes. A bronquiolite grave, causada majoritariamente pelo vírus sincicial respiratório (VSR), matou 537 crianças com menos de 1 ano no Brasil em 2024 — um patamar que se manteve elevado mesmo depois do pico histórico registrado em 2023.
O SUS incorporou o imunizante contra o VSR em dezembro de 2025, antes disponível apenas na rede privada e chegando a custar até R$ 1.760.
A vacina passou a ser oferecida à gestante a partir da 28ª semana, buscando repetir contra a bronquiolite o mesmo mecanismo de proteção que já existe contra a coqueluche.
A adesão surpreendeu: segundo Kfouri, a cobertura já se aproxima de 85%, patamar que, segundo ele, tem inclusive ajudado a puxar para cima a cobertura de gripe e de coqueluche.
Durante a gestação, o corpo da mãe continua produzindo os mesmos tipos de anticorpo que sempre fabricou ao longo da vida — só que agora, parte deles vai diretamente para o feto.
Cada tipo tem uma função diferente. A imunoglobulina-M (IgM) é a resposta mais rápida: aparece assim que uma ameaça nova surge, mas é grande demais para passar pela placenta, então o bebê acaba não a recebendo.
A imunoglobulina-G (IgG) é mais experiente — menor e mais precisa, é o anticorpo que o corpo continua fabricando depois de já ter aprendido a reconhecer um inimigo específico, seja de uma infecção antiga, seja de uma vacina. Por ser pequena o bastante, é a única capaz de atravessar a placenta e chegar ao bebê.
"A placenta é como se fosse um filtro, com um microfuro em que as partículas menores têm mais facilidade de passar do que as maiores", explica a ginecologista e obstetra Karina Belickas, do Hospital e Maternidade Santa Joana.
Esse filtro, porém, não deixa passar por acaso: ele reconhece especificamente a IgG e a carrega de propósito para o lado do bebê.
Quem faz esse trabalho é um receptor chamado FcRn — uma espécie de porteiro molecular — instalado numa camada finíssima de células que reveste a placenta por dentro, funcionando como uma fronteira ativa entre o sangue da mãe e o sangue fetal.
Esse mecanismo, explica Maria Carolina Pessoa Valença Rygaard, ginecologista e obstetra e membro da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Febrasgo, é ativo e seletivo: o receptor reconhece uma parte específica do anticorpo e libera a passagem até a circulação do bebê.
Há ainda uma última proteção: a IgA, que age como um guarda posicionado nas portas de entrada do corpo — boca, intestino, vias respiratórias. Ela também não passa pela placenta, mas chega ao bebê só depois do parto, pelo leite materno, protegendo essas mesmas entradas diretamente.
COMO vacina da mãe protege o bebê antes mesmo do parto. BBC News Brasil, 14 set. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cpq05983yv5o. Acesso em: 17 set. 2026. (Adaptado)
A placenta é como se fosse um filtro, com um microfuro em que as partículas menores têm mais facilidade de passar do que as maiores."
Considerando os mecanismos de coesão e os fatores de coerência presentes no trecho, assinale a alternativa CORRETA.
Quem governa uma instituição pública ou privada é sempre objeto do ódio e das queixas dos governados. Os homens estão sempre descontentes porque estão sempre infelizes. Por isso ficam descontentes com o próprio Estado, e também por isso ficam descontentes com quem o governa... Entretanto, no que concerne ao ato de governar, infelizmente existem apenas duas alternativas realmente sensatas: ou abster-se do governo, seja ele público ou privado, ou administrá-lo totalmente em vantagem própria e não dos governados.
Leopardi, Giácomo. Ensaísta italiano.
As opções a seguir apresentam observações de caráter linguístico sobre o texto.
Assinale a única observação incorreta.
