Questões de Concurso Sobre morfologia - pronomes em português

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Q3914679 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


Eu era muito diferente de meus irmãos



    Jurava que tinha sido trocado no hospital. Toda criança experimenta essa suspeita, que é uma curiosidade sadia do amor, ao lado dos questionamentos sobre ser desejado ou não.

    Eu culpava o mundo por ter nascido tão bagunçado e atrapalhado; nada melhor do que começar acusando meus pais, detentores da verdade sobre minha origem.

    Até porque me mostrava bem diferente de meus irmãos: Miguel e Rodrigo, de cabelos cacheados; ou Carla, com um rostinho simétrico, esculpido helenicamente.

    Minha feição afundava como uma tina para pisar uvas.

    Só resta uma imagem do meu período inicial, com alguns dias de existência. Já possuía olheiras de ressaca, decorrentes talvez de uma madrugada em claro dentro do ventre.

    O pescoço não suportava a cabeça enorme, que tropicava levemente para a esquerda. Eu vestia um tip top branco, que acentuava o caráter de assombração, somando-se à minha pele pálida.

    Não tirei a hipótese da minha cuca. Tios pegavam no meu pé, em recorrentes chacotas na residência dos avós, aproveitando a minha natural desconfiança para dizer que eu tinha nascido cheio de brotoeja e que, na hora da alta, não constava mais nenhuma marca. Faziam-me crer em duas pessoas distintas: uma no parto e outra ao ir para casa, enrolada na manta.

    Existia uma sutileza em minha versão. Não defendia a ideia de ter sido adotado, baseada numa escolha consciente, mas me valia da teoria de ter sido fruto de um engano, vítima de uma confusão no berçário.

    Ser adotado me orgulharia. Eu mantinha a crença de que meus pais haviam tomado para si o filho errado.

    Desde cedo, investiguei minha vida. Não consegui provar falsidade alguma, tampouco atestar sua veracidade. Não me bastavam o teste do pezinho, a certidão de nascimento, o DNA.

    Eu partia do princípio de que me encontrava num lar perfeito, que não combinava comigo, tão torto e problemático: um lento patinho na casca, no meio de cisnes nadando velozes.

    Inclusive na escola, para a minha professora, eu divulgava a minha estrambólica tese. Impaciente com a minha precoce crise de identidade, a mãe decidiu terminar de vez com a novela, que estava passando dos limites.

    Ela me chamou para a cozinha. Sentou-se na minha frente, calma e resoluta, e retirou uma fotografia de um envelope pardo. Analisei friamente aqueles traços.

    Era a minha cópia cuspida e escarrada; entretanto, não era eu.

    — É seu avô. Viu? Não há como você não ser de nossa família.

    Conformado, baixei o queixo. Quando a mãe concluiu que eu não iria mais reclamar, exclamei, impregnado de pena: “Coitado, ele também foi trocado no hospital!”


Autor: Fabrício Carpinejar - GZH (adaptado). 

No trecho “Não me bastavam o teste do pezinho, a certidão de nascimento, o DNA”, o narrador reforça a insuficiência de provas formais para solucionar sua crise de identidade. À luz das regras de colocação pronominal da norma-padrão da língua portuguesa, assinale a alternativa correta quanto ao emprego do pronome oblíquo átono nesse contexto.
Alternativas
Q3914629 Português
TEXTO


ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO


   Usado para tratar a ansiedade, um medicamento comum que vem poluindo os cursos d’água mundo afora parece agora estar influenciando o comportamento migratório do salmão selvagem do Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia. Publicado na revista Science, o estudo descobriu que o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos quando exposto ao medicamento psicoativo clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso, por sua vez, teria mudado a forma como os peixes migram.

   “Os salmões expostos ao clobazam tiveram maior probabilidade de completar sua migração para o mar e passaram por barreiras artificiais, como represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal autor do estudo.

   “Embora um aumento no sucesso da migração possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer disrupção nos comportamentos naturais pode ter consequências negativas que se alastram pelos ecossistemas”, ponderou Brand.

   Pesquisas em rios do mundo inteiro encontraram contaminação por fármacos em cursos d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo na Antártida. Quase mil medicamentos ativos distintos foram detectados no meio ambiente, prejudicando desde a biodiversidade e o funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.

