Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3336499 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Calor humano


Não, não fazia vermelho. Era quase de noite e estava ainda claro. Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era intrinsecamente. Mas era um calor de luz sem cor, e parada. Não, a mulher não conseguia transpirar. Estava seca e límpida. E lá fora só voavam pássaros de penas empalhadas. Mas era um calor visível, se ela fechava os olhos para não ver o calor, então vinha a alucinação lenta simbolizando-o: via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável; eles eram difíceis de se carregarem a si próprios, o que os tornava lentos e pesados.

Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível – que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E “eu te amo” era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.

Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida, os dentes úmidos, mas duros – e sobretudo boca voraz de nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada. Seus olhos abertos e diamantes. Nos telhados os pardais secos. “Eu vos amo, pessoas”, era frase impossível. A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer. Nada, nada morria na tarde enxuta, nada apodrecia. E às seis horas da tarde fazia meio-dia. Fazia meiodia com um barulho atento de máquina de bomba de água, bomba que trabalhava há tanto tempo sem água e que virava ferro enferrujado. Há dois dias faltava água na cidade. Nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos diamantes, e de vibração parada. E Deus? Não. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito. 

Enquanto isso era verão. Verão largo como o pátio vazio nas férias da escola. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Só uma doçura pesada: como a da casca lenta dos elefantes de couro ressequido. A esqualidez límpida e quente. Pensar no seu homem? Não, farpa na parte coração dos pés. Filhos? Quinze filhos dependurados, sem se balançarem à ausência de vento. Ah, se as mãos começassem a se umedecer. Nem que houvesse água, por ódio não tomaria banho. Por ódio não havia água. Nada escorria. A dificuldade é uma coisa parada. É uma joia– diamante. A cigarra de garganta seca não parava de rosnar. E Deus se liquefez enfim em chuva? Não. Nem quero. Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada. Senão esta dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade. Quero esta espera contínua como o canto avermelhado da cigarra, pois tudo isso é a morte parada, é a eternidade, é o cio sem desejo, os cães sem ladrar. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Não há mais julgamento. Não é o perdão depois de um julgamento. É a ausência de juiz e de condenado. E a morte, que era para ser uma única boa vez, não: está sendo sem parar. E não chove, não chove. Não existe menstruação. Os ovários são duas pérolas secas. Vou vos dizer a verdade: por ódio enxuto, quero é isto mesmo, e que não chova.

E exatamente então ela ouve alguma coisa. É uma coisa também enxuta que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem nenhuma saliva, que rola mas onde? No céu absolutamente azul, nem uma nuvem de amor. Deve ser de muito longe o trovão. Mas ao mesmo tempo vem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim da casa ao lado. A Índia invadindo, com suas mulheres adocicadas. Um cheiro de cravos de cemitério. Irá tudo mudar tão de repente? Para quem não tinha nem noite nem chuva nem apodrecimento de madeira na água – para quem não tinha senão pérolas, vai vir a noite, vai vir madeira enfim apodrecendo, cravo vivo de chuva no cemitério, chuva que vem da Malásia? A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Ela não percebe, a mulher, que o tremor é seu, como não percebera que aquilo que a queimava não era o fim da tarde encalorada e sim o seu calor humano. Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas. E enfim o céu se abranda.


 

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p.33- 34.

“[...]via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável.” 1º§


O segmento sublinhado no trecho transmite ideia de: 

Alternativas
Q3336498 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Calor humano


Não, não fazia vermelho. Era quase de noite e estava ainda claro. Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era intrinsecamente. Mas era um calor de luz sem cor, e parada. Não, a mulher não conseguia transpirar. Estava seca e límpida. E lá fora só voavam pássaros de penas empalhadas. Mas era um calor visível, se ela fechava os olhos para não ver o calor, então vinha a alucinação lenta simbolizando-o: via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável; eles eram difíceis de se carregarem a si próprios, o que os tornava lentos e pesados.

Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível – que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E “eu te amo” era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.

Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida, os dentes úmidos, mas duros – e sobretudo boca voraz de nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada. Seus olhos abertos e diamantes. Nos telhados os pardais secos. “Eu vos amo, pessoas”, era frase impossível. A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer. Nada, nada morria na tarde enxuta, nada apodrecia. E às seis horas da tarde fazia meio-dia. Fazia meiodia com um barulho atento de máquina de bomba de água, bomba que trabalhava há tanto tempo sem água e que virava ferro enferrujado. Há dois dias faltava água na cidade. Nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos diamantes, e de vibração parada. E Deus? Não. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito. 