Leia o texto a seguir:
Fundado em 1910 como Museu do Crime, com o intuito de armazenar objetos relacionados a delitos, passou a ser chamado de Museu Paranaense de Ciências Forenses em 2022. O espaço é dedicado a preservar a história da Polícia Científica do Paraná e divulgar as ciências forenses. Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, além de livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas. (...) O Museu também possui uma unidade móvel para visitar escolas e eventos. A exposição itinerante conta com diversos materiais das áreas de atuação pericial como crânios, uma coleção de insetos de fauna cadavérica, microscópio para visualização de lâminas histológicas, maletas de perícia, materiais balísticos, entre outros.
https://www.policiacientifica.pr.gov.br/servicos/Cultura-e-Lazer/Museus/MuseuParanaense-de-Ciencias-Forenses-Visitas-e-Informacoes-JVN6EEoP. Acesso em 15.8.26
No trecho “Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, além de livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas”, a expressão “além de” introduz uma relação semântica com o restante do sintagma.
Essa relação está preservada caso a frase fosse reescrita da seguinte forma:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Atendimento ao Público na Administração Pública – Boas Práticas e Legislação
O atendimento de qualidade na administração pública deve ser pautado por princípios que vão além do cumprimento das exigências legais. O primeiro princípio fundamental é o respeito à dignidade da pessoa humana. Todo cidadão, independentemente de sua condição social, nível de escolaridade ou motivo da procura pelo serviço público, deve ser tratado com cortesia, respeito e consideração.
A acessibilidade constitui outro princípio essencial, garantindo que todos os cidadãos possam acessar os serviços públicos, inclusive pessoas com deficiência, idosos e outros grupos que possam ter necessidades específicas. Isso envolve não apenas a acessibilidade física dos espaços, mas também a adequação dos procedimentos, da linguagem e dos canais de comunicação.
A transparência no atendimento significa fornecer informações claras e completas sobre procedimentos, documentos necessários, prazos e custos envolvidos. Os cidadãos têm o direito de saber exatamente o que precisam fazer para obter determinado serviço e qual é o prazo para sua conclusão. A omissão ou a prestação de informações incorretas pode gerar retrabalho, frustração e perda de confiança.
A eficiência no atendimento vai além da rapidez, envolvendo também a resolução efetiva das demandas dos cidadãos. Um atendimento eficiente é aquele que resolve o problema do cidadão de forma definitiva, evitando retornos desnecessários e proporcionando uma experiência satisfatória. Isso requer conhecimento técnico adequado por parte dos servidores e processos bem estruturados.
A comunicação eficaz é a base de qualquer atendimento de qualidade. Na administração pública, em que muitas vezes os assuntos tratados envolvem procedimentos complexos e linguagem técnica, é fundamental que os servidores desenvolvam habilidades para explicar informações complexas em linguagem acessível e compreensível para todos os públicos.
A escuta ativa é uma técnica fundamental que envolve prestar atenção genuína ao que o cidadão está dizendo, fazer perguntas esclarecedoras quando necessário e demonstrar interesse em compreender completamente sua demanda. Muitas vezes, os problemas de atendimento surgem de falhas na comunicação, quando o servidor não compreende adequadamente o que o cidadão precisa ou quando o cidadão não entende as orientações fornecidas.
A empatia no atendimento significa colocar-se no lugar do cidadão, compreendendo suas dificuldades e necessidades. É importante lembrar que, para muitos cidadãos, a ida a um órgão público pode ser uma experiência estressante, especialmente quando se trata de situações urgentes ou problemas complexos. Um servidor empático consegue identificar essas situações e adaptar seu atendimento conforme necessário.
O controle emocional é essencial, especialmente em situações de conflito ou quando o cidadão está visivelmente irritado ou ansioso. Servidores bem preparados sabem manter a calma, não tomar críticas como algo pessoal e focar na resolução do problema. Técnicas de desescalada de conflitos podem ser muito úteis nessas situações.
A linguagem corporal e o tom de voz também são elementos importantes da comunicação. Um sorriso genuíno, uma postura aberta e um tom de voz acolhedor podem fazer toda a diferença na percepção do cidadão sobre a qualidade do atendimento, mesmo quando não é possível resolver imediatamente sua demanda.
A organização eficiente do atendimento começa com o planejamento adequado dos espaços físicos e dos fluxos de atendimento. Os ambientes de atendimento devem ser acolhedores, limpos, bem sinalizados e organizados de forma a facilitar a circulação e reduzir o tempo de espera. A sinalização clara é fundamental para que os cidadãos possam se orientar facilmente e encontrar o setor ou serviço que procuram.
