Questões de Concurso Sobre português

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Q3333962 Português
Leia o texto para responder à questão:


     Os exemplos de textos jornalísticos foram apresentados numa unidade temática sobre drogas num supletivo básico (equivalente às 1a e 2a séries) para adultos. Em consequência da pouca familiaridade dos alunos com a escrita em cursos desse tipo, em que a maioria são adultos que voltam à escola depois de ter passado uns poucos meses na escola quando crianças, é necessário, primeiro, explorar com os alunos os acordos tácitos anteriores à leitura do jornal, entre jornalista e leitor.

    Em primeiro lugar, o texto jornalístico deve ser aceito como fonte de informações pertinentes e de novidades, quer dizer, preenchendo funções que, nas culturas não letradas, são preenchidas, primordialmente, pelos membros da família e pela comunidade imediata, oralmente. Em segundo lugar, é preciso deixar claro para o aluno a ampla variedade de informações e notícias que um jornal da imprensa séria, de circulação nacional traz, o que implica uma maneira seletiva de procura de textos interessantes, mediante a leitura da manchete e do resumo destacado na primeira página, ou na seção pertinente ao assunto tratado.

     A familiarização com a forma do jornal e do texto jornalístico poderia ser, de fato, um dos primeiros objetivos da aula e, nesse caso, poder-se-ia focalizar a relação entre a manchete, o resumo ou chamada e o texto propriamente dito dentro do jornal. Ligada também à leitura do jornal está a maneira de abordar a leitura do jornal para aquilo que nos interessa. Poder-se-ia, então, demonstrar para o aluno a função da manchete em relação ao relato da notícia, bem como a leitura tipo sondagem (também conhecida por seu nome inglês, “scanning”), assim, efetivamente, demonstrando a relação existente entre objetivo de leitura e estratégias de abordar o texto, de ler.


(Angela Kleiman, Oficina de leitura: teoria & prática, 2017. Adaptado)
De acordo com Angela Kleiman (Oficina de leitura: teoria & prática, 2017), a proposta apresentada delineia uma abordagem de leitura 
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Q3333961 Português
Leia o texto para responder à questão:


     Os exemplos de textos jornalísticos foram apresentados numa unidade temática sobre drogas num supletivo básico (equivalente às 1a e 2a séries) para adultos. Em consequência da pouca familiaridade dos alunos com a escrita em cursos desse tipo, em que a maioria são adultos que voltam à escola depois de ter passado uns poucos meses na escola quando crianças, é necessário, primeiro, explorar com os alunos os acordos tácitos anteriores à leitura do jornal, entre jornalista e leitor.

    Em primeiro lugar, o texto jornalístico deve ser aceito como fonte de informações pertinentes e de novidades, quer dizer, preenchendo funções que, nas culturas não letradas, são preenchidas, primordialmente, pelos membros da família e pela comunidade imediata, oralmente. Em segundo lugar, é preciso deixar claro para o aluno a ampla variedade de informações e notícias que um jornal da imprensa séria, de circulação nacional traz, o que implica uma maneira seletiva de procura de textos interessantes, mediante a leitura da manchete e do resumo destacado na primeira página, ou na seção pertinente ao assunto tratado.

     A familiarização com a forma do jornal e do texto jornalístico poderia ser, de fato, um dos primeiros objetivos da aula e, nesse caso, poder-se-ia focalizar a relação entre a manchete, o resumo ou chamada e o texto propriamente dito dentro do jornal. Ligada também à leitura do jornal está a maneira de abordar a leitura do jornal para aquilo que nos interessa. Poder-se-ia, então, demonstrar para o aluno a função da manchete em relação ao relato da notícia, bem como a leitura tipo sondagem (também conhecida por seu nome inglês, “scanning”), assim, efetivamente, demonstrando a relação existente entre objetivo de leitura e estratégias de abordar o texto, de ler.


(Angela Kleiman, Oficina de leitura: teoria & prática, 2017. Adaptado)
A proposta de trabalho com textos jornalísticos apresentada permite concluir que
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Q3333960 Português

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Cinco horas da tarde


Recebi agora um bilhete de mana Rita, que aqui vai colado:

9 de janeiro


“Mano,

Só agora me lembrou que faz hoje um ano que você voltou da Europa aposentado. Já é tarde para ir ao cemitério de São João Batista, em visita ao jazigo da família, dar graças pelo seu regresso; irei amanhã de manhã, e peço a você que me espere para ir comigo.

