Questões de Concurso Sobre morfologia - pronomes em português

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Q3865617 Português
Leia a frase a seguir:

A casa deles está sem energia elétrica desde ontem.

O termo “deles” pode ser corretamente classificado como: 
Alternativas
Q3865612 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Mendigo


    Eu estava diante duma banca de jornais na Avenida, quando a mão do mendigo se estendeu. Dei-lhe uma nota tão suja e tão amassada quanto ele. Guardou-a no bolso, agradeceu com um seco obrigado e começou a ler as manchetes dos vespertinos. Depois me disse:

   — Não acredito um pingo em jornalistas. São muito mentirosos. Mas tá certo: mentem para ganhar a vida. O importante é o homem ganhar a vida, o resto é besteira.

    Calou-se e continuou a ler notícias eleitorais:

   — O Brasil ainda não teve um governo que prestasse. Nem rei, nem presidente. Tudo uma cambada só.

   Reconheceu algumas qualidades nessa ou naquela figura (aliás, com invulgar pertinência para um mendigo), mas isso, a seu ver, não queria dizer nada:

   — O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também serão ruínas. A natureza humana é que é de barro ordinário. Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim.

   Suspeitando de que eu não estivesse convencido da sua teoria, passou a demonstrar para mim que também ele era um sujeito ordinário como os outros:

   — O senhor não vê? Estou aqui pedindo esmola, quando poderia estar trabalhando. Eu não tenho defeito físico nenhum e até que não posso me queixar da saúde.

   Tirei do bolso uma nota de cinquenta e lhe ofereci pela sua franqueza. (...)


CAMPOS, Paulo Mendes. Mendigo. In: Para Gostar de Ler. 12 ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 70-71. (Volume 2 - Crônicas)
O parágrafo do texto “Reconheceu algumas qualidades nessa ou naquela figura (aliás, com invulgar pertinência para um mendigo), mas isso, a seu ver, não queria dizer nada” está corretamente reescrito na primeira pessoa do presente do indicativo em qual das alternativas a seguir?
Alternativas
Q3865385 Português

Silenciosamente barulhento


A ideia de recomeço atualmente vem batizada com uma camada de cafonice. Talvez seja fruto das propagandas de fim de ano, talvez seja a facilidade com que recorremos ao conceito. Começar do zero é tentador porque implicitamente nos permite abandonar erros ou versões desgastadas de nós mesmos as quais já não nos orgulhamos. Ao mesmo tempo, todo desmanche vem carregado do medo de encarar o novo. Para onde vou? Quem sou eu? O que eu faço a partir de agora?


Se falamos de viradas, quase sempre as associamos à ideia de barulho. É preciso brindar o novo — não é isso que fazemos a cada término de ano, afinal? Muitas vezes preparamos a festa da mudança de rota sem nem mesmo traçá-la primeiro. Queremos anunciar o novo ainda antes de entendê-lo.


Mas recomeços raramente gritam. Eles costumam chegar em silêncio. É certo que, quando a travessia envolve reorganizações internas, mil vozes parecem habitar a mente sem controle algum. E é por isso mesmo que nenhum gesto verdadeiro de mudança ocorre em paralelo ao caos e às crises. Poucos entendem que é preciso primeiro assentar a terra para depois decidir o que pode (ou não) ser construído sobre ela. É aí que passam a existir os silêncios que, na verdade, funcionam como sussurros: bem baixinho, a vida nos mostra o caminho.


Como em qualquer bota-fora que fazemos dentro de casa, ao esvaziar gavetas e armários de tralhas e papeladas que já não servem mais para nada, o vazio se torna ponto de partida. Nele, o silêncio desconfortável nos obriga a escutar aquilo que evitamos quando estamos ocupados demais explicando quem somos.


Não _____ toa, 2026 se anuncia como um ano de início. A Numerologia o define como um ano 1 — aquele em que os inícios ganham destaque. Não _____ traga respostas prontas, mas _____ nos devolve às perguntas certas. Porém, existe um tempo pouco celebrado chamado latência: o intervalo entre o estímulo e a resposta. Em um mundo que exige reações imediatas, talvez recomeçar seja justamente ampliar esse espaço.


