Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3545732 Português

Por que e como utilizar narrativas indigenas na alfabetização?


Abordagem diversifica os tipos de textos trabalhados, permite resgatar as contribuições dos povos originários e amplia o repertório e a visão de mundo das crianças  


Qual língua se fala no Brasil? Se “português” é a única resposta que vem à sua mente é porque o processo de colonização e o decorrente apagamento histórico dos povos originários silenciaram, durante séculos, as centenas de línguas indígenas faladas no país. Elas são 274, segundo dados de 2010 do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 


Foi somente com a Constituição Federal de 1988 que os povos indígenas tiveram assegurado o direito às suas línguas, inclusive no âmbito escolar. E esperariam ainda mais dez anos para, em 1998, o Ministério da Educação (MEC) aprovar o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas (RCNEI). Esse documento estabeleceu as diretrizes para o ensino e a aprendizagem da Educação indigena de forma a preservar e valorizar sua diversidade cultural e linguística. 


O referencial assegurou a chamada alfabetização intercultural, isto é, o direito das pessoas indígenas de se alfabetizarem tanto em sua língua materna como em língua portuguesa em seu processo de escolarização. O objetivo é o de fortalecer as préticas socioculturais de cada comunidade, recuperar suas memorias histéricas e reafirmar suas identidades. 


“A lingua indígena escrita não deixa de ser fruto de um processo colonial porque a gente sabe que a transmissão de conhecimento dos povos indígenas sempre foi oral”, aponta Cristine Takud, da etnia Maxacali, professora da Aldeia Guarani Rio Silveira, em Boraceia (SP). “A escrita das línguas indígenas veio com a catequização, com os jesuitas e salesianos, que foram os primeiros a levar a escola para dentro das comunidades indígenas.”  


Panorama da alfabetização indígena 


Josélia Gomes Neves, uma das responsáveis pela criação do curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural da Universidade Federal de Rondônia (Unir), explica que, no estado, a maioria das comunidades faz uso das suas línguas maternas no convívio familiar e social e tem o primeiro contato com a língua portuguesa praticamente na escola. “Então, geralmente, no 1° ano, a maior parte das atividades acontece na língua materna e, a partir do 2° ano, entra o bilinguismo pedagógico”, diz ela, que também lidera o Grupo de Pesquisa em Educação na Amazônia (GPEA) da Unir.  


A professora detalha como acontece o processo de formação de professores na região onde atua, na Terra Indígena Rio Negro  Ocaia (RO). “O curso trabalha na perspectiva da pedagogia da alterndncia cultural. Os estudantes indígenas vão para a Unir e têm dois meses de aulas intensivas e, em outro período, é feito seu acompanhamento nas aldeias. Há uma aldeia polo que recebe esses alunos para estudos e desenvolvimento de atividades práticas.”


Desafios para preservar a língua materna 


Formado por esse curso, o professor Ihvkuhj Gavião, do povo Ikolen e residente do município de Ji-Paraná (RO), atua desde 2014 na alfabetização de crianças. Ele acredita que preservar a língua materna indígena está diretamente vinculado a preservar o universo cultural que ela nomeia. “Para manter nossa cultura, precisamos ensinar nossa língua a nossos alunos. E quando vamos ensiná-la, tentamos envolver a realidade deles, nossas tradições e costumes, dentro da concepção de Paulo Freire de ler o mundo que nos rodeia”, conta. 


Mas os desafios não são poucos, a começar pela própria escassez de profissionais. “Não há professores com a formação necessária em quantidade suficiente para atender as turmas dos Anos Finais do Ensino Fundamental, por exemplo. Então, nessa etapa, são basicamente professores não indígenas, falantes exclusivamente do português”, comenta Josélia.  


Outra questão são os livros didáticos escritos sob a lógica do modelo eurocéntrico. Apesar da Lei nº 11.645 de 2008, que tornou obrigatório o estudo da histéria e cultura indígena e afro-brasileira nas escolas do país, os conteúdos ainda trazem estereótipos de uma concepção única do que é ser indígena ou adaptações incoerentes. “Um dos materiais que os professores recebem do MEC é uma coleção que foi pensada para a Educação no campo. Ela é totalmente em língua portuguesa e, embora tenha alguma preocupação com o campo, não é na perspectiva da floresta ou dos indígenas”, relata Josélia. 


© Adaptado. Thais Paiva, Revista Nova Escola, 29/04/2024. ihttps://novaescola.org.br/conteudo/21860/narrativas-povosindigenas-alfabetizacaog, 

No trecho “Foi somente com a Constituição Federal de 1988 que os povos indígenas tiveram assegurado o direito às suas linguas, inclusive no âmbito escolar”, a palavra âmbito pode ser substituída, sem provocar desvio de escolha lexical, por variados termos. Assinale o que, entre as alternativas propostas, MENOS se ajusta ao conceito do termo original:  
Alternativas
Q3545701 Português
O passarinho que ajuda cientistas brasileiros a entender as mudanças climáticas

Todos os meses, durante quatro ou cinco dias, um grupo de cientistas brasileiros vive a vida de um passarinho.

Eles acordam cedo, antes de o sol raiar, e se embrenham por horas em pântanos lotados de capins altos e muitos insetos.

O objetivo da missão é um só: observar o bicudinho-do-brejo, uma ave rara encontrada apenas em regiões específicas da Baía de Guaratuba, quase na divisa entre o Paraná e Santa Catarina.

Entre os mais de sessenta indivíduos da espécie que são acompanhados de perto, um se tornou o queridinho da equipe de biólogos: Rosaldo, um macho de dezesseis anos, que é acompanhado pelos pesquisadores antes mesmo de nascer, quando ainda estava se desenvolvendo no ovo.