Enquanto isso era verão. Verão largo como o pátio vazio nas férias da escola. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Só uma doçura pesada: como a da casca lenta dos elefantes de couro ressequido. A esqualidez límpida e quente. Pensar no seu homem? Não, farpa na parte coração dos pés. Filhos? Quinze filhos dependurados, sem se balançarem à ausência de vento. Ah, se as mãos começassem a se umedecer. Nem que houvesse água, por ódio não tomaria banho. Por ódio não havia água. Nada escorria. A dificuldade é uma coisa parada. É uma joia– diamante. A cigarra de garganta seca não parava de rosnar. E Deus se liquefez enfim em chuva? Não. Nem quero. Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada. Senão esta dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade. Quero esta espera contínua como o canto avermelhado da cigarra, pois tudo isso é a morte parada, é a eternidade, é o cio sem desejo, os cães sem ladrar. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Não há mais julgamento. Não é o perdão depois de um julgamento. É a ausência de juiz e de condenado. E a morte, que era para ser uma única boa vez, não: está sendo sem parar. E não chove, não chove. Não existe menstruação. Os ovários são duas pérolas secas. Vou vos dizer a verdade: por ódio enxuto, quero é isto mesmo, e que não chova.

E exatamente então ela ouve alguma coisa. É uma coisa também enxuta que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem nenhuma saliva, que rola mas onde? No céu absolutamente azul, nem uma nuvem de amor. Deve ser de muito longe o trovão. Mas ao mesmo tempo vem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim da casa ao lado. A Índia invadindo, com suas mulheres adocicadas. Um cheiro de cravos de cemitério. Irá tudo mudar tão de repente? Para quem não tinha nem noite nem chuva nem apodrecimento de madeira na água – para quem não tinha senão pérolas, vai vir a noite, vai vir madeira enfim apodrecendo, cravo vivo de chuva no cemitério, chuva que vem da Malásia? A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Ela não percebe, a mulher, que o tremor é seu, como não percebera que aquilo que a queimava não era o fim da tarde encalorada e sim o seu calor humano. Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas. E enfim o céu se abranda.


 

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p.33- 34.

“Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era intrinsecamente.” 1º§


A palavra sublinhada é sinônimo de:

Alternativas
Q3336497 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Calor humano


Não, não fazia vermelho. Era quase de noite e estava ainda claro. Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era intrinsecamente. Mas era um calor de luz sem cor, e parada. Não, a mulher não conseguia transpirar. Estava seca e límpida. E lá fora só voavam pássaros de penas empalhadas. Mas era um calor visível, se ela fechava os olhos para não ver o calor, então vinha a alucinação lenta simbolizando-o: via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável; eles eram difíceis de se carregarem a si próprios, o que os tornava lentos e pesados.

Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível – que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E “eu te amo” era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.

Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida, os dentes úmidos, mas duros – e sobretudo boca voraz de nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada. Seus olhos abertos e diamantes. Nos telhados os pardais secos. “Eu vos amo, pessoas”, era frase impossível. A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer. Nada, nada morria na tarde enxuta, nada apodrecia. E às seis horas da tarde fazia meio-dia. Fazia meiodia com um barulho atento de máquina de bomba de água, bomba que trabalhava há tanto tempo sem água e que virava ferro enferrujado. Há dois dias faltava água na cidade. Nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos diamantes, e de vibração parada. E Deus? Não. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito. 

Enquanto isso era verão. Verão largo como o pátio vazio nas férias da escola. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Só uma doçura pesada: como a da casca lenta dos elefantes de couro ressequido. A esqualidez límpida e quente. Pensar no seu homem? Não, farpa na parte coração dos pés. Filhos? Quinze filhos dependurados, sem se balançarem à ausência de vento. Ah, se as mãos começassem a se umedecer. Nem que houvesse água, por ódio não tomaria banho. Por ódio não havia água. Nada escorria. A dificuldade é uma coisa parada. É uma joia– diamante. A cigarra de garganta seca não parava de rosnar. E Deus se liquefez enfim em chuva? Não. Nem quero. Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada. Senão esta dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade. Quero esta espera contínua como o canto avermelhado da cigarra, pois tudo isso é a morte parada, é a eternidade, é o cio sem desejo, os cães sem ladrar. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Não há mais julgamento. Não é o perdão depois de um julgamento. É a ausência de juiz e de condenado. E a morte, que era para ser uma única boa vez, não: está sendo sem parar. E não chove, não chove. Não existe menstruação. Os ovários são duas pérolas secas. Vou vos dizer a verdade: por ódio enxuto, quero é isto mesmo, e que não chova.

