Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3390027 Português
Leia o Texto I para responder à questão:

    Toda criança aprende. A condição humana é aprendida. Há alguns equívocos muito presentes nas tradições educacionais e pedagógicas atuais, a maioria deles sustentada por uma concepção inatista de aprendizagem. Fundamenta-se no pressuposto de que já nascemos com certas disposições para aprender ou não. Isso gera controvérsias e complexidades: alguns teriam as “capacidades” de aprendizagem, outros e outras não “teriam” essas qualidades.

    Para nossa concepção de educação, os chamados bloqueios de aprendizagem devem ser analisados em sua totalidade, muito mais como um problema da tradição pedagógica autoritária e da forma conservadora de organizar a escola e o currículo do que uma suposta “falha” da criança. Hoje, a ditadura da sociedade tecnológica, a apelação consumista, a raridade de espaços humanizadores, a lacuna na formação artística, teatral, musical, fazem com que a indústria cultural seja um grande poluente sonoro e visual, chegando aos corações e mentes das crianças sem dispositivos de crítica da proposta pedagógica da escola, na direção de mostrar outra música, outro repertório, outras brincadeiras, outras danças.

    Criar espaços de humanização, de exposição serena das crianças a outras coordenadas antropológicas, a outra atmosfera de sentido, a outra música, de outra arte, de alegria, de teatro, de conversas, ajuda muito a “desbloquear” qualquer pessoa! A escola, para mim, deve ter clareza de ser contraponto, competente e lúcido, à indústria cultural alienante e consumista. Mostrar os grandes mestres e mestras da humanidade, neste tempo especial de aprender, é um trunfo inaudito! O conhecimento sensível e a sensibilidade esclarecida são os condutores do afeto e da lucidez crítica. Ensinar a pensar e a sentir!

    Precisamos superar os ritos classificatórios e meritocráticos tradicionais. Os pais e professores podem começar avaliando o contexto pleno da criança, seu mundo, seus estímulos, internos e externos, ouvindo suas queixas, aceitando suas versões, buscando superar as contradições que levam àquele resultado. Relativizar as notas escolares, hoje, pode ser um bom começo; depreende-se que a nota é resultante de uma estrutura baseada na memória e na retenção de informação. Ora, tomada estritamente, esta suposta qualidade mnemônica assemelha-se ao depositário de um “chip”, que está disponível na internet, o Google ou o ChatGPT “sabem” mais de quantidade ou de volume de informação do que a escola.

    A Escola que eu sonho é mais do que informação e memória, é aquela capaz de transformar a informação em algo subjetivo, agradável, pertinente, com sentido para a vida das crianças e dos adolescentes! Isto é o que se designa como aprendizagem significativa, que guarda sentido para a criança, para seu universo, para seu mundo. E dele, como sujeito, a criança poderá alçar aos mais longínquos horizontes.

(César Nunes. Toda criança aprende – aprender é existir. In: Da educação que ama ao amor que educa. Principis, 2023. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o substantivo e o adjetivo, respectivamente destacados, apresentam oposição de sentido quanto ao que expressam no texto.
Alternativas
Q3389923 Português
      Bullying é uma palavra de origem inglesa que designa atos de agressão e intimidação repetitivos contra uma pessoa que não é aceita por um grupo. Quando isso acontece por meio da internet ou de dispositivos eletrônicos, chamamos de bullying virtual. Ele ocorre quando uma criança ou adolescente usa a internet ou um celular para ameaçar, __________ ou incomodar outra pessoa. Isso pode ser feito por mensagens, redes sociais, emails ou sites, e pode acontecer a qualquer hora e lugar. Muitas vezes é difícil descobrir quem está fazendo isso, porque não precisa de contato direto como no bullying físico.
      O agressor pode mandar mensagens ofensivas, invadir contas ou até criar sites para envergonhar a vítima. Para evitar esse tipo de bullying, os pais devem conversar com os filhos, acompanhar o que eles fazem na internet e usar programas de segurança. É importante que as crianças se sintam seguras para pedir ajuda de um adulto de confiança assim que algo acontecer. Por isso, prevenir ainda é a melhor forma de combater o bullying virtual.
Considerando-se o texto, a melhor forma de se combater o bullying virtual é: 
Alternativas
Q3389922 Português
      Bullying é uma palavra de origem inglesa que designa atos de agressão e intimidação repetitivos contra uma pessoa que não é aceita por um grupo. Quando isso acontece por meio da internet ou de dispositivos eletrônicos, chamamos de bullying virtual. Ele ocorre quando uma criança ou adolescente usa a internet ou um celular para ameaçar, __________ ou incomodar outra pessoa. Isso pode ser feito por mensagens, redes sociais, emails ou sites, e pode acontecer a qualquer hora e lugar. Muitas vezes é difícil descobrir quem está fazendo isso, porque não precisa de contato direto como no bullying físico.
      O agressor pode mandar mensagens ofensivas, invadir contas ou até criar sites para envergonhar a vítima. Para evitar esse tipo de bullying, os pais devem conversar com os filhos, acompanhar o que eles fazem na internet e usar programas de segurança. É importante que as crianças se sintam seguras para pedir ajuda de um adulto de confiança assim que algo acontecer. Por isso, prevenir ainda é a melhor forma de combater o bullying virtual.
De acordo com o texto, é uma ação que ajuda a evitar o bullying virtual: 
Alternativas
Q3389621 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Uma corrida épica nos seus ouvidos


Você provavelmente faz bom uso dos seus fones de ouvido com cancelamento de ruído. Mas como eles realmente cancelam o ruído indesejado?

