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Q3331907 Português
Célia F. Linhares, in Silva Júnior (2004), argumenta que educação escolar de qualidade faz parte da “democracia como um projeto de direitos universais, que precisava” da “difusão de ensinamentos cívicos, morais e racionais, considerados indispensáveis para a participação cidadã”, projeto esse que “vem sofrendo processos de encolhimento”. A autora analisa que “a perversão do conformismo social com a negação escolar é tão mais grave porque vai conformando uma opção de escola que, desde o início, vem marcando a sociedade brasileira: uma escola dual que agora toma a forma de escola apartada (Buarque, 1994), fraturada e distanciada em suas partes, por abismos que não param de se aprofundar”. E indaga: “Como produzimos uma escola tão excludente que, à medida que cresce fisicamente, desintegra-se internamente? Como mantemos uma instituição escolar que exclui do exercício de fazer-se sujeito do conhecimento mesmo aqueles que inclui dentre seus pertencentes: professores e alunos? E avalia que essa nossa tragédia é “tão mais funda que se recusa a ser aliviada com ungüentos tecnicistas. Tragédia da qual não podemos nos livrar sem contarmos com
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TEMA CENTRAL: Interpretação de Texto

Esta questão exige a compreensão do sentido global do texto e a identificação da alternativa que melhor reflete a avaliação crítica da autora sobre a educação escolar no Brasil e suas propostas de superação das desigualdades.

ANÁLISE DA ALTERNATIVA CORRETA (B):

A alternativa B — "os movimentos instituintes com que os insatisfeitos buscam instalar caminhos de emancipação da sociedade e da escola" — reflete com exatidão o foco do texto. A autora aponta que a superação da crise educacional não será alcançada apenas por mudanças superficiais ou técnicas, mas sim por processos de transformação protagonizados por sujeitos coletivos e movimentos sociais, capazes de instituir novas práticas e sentidos em educação.

Essa interpretação exige leitura atenta dos argumentos e do tom crítico apresentado, reconhecendo que a autora aposta em transformações vindas da sociedade e não apenas de instituições ou debates teóricos.

ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS INCORRETAS:

A: Reduz o problema a pesquisas acadêmicas, mas o texto aponta que o desafio é mais profundo e demanda mobilização social, não apenas estudo técnico.

C: Oferece como solução ajuda internacional e governamental, sem base no texto, que trata de ações internas e emancipatórias.

D: Apresenta a ideia de medidas governamentais, mas o texto questiona justamente a efetividade de soluções tradicionais e institucionais frente à "tragédia funda".

E: Aponta para debates públicos, que por si só seriam insuficientes, já que a autora defende ações concretas e instituintes.

DICA DE INTERPRETAÇÃO: Em questões desse tipo, destaque palavras-chave como "emancipação", "tragédia funda", "movimentos instituintes" e perceba o foco da autora em mudanças estruturais, não apenas superficiais.

Conforme Bechara e Koch, uma interpretação eficiente busca o sentido essencial do texto e sua progressão argumentativa, evitando respostas literais e privilegiando as propostas coerentes com o que defende o autor.

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