Questões de Concurso Sobre morfologia - pronomes em português

Foram encontradas 13.335 questões

Q4307379 Português
O Rio começou a correr porque a cidade precisava respirar de novo

    Tem uma cena que se repete nas manhãs do Rio. Antes de a cidade terminar de acordar, já tem gente correndo na orla, na Lagoa, no Aterro, na Quinta da Boa Vista, no Maracanã, no Parque Madureira, na Barra, no Recreio, na Tijuca, em Jacarepaguá, em Campo Grande, em Niterói e em tantos outros caminhos onde o carioca transforma rua, praça e calçadão em pista. Alguns estão em grupo, outros sozinhos. Uns olham o relógio, outros só seguem o ritmo do corpo. Há quem corra para melhorar o pace, emagrecer, estrear numa prova. Mas tenho a impressão de que muita gente está correndo por outro motivo: para conseguir respirar.
     Não é pouca coisa viver num tempo em que tudo nos atravessa rápido demais. Mensagens, cobranças, telas, comparações, notícias, metas, urgências. A cabeça fica cheia, o peito fica apertado e o corpo vira o lugar onde essa pressão se acumula. Talvez por isso a corrida tenha crescido tanto. Ela devolve uma coisa rara: um começo simples. Um pé depois do outro. Uma respiração depois da outra.
    O Rio sempre foi uma cidade física. Aqui, a vida passa pelo corpo, mas não apenas na praia. Passa no calçadão, na praça, no parque, na rua fechada no domingo, na pista improvisada perto de casa, no grupo que se encontra ainda escuro para treinar antes do trabalho. A paisagem ajuda, claro. Às vezes é o mar. Às vezes é uma árvore no caminho, uma praça cheia, um viaduto atravessado, uma rua conhecida. O que importa é que, em algum ponto da cidade, o corpo encontra uma forma de organizar algo por dentro. Mas não é só beleza. É pertencimento. É grupo. É ritual. É perceber que você não está sozinho tentando dar conta da vida.
    A Maratona do Rio se aproxima e, com ela, a cidade parece entrar nesse estado coletivo de movimento. Em 2026, o evento chega a um recorde de cerca de 70 mil inscritos e conquista o selo Elite Label da World Athletics, consolidando-se como o maior festival de corrida de rua da América Latina. Para João Traven, da Spiridon, organizador da prova desde 2003, a maratona deixa de ser apenas uma competição técnica: durante cinco dias, toma conta das ruas, transforma a orla e as avenidas em celebração ao ar livre e faz da Marina da Glória um grande ponto de encontro.

Fonte: Veja Rio. Adaptado.
Quanto à colocação pronominal, assinalar a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4306863 Português
Meninos

Estrofe 1
meninos pedindo comida na porta das casas.
meninos esguios macilentos
filhos da fome
crias do medo
bichinhos escuros
melados de sujo
procriados em catres imundos
em horas escusas
botados no mundo
porque o remédio falhou
Estrofe 2
meninos pedindo comida
ratos de esgoto
saídos da lama
de dia se escondem
de noite se espalham
correndo de porta em porta
só comem no escuro
ratos de esgoto
que a noite soltou
Estrofe 3
meninos pedindo comida nas casas burguesas
meninos pisando pés sujos
nos pátios de são caetano
escorando as mãos sujas no espelho
dos azulejos coloridos do hall
meninos apertando o botão da campainha
esperando o milagre da explosão
da ternura e da comida
que não vem
lá dentro há risos e arrotos
e estômagos cheios se sacodem de gozo
e velhos gulosos caminham pro enfarte
Estrofe 4
e um lindo fogão colorido espreme no ar
um cheiro gostoso de assado e fritura 
que ri dos meninos passando-lhes o dedo
no nariz
Estrofe 5
meninos pedindo comida na porta das casas
a fome fazendo barulho apertando a campainha
chegando em hora incômoda
(esses meninos não respeitam temos visitas pro jantar)
meninos batendo na porta das almas
sujando o assoalho encerado
de nossa paz espiritual
Estrofe 6
meninos ouvindo um não perfumado
cheirando a comida
um não muito limpo
dá água na boca
diga que o que sobrou é pros cachorros
eles que voltem amanhã
meninos recolhem sua fome num saco de plástico
irão bater noutra porta
escrevendo nas ruas as linhas sinuosas do clamor da miséria que sobe até Deus

(Autor: Ápio Campos)

Não consta no excerto: "e estômagos cheios se sacodem de gozo" a classe de palavra:
Alternativas
Q4305546 Português

INSTRUÇÃO: A questão refere-se ao texto abaixo.