Os seus fones, por menores que sejam, incluem mais de um microfone.

Um deles coleta a onda sonora do ruído que entra, gerando uma corrida entre a velocidade do som.

O fone recebe a onda sonora barulhenta e a inverte, agrega e faz com que ela chegue ao seu tímpano exatamente com a mesma velocidade do som indesejado original.

A onda sonora que você não quer ouvir é cancelada pela própria onda sonora invertida. Por isso, você não a escuta e continua apreciando o som que realmente aprecia.

Isso parece uma inovação recente, mas sua origem remonta a setenta anos atrás, durante a Guerra da Coreia (1950-1953).

Os Estados Unidos enviavam helicópteros para recolher soldados feridos ou imobilizados, que pediam ajuda pelo rádio. Mas as pás dos helicópteros impediam que os sinais fossem ouvidos.

Nem o piloto, nem os passageiros dos helicópteros conseguiam se comunicar verbalmente entre si, impossibilitados pelo ruído. O engenheiro Lawrence J. Fogel comprovou esta situação e fez diversas viagens de helicóptero em busca de uma solução.

A teoria sobre a forma de cancelamento das ondas sonoras entre si havia sido descoberta mais de cento e cinquenta anos antes. Mas Fogel foi o primeiro a fazer uso prático dela, na década de 1950.

Ele criou os primeiros fones de ouvido com cancelamento de som. Com isso, Fogel transformou completamente as comunicações durante o voo.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cg7289kg822o.adaptado. 
Um deles coleta a onda sonora do ruído que entra, "gerando uma corrida entre a velocidade do som".

No texto apresentado, a expressão "gerando uma corrida entre a velocidade do som" emprega uma figura de linguagem. Sobre esse uso, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3389534 Português
    Quando é que uma mulher é realmente bonita? No momento em que sai do cabeleireiro? Quando está numa festa? Quando posa para uma foto? Clic, clic, clic. Sorriso amarelo, postura artificial, desempenho para o público. Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo.
    Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.
     Caminhando pela rua, sol escaldante, a manga da blusa arregaçada, a nuca ardendo, o cabelo sendo erguido num coque malfeito, um ar de desaprovação pelo atraso do ônibus, centenas de pessoas cruzando-se e ninguém enxergando ninguém, ela enxuga a testa com a palma da mão, ajeita a sobrancelha com os dedos. Perfeita.
     O carro estacionado às pressas numa rua desconhecida, uma necessidade urgente de chorar por causa de uma música ou de uma lembrança, a cabeça jogada sobre o volante, as lágrimas quentes, fartas, um lenço de papel catado na bolsa, o nariz sendo assoado, os dedos limpando as pálpebras, o retrovisor acusando os olhos vermelhos e mesmo assim servindo de amparo, estou aqui com você, só eu estou te vendo. Encantadora.

Fonte: Martha Medeiros. Adaptado. 
A expressão “Clic, clic, clic” (1º parágrafo) é uma figura de linguagem. Qual é essa figura de linguagem?
Alternativas
Q3389533 Português
    Quando é que uma mulher é realmente bonita? No momento em que sai do cabeleireiro? Quando está numa festa? Quando posa para uma foto? Clic, clic, clic. Sorriso amarelo, postura artificial, desempenho para o público. Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo.
    Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.
     Caminhando pela rua, sol escaldante, a manga da blusa arregaçada, a nuca ardendo, o cabelo sendo erguido num coque malfeito, um ar de desaprovação pelo atraso do ônibus, centenas de pessoas cruzando-se e ninguém enxergando ninguém, ela enxuga a testa com a palma da mão, ajeita a sobrancelha com os dedos. Perfeita.
     O carro estacionado às pressas numa rua desconhecida, uma necessidade urgente de chorar por causa de uma música ou de uma lembrança, a cabeça jogada sobre o volante, as lágrimas quentes, fartas, um lenço de papel catado na bolsa, o nariz sendo assoado, os dedos limpando as pálpebras, o retrovisor acusando os olhos vermelhos e mesmo assim servindo de amparo, estou aqui com você, só eu estou te vendo. Encantadora.

Fonte: Martha Medeiros. Adaptado. 
As palavras sublinhadas abaixo podem ser substituídas, respectivamente, sem alteração de sentido, por:

O carro estacionado às pressas numa rua desconhecida, uma necessidade urgente de chorar por causa de uma música ou de uma lembrança, a cabeça jogada sobre o volante, as lágrimas quentes, fartas [...]. 
Alternativas
Q3389532 Português
    Quando é que uma mulher é realmente bonita? No momento em que sai do cabeleireiro? Quando está numa festa? Quando posa para uma foto? Clic, clic, clic. Sorriso amarelo, postura artificial, desempenho para o público. Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo.
    Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.
     Caminhando pela rua, sol escaldante, a manga da blusa arregaçada, a nuca ardendo, o cabelo sendo erguido num coque malfeito, um ar de desaprovação pelo atraso do ônibus, centenas de pessoas cruzando-se e ninguém enxergando ninguém, ela enxuga a testa com a palma da mão, ajeita a sobrancelha com os dedos. Perfeita.
     O carro estacionado às pressas numa rua desconhecida, uma necessidade urgente de chorar por causa de uma música ou de uma lembrança, a cabeça jogada sobre o volante, as lágrimas quentes, fartas, um lenço de papel catado na bolsa, o nariz sendo assoado, os dedos limpando as pálpebras, o retrovisor acusando os olhos vermelhos e mesmo assim servindo de amparo, estou aqui com você, só eu estou te vendo. Encantadora.