Esse tempo de observação de um mesmo animal permitiu aos especialistas reunir uma série de dados sobre a história de sua vida.

As informações ajudam a entender as estratégias que a espécie adota para se adaptar e responder às mudanças climáticas — como o aumento do nível do mar ou a maior frequência de eventos extremos.

"O bicudinho tem o peso de um bombom", detalha a bióloga Giovana Sandretti-Silva, que coordena um projeto de conservação da espécie e faz parte do grupo de pesquisa de Bornschein.

"O macho é um pouco mais escuro e tem a barriga marrom. Já a fêmea possui uma barriga carijó, com penas brancas e pretas", diz ela.

 A primeira década de pesquisa com o bicudinho-do-brejo também permitiu descobrir que esses pássaros são territorialistas e mantêm relacionamentos por longos períodos.

"O casal vive no mesmo lugar por vários anos, alimenta-se de pequenos insetos ou caranguejos e usa os capins do brejo para fazer os ninhos", acrescenta Sandretti-Silva.

Segundo a bióloga, os bicudinhos geram dois ovos por ciclo reprodutivo — e, se bem-sucedidos, eles terão dois filhotinhos para cuidar por algumas semanas.

"Uma coisa interessante é que macho e fêmea dividem todas as tarefas. Juntos, eles constroem os ninhos, chocam os ovos, cuidam dos filhotes", exemplifica ela.

Quando o filho cresce e consegue se virar sozinho, ele é expulso pelos próprios pais e precisa buscar um território próprio.

"Eles não têm muita autonomia de voo, então pulam de um capim para outro e vagam até achar um novo lugar", aponta Sandretti-Silva.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr321dpg49o. Adaptado.
Todos os meses, durante quatro ou cinco dias, um grupo de cientistas brasileiros vive a vida de um passarinho. Eles acordam cedo, antes de o sol raiar, e se embrenham por horas em pântanos lotados de capins altos e muitos insetos.
Com base no texto fornecido, qual das seguintes afirmações é verdadeira?
Alternativas
Q3545695 Português
O passarinho que ajuda cientistas brasileiros a entender as mudanças climáticas

Todos os meses, durante quatro ou cinco dias, um grupo de cientistas brasileiros vive a vida de um passarinho.

Eles acordam cedo, antes de o sol raiar, e se embrenham por horas em pântanos lotados de capins altos e muitos insetos.

O objetivo da missão é um só: observar o bicudinho-do-brejo, uma ave rara encontrada apenas em regiões específicas da Baía de Guaratuba, quase na divisa entre o Paraná e Santa Catarina.

Entre os mais de sessenta indivíduos da espécie que são acompanhados de perto, um se tornou o queridinho da equipe de biólogos: Rosaldo, um macho de dezesseis anos, que é acompanhado pelos pesquisadores antes mesmo de nascer, quando ainda estava se desenvolvendo no ovo.

Esse tempo de observação de um mesmo animal permitiu aos especialistas reunir uma série de dados sobre a história de sua vida.

As informações ajudam a entender as estratégias que a espécie adota para se adaptar e responder às mudanças climáticas — como o aumento do nível do mar ou a maior frequência de eventos extremos.

"O bicudinho tem o peso de um bombom", detalha a bióloga Giovana Sandretti-Silva, que coordena um projeto de conservação da espécie e faz parte do grupo de pesquisa de Bornschein.

"O macho é um pouco mais escuro e tem a barriga marrom. Já a fêmea possui uma barriga carijó, com penas brancas e pretas", diz ela.

 A primeira década de pesquisa com o bicudinho-do-brejo também permitiu descobrir que esses pássaros são territorialistas e mantêm relacionamentos por longos períodos.

"O casal vive no mesmo lugar por vários anos, alimenta-se de pequenos insetos ou caranguejos e usa os capins do brejo para fazer os ninhos", acrescenta Sandretti-Silva.

Segundo a bióloga, os bicudinhos geram dois ovos por ciclo reprodutivo — e, se bem-sucedidos, eles terão dois filhotinhos para cuidar por algumas semanas.

"Uma coisa interessante é que macho e fêmea dividem todas as tarefas. Juntos, eles constroem os ninhos, chocam os ovos, cuidam dos filhotes", exemplifica ela.

Quando o filho cresce e consegue se virar sozinho, ele é expulso pelos próprios pais e precisa buscar um território próprio.

"Eles não têm muita autonomia de voo, então pulam de um capim para outro e vagam até achar um novo lugar", aponta Sandretti-Silva.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr321dpg49o. Adaptado.
"O bicudinho tem o peso de um bombom", detalha a bióloga Giovana Sandretti-Silva, que coordena um projeto de conservação da espécie e faz parte do grupo de pesquisa de Bornschein.
Com base no texto fornecido, qual das seguintes afirmações é verdadeira?
Alternativas
Q3545670 Português
Por que as pessoas trocam presentes?

Sem dúvida, os presentes servem a muitos propósitos. Alguns psicólogos observam um "brilho no olhar" — um prazer intrínseco — associado ao ato de dar presentes.

Os teólogos notaram como presentear é uma forma de expressar valores morais — como amor, bondade e gratidão — no catolicismo, no budismo e no islamismo. E filósofos consideravam presentear como a melhor demonstração de altruísmo.

Não é de admirar que os presentes sejam uma parte central do Natal e de outros feriados de fim de ano − e que algumas pessoas possam até ficar tentadas a considerar a Black Friday, o dia das ofertas da época de compras de fim de ano, como um feriado em si.