Saudades da Velha mana, Rita”.

Não vejo necessidade disso, mas respondi que sim.


10 de janeiro


     Fomos ao cemitério. Rita, apesar da alegria do motivo, não pôde reter algumas velhas lágrimas de saudade pelo marido que lá está no jazigo, com meu pai e minha mãe. Ela ainda agora o ama, como no dia em que o perdeu, lá se vão tantos anos. No caixão do defunto mandou guardar um molho dos seus cabelos, então pretos, enquanto os mais deles ficaram a embranquecer cá fora.


    Não é feio o nosso jazigo; podia ser um pouco mais simples, — a inscrição e uma cruz — mas o que está é bem feito. Achei-o novo demais, isso sim. Rita fá-lo lavar todos os meses, e isto impede que envelheça. Ora, eu creio que um velho túmulo dá melhor impressão do ofício, se tem as negruras do tempo, que tudo consome. O contrário parece sempre da véspera.


    Rita orou diante dele alguns minutos, enquanto eu circulava os olhos pelas sepulturas próximas. Em quase todas havia a mesma antiga súplica da nossa: “Orai por ele! Orai por ela!” Rita me disse depois, em caminho, que é seu costume atender ao pedido das outras, rezando uma prece por todos os que ali estão. Talvez seja a única. A mana é boa criatura, não menos que alegre.


(Machado de Assis, Memorial de Aires)

Luiz Antônio Marcuschi (Produção textual, análise de gêneros e compreensão, 2008) explica que a intertextualidade “supõe a presença de um texto em outro”, como se pode comprovar com a passagem: 
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Q3333959 Português

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Cinco horas da tarde


Recebi agora um bilhete de mana Rita, que aqui vai colado:

9 de janeiro


“Mano,

Só agora me lembrou que faz hoje um ano que você voltou da Europa aposentado. Já é tarde para ir ao cemitério de São João Batista, em visita ao jazigo da família, dar graças pelo seu regresso; irei amanhã de manhã, e peço a você que me espere para ir comigo.

Saudades da Velha mana, Rita”.

Não vejo necessidade disso, mas respondi que sim.


10 de janeiro


     Fomos ao cemitério. Rita, apesar da alegria do motivo, não pôde reter algumas velhas lágrimas de saudade pelo marido que lá está no jazigo, com meu pai e minha mãe. Ela ainda agora o ama, como no dia em que o perdeu, lá se vão tantos anos. No caixão do defunto mandou guardar um molho dos seus cabelos, então pretos, enquanto os mais deles ficaram a embranquecer cá fora.


    Não é feio o nosso jazigo; podia ser um pouco mais simples, — a inscrição e uma cruz — mas o que está é bem feito. Achei-o novo demais, isso sim. Rita fá-lo lavar todos os meses, e isto impede que envelheça. Ora, eu creio que um velho túmulo dá melhor impressão do ofício, se tem as negruras do tempo, que tudo consome. O contrário parece sempre da véspera.


    Rita orou diante dele alguns minutos, enquanto eu circulava os olhos pelas sepulturas próximas. Em quase todas havia a mesma antiga súplica da nossa: “Orai por ele! Orai por ela!” Rita me disse depois, em caminho, que é seu costume atender ao pedido das outras, rezando uma prece por todos os que ali estão. Talvez seja a única. A mana é boa criatura, não menos que alegre.


(Machado de Assis, Memorial de Aires)

Para comunicar-se com seu irmão, Rita utilizou um bilhete. Com base em Koch e Elias (Ler e escrever: estratégias de produção textual, 2011), as expressões “Mano”, “você”, “seu regresso” e “me espere” dizem respeito à sequência tipológica 
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Q3333958 Português

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Cinco horas da tarde


Recebi agora um bilhete de mana Rita, que aqui vai colado:

9 de janeiro


“Mano,

Só agora me lembrou que faz hoje um ano que você voltou da Europa aposentado. Já é tarde para ir ao cemitério de São João Batista, em visita ao jazigo da família, dar graças pelo seu regresso; irei amanhã de manhã, e peço a você que me espere para ir comigo.

Saudades da Velha mana, Rita”.