Não responder ainda.

Não decidir agora.

Permitir que o silêncio faça o que o impulso não sabe.


Emily Dickinson escreveu quase toda a sua obra em silêncio e reclusão, longe de qualquer urgência de publicação ou resposta. Talvez soubesse que certos começos não sobrevivem ao excesso de explicação. Há coisas que só amadurecem quando não precisam ser anunciadas.


Ou, ainda, o que chamamos de pausa seja, na verdade, outra coisa. Um estado de suspensão. Um tempo em que não avançamos nem recuamos — apenas sustentamos. Não se trata de inércia, mas de lucidez: manter decisões no ar até que façam sentido ao tocar o chão. Há momentos em que seguir adiante exige exatamente isso: não agir.


Ao menos, não ainda.


Autor: Pedro Guerra - GZH (adaptado).

Na estrutura do período “antes de entendê-lo”, identifica-se o tipo de colocação pronominal denominado: 
Alternativas
Q3865104 Português
TEXTO II:

Ensinar língua portuguesa não é apenas ensinar regras. É, sobretudo, criar condições para que os alunos compreendam que a linguagem organiza a experiência humana e permite agir no mundo. Desde cedo, a criança participa de práticas sociais mediadas pela linguagem: escuta histórias, relata acontecimentos, faz perguntas, expressa desejos e constrói explicações sobre o que observa ao seu redor.

Na escola, essas práticas se ampliam e se tornam mais sistemáticas. O contato com diferentes gêneros textuais — narrativos, descritivos, argumentativos, expositivos e instrucionais — possibilita ao aluno reconhecer que cada texto responde a uma intenção comunicativa específica e circula em determinados contextos sociais. Ler e produzir textos, portanto, não são atividades neutras, mas ações situadas, que exigem escolhas linguísticas conscientes.

Nesse processo, a leitura assume papel central. Compreender um texto envolve mobilizar conhecimentos prévios, antecipar sentidos, formular hipóteses, verificar informações e estabelecer relações entre partes do texto. Estratégias como inferência, retomada referencial e identificação de conectores contribuem para a construção da coerência e para a progressão temática.

Assim, a prática de análise linguística deixa de ser um exercício mecânico de classificação e passa a integrar a reflexão sobre o funcionamento da língua nos textos. Ao articular leitura, produção e reflexão linguística, o ensino de língua portuguesa favorece a formação de sujeitos capazes de interpretar, argumentar, reescrever e produzir textos adequados a diferentes situações comunicativas, conforme orienta a Base Nacional Comum Curricular.
No trecho “essas práticas se ampliam e se tornam mais sistemáticas”, o pronome “essas” exerce função de: 
Alternativas
Q3864987 Português
TEXTO I

A língua é uma construção viva, moldada pelo uso cotidiano e pelas transformações históricas que atravessam a sociedade. Ela não permanece estática, pois acompanha as mudanças culturais, tecnológicas e sociais de cada época, incorporando novos sentidos, palavras e formas de expressão.

No entanto, apesar dessa dinamicidade, a língua também se organiza por regras e convenções que possibilitam a comunicação entre os falantes. A gramática, a ortografia e os princípios sintáticos funcionam como instrumentos de estabilidade, garantindo que a mensagem seja compreendida de maneira relativamente uniforme.

Entre o uso espontâneo da linguagem e suas normas, surge um espaço de tensão equilibrada: ao mesmo tempo em que o falante cria, adapta e ressignifica, ele também precisa reconhecer limites impostos pelo sistema linguístico. É nesse equilíbrio que se constrói a eficácia comunicativa.

Assim, compreender a língua vai além de memorizar regras. Exige interpretar sentidos, reconhecer intenções, perceber escolhas vocabulares e entender como cada elemento linguístico contribui para a construção do significado no texto.
Na expressão “cada elemento linguístico contribui para a construção do significado”, o termo “cada” classifica-se morfologicamente como:
Alternativas
Q3864676 Português

Leia o Texto II para responder a questão.