Mas de todas as explicações sobre a razão pela qual as pessoas dão presentes, a que considero mais convincente foi dada em 1925 por um antropólogo francês chamado Marcel Mauss.

Mauss observou que os presentes criam três ações distintas, mas extremamente relacionadas. Presentes são dados, recebidos e retribuídos.

O primeiro ato de dar estabelece as virtudes de quem dá. Ele expressa sua generosidade, bondade e honra.

O ato de receber o presente, por sua vez, mostra a disposição da pessoa em ser homenageada. Essa é uma forma de quem recebe mostrar sua generosidade, mostrar que está disposto a aceitar o que lhe foi oferecido.

O terceiro componente é a reciprocidade, retribuindo o que foi dado primeiro. Essencialmente, espera-se − implícita ou explicitamente − que agora a pessoa que recebeu o presente devolva um presente ao doador original.

Mas então, é claro, assim que a primeira pessoa receber algo em troca, ela deverá devolver outro presente à pessoa que recebeu o presente original. Dessa forma, presentear se torna um ciclo interminável de dar e receber.

Este último passo − a reciprocidade − é o que torna os presentes únicos. Ao contrário de comprar algo em uma loja, em que a troca termina quando o dinheiro é trocado por mercadorias, dar presentes constrói e sustenta relacionamentos. Esta relação entre quem dá e quem recebe está ligada à moralidade. Presentear é uma expressão de justiça porque cada presente geralmente tem valor igual ou maior do que o último dado. E presentear é uma expressão de respeito porque mostra vontade de homenagear a outra pessoa.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/clmenny 99veo.Adaptado. 
Sem dúvida, os presentes servem a muitos propósitos. Alguns psicólogos observaram um "brilho no olhar" — um prazer intrínseco — associado ao ato de dar presentes.
Com base no texto fornecido, qual das seguintes afirmações é verdadeira? 
Alternativas
Q3545669 Português
Por que as pessoas trocam presentes?

Sem dúvida, os presentes servem a muitos propósitos. Alguns psicólogos observam um "brilho no olhar" — um prazer intrínseco — associado ao ato de dar presentes.

Os teólogos notaram como presentear é uma forma de expressar valores morais — como amor, bondade e gratidão — no catolicismo, no budismo e no islamismo. E filósofos consideravam presentear como a melhor demonstração de altruísmo.

Não é de admirar que os presentes sejam uma parte central do Natal e de outros feriados de fim de ano − e que algumas pessoas possam até ficar tentadas a considerar a Black Friday, o dia das ofertas da época de compras de fim de ano, como um feriado em si.

Mas de todas as explicações sobre a razão pela qual as pessoas dão presentes, a que considero mais convincente foi dada em 1925 por um antropólogo francês chamado Marcel Mauss.

Mauss observou que os presentes criam três ações distintas, mas extremamente relacionadas. Presentes são dados, recebidos e retribuídos.

O primeiro ato de dar estabelece as virtudes de quem dá. Ele expressa sua generosidade, bondade e honra.

O ato de receber o presente, por sua vez, mostra a disposição da pessoa em ser homenageada. Essa é uma forma de quem recebe mostrar sua generosidade, mostrar que está disposto a aceitar o que lhe foi oferecido.

O terceiro componente é a reciprocidade, retribuindo o que foi dado primeiro. Essencialmente, espera-se − implícita ou explicitamente − que agora a pessoa que recebeu o presente devolva um presente ao doador original.

Mas então, é claro, assim que a primeira pessoa receber algo em troca, ela deverá devolver outro presente à pessoa que recebeu o presente original. Dessa forma, presentear se torna um ciclo interminável de dar e receber.

Este último passo − a reciprocidade − é o que torna os presentes únicos. Ao contrário de comprar algo em uma loja, em que a troca termina quando o dinheiro é trocado por mercadorias, dar presentes constrói e sustenta relacionamentos. Esta relação entre quem dá e quem recebe está ligada à moralidade. Presentear é uma expressão de justiça porque cada presente geralmente tem valor igual ou maior do que o último dado. E presentear é uma expressão de respeito porque mostra vontade de homenagear a outra pessoa.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/clmenny 99veo.Adaptado. 
Sem dúvida, os presentes servem a muitos propósitos. Alguns psicólogos observam um brilho no olhar — um prazer 'intrínseco'.
O sinônimo do vocábulo destacado, nesta frase, é:
Alternativas
Q3545665 Português
Por que as pessoas trocam presentes?

Sem dúvida, os presentes servem a muitos propósitos. Alguns psicólogos observam um "brilho no olhar" — um prazer intrínseco — associado ao ato de dar presentes.

Os teólogos notaram como presentear é uma forma de expressar valores morais — como amor, bondade e gratidão — no catolicismo, no budismo e no islamismo. E filósofos consideravam presentear como a melhor demonstração de altruísmo.

Não é de admirar que os presentes sejam uma parte central do Natal e de outros feriados de fim de ano − e que algumas pessoas possam até ficar tentadas a considerar a Black Friday, o dia das ofertas da época de compras de fim de ano, como um feriado em si.

Mas de todas as explicações sobre a razão pela qual as pessoas dão presentes, a que considero mais convincente foi dada em 1925 por um antropólogo francês chamado Marcel Mauss.

Mauss observou que os presentes criam três ações distintas, mas extremamente relacionadas. Presentes são dados, recebidos e retribuídos.

O primeiro ato de dar estabelece as virtudes de quem dá. Ele expressa sua generosidade, bondade e honra.

O ato de receber o presente, por sua vez, mostra a disposição da pessoa em ser homenageada. Essa é uma forma de quem recebe mostrar sua generosidade, mostrar que está disposto a aceitar o que lhe foi oferecido.

