Questões de Concurso Sobre uso dos conectivos em português

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Q4249140 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


        A transformação digital na Administração Pública tem sido frequentemente apresentada como um caminho inevitável para a modernização do Estado. Entretanto, reduzir a inovação governamental à mera aquisição de equipamentos ou à implementação de sistemas informatizados constitui equívoco recorrente e, não raras vezes, dispendioso. A tecnologia, por si só, não opera milagres; antes, converte-se em instrumento estéril quando dissociada de planejamento, de capacitação continuada e de mecanismos de controle.


        Em diversas administrações, observam-se projetos grandiosos anunciados com pompa, mas executados sem diagnóstico prévio das reais necessidades institucionais. Não é incomum que plataformas digitais sofisticadas coexistam com processos internos desorganizados, de sorte que a informatização, em vez de solucionar problemas, apenas lhes confira aparência de modernidade. Nesse contexto, a expressão “governo inteligente” pode, paradoxalmente, designar estruturas administrativas incapazes de utilizar, com eficiência, os recursos tecnológicos de que dispõem. 


        Por outro lado, seria igualmente equivocado afirmar que a resistência às novas tecnologias constitui postura prudente. A recusa sistemática à inovação compromete a transparência, dificulta a prestação de serviços públicos e perpetua práticas burocráticas incompatíveis com as exigências contemporâneas. O desafio, portanto, não consiste em escolher entre tradição e inovação, mas em harmonizar ambas, de modo que a tecnologia deixe de ser um fim em si mesma e passe a representar um meio de concretização do interesse público.


        Convém observar, ademais, que o discurso da transformação digital frequentemente emprega expressões de forte carga simbólica. Afirma-se, por exemplo, que a transparência é um dos “pilares” da gestão contemporânea ou que a tecnologia constitui uma “ferramenta indispensável”. Tais expressões, embora correntes, revelam o emprego figurado da linguagem, uma vez que nem os pilares são estruturas físicas nem as ferramentas são objetos materiais. Trata-se, antes, de construções metafóricas destinadas a enfatizar a importância de determinados valores e instrumentos administrativos.


        Finalmente, importa reconhecer que a eficiência administrativa não se mede pelo número de equipamentos adquiridos, tampouco pela quantidade de sistemas implementados, mas pela capacidade institucional de transformar recursos tecnológicos em resultados socialmente relevantes. A inovação genuína não reside nas máquinas, e sim na inteligência com que são utilizadas.

(Celso Magalhães – Texto adaptado)

Considere o trecho: "O desafio, portanto, não consiste em escolher entre tradição e inovação, mas em harmonizar ambas, de modo que a tecnologia deixe de ser um fim em si mesma e passe a representar um meio de concretização do interesse público.". A expressão "de modo que" introduz uma oração subordinada adverbial que exprime ideia de
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Q4249111 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO


CATHARINA MINA: UMA LIBERTA AFRICANA EM SÃO LUÍS NO SÉC. XIX

Iraneide Soares da Silva


    Nesta segunda década do século XXI, em que as memórias negras precisam ser (e vem sendo) cada vez mais evidenciadas, fomos buscar nas histórias de mulheres negras que viveram no Brasil dos séculos XVIII e XIX. Mulheres essas que só aparecem de relance na historiografia e que nunca, ou quase nunca, chegaram às salas de aula da Educação Básica ou do Ensino Superior. Nossos achados históricos perpassam seis importantes mulheres negras: Esperança Garcia (1751), Maria Firmina dos Reis (1825), Catharina Rosa Ferreira de Jesus (séc. XIX), Mariana Gonçalves da Luz (1871) e Laura Rosa (1884). Para este artigo, destacamos Catharina Rosa Ferreira de Jesus, ou apenas Catharina Mina.

    A cidade de São Luís, entre rios e dentro do mar, forma a ilha de São Luís, território de grande disputa por franceses e portugueses no período colonial, e que se tornou a capital do Maranhão. Como no resto do Brasil, era uma cidade escravista e estava vinculada ao continente africano pelo tráfico atlântico, sobretudo a partir da segunda metade do século XVIII e início do XIX, com a criação e atuação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão (1755). A capital maranhense era um território de estrangeiros, com forte presença de trabalhadores escravizados africanos que chegavam continuamente ao porto, como os do “grupo de procedência” da Costa da Mina, nos atuais Togo, Benim e Nigéria.

    Nessas “chegadas” forçadas, conjecturase que Catharina Rosa Pereira de Jesus, a “Catharina Mina”, tenha ancorado no porto de São Luís na primeira metade do século XIX. Sua memória continua presente no centro histórico ludovicense onde há, por exemplo, uma placa que indica o “Beco da Catharina Mina” e, nas proximidades da rua, existe também um empreendimento comercial em sua homenagem, o “Bar da Catharina Mina”, fundado em 1989. Mas quem foi essa mulher? Qual foi sua marca de distinção numa multidão de homens escravizados em província do extremo norte do Império brasileiro?

Representação de Catharina Rosa Ferreira de Jesus. Beco da Catharina Mina, São Luís-MA, 31 de outubro de 2020. Fonte: site da TV Mirante.

    No tempo presente, ela é caracterizada como uma africana liberta e quituteira. Ressaltase, ainda, a sua beleza e a capacidade de resistir contra o sistema escravista, pois além de sua liberdade, comprou as alforrias de outros escravizados em razão de seus trabalhos e das relações estabelecidas com indivíduos da elite maranhense. Ela também conseguiu ser uma pessoa de influência naquela sociedade. Entretanto, a sua trajetória de vida tem sido pouco divulgada pela historiografia. Com o acesso a documentos sobre sua vida, depositados no Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão (APTJMA), ampliaram-se um pouco mais as informações sobre sua experiência e suas redes de sociabilidade.

Fragmento do Testamento de Catharina Rosa Ferreira de Jesus – Catharina Mina. Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão – APTJMA, São Luís-MA, documento de 29 de junho de 1886. Fonte: acervo do APTJMA.

    Ao analisar as fontes que tratam dessa personagem, encontrou-se a Catharina mulher, não somente a rica ou a boa cozinheira, mas a “Catharina Rosa Pereira de Jesus” que se dizia de “nação Mina”. A escrita do seu testamento, como era comum na época, ficou sob a responsabilidade de alguém da sua confiança. Assim começa a narrativa descrita desse registro: “Eu, Catharina Rosa Ferreira de Jesus achando-me adoentada, mas no meu perfeito juízo e entendimento, tenho resolvido fazer as minhas últimas disposições testamentárias, pelo modo seguinte: Declaro que sou christã e cathólica apostólica romana, da nação Mina”.

    Catharina se apresenta como uma mulher africana, de nação Mina, católica, inserida nos padrões da sociedade vigente do final do século XIX, mas com bens, razão pela qual houve a produção do testamento. A narrativa existente é de que ela trabalhou como quituteira desde muito jovem nas ruas de São Luís do Maranhão. Desse comércio urbano, juntou pecúlio para a compra de sua alforria e conseguiu, ao longo do tempo, adquirir alguma riqueza.