Fonte: Martha Medeiros. Adaptado. 
De acordo com as informações do texto, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.

( ) O texto, em formato de crônica, apresenta situações cotidianas que respondem às perguntas impostas pela autora, demonstrando a beleza feminina no mundano.
( ) As mulheres são bonitas quando estão sendo vistas por todos.
( ) O último parágrafo é um exemplo da complexidade das mulheres, demonstrando que “beleza” é um termo amplo.
Alternativas
Q3389078 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os mineiros e os elevadores


O elevador é o meio de transporte mais seguro que existe. E um dos principais motivos são os cabos incrivelmente fortes que o sustentam.

Ele solucionou um problema mortal que havia nas minas de carvão do século 19, que impulsionaram a Revolução Industrial. Os mineiros precisavam descer a grandes profundidades e os elevadores eram pendurados com cordas de cânhamo ou correntes de ferro, que se rompiam com o uso.

Em 1834, Wilhelm Albert criou o cabo de aço trançado, mais forte que as cordas de cânhamo e mais barato e mais leve do que as correntes de ferro. Foi esta invenção de 190 anos atrás que tornou os elevadores mais seguros.

Mas a tecnologia que ajuda a impulsionar os elevadores para cima é ainda mais antiga. Ela foi empregada em uma arma de guerra perto do século 12.

O trabuco de contrapeso era um aparelho gigantesco, parecido com uma catapulta. Ele era usado para lançar projéteis enormes a grandes distâncias, permitindo aos invasores esmagar as defesas inimigas com muita rapidez.

O trabuco empregava o mesmo mecanismo que possibilita que os elevadores de hoje em dia movimentem o peso da cabine para cima.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cg7289kg822o.adaptado.
O texto aborda a evolução dos elevadores, destacando o impacto do cabo de aço trançado e a relação entre seu funcionamento e antigos mecanismos medievais como o trabuco.

A partir do texto base, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3389037 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão


Cabos de cobre para evitar acidentes


As telas sensíveis ao toque são cada vez mais populares e já não nos assombramos com elas.


O celular levou este tipo de telas ao público em 2007, mas a tecnologia já era empregada nas torres de controle de tráfego aéreo desde a década de 1960.


A missão dos controladores de tráfego aéreo em terra é proteger a vida humana nos céus. Cada voo é identificado com um prefixo e, naquela época, era preciso escrever este código único para que os computadores processassem as informações de voo.


Com as dimensões do tráfego aéreo, a precisão era indispensável. E havia muita coisa em jogo: cada voo tinha um código grande de caracteres e, quando se escreve sob pressão, é muito fácil cometer erros.


Até que o engenheiro britânico Eric Arthur Johnson teve uma ideia engenhosa para se desfazer do teclado: uma tela sensível aos dedos.


Ele sabia que as cargas elétricas se armazenam nos nossos corpos. E, quando dois campos elétricos se aproximam, eles perturbam um ao outro.


Mas o que acontece se você esticar um pedaço de cabo de cobre e o conectar a um computador?


Se, nos centros de controle de tráfego aéreo, houvesse telas com uma série de cabos de cobre e cada um deles pudesse ser detectado e etiquetado com os códigos de voo separadamente, o controlador só precisaria tocar no indicativo, em vez de escrevê-lo.


Aquela foi a primeira tela sensível ao toque do mundo. E permitiu ajustar rapidamente os planos de voo dos aviões, evitando a ocorrência de tragédias.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cg7289kg822o.adaptado.



Muitas vezes, nos esquecemos de que estamos sempre rodeados por uma tecnologia fabulosa. E, mesmo sem observarmos, o extraordinário engenho humano se esconde por trás de muitos deles.

A partir da leitura do texto base, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3388996 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Uma corrida épica nos seus ouvidos


Você provavelmente faz bom uso dos seus fones de ouvido com cancelamento de ruído. Mas como eles realmente cancelam o ruído indesejado?


Os seus fones, por menores que sejam, incluem mais de um microfone.


Um deles coleta a onda sonora do ruído que entra, gerando uma corrida entre a velocidade do som.


O fone recebe a onda sonora barulhenta e a inverte, agrega e faz com que ela chegue ao seu tímpano exatamente com a mesma velocidade do som indesejado original.


A onda sonora que você não quer ouvir é cancelada pela própria onda sonora invertida. Por isso, você não a escuta e continua apreciando o som que realmente aprecia.


Isso parece uma inovação recente, mas sua origem remonta a setenta anos atrás, durante a Guerra da Coreia (1950-1953).


Os Estados Unidos enviavam helicópteros para recolher soldados feridos ou imobilizados, que pediam ajuda pelo rádio. Mas as pás dos helicópteros impediam que os sinais fossem ouvidos.