Texto II



A TERCEIRA MARGEM DO RIO (fragmentos)  


Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia e que ralhava no diário com a gente ─ minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa. 


Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a ideia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso do dia em que a canoa ficou pronta.


Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!”. Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?”. Ele só retornou o olhar em mim e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.


Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos se reuniram, tomaram juntamente conselho. [...]


Guimarães Rosa  

No enunciado: “Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais.
A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente”, o emprego de quais classes gramaticais garante a coesão textual? 
Alternativas
Q3864674 Português

Leia o Texto I para responder a questão.



Texto I



NO BARCO COR DE SANGUE  


Ah! a placidez das águas turvas que nada revelam e nada exigem. Para isso havia alugado o barco, para ser plácido como a água, ainda que por breve tempo. Um barco pequeno no pequeno lago do parque rodeado de cidade por todos os lados. Remou com falta de jeito, mais para ver o afundar e erguer-se dos remos do que propriamente para avançar. Os ruídos, os ruídos tantos que das ruas se alçavam escalando os canyons dos prédios, lhe chegavam abafados pela distância pouca e pelas copas das árvores. Deixavam de ser buzina, freada, alarme, sirene, para tornar-se pasta sonora amalgamada, quase uma outra natureza do ar. Um barco pequeno pintado de vermelho denso, vermelho sangue, que, descascado aqui e acolá, entregava um idêntico vermelho subjacente, como se vermelha fosse a madeira de que era feito. Um barco em que caberia exato, se deitasse. Deitou-se. Recolheu os remos. Um barco, pensou, embora desejasse tanto não pensar em nada, um barco, pensou, não fica parado, mesmo que não haja vento.


Um barco ondula. Sentia o esquife balançar de leve sob seu corpo, e a água, aquela água turva, cuja superfície pareceria intocada não estivesse ele a navegar, agia discreta por baixo do casco, como se suavemente roçando o dorso contra a quilha. Peito aberto sem a defesa dos braços cruzados, olhar afundado no infinito azul do alto, sentiu uma sombra aflorar lhe a testa, passar pelas pálpebras, a boca, lamber-lhe aos poucos o corpo até abandoná-lo pelos pés. Viu a copa de uma árvore deslizar acima e ficar para trás. O leve, levíssimo ondular repousava-lhe o corpo, devolvia-lhe a antiga segurança do berço. Indo e voltando entre palavras que nem bem escolhia, pensou que alugaria o barco no verão, quando pudesse tirar a camisa e ficar quase seminu ao sol, como se nadasse. E porque o havia pensado sentiu o súbito frio da roupa molhada nas costas, naquela mínima água que todo barco guarda ao fundo. Cochilou, talvez. Certamente fechou os olhos. Da pasta de sons, uma sirene destacou-se aguda. O barco pareceu estremecer. Abriu os olhos. Sem pressa, perguntou-se onde estaria, se próximo ou distante de onde havia embarcado. O ar passou mais fino ou mais rápido sobre o seu rosto, o fundo do barco vibrava, quem sabe, tangido pelos arrepios do seu corpo agora gelado.


O doce bambolear que o havia embalado fazia-se descompassado. Pensou que o tempo do aluguel estaria se esgotando, era hora de voltar. Ainda estendeu a mão preguiçosa para fora da borda, mas, sentindo-a molhada por respingos, retraiu-a surpreso e, agarrando-se dos dois lados, ergueu o tronco. Nada do que viu era o que esperava ver. Nenhuma serenidade mais aplanava o lago, se lago era aquele em que o barco ia à deriva, flancos apertados pela água escura que se acavalava em correnteza e espuma, estilhaçando-se contra as rochas das margens, avançando cada vez mais voraz até onde o olhar alcançava. Olhou para trás procurando o embarcadouro, os outros barcos iguais ao seu, a ponte vagamente japonesa que ligava a beira cimentada à ilhota artificial, os elementos todos que o haviam levado a alugar esse barco, a deitar-se no fundo do esquife cor de sangue em busca de placidez. Distante ou perdida estava aquela realidade. A sombra de uma copa deslizou veloz sobre o seu rosto lívido, a boca contraída não conseguiu articular as palavras do medo. Um rugido surdo havia-se acrescentado aos sons da mata que subiam entre os troncos, e o rugido lhe dizia que, à frente, ondas rápidas se faziam mais intensas, uma cachoeira o aguardava.