    Catharina declarou também ser solteira e “sem herdeiro algum necessário, sendo-me, portanto, livre dispor de todos os bens que possuo”. Seguindo a leitura do documento disponível no APTJMA, verifica-se que ela foi mãe e que seu rebento havia falecido. As declarações do testamento, além de revelarem sua vivência na maternidade, estabelecem o desejo de conectarse com seu descendente, pois orientam para que seu corpo fosse enterrado “em catacumba e que findo o prazo de três anos, sejam os meus restos mortais trasladados para o jazido que tenho na igreja de Santo Antônio desta cidade, onde estão os do meu filho Pedro”.

    Catharina solicitava um enterro simples e discreto: “[…] quero que o meu enterro e sufrágios se façam a vontade de meus testamenteiros, todavia lhes recomendo que sejam com decência, mas sem pompa, e que no sétimo dia do meu falecimento quero que se diga por minha alma, se distribua a quantia de cinquenta mil reis (50$000) em esmolas e quinhentos reis pelos pobres que comparecerem…”. Catharina não deixou de registrar sua estreita relação com a Igreja Católica e anunciou a distribuição de “esmolas” aos pobres, praticando a caridade, conforme os princípios cristãos. Também conferiu a “plena liberdade a todos os meus escravos sem condição alguma servindo-lhes esta verba de título”.

    Com relação aos seus herdeiros e herdeiras, ela disse ter como afilhada “Dona Esmeralda Jaufret, filha do Doutor José Ricardo Jaufret, falecido” e “Meu afilhado Doutor Alfredo Rapozo Barradas, filho do Doutor Desembargador Joaquim da Costa Barradas”. Esses afilhados, pessoas brancas e abastadas, faziam parte das redes de sociabilidade e amizade de Catharina Mina. Ademais, além desses, outros, como amigos e pessoas escravizadas sob sua posse, foram beneficiados com os bens obtidos por seu trabalho como pequena comerciante nas ruas são-luisenses.

    Com a análise do testamento de Catharina Mina, compreende-se sua importância na memória da cidade de São Luís, sobretudo por se tratar de uma mulher negra que viveu nos espaços urbanos da capital maranhense em tempos de escravidão, no século XIX, um período marcado por adversidades sociais: pelo racismo, sexismo e discriminações de toda a ordem. Ademais, a história e a memória de Catharina Mina nos faz perceber a dimensão que muitos homens negros e mulheres negras, trabalhadores e trabalhadoras nas mais diversas condições jurídicas, tinham de articulação e, de certa forma, domínio no sentido de conhecimento da dinâmica histórica, cultural e social das cidades escravistas brasileiras.

    Enfim, Catharina Mina ultrapassou alguns limites do escravismo, contrariando o pensamento e a cultura da passividade feminina. Nas muitas dinâmicas desses mundos urbanos escravistas nas Américas, mulheres como Catharina Mina abriram brechas e fortaleceram laços a partir de suas vivências socioculturais como trabalhadoras, escravizadas e libertas, nos espaços públicos da cidade, fazendo história e tornando-se referência em uma memória de resistência e luta para as gerações futuras. Nesses espaços, elas fincaram presenças e (re)invenções culturais que atravessaram o tempo. No caso de Catharina Mina, sua trajetória como exescravizada continua sendo relembrada em São Luís, inclusive em decorrência de sua resistência e coragem, fatores que a mantêm viva na memória cotidiana da capital maranhense no século XXI.

Adaptado de: https://www.geledes.org.br/catharina-mina-uma-libertaafricana-em-sao-luis-no-sec-xix/ Acessado em 20/09/2022
Na oração “Enfim, Catharina Mina ultrapassou alguns limites do escravismo, contrariando o pensamento e a cultura da passividade feminina.”, o elemento destacado tem valor de: 
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Q4248982 Português

Texto 5




https://www.google.com/search?q=mensagens+augusto+cury+motiva%C3%A7%C3%A3o&tbm=isch&ved= Acesso em 14/07/2022 

Observe o segmento abaixo:



“...mas nos liberta de sentimentos tóxicos que nos aprisionam .”



Sobre os termos nele sublinhados, assinale a alternativa CORRETA.

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Q4248977 Português

Texto 4 



Cada um tem de mim exatamente o que cativou e cada um é responsável pelo que cativou; não suporto falsidade e mentira, a verdade pode machucar, mas é sempre mais digna. (Charles Chaplin)



https://www.google.com/search?q=mensagens+charles+chaplin+/&rlz=1C1GCEA_enBR977BR977&Acesso em 14/07/2022

Sobre o texto 4, é CORRETO afirmar que
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Q4248963 Português
Humanização e diálogo: antídoto pedagógico contra a violência nas escolas


Diante da escalada de ataques e episódios de violência em instituições de ensino, como os recentes casos registrados no Ceará e no Rio de Janeiro, especialistas e educadores defendem uma mudança radical na estratégia de enfrentamento.

Em vez de focar exclusivamente em medidas de segurança física, como detectores de metais e vigilância armada, o caminho para pacificar o ambiente escolar passa pela reconstrução do sentimento de pertencimento e pela humanização das relações pedagógicas.

A resposta institucional imediata costuma ser o controle. No entanto, o diagnóstico pedagógico é claro: a escola excessivamente burocratizada e centrada no desempenho ignora o sofrimento e a invisibilidade dos jovens. Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social e ressentimento.

A violência escolar não se resolve com controle, vigilância ou punição. Essas medidas podem até conter episódios imediatos, mas dificilmente transformam as causas profundas e estruturais que atravessam os sujeitos", aponta a especialista Maria Amélia Santoro, que é doutora em educação, pós-doutora em pedagogia e organizadora do livro "Pedagogias Emergentes: princípios e práticas".

Para transformar o clima escolar, a especialista enfatiza que é necessário que o aluno deixe de ser um número ou um objeto de disciplina para se tornar um sujeito legítimo. "Isso exige a implementação de assembleias de classe, práticas restaurativas e um currículo que dialogue com as angústias reais do estudante", afirma Maria Amélia.

De acordo com ela, a prevenção ocorre quando o jovem encontra vínculos significativos. Em outras palavras, um adolescente agressivo é, muitas vezes, um jovem desamparado. "Quando ele se sente parte de um projeto coletivo, a escola deixa de ser um 'território hostil' e passa a ser um espaço de proteção", avalia.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/humanizacao-e-dialogo-antidot
o-pedagogico-contra-a-violencia-nas-escolas/fragmento

"No entanto, o diagnóstico pedagógico é claro: a escola excessivamente burocratizada e centrada no desempenho ignora o sofrimento e a invisibilidade dos jovens. Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social e ressentimento."

Com base no uso da expressão 'no entanto' no trecho, analise as asserções a seguir.

I.A expressão 'No entanto' estabelece relação de oposição entre a ideia apresentada e a informação imediatamente anterior do texto.

PORQUE

II.A expressão 'no entanto' é uma locução conjuntiva coordenativa adversativa, semanticamente equivalente a 'contudo' e 'todavia', empregada, no trecho, para contrapor ideias entre períodos distintos.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
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Q4248949 Português
Educação política passará a integrar currículo escolar


Uma nova lei publicada nesta terça-feira (14) no Diário Oficial da União inclui a educação política e direitos da cidadania como componentes curriculares obrigatórios na educação básica. As normas alteram a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e também criam a Semana Nacional da Ética e da Cidadania.