Qual é a origem da palavra “tarifa”?





(Disponível em: super.abril.com.br/historia/qual-e-a-origem-da-palavra-tarifa/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

 Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas dos trechos a seguir, retirados do texto, de forma que a correção gramatical e as relações de referenciação sejam mantidas.

• “________ também outras ocasiões em que as tarifas norte-americanas provocaram conflitos ao longo da história”.
• “Isso enfureceu os estados do Sul, ________ economia era predominantemente agrária e ________ ainda dependiam dos produtos da Europa”.
Alternativas
Q4305131 Português
Leia o texto para responder à questão:

Medidas contra as bets são muito tímidas

    O governo endureceu as regras para a publicidade das apostas esportivas. Todas as propagandas de bets deverão agora exibir advertências informando que apostar pode causar dependência, faz perder dinheiro e não é investimento. Também ficam proibidas peças publicitárias que associem as apostas a sucesso financeiro, fonte de renda ou enriquecimento fácil. As medidas representam um avanço e mostram que o Estado reconhece, de forma clara, os riscos de uma atividade que nem deveria ter sido legalizada. Nesse sentido, as medidas do governo são muito tímidas.
    Nos últimos anos, o mercado de apostas online cresceu sem freios. Enquanto a regulamentação patinava, empresas se instalaram no País e multiplicaram patrocínios a clubes, campeonatos e programas esportivos. Também transformaram influenciadores, atletas e celebridades em vitrines permanentes de um negócio apresentado como entretenimento inofensivo. O tsunami veio com a Copa do Mundo. Hoje, as pesquisas mostram o aumento do endividamento das famílias, o crescimento dos casos de ludopatia, a pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e até o adiamento do ingresso de jovens no ensino superior.
Trata-se de impor à publicidade das bets limites proporcionais aos danos que elas provocam. Foi essa lógica que orientou, ao longo das últimas décadas, a restrição à propaganda de cigarros. Ninguém proibiu o consumo. O que se reconheceu foi que produtos capazes de causar prejuízos dessa dimensão à saúde pública não poderiam continuar sendo promovidos como símbolos de sucesso, diversão ou qualidade de vida.
    No segundo semestre, o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá retomar o julgamento das ações que questionam a constitucionalidade da Lei das Bets. Entre os temas em debate estão a proteção de grupos vulneráveis, como beneficiários de programas sociais, e os limites de uma atividade que, segundo a Procuradoria-Geral da República, possui caráter predatório e compromete direitos fundamentais. O presidente do STF já associou o avanço das apostas ao crime organizado e classificou o tema como um grave problema social e de segurança pública. Suas declarações indicam que o tribunal dificilmente será permissivo.
    O julgamento, porém, ainda está distante, e seu resultado é incerto. Até lá, governo e Congresso não têm desculpa para continuar adiando restrições muito mais severas à publicidade das bets. Não basta alertar sobre os riscos de uma atividade reconhecidamente nociva enquanto sua publicidade continua ocupando estádios, transmissões esportivas, redes sociais e a rotina dos brasileiros quase sem limitações. O aviso institucional é bem-vindo, mas a tolerância já passou da hora de acabar.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.07.2026. Adaptado)
Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de colocação pronominal e de concordância.
Alternativas
Q4304198 Português
Assinale a alternativa cujos elementos preenchem corretamente as lacunas a seguir, na mesma ordem:

- Ele está pensando               .
- Você é muito parecido               .
- Será que ela vai                para a festa?
Alternativas
Q4304196 Português
Assinale a alternativa em que a palavra destacada atende corretamente às normas de colocação pronominal em Língua Portuguesa.
Alternativas
Q4303912 Português
Preencha as lacunas a seguir com "eu" ou "mim" adequadamente. A seguir, assinale a sequência correta obtida.