Não vejo necessidade disso, mas respondi que sim.


10 de janeiro


     Fomos ao cemitério. Rita, apesar da alegria do motivo, não pôde reter algumas velhas lágrimas de saudade pelo marido que lá está no jazigo, com meu pai e minha mãe. Ela ainda agora o ama, como no dia em que o perdeu, lá se vão tantos anos. No caixão do defunto mandou guardar um molho dos seus cabelos, então pretos, enquanto os mais deles ficaram a embranquecer cá fora.


    Não é feio o nosso jazigo; podia ser um pouco mais simples, — a inscrição e uma cruz — mas o que está é bem feito. Achei-o novo demais, isso sim. Rita fá-lo lavar todos os meses, e isto impede que envelheça. Ora, eu creio que um velho túmulo dá melhor impressão do ofício, se tem as negruras do tempo, que tudo consome. O contrário parece sempre da véspera.


    Rita orou diante dele alguns minutos, enquanto eu circulava os olhos pelas sepulturas próximas. Em quase todas havia a mesma antiga súplica da nossa: “Orai por ele! Orai por ela!” Rita me disse depois, em caminho, que é seu costume atender ao pedido das outras, rezando uma prece por todos os que ali estão. Talvez seja a única. A mana é boa criatura, não menos que alegre.


(Machado de Assis, Memorial de Aires)

Com base no conceito de Prática de Análise Linguística (Currículo Paulista: etapa ensino médio, 2020), quanto ao uso significativo das palavras no texto, identifica-se emprego de termo com função de realce em:
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Q3333957 Português

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Cinco horas da tarde


Recebi agora um bilhete de mana Rita, que aqui vai colado:

9 de janeiro


“Mano,

Só agora me lembrou que faz hoje um ano que você voltou da Europa aposentado. Já é tarde para ir ao cemitério de São João Batista, em visita ao jazigo da família, dar graças pelo seu regresso; irei amanhã de manhã, e peço a você que me espere para ir comigo.

Saudades da Velha mana, Rita”.

Não vejo necessidade disso, mas respondi que sim.


10 de janeiro


     Fomos ao cemitério. Rita, apesar da alegria do motivo, não pôde reter algumas velhas lágrimas de saudade pelo marido que lá está no jazigo, com meu pai e minha mãe. Ela ainda agora o ama, como no dia em que o perdeu, lá se vão tantos anos. No caixão do defunto mandou guardar um molho dos seus cabelos, então pretos, enquanto os mais deles ficaram a embranquecer cá fora.


    Não é feio o nosso jazigo; podia ser um pouco mais simples, — a inscrição e uma cruz — mas o que está é bem feito. Achei-o novo demais, isso sim. Rita fá-lo lavar todos os meses, e isto impede que envelheça. Ora, eu creio que um velho túmulo dá melhor impressão do ofício, se tem as negruras do tempo, que tudo consome. O contrário parece sempre da véspera.


    Rita orou diante dele alguns minutos, enquanto eu circulava os olhos pelas sepulturas próximas. Em quase todas havia a mesma antiga súplica da nossa: “Orai por ele! Orai por ela!” Rita me disse depois, em caminho, que é seu costume atender ao pedido das outras, rezando uma prece por todos os que ali estão. Talvez seja a única. A mana é boa criatura, não menos que alegre.


(Machado de Assis, Memorial de Aires)

Considere as passagens:

•  Rita, apesar da alegria do motivo, não pôde reter algumas velhas lágrimas de saudade pelo marido...
•  Ela ainda agora o ama, como no dia em que o perdeu, lá se vão tantos anos.
•  Rita orou diante dele alguns minutos, enquanto eu circulava os olhos pelas sepulturas próximas.

Com base em Koch e Elias (Ler e compreender: os sentidos do texto, 2011), conclui-se que as passagens destacadas se encadeiam com as outras, estabelecendo, correta e respectivamente, relações de sentido de
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Q3333956 Português

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Cinco horas da tarde


Recebi agora um bilhete de mana Rita, que aqui vai colado:

9 de janeiro


“Mano,

Só agora me lembrou que faz hoje um ano que você voltou da Europa aposentado. Já é tarde para ir ao cemitério de São João Batista, em visita ao jazigo da família, dar graças pelo seu regresso; irei amanhã de manhã, e peço a você que me espere para ir comigo.