Com isso, os estudantes passarão a ter acesso a conteúdos voltados à compreensão da organização da sociedade, do exercício da cidadania e da participação democrática.

De acordo com Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), a medida cumpre um papel importante dentro das escolas.

"O valor pedagógico desse debate é tanto ensinar para o exercício da cidadania quanto a preparação para a vida. Estimular a participação política rumo a um país desenvolvido, próspero economicamente, justo socialmente e sustentável em termos ambientais", afirma o especialista.

Segundo o educador, debater educação política nas salas de aula é "essencial". No entanto, já deveria ser uma pauta implementada nas disciplinas de Filosofia e Sociologia. "A questão é que a Reforma do Ensino Médio desconstruiu toda a área de Ciências Humanas e deixou a LDB caótica", explica Daniel Cara.

"A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) é falha, propositalmente, na questão da educação política. Deveria ser um tema aprofundado em Sociologia e Filosofia, além de ser abordado em História e Geografia. O melhor caminho, portanto, seria uma revisão da LDB, que é falha em quase todas as áreas e já deveria ser revista", defende o educador.

Apesar de a medida ser destinada ao ensino básico, é possível que a implementação do debate se restrinja ao período do Ensino Médio. No entanto, Daniel Cara defende que a temática seja abordada após o 8º ano do Ensino Fundamental.

"O estudo da realidade social e política deveria ser abordado no Ensino Médio, de modo objetivo, dentro do currículo de Filosofia e Sociologia, que idealmente deveriam começar no 8.º ano do Ensino Fundamental", diz o especialista

Por vezes, estimular o pensamento crítico dentro das salas de aula reverbera de forma negativa. Apesar de estes componentes curriculares carregarem um papel social de desenvolvimento para os jovens estudantes, medidas como essa podem ser associadas a uma determinada formação ideológica dentro das escolas.

No entanto, Daniel Cara reforça que, para que isso não ocorra, é preciso valorizar as disciplinas que formam docentes para estimular debates políticos de forma educativa.

"Certamente há esse risco, por isso, deveria estar sob a égide da sociologia e da filosofia, que possuem a estruturação de um curso de licenciatura que forma os professores para não doutrinarem", explica o educador.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/pne-o-que-muda-com-a-aprova
cao-do-projeto-de-educacao/?utm_source=csa-cdm&utm_content=articl
e

Uma das grandes dificuldades para o professor de língua portuguesa diz respeito a ensinar os alunos a formularem textos coesos e articulados. Levá-los a expor argumentos de forma devidamente conectada, respeitando a progressão textual, exige que o professor tenha domínio das diferentes ferramentas discursivas conhecidas como conectores.
Com base no uso correto desses mecanismos de coesão, julgue as afirmativas a seguir:

I.Em 'A escola pública carecia de recursos, ao passo que a rede particular investia constantemente em tecnologia', a locução 'ao passo que' expressa simultaneidade proporcional entre os fatos, apresentando o mesmo valor semântico observado em orações introduzidas por 'à proporção que'.
II.Em 'O aluno era dedicado às atividades escritas, ao passo que sua colega se destacava nas apresentações orais', a locução 'ao passo que' pode ser substituída por 'entretanto' ou 'contudo', sem prejuízo do sentido original da frase, uma vez que introduz uma relação de contraste entre as habilidades de cada estudante.
III.As locuções 'apesar de' e 'em que pese a' possuem valor concessivo, como em 'Apesar de enfrentar salas superlotadas, a professora conseguiu manter o engajamento dos alunos durante toda a aula' e 'Em que pese a participação do professor em todas as formações oferecidas pela rede, ele ainda enfrentava dificuldades para aplicar as novas metodologias em sala de aula'.
IV.As conjunções aditivas são as que estabelecem uma adição, somam coisas ou orações do mesmo sentido. São exemplos de conjunções aditivas além do 'e', o 'nem' e 'como', como em 'Não trabalha nem estuda' e 'Tanto lê como escreve.

Assinale a alternativa que apresenta as proposições corretas.
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Q4248898 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO


CATHARINA MINA: UMA LIBERTA AFRICANA EM SÃO LUÍS NO SÉC. XIX

Iraneide Soares da Silva


Nesta segunda década do século XXI, em que as memórias negras precisam ser (e vem sendo) cada vez mais evidenciadas, fomos buscar nas histórias de mulheres negras que viveram no Brasil dos séculos XVIII e XIX. Mulheres essas que só aparecem de relance na historiografia e que nunca, ou quase nunca, chegaram às salas de aula da Educação Básica ou do Ensino Superior. Nossos achados históricos perpassam seis importantes mulheres negras: Esperança Garcia (1751), Maria Firmina dos Reis (1825), Catharina Rosa Ferreira de Jesus (séc. XIX), Mariana Gonçalves da Luz (1871) e Laura Rosa (1884). Para este artigo, destacamos Catharina Rosa Ferreira de Jesus, ou apenas Catharina Mina.

A cidade de São Luís, entre rios e dentro do mar, forma a ilha de São Luís, território de grande disputa por franceses e portugueses no período colonial, e que se tornou a capital do Maranhão. Como no resto do Brasil, era uma cidade escravista e estava vinculada ao continente africano pelo tráfico atlântico, sobretudo a partir da segunda metade do século XVIII e início do XIX, com a criação e atuação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão (1755). A capital maranhense era um território de estrangeiros, com forte presença de trabalhadores escravizados africanos que chegavam continuamente ao porto, como os do “grupo de procedência” da Costa da Mina, nos atuais Togo, Benim e Nigéria.

Nessas “chegadas” forçadas, conjecturase que Catharina Rosa Pereira de Jesus, a “Catharina Mina”, tenha ancorado no porto de São Luís na primeira metade do século XIX. Sua memória continua presente no centro histórico ludovicense onde há, por exemplo, uma placa que indica o “Beco da Catharina Mina” e, nas proximidades da rua, existe também um empreendimento comercial em sua homenagem, o “Bar da Catharina Mina”, fundado em 1989. Mas quem foi essa mulher? Qual foi sua marca de distinção numa multidão de homens escravizados em província do extremo norte do Império brasileiro?

Representação de Catharina Rosa Ferreira de Jesus. Beco da Catharina Mina, São Luís-MA, 31 de outubro de 2020. Fonte: site da TV Mirante.

No tempo presente, ela é caracterizada como uma africana liberta e quituteira. Ressaltase, ainda, a sua beleza e a capacidade de resistir contra o sistema escravista, pois além de sua liberdade, comprou as alforrias de outros escravizados em razão de seus trabalhos e das relações estabelecidas com indivíduos da elite maranhense. Ela também conseguiu ser uma pessoa de influência naquela sociedade. Entretanto, a sua trajetória de vida tem sido pouco divulgada pela historiografia. Com o acesso a documentos sobre sua vida, depositados no Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão (APTJMA), ampliaram-se um pouco mais as informações sobre sua experiência e suas redes de sociabilidade. 