- Entre ela e         não havia nenhuma disputa.
- Para          fazer as contas, é um custo.
- Para          , fazer as pazes é essencial.
- Ficou um clima tenso entre          e vocês.
- Por favor, não insista para          ler isso.
Alternativas
Q4303831 Português

Considere o fragmento a seguir para a questão:


A esse respeito, os conceitos de cultura, civilização e povos têm conotações diferentes segundo o contexto, por exemplo, científico ou político. Enquanto o conceito de culturas evoca entidades que tendem a definir-se com relação umas às outras, o termo civilização refere-se a culturas que afirmam os seus valores ou visões do mundo como universais e assumem uma atitude expansionista relativamente a outras que as não partilham (ou ainda o não fazem). É, pois, um desafio muito real procurar levar à coexistência pacífica diferentes centros de civilização. Segundo a concepção da UNESCO – e esta é uma construção muito afastada das construções ideológicas que profetizam o choque de civilizações – deve entender-se por civilização um processo em curso encaminhado para a conciliação de todas as culturas do mundo com base no reconhecimento da sua igual dignidade, no quadro de um projeto universal contínuo.



Fonte: UNESCO. Relatório mundial da UNESCO: investir na diversidade cultural e no diálogo intercultural. Paris: UNESCO, 2009. p. 4  

No trecho “relativamente a outras que as não partilham (ou ainda o não fazem)”, o termo “o” funciona como elemento de: 
Alternativas
Q4303752 Português
Texto 4


O fim do livro de papel


       Só 122 livros. Era o que a Universidade de Cambridge tinha em 1427. Eram manuscritos lindos, que valiam cada um o preço de uma casa. Isso foi três décadas antes de a Bíblia de Gutenberg chegar às ruas. Depois dela, os livros deixaram de ser obras artesanais exclusivas de milionários e viraram o que viraram. Graças a uma novidade: a prensa de tipos móveis, que era capaz de fazer milhares de cópias no tempo que um monge levava para terminar um manuscrito.

      Foi uma revolução sem igual na história e blá, blá, blá. Só que uma revolução que já acabou. Há 10 anos, pelo menos. Quando a internet começou a crescer para valer, ficou claro que ela passaria uma borracha na história do papel impresso e começaria outra. Mas aconteceu justamente o que ninguém esperava: nada. A internet nunca arranhou o prestígio nem as vendas dos livros. Muito pelo contrário. O segundo negócio on-line que mais deu certo (depois do Google) é uma livraria, a Amazon. Se um extraterrestre pousasse na Terra hoje, acharia que nada disso faz sentido. Por que o livro não morreu? Como uma plataforma que, se comparada à internet, é tão arcaica quanto folhas de pergaminho ou tábuas de argila continua firme?

       Você sabe por quê. Ler um livro inteiro no computador é insuportável. A melhor tecnologia para uma leitura profunda e demorada continua sendo tinta preta em papel branco. Tudo embalado num pacote portátil e fácil de manusear. Igual à Bíblia de Gutenberg. Isso sem falar em outro ingrediente: quem gosta de ler sente um afeto físico pelos livros. Curte tocar neles, sentir o fluxo das páginas, exibir a estante cheia. Uma relação de fetiche. Amor até.

      Mas esse amor só dura porque ainda não apareceu nada melhor que um livro para a atividade de ler um livro. Se aparecer… Se aparecer, não: quando aparecer. Depois do CD, que já morreu, e do DVD, que está respirando com a ajuda de aparelhos, o livro impresso é o próximo da lista.  


VERSIGNASSI, Alexandre. O fim do livro de papel. Superinteressante, 23 mar.
2010. Disponível em: https://super.abril.com.br/tecnologia/o-fim-do-livro-depapel/. Acesso em: 06 jul. 2026.
No terceiro parágrafo, na passagem “acharia que nada disso faz sentido”, o pronome demonstrativo “isso”, na contração prepositiva “disso”, contribui para a coesão textual ao retomar a
Alternativas
Q4303646 Português

Considere o fragmento a seguir para a questão:


Os modelos familiares ao longo da história foram se alterando por diversos motivos socioculturais. Perceber essas mudanças é de extrema importância para compreender os modelos atuais de família. Inicialmente a família não se importava com seus filhos, eram apenas frutos de uma relação sexual; contudo, a criança acaba marcando seu espaço, e a família passa por uma reestruturação. Ao olhar para esta criança, a família se reinventa e se assenta num modelo aristocrático, onde o pai é o provedor. Com a industrialização, a família passa por outras alterações e aí se reestrutura de forma a privilegiar a privacidade e formas sociais de convivência em massa. Com a emancipação da mulher, um novo cenário se instala, e a família tenta encontrar seu modelo, pois, com a autonomia feminina, o pai perde sua autoridade, e o modelo tradicional de pai, mães e filhos dá lugar a uma verdadeira desordem de estrutura, na qual a vivência dos desejos individuais é evidenciada. E, frente a esse panorama, o conceito de família fica frágil, e generalizá-lo é impossível.