Marina Colasanti  

Na oração “O leve, levíssimo ondular repousava-lhe o corpo, devolvia-lhe a antiga segurança do berço”, a relação correta entre classe gramatical e função sintática das palavras destacadas se encontra em qual das alternativas?
Alternativas
Q3864452 Português
A função sintática de um pronome oblíquo átono, como 'lhe' ou 'os', é sempre a de objeto indireto ou objeto direto respectivamente, sem possibilidade de variação, ou seja, 'lhe' nunca poderá atuar como objeto direto e 'os' nunca como objeto indireto, dada a invariabilidade de sua classificação morfológica e sintática.
Alternativas
Q3864448 Português
A noção de oralidade e escrita como práticas sociais distintas, mas complementares, implica que o ensino de Português deve abordar as especificidades de cada modalidade, reconhecendo que a oralidade não é meramente uma versão falada da escrita, possuindo gêneros, estratégias e estruturas próprias que devem ser desenvolvidas de forma sistemática em sala de aula, mas sem a interferência de gêneros escritos para não contaminar a espontaneidade.
Alternativas
Q3864306 Português
Assinale a alternativa em que a palavra destacada está sendo empregada corretamente. 
Alternativas
Q3863999 Português
Assinale a alternativa em que a palavra destacada é um pronome relativo. 
Alternativas
Q3863629 Português
Assinale a alternativa que NÃO contém um pronome em destaque.
Alternativas
Q3862861 Português
Madrasta contratou morte de mãe para poder ficar com a filha dela


    A Polícia Civil do Rio de Janeiro procura Gabrielle Cristine Pinheiro Rosário, apontada como mandante do homicídio de Laís de Oliveira Gomes Pereira, de 26 anos, ocorrido no dia 4 de novembro, em Sepetiba, na Zona Oeste da cidade. A vítima foi morta com um tiro na nuca enquanto empurrava o carrinho do filho de 2 anos.


    Segundo as investigações da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), Gabrielle teria planejado o crime com o objetivo de obter a guarda exclusiva da criança, enteada dela. A suspeita, de acordo com os policiais, apresentava comportamento possessivo em relação à menina e teria oferecido cerca de R$ 20 mil para que dois homens executassem a vítima.

     Ontem (10), os agentes prenderam Davi de Souza Malto, identificado como o autor dos disparos. A ação foi realizada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, após trabalho de inteligência e monitoramento. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em endereços ligados aos investigados, com o objetivo de reunir novas provas.

    Outro envolvido, Erick Santos Maria, que dirigia a motocicleta usada na execução, se entregou à polícia na sexta-feira anterior (07). Ele também teve a prisão decretada por homicídio. Imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas ajudaram a identificar a dupla e esclarecer a dinâmica do crime.

     Laís de Oliveira Gomes Pereira, de 26 anos, trabalhava como técnica de enfermagem e era mãe de duas crianças, um menino de 2 anos e uma menina de 4. O caso gerou comoção entre familiares e moradores de Sepetiba.

    De acordo com a DHC, as diligências continuam para localizar Gabrielle Rosário e concluir o inquérito. A Polícia Civil mantém as investigações para reunir mais elementos sobre a motivação e a participação de cada suspeito no caso.


Fonte: RJ: madrasta contratou morte de mãe para poder ficar com a filha dela | CNN Brasil
Assinale a alternativa que apresente o referente no texto do pronome em destaque no período: Ele também teve a prisão decretada por homicídio.
Alternativas
Q3862305 Português

Amigos para o bem e para o mal


Vera Iaconelli – Psicanalista



    Costumamos dizer que é na hora do perrengue que se conhece um verdadeiro amigo. Ele seria a pessoa que não larga nossa mão quando estamos por baixo. Concordo, desde que se leve em conta o outro lado: amigo suporta, igualmente, estar com a gente quando brilhamos. A amizade só se revela no intercâmbio de posições e em diferentes contextos.  