Nem o piloto, nem os passageiros dos helicópteros conseguiam se comunicar verbalmente entre si, impossibilitados pelo ruído. O engenheiro Lawrence J. Fogel comprovou esta situação e fez diversas viagens de helicóptero em busca de uma solução.


A teoria sobre a forma de cancelamento das ondas sonoras entre si havia sido descoberta mais de cento e cinquenta anos antes. Mas Fogel foi o primeiro a fazer uso prático dela, na década de 1950.


Ele criou os primeiros fones de ouvido com cancelamento de som. Com isso, Fogel transformou completamente as comunicações durante o voo.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cg7289kg822o.adaptado.
Frequentemente, esquecemos que estamos cercados por tecnologias notáveis. Em casa, no trabalho ou no bolso, inúmeros objetos engenhosos, fruto da criatividade, da sorte e do acaso, facilitam nosso cotidiano sem que muitas vezes percebamos.

De acordo com o texto base, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3388916 Português
No Brasil onde faltam padres, quem são os jovens que atendem o 'chamado' ao sacerdócio: 'Celibato acontece com naturalidade' 



    Junior Henrique da Silva, de 31 anos, seguia uma carreira sólida em uma escola da rede particular de Belo Horizonte (MG), como professor e coordenador. Em 2022, porém, o mineiro de Raposos (MG) largou o emprego e terminou um noivado. Depois de duas desistências, ele enfim compreendeu o "chamado". Tinha sido admitido como seminarista para realizar o sonho de se tornar padre.


     Kaik Ribas, de 28 anos, estudava jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), mas sentia que algo não caminhava como planejado. No fim da graduação, resolveu tentar o caminho que o atraía desde a infância. Após três anos de encontros vocacionais — uma espécie de "classificatória" para os candidatos ao seminário, normalmente com duração de um ano —, ele foi aceito para a formação eclesiástica. 

    Hoje, ambos são colegas no Seminário Coração Eucarístico de Jesus, da Arquidiocese de Belo Horizonte, atualmente com 60 estudantes, residentes no edifício inaugurado em 1923, na região noroeste da capital mineira.


    O período que antecede a batina dura um total de oito anos, incluindo a fase introdutória, chamada de propedêutico, e graduações em filosofia e teologia. Além disso, é composto por uma rígida rotina e pelas renúncias, entre as quais a mais famosa é o celibato.


    Os dados mais recentes sobre os seminaristas, publicados em 2021 pela Regional Oeste 1 da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), indicavam um universo de 8 mil candidatos a padres no Brasil. Destes, 5,3 mil eram diocesanos (formados nas dioceses, as administrações regionais da Igreja, como as arquidioceses, responsáveis por paróquias locais — atualmente, são 278 as dioceses espalhadas pelo Brasil) e 2,7 mil, religiosos (ligados a congregações como franciscanos e jesuítas). A CNBB afirma que os números estão defasados, mas não informou qual a contagem atual.


    Ao menos no âmbito global, a Igreja Católica tem registrado uma queda constante nessa estatística. De acordo com o Anuário Pontifício 2025, publicado em março e que atualiza os dados gerais do mundo católico, o total de seminaristas no mundo passou de 108,4 mil para 106,4 mil de 2022 para 2023, último ano registrado no documento. Mas a tendência já vem de mais tempo — segundo o anuário, há uma "diminuição ininterrupta desde 2012". Para se ter uma ideia, em 2019, eram 114 mil.


    Segundo a publicação, o Brasil continuaria sendo o maior país católico do mundo, responsável por cerca de 13% dos fiéis do planeta, um contingente aproximado de 182 milhões de pessoas. Outros levantamentos, porém, colocam em xeque esse número. De acordo com uma pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada em 2020, 50% dos brasileiros se declaravam católicos (cerca de 106 milhões na contagem populacional do Censo 2022) e 31% se diziam evangélicos.


    Já uma projeção da consultoria Mar Asset Management, feita a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Receita Federal e publicada em fevereiro deste ano, aponta que, em outubro de 2026, 36% dos brasileiros serão evangélicos. Esse quadro, porém, não indica uma crise na formação católica, ressalta o padre Evandro Campos, reitor do seminário da Arquidiocese de Belo Horizonte.

    A entidade responde atualmente por cerca de 650 padres, em 300 paróquias distribuídas por 28 municípios da região metropolitana. Os dados mais recentes da CNBB, de 2023, apontam para um total de 22,1 mil padres no Brasil. É um número que também está em queda, de acordo com um estudo divulgado em 2018 pelo Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais (Ceris), fundação hoje extinta que era vinculada à CNBB. Havia então 27,3 mil padres no país — o que correspondia à época a um padre para 7,8 mil habitantes. Na Itália, em comparação, havia um para cada mil.


     "A Igreja vem conseguindo responder acolhendo novos jovens", diz Campos. Segundo ele, há um trabalho feito diretamente com os párocos, no sentido de identificar possíveis candidatos ao sacerdócio. "A partir daí, vamos fazendo um acompanhamento individual e de grupo, durante um ano — e, nesse processo, temos tido uma presença grande de jovens", afirma Campos. Em alguns locais, onde a situação é crítica, como a região da Amazônia, a Igreja tem trazido sacerdotes até mesmo da Índia para tentar acabar com os "desertos de padres" na floresta.