Saudades da Velha mana, Rita”.

Não vejo necessidade disso, mas respondi que sim.


10 de janeiro


     Fomos ao cemitério. Rita, apesar da alegria do motivo, não pôde reter algumas velhas lágrimas de saudade pelo marido que lá está no jazigo, com meu pai e minha mãe. Ela ainda agora o ama, como no dia em que o perdeu, lá se vão tantos anos. No caixão do defunto mandou guardar um molho dos seus cabelos, então pretos, enquanto os mais deles ficaram a embranquecer cá fora.


    Não é feio o nosso jazigo; podia ser um pouco mais simples, — a inscrição e uma cruz — mas o que está é bem feito. Achei-o novo demais, isso sim. Rita fá-lo lavar todos os meses, e isto impede que envelheça. Ora, eu creio que um velho túmulo dá melhor impressão do ofício, se tem as negruras do tempo, que tudo consome. O contrário parece sempre da véspera.


    Rita orou diante dele alguns minutos, enquanto eu circulava os olhos pelas sepulturas próximas. Em quase todas havia a mesma antiga súplica da nossa: “Orai por ele! Orai por ela!” Rita me disse depois, em caminho, que é seu costume atender ao pedido das outras, rezando uma prece por todos os que ali estão. Talvez seja a única. A mana é boa criatura, não menos que alegre.


(Machado de Assis, Memorial de Aires)

De acordo com Koch e Elias (Ler e escrever: estratégias de produção textual, 2011), nas frases “Não vejo necessidade disso, mas respondi que sim.” e “Talvez seja a única.”, as expressões destacadas mantêm relação coesiva, correta e respectivamente, com:
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Q3333955 Português

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Cinco horas da tarde


Recebi agora um bilhete de mana Rita, que aqui vai colado:

9 de janeiro


“Mano,

Só agora me lembrou que faz hoje um ano que você voltou da Europa aposentado. Já é tarde para ir ao cemitério de São João Batista, em visita ao jazigo da família, dar graças pelo seu regresso; irei amanhã de manhã, e peço a você que me espere para ir comigo.

Saudades da Velha mana, Rita”.

Não vejo necessidade disso, mas respondi que sim.


10 de janeiro


     Fomos ao cemitério. Rita, apesar da alegria do motivo, não pôde reter algumas velhas lágrimas de saudade pelo marido que lá está no jazigo, com meu pai e minha mãe. Ela ainda agora o ama, como no dia em que o perdeu, lá se vão tantos anos. No caixão do defunto mandou guardar um molho dos seus cabelos, então pretos, enquanto os mais deles ficaram a embranquecer cá fora.


    Não é feio o nosso jazigo; podia ser um pouco mais simples, — a inscrição e uma cruz — mas o que está é bem feito. Achei-o novo demais, isso sim. Rita fá-lo lavar todos os meses, e isto impede que envelheça. Ora, eu creio que um velho túmulo dá melhor impressão do ofício, se tem as negruras do tempo, que tudo consome. O contrário parece sempre da véspera.


    Rita orou diante dele alguns minutos, enquanto eu circulava os olhos pelas sepulturas próximas. Em quase todas havia a mesma antiga súplica da nossa: “Orai por ele! Orai por ela!” Rita me disse depois, em caminho, que é seu costume atender ao pedido das outras, rezando uma prece por todos os que ali estão. Talvez seja a única. A mana é boa criatura, não menos que alegre.


(Machado de Assis, Memorial de Aires)

De acordo com o Currículo Paulista: etapa ensino médio (2020), o ensino do texto literário “oportuniza [aos alunos] novas potencialidades e experimentações de uso da língua”. Dessa forma, na expressão “a inscrição e uma cruz”, o primeiro substantivo representa um uso linguístico-cultural que possivelmente é pouco conhecido de um número expressivo de jovens atualmente. Outro termo nessa mesma condição está destacado na passagem do texto:
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Q3333954 Português

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Cinco horas da tarde


Recebi agora um bilhete de mana Rita, que aqui vai colado:

9 de janeiro


“Mano,

Só agora me lembrou que faz hoje um ano que você voltou da Europa aposentado. Já é tarde para ir ao cemitério de São João Batista, em visita ao jazigo da família, dar graças pelo seu regresso; irei amanhã de manhã, e peço a você que me espere para ir comigo.

