“Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha.” ...

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Q3907279 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Entrando pela cozinha


    Aromas, sabores, os sons dos talheres e das panelas misturados à prosa em alto volume das vozes femininas. A cozinha é parte tão viva da casa! Não sei se de todas. Por certo da casa da minha infância e adolescência, perseverando na casa dos meus pais hoje e na minha. A gente não come somente a comida. Come os afetos, os prazeres, os desejos. Quantas lembranças acordam o olfato com os cheiros daquele tempero de um certo prato que aquela pessoa preparava?

    Peço, agora, que você imagine os alimentos de sua infância, seus cheiros, sabores, texturas e aromas, imagens e vozes das pessoas que os faziam. Feche os olhos! Sim, eu agora fecho os meus para dar vazão à memória. Feche, por favor, também os seus!

    Salivei. As memórias da cozinha da mãe e das avós me despertam todos os sentidos. De um lado, pães de queijo, pamonhas, pudins e outras sobremesas do Centro-Oeste – a origem materna. De outro lado, caruru, vatapá, camarões e peixes no toque do dendê do Nordeste africano e o tempero sem igual da mãe de meu pai. Isso tudo se misturando à riqueza de legumes e verduras do Sudeste do país, onde habitávamos, e seus hábitos iam nos habitando. No alimento, a poética ancestral do cuidar entrelaçada aos sabores gastronômicos miscigenando minha família e o país.

    Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha. Construiu assim, a cozinha na frente da casa. Ele diz que é porque as pessoas gostam é de ficar na cozinha. Que quando era criança ficava era todo mundo lá. Então construiu a casa entrando pela cozinha, esse lugar que congrega as pessoas e suas histórias – temperos e contos à beira do fogão.

    Ao redor da mesa, vivi e vivo os maiores e melhores momentos de comunhão familiar. Também ao redor da mesa, alguns dissabores e conflitos. A riqueza da gastronomia familiar brasileira tecida em fios de cuidar é como rede em varanda que embala um cochilo sem pretensão. Das extravagâncias natalinas ao pão de cada dia. É belo esse lugar de onde vim por tão sagrado que é! É belo esse lugar de onde vim, por tão profano que é!


MOURA, Cristiana. Entrando pela cozinha. Crônica do dia. Disponível em .<https://www.cronicadodia.com.br/2014/06/entrandopela-cozinha-cristiana-moura.html>. 
“Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha.”

A palavra destacada no trecho acima tem o sentido de:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No trecho “Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha.”, o termo “cuja” é pronome relativo de valor possessivo e retoma “um professor”, estabelecendo a relação de posse com “casa”; por isso, o sentido pedido é o de posse.

Tema central: pronome relativo possessivo
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. “Cuja” não indica modo, isto é, não expressa maneira como algo acontece. No trecho, sua função é relacionar “professor” e “casa” por posse.
B
Certa
A alternativa B está correta porque “cuja” não apenas retoma um antecedente, mas o faz com valor possessivo. No trecho, a relação é entre “um professor” e “casa”, com sentido equivalente a “a casa desse professor” ou “a casa do qual”. É essa relação de pertencimento que o pronome estabelece.
C
Errada
Incorreta. “Cuja” não tem sentido de lugar. A ideia de lugar está em “pela cozinha”, que indica o local por onde se dá a entrada; o pronome destacado apenas marca que a casa é do professor.
D
Errada
Incorreta. “Cuja” não exprime tempo, porque não situa a ação temporalmente nem estabelece relação temporal no período. Seu valor no trecho é possessivo.
E
Errada
Incorreta. “Cuja” não veicula negação. Não há no pronome qualquer traço semântico negativo; ele funciona como pronome relativo de posse.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o sentido do pronome destacado e outras ideias presentes na frase, sobretudo a noção de lugar em “pela cozinha”. O item não pede interpretação global do trecho, mas o valor semântico específico de “cuja”.
Dica para questões semelhantes
  • Quando aparecer “cujo/cuja”, verifique se ele liga um antecedente a um substantivo seguinte com sentido de pertencimento.
  • Separe o valor da palavra destacada das demais informações da frase; aqui, lugar está em “pela cozinha”, não em “cuja”.
  • Se a questão pedir o sentido de um termo, resolva pelo valor semântico e pela função dele no período, não pelo tema geral do texto.

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Comentários

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A alternativa correta é a B.

O pronome relativo "cuja" (e suas variações "cujo", "cujos", "cujas") possui valor semântico intrínseco de posse, estabelecendo uma relação entre dois substantivos (o possuidor e a coisa possuída). No trecho, indica que a casa pertence ao professor ("casa do professor").

Explicação sobre as demais alternativas:

  • A (modo): Advérbios ou locuções de modo indicam como algo é feito (ex: bem, mal, depressa). "Cuja" não descreve a maneira de uma ação.
  • C (lugar): Embora a frase mencione "casa" e "entrada", o pronome em si não indica localidade; para isso, seriam usados pronomes como "onde" ou "em que".
  • D (tempo): Relações temporais são marcadas por termos como "quando" ou "momento em que".
  • E (negação): Termos de negação (ex: não, jamais, nunca) servem para invalidar uma declaração, o que não é a função de um pronome relativo.

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