E exatamente então ela ouve alguma coisa. É uma coisa também enxuta que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem nenhuma saliva, que rola mas onde? No céu absolutamente azul, nem uma nuvem de amor. Deve ser de muito longe o trovão. Mas ao mesmo tempo vem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim da casa ao lado. A Índia invadindo, com suas mulheres adocicadas. Um cheiro de cravos de cemitério. Irá tudo mudar tão de repente? Para quem não tinha nem noite nem chuva nem apodrecimento de madeira na água – para quem não tinha senão pérolas, vai vir a noite, vai vir madeira enfim apodrecendo, cravo vivo de chuva no cemitério, chuva que vem da Malásia? A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Ela não percebe, a mulher, que o tremor é seu, como não percebera que aquilo que a queimava não era o fim da tarde encalorada e sim o seu calor humano. Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas. E enfim o céu se abranda.


 

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p.33- 34.

A tipologia textual predominante do texto é: 
Alternativas
Q3336456 Português
Leia o texto a seguir.

Particularmente, lembro bem pouco de como foram os meus primeiros passos para o mundo da leitura. Lembro quando morávamos, eu e minha mãe, com minha avó em uma casinha daquelas de palha, penso que nem existem mais essas casinhas aqui em Jussara. Será que não? Não importa! O importante foi que vivi neste lugar simples, mas o amor era gigantesco. Minha mãe nunca teve muitas condições, mas sempre fez o melhor para mim. E foi neste ambiente simples e carregado de muito afeto que dei meus primeiros passos para o mundo das letras.

SOUZA, F. S. A coruja da leitura. In: OLIVEIRA, W. C; OLIVEIRA, I. L. (orgs.). Memórias de leitura: um estudo sobre a formação do leitor do ensino fundamental - anos finais. Goiânia: Kelps, 2020, p. 36. [Adaptado].

Qual dificuldade, relativamente comum entre as crianças de Jussara, o texto apresenta? 
Alternativas
Q3336451 Português
Leia o Texto 5 para responder à questão.

Texto 5

Verde é esperança, eu digo a verdade
Saí de Rio Verde com felicidade
Viva Santa Helena, terra da bondade
Lá em Goiatuba, eu fiz amizade
Buriti Alegre tem gado à vontade
E de Panamá, eu fui a Trindade
Em Piracanjuba eu deixei saudade
Segui pra Morrinhos, uma linda cidade
Vim de Ipameri, é uma joia fina
Lá em São Luiz, tem belas meninas
Em Porangatu, quase me domina
Eu saí pra Ceres, depois Planaltina
Passei em Inhumas, também Cristalina
E de Hidrolândia, fui a Pontalina
Fui a Caldas Novas pela Medicina
Moro em Itumbiara, divisa de Minas
Cidade de Anápolis, gostei demais
E em Catalão, terra do meus pais
Formosa e Silvânia, bonitas iguais
O meu Goiás velho, não me esqueço mais
Capital antiga dos tempos atrás
Hoje é Goiânia, flor das capitais


Disponível em: <https://www.letras.mus.br/silvera-silveirinha/coracao-dapatria/>. Acesso em: 14 ago. 2024. [Adaptado].
Ao comparar Goiás velho e Goiânia, o texto fala de qual momento histórico do estado de Goiás?
Alternativas
Q3336450 Português
Leia o Texto 5 para responder à questão.

Texto 5

Verde é esperança, eu digo a verdade
Saí de Rio Verde com felicidade
Viva Santa Helena, terra da bondade
Lá em Goiatuba, eu fiz amizade
Buriti Alegre tem gado à vontade
E de Panamá, eu fui a Trindade
Em Piracanjuba eu deixei saudade
Segui pra Morrinhos, uma linda cidade
Vim de Ipameri, é uma joia fina
Lá em São Luiz, tem belas meninas
Em Porangatu, quase me domina
Eu saí pra Ceres, depois Planaltina
Passei em Inhumas, também Cristalina
E de Hidrolândia, fui a Pontalina
Fui a Caldas Novas pela Medicina
Moro em Itumbiara, divisa de Minas
Cidade de Anápolis, gostei demais
E em Catalão, terra do meus pais
Formosa e Silvânia, bonitas iguais
O meu Goiás velho, não me esqueço mais
Capital antiga dos tempos atrás
Hoje é Goiânia, flor das capitais


Disponível em: <https://www.letras.mus.br/silvera-silveirinha/coracao-dapatria/>. Acesso em: 14 ago. 2024. [Adaptado].
O que as cidades do texto têm em comum?
Alternativas
Q3336449 Português
Leia o texto a seguir.