Fragmento do Testamento de Catharina Rosa Ferreira de Jesus – Catharina Mina. Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão – APTJMA, São Luís-MA, documento de 29 de junho de 1886. Fonte: acervo do APTJMA.

Ao analisar as fontes que tratam dessa personagem, encontrou-se a Catharina mulher, não somente a rica ou a boa cozinheira, mas a “Catharina Rosa Pereira de Jesus” que se dizia de “nação Mina”. A escrita do seu testamento, como era comum na época, ficou sob a responsabilidade de alguém da sua confiança. Assim começa a narrativa descrita desse registro: “Eu, Catharina Rosa Ferreira de Jesus achando-me adoentada, mas no meu perfeito juízo e entendimento, tenho resolvido fazer as minhas últimas disposições testamentárias, pelo modo seguinte: Declaro que sou christã e cathólica apostólica romana, da nação Mina”.

Catharina se apresenta como uma mulher africana, de nação Mina, católica, inserida nos padrões da sociedade vigente do final do século XIX, mas com bens, razão pela qual houve a produção do testamento. A narrativa existente é de que ela trabalhou como quituteira desde muito jovem nas ruas de São Luís do Maranhão. Desse comércio urbano, juntou pecúlio para a compra de sua alforria e conseguiu, ao longo do tempo, adquirir alguma riqueza.

Catharina declarou também ser solteira e “sem herdeiro algum necessário, sendo-me, portanto, livre dispor de todos os bens que possuo”. Seguindo a leitura do documento disponível no APTJMA, verifica-se que ela foi mãe e que seu rebento havia falecido. As declarações do testamento, além de revelarem sua vivência na maternidade, estabelecem o desejo de conectarse com seu descendente, pois orientam para que seu corpo fosse enterrado “em catacumba e que findo o prazo de três anos, sejam os meus restos mortais trasladados para o jazido que tenho na igreja de Santo Antônio desta cidade, onde estão os do meu filho Pedro”.

Catharina solicitava um enterro simples e discreto: “[…] quero que o meu enterro e sufrágios se façam a vontade de meus testamenteiros, todavia lhes recomendo que sejam com decência, mas sem pompa, e que no sétimo dia do meu falecimento quero que se diga por minha alma, se distribua a quantia de cinquenta mil reis (50$000) em esmolas e quinhentos reis pelos pobres que comparecerem…”. Catharina não deixou de registrar sua estreita relação com a Igreja Católica e anunciou a distribuição de “esmolas” aos pobres, praticando a caridade, conforme os princípios cristãos. Também conferiu a “plena liberdade a todos os meus escravos sem condição alguma servindo-lhes esta verba de título”.

Com relação aos seus herdeiros e herdeiras, ela disse ter como afilhada “Dona Esmeralda Jaufret, filha do Doutor José Ricardo Jaufret, falecido” e “Meu afilhado Doutor Alfredo Rapozo Barradas, filho do Doutor Desembargador Joaquim da Costa Barradas”. Esses afilhados, pessoas brancas e abastadas, faziam parte das redes de sociabilidade e amizade de Catharina Mina. Ademais, além desses, outros, como amigos e pessoas escravizadas sob sua posse, foram beneficiados com os bens obtidos por seu trabalho como pequena comerciante nas ruas são-luisenses.

Com a análise do testamento de Catharina Mina, compreende-se sua importância na memória da cidade de São Luís, sobretudo por se tratar de uma mulher negra que viveu nos espaços urbanos da capital maranhense em tempos de escravidão, no século XIX, um período marcado por adversidades sociais: pelo racismo, sexismo e discriminações de toda a ordem. Ademais, a história e a memória de Catharina Mina nos faz perceber a dimensão que muitos homens negros e mulheres negras, trabalhadores e trabalhadoras nas mais diversas condições jurídicas, tinham de articulação e, de certa forma, domínio no sentido de conhecimento da dinâmica histórica, cultural e social das cidades escravistas brasileiras.

Enfim, Catharina Mina ultrapassou alguns limites do escravismo, contrariando o pensamento e a cultura da passividade feminina. Nas muitas dinâmicas desses mundos urbanos escravistas nas Américas, mulheres como Catharina Mina abriram brechas e fortaleceram laços a partir de suas vivências socioculturais como trabalhadoras, escravizadas e libertas, nos espaços públicos da cidade, fazendo história e tornando-se referência em uma memória de resistência e luta para as gerações futuras. Nesses espaços, elas fincaram presenças e (re)invenções culturais que atravessaram o tempo. No caso de Catharina Mina, sua trajetória como exescravizada continua sendo relembrada em São Luís, inclusive em decorrência de sua resistência e coragem, fatores que a mantêm viva na memória cotidiana da capital maranhense no século XXI.

Adaptado de: https://www.geledes.org.br/catharina-mina-uma-libertaafricana-em-sao-luis-no-sec-xix/ Acessado em 20/09/2022
Na oração ”Enfim, Catharina Mina ultrapassou alguns limites do escravismo, contrariando o pensamento e a cultura da passividade feminina.”, o elemento destacado tem valor de: 
Alternativas
Q4248854 Português
Humanização e diálogo: antídoto pedagógico contra a violência nas escolas


Diante da escalada de ataques e episódios de violência em instituições de ensino, como os recentes casos registrados no Ceará e no Rio de Janeiro, especialistas e educadores defendem uma mudança radical na estratégia de enfrentamento.

Em vez de focar exclusivamente em medidas de segurança física, como detectores de metais e vigilância armada, o caminho para pacificar o ambiente escolar passa pela reconstrução do sentimento de pertencimento e pela humanização das relações pedagógicas.

A resposta institucional imediata costuma ser o controle. No entanto, o diagnóstico pedagógico é claro: a escola excessivamente burocratizada e centrada no desempenho ignora o sofrimento e a invisibilidade dos jovens. Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social e ressentimento.

A violência escolar não se resolve com controle, vigilância ou punição. Essas medidas podem até conter episódios imediatos, mas dificilmente transformam as causas profundas e estruturais que atravessam os sujeitos", aponta a especialista Maria Amélia Santoro, que é doutora em educação, pós-doutora em pedagogia e organizadora do livro "Pedagogias Emergentes: princípios e práticas".

Para transformar o clima escolar, a especialista enfatiza que é necessário que o aluno deixe de ser um número ou um objeto de disciplina para se tornar um sujeito legítimo. "Isso exige a implementação de assembleias de classe, práticas restaurativas e um currículo que dialogue com as angústias reais do estudante", afirma Maria Amélia.

De acordo com ela, a prevenção ocorre quando o jovem encontra vínculos significativos. Em outras palavras, um adolescente agressivo é, muitas vezes, um jovem desamparado. "Quando ele se sente parte de um projeto coletivo, a escola deixa de ser um 'território hostil' e passa a ser um espaço de proteção", avalia.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/humanizacao-e-dialogo-antidot
o-pedagogico-contra-a-violencia-nas-escolas/fragmento

"No entanto, o diagnóstico pedagógico é claro: a escola excessivamente burocratizada e centrada no desempenho ignora o sofrimento e a invisibilidade dos jovens. Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social e ressentimento."

Com base no uso da expressão 'no entanto' no trecho, analise as asserções a seguir.