   Para estudar os efeitos do clobazam no comportamento do salmão, os pesquisadores conduziram amplos estudos de campo e experimentos controlados em laboratório. Em experimentos de campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo de rastreamento telemétrico em 279 salmões selvagens, juntamente com um implante que liberava lentamente pequenas quantidades de clobazam.

   Os salmões tiveram seu trajeto rastreado enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia, passando por duas represas hidrelétricas e, em seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores descobriram que um grupo de controle, que não havia sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens hidrelétricas mais lentamente do que os peixes expostos à droga.

   “Suspeitamos que essas mudanças observadas na migração podem resultar de mudanças induzidas pela droga na dinâmica social e no aumento do comportamento de risco – efeitos que podem ser explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse Brand.

   Experimentos de laboratório também descobriram que o clobazam alterou a maneira como o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram cardumes menos compactos, principalmente na presença de predadores, o que poderia aumentar os riscos que eles enfrentavam na natureza.

   “Alterações no ritmo da migração podem fazer com que os peixes cheguem ao mar em condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas mudanças sutis podem alterar a dinâmica populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do ecossistema”, alerta Brand.

   O estudo não revelou quaisquer efeitos a longo prazo da poluição farmacêutica em cursos d’água sobre as populações de salmão. “Os pesquisadores acompanharam os peixes durante o período de migração, que foi de aproximadamente 10 dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e que não teve participação no estudo.

   “Não sabemos se ou como os salmões jovens foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo é o mais recente a destacar o impacto ecológico da poluição farmacêutica.

  Pesquisadores já investigaram os efeitos de mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos. Os fármacos entram no meio ambiente por meio de águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se acumulando nos corpos e cérebros de animais selvagens.

   Em 2006, experimentos realizados no Canadá revelaram que populações de peixes estavam sendo expostas a um estrogênio sintético comum, usado em pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos e ao quase colapso das populações locais de peixes.

 “Muitos estudos, mas não todos, constataram que o medicamento testado teve efeito no comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla presença de substâncias farmacêuticas em cursos d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem circular por toda a cadeia alimentar.

   “Isso pode afetar não apenas a vida aquática, mas também os animais terrestres que se alimentam de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados, mostrando o quão abrangente esses efeitos podem ser”, disse Brand.

   Os métodos convencionais de tratamento de água nem sempre são eficazes na remoção de produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o vazamento de vestígios desses compostos em águas naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de águas residuais, como novos processos de filtração por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes na redução da contaminação farmacêutica.

 No entanto, eles permanecem inacessíveis em muitas partes do mundo devido à infraestrutura insuficiente e aos custos associados. É por isso que a modernização dos sistemas de tratamento de águas residuais é parte da solução, mas não é a única, afirmou Brand.

 Cientistas destacaram o potencial da “química verde” na redução da poluição causada por medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de medicamentos que se biodegradem mais rapidamente no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o uso.

 “Do ponto de vista político, regulamentações mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte podem ajudar a limitar a quantidade de poluição farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.

 “Nenhuma solução isolada será suficiente, mas ao combinar esforços entre ciência, política e tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição farmacêutica representa para a vida selvagem”, acrescentou. 


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
Assinale a alternativa que apresenta em destaque um pronome indefinido substantivo.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2026 - UNIFESP - Fonoaudiólogo |
Q3914102 Português

Leia o texto para responder à questão.



    Repetidas vezes Barreda, devorado pela febre, pediu água. A mulher aproximava-se de momento a momento, receando ser chegado o transe supremo; depois ia de novo atirar-se a um canto, onde ficava como desfalecida.


    Vendo Manuel o desamparo em que estava o enfermo, pelo desespero da mulher e medo que inspirava a outros o contágio da moléstia, não teve ânimo de retirar-se naquele instante. Custava, porém, à sua natureza enérgica assistir impassível ao sofrimento de uma criatura, sem tentar um esforço qualquer para salvá-la.


    Veio-lhe de repente à lembrança um caso que ouvira a seu pai. Saiu fora, montou a cavalo, e pouco depois voltou com um novilho, que laçara e prendeu ao lado da casa, na estaca do curral ou mangueira.


    O enfermo passara do torpor à excessiva inquietação.


    — Tire a roupa de seu marido, que eu já volto. Vou buscar um remédio que há de fazer lhe bem.