Fonte: Novos padres: no Brasil onde faltam sacerdotes, quem são os jovens que atendem o 'chamado' da Igreja Católica - BBC News Brasil

Com base nas informações do texto e nas relações existentes entre as partes que o compõem, assinale a alternativa INCORRETA: 
Alternativas
Q3388445 Português
Assinale a alternativa incorreta quanto à identificação da figura de linguagem presente na frase:
Alternativas
Q3387828 Português
Assinale a alternativa que apresente um antônimo para o termo em destaque no trecho: “um dos casos criminais de maior repercussão da história recente”.
Alternativas
Q3387822 Português

Austrália: Mulher é julgada por envenenar e matar sogros com cogumelos



        A Justiça da Austrália deu início nesta terça-feira (29) ao julgamento de Erin Patterson, acusada de matar idosos convidados para um almoço por “ingestão de cogumelo” em 2023. Ela foi incriminada por assassinar seus sogros, Gail e Donald Patterson, além da irmã de Gail, Heather Wilkinson.


        Os idosos adoeceram após um almoço oferecido por Erin em sua casa na cidade de Leongatha, que abriga cerca de 6 mil habitantes e fica a cerca de 135 quilômetros de Melbourne. Os promotores alegam que os cogumelos foram servidos às vítimas como parte de um bife Wellington.


        Acusações adicionais de tentativa de homicídio de seu marido, Simon Patterson, e do marido de Heather, Ian Wilkinson, também foram feitas na época, porém elas foram retiradas pelos promotores, informou o juiz Christopher Beale ao tribunal. “Essas acusações foram retiradas e vocês precisam tirá-las da cabeça”, comentou ele ao júri. 


        Quinze jurados foram selecionados no Tribunal de Magistrados de Latrobe Valley, na cidade de Morwell. Os argumentos iniciais devem começar na manhã desta quarta-feira (30). Erin Patterson se declarou inocente de todas as acusações. 


        O caso chamou atenção tanto na Austrália quanto internacionalmente, com os seis assentos na sala do tribunal reservados para a imprensa sendo alocados em uma votação diária. Dezenas de outros jornalistas devem assistir ao processo em uma sala extra instalada no tribunal. 


        A emissora estatal ABC está produzindo um podcast diário durante o julgamento, que deve durar de cinco a seis semanas, enquanto o serviço de streaming Stan encomendou um documentário sobre o que considera “um dos casos criminais de maior repercussão da história recente”. 


Fonte: Austrália: Mulher é julgada por envenenar e matar sogros com cogumelos | CNN Brasil

Assinale a alternativa que apresente um sinônimo adequado para o termo em destaque no período, considerando o contexto do texto: Quinze jurados foram selecionados no Tribunal de Magistrados de Latrobe Valley, na cidade de Morwell.
Alternativas
Q3387821 Português

Austrália: Mulher é julgada por envenenar e matar sogros com cogumelos



        A Justiça da Austrália deu início nesta terça-feira (29) ao julgamento de Erin Patterson, acusada de matar idosos convidados para um almoço por “ingestão de cogumelo” em 2023. Ela foi incriminada por assassinar seus sogros, Gail e Donald Patterson, além da irmã de Gail, Heather Wilkinson.


        Os idosos adoeceram após um almoço oferecido por Erin em sua casa na cidade de Leongatha, que abriga cerca de 6 mil habitantes e fica a cerca de 135 quilômetros de Melbourne. Os promotores alegam que os cogumelos foram servidos às vítimas como parte de um bife Wellington.


        Acusações adicionais de tentativa de homicídio de seu marido, Simon Patterson, e do marido de Heather, Ian Wilkinson, também foram feitas na época, porém elas foram retiradas pelos promotores, informou o juiz Christopher Beale ao tribunal. “Essas acusações foram retiradas e vocês precisam tirá-las da cabeça”, comentou ele ao júri. 


        Quinze jurados foram selecionados no Tribunal de Magistrados de Latrobe Valley, na cidade de Morwell. Os argumentos iniciais devem começar na manhã desta quarta-feira (30). Erin Patterson se declarou inocente de todas as acusações. 


        O caso chamou atenção tanto na Austrália quanto internacionalmente, com os seis assentos na sala do tribunal reservados para a imprensa sendo alocados em uma votação diária. Dezenas de outros jornalistas devem assistir ao processo em uma sala extra instalada no tribunal. 


        A emissora estatal ABC está produzindo um podcast diário durante o julgamento, que deve durar de cinco a seis semanas, enquanto o serviço de streaming Stan encomendou um documentário sobre o que considera “um dos casos criminais de maior repercussão da história recente”. 


Fonte: Austrália: Mulher é julgada por envenenar e matar sogros com cogumelos | CNN Brasil

Assinale a alternativa que apresente o termo do texto ao qual se refere o termo em destaque no período: “Essas acusações foram retiradas e vocês precisam tirá-las da cabeça”, comentou ele ao júri.
Alternativas
Q3387820 Português

Austrália: Mulher é julgada por envenenar e matar sogros com cogumelos



        A Justiça da Austrália deu início nesta terça-feira (29) ao julgamento de Erin Patterson, acusada de matar idosos convidados para um almoço por “ingestão de cogumelo” em 2023. Ela foi incriminada por assassinar seus sogros, Gail e Donald Patterson, além da irmã de Gail, Heather Wilkinson.