I.A expressão 'No entanto' estabelece relação de oposição entre a ideia apresentada e a informação imediatamente anterior do texto.

PORQUE

II.A expressão 'no entanto' é uma locução conjuntiva coordenativa adversativa, semanticamente equivalente a 'contudo' e 'todavia', empregada, no trecho, para contrapor ideias entre períodos distintos.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4248286 Português
        Para um governo ser bem-sucedido, é necessário que tenha legitimidade. Ou seja, ele exige que os cidadãos aceitem que os arranjos institucionais são apropriados para eles e que essas instituições farão o que é certo na maior parte do tempo. Assim, quanto mais legitimidade tiver, maior será o seu espaço para agir. Pode-se governar por curtos períodos de tempo sem legitimidade por meio de medidas coercitivas, mas isso é caro ⸺ e provavelmente reduzirá ainda mais a legitimidade.

        Geralmente pensamos em um governo que alcança legitimidade por meio de procedimentos. Se eleito em uma eleição livre e justa, a maioria dos cidadãos considerará que ele tem legitimidade. Além disso, se os processos pelos quais as leis são feitas e aplicadas forem constitucionais e também forem considerados justos, as leis serão legítimas. Essas bases processuais de legitimidade são importantes, mas não contam toda a história da capacidade de governança do setor público.

        Além dos aspectos processuais, o setor público também deve pensar sobre os aspectos substantivos da legitimidade. Existem agora evidências significativas de que ela se baseia, também, no desempenho do setor público na prestação de bens e serviços à população. Um bom governo é visto cada vez mais como fornecedor de boas escolas, bons cuidados de saúde, boas estradas e todos os outros serviços de que a sociedade depende.

        Criar e manter a confiança do cidadão, portanto, requer não apenas o bom funcionamento dos governos de acordo com o que prevê a lei, mas também exige que o governo concretize a prestação de serviços públicos. Portanto, instrumentos como a gestão do desempenho tornaram-se mais importantes não apenas na gestão interna, mas também para justificar a própria existência do governo perante seus cidadãos. Os fardos colocados sobre os que tentam governar tornaram-se ainda mais pesados, e as expectativas dos cidadãos, ainda maiores, mas a boa governança pode legitimar as ações do setor público.

B. Guy Peters. Guia da Política de Governança Pública. Brasília: Casa Civil da Presidência da República, 2018, p. 22 (com adaptações).

No que concerne às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item seguinte.


Seriam preservados os sentidos e a correção gramatical do texto caso o período "Essas bases processuais de legitimidade são importantes, mas não contam toda a história da capacidade de governança do setor público." (segundo parágrafo) fosse reescrito da seguinte forma: Conquanto essas bases processuais de legitimidade sejam importantes, não contam toda a história da capacidade de governança do setor público.

Alternativas
Q4248178 Português

Texto 2 para a questão.


Todos nós passamos por dificuldades na vida. Para alguns falta o pão na mesa; a outros, a alegria da alma. Muitos lutam para sobreviver; outros são ricos, mas mendigam o pão da tranquilidade e da felicidade. Não adianta dominar o mundo lá fora e não dominar o mundo interior, o enorme território da sua alma.

(Augusto Cury)


https://www.google.com/search?q=textos+de+augusto+cury&tbm=isch&ved; Acesso em 13.07.2022.

Observe o trecho abaixo: “


...outros são ricos, mas mendigam o pão da tranquilidade e da felicidade.”


O conectivo que liga as duas orações acima 

Alternativas
Q4248064 Português
Texto 3


    Por que diabos “merda” é palavrão? Aliás, por que a palavra “diabos”, indizível décadas atrás, deixou de ser um? Outra: você já deve ter tropeçado numa pedra e, para revidar, xingou-a de algo como “filha-da-puta”, mesmo sabendo que a dita nem mãe tem.
    Pois é: há mais mistérios no universo dos palavrões do que o senso comum imagina. Mas a ciência ajuda a desvendá-los. Pesquisas recentes mostram que as palavras sujas nascem em um mundo à parte dentro do cérebro. Enquanto a linguagem comum e o pensamento consciente ficam a cargo da parte mais sofisticada da massa cinzenta, o neocórtex, os palavrões “moram” nos porões da cabeça. Mais exatamente no sistema límbico. É o fundo do cérebro, a parte que controla nossas emoções. Trata-se de uma zona primitiva: se o nosso neocórtex é mais avantajado que o dos outros mamíferos, o sistema límbico é bem parecido. Nossa parte animal fica lá.


BURGOS, A ciência do palavrão: o que está por trás dos xingamentos mais comuns. Superinteressante [edição virtual], São Paulo, 31 jan. 2008. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/a-ciencia-do-palavrao/. Acesso em: 04 jun. 2026.
No trecho “Enquanto a linguagem comum e o pensamento consciente ficam a cargo da parte mais sofisticada da massa cinzenta, o neocórtex, os palavrões ‘moram’ nos porões da cabeça. Mais exatamente no sistema límbico.”, a expressão “mais exatamente” apresenta valor semântico de 
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Q4247846 Português

Observe o seguinte trecho da música “Estudo errado”, de Gabriel, o Pensador:


Eu tô aqui pra quê?

Será que é pra aprender?

Ou será que é pra sentar, me acomodar e obedecer?

Tô tentando passar de ano pro meu pai não me bater

(...)

Manhê! Tirei um dez na prova

Me dei bem, tirei um cem e eu quero ver quem me reprova

Decorei toda lição

Não errei nenhuma questão

Não aprendi nada de bom

Mas tirei dez (boa filhão!)


Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci

Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi


https://www.letras.mus.br/gabriel-pensador/66375/


Ao trabalhar esse trecho com alunos do 9o ano do Ensino Fundamental, um professor pretende verificar se a turma compreendeu a função argumentativa desempenhada pelo conectivo "mas" nas duas ocorrências destacadas.


Assinale a proposta de atividade mais adequada para avaliar essa aprendizagem. 

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Q4247839 Português

Leia o início de um conto da autora Lygia Fagundes Telles.


 A disciplina do amor


Foi na França, durante a segunda grande guerra: um jovem tinha um cachorro que, todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e, na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta à casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava até a correr todo animado atrás dos mais íntimos para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe.


TELLES, Lygia Fagundes. A disciplina do amor. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980.p. 99-100.


Considerando o procedimento organizacional dos textos em introdução, desenvolvimento e conclusão, é correto afirmar que a escolha da autora pela construção, que inicia o primeiro período do texto, deve-se à sua função de 

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Q4247828 Português

Educação de SP está com vagas abertas em processos seletivos para professores dos Ensinos Fundamental, Médio e Médio Técnico


Podem participar profissionais com formação em cursos normal superior, licenciatura, bacharelado e tecnólogos, além de especialistas com notório saber e experiência comprovada


A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) está com dois processos seletivos abertos para professores do Ensino Fundamental (anos iniciais e finais) e Ensino Médio. O cadastro deve ser realizado on-line no site da Fundação Getúlio Vargas e a taxa de inscrição é de R$ 60 para cada concurso. Há vagas nas 91 unidades regionais de ensino para atuação no ano letivo de 2027.


 https://www.educacao.sp.gov.br


Na notícia, são apresentadas informações relativas à seleção de professores pela Seduc-SP.