Fonte: https://revistaft.com.br/o-modelo-familiar-nos-dias-atuais-uma-releitura-do-conceito-de-familia/ (adaptado)

Assinale a alternativa que apresenta uma análise correta.
Alternativas
Q4303498 Português
Assinale a alternativa cujo pronome destacado apresenta colocação correta, pela norma-padrão.
Alternativas
Q4303297 Português

Leia o texto III para responder à questão.


Texto III


Leia as frases abaixo e marque a alternativa em que a substituição do advérbio de lugar está CORRETA e justificada adequadamente.
Alternativas
Q4303058 Português
"Acredito que, toda vez que saímos de um livro, saímos diferentes, mesmo que não o notemos." (Caio Riter)

O elemento destacado no pensamento acima retoma o conteúdo de(a):
Alternativas
Q4302908 Português

PEQUENAS E GRANDES ESPERANÇAS


Pensando (ou lembrando) bem, não foram tão verdes assim. A memória tem sempre essa tendência otimista de filtrar as lembranças más para deixar só o verde, o vivo. Antigamente, sempre era melhor, ainda que não fosse. Talvez porque já esteja, lá, tudo solucionado e a gente possa se ver, no tempo, como quem vê uma personagem num livro ou filme: aconteça o que acontecer, há um fim definido, predeterminado. Essa espécie de improvisação do agora, do que está sendo moldado, causa muito mais angústia. Não temos, como no samba, a menor ideia de como será o amanhã. Encontrar um único adjetivo para os anos 70 não é tão fácil assim. Facílima é a expressão “anos 70”, como se pudéssemos espremer aqueles dez anos em um único significado, ignorando as nuances todas. Os dias em que nada parecia acontecer e não estávamos dentro dos tais anos 70: por trás de circunstâncias históricas, nomes e datas, estávamos dentro de um tempo que ainda não ganhara uma forma exata. Se foram duros? Foram, foram duros. Mas foram também cheios de sonhos e encontros e pequenas e grandes esperanças. Foram anos em que não se podia viver muito para fora: a repressão política nos empurrava para dentro. Nesse movimento, havia duas opções principais e radicais: ou você caía de cabeça nas drogas ou mergulhava na clandestinidade política. O que ligava os dois comportamentos era uma vontade poderosa de mudar o país e o planeta, fosse através do ácido lisérgico nas caixas-d’água das cidades, fosse pela revolução do proletariado. Verde mesmo, verde clarinho, desse quase água, era ter perto de vinte anos e não saber que se sabia muito pouco das ditas coisas da vida. Justamente por isso, enfrentar de peito aberto todos os riscos de dentro ou de fora da própria cabeça, esgueirando-se entre paranoias quase sempre reais. Não tínhamos ainda essas marcas deixadas pelos que desistiram, se mataram, foram presos, torturados, assassinados, enlouqueceram — enquanto dentro de nós pequenas partes iam também desistindo, se matando, sendo presas, torturadas, assassinadas, enlouquecendo. Não ter essas marcas era verde. Verde era ainda estar inteiro e pronto para a luta, embora não parecesse. É por isso que, quando a barra pesa, gosto de pensar que dentro do agora talvez exista também um verde qualquer, que não estamos vendo. Só veremos quem sabe quando pudermos aprisionar estes anos num pacotinho, carimbá-lo e colocar na prateleira da História com o título de “anos 80”. Ficarão mais leves, assim batizados?


ABREU, Caio Fernando. O melhor de Caio Fernando Abreu. 1. ed. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

Assinale a opção em que a classificação está de acordo com a colocação do pronome oblíquo:
Alternativas
Q4302645 Português

Leia o texto e responda às questões:


O TEMPO QUE A FILA NÃO MEDE


Naquela segunda-feira, a pequena sala de atendimento parecia menor do que de costume. Havia gente em pé, duas crianças inquietas e uma senhora que consultava o relógio a cada poucos minutos. Atrás do balcão, Clara organizava documentos enquanto explicava, pela terceira vez, que o sistema estava mais lento naquela manhã.