        Os idosos adoeceram após um almoço oferecido por Erin em sua casa na cidade de Leongatha, que abriga cerca de 6 mil habitantes e fica a cerca de 135 quilômetros de Melbourne. Os promotores alegam que os cogumelos foram servidos às vítimas como parte de um bife Wellington.


        Acusações adicionais de tentativa de homicídio de seu marido, Simon Patterson, e do marido de Heather, Ian Wilkinson, também foram feitas na época, porém elas foram retiradas pelos promotores, informou o juiz Christopher Beale ao tribunal. “Essas acusações foram retiradas e vocês precisam tirá-las da cabeça”, comentou ele ao júri. 


        Quinze jurados foram selecionados no Tribunal de Magistrados de Latrobe Valley, na cidade de Morwell. Os argumentos iniciais devem começar na manhã desta quarta-feira (30). Erin Patterson se declarou inocente de todas as acusações. 


        O caso chamou atenção tanto na Austrália quanto internacionalmente, com os seis assentos na sala do tribunal reservados para a imprensa sendo alocados em uma votação diária. Dezenas de outros jornalistas devem assistir ao processo em uma sala extra instalada no tribunal. 


        A emissora estatal ABC está produzindo um podcast diário durante o julgamento, que deve durar de cinco a seis semanas, enquanto o serviço de streaming Stan encomendou um documentário sobre o que considera “um dos casos criminais de maior repercussão da história recente”. 


Fonte: Austrália: Mulher é julgada por envenenar e matar sogros com cogumelos | CNN Brasil

Assinale a alternativa que apresente o tema do texto:  
Alternativas
Q3387595 Português
Como aumentar vida útil das roupas: 'Se jogamos fora só porque zíper quebrou, precisamos repensar'


    "Passei anos vasculhando lojas de roupa de segunda mão e vi centenas de peças perfeitas abandonadas por causa de um zíper quebrado", conta a italiana Orsola de Castro. "Afinal, por que gastar tempo e dinheiro consertando um zíper quebrado quando é mais rápido, mais barato e infinitamente mais divertido comprar uma roupa nova com zíper funcionando?", acrescenta.

       Em seu livro Loved Clothes Last (Roupas amadas duram, em tradução livre), publicado em 2021, a fundadora da campanha mundial Fashion Revolution fez um apelo apaixonado. "Se jogamos fora uma roupa só porque o zíper quebrou, precisamos repensar o que estamos fazendo. O que aconteceria se decidíssemos substitui-la?", questionou.

       É cada vez mais difícil ignorar o dano social e ambiental causado pela fabricação de roupas. As taxas de consumo de recursos naturais são estratosféricas, sem mencionar os níveis de contaminação e desperdício e as cadeias de suprimentos, que são marcadas pela exploração. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o setor é responsável por 2% a 8% do total de emissões globais de gases de efeito estufa e utiliza 215 bilhões de litros de água por ano, o que é equivalente a 86 milhões de piscinas olímpicas.

     Além disso, os resíduos têxteis chegam a 92 milhões de toneladas por ano. Isso equivale a um caminhão de lixo cheio de roupas incineradas ou enviadas a aterros sanitários a cada segundo. Os números da indústria de vestuário são impressionantes, considerando que, de certa forma, este é um setor de produtos não essenciais.

     Poucas pessoas no mundo realmente precisam de mais roupas. Ainda assim, entre 80 e 100 bilhões de peças são produzidas por ano, em uma estimativa conservadora. A indústria de moda tem tentado enfrentar esses impactos por meio de iniciativas e pesquisas que incluem projetos para aumentar a eficiência energética nas cadeias de suprimento, utilização de materiais renováveis, investimento em inovação de materiais para evitar os sintéticos, e iniciativas de justiça social e de combate à crueldade contra os animais.

    Mas ainda que esses esforços tenham boas intenções, essa é uma indústria que tem um impacto ambiental enorme. Basta dizer que a maioria dessas quase 100 bilhões de peças acaba sendo incinerada ou jogada em aterros sanitários após pouquíssimo uso. Por isso, cada vez mais ativistas argumentam que uma das maneiras mais fáceis de reduzir o impacto da indústria de moda é comprando menos.

    Segundo o grupo ativista britânico Take the Jump, o segredo está em comprar apenas três peças novas por ano e fazer com que nossas roupas durem mais. Para uma geração de consumidores alimentados por desejos construídos artificialmente e gratificações instantâneas, esse pode ser um objetivo difícil de imaginar, mas os números são irrefutáveis.

    Uma pesquisa realizada pela organização ambientalista britânica Wrap indica que prolongar a vida útil de uma peça de roupa em apenas nove meses poder reduzir o impacto ambiental em até 10%. Imagine o que poderíamos conseguir ao longo de décadas. Os fatores que contribuem para isso incluem a compra de roupas de boa qualidade, a disposição das pessoas em usar a mesma peça muitas vezes e sua capacidade de cuidar bem dela.

    Pode parecer fácil, mas se fosse, já estaríamos fazendo isso. É claro que, neste momento, os riscos parecem grandes demais para simplesmente ignorarmos. Já se passou pouco mais de uma geração desde que perdemos essa cultura de cuidado com as roupas.