No contexto do subtítulo, a expressão “além de” introduz uma informação com valor semântico de

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Q4247424 Português

Transbordando memórias

Maria Luiza Glovacki


        Cercando a cidade há um rio. Um rio que pode ser pacífico mas também agressivo. Um rio que pode continuar sereno e calmo mas também em confusão, destruindo casas, rotinas, e, em alguns casos mais graves, a vida.


        O rio enche, e enchendo, leva tudo. Enchendo, entra nas casas e força pessoas a saírem. O rio subiu. Encheu tanto que transbordou. Tanto que me tirou da minha infância, das brincadeiras, memórias e da dor de sair toda vez que o rio enche. E, dessa vez, o rio encheu e eu não volto mais.


        Não volto mais. Tudo muda. Não mais sentirei a espuma velha daquele sofá confortável onde tomava chocolate quente quando fazia frio, não irei sentir o cheiro daquele jardim florido em que minhas cachorras insistiam em cavar buracos, ou até mesmo não ouvirei as pessoas andando de madrugada nas ruas em minhas noites mal dormidas, ou o gosto do suco dos morangos lá plantados. Nada disso eu consegui segurar. Nada disso o rio me deixou segurar. Tudo mudou.


        E eu não volto mais, porque o rio, entre todas as coisas que podiam transbordar, transbordou. E ele decidiu que sair daquele lar foi preciso. Inevitavelmente, hora ou outra sairia, sonho de gerações ao deixar isso para trás. Mas o rio decide. E decidiu que a escolha deveria ser tomada agora.


        Esse rio transbordado me tirou de muitas coisas. Tudo desapareceu como uma onda inundando meu ser, fluindo minha vida como uma pequena nascente, na poesia ardente que é viver. Pois agora não mais voltarei. Não mais terei que passar pelo sofrimento do rio transbordado.


    O rio transbordou. E eu também transbordei.



Adaptado de: https://ifpr.edu.br/uniao-da vitoria/wpcontent/uploads/sites/27/2023/12/Cronicas-Submersas4_compressed.pdf Acesso em: 27 maio 2026. 

No trecho “E eu não volto mais, porque o rio […] transbordou.”, a oração em destaque indica o sentido de 
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Q4247212 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão.

A motivação dos atos administrativos e a proteção do interesse público

        A Administração Pública exerce suas competências por meio de atos administrativos destinados à consecução do interesse público e à concretização das finalidades estabelecidas pelo ordenamento jurídico. Todavia, o exercício dessas prerrogativas não se reveste de caráter absoluto, visto que toda atuação estatal encontra limites nos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no caput do artigo 37 da nossa Constituição Federal. Nesse contexto, a motivação dos atos administrativos constitui requisito essencial de legitimidade, por permitir o controle da atuação administrativa tanto pela própria Administração quanto pelos órgãos de controle e pelo Poder Judiciário. 

        A motivação consiste na exposição clara, coerente e suficiente das razões de fato e de direito que justificam a prática do ato administrativo. Não se trata de mera formalidade burocrática, mas de verdadeiro instrumento de transparência, de controle e de garantia dos direitos fundamentais dos administrados. A ausência de fundamentação adequada, ou a apresentação de justificativas genéricas e incompatíveis com a realidade dos fatos, pode comprometer a validade do ato, especialmente quando impedir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pelos interessados.

        Não por outra razão, a doutrina contemporânea reconhece que a discricionariedade administrativa não autoriza decisões arbitrárias. Ainda que a lei confira margem de liberdade ao administrador para escolher a solução mais conveniente e oportuna, essa escolha permanece vinculada aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da finalidade pública e da motivação suficiente. Em consequência, o controle jurisdicional não alcança o mérito administrativo propriamente dito, salvo quando evidenciado desvio de finalidade, abuso de poder, erro de fato, manifesta desproporcionalidade ou violação aos princípios que regem a Administração Pública.

        Cumpre destacar, ademais, que a teoria dos motivos determinantes estabelece que a validade do ato administrativo se encontra vinculada aos motivos expressamente indicados pela autoridade competente. Assim, se a Administração declara determinada justificativa para a prática do ato e posteriormente se verifica que os fatos alegados não existiam ou eram juridicamente inadequados, o ato poderá ser invalidado, ainda que outra fundamentação eventualmente pudesse sustentá-lo. Essa compreensão fortalece a segurança jurídica, reforça a confiança legítima dos administrados e prestigia o dever de boa-fé objetiva nas relações entre o Estado e os particulares.

        Sob outra perspectiva, a eficiência administrativa não pode ser interpretada como autorização para relativizar direitos fundamentais ou afastar procedimentos legalmente previstos. Ao contrário, a busca por maior celeridade deve coexistir com o respeito às garantias processuais, ao devido processo legal e à observância das formas essenciais previstas em lei. A simplificação procedimental somente se revela legítima quando compatível com o sistema normativo e incapaz de comprometer a lisura, a transparência ou a imparcialidade da atuação estatal.

        Por fim, importa reconhecer que a legitimidade da atuação administrativa não decorre exclusivamente da conformidade formal com a lei, mas também da observância dos valores constitucionais que orientam a Administração Pública. Um ato aparentemente regular poderá revelar-se inválido caso afronta princípios constitucionais ou produza efeitos incompatíveis com a finalidade pública que lhe deu origem. Nessa perspectiva, o controle dos atos administrativos representa importante mecanismo de preservação do Estado Democrático de Direito, assegurando que o exercício da função administrativa permaneça permanentemente submetido à Constituição, às leis e aos direitos fundamentais. (Gilberto Manso – Texto adaptado)
Com base no texto, analise as afirmativas.
I. A expressão "Todavia", no primeiro parágrafo, introduz ideia de oposição em relação ao período anterior.
II. Em "não se trata de mera formalidade burocrática", o pronome "se" exerce função de índice de indeterminação do sujeito.
III. Em "essa escolha permanece vinculada aos princípios da razoabilidade...", o predicado é classificado como verbo-nominal.
IV. A substituição de "Submetido à Constituição, às leis e aos direitos fundamentais" por "Submetido a Constituição, as leis e aos direitos fundamentais" viola a norma de emprego do acento indicativo de crase.
Está CORRETO o que se afirma em 
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Q4247076 Português
Qualidade da água dos rios da Mata Atlântica
segue precária; pontos com classificação boa
caem para apenas cinco 


    A qualidade da água dos rios da Mata Atlântica continua precária, sem apresentar sinais consistentes de melhora. Lançado na semana do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o novo relatório da Fundação SOS Mata Atlântica confirma um cenário de estagnação nos indicadores e revela uma redução significativa no número de pontos com água classificada como boa. No estudo mais recente, que reúne dados coletados entre janeiro e dezembro de 2025, quase 80% dos pontos monitorados apresentaram qualidade regular – o que indica impacto relevante da poluição e necessidade de tratamento da água para diferentes usos. 