    Partimos da constatação freudiana de que não há relação isenta de ambivalência e que o amor e o ódio andam de mãos dadas. É através do amor que superamos nossa tendência a controlar ou destruir o outro por medo de que ele nos controle ou destrua antes. A paranoia diante da alteridade está sempre pronta a ser engatilhada; o amor a desarma. 


    Ele permite que a inveja dê lugar à admiração, sabendo que a primeira está sempre à espreita. Somos crianças egocêntricas que só aprendemos a dividir os brinquedos com prazer sob a condição de um insight: ser o dono da bola não é tão legal quanto ter alguém com quem jogar.


    Inveja, ciúme, competição, raiva... as amizades vêm com a paleta completa de afetos humanos, acirrados pela proximidade, pelo convívio e pela longevidade das relações. O que as torna especiais é que nelas o cuidado, a empatia e a intimidade dão mais prazer do que nossa costumeira mesquinhez. Daí que ver o amigo brilhar, quando não consideramos nosso umbigo o centro do universo, pode ser fonte de um genuíno prazer.


    Da mesma forma, vê-lo sofrer é dilacerante (e perdê-lo, impensável). A condição para ser um amigo digno do título é que o sadismo diante do sofrimento alheio não roube a cena. Reitero que não existe aqui nenhuma expectativa de que sejamos seres superiores, livres das limitações humanas, mas que o amadurecimento nos permite reconhecê-las, evitar que transbordem em atos danosos e, acima de tudo, desfrutar do prazer de amar e ser amado pelo outro. 


    O mesmo critério deveria servir para familiares, conhecidos e colegas. Mas estes têm que galgar muitos degraus para receber o especialíssimo título de amigo. A amizade é contingente e implica trocas íntimas e duradouras nas quais podemos nos fiar, quase sempre. Amigos também comem bola, mas ganham no saldo final e por insistência. 


    Nossos amigos não precisam ser as melhores pessoas do mundo. Basta que sejam as melhores pessoas do nosso mundo. Isso permite que mesmo os bizarros, os malas sem alça e os perdidos de plantão tenham direito a relações significativas na vida. (Considerando que todos somos um pouco bizarros, malas e perdidos, é bom que haja quem nos aguente.) 


[...]


    No fim das contas, amigo mesmo é aquele que sobrevive ao nosso lado na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, sem sadismo nem inveja demais, e com disponibilidade amorosa ao longo da vida.  


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vera-iaconelli/2025/10/amigos-para-o-bem-e-para-o-mal.shtml). Acesso em: 22 nov. 2025. 

Em “Ele permite que a inveja dê lugar à admiração, sabendo que a primeira está sempre à espreita.”, a expressão em destaque 
Alternativas
Q3862300 Português

Amigos para o bem e para o mal


Vera Iaconelli – Psicanalista



    Costumamos dizer que é na hora do perrengue que se conhece um verdadeiro amigo. Ele seria a pessoa que não larga nossa mão quando estamos por baixo. Concordo, desde que se leve em conta o outro lado: amigo suporta, igualmente, estar com a gente quando brilhamos. A amizade só se revela no intercâmbio de posições e em diferentes contextos.  


    Partimos da constatação freudiana de que não há relação isenta de ambivalência e que o amor e o ódio andam de mãos dadas. É através do amor que superamos nossa tendência a controlar ou destruir o outro por medo de que ele nos controle ou destrua antes. A paranoia diante da alteridade está sempre pronta a ser engatilhada; o amor a desarma. 


    Ele permite que a inveja dê lugar à admiração, sabendo que a primeira está sempre à espreita. Somos crianças egocêntricas que só aprendemos a dividir os brinquedos com prazer sob a condição de um insight: ser o dono da bola não é tão legal quanto ter alguém com quem jogar.


    Inveja, ciúme, competição, raiva... as amizades vêm com a paleta completa de afetos humanos, acirrados pela proximidade, pelo convívio e pela longevidade das relações. O que as torna especiais é que nelas o cuidado, a empatia e a intimidade dão mais prazer do que nossa costumeira mesquinhez. Daí que ver o amigo brilhar, quando não consideramos nosso umbigo o centro do universo, pode ser fonte de um genuíno prazer.