    Abatido o novilho com uma pancada na nuca, em um instante Manuel esfolou-o ainda meio vivo; e correndo à casa, envolveu o corpo do enfermo na pele tépida e sangrenta.


    Feito o quê, esperou pelo resultado, assando na brasa um pedaço da carne do novilho para matar a fome.


    Seu pai muitas vezes lhe contara que, na campanha da Cisplatina, o capitão de uma companhia caíra doente com uma febre de cavalo. O cirurgião do regimento empregara em vão todos os meios para fazê-lo suar. Pela manhã quando se carneava uma rês, dissera ele a rir, vendo arregaçar o couro: “Que bom lençol! Se me tivesse lembrado, embrulharia em um desses o capitão. Não há febre que resista a semelhante cáustico”.


    O que o cirurgião não pudera fazer, acabava o gaúcho de pôr em prática.


    Ou fosse pela energia do remédio, ou pelo vigor da organização, operou-se na enfermidade uma crise salutar, manifestando-se durante a noite reação franca, anunciada por abundantes suores; de madrugada remitiu a febre, e Barreda caiu num sono profundo.


    Manuel passou a noite, como o dia, fazendo o ofício de enfermeiro. Apenas deixava o aposento do doente para ir ver seus amigos, a baia e os outros animais a quem havia acomodado no potreiro, tendo o cuidado de fazer com um molho de trevo seco uma cama bem macia para o poldrinho*.


(José de Alencar. O Gaúcho. Em: https://domainpublic.wordpress.com/)



* potro

Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de regência e de colocação pronominal.
Alternativas
Q3914018 Português

Silenciosamente barulhento


Por Pedro Guerra


texto.png (860×677)


(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2026/01/silenciosamente-barulhento-cmk5qpsoj01jg011hidczld5w.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica, correta e respectivamente, a classe de palavra à qual pertence cada um dos vocábulos sublinhados e numerados no trecho a seguir:

“Nele, o silêncio desconfortável nos obriga a escutar aquilo (1) que evitamos quando (2) estamos ocupados demais (3) explicando quem somos”. 
Alternativas
Q3913930 Português
No uso cotidiano da língua portuguesa, os pronomes desempenham papel fundamental na coesão textual, retomando termos já mencionados ou indicando pessoas do discurso. O emprego inadequado pode comprometer a clareza da informação.

Sobre esse assunto, assinale a alternativa que apresenta uma frase escrita corretamente.
Alternativas
Q3911927 Português

Leia o texto e responda à questão.



A vida secreta dos áudios: por que a gente ouve em 1,5x e responde “kkk” com seriedade.



Tem gente que escreve “bom dia” e segue a vida. E tem gente que aperta o microfone, inspira como quem vai narrar um documentário e manda: “Vou te explicar rapidinho”, sinal claro de que nada ali será rápido. A verdade é que o áudio virou uma espécie de bilhete falado, só que com um tempero de intimidade e um toque de suspense, porque nunca dá para saber se vem uma dúvida simples ou uma novela em capítulos, com participação especial do cachorro latindo e da panela de pressão opinando ao fundo.

Eu, que já fui uma pessoa que ouvia em velocidade normal, hoje sou um cidadão da era 1,5x. É um estilo de vida. Não é pressa, é sobrevivência. O áudio chega, eu já imagino a cena: alguém andando na rua, vento no microfone, passos dramáticos, e a frase clássica: “Você tá me ouvindo?”. Estou. Só não do jeito que você imaginou. Eu ouço em 1,5x com a mesma seriedade de quem lê um contrato. Às vezes, em 2x, quando aparece aquele “deixa eu contextualizar” que vem junto com quinze anos de história familiar e um resumo do clima na cidade.

E aí surge o grande dilema moral: como responder? Porque o áudio tem um peso. Um texto pode ser seco, mas o áudio tem sorriso, tem pausa, tem o “ééé…” que revela o pensamento chegando atrasado. Só que a gente, prático e moderno, devolve um “kkk” que, dependendo do momento, significa: “entendi”, “tô com você”, “vou responder depois”, “não sei o que dizer” e, em casos extremos, “só Deus na causa”. O “kkk” é o canivete suíço das relações humanas. Você abre e ele vira o que precisar.