Saudades da Velha mana, Rita”.

Não vejo necessidade disso, mas respondi que sim.


10 de janeiro


     Fomos ao cemitério. Rita, apesar da alegria do motivo, não pôde reter algumas velhas lágrimas de saudade pelo marido que lá está no jazigo, com meu pai e minha mãe. Ela ainda agora o ama, como no dia em que o perdeu, lá se vão tantos anos. No caixão do defunto mandou guardar um molho dos seus cabelos, então pretos, enquanto os mais deles ficaram a embranquecer cá fora.


    Não é feio o nosso jazigo; podia ser um pouco mais simples, — a inscrição e uma cruz — mas o que está é bem feito. Achei-o novo demais, isso sim. Rita fá-lo lavar todos os meses, e isto impede que envelheça. Ora, eu creio que um velho túmulo dá melhor impressão do ofício, se tem as negruras do tempo, que tudo consome. O contrário parece sempre da véspera.


    Rita orou diante dele alguns minutos, enquanto eu circulava os olhos pelas sepulturas próximas. Em quase todas havia a mesma antiga súplica da nossa: “Orai por ele! Orai por ela!” Rita me disse depois, em caminho, que é seu costume atender ao pedido das outras, rezando uma prece por todos os que ali estão. Talvez seja a única. A mana é boa criatura, não menos que alegre.


(Machado de Assis, Memorial de Aires)

De acordo com Koch e Elias (Ler e compreender: os sentidos do texto, 2011), com base no conhecimento linguístico, a expressão “então pretos” e a frase “A mana é boa criatura, não menos que alegre.” permitem, correta e respectivamente, as interpretações: 
Alternativas
Q3333953 Português

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Cinco horas da tarde


Recebi agora um bilhete de mana Rita, que aqui vai colado:

9 de janeiro


“Mano,

Só agora me lembrou que faz hoje um ano que você voltou da Europa aposentado. Já é tarde para ir ao cemitério de São João Batista, em visita ao jazigo da família, dar graças pelo seu regresso; irei amanhã de manhã, e peço a você que me espere para ir comigo.

Saudades da Velha mana, Rita”.

Não vejo necessidade disso, mas respondi que sim.


10 de janeiro


     Fomos ao cemitério. Rita, apesar da alegria do motivo, não pôde reter algumas velhas lágrimas de saudade pelo marido que lá está no jazigo, com meu pai e minha mãe. Ela ainda agora o ama, como no dia em que o perdeu, lá se vão tantos anos. No caixão do defunto mandou guardar um molho dos seus cabelos, então pretos, enquanto os mais deles ficaram a embranquecer cá fora.


    Não é feio o nosso jazigo; podia ser um pouco mais simples, — a inscrição e uma cruz — mas o que está é bem feito. Achei-o novo demais, isso sim. Rita fá-lo lavar todos os meses, e isto impede que envelheça. Ora, eu creio que um velho túmulo dá melhor impressão do ofício, se tem as negruras do tempo, que tudo consome. O contrário parece sempre da véspera.


    Rita orou diante dele alguns minutos, enquanto eu circulava os olhos pelas sepulturas próximas. Em quase todas havia a mesma antiga súplica da nossa: “Orai por ele! Orai por ela!” Rita me disse depois, em caminho, que é seu costume atender ao pedido das outras, rezando uma prece por todos os que ali estão. Talvez seja a única. A mana é boa criatura, não menos que alegre.


(Machado de Assis, Memorial de Aires)

De acordo com o Currículo Paulista: etapa ensino médio (2020), a leitura do texto literário deve “possibilitar a apreensão do imaginário e das formas de sensibilidade de uma determinada época”. Nesse sentido, informações do texto de Machado de Assis que podem auxiliar a reflexão sobre uma determinada época são, por exemplo, uma forma de
Alternativas
Q3333952 Português

Leia o texto para responder à questão:


Cinco horas da tarde


Recebi agora um bilhete de mana Rita, que aqui vai colado:

9 de janeiro


“Mano,

Só agora me lembrou que faz hoje um ano que você voltou da Europa aposentado. Já é tarde para ir ao cemitério de São João Batista, em visita ao jazigo da família, dar graças pelo seu regresso; irei amanhã de manhã, e peço a você que me espere para ir comigo.