O terceiro componente é a reciprocidade, retribuindo o que foi dado primeiro. Essencialmente, espera-se − implícita ou explicitamente − que agora a pessoa que recebeu o presente devolva um presente ao doador original.

Mas então, é claro, assim que a primeira pessoa receber algo em troca, ela deverá devolver outro presente à pessoa que recebeu o presente original. Dessa forma, presentear se torna um ciclo interminável de dar e receber.

Este último passo − a reciprocidade − é o que torna os presentes únicos. Ao contrário de comprar algo em uma loja, em que a troca termina quando o dinheiro é trocado por mercadorias, dar presentes constrói e sustenta relacionamentos. Esta relação entre quem dá e quem recebe está ligada à moralidade. Presentear é uma expressão de justiça porque cada presente geralmente tem valor igual ou maior do que o último dado. E presentear é uma expressão de respeito porque mostra vontade de homenagear a outra pessoa.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/clmenny 99veo.Adaptado. 
Mauss observou que os presentes criam três ações distintas, mas extremamente relacionadas. Presentes são dados, recebidos e retribuídos.
De acordo com o texto apresentado, qual é a principal característica que diferencia os presentes de uma simples transação comercial?
Alternativas
Q3545664 Português
Por que as pessoas trocam presentes?

Sem dúvida, os presentes servem a muitos propósitos. Alguns psicólogos observam um "brilho no olhar" — um prazer intrínseco — associado ao ato de dar presentes.

Os teólogos notaram como presentear é uma forma de expressar valores morais — como amor, bondade e gratidão — no catolicismo, no budismo e no islamismo. E filósofos consideravam presentear como a melhor demonstração de altruísmo.

Não é de admirar que os presentes sejam uma parte central do Natal e de outros feriados de fim de ano − e que algumas pessoas possam até ficar tentadas a considerar a Black Friday, o dia das ofertas da época de compras de fim de ano, como um feriado em si.

Mas de todas as explicações sobre a razão pela qual as pessoas dão presentes, a que considero mais convincente foi dada em 1925 por um antropólogo francês chamado Marcel Mauss.

Mauss observou que os presentes criam três ações distintas, mas extremamente relacionadas. Presentes são dados, recebidos e retribuídos.

O primeiro ato de dar estabelece as virtudes de quem dá. Ele expressa sua generosidade, bondade e honra.

O ato de receber o presente, por sua vez, mostra a disposição da pessoa em ser homenageada. Essa é uma forma de quem recebe mostrar sua generosidade, mostrar que está disposto a aceitar o que lhe foi oferecido.

O terceiro componente é a reciprocidade, retribuindo o que foi dado primeiro. Essencialmente, espera-se − implícita ou explicitamente − que agora a pessoa que recebeu o presente devolva um presente ao doador original.

Mas então, é claro, assim que a primeira pessoa receber algo em troca, ela deverá devolver outro presente à pessoa que recebeu o presente original. Dessa forma, presentear se torna um ciclo interminável de dar e receber.

Este último passo − a reciprocidade − é o que torna os presentes únicos. Ao contrário de comprar algo em uma loja, em que a troca termina quando o dinheiro é trocado por mercadorias, dar presentes constrói e sustenta relacionamentos. Esta relação entre quem dá e quem recebe está ligada à moralidade. Presentear é uma expressão de justiça porque cada presente geralmente tem valor igual ou maior do que o último dado. E presentear é uma expressão de respeito porque mostra vontade de homenagear a outra pessoa.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/clmenny 99veo.Adaptado. 

E filósofos consideravam presentear como a melhor demonstração de altruísmo.


O antônimo do vocábulo destacado, nesta frase, é:

Alternativas
Q3545527 Português
As cidades que nos abrigam

Historicamente, se registra que a humanidade preferiu construir cidades litorâneas, do que resulta inúmeros centros urbanos próximo aos oceanos, mares e em estuários de rios importantes, muitos com portos movimentados, importantes. Por vezes, as cidades eram fortificadas para conter possíveis ataques por mar. Isso não evitou grandes batalhas entre povos inimigos, e o vencedor poderia se dar ao desfrute de paz durante anos. Mas como os romanos criaram o mote, "si vis pacem para bellum", ou "se quer a paz, prepara-te para a guerra", com isso, a humanidade viveu tranquilamente por anos e séculos.

Atualmente, há conflitos locais e uma preocupação enorme de que essas contendas possam se ampliar regionalmente, ou pior, que sejam usadas armas nucleares, conforme noticia a mídia televisada e escrita. O risco de guerra deixa de ser local ou regional e passa a ser mundial pela amplitude dos danos que poderiam ocasionar. Há temor quanto a essa possibilidade, o que restringe os donos dos botões vermelhos para conter essa insânia desumana incomparável de uso de armamento nuclear.

Afastado o perigo de hecatombe — que pouco tem a ver com o meio urbano, objeto deste escrito, e, sim, com políticas nacionais ou continentais —, as cidades em geral estão em seu cotidiano com seus habitantes e o meio urbano sentindo-se à vontade em suas atividades diárias. Com isso, entende-se que se alargam os territórios das cidades ou adensam seu espaço urbanizado, sobretudo nas áreas centrais. No caso de Brasília, alguns argumentam que o Plano Piloto não pode ficar "engessado". Traduzindo, o mercado imobiliário deseja construir empregando outra tipologia de edifícios, mais altos. O que não se entende é ter edifícios fora do padrão vigente no Plano Piloto.