Um homem, já impaciente, aproximou-se e perguntou:


— Vai demorar muito?


Clara poderia ter respondido apenas que não sabia. Em vez disso, verificou a situação e explicou que três atendimentos ainda seriam concluídos antes do dele. A informação não tornou o relógio mais rápido, mas mudou alguma coisa: o homem agradeceu e voltou a sentar-se. Pouco depois, a senhora que observava as horas foi chamada. Ao chegar ao balcão, descobriu que havia esquecido um documento necessário. Procurou na bolsa, tornou a procurar e, sem encontrá-lo, suspirou:


— Perdi a manhã. 


Clara examinou os documentos apresentados e percebeu que o comprovante também poderia ser enviado posteriormente por meio eletrônico. Orientou a senhora sobre o procedimento e deu continuidade ao atendimento.


Ao sair, ela sorriu:


— Então não perdi a manhã inteira.


A fila continuava praticamente do mesmo tamanho. O sistema continuava lento. O relógio, naturalmente, não havia mudado seu ritmo. Ainda assim, o ambiente parecia menos pesado. Talvez uma espera não seja feita apenas de minutos. Há atrasos que aumentam quando ninguém sabe o que está acontecendo e problemas que diminuem quando alguém encontra uma saída. O tempo marcado pelo relógio pode ser igual para todos; o modo como ele é vivido, não.


Fonte: texto autoral, elaborado exclusivamente para esta prova. 

Em um comunicado, escreveu-se: “Os candidatos devem conferir seus documentos antes da entrega, pois eles não poderão ser substituídos depois do encerramento do prazo.” Considerando a clareza textual e o emprego dos pronomes, assinale a alternativa que apresenta a melhor análise.
Alternativas
Q4302565 Português
Texto: A FALTA DE ATENÇÃO E A MEMÓRIA

    Perguntei quantos achavam que a memória estava pior. Formada por cerca de 500 estudantes de medicina, mais da metade da plateia levantou a mão. Comentei que se tratava de uma epidemia de Alzheimer juvenil. Eles riram.
      Perda de memória talvez seja a queixa mais frequente nas consultas médicas de hoje. No passado, esse fenômeno ficava restrito aos poucos que insistiam em viver mais do que 70 ou 80 anos. Todos encaravam com naturalidade os avós que repetiam cinco vezes a mesma pergunta e passavam o dia à procura de objetos deixados sabe Deus onde. Consideravam esses esquecimentos “esclerose da idade”. Diziam: “Minha avó é capaz de esquecer do que foi servido no almoço, mas tem uma memória prodigiosa, lembra de fatos que ocorreram quando tinha sete anos de idade”.
     Em linhas gerais, existem dois grandes grupos de memórias: as de longa e as de curta duração, estas também chamadas de memória de trabalho. As primeiras persistem por décadas ou pelo resto da vida, especialmente quando são gravadas em momentos de forte emoção. Razão pela qual não esquecemos o lugar em que estávamos ao receber a notícia da morte de um ente querido ou da queda das Torres Gêmeas, em Nova York, ou da rua em que nos roubaram o celular. A memória de trabalho, ao contrário, é descartável, grava por pouco tempo os acontecimentos que nos ajudam a tocar a rotina diária. Por exemplo, lembro que deixei um copo de água na mesa ao lado ou que fiquei de telefonar para minha irmã ao meio-dia ou que preciso lavar a xícara do café que acabei de tomar. Depois de executadas essas tarefas, tais lembranças serão varridas do cérebro, de modo a deixar espaço livre para outras.
     No conto “Funes el memorioso”, publicado em 1942, Jorge Luis Borges narra a vida de Ireneo Funes, jovem uruguaio que depois de um acidente desenvolve a capacidade de memorizar nos mínimos detalhes tudo o que acontece ao seu redor: o rosto de uma pessoa que acabou de conhecer e que nunca mais verá, o formato das nuvens no céu dia após dia, a disposição das folhas das árvores, as ações mais insignificantes executadas em casa. Essas habilidades, no entanto, deixavam os circuitos neuronais de sua memória tão sobrecarregados que Funes se tornou incapaz de raciocínios elementares, de pensamentos abstratos, de fazer associação de fatos e generalizações. Seu cérebro passava os dias inundado de informações inúteis que o impediam de organizar as ideias para tomar decisões racionais.
    Dizer que somos o que está arquivado em nossa memória é parte da verdade; não podemos esquecer que também somos as memórias que nosso cérebro decidiu desprezar. Voltemos aos desmemoriados de hoje. No caso dos mais velhos, há várias causas: entre elas, o envelhecimento cerebral, o volume crescente de informações armazenadas no decorrer dos anos, a dificuldade de encontrar espaço livre no hardware para arquivá-las e o desgaste na produção de neurotransmissores essenciais. Esses fenômenos, no entanto, não explicam a epidemia de desmemoriados jovens. Como em pessoas de 20 ou 30 anos são muito raras as degenerações neurológicas, é bem provável que a causa do problema esteja ligada à falta de atenção. São tantos os estímulos simultâneos a que estão submetidas, que esse requisito fundamental para a consolidação de memórias se perde.
    Num trabalho conduzido anos atrás, pesquisadores submeteram jovens universitários a uma bateria de testes de atenção, em três situações distintas. Na primeira, eles deixavam o celular fora da sala em que os testes seriam aplicados; na segunda, entravam com o celular e os desligavam antes de começar a responder; na terceira, o celular permanecia ligado durante a realização dos testes. Os maiores índices de acertos ocorreram quando os celulares ficavam do lado de fora. Os piores, quando permaneciam ligados. Os testes aplicados quando os aparelhos estavam ao alcance das mãos, mas desligados, apresentaram resultados intermediários. Quer dizer, a simples presença do celular já é capaz de propiciar a desatenção.
    A seleção natural não moldou o cérebro humano para dar conta da infinidade de desafios cognitivos impostos pela vida on-line. Se lembrarmos que os mesmos fatores de risco estão por trás das crises de ansiedade e de depressão que afligem crianças e adultos de todas as idades, concluiremos que não está fácil preservar a sanidade mental no mundo de hoje.