    Da mesma forma, vê-lo sofrer é dilacerante (e perdê-lo, impensável). A condição para ser um amigo digno do título é que o sadismo diante do sofrimento alheio não roube a cena. Reitero que não existe aqui nenhuma expectativa de que sejamos seres superiores, livres das limitações humanas, mas que o amadurecimento nos permite reconhecê-las, evitar que transbordem em atos danosos e, acima de tudo, desfrutar do prazer de amar e ser amado pelo outro. 


    O mesmo critério deveria servir para familiares, conhecidos e colegas. Mas estes têm que galgar muitos degraus para receber o especialíssimo título de amigo. A amizade é contingente e implica trocas íntimas e duradouras nas quais podemos nos fiar, quase sempre. Amigos também comem bola, mas ganham no saldo final e por insistência. 


    Nossos amigos não precisam ser as melhores pessoas do mundo. Basta que sejam as melhores pessoas do nosso mundo. Isso permite que mesmo os bizarros, os malas sem alça e os perdidos de plantão tenham direito a relações significativas na vida. (Considerando que todos somos um pouco bizarros, malas e perdidos, é bom que haja quem nos aguente.) 


[...]


    No fim das contas, amigo mesmo é aquele que sobrevive ao nosso lado na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, sem sadismo nem inveja demais, e com disponibilidade amorosa ao longo da vida.  


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vera-iaconelli/2025/10/amigos-para-o-bem-e-para-o-mal.shtml). Acesso em: 22 nov. 2025. 

Em relação ao uso adequado da colocação pronominal, assinale a alternativa em que a reescrita proposta se mantém condizente com a norma-padrão. 
Alternativas
Q3861213 Português
Leia para responder às questões. 

O sistema gastrointestinal desempenha papel essencial na digestão e absorção de nutrientes, mas enfrenta riscos diários devido a hábitos alimentares inadequados e estresse. Doenças como dispepsia, refluxo gastroesofágico e gastroparesia afetam milhões de pessoas, especialmente adultos com diabetes ou hipertensão, causando dor abdominal superior, inchaço pós-refeição e desconforto que piora à tarde ou após as refeições. Prevenir esses problemas exige atenção a sinais leves, como dor epigástrica aliviada pelo jejum, promovendo uma vida saudável e produtiva.


Cuidados Alimentares

Adote uma dieta equilibrada, com refeições menores e frequentes, evitando alimentos gordurosos, picantes ou ácidos que agravam a dispepsia. Consuma fibras de frutas, vegetais e grãos integrais para regular o trânsito intestinal e prevenir constipação, que pode intensificar dores abdominais. Hidrate-se bem e evite jejuns prolongados, priorizando o controle glicêmico em diabéticos para reduzir riscos de gastroparesia.


Hábitos Diários

Mastigue devagar e evite deitar logo após comer, permitindo que o estômago esvazie adequadamente e minimizando refluxo. Pratique exercícios moderados, como caminhadas pós-prandiais, para estimular a motilidade gastrointestinal sem sobrecarga. Reduza o estresse com técnicas de relaxamento, pois ele exacerba sintomas funcionais como plenitude epigástrica.


Consulta e Medicamentos

Monitore sintomas persistentes, como dor leve diária, e consulte um médico para avaliação, especialmente se em uso de antidiabéticos, anti-hipertensivos ou aspirina. Evite automedicação com inibidores de bomba de prótons sem orientação, optando por ajustes personalizados. Exames como endoscopia ajudam a descartar úlceras, garantindo prevenção precoce de complicações graves.
A coesão textual garante a retomada de ideias para evitar repetições. No trecho "Reduza o estresse com técnicas de relaxamento, pois ele exacerba sintomas funcionais...", o pronome pessoal destacado atua como elemento anafórico, retomando o termo:
Alternativas
Q3858755 Português

Leia a tira a seguir para responder a questão.