Saudades da Velha mana, Rita”.

Não vejo necessidade disso, mas respondi que sim.


10 de janeiro


     Fomos ao cemitério. Rita, apesar da alegria do motivo, não pôde reter algumas velhas lágrimas de saudade pelo marido que lá está no jazigo, com meu pai e minha mãe. Ela ainda agora o ama, como no dia em que o perdeu, lá se vão tantos anos. No caixão do defunto mandou guardar um molho dos seus cabelos, então pretos, enquanto os mais deles ficaram a embranquecer cá fora.


    Não é feio o nosso jazigo; podia ser um pouco mais simples, — a inscrição e uma cruz — mas o que está é bem feito. Achei-o novo demais, isso sim. Rita fá-lo lavar todos os meses, e isto impede que envelheça. Ora, eu creio que um velho túmulo dá melhor impressão do ofício, se tem as negruras do tempo, que tudo consome. O contrário parece sempre da véspera.


    Rita orou diante dele alguns minutos, enquanto eu circulava os olhos pelas sepulturas próximas. Em quase todas havia a mesma antiga súplica da nossa: “Orai por ele! Orai por ela!” Rita me disse depois, em caminho, que é seu costume atender ao pedido das outras, rezando uma prece por todos os que ali estão. Talvez seja a única. A mana é boa criatura, não menos que alegre.


(Machado de Assis, Memorial de Aires)

De acordo com Koch e Elias (Ler e escrever: estratégias de produção textual, 2011), em uma situação de comunicação cotidiana, o bilhete como o de mana Rita corresponde a um gênero
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Q3333290 Português
A leitura apressada do mito nos leva a compreendê-lo como uma maneira fantasiosa de explicar a realidade, quando esta ainda não foi justificada pela razão. Sob esse enfoque, os mitos seriam lendas, fábulas, crendices e, portanto, um tipo inferior de conhecimento, a ser superado por explicações mais racionais. Tanto é que, na linguagem comum, se costuma identificar o mito à mentira. No entanto, o mito é mais complexo e muito mais expressivo e rico do que supomos quando apenas o tomamos como o relato frio de lendas desligadas do ambiente que as fez surgir.

(Aranha e Martins, 2009)

Segundo as autoras, os mitos efetivamente constituem
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Q3332791 Português

Leia o texto a seguir:



    Porque tudo o que fala hoje do passado foi verdade, que muitos jovens hoje não conhece. Agora, se o pai e a mãe não contar pra ele, a pessoa de mais idade, ele acaba não sabendo. E, daqui a pouco, os mais [velhos] vão se acabando também, e vai acabando tudo, porque, se o pai com a mãe não passa pros filhos, aí não aprende nada, então aquilo vai acabando. Então tem que passar sempre, conversar, contar da história como que era primeiro, antigamente, pra ficar pra eles, pra eles aprenderem também, saber também a história.



Sobre esse depoimento, colhido na comunidade de Sapatu e citado por Botão e Silva (2017), é correto afirmar que