Todavia, há em Brasília favelas, como Pôr do Sol e Sol Nascente, em que não há infraestrutura, são carentes de atenção por parte dos governadores do DF e de Goiás. As favelas deveriam receber mais atenção das autoridades porque sua população está submetida à falta de infraestruturas básicas, não contam com água tratada e o esgoto está a céu aberto. Por isso, o favelamento deve acabar ou receber água tratada e esgotamento sanitário, com o que se findarão as epidemias em que as vítimas são crianças e idosos. Sem favelas, haveria cidades em que a população está se ocupando em seus afazeres, sobretudo se tiver onde trabalhar e linhas de ônibus para os deslocamentos para o trabalho ou buscar serviços em outros pontos da cidade.

No DF, é desejável que os agentes imobiliários procurem outros espaços para construir, que não destruam o que foi imaginado para o Plano Piloto e para o DF desde os primórdios. Uma cidade deve ser mostrada como um espaço em que não haja edificações fora dos padrões urbanísticos, como Águas Claras. Essa região administrativa (RA) serve de exemplo de espaço repleto de edificações com muitos andares e onde o setor imobiliário esteve intensamente presente. Águas Claras é o núcleo urbano que difere das demais RAs. Nestas, há restrições para edificações elevadas.

Nos anos de 1960, outros países se interessaram no que foi feito na capital federal, sobretudo no que diz respeito à urbanização. Alguns preciosistas podem levantar a preocupação de que, em seus 5.800 quilômetros quadrados, o DF se consolidou com uma espacialização alargada e pouco recomendável. Todavia, com o passar dos anos verificou-se que cada núcleo urbano (RA) se organizou internamente de forma a evitar que seus respectivos habitantes tivessem que percorrer grandes distâncias para obter bens e serviços. Todos esses núcleos organizaram-se de modo a contar com os necessários equipamentos e instituições para servir seus habitantes.

Os serviços do alto poder Judiciário, do Executivo e do Legislativo federais são encontrados apenas no Plano Piloto, e isso não haverá de se modificar porque foi assim que o núcleo histórico se estruturou e consolidou, devendo permanecer assim por décadas à frente. Nada impede, todavia, que os demais núcleos urbanos desenvolvam atividades e organizem serviços voltados para as pessoas próximas em termos de comércio e pequenas indústrias, não poluentes ambientais.

Outros argumentarão que o território como está organizado exige deslocamentos diários dos trabalhadores que exercem atividades em outras localidades e dos que buscam serviços fora de seu local de moradia. Isso se acomodará, pois os ajustamentos urbanos realizados no DF nessas seis décadas podem se assemelhar aos de outras cidades brasileiras. Nelas, há intensos deslocamentos dos trabalhadores da periferia para o centro nas primeiras horas da manhã e, em sentido contrário, ao fim do dia. Essa mobilidade ininterrupta é uma das características das grandes cidades que nos acolhem. 

(Fonte: PAVIANI, Aldo. As cidades que nos abrigam. In: PAVIANI, Aldo. As cidades que nos abrigam. [S. l.], 11 abr. 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/04/6835502-artigo-as-cidades-que-nos-abrigam.html).
Juntamente à leitura do texto, analise a charge a seguir para responder à questão.
Imagem associada para resolução da questão (Fonte: http://apugssind.com.br/wp-content/uploads/2017/05/chargecongresso.jpg).

A charge apresentada mantém relação intertextual com o texto de Aldo Paviani, o que pode ser comprovado, principalmente, pela alternativa: 
Alternativas
Q3545520 Português
As cidades que nos abrigam

Historicamente, se registra que a humanidade preferiu construir cidades litorâneas, do que resulta inúmeros centros urbanos próximo aos oceanos, mares e em estuários de rios importantes, muitos com portos movimentados, importantes. Por vezes, as cidades eram fortificadas para conter possíveis ataques por mar. Isso não evitou grandes batalhas entre povos inimigos, e o vencedor poderia se dar ao desfrute de paz durante anos. Mas como os romanos criaram o mote, "si vis pacem para bellum", ou "se quer a paz, prepara-te para a guerra", com isso, a humanidade viveu tranquilamente por anos e séculos.

Atualmente, há conflitos locais e uma preocupação enorme de que essas contendas possam se ampliar regionalmente, ou pior, que sejam usadas armas nucleares, conforme noticia a mídia televisada e escrita. O risco de guerra deixa de ser local ou regional e passa a ser mundial pela amplitude dos danos que poderiam ocasionar. Há temor quanto a essa possibilidade, o que restringe os donos dos botões vermelhos para conter essa insânia desumana incomparável de uso de armamento nuclear.

Afastado o perigo de hecatombe — que pouco tem a ver com o meio urbano, objeto deste escrito, e, sim, com políticas nacionais ou continentais —, as cidades em geral estão em seu cotidiano com seus habitantes e o meio urbano sentindo-se à vontade em suas atividades diárias. Com isso, entende-se que se alargam os territórios das cidades ou adensam seu espaço urbanizado, sobretudo nas áreas centrais. No caso de Brasília, alguns argumentam que o Plano Piloto não pode ficar "engessado". Traduzindo, o mercado imobiliário deseja construir empregando outra tipologia de edifícios, mais altos. O que não se entende é ter edifícios fora do padrão vigente no Plano Piloto.

Todavia, há em Brasília favelas, como Pôr do Sol e Sol Nascente, em que não há infraestrutura, são carentes de atenção por parte dos governadores do DF e de Goiás. As favelas deveriam receber mais atenção das autoridades porque sua população está submetida à falta de infraestruturas básicas, não contam com água tratada e o esgoto está a céu aberto. Por isso, o favelamento deve acabar ou receber água tratada e esgotamento sanitário, com o que se findarão as epidemias em que as vítimas são crianças e idosos. Sem favelas, haveria cidades em que a população está se ocupando em seus afazeres, sobretudo se tiver onde trabalhar e linhas de ônibus para os deslocamentos para o trabalho ou buscar serviços em outros pontos da cidade.