DRAUZIO VARELLA Adaptado de folha.uol.com.br, 08/04/2026.
Formada por cerca de 500 estudantes de medicina, mais da metade da plateia levantou a mão. (1º parágrafo) Uma reformulação da frase citada é: mais da metade da plateia, ____ por cerca de 500 estudantes de medicina, levantou a mão. Ao desenvolver a oração sublinhada, a lacuna presente na reformulação pode ser preenchida pela seguinte expressão: 
Alternativas
Q4302000 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Programa de educação ambiental traz saberes locais para escolas públicas


A presença da emergência climática nos currículos escolares ainda avança em ritmos distintos ao redor do mundo.


Diante das mudanças climáticas, educadores brasileiros têm buscado nos saberes locais as soluções para incluir crianças e adolescentes no debate sobre o clima e ações de sustentabilidade. Desenvolvido e implementado pela Tewá 225, o programa Movimento Sustentável, uma iniciativa da Auren Energia, promoveu acesso à educação socioambiental para mais de 2 mil estudantes e professores na rede pública em seis estados brasileiros. O projeto ampliou o domínio de técnicas sustentáveis ligadas aos territórios onde aconteceram as formações, como sistemas naturais, consumo de recursos e mudanças climáticas.


Ao todo, 40 escolas públicas, localizadas em Pernambuco, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e São Paulo, receberam formações voltadas para educadores que fortalecem a compreensão sobre sustentabilidade e aplicação desses conhecimentos em sala de aula. Segundo dados da Tewá, foram mobilizados 144 profissionais, que elaboraram 266 atividades.


Além do incentivo formativo, as escolas que atingiram as metas de atividades previstas em seu programa, com caráter gamificado e ligado aos saberes locais, receberam investimentos entre R$ 2 mil e R$ 5 mil para implementar as ações no território onde estão localizadas.


A metodologia das trilhas formativas é alinhada à BNCC (Base Nacional Comum Curricular). A proposta organiza o aprendizado em ciclos semestrais interconectados, permitindo que conteúdos complexos sejam assimilados de forma progressiva e adaptada às realidades dos municípios.


Adaptar a metodologia à cultura local é parte da premissa do programa Movimento Sustentável. Para Fernanda Mallak, diretora técnica da Tewá 225, os conteúdos sobre cada bioma e os recursos naturais presentes nos territórios são essenciais para a elaboração das formações.