A implementação de sistemas de senhas e agendamento pode contribuir significativamente para a organização do atendimento, reduzindo filas e permitindo melhor controle do fluxo de pessoas. Esses sistemas também geram dados valiosos sobre demanda, tempo médio de atendimento e outros indicadores que podem orientar melhorias nos processos.
A padronização de procedimentos é essencial para garantir que todos os cidadãos recebam o mesmo nível de qualidade no atendimento, independentemente do servidor que os atenda. Isso inclui a criação de manuais de procedimentos, roteiros básicos para situações comuns e checklists que ajudem os servidores a não esquecer informações importantes.
A criação de cartas de serviços é uma ferramenta importante para padronizar e dar transparência ao atendimento. Essas cartas devem conter informações claras sobre cada serviço oferecido, incluindo documentos necessários, prazos, custos e canais de atendimento disponíveis.
"A eficiência no atendimento vai além da rapidez, envolvendo também a resolução efetiva das demandas dos cidadãos."
Assinale a alternativa correta quanto à relação lógico-discursiva estabelecida no trecho.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Garnier
Crônica publicada por Machado de Assis em outubro de 1893, após a morte do livreiro e editor B. L. Garnier, cuja livraria funcionava na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.
Durante meio século, Garnier não fez outra coisa, senão estar ali, naquele mesmo lugar, trabalhando. Já enfermo desde alguns anos, com a morte no peito, descia todos os dias de Santa Teresa para a loja, de onde regressava antes de cair a noite.
[...] os cemitérios são tristes, não em si mesmos, ao contrário. Quando outro dia fui a enterrar o nosso velho livreiro, vi entrar no de S. João Batista, já acabada a cerimônia e o trabalho, um bando de crianças que iam divertir-se. Iam alegres, como quem não pisa memórias nem saudades.
Vivos há-os ainda, e dos bons, que alguma coisa se lembrarão daquela casa e do homem que a fez e perfez. Editar obras jurídicas ou escolares, não é mui difícil; a necessidade é grande, a procura certa. [...] Quem a vê agora, fechadas as portas, trancados os mostradores, à espera da justiça, do inventário e dos herdeiros, há de sentir que falta alguma coisa à rua.
Pessoalmente, que proveito deram a esse homem as suas labutações? O gosto do trabalho, um gosto que se transformou em pena, porque no dia em que devera libertar-se dele, não pôde mais; o instrumento da riqueza era também o do castigo. [...] Valha sequer a memória, ainda que perdida nas páginas dos dicionários biográficos. Perdure a notícia, ao menos, de alguém que neste país novo ocupou a vida inteira em criar uma indústria liberal, ganhar alguns milhares de contos de réis, para ir afinal dormir em sete palmos de uma sepultura perpétua. Perpétua!
Vocabulário: perfez: concluiu, completou (do verbo "perfazer"). mui: muito. labutações: trabalhos árduos. devera: deveria. contos de réis: unidade de conta da antiga moeda brasileira.
ASSIS, Machado de. Garnier. In: ASSIS, Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. v. 2. Publicado originalmente em Páginas recolhidas (Rio de Janeiro: Garnier, 1906). Disponível em:
https://machado.mec.gov.br/obra-completa-lista/item/download/44_efbd a0d80ae2b6fd9a0cab326fad708c. Acesso em: 16 set. 2026. (Fragmento adaptado: supressões indicadas por [...] e grafia atualizada conforme o Acordo Ortográfico vigente.)
Assinale a alternativa em que a classificação morfológica da palavra indicada, considerado o contexto, está CORRETA.
Julgue o item subsequente, acerca de aspectos linguísticos do texto CB1A1.
No último parágrafo, o segmento “Mesmo com esses avanços” expressa circunstância de concessão.
Julgue o item subsequente, acerca de aspectos linguísticos do texto CB1A1.
Estariam mantidas a correção gramatical do texto e a coerência de suas ideias caso o primeiro período do segundo parágrafo fosse reescrito da seguinte forma: As ações afirmativas voltadas para o contexto do serviço público estão entre as recentes políticas destinadas à população negra, que resultam de muitas lutas e reivindicações dos movimentos negros.