No grupo de trabalho, então, o áudio ganha vida própria. Tem o colega que manda um áudio de quatro minutos para dizer que atrasou cinco. Tem o professor que, no intervalo, grava olhando para o pátio e, sem querer, dá aula de sociologia e de meteorologia ao mesmo tempo. Tem a pessoa que fala baixinho, como se estivesse dentro de uma biblioteca secreta, e você aumenta o volume só para ouvir junto o som da vida inteira do prédio. E tem aquele áudio perigoso, o do “posso te ligar?”. Esse é o áudio que não é áudio, é um aviso de tempestade.

Eu gosto de pensar que existe uma etiqueta invisível. Tipo: se é urgente, escreve. Se é longo, avisa. Se é confidencial, não manda no meio da feira. Mas a etiqueta do século é outra. A etiqueta é: manda, e quem recebe que se vire. E a gente se vira. A gente aprende a ler emoções em velocidade acelerada, como se o coração também tivesse um botão de ajuste. A gente identifica tristeza em 1,5x, alegria em 2x, e indignação até em 0,5x, que é quando você volta para entender exatamente onde a conversa desandou.

Naquele dia, eu estava prestes a responder um áudio enorme com o meu “kkk” diplomático, quando reparei num detalhe. A voz do áudio tinha um ritmo estranho, como se fosse uma versão ligeiramente mais rápida do que eu lembrava. Voltei para 1x. A voz ficou… conhecida demais. Voltei para 0,5x, só para garantir. E foi aí que eu ouvi, no fundo, bem baixinho, uma coisa que eu nunca esperaria ouvir no áudio de outra pessoa.

O clique do meu próprio microfone. E a minha própria voz, do mês passado, dizendo: “Vou te explicar rapidinho”.

Na hora, eu entendi o desfecho inesperado dessa era. Eu não estava só ouvindo áudios demais. Eu estava, discretamente, virando o tipo de pessoa que manda áudios demais. E, por um segundo, eu tive vontade de me responder com um “kkk” bem sério, em 2x, só para manter a tradição.

 

Fonte: Banca Examinadora

No enunciado “Vou te explicar rapidinho”, a forma “te” é exemplo de:
Alternativas
Q3911636 Português
Leia os enunciados abaixo:

(I) Li um livro muito interessante.
(II) Fiz referência às folhas amareladas do livro.

Juntando os enunciados I e II num só período, fica correta a seguinte alternativa:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FAFIPA Órgão: COMESP Prova: FAFIPA - 2026 - COMESP - Contador |
Q3911388 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Tempos Modernos

-

Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isso por cima do muro
De hipocrisia que insiste em nos rodear
Eu vejo a vida mais clara e farta
Repleta de toda satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão
Eu quero crer no amor numa boa
Que isso valha pra qualquer pessoa
Que realizar a força que tem uma paixão
Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade pra dizer
Mais sim do que não, não, não
Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir
Eu quero crer no amor numa boa
Que isso valha pra qualquer pessoa
Que realizar a força que tem uma paixão
Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade pra dizer
mais sim do que não, não, não
Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir
Ern "Vamos nos permitir", o pronome "nos" é classticado como:
Alternativas
Q3911231 Português

Estabeleça a relação entre cada pronome de tratamento abaixo e o seu emprego na redação técnica oficial. A seguir, assinale a sequência correta obtida.



(___) Você


(___) Vossa Senhoria


(___) Vossa Excelência



(I) Altas autoridades político-administrativas


(II) Tratamento informal, familiar, íntimo


(III) Tratamento formal, respeitoso 

Alternativas
Q3910967 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.

A inteligência artificial (IA) já é uma realidade concreta na vida das pessoas. Nos últimos anos, ela tem transformado modelos de negócio, reestruturado formas de trabalho e, cada vez mais, conquistado espaço também no ambiente escolar. No campo da educação, é urgente superar o debate sobre sua pertinência– a pergunta já não é mais ‘se’ devemos usar IA, mas ‘como’ usá-la de maneira ética, responsável e pedagógica. Essa foi uma das grandes pautas da Bett Brasil 2025, maior evento de inovação e tecnologia para a educação na América Latina, que reuniu educadores, gestores, especialistas e empresas do setor. Durante o evento, um dos momentos mais relevantes foi a divulgação de uma pesquisa inédita do Instituto Significare em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que ouviu 346 professores de todos os estados brasileiros.