No DF, é desejável que os agentes imobiliários procurem outros espaços para construir, que não destruam o que foi imaginado para o Plano Piloto e para o DF desde os primórdios. Uma cidade deve ser mostrada como um espaço em que não haja edificações fora dos padrões urbanísticos, como Águas Claras. Essa região administrativa (RA) serve de exemplo de espaço repleto de edificações com muitos andares e onde o setor imobiliário esteve intensamente presente. Águas Claras é o núcleo urbano que difere das demais RAs. Nestas, há restrições para edificações elevadas.

Nos anos de 1960, outros países se interessaram no que foi feito na capital federal, sobretudo no que diz respeito à urbanização. Alguns preciosistas podem levantar a preocupação de que, em seus 5.800 quilômetros quadrados, o DF se consolidou com uma espacialização alargada e pouco recomendável. Todavia, com o passar dos anos verificou-se que cada núcleo urbano (RA) se organizou internamente de forma a evitar que seus respectivos habitantes tivessem que percorrer grandes distâncias para obter bens e serviços. Todos esses núcleos organizaram-se de modo a contar com os necessários equipamentos e instituições para servir seus habitantes.

Os serviços do alto poder Judiciário, do Executivo e do Legislativo federais são encontrados apenas no Plano Piloto, e isso não haverá de se modificar porque foi assim que o núcleo histórico se estruturou e consolidou, devendo permanecer assim por décadas à frente. Nada impede, todavia, que os demais núcleos urbanos desenvolvam atividades e organizem serviços voltados para as pessoas próximas em termos de comércio e pequenas indústrias, não poluentes ambientais.

Outros argumentarão que o território como está organizado exige deslocamentos diários dos trabalhadores que exercem atividades em outras localidades e dos que buscam serviços fora de seu local de moradia. Isso se acomodará, pois os ajustamentos urbanos realizados no DF nessas seis décadas podem se assemelhar aos de outras cidades brasileiras. Nelas, há intensos deslocamentos dos trabalhadores da periferia para o centro nas primeiras horas da manhã e, em sentido contrário, ao fim do dia. Essa mobilidade ininterrupta é uma das características das grandes cidades que nos acolhem. 

(Fonte: PAVIANI, Aldo. As cidades que nos abrigam. In: PAVIANI, Aldo. As cidades que nos abrigam. [S. l.], 11 abr. 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/04/6835502-artigo-as-cidades-que-nos-abrigam.html).
        “Alguns preciosistas podem levantar a preocupação de que, em seus 5.800 quilômetros quadrados, o DF se consolidou com uma espacialização alargada e pouco recomendável.”
Assinale a alternativa que apresenta um vocábulo sinônimo da palavra destacada no trecho. 
Alternativas
Q3545519 Português
As cidades que nos abrigam

Historicamente, se registra que a humanidade preferiu construir cidades litorâneas, do que resulta inúmeros centros urbanos próximo aos oceanos, mares e em estuários de rios importantes, muitos com portos movimentados, importantes. Por vezes, as cidades eram fortificadas para conter possíveis ataques por mar. Isso não evitou grandes batalhas entre povos inimigos, e o vencedor poderia se dar ao desfrute de paz durante anos. Mas como os romanos criaram o mote, "si vis pacem para bellum", ou "se quer a paz, prepara-te para a guerra", com isso, a humanidade viveu tranquilamente por anos e séculos.

Atualmente, há conflitos locais e uma preocupação enorme de que essas contendas possam se ampliar regionalmente, ou pior, que sejam usadas armas nucleares, conforme noticia a mídia televisada e escrita. O risco de guerra deixa de ser local ou regional e passa a ser mundial pela amplitude dos danos que poderiam ocasionar. Há temor quanto a essa possibilidade, o que restringe os donos dos botões vermelhos para conter essa insânia desumana incomparável de uso de armamento nuclear.

Afastado o perigo de hecatombe — que pouco tem a ver com o meio urbano, objeto deste escrito, e, sim, com políticas nacionais ou continentais —, as cidades em geral estão em seu cotidiano com seus habitantes e o meio urbano sentindo-se à vontade em suas atividades diárias. Com isso, entende-se que se alargam os territórios das cidades ou adensam seu espaço urbanizado, sobretudo nas áreas centrais. No caso de Brasília, alguns argumentam que o Plano Piloto não pode ficar "engessado". Traduzindo, o mercado imobiliário deseja construir empregando outra tipologia de edifícios, mais altos. O que não se entende é ter edifícios fora do padrão vigente no Plano Piloto.

Todavia, há em Brasília favelas, como Pôr do Sol e Sol Nascente, em que não há infraestrutura, são carentes de atenção por parte dos governadores do DF e de Goiás. As favelas deveriam receber mais atenção das autoridades porque sua população está submetida à falta de infraestruturas básicas, não contam com água tratada e o esgoto está a céu aberto. Por isso, o favelamento deve acabar ou receber água tratada e esgotamento sanitário, com o que se findarão as epidemias em que as vítimas são crianças e idosos. Sem favelas, haveria cidades em que a população está se ocupando em seus afazeres, sobretudo se tiver onde trabalhar e linhas de ônibus para os deslocamentos para o trabalho ou buscar serviços em outros pontos da cidade.