A frase do 3º quadro “Eu simplesmente não consigo convencer ele…” pode ser reescrita, em conformidade com a norma-padrão de emprego e colocação dos pronomes, do seguinte modo:
Alternativas
Q3858418 Português
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto a seguir, em conformidade com a norma-padrão de emprego dos pronomes e do acento indicativo de crase.
Estudos sobre a relação entre Alzheimer e surdez apontam que intervenções precoces podem trazer benefícios __________   quem convive com o declínio auditivo, especialmente _____________ pessoas que tendem a se isolar socialmente. Por isso, profissionais de saúde recomendam práticas voltadas ___________manutenção de vínculos comunicativos que _____________ ofereçam um modo de preservar as funções mentais.
Alternativas
Q3856174 Português

Coloque (V) para verdadeiro e (F) para falso:


( ) ELA é um pronome pessoal do caso reto.


( ) ESTE é um pronome pessoal do caso reto.


( ) MINHA é um pronome possessivo.


( ) ESTE é um pronome demonstrativo.


( ) ALGUÉM é um pronome definido.


Alternativas
Q3855896 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.



Política do abandono


    No Brasil dos anos 1970, falava-se com convicção na necessidade de capturar os cachorros que viviam nas ruas. Sob uma forte ideologia de controle, o discurso era o da higiene, da ordem, da prevenção, palavras que tentavam dar um contorno racional a uma pratica dura e cruel, então consolidada como política pública legitimada, quase sem questionamento ético. Para os cachorros, no entanto, tudo isso tinha um nome só: a carrocinha. A carrocinha levou três cachorros de uma vez, repetiam as crianças, como quem canta, sem saber o peso do que diziam. Apesar de antiga e repetida nas brincadeiras de roda desde os anos 1950, a cantiga nunca foi só brincadeira para mim. Vinha sempre acompanhada de uma lembrança dura, que eu ainda não sabia nomear.


    O tempo passou, as leis mudaram, os termos ficaram mais cuidadosos. Já não se fala da mesma forma, é verdade. Mas o erro humano atravessou as décadas quase intacto. Os animais continuam desprotegidos. Principalmente os cães, que seguem circulando como se ocupassem um espaço provisório, tolerado apenas enquanto não incomoda demais. 


    Costuma-se dizer que o abandono é um problema típico dos grandes centros urbanos. Cidades inchadas, trânsito caótico, gente demais. Mas basta caminhar com atenção pelo litoral para perceber que o problema também mora perto do mar. Ele se revela com mais nitidez depois do veraneio, quando o movimento diminui, as ruas esvaziam e as casas fecham suas janelas até a próxima temporada. 


    O verão vai embora levando cadeiras de praia, guarda-sóis e promessas de descanso. Ficam os rastros menos visíveis. Cães deixados para trás, como se fossem parte de uma bagagem esquecida ou descartável. Eles passam a vagar pelas ruas, pelas praças, pelas portas fechadas, carregando uma espera que não tem data.


    Esperam um portão se abrir, um chamado conhecido, um gesto mínimo de carinho. Esperam sem saber que já não há retorno. A cidade retoma seu ritmo habitual, o comércio desacelera, os dias seguem. Só eles permanecem, testemunhas silenciosas de uma estação que passou rápido demais e de uma responsabilidade que nunca chegou a ser plenamente assumida. 


    No fim, talvez o abandono nunca tenha sido apenas uma falha de política pública. Ele se repete como um hábito humano antigo: o de ir embora deixando para trás aquilo que depende de nós. O verão acaba. A consciência, nem sempre.


Autora: Helô Bachicette - GZH (adaptado). 

No trecho “A cidade retoma seu ritmo habitual”, as palavras “a” e “seu” exercem funções gramaticais distintas na estrutura do período. Nesse contexto, “a” classifica-se como __________, enquanto “seu” classifica-se como _________. 

Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas.
Alternativas
Respostas
1061: D
1062: A
1063: B
1064: A
1065: C
1066: B
1067: C
1068: E
1069: E
1070: A
1071: A
1072: B
1073: B
1074: C
1075: A
1076: A
1077: A
1078: A
1079: A
1080: B