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Q3331933 Português
Lilian Zieger, in Rangel (2013) cita análise feita por Silva Jr. (2007), a qual aponta que a multiplicidade de serviços destinados ao supervisor escolar dificulta-lhe “oportunidades de compartilhar com os demais professores ‘a grande tarefa da organização coletiva do trabalho na escola pública’”, e isso pode fazê-lo esquecer ou não priorizar seu “compromisso com os seres humanos”. Atentos à dificuldade assinalada, os supervisores de uma das diretorias da capital organizaram estudo do texto da Harvard Business Review sobre Gestão do tempo (2022), com os diretores e vice-diretores de escola, com o objetivo de apoiá-los, pois essa obra promete auxiliar a pessoa “a aprender: avaliar como está usando seu tempo; identificar seus objetivos; e reorganizar seu tempo, superando obstáculos e priorizando os trabalhos e as metas mais importantes” para
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Q3331915 Português
Em um município paulista, alguns supervisores promoveram um encontro com diretores das escolas públicas de seus setores de supervisão para preparar a reunião pedagógica mensal com o tema: “A dinâmica das relações em uma escola que valoriza a diversidade dos alunos, com trabalhos em grupo, favorecedores da troca, do conflito de ideias, da negociação, da criatividade”. Escolheram como estratégia, coerente com o tema, pequenos grupos de discussão, desencadeando-a pela leitura do seguinte trecho do texto de Almeida e Mardegan, in Possani; Almeida; Salmaso (org.), 2012: “A experiência, nesta escola, revela que a passagem para a integração criativa dos diferentes viola práticas tradicionais de administração. O processo criativo forma a dinâmica da organização: uma oscilação entre o instituído e o instituinte, entre a divergência e a convergência, entre a ordem e a desordem, abrangendo, pois, dois polos mutuamente inclusivos. A dinâmica
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Q3331907 Português
Célia F. Linhares, in Silva Júnior (2004), argumenta que educação escolar de qualidade faz parte da “democracia como um projeto de direitos universais, que precisava” da “difusão de ensinamentos cívicos, morais e racionais, considerados indispensáveis para a participação cidadã”, projeto esse que “vem sofrendo processos de encolhimento”. A autora analisa que “a perversão do conformismo social com a negação escolar é tão mais grave porque vai conformando uma opção de escola que, desde o início, vem marcando a sociedade brasileira: uma escola dual que agora toma a forma de escola apartada (Buarque, 1994), fraturada e distanciada em suas partes, por abismos que não param de se aprofundar”. E indaga: “Como produzimos uma escola tão excludente que, à medida que cresce fisicamente, desintegra-se internamente? Como mantemos uma instituição escolar que exclui do exercício de fazer-se sujeito do conhecimento mesmo aqueles que inclui dentre seus pertencentes: professores e alunos? E avalia que essa nossa tragédia é “tão mais funda que se recusa a ser aliviada com ungüentos tecnicistas. Tragédia da qual não podemos nos livrar sem contarmos com
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Q3331903 Português
Célia F. Linhares, in Silva Júnior (2004), numa espécie de desafio, interpela-nos: “Como podemos olhar, descrever, estudar a questão da escola pública sem estremecer diante dela?” A autora considera que a crise da escola pública “reflete e aprofunda
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Q3331902 Português
Com quase cinco séculos de passado colonial, inclusive com trabalho escravo, o Brasil teve uma modernidade “tardia”, ligada à industrialização nascente após a proclamação da república, em meados do século XX. Com períodos de governos eleitos pelo voto e outros de ditadura, a escolarização pública avançou aos poucos junto com as atividades industriais e com a urbanização da sociedade, mas carregando o peso do fracasso escolar das camadas populares e das consequências dele. Na passagem para o século XXI, a globalização da economia e a revolução nos meios de comunicação trouxeram “novos desafios” à escola, a qual, de acordo com Libâneo (2018),
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Q3331901 Português
A humanidade depende da educação para sobreviver ao longo das gerações, aperfeiçoando suas relações com a natureza, sua organização social, suas formas de trabalho, produzindo cultura material e imaterial. No percurso histórico do ocidente, a apropriação da leitura, da escrita e do cálculo foi privilégio de minorias que ocupavam espaços sociais de poder e usufruíam de riqueza. A ideia de escola para pessoas comuns vem com a modernidade, com a máquina, pois, como explica Mello, in Alves (coord.), 2014, contraditoriamente, essa escola é necessária
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: SEDUC-SP Prova: VUNESP - 2025 - SEDUC-SP - Diretor de Escola |
Q3331891 Português
Leia o excerto a seguir, a respeito de habilidades para conduzir o diálogo:

    Quando a outra pessoa se encaminha para uma direção destrutiva, a ____________________ traz a conversa para os trilhos de novo. Ela permite que você transforme afirmações inúteis em úteis. Ouvir não é apenas a habilidade que o coloca no mundo da outra pessoa; é o passo mais poderoso que você pode dar para manter o diálogo construtivo. _____________________ é útil quando você deseja se dirigir a um aspecto problemático do diálogo. É uma estratégia especialmente boa se a outra pessoa estiver dominando o diálogo e parecer não querer seguir a sua liderança.
(Bruce Patton, Douglas Stone e Shiela Heen, Conversas difíceis: como discutir o que é mais importante, 2021. Adaptado)

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas. 
Alternativas
Respostas
37041: C
37042: B
37043: A
37044: A
37045: B
37046: D
37047: C
37048: A
37049: E
37050: D
37051: B
37052: C
37053: B
37054: B
37055: B
37056: B
37057: C
37058: D
37059: B
37060: E