"O estudo só faz sentido quando está conectado à realidade do território e à cultura que aquele estudante reconhece como dele. É a diferença entre decorar um conceito e se sentir pertencente a ele", explica ela. "Aqui entram também os saberes tradicionais, que muitas vezes precedem todo o nosso conhecimento técnico de sustentabilidade."


No entanto, ainda existem alguns desafios para a incorporação das práticas sustentáveis no ensino básico, sobretudo questões estruturais ligadas à evasão escolar, infraestrutura precária das escolas e alta rotatividade de professores. "Como engajar uma comunidade escolar que muitas vezes opera no limite, com o docente sobrecarregado e sem as condições mínimas de permanência?", questiona Mallak. "Qualquer iniciativa que ignore esse terreno tende a não se sustentar", defende ela.


Para ela, as oficinas devem ser organizadas de forma que não gerem mais carga de trabalho para os profissionais da educação. Ações como a inserção do educador ambiental no ambiente escolar podem aliviar essa sobrecarga, além de oferecer material didático pré-elaborado para o docente. "A ideia é entrar como apoio numa estrutura que já está pressionada, e não como mais uma demanda", explica.


A metodologia desenvolvida pelo projeto varia conforme a realidade do território, considerando os diferentes contextos urbanos, rurais e de comunidades tradicionais contempladas. Em escolas indígenas, o trabalho é feito completamente conectado com as lideranças, responsáveis por transmitir o conhecimento para membros mais jovens de seu povo.


O diálogo com lideranças é uma forma de conectar a realidade escolar com os saberes tradicionais de cada território, mas também envolve a comunidade no processo formativo de adultos e crianças. "O trabalho é com a comunidade escolar como um todo, tendo o educador e/ou professor como ponto de multiplicação para os estudantes, famílias e, consequentemente, para o entorno", conclui Mallak.


Fonte: TOYAMA, Laura. Programa de educação ambiental traz saberes locais para escolas públicas. CNN Brasil, [S. l.], 19 jun. 2026. Disponível em:

https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/programa-de-educacao-ambien tal-traz-saberes-locais-para-escolas-publicas/. Acesso em: 9 ago. 2026.

"Ações como a inserção do educador ambiental no ambiente escolar podem aliviar essa sobrecarga."
Considerando as regras de colocação pronominal de acordo com a norma-padrão, analise as substituições da expressão 'essa sobrecarga' nas propostas a seguir, e assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4301755 Português
Leia o Texto I para responder à questão.


Texto I


Nova lei facilita acesso a informações públicas


A maior parte das leis de acesso à informação no mundo só cobre o poder central. A lei brasileira inova por envolver todas as esferas de poder. 


    Uma vez regulamentada, a Lei de Acesso à Informação (12.527/11) torna real um direito reconhecido pela Constituição brasileira: o acesso do cidadão ao que é feito pelos governos, sejam eles federal, estaduais ou municipais.

    A lei atende também a outro preceito constitucional: o dever do Estado de prestar essas informações. A partir dela, qualquer cidadão pode solicitar informações ao órgão público sem precisar justificar o pedido.

     O grande objetivo desta lei é consolidar no País o princípio da transparência dos atos públicos, mas ela pode ser vista também como forma de a sociedade monitorar o que é feito pelo Estado. É o controle social, como diz Rafael Custódio, coordenador do programa de Justiça da Conectas Direitos Humanos. “Ainformação é pública, do cidadão e não do governo. É dever do governo então disponibilizar isso para os outros”, diz Custódio.

    A maior parte das leis de acesso à informação no mundo só cobre o poder central. A lei brasileira inova por envolver todas as esferas de poder, por isso é considerada por especialistas estrangeiros como ambiciosa e abrangente. A Unesco, órgão das Nações Unidas, a classifica como uma das 30 melhores leis de acesso à informação do mundo.

    Fabiano Angélico, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, ressalta que a lei precisa de tempo para se consolidar. “Em geral a administração pública tem a tendência de ser fechada e de se fechar. Implementar uma lei de acesso é mudança de cultura, de paradigma, e, portanto, não acontece do dia para a noite. Porque informação é poder. Mas é preciso ter em mente que é um trabalho para uma geração.”