O levantamento revelou que mais de 80% dos docentes reconhecem os benefícios da IA no ensino, sobretudo no planejamento de aulas e na produção de conteúdos mais dinâmicos e interativos. E mais de 60% já utilizam ferramentas generativas de IA para obter ideias, elaborar planos de aula e desenvolver materiais. Apesar disso, a pesquisa também aponta desafios importantes: apenas 14,3% dos educadores afirmam utilizar a IA na produção efetiva de materiais didáticos. Entre os entraves mais citados estão a falta de tempo, escassez de equipamentos, conectividade limitada e ausência de formação continuada. Isso mostra que, para transformar o potencial da IA em resultados concretos, será necessário formar os professores, ampliar o acesso e garantir o suporte técnico necessário.

A IA pode – e deve – ser uma aliada neste processo, automatizando tarefas repetitivas e liberando tempo dos educadores para aquilo que é essencial: o vínculo humano com os estudantes e a mediação da aprendizagem.

No cenário internacional, países como Estados Unidos e China já oficializaram políticas educacionais que colocam o ensino de inteligência artificial no centro de aprendizagem das escolas. Essa decisão estratégica não apenas prepara as novas gerações para o mundo do trabalho, mas também estimula o pensamento computacional, a resolução de problemas e o protagonismo juvenil.

A inteligência artificial não deve ser vista como um fim em si mesma, mas como um meio para potencializar o que há de mais humano na educação: o cuidado, a escuta, a personalização da aprendizagem e a construção de conhecimento significativo.

Para isso, é necessário que políticas públicas, instituições educacionais, empresas e toda a sociedade trabalhem juntos na construção de um ecossistema que favoreça inovação com responsabilidade, inclusão digital e formação contínua.


(Adaptado de: TAVARES,Ricardo. A inteligência artificial chegou à sala de aula– e agora? Disponível em: «https://revistaeducacao.com.br
/2025/05/14/inteligencia-artificial-na-sala-de-aula/». Publicado em 14/05/2025. Acesso em: 24 jun. 2025.)
Acerca da construção sintática do texto, considere as afirmativas a seguir.

I. No primeiro parágrafo, o sujeito “inteligência artificial” é retomado três vezes por meio de diferentes pronomes: “ela”, “sua”, “-la”.
II. No segundo parágrafo, o termo “que” é pronome relativo nas duas ocorrências e introduz orações subordinadas adjetivas. 
III. No terceiro parágrafo, o termo “que” funciona como conjunção e introduz uma oração que desempenha função de complemento do verbo “revelou”.
IV. No quarto parágrafo, o uso excessivo de verbos prejudica a composição dos períodos assim como a sintaxe do enunciado.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3910483 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por que a inteligência artificial não conseguia imaginar uma mulher como eu — até agora


Quando a ex-nadadora paralímpica australiana Jess Smith enviou uma foto sua a um gerador de imagens por inteligência artificial (IA), não esperava enfrentar um experimento social. Ela queria apenas aprimorar o retrato, informando que lhe faltava parte do braço esquerdo. Mesmo assim, a ferramenta gerava imagens com dois braços ou com prótese metálica.


Ao questionar o motivo, a IA respondeu que não havia dados suficientes para representar sua condição. "Percebi que a IA reflete as desigualdades e discriminações do mundo real", afirmou. Até outubro, Smith não havia conseguido o resultado desejado. Depois que a BBC questionou o sistema, ela tentou novamente e obteve uma imagem fiel. "É incrível que ele tenha sido finalmente atualizado", disse.


Para Smith, a conquista representa mais que tecnologia: "A representação significa ser parte do mundo que está sendo construído. Quando a IA evolui com inclusão, toda a humanidade avança." A OpenAI, criadora do ChatGPT, confirmou melhorias no modelo e reconheceu os desafios em garantir representações justas, prometendo ampliar a diversidade dos dados de treinamento.


Nem todos, porém, têm a mesma experiência. Naomi Bowman, que tem visão em apenas um olho, relatou que a IA alterou seu rosto e igualou os olhos, mesmo após ela pedir o contrário. "Isso mostra o preconceito embutido na IA", lamentou. Ela defende que os modelos sejam treinados com dados mais amplos e representativos.