Durante o período crítico da pandemia, Goiás forneceu alimentação a 150 indígenas da etnia Warao, vindos da Venezuela, e 50 crianças da comunidade foram matriculadas em escolas públicas de Goiânia. Eles também receberam auxílio para obtenção de Registro Nacional de Estrangeiros (RNE) e assistência à saúde. Crianças venezuelanas indígenas com até 6 anos de idade também são beneficiadas com o cartão Mães de Goiás, com o recebimento de 250 reais ao mês.

Disponível em: <https://www.jornalopcao.com.br/reportagens/fugindo-deguerra-e-pobreza-migrantes-buscam-refugio-em-goias-546467/>. Acesso em: 20 ago. 2024. [Adaptado].

Essas políticas têm qual objetivo?
Alternativas
Q3336434 Português
Leia o Texto 2 para responder à questão.

Texto 2

Causa e efeito da pobreza, trabalho infantil aumentou no país

Por Andréia Peres

“O que você quer ser quando crescer?”, perguntei uma vez a um garoto de 6 anos que quebrava pedra na região do sisal na Bahia. “Menino”, ele me respondeu. Sem se dar conta de que ainda era uma criança, ele sonhava resgatar no futuro a infância que não tinha.

Causa e efeito da pobreza, o trabalho infantil, que vinha caindo desde 2016, voltou a crescer entre 2019 e 2022. Um aumento visível aos nossos olhos e que já aparece nas estatísticas.

Em 2022, o Brasil tinha 1,9 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos de idade nessa situação, o que representa 4,9% da população brasileira nessa faixa etária, segundo dados da Pnad Contínua, do IBGE, divulgados em dezembro de 2023.

O crescimento foi de 7% em relação a 2019, antes da pandemia.

Disponível em: <https://veja.abril.com.br/coluna/balanco-social/causa-e-efeitoda-pobreza-trabalho-infantil-aumentou-no-pais/>. Acesso em: 17 ago. 2024.
[Adaptado]. 
No primeiro parágrafo do texto, as aspas foram usadas para  
Alternativas
Q3336433 Português
Leia o Texto 2 para responder à questão.

Texto 2

Causa e efeito da pobreza, trabalho infantil aumentou no país

Por Andréia Peres

“O que você quer ser quando crescer?”, perguntei uma vez a um garoto de 6 anos que quebrava pedra na região do sisal na Bahia. “Menino”, ele me respondeu. Sem se dar conta de que ainda era uma criança, ele sonhava resgatar no futuro a infância que não tinha.

Causa e efeito da pobreza, o trabalho infantil, que vinha caindo desde 2016, voltou a crescer entre 2019 e 2022. Um aumento visível aos nossos olhos e que já aparece nas estatísticas.

Em 2022, o Brasil tinha 1,9 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos de idade nessa situação, o que representa 4,9% da população brasileira nessa faixa etária, segundo dados da Pnad Contínua, do IBGE, divulgados em dezembro de 2023.

O crescimento foi de 7% em relação a 2019, antes da pandemia.

Disponível em: <https://veja.abril.com.br/coluna/balanco-social/causa-e-efeitoda-pobreza-trabalho-infantil-aumentou-no-pais/>. Acesso em: 17 ago. 2024.
[Adaptado]. 
O objetivo do texto é 
Alternativas
Q3336430 Português
Leia o Texto 1 para responder à questão.

Texto 1

Fiscalização do Trabalho do MTE retira 64 adolescentes do trabalho infantil em São Paulo


Auditores Fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), realizaram Operativos de Combate ao Trabalho Infantil alusivos ao dia 12 de junho, Dia Mundial contra o Trabalho Infantil.

Os dados das ações fiscais indicam que pelo menos 64 adolescentes, com idade entre 15 e 17 anos, foram retirados do trabalho infantil. Eles estavam realizando atividades elencadas na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Decreto nº 6.481/2008), como em oficinas mecânicas, lava jatos, venda a varejo de bebida alcoólica, serralherias, marcenarias, confecção de calçados e na reciclagem de papel, plástico e metal.

Ao final das ações, os adolescentes foram encaminhados à rede de proteção à infância e à adolescência para inclusão em políticas públicas de proteção social, educação e formação profissional.