    Produzido pelo programa Observando os Rios, uma das maiores iniciativas de ciência cidadã voltadas ao monitoramento da qualidade da água no Brasil, o Retrato da Qualidade da Água nos Rios da Mata Atlântica reúne um amplo diagnóstico sobre a situação dos cursos d’água do bioma. Neste ciclo de monitoramento, foram realizadas 1.209 análises em 162 pontos de coleta, distribuídos em 128 rios e corpos d’água localizados em 86 municípios de 14 estados, com a participação de 133 grupos voluntários. [...] 

    Os resultados mostram que apenas cinco pontos (3,1%) apresentaram qualidade boa, enquanto 127 (78,4%) foram classificados como regulares, 25 (15,4%) como ruins e cinco (3,1%) como péssimos. Mais uma vez, nenhum ponto analisado atingiu a classificação de qualidade ótima. [...] 

    A comparação com os dados do ciclo anterior reforça o alerta. Entre os 115 pontos acompanhados nos dois anos consecutivos, os classificados como bons caíram de nove para três. Ao mesmo tempo, houve um aumento dos regulares e leve crescimento dos enquadrados como ruins. Cinco pontos permaneceram na categoria péssima, mantendo condições críticas de qualidade da água. 

    Para Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica, os resultados sinalizam que o país ainda não conseguiu avançar, de forma estrutural, na recuperação dos rios. “Seguimos presos a um cenário de estagnação num patamar que há anos já é preocupante. A predominância da qualidade regular revela que a maioria dos rios está sob pressão constante da poluição. Sem mudanças estruturais, o país continuará convivendo com rios degradados e, consequentemente, com riscos crescentes para toda a população”, afirma. 

Ainda assim, há exemplos pontuais de recuperação. Em Pacatuba (SE), o rio Betume apresentou melhora e passou da classificação regular para boa, enquanto o rio Capivari, em Florianópolis (SC), e o córrego Itaguaçu/Itaquanduba, em Ilhabela (SP) avançaram de ruim para regular. Os casos indicam que a recuperação é possível quando há redução das fontes de poluição e avanços na gestão das bacias hidrográficas. [...] Porém, em alguns casos, a situação se agravou ainda mais: o rio Jaboatão, em Jaboatão dos Guararapes (PE), e pontos dos rios Paraíba do Sul, em Itaocara (RJ), e Tietê, em Guarulhos (SP) e Santana de Parnaíba (SP), passaram de regular para ruim, tornando a água imprópria para diversos usos. O relatório também aponta que alguns dos trechos mais críticos, com água péssima, permanecem sem melhora – como os rios Pinheiros e Jaguaré, na capital paulista, e o Ribeirão dos Meninos, em São Caetano do Sul (SP) –, evidenciando que a recuperação dos rios é lenta e exige ações estruturais contínuas. [...] 

    Eventos extremos, como períodos prolongados de estiagem e chuvas intensas, alteram o funcionamento das bacias, aumentam o carreamento de sedimentos e reduzem a capacidade de diluição de poluentes, agravando a situação dos rios. Relatório recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) aponta que, para cada US$ 1 investido globalmente na proteção da natureza, cerca de US$ 30 financiam atividades que degradam os ecossistemas, evidenciando o descompasso entre os investimentos necessários para enfrentar a crise ambiental e os recursos destinados a atividades que pressionam os recursos naturais. [...] 

    O Observando os Rios mobiliza comunidades em diferentes regiões da Mata Atlântica para acompanhar mensalmente a qualidade da água em rios e córregos, utilizando metodologia baseada no Índice de Qualidade da Água. A rede reúne, atualmente, mais de dois mil voluntários em 14 estados, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a situação dos recursos hídricos e fortalecer a mobilização social em defesa da água limpa. A consistência dos dados gerados pelo programa foi analisada em estudo publicado na revista científica internacional Citizen Science: Theory and Practice, que apontou forte convergência entre as medições realizadas pelos voluntários e os padrões oficiais de monitoramento da CETESB. 

Adaptado de: https://www.sosma.org.br/noticias/qualidade-da-agua-
dos-rios-da-mata-atlantica-segue-precaria-pontos-com-
classificacao-boa-caem-para-apenas-cinco. Acesso em: 31 maio
2026. 

Considere o seguinte excerto do texto:


“Os casos indicam que a recuperação é possível quando há redução das fontes de poluição e avanços na gestão das bacias hidrográficas. [...] Porém, em alguns casos, a situação se agravou ainda mais [...]”.


Todas as conjunções a seguir podem substituir, sem prejuízo de sentido, o conectivo destacado no excerto apresentado, EXCETO 

Alternativas
Q4247016 Português
As bacias hidrográficas conservadas são
infraestruturas fundamentais

    Os mananciais e bacias hidrográficas saudáveis são infraestruturas naturais imprescindíveis para quase todas as cidades do mundo. Além de coletar, armazenar e filtrar a água, elas contribuem para a preservação da biodiversidade, a mitigação das mudanças climáticas e a adaptação a elas, a segurança alimentar, a saúde e o bem-estar dos seres humanos. Atualmente, segundo as estimativas, 1,7 bilhão de habitantes das maiores cidades do mundo dependem de águas procedentes de mananciais cujas bacias hidrográficas estão situadas a centenas ou, às vezes, a milhares de quilômetros de distância. Até 2050, os mananciais em bacias hidrográficas que abastecem áreas urbanas servirão até dois terços da população global, embora representem um terço da superfície terrestre.

    Ao concentrar empregos, serviços e investimentos, as cidades serão claramente as impulsionadoras do crescimento econômico. Para crescer de forma sustentável, porém, elas precisarão assumir um papel ativo na proteção das águas e dos mananciais das quais dependem a população e a natureza. No entanto, as cidades não conseguem fazer isso sozinhas. Os mananciais nas bacias hidrográficas são o ponto de convergência dos esforços de quem está trabalhando para melhorar a resiliência das cidades, aumentar a segurança hídrica e impulsionar o desenvolvimento sustentável, contribuindo para um clima estável.

Mananciais estão ameaçados 

    Foi verificado que 40% das áreas das bacias hidrográficas em que se localizam os mananciais exibem níveis altos ou moderados de degradação. O impacto dessas mudanças sobre a segurança hídrica pode ser grave. Nutrientes e sedimentos agrícolas ou de outras origens elevam o custo do tratamento da água para os usuários das cidades ou das indústrias. O desaparecimento da vegetação natural e a degradação do solo podem alterar o padrão do fluxo das águas na paisagem e acarretar um fornecimento de água pouco confiável, com implicações tanto para os usuários à montante quanto à jusante. Segundo o Banco Mundial, algumas regiões poderiam sofrer um declínio de até 6% do PIB nas suas taxas de crescimento até 2050, devido a perdas resultantes da redução dos recursos hídricos, tanto na agricultura quanto na saúde, na renda e nas propriedades, o que levaria a um crescimento negativo permanente.

    Além disso, metas ambiciosas para melhorar os meios de subsistência, como as estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), só poderão ser alcançadas em um mundo no qual haja mais segurança hídrica.