Para especialistas, esses vieses reproduzem lacunas culturais e sociais. Abran Maldonado, CEO da empresa Create Labs, afirma que a diversidade deve começar nas equipes que treinam as IAs: "Tudo depende de quem está na sala quando os dados são construídos." Ele lembra que um estudo do governo americano mostrou que algoritmos de reconhecimento facial erram mais com rostos asiáticos e afrodescendentes do que com caucasianos.


Jess Smith afirma que as maiores barreiras que enfrenta são sociais, não físicas. "Quando um banheiro público exige as duas mãos, o problema não é minha limitação, mas o fato de o designer não pensar em mim." Ela teme que o mesmo ocorra com a IA, se os sistemas continuarem a ignorar a diversidade humana.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c33pe2410l0o.adaptado.


Nem"todos", porém, têm a mesma experiência.


Em relação ao emprego das classes de palavras, o termo destacado trata-se de


Alternativas
Q3910444 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.

 

O que vale nessa vida não cabe em algoritmo

 

O que vale nessa vida, nós ainda não sabemos. E talvez seja justamente essa ignorância que nos mantém vivos. Passamos séculos tentando explicar o inexplicável — com deuses, com teorias, com manuais de autoajuda — e seguimos errando, mas com elegância. Montaigne, em seus Ensaios, já desconfiava disso quando escreveu: “Mais vale uma cabeça bem-feita do que uma cabeça cheia.” Nós, humanos, seguimos com as duas meio tortas.

O que vale nessa vida tem o nosso jeito —um jeito malfeitor, hesitante, às vezes belo por engano. O jeito de quem pensa que entende o amor, mas ainda tropeça no próprio medo. Pascal, em Pensamentos, dizia que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. E é aí que moramos: nesse espaço entre o cálculo e o caos.

Somos criaturas curiosas. Capazes de criar sinfonias e guerras, poesia e fake news, ternura e destruição. Dostoievski nos avisou, em Os Irmãos Karamázov, que “todos somos culpados de tudo e por todos”. Talvez por isso sejamos tão inquietos: carregamos a culpa de um mundo inteiro dentro do peito.

O que vale nessa vida, se ainda vale alguma coisa, talvez seja o gesto. O gesto pequeno, humano, falho —aquele que ajeita uma confusão que nem é nossa.

Guimarães Rosa dizia em Grande Sertão: Veredas: “Viver é muito perigoso.” E mesmo assim vivemos — teimosamente. Acordamos, trabalhamos, amamos e fracassamos com uma dignidade que beira o heroísmo. Entre a fome e o riso, seguimos apostando em dias melhores, mesmo sabendo que o jogo é viciado.

O que vale nessa vida talvez seja esse dom humano de suportar o insuportável. Albert Camus, em O Mito de Sísifo, chamou isso de revolta: “O único problema filosófico realmente sério é o suicídio.”

E nós, por pura teimosia, escolhemos não morrer. Escolhemos continuar. Escolhemos rir no meio da tragédia e amar mesmo sabendo que tudo desaba.

Há, em nós, um modo estranho de ajeitar o caos. T.S. Eliot, em Quatro Quartetos, escreveu: “O tempo presente e o tempo passado estão ambos talvez presentes no tempo futuro.” É o jeito dele dizer que estamos condenados a repetir o que sentimos. Que a vida é cíclica, e o que cura hoje pode ferir amanhã. Ainda assim, insistimos em chamar isso de amor.

Byung-Chul Han, em A Agonia do Eros, explica que vivemos numa era onde o outro se tornou ameaça. E é por isso que amar, hoje, é quase um ato revolucionário. Amar de verdade — sem performance, sem filtros, sem publicidade — é dizer ao mundo: “eu ainda sou humano”. Eduardo Galeano, em O Livro dos Abraços, escreveu que “somos o que fazemos para mudar o que somos”. Talvez seja por isso que seguimos — não porque sabemos o caminho, mas porque o andar é o único verbo que nos resta.

Graciliano Ramos, o mais sóbrio dos realistas, deixou em Vidas Secas a constatação de que até o silêncio tem sede. E nós, os humanos, seguimos sedentos — de verdade, de ternura, de sentido.