Disponível em: <https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-econteudo/2023/junho/fiscalizacao-do-trabalho-do-mte-retira-64-adolescentesdo-trabalho-infantil-em-sao-paulo>. Acesso em: 16 ago. 2024. [Adaptado].
No último parágrafo, a palavra “rede” é sinônimo de 
Alternativas
Q3336429 Português
Leia o Texto 1 para responder à questão.

Texto 1

Fiscalização do Trabalho do MTE retira 64 adolescentes do trabalho infantil em São Paulo


Auditores Fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), realizaram Operativos de Combate ao Trabalho Infantil alusivos ao dia 12 de junho, Dia Mundial contra o Trabalho Infantil.

Os dados das ações fiscais indicam que pelo menos 64 adolescentes, com idade entre 15 e 17 anos, foram retirados do trabalho infantil. Eles estavam realizando atividades elencadas na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Decreto nº 6.481/2008), como em oficinas mecânicas, lava jatos, venda a varejo de bebida alcoólica, serralherias, marcenarias, confecção de calçados e na reciclagem de papel, plástico e metal.

Ao final das ações, os adolescentes foram encaminhados à rede de proteção à infância e à adolescência para inclusão em políticas públicas de proteção social, educação e formação profissional.

Disponível em: <https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-econteudo/2023/junho/fiscalizacao-do-trabalho-do-mte-retira-64-adolescentesdo-trabalho-infantil-em-sao-paulo>. Acesso em: 16 ago. 2024. [Adaptado].
O objetivo principal do texto é 
Alternativas
Q3335724 Português
Acerca dos gêneros textuais, julgue as frases abaixo.

I. O gênero descritivo caracteriza pessoas, objetos, lugares ou situações, detalhando suas características e qualidades.
II. O gênero expositivo apresenta informações e explica conceitos ou processos, como em relatórios e artigos científicos.
III. O gênero epistolar expressa sentimentos e emoções de forma estética, comum em poesias e canções.

Está(ão) CORRETA(S) a(s) seguinte(s) proposição(ões).
Alternativas
Q3334957 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Quem é o dono da Lua? Interesse crescente na exploração do satélite reacende discussão


      A sonda chinesa Chang'e-6 retornou à Terra na terça-feira (25), trazendo as primeiras amostras da história do lado oculto da Lua. Esta missão é um marco significativo na exploração lunar e levanta questões importantes sobre a propriedade e o uso da Lua.
    O interesse renovado pela Lua é impulsionado por uma combinação de fatores científicos, econômicos e estratégicos. Do ponto de vista científico, a Lua oferece uma oportunidade única para a pesquisa e a descoberta. Missões recentes, como essa da Chang'e-6, fornecem informações valiosas sobre a composição e a história geológica do satélite, ajudando a entender melhor a formação do sistema Terra-Lua e outros processos planetários.
    A Lua tem depósitos de Hélio-3, um isótopo raro que não é abundante na Terra. O Hélio-3 é considerado uma potencial fonte de combustível para futuras reações de fusão nuclear, que poderiam fornecer uma forma limpa e quase ilimitada de energia. Dominar a tecnologia de fusão nuclear com Hélio-3 poderia revolucionar a produção de energia no planeta, oferecendo uma alternativa limpa às atuais fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis. Esse interesse é um dos fatores que impulsionam a nova corrida espacial para a Lua, com implicações tanto científicas quanto econômicas de uma importância revolucionária.
    Economicamente, a Lua possui recursos valiosos, como água congelada nos polos, que podem ser usados para sustentar futuras bases lunares e missões espaciais de longa duração. A água pode ser transformada em hidrogênio e oxigênio, fornecendo combustível para foguetes. Estrategicamente, a presença na Lua permite que as nações afirmem sua liderança no espaço, desenvolvam novas tecnologias e estabeleçam a infraestrutura necessária para a próxima era da exploração espacial. 
    Atualmente, ninguém pode reivindicar a propriedade da Lua por soberania, ocupação ou qualquer outra razão. Esta posição é formalizada principalmente pelo Tratado do Espaço Exterior de 1967, assinado por mais de 100 países, incluindo as principais nações com capacidade espacial como EUA, Rússia e China.
    O Tratado do Espaço Exterior estabelece que a Lua e outros corpos celestes não são passíveis de apropriação nacional por reivindicação de soberania, uso ou ocupação, ou por qualquer outro meio. Este tratado também proíbe a colocação de armas nucleares ou qualquer outro tipo de armas de destruição em massa no espaço exterior, e declara que a Lua deve ser usada exclusivamente para fins pacíficos. Recentemente, os Artemis Accords, liderados pelos EUA, representam um conjunto de princípios para a cooperação internacional na exploração da Lua, Marte e outros corpos celestes. Esses acordos, que complementam o Tratado do Espaço Exterior, visam promover a exploração pacífica e coordenada, incluindo a gestão de recursos lunares.
    Embora o Tratado do Espaço Exterior proíba a apropriação de território, ele permite a extração e uso de recursos. Isso abre a possibilidade de mineração lunar, onde os materiais extraídos podem ser usados para sustentar bases lunares ou como combustível para missões espaciais mais distantes. Empresas privadas, em cooperação com agências espaciais, estão explorando tecnologias e métodos para viabilizar essas atividades.
    A crescente atividade espacial também levanta preocupações sobre a governança e a gestão de possíveis conflitos no espaço. A cooperação entre nações e a diplomacia contínua serão essenciais para garantir que a Lua continue sendo um patrimônio comum da humanidade. As recentes explorações exemplificam os avanços e desafios que enfrentamos na exploração espacial, destacando a necessidade de uma abordagem internacional pacífica. Que assim seja.