   Enquanto a vida dos nossos avós era baseada em economia e consertos, a maioria dos consumidores hoje se acostumou com o sistema de usar, estragar e jogar fora. As roupas que Castro mencionou ter visto nos brechós — em perfeito estado, mas com zíperes quebrados — são resultado de uma profunda falta de conexão com a forma como as roupas são feitas.

    Hoje é mais importante do que nunca se perguntar porque tanta roupa está sendo feita com materiais derivados do petróleo. Temos que nos perguntar se a viscose (fibra artificial feita a partir da celulose) daquela camisa foi feita a partir da exploração de florestas antigas, se há pele de animal naquele pompom ou por que apenas uma pequena fração dos trabalhadores da indústria têxtil recebe salários dignos.

    E também nos perguntar se queremos seguir causando destruição. O subtítulo do livro de Castro é "como a alegria de remendar e vestir pode ser um ato revolucionário". E é um fato: precisamos de uma revolução.


Fonte: Vida útil das roupas: 'Se jogamos fora porque zíper quebrou, precisamos repensar' - BBC News Brasil
Com base nas informações do texto e nas relações existentes entre as partes que o compõem, assinale a alternativa INCORRETA: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: DPE-RS Prova: FCC - 2025 - DPE-RS - Defensor Público |
Q3386962 Português

Todas as sociedades definem implicitamente uma legitimidade da dor que se antecipa a circunstâncias sociais, culturais ou físicas tidas como difíceis. Uma experiência acumulada do grupo leva seus membros a uma expectativa do sofrimento habitual imputável a esses fatos.

 

A intervenção cirúrgica ou dentária, as sequelas de ferimento etc. são precedidas pelo comentário experiente dos que já passaram pela mesma situação e se apressam em dar sua impressão ou seu conselho. O médico pode sugerir a intensidade da dor pela qual o paciente passará. Cada experiência, cada doença, cada lesão é associada a uma margem difusa de sofrimento. A sociedade indica simbolicamente os limites do licito e, fazendo isso, esforça-se por dissuadir dos possíveis excessos. A expressão individual da dor penetra no cerne de formas ritualizadas, alimentando a expectativa de suas testemunhas.

 

Quando um sofrimento exibido parece desproporcional em relação à causa e ultrapassa o limite tradicional, desconfia-se de complacência ou de fingimento. A reputação do ator está então em jogo. Nos casos em que é obrigatório aguentar o sofrimento com firmeza, o homem oprimido pela dor e que não corresponde à expectativa dos outros através de sua propensão à queixa e às lágrimas, expõe-se à reprovação muda ou à exortação para que se comporte melhor. Essa discrepância em relação à discrição habitual provoca atitudes opostas àquelas desejadas pelo doente: a compaixão dá lugar ao constrangimento ou à incompreensão.

 

Inversamente, quando a ritualização da dor pede a dramatização, compreende-se mal quem interioriza seu sofrimento e não diz nada a ninguém. Se a queixa tem valor de linguagem que confirma aos próximos o beneficio de sua presença à cabeceira do doente, sua discrição parece negar a compaixão demonstrada em seu favor. Impenetrável apesar da dor que se supõe estar sentindo, o doente parece afirmar a insignificância daqueles que se apinham ao seu lado. Sua aparente capacidade para assumir sozinho e em silêncio sua provação frustra a família, que não espera senão a queixa para prodigalizar consolo e apoio.

 

A dor tem ritos que não são transgredidos sem o risco de indispor ou de ofender as pessoas de boa vontade. Mesmo no horror do que está sentindo, o homem sofredor segue o caminho que as tradições lhe traçam.

 

(Adaptado de: LE BRETON, David. Antropologia da Dor. São Paulo: Fap-Unifesp, 2013, p. 110-111)

Se a queixa tem valor de linguagem que confirma aos próximos o beneficio de sua presença a cabeceira do doente, sua discrição parece negar a compaixão demonstrada em seu favor.

 

Uma redação alternativa para a frase acima, que mantém a coerência e, em linhas gerais, seu sentido, encontra-se em:

Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: DPE-RS Prova: FCC - 2025 - DPE-RS - Defensor Público |
Q3386961 Português

Todas as sociedades definem implicitamente uma legitimidade da dor que se antecipa a circunstâncias sociais, culturais ou físicas tidas como difíceis. Uma experiência acumulada do grupo leva seus membros a uma expectativa do sofrimento habitual imputável a esses fatos.

 

A intervenção cirúrgica ou dentária, as sequelas de ferimento etc. são precedidas pelo comentário experiente dos que já passaram pela mesma situação e se apressam em dar sua impressão ou seu conselho. O médico pode sugerir a intensidade da dor pela qual o paciente passará. Cada experiência, cada doença, cada lesão é associada a uma margem difusa de sofrimento. A sociedade indica simbolicamente os limites do licito e, fazendo isso, esforça-se por dissuadir dos possíveis excessos. A expressão individual da dor penetra no cerne de formas ritualizadas, alimentando a expectativa de suas testemunhas.