Jean-Jacques Rousseau dizia em O Contrato Social que “o homem nasceu livre, e por toda parte se encontra acorrentado”. Talvez sejamos isso mesmo — seres que amam as próprias correntes. Gostamos de reclamar da prisão, mas temos medo da porta aberta.

No fim, o que vale nessa vida é o nosso jeito de continuar, mesmo quebrados, mesmo cansados, mesmo sem entender nada. O mundo se repete, o caos nos visita, mas nós, os humanos, seguimos ajeitando o impossível.

Enquanto os algoritmos tentam prever quem somos, seguimos sendo imprevisíveis. Talvez seja justamente essa falha, essa incoerência, esse jeito de tropeçar e levantar, que torna o ser humano a mais bela imperfeição da Terra.

 

Autor: Felipe Daroit (adaptado).

Na oração “o caos nos visita”, o pronome átono “nos” encontra-se empregado em posição característica da:
Alternativas
Q3910400 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.

 

Impactos do uso da inteligência artificial em decisões administrativas e judiciais

 

O uso de inovações tecnológicas pela administração pública, especialmente a inteligência artificial (IA), é um tema central nas políticas públicas brasileiras, como demonstrado pela Estratégia Brasileira para Inteligência Artificial (EBIA). Essa iniciativa visa a promover a pesquisa, a inovação e a capacitação profissional, destacando a cooperação entre setores público e privado.

A IA pode aumentar significativamente a capacidade de processamento de dados, ajudando na identificação de problemas e tendências e, assim, aprimorar a tomada de decisões dos administradores. No entanto, essa automatização apresenta riscos, especialmente no que diz respeito à discricionariedade, na medida em que a substituição do julgamento humano por decisões baseadas em algoritmos pode resultar em julgamentos injustos, especialmente em casos que exigem uma análise mais sutil e específica.

O ministro Gilmar Mendes, em seu voto no julgamento da ADI 6389/DF, enfatiza essa preocupação, alertando para a crescente automação das decisões críticas que afetam o Estado de Direito. "Vivemos na era das escolhas de Sofia automatizadas", destacou, reforçando a necessidade de transparência e controle, essenciais para a proteção dos valores democráticos e para o exercício da cidadania.

Nesse contexto, no âmbito do Poder Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) emitiu a Resolução 332/2020 que dispõe sobre a ética, transparência na produção e uso da IA no Judiciário, a fim de preservar a base principiológica processual. Garantindo assim que os algoritmos das IAs não se tornem deterministas e enviesados, evitando-se também eventuais manipulações ao serem gerados.

Por mais que a referida resolução se restrinja ao Poder Judiciário, posto que ainda não há lei que trate do assunto, tais diretrizes devem ser estendidas para toda a administração pública, ante a evidente urgência em instruir, organizar e implementar a utilização de IAs. Mas afinal, para as hipóteses de tomada de decisão, uma recomendação apresentada por inteligência artificial possui caráter vinculante ou discricionário?

O questionamento é necessário, tendo em vista que, para chegar em tal recomendação, a IA se utilizou de base de dados, padrões e tendências fornecidas.

Ou seja, o julgador teria um ônus argumentativo ainda maior para a hipótese de decidir de forma contrária ao sugerido pela IA, ocasionando uma evidente redução na discricionariedade, em vista da natural conformidade ao produzido pelo sistema. Assim como pela insegurança de se alterar ou contrariar sugestão algorítmica, que por sua vez pode acarretar eventual responsabilização pelo ato proferido.

Portanto, embora a adoção da IA seja inevitável e possa trazer benefícios significativos, é crucial equilibrar seu uso com a supervisão humana, a fim de garantir decisões justas e respeitando a complexidade das situações que exigem um julgamento mais profundo e contextualizado. A responsabilidade do Estado é não apenas implementar essas tecnologias, mas também assegurar que elas sejam usadas de forma ética e justa.

 

Fonte: Correio Braziliense (adaptado).

No trecho do texto “Essa iniciativa visa a promover a pesquisa”, a palavra “essa” exerce função determinante ao retomar elemento já mencionado e situá-lo no discurso. Considerando sua natureza gramatical, assinale a alternativa que identifica corretamente o tipo de pronome empregado.
Alternativas
Q3910129 Português
Nem tudo precisa ser apaixonante

Por Marco Matos


(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/marco-matos/noticia/2026/01/nem-tudo-precisa-serapaixonante-cmkftuhhv01mt013o09hml4eo.html – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Qual das palavras sublinhadas no trecho a seguir NÃO pertence à classe gramatical dos pronomes?