LAPOLA, M. Quem é o dono da Lua? Interesse crescente na exploração do satélite reacende discussão. Revista Galileu: Quânticas. Adaptado. Disponível em: <https://revistagalileu.globo.com/colunistas/quanticas/blog/2024/07/quem-e-o-dono-da-lua.ghtml>
De acordo com o texto, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3334806 Português
Todas as alternativas a seguir apresentam pares de palavras sinônimas, exceto: 
Alternativas
Q3334802 Português
Ocorre linguagem figurada apenas em:
Alternativas
Q3333519 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.


Silvio Santos: o dono do auditório

Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial. Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira
Artigo de Cláudio Ferreira, jornalista e estudioso de televisão*

    Todas as reverências são poucas para homenagear Silvio Santos. Mesmo quem o considerava brega, ultrapassado, muitas vezes inconveniente tem que reconhecer: ele foi um empreendedor nato, desafiou vários padrões da televisão brasileira e pode ser considerado, sem medo, sinônimo do gênero programa de auditório.

    Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira: em preto e branco ou em cores, ao vivo ou gravado, com poucos ou muitos recursos tecnológicos. Ele era sempre a atração principal, dividindo os holofotes seja com artistas conhecidos, seja com os calouros anônimos ou as “colegas de trabalho”. Paletós com padronagens estranhas, o microfone pendurado no peito, o cacoete da língua nos lábios. Nosso amigo íntimo.

    Como empresário de TV, não descansou até conseguir montar sua rede de emissoras e lutou pela liderança de audiência — na maior parte do tempo, ficou com a vice ou o terceiro lugar. Era conhecido pela interferência direta na programação, o que provocava uma inconstância de horários de exibição e a retirada repentina de programas do ar. Mas deixava claro: quem mandava era ele.

    Consolidou o programa de auditório como atração televisiva. A fórmula certeira — carisma do apresentador + atrações variadas + plateia animada — foi exaustivamente copiada e assimilada. Chegou a ficar 12 horas no ar aos domingos, tornando-se, junto com a missa e a macarronada, parte do cardápio do fim de semana.

    Quem era criança a partir dos anos 1960 com certeza tem lembranças dos vários programas que Silvio Santos apresentou ao longo da carreira gigantesca. A narração sempre exagerada, o desfile de artistas populares, o jeito espontâneo — muitas vezes, até demais —, são muitas as características da presença do apresentador na TV. Tanto que o Rei dos Domingos povoa a internet com memes, que já existiam antes de serem batizados com essa expressão.

    Mesmo antes da TV fechada e dos streamings, muita gente já torcia o nariz para os exageros da TV aberta. E Silvio Santos era sinônimo de exagero: a cobertura jornalística da morte dele, que ocupou a programação de várias emissoras [...], destacou cenas hilárias, com o apresentador montando um burro no palco, caindo n’água ou escorregando num tapete.

    Era essa a mágica. O mesmo homem de bilhões de reais parecia o tiozão do pavê, aquele que dá vexame no fim da festa de casamento. Ao mesmo tempo em que exaltava o tamanho dos estúdios do SBT às margens da Via Anhanguera, em São Paulo, ele falava com o público como se estivesse dentro da casa das pessoas.

    Arriscou-se na política, sempre foi alinhado aos governos conservadores, colocou no ar, durante alguns anos, a Semana do Presidente, programete que resumia os feitos dos presidentes da República. Por outro lado, sempre abriu espaço para os artistas LGBTQIA + nos seus programas, o que só veio a acontecer em outras emissoras muito tempo depois. Incoerente total.