 

Quando um sofrimento exibido parece desproporcional em relação à causa e ultrapassa o limite tradicional, desconfia-se de complacência ou de fingimento. A reputação do ator está então em jogo. Nos casos em que é obrigatório aguentar o sofrimento com firmeza, o homem oprimido pela dor e que não corresponde à expectativa dos outros através de sua propensão à queixa e às lágrimas, expõe-se à reprovação muda ou à exortação para que se comporte melhor. Essa discrepância em relação à discrição habitual provoca atitudes opostas àquelas desejadas pelo doente: a compaixão dá lugar ao constrangimento ou à incompreensão.

 

Inversamente, quando a ritualização da dor pede a dramatização, compreende-se mal quem interioriza seu sofrimento e não diz nada a ninguém. Se a queixa tem valor de linguagem que confirma aos próximos o beneficio de sua presença à cabeceira do doente, sua discrição parece negar a compaixão demonstrada em seu favor. Impenetrável apesar da dor que se supõe estar sentindo, o doente parece afirmar a insignificância daqueles que se apinham ao seu lado. Sua aparente capacidade para assumir sozinho e em silêncio sua provação frustra a família, que não espera senão a queixa para prodigalizar consolo e apoio.

 

A dor tem ritos que não são transgredidos sem o risco de indispor ou de ofender as pessoas de boa vontade. Mesmo no horror do que está sentindo, o homem sofredor segue o caminho que as tradições lhe traçam.

 

(Adaptado de: LE BRETON, David. Antropologia da Dor. São Paulo: Fap-Unifesp, 2013, p. 110-111)

... alimentando a expectativa de suas testemunhas.

... à expectativa dos outros através de sua propensão à queixa e às lágrimas ... 

Impenetrável apesar da dor que se supõe ...

 

Os termos sublinhados acima referem-se no contexto, respectivamente, a:

Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: DPE-RS Prova: FCC - 2025 - DPE-RS - Defensor Público |
Q3386960 Português

Todas as sociedades definem implicitamente uma legitimidade da dor que se antecipa a circunstâncias sociais, culturais ou físicas tidas como difíceis. Uma experiência acumulada do grupo leva seus membros a uma expectativa do sofrimento habitual imputável a esses fatos.

 

A intervenção cirúrgica ou dentária, as sequelas de ferimento etc. são precedidas pelo comentário experiente dos que já passaram pela mesma situação e se apressam em dar sua impressão ou seu conselho. O médico pode sugerir a intensidade da dor pela qual o paciente passará. Cada experiência, cada doença, cada lesão é associada a uma margem difusa de sofrimento. A sociedade indica simbolicamente os limites do licito e, fazendo isso, esforça-se por dissuadir dos possíveis excessos. A expressão individual da dor penetra no cerne de formas ritualizadas, alimentando a expectativa de suas testemunhas.

 

Quando um sofrimento exibido parece desproporcional em relação à causa e ultrapassa o limite tradicional, desconfia-se de complacência ou de fingimento. A reputação do ator está então em jogo. Nos casos em que é obrigatório aguentar o sofrimento com firmeza, o homem oprimido pela dor e que não corresponde à expectativa dos outros através de sua propensão à queixa e às lágrimas, expõe-se à reprovação muda ou à exortação para que se comporte melhor. Essa discrepância em relação à discrição habitual provoca atitudes opostas àquelas desejadas pelo doente: a compaixão dá lugar ao constrangimento ou à incompreensão.

 

Inversamente, quando a ritualização da dor pede a dramatização, compreende-se mal quem interioriza seu sofrimento e não diz nada a ninguém. Se a queixa tem valor de linguagem que confirma aos próximos o beneficio de sua presença à cabeceira do doente, sua discrição parece negar a compaixão demonstrada em seu favor. Impenetrável apesar da dor que se supõe estar sentindo, o doente parece afirmar a insignificância daqueles que se apinham ao seu lado. Sua aparente capacidade para assumir sozinho e em silêncio sua provação frustra a família, que não espera senão a queixa para prodigalizar consolo e apoio.

 

A dor tem ritos que não são transgredidos sem o risco de indispor ou de ofender as pessoas de boa vontade. Mesmo no horror do que está sentindo, o homem sofredor segue o caminho que as tradições lhe traçam.

 

(Adaptado de: LE BRETON, David. Antropologia da Dor. São Paulo: Fap-Unifesp, 2013, p. 110-111)

Considere as seguintes afirmativas acerca da estruturação do texto.

 

I. O 2º parágrafo esclarece, mediante exemplos, a regra geral exposta na introdução do texto e, com a expressão "possíveis excessos", anuncia o assunto dos dois parágrafos seguintes.

 

II. Após apresentar a tese inicial e desenvolvê-la no 2º e 3º parágrafos, o termo "Inversamente", no 4º parágrafo, introduz uma perspectiva oposta, necessária para a objeção à tese inicial, presente no último parágrafo.

 

III. As hipóteses contrárias à ritualização da dor são retomadas, ao fim, pelo segmento de valor concessivo "Mesmo no horror do que está sentindo", mas refutadas pelo segmento seguinte "o homem sofredor segue o caminho que as tradições lhe traçam".

 

Está correto o que consta de

Alternativas
Respostas
20361: C
20362: C
20363: C
20364: E
20365: D
20366: C
20367: A
20368: C
20369: A
20370: E
20371: D
20372: D
20373: D
20374: B
20375: C
20376: D
20377: E
20378: C
20379: B
20380: E