No DF, é desejável que os agentes imobiliários procurem outros espaços para construir, que não destruam o que foi imaginado para o Plano Piloto e para o DF desde os primórdios. Uma cidade deve ser mostrada como um espaço em que não haja edificações fora dos padrões urbanísticos, como Águas Claras. Essa região administrativa (RA) serve de exemplo de espaço repleto de edificações com muitos andares e onde o setor imobiliário esteve intensamente presente. Águas Claras é o núcleo urbano que difere das demais RAs. Nestas, há restrições para edificações elevadas.

Nos anos de 1960, outros países se interessaram no que foi feito na capital federal, sobretudo no que diz respeito à urbanização. Alguns preciosistas podem levantar a preocupação de que, em seus 5.800 quilômetros quadrados, o DF se consolidou com uma espacialização alargada e pouco recomendável. Todavia, com o passar dos anos verificou-se que cada núcleo urbano (RA) se organizou internamente de forma a evitar que seus respectivos habitantes tivessem que percorrer grandes distâncias para obter bens e serviços. Todos esses núcleos organizaram-se de modo a contar com os necessários equipamentos e instituições para servir seus habitantes.

Os serviços do alto poder Judiciário, do Executivo e do Legislativo federais são encontrados apenas no Plano Piloto, e isso não haverá de se modificar porque foi assim que o núcleo histórico se estruturou e consolidou, devendo permanecer assim por décadas à frente. Nada impede, todavia, que os demais núcleos urbanos desenvolvam atividades e organizem serviços voltados para as pessoas próximas em termos de comércio e pequenas indústrias, não poluentes ambientais.

Outros argumentarão que o território como está organizado exige deslocamentos diários dos trabalhadores que exercem atividades em outras localidades e dos que buscam serviços fora de seu local de moradia. Isso se acomodará, pois os ajustamentos urbanos realizados no DF nessas seis décadas podem se assemelhar aos de outras cidades brasileiras. Nelas, há intensos deslocamentos dos trabalhadores da periferia para o centro nas primeiras horas da manhã e, em sentido contrário, ao fim do dia. Essa mobilidade ininterrupta é uma das características das grandes cidades que nos acolhem. 

(Fonte: PAVIANI, Aldo. As cidades que nos abrigam. In: PAVIANI, Aldo. As cidades que nos abrigam. [S. l.], 11 abr. 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/04/6835502-artigo-as-cidades-que-nos-abrigam.html).
A partir análise dos recursos utilizados na construção do texto, é possível afirmar que: 
Alternativas
Q3545518 Português
As cidades que nos abrigam

Historicamente, se registra que a humanidade preferiu construir cidades litorâneas, do que resulta inúmeros centros urbanos próximo aos oceanos, mares e em estuários de rios importantes, muitos com portos movimentados, importantes. Por vezes, as cidades eram fortificadas para conter possíveis ataques por mar. Isso não evitou grandes batalhas entre povos inimigos, e o vencedor poderia se dar ao desfrute de paz durante anos. Mas como os romanos criaram o mote, "si vis pacem para bellum", ou "se quer a paz, prepara-te para a guerra", com isso, a humanidade viveu tranquilamente por anos e séculos.

Atualmente, há conflitos locais e uma preocupação enorme de que essas contendas possam se ampliar regionalmente, ou pior, que sejam usadas armas nucleares, conforme noticia a mídia televisada e escrita. O risco de guerra deixa de ser local ou regional e passa a ser mundial pela amplitude dos danos que poderiam ocasionar. Há temor quanto a essa possibilidade, o que restringe os donos dos botões vermelhos para conter essa insânia desumana incomparável de uso de armamento nuclear.

Afastado o perigo de hecatombe — que pouco tem a ver com o meio urbano, objeto deste escrito, e, sim, com políticas nacionais ou continentais —, as cidades em geral estão em seu cotidiano com seus habitantes e o meio urbano sentindo-se à vontade em suas atividades diárias. Com isso, entende-se que se alargam os territórios das cidades ou adensam seu espaço urbanizado, sobretudo nas áreas centrais. No caso de Brasília, alguns argumentam que o Plano Piloto não pode ficar "engessado". Traduzindo, o mercado imobiliário deseja construir empregando outra tipologia de edifícios, mais altos. O que não se entende é ter edifícios fora do padrão vigente no Plano Piloto.

Todavia, há em Brasília favelas, como Pôr do Sol e Sol Nascente, em que não há infraestrutura, são carentes de atenção por parte dos governadores do DF e de Goiás. As favelas deveriam receber mais atenção das autoridades porque sua população está submetida à falta de infraestruturas básicas, não contam com água tratada e o esgoto está a céu aberto. Por isso, o favelamento deve acabar ou receber água tratada e esgotamento sanitário, com o que se findarão as epidemias em que as vítimas são crianças e idosos. Sem favelas, haveria cidades em que a população está se ocupando em seus afazeres, sobretudo se tiver onde trabalhar e linhas de ônibus para os deslocamentos para o trabalho ou buscar serviços em outros pontos da cidade.

No DF, é desejável que os agentes imobiliários procurem outros espaços para construir, que não destruam o que foi imaginado para o Plano Piloto e para o DF desde os primórdios. Uma cidade deve ser mostrada como um espaço em que não haja edificações fora dos padrões urbanísticos, como Águas Claras. Essa região administrativa (RA) serve de exemplo de espaço repleto de edificações com muitos andares e onde o setor imobiliário esteve intensamente presente. Águas Claras é o núcleo urbano que difere das demais RAs. Nestas, há restrições para edificações elevadas.