“Porque eu descobri que não gostar de algo não significa que aquilo não tenha valor para mim”. 

Alternativas
Q3908261 Português
Assinale a única alternativa que pode ter o espaço preenchido corretamente por lhe, de acordo com a norma culta.
Alternativas
Q3907280 Português
Assinale a alternativa cujo elemento destacado apresenta ambiguidade (dupla possibilidade de interpretação) no contexto em que está sendo empregado.
Alternativas
Q3907279 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Entrando pela cozinha


    Aromas, sabores, os sons dos talheres e das panelas misturados à prosa em alto volume das vozes femininas. A cozinha é parte tão viva da casa! Não sei se de todas. Por certo da casa da minha infância e adolescência, perseverando na casa dos meus pais hoje e na minha. A gente não come somente a comida. Come os afetos, os prazeres, os desejos. Quantas lembranças acordam o olfato com os cheiros daquele tempero de um certo prato que aquela pessoa preparava?

    Peço, agora, que você imagine os alimentos de sua infância, seus cheiros, sabores, texturas e aromas, imagens e vozes das pessoas que os faziam. Feche os olhos! Sim, eu agora fecho os meus para dar vazão à memória. Feche, por favor, também os seus!

    Salivei. As memórias da cozinha da mãe e das avós me despertam todos os sentidos. De um lado, pães de queijo, pamonhas, pudins e outras sobremesas do Centro-Oeste – a origem materna. De outro lado, caruru, vatapá, camarões e peixes no toque do dendê do Nordeste africano e o tempero sem igual da mãe de meu pai. Isso tudo se misturando à riqueza de legumes e verduras do Sudeste do país, onde habitávamos, e seus hábitos iam nos habitando. No alimento, a poética ancestral do cuidar entrelaçada aos sabores gastronômicos miscigenando minha família e o país.

    Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha. Construiu assim, a cozinha na frente da casa. Ele diz que é porque as pessoas gostam é de ficar na cozinha. Que quando era criança ficava era todo mundo lá. Então construiu a casa entrando pela cozinha, esse lugar que congrega as pessoas e suas histórias – temperos e contos à beira do fogão.

    Ao redor da mesa, vivi e vivo os maiores e melhores momentos de comunhão familiar. Também ao redor da mesa, alguns dissabores e conflitos. A riqueza da gastronomia familiar brasileira tecida em fios de cuidar é como rede em varanda que embala um cochilo sem pretensão. Das extravagâncias natalinas ao pão de cada dia. É belo esse lugar de onde vim por tão sagrado que é! É belo esse lugar de onde vim, por tão profano que é!


MOURA, Cristiana. Entrando pela cozinha. Crônica do dia. Disponível em .<https://www.cronicadodia.com.br/2014/06/entrandopela-cozinha-cristiana-moura.html>. 
“Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha.”

A palavra destacada no trecho acima tem o sentido de:
Alternativas
Q3907236 Português
Assinale a alternativa cuja palavra destacada remete a um termo mencionado posteriormente.
Alternativas
Q3905918 Português
“................................... é o nome que se dá à parte da gramática que trata da posição do pronome oblíquo átono em relação ao verbo. Se o pronome estiver antes do verbo, sua colocação será chamada de próclise; se estiver depois do verbo, de ênclise; e se estiver no meio do verbo, mais especificamente entre o radical e as desinências, de mesóclise.”
Disponível em: https://www.portugues.com.br
Assinale a alternativa que preenche CORRETAMENTE a lacuna do texto acima.
Alternativas
Q3905593 Português
“O processo de leitura possibilita essa operação maravilhosa que é o encontro do que está dentro do livro com o que está guardado na nossa cabeça.”
Ruth Rocha
No texto acima, a palavra “nossa” é um pronome que expressa: 
Alternativas
Respostas
1021: A
1022: D
1023: A
1024: E
1025: A
1026: D
1027: A
1028: B
1029: D
1030: D
1031: C
1032: B
1033: D
1034: B
1035: B
1036: C
1037: B
1038: C
1039: E
1040: D