    Sei que muita gente agora vai dizer que “nunca assistiu Silvio Santos”. Humm. Desconfie. Que atire a primeira pedra quem não tentou adivinhar as melodias ocultas do Qual é a Música. Ou os mais jovens, que, no fim do domingo, completaram mentalmente alguma palavra do Roda a Roda Jequiti. Fora os da minha geração, que se lembram, com certeza, do Boa Noite, Cinderela, da infância, ou da Porta da Esperança, da juventude.

    Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial: o dono de emissora que cultivou no brasileiro o gosto por novelas mexicanas mesmo diante de uma produção nacional de qualidade reconhecida ou o multiempresário que, a partir da TV, fez negócios de sucesso, como a Telessena e os perfumes da Jequiti, que arrebatam até os artistas das concorrentes.

    Eu tenho um arsenal de lembranças, outro de críticas, mas, como estudioso de televisão, seria injusto deixar de reconhecer o valor de SS. Os acadêmicos já se debruçaram sobre essa história, há livros publicados sobre o fenômeno, registrando a grande herança de Silvio Santos: a capacidade de se comunicar com o público. Que me perdoem os influenciadores do presente, mas, nisso, ele era o mestre maior.

FERREIRA, Cláudio. Silvio Santos: o dono do auditório. Correio Braziliense, 18 de agosto de 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/08/6922583-odono-do-auditorio.html. Acesso em: 21 ago. 2024. Adaptado.
No trecho “A fórmula certeira — carisma do apresentador + atrações variadas + plateia animada — foi exaustivamente copiada e assimilada.” (4º parágrafo), o vocábulo em destaque pode ser substituído por: 
Alternativas
Q3333516 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.


Silvio Santos: o dono do auditório

Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial. Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira
Artigo de Cláudio Ferreira, jornalista e estudioso de televisão*

    Todas as reverências são poucas para homenagear Silvio Santos. Mesmo quem o considerava brega, ultrapassado, muitas vezes inconveniente tem que reconhecer: ele foi um empreendedor nato, desafiou vários padrões da televisão brasileira e pode ser considerado, sem medo, sinônimo do gênero programa de auditório.

    Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira: em preto e branco ou em cores, ao vivo ou gravado, com poucos ou muitos recursos tecnológicos. Ele era sempre a atração principal, dividindo os holofotes seja com artistas conhecidos, seja com os calouros anônimos ou as “colegas de trabalho”. Paletós com padronagens estranhas, o microfone pendurado no peito, o cacoete da língua nos lábios. Nosso amigo íntimo.

    Como empresário de TV, não descansou até conseguir montar sua rede de emissoras e lutou pela liderança de audiência — na maior parte do tempo, ficou com a vice ou o terceiro lugar. Era conhecido pela interferência direta na programação, o que provocava uma inconstância de horários de exibição e a retirada repentina de programas do ar. Mas deixava claro: quem mandava era ele.

    Consolidou o programa de auditório como atração televisiva. A fórmula certeira — carisma do apresentador + atrações variadas + plateia animada — foi exaustivamente copiada e assimilada. Chegou a ficar 12 horas no ar aos domingos, tornando-se, junto com a missa e a macarronada, parte do cardápio do fim de semana.

    Quem era criança a partir dos anos 1960 com certeza tem lembranças dos vários programas que Silvio Santos apresentou ao longo da carreira gigantesca. A narração sempre exagerada, o desfile de artistas populares, o jeito espontâneo — muitas vezes, até demais —, são muitas as características da presença do apresentador na TV. Tanto que o Rei dos Domingos povoa a internet com memes, que já existiam antes de serem batizados com essa expressão.

    Mesmo antes da TV fechada e dos streamings, muita gente já torcia o nariz para os exageros da TV aberta. E Silvio Santos era sinônimo de exagero: a cobertura jornalística da morte dele, que ocupou a programação de várias emissoras [...], destacou cenas hilárias, com o apresentador montando um burro no palco, caindo n’água ou escorregando num tapete.

    Era essa a mágica. O mesmo homem de bilhões de reais parecia o tiozão do pavê, aquele que dá vexame no fim da festa de casamento. Ao mesmo tempo em que exaltava o tamanho dos estúdios do SBT às margens da Via Anhanguera, em São Paulo, ele falava com o público como se estivesse dentro da casa das pessoas.