Nos anos de 1960, outros países se interessaram no que foi feito na capital federal, sobretudo no que diz respeito à urbanização. Alguns preciosistas podem levantar a preocupação de que, em seus 5.800 quilômetros quadrados, o DF se consolidou com uma espacialização alargada e pouco recomendável. Todavia, com o passar dos anos verificou-se que cada núcleo urbano (RA) se organizou internamente de forma a evitar que seus respectivos habitantes tivessem que percorrer grandes distâncias para obter bens e serviços. Todos esses núcleos organizaram-se de modo a contar com os necessários equipamentos e instituições para servir seus habitantes.

Os serviços do alto poder Judiciário, do Executivo e do Legislativo federais são encontrados apenas no Plano Piloto, e isso não haverá de se modificar porque foi assim que o núcleo histórico se estruturou e consolidou, devendo permanecer assim por décadas à frente. Nada impede, todavia, que os demais núcleos urbanos desenvolvam atividades e organizem serviços voltados para as pessoas próximas em termos de comércio e pequenas indústrias, não poluentes ambientais.

Outros argumentarão que o território como está organizado exige deslocamentos diários dos trabalhadores que exercem atividades em outras localidades e dos que buscam serviços fora de seu local de moradia. Isso se acomodará, pois os ajustamentos urbanos realizados no DF nessas seis décadas podem se assemelhar aos de outras cidades brasileiras. Nelas, há intensos deslocamentos dos trabalhadores da periferia para o centro nas primeiras horas da manhã e, em sentido contrário, ao fim do dia. Essa mobilidade ininterrupta é uma das características das grandes cidades que nos acolhem. 

(Fonte: PAVIANI, Aldo. As cidades que nos abrigam. In: PAVIANI, Aldo. As cidades que nos abrigam. [S. l.], 11 abr. 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/04/6835502-artigo-as-cidades-que-nos-abrigam.html).
Analise as afirmações feitas a respeito do texto lido e assinale a alternativa correta.
I – Brasília se diferencia da maioria das grandes cidades brasileiras por, entre outros fatores, não seguir a tendência histórica de se construírem cidades em regiões litorâneas ou próximas a grandes fontes de água.
II – Segundo o autor, a posição geográfica de Brasília configura-se uma vantagem para a população local, já que a distância do mar protege a cidade da hecatombe iminente no século.
III – É possível inferir que o “favelamento” é um sinal de exclusão da população mais carente, que não possui acesso a serviços e bens de consumo na região em que residem.
Alternativas
Q3545252 Português
Qual é o antônimo (palavra de sentido contrário) da palavra “frequente” (l. 12)? 
Alternativas
Q3545251 Português
Qual é o sinônimo (palavra de sentido similar) da palavra “moderado” (l. 11)?
Alternativas
Q3545250 Português
Segundo o texto, os pesquisadores recorreram a qual recurso para entender melhor a relação entre diferentes fatores e a depressão? 
Alternativas
Q3545249 Português
Qual fator de estilo de vida faz maior diferença para diminuir o risco de depressão?
Alternativas
Q3545248 Português
 Qual dos fatores a seguir está associado a um menor risco de depressão?
Alternativas
Q3545247 Português
Na pesquisa mencionada no texto, por quantos anos os participantes foram acompanhados?
Alternativas
Q3545246 Português
Qual dos fatores a seguir aumenta o risco de depressão?
Alternativas
Q3545245 Português
Qual fator NÃO foi mencionado no texto como parte da análise da equipe de pesquisadores para identificar os fatores associados à depressão?
Alternativas
Q3545238 Português
    Outro fator impactante nas relações científico-acadêmicas brasileiras com o restante das universidades estrangeiras decorre de uma posição poucas vezes debatida. 

    Com efeito, a maior parte das universidades e centros de pesquisa brasileiros assumem uma posição específica na busca de sua inserção internacional, almejando certo reconhecimento da parte de centros de pesquisa consagrados internacionalmente. E não há nenhum reparo nessa conduta. Todavia, entendo que não deva ser adotada, exclusivamente, essa linha de inserção. 

    A posição ocupada pelo Brasil, tradicionalmente, no mundo, seja nos aspectos econômico, político, diplomático e, também, científico, é uma posição intermediária. Olhar para o topo da pirâmide, quando se encontra inserido num estrato intermediário pode representar o desejado motor para o desenvolvimento científico nacional e a consequente inserção na elaboração da ciência global. O que não se defende é a atitude de olhar apenas para o topo dessa “cadeia alimentar”. 

    A circunstância de se estar situado numa camada intermédia do desenvolvimento científico e na percepção da medida de impacto que essa ciência é capaz de desempenhar exige das universidades, dos centros de pesquisa, dos pesquisadores e dos cientistas uma postura bifronte: ao mesmo tempo em que se deve olhar para cima, isto é, para a pesquisa de ponta realizada em grandes centros, pois essa atitude pode auxiliar a inserção internacional, também é necessário reconhecer que uma verdadeira inserção internacional se faz efetiva quando acompanhada de outro importante fator: o da transferência do conhecimento àqueles que ainda não o dominavam. Quando se olha para baixo, ou seja, para a pesquisa realizada em centros menos óbvios de pesquisa e difusão científica, garante-se, do mesmo modo, inserção internacional, mas uma inserção que se faz acompanhar por uma difusão social do conhecimento desenvolvido naquele centro.


A pandemia como oportunidade de intercâmbio acadêmico e científico por meio de uma internacionalização inclusiva. Gustavo Ferraz de Campos Monaco
Com base na classificação de Morosini (2011), pode-se afirmar que o texto se refere ao modelo de cooperação internacional 
Alternativas
Respostas
20421: C
20422: B
20423: C
20424: C
20425: C
20426: B
20427: C
20428: A
20429: A
20430: C
20431: B
20432: E
20433: C
20434: B
20435: A
20436: D
20437: D
20438: E
20439: D
20440: B