Disponível em:
https://www.nature.org/content/dam/tnc/nature/en/photos/b/e/beyon dthesource_execsummary_portuguese.pdf Acesso em: 26 maio
2025. 
Em relação ao trecho “Para crescer de forma sustentável, porém, elas precisarão assumir um papel ativo na proteção das águas [...]”, assinale a alternativa INCORRETA. 
Alternativas
Q4247009 Português
As bacias hidrográficas conservadas são
infraestruturas fundamentais

    Os mananciais e bacias hidrográficas saudáveis são infraestruturas naturais imprescindíveis para quase todas as cidades do mundo. Além de coletar, armazenar e filtrar a água, elas contribuem para a preservação da biodiversidade, a mitigação das mudanças climáticas e a adaptação a elas, a segurança alimentar, a saúde e o bem-estar dos seres humanos. Atualmente, segundo as estimativas, 1,7 bilhão de habitantes das maiores cidades do mundo dependem de águas procedentes de mananciais cujas bacias hidrográficas estão situadas a centenas ou, às vezes, a milhares de quilômetros de distância. Até 2050, os mananciais em bacias hidrográficas que abastecem áreas urbanas servirão até dois terços da população global, embora representem um terço da superfície terrestre.

    Ao concentrar empregos, serviços e investimentos, as cidades serão claramente as impulsionadoras do crescimento econômico. Para crescer de forma sustentável, porém, elas precisarão assumir um papel ativo na proteção das águas e dos mananciais das quais dependem a população e a natureza. No entanto, as cidades não conseguem fazer isso sozinhas. Os mananciais nas bacias hidrográficas são o ponto de convergência dos esforços de quem está trabalhando para melhorar a resiliência das cidades, aumentar a segurança hídrica e impulsionar o desenvolvimento sustentável, contribuindo para um clima estável.

Mananciais estão ameaçados 

    Foi verificado que 40% das áreas das bacias hidrográficas em que se localizam os mananciais exibem níveis altos ou moderados de degradação. O impacto dessas mudanças sobre a segurança hídrica pode ser grave. Nutrientes e sedimentos agrícolas ou de outras origens elevam o custo do tratamento da água para os usuários das cidades ou das indústrias. O desaparecimento da vegetação natural e a degradação do solo podem alterar o padrão do fluxo das águas na paisagem e acarretar um fornecimento de água pouco confiável, com implicações tanto para os usuários à montante quanto à jusante. Segundo o Banco Mundial, algumas regiões poderiam sofrer um declínio de até 6% do PIB nas suas taxas de crescimento até 2050, devido a perdas resultantes da redução dos recursos hídricos, tanto na agricultura quanto na saúde, na renda e nas propriedades, o que levaria a um crescimento negativo permanente.

    Além disso, metas ambiciosas para melhorar os meios de subsistência, como as estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), só poderão ser alcançadas em um mundo no qual haja mais segurança hídrica.

Disponível em:
https://www.nature.org/content/dam/tnc/nature/en/photos/b/e/beyon dthesource_execsummary_portuguese.pdf Acesso em: 26 maio
2025. 
Em “Até 2050, os mananciais em bacias hidrográficas que abastecem áreas urbanas servirão até dois terços da população global, embora representem um terço da superfície terrestre.”, a oração em destaque 
Alternativas
Q4246938 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Se o flaneur* do século 19 prenunciava a crise de identidade, hoje o cidadão globalizado tem de se entender com seus outros espaços e tempos, que não passam somente pelo estar aqui e agora. Aqui não mais representa um lugar, e agora não mais representa um momento.


É claro que não se trata aqui de um tratado sobre guerra/terrorismo, ou mesmo sobre o conceito de nação, mas sim de tentar, pelo viés artístico, apontar as transformações por que passa nossa cultura contemporânea, marcada pela visualidade e por um estágio de intensa mistura entre as mais diversas formas de construção imagética, na qual temos de lidar com a crise das passagens entre real-virtual-real.


Para o filósofo Alain Renaud, que se tem destacado por suas análises das relações entre a cultura e a tecnologia, a noção de visibilidade cultural hoje está ligada aos processos de simulação interativa, que permitem antecipar o real físico, reproduzi-lo e manipulá-lo. Dentro dessas novas estruturas, aquela que o autor denomina "imagem espetáculo" é substituída pelo "simulacro interativo", o que gera uma transformação radical não apenas no conceito de representação, mas, sobretudo, na relação com o real.


Se analisarmos a mídia, a indústria cultural vem (re)tratando a sociedade como um espetáculo; ela tem autoridade para transformar eventos tão díspares como guerra ou vida cotidiana em simulacros de shows e games. Podemos afirmar que não estamos mais no terreno do Grande Irmão, de George Orwel, em seu livro 1984, e sim imersos no universo descrito por Peter Weil no filme Truman Show (1998), que narra a história de um vendedor de seguros (Jim Carrey) que tem sua vida virada de cabeça para baixo quando descobre que é o astro, desde que nasceu, de um show de televisão dedicado a acompanhar todos os passos de sua existência.


Não é gratuito, aqui, substituir uma referência literária por uma cinematográfica. É claro que a indústria cultural não despreza a literatura, mas o cinema há muito tempo substituiu no imaginário popular, ou das massas, para usar uma expressão cara à indústria cultural, a referência cultural. [...]


(Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/a-moda-como-manifesto-da-arte/. Acesso em: 02 jul. 2026. Adaptado.) *pessoa (do sexo masculino) que perambula, observando o que vê; flanador

No processo de construção do texto e dos sentidos, a coesão textual é essencial para articular as ideias e evitar repetições desnecessárias e ideias confusas. No texto, o autor lançou mão de recursos coesivos que possibilitaram apresentar um texto claro para o leitor. Analise as sentenças a seguir, considerando o texto como um todo, e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)No terceiro parágrafo, o autor faz a seguinte construção: Dentro dessas novas estruturas . O pronome demonstrativo "essas" estabelece uma relação com algo que já foi mencionado explícita ou implicitamente no texto. No caso, o leitor precisa mobilizar seus conhecimentos prévios e compreender que o pronome se refere ao conjunto de ideias expressas em "a noção de visibilidade cultural hoje está ligada aos processos de simulação interativa, que permitem antecipar o real físico, reproduzi-lo e manipulá-lo", interpretando quais "novas estruturas" estão contidas dentro desse conjunto.
(__)Ainda no terceiro parágrafo, o pronome demonstrativo "aquela" não tem referente explícito no texto, o que torna impossível para o leitor deduzir ou entender a respeito de que o autor trata. Isso resulta em um problema de coesão textual.
(__)No trecho: a noção de visibilidade cultural hoje está ligada aos processos de simulação interativa, que permitem antecipar o real físico, reproduzi-lo e manipulá-lo , o pronome relativo "que" se refere a "processos" (de simulação interativa) e poderia ser substituído por "os quais", mantendo o sentido do texto.
(__)No quarto parágrafo, especificamente no trecho que narra a história de um vendedor de seguros (Jim Carrey) que tem sua vida virada de cabeça para baixo , o primeiro pronome destacado tem como referente Truman Show. Já o segundo deixou o trecho ambíguo porque não é possível identificar com clareza se ele se refere a "vendedor de seguros" ou a "Jim Carrey".

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: 
Alternativas
Respostas
81: D
82: C
83: E
84: D
85: C
86: B
87: C
88: C
89: C
90: B
91: C
92: A
93: A
94: B
95: C
96: A
97: C
98: B
99: C
100: D