     O pesquisador lembra ainda o despreparo da estrutura administrativa para atender à demanda da população. “Para cumprir adequadamente a lei da informação é preciso deter uma estrutura multidisciplinar e as ouvidorias não vão ser suficientes”, afirma. Com a nova lei, o acesso à informação é a regra; e o sigilo, a exceção.


Fonte: Agência Câmara de Notícias. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/380397-nova-lei-facilita-acesso-a-informacoes-publicas/. Acesso em: 24 jun. 2026. [Adaptado]
No trecho “qualquer cidadão pode solicitar informações ao órgão público sem precisar justificar o pedido”, a palavra “qualquer” classifica-se como: 
Alternativas
Q4301552 Português

Texto para a questão.


O RELÓGIO QUE INTERROMPEU A PRAÇA


Às 14h17 de uma terça-feira, o relógio da praça parou. Nenhum estrondo anunciou o defeito, nenhuma engrenagem caiu sobre os bancos e ninguém pareceu perceber o silêncio dos ponteiros. Na manhã seguinte, porém, moradores que habitualmente atravessavam o lugar sem levantar os olhos passaram a consultar o mostrador imóvel. Era como se esperassem que o relógio confirmasse, por conta própria, a notícia de sua inutilidade.

Durante anos, ele fora obedecido sem ser propriamente observado. Indicava a hora das lojas, apressava estudantes e advertia os atrasados, mas permanecia tão integrado à paisagem quanto as árvores e o calçamento. Bastou que deixasse de funcionar para adquirir biografia: alguns se lembraram de quando fora instalado; outros discutiram se já atrasava antes da pane. O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.

A prefeitura afixou no pedestal um aviso: “Informamos que o equipamento se encontra temporariamente indisponível para a marcação das horas.” A frase não continha erro e descrevia com precisão o estado do relógio; ainda assim, parecia incapaz de responder à pergunta que todos realmente faziam: quando ele voltaria a funcionar? Esse descompasso entre correção formal e utilidade comunicativa fez do aviso uma segunda atração da praça.

Um comerciante reclamou que, sem o relógio, os clientes demoravam mais diante das vitrines. Uma criança perguntou se o tempo também havia parado nas ruas vizinhas. Já o homem encarregado do conserto limitou-se a dizer que uma peça precisaria ser substituída. Cada pessoa explicava a pane com os instrumentos de que dispunha: o comerciante calculava seus efeitos, a criança ampliava suas possibilidades e o técnico delimitava suas causas.

Na sexta-feira, os ponteiros voltaram a avançar. Não houve cerimônia, mas algumas pessoas permaneceram diante do relógio até que o primeiro minuto se completasse. O conserto devolveu movimento ao mecanismo; não devolveu, porém, à praça a antiga indiferença. Por alguns dias, quem passava por ali olhava simultaneamente para a hora e para os demais observadores.

Não se tratava de elogiar o defeito. Serviços públicos existem para funcionar, e a eficiência não precisa do espetáculo da falha para ser reconhecida. O episódio apenas revelou algo menos evidente: certos objetos organizam silenciosamente a vida comum. Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.


Texto autoral, elaborado especialmente para esta prova.

Os mecanismos de referenciação garantem a continuidade do texto ao permitirem que informações anteriores sejam retomadas por pronomes, expressões nominais ou elementos elípticos. A identificação do referente depende da compatibilidade gramatical e da coerência produzida no contexto.
Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4300914 Português
Analise a música abaixo:

Vida real – Paulo Ricardo
Se você pudesse me dizer
Se você soubesse o que fazer
O que você faria
aonde iria chegar...

Se você soubesse quem você é
Até onde vai a sua fé
O que você faria
pagaria pra ver

Se pudesse escolher
Entre o bem e o mal
Ser ou não ser...
Se querer é poder
Tem que ir até o final
se quiser vencer... 

Fonte: https://www.vagalume.com.br/bbb/vida-real-pauloricardo.html 

No trecho
Se você soubesse quem você é
Até onde vai a sua fé
O que você faria
pagaria pra ver” 

Assinale a alternativa em que as palavras destacadas estão classificadas corretamente de acordo com a morfossintaxe: 
Alternativas
Respostas
1: D
2: B
3: E
4: E
5: A
6: E
7: A
8: A
9: A
10: A
11: D
12: D
13: A
14: C
15: A
16: D
17: A
18: A
19: C
20: B