    Arriscou-se na política, sempre foi alinhado aos governos conservadores, colocou no ar, durante alguns anos, a Semana do Presidente, programete que resumia os feitos dos presidentes da República. Por outro lado, sempre abriu espaço para os artistas LGBTQIA + nos seus programas, o que só veio a acontecer em outras emissoras muito tempo depois. Incoerente total.

    Sei que muita gente agora vai dizer que “nunca assistiu Silvio Santos”. Humm. Desconfie. Que atire a primeira pedra quem não tentou adivinhar as melodias ocultas do Qual é a Música. Ou os mais jovens, que, no fim do domingo, completaram mentalmente alguma palavra do Roda a Roda Jequiti. Fora os da minha geração, que se lembram, com certeza, do Boa Noite, Cinderela, da infância, ou da Porta da Esperança, da juventude.

    Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial: o dono de emissora que cultivou no brasileiro o gosto por novelas mexicanas mesmo diante de uma produção nacional de qualidade reconhecida ou o multiempresário que, a partir da TV, fez negócios de sucesso, como a Telessena e os perfumes da Jequiti, que arrebatam até os artistas das concorrentes.

    Eu tenho um arsenal de lembranças, outro de críticas, mas, como estudioso de televisão, seria injusto deixar de reconhecer o valor de SS. Os acadêmicos já se debruçaram sobre essa história, há livros publicados sobre o fenômeno, registrando a grande herança de Silvio Santos: a capacidade de se comunicar com o público. Que me perdoem os influenciadores do presente, mas, nisso, ele era o mestre maior.

FERREIRA, Cláudio. Silvio Santos: o dono do auditório. Correio Braziliense, 18 de agosto de 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/08/6922583-odono-do-auditorio.html. Acesso em: 21 ago. 2024. Adaptado.
Qual das orações a seguir exprime um desejo do autor do artigo?
Alternativas
Q3333514 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.


Silvio Santos: o dono do auditório

Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial. Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira
Artigo de Cláudio Ferreira, jornalista e estudioso de televisão*

    Todas as reverências são poucas para homenagear Silvio Santos. Mesmo quem o considerava brega, ultrapassado, muitas vezes inconveniente tem que reconhecer: ele foi um empreendedor nato, desafiou vários padrões da televisão brasileira e pode ser considerado, sem medo, sinônimo do gênero programa de auditório.

    Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira: em preto e branco ou em cores, ao vivo ou gravado, com poucos ou muitos recursos tecnológicos. Ele era sempre a atração principal, dividindo os holofotes seja com artistas conhecidos, seja com os calouros anônimos ou as “colegas de trabalho”. Paletós com padronagens estranhas, o microfone pendurado no peito, o cacoete da língua nos lábios. Nosso amigo íntimo.

    Como empresário de TV, não descansou até conseguir montar sua rede de emissoras e lutou pela liderança de audiência — na maior parte do tempo, ficou com a vice ou o terceiro lugar. Era conhecido pela interferência direta na programação, o que provocava uma inconstância de horários de exibição e a retirada repentina de programas do ar. Mas deixava claro: quem mandava era ele.

    Consolidou o programa de auditório como atração televisiva. A fórmula certeira — carisma do apresentador + atrações variadas + plateia animada — foi exaustivamente copiada e assimilada. Chegou a ficar 12 horas no ar aos domingos, tornando-se, junto com a missa e a macarronada, parte do cardápio do fim de semana.

    Quem era criança a partir dos anos 1960 com certeza tem lembranças dos vários programas que Silvio Santos apresentou ao longo da carreira gigantesca. A narração sempre exagerada, o desfile de artistas populares, o jeito espontâneo — muitas vezes, até demais —, são muitas as características da presença do apresentador na TV. Tanto que o Rei dos Domingos povoa a internet com memes, que já existiam antes de serem batizados com essa expressão.

    Mesmo antes da TV fechada e dos streamings, muita gente já torcia o nariz para os exageros da TV aberta. E Silvio Santos era sinônimo de exagero: a cobertura jornalística da morte dele, que ocupou a programação de várias emissoras [...], destacou cenas hilárias, com o apresentador montando um burro no palco, caindo n’água ou escorregando num tapete.

    Era essa a mágica. O mesmo homem de bilhões de reais parecia o tiozão do pavê, aquele que dá vexame no fim da festa de casamento. Ao mesmo tempo em que exaltava o tamanho dos estúdios do SBT às margens da Via Anhanguera, em São Paulo, ele falava com o público como se estivesse dentro da casa das pessoas.

    Arriscou-se na política, sempre foi alinhado aos governos conservadores, colocou no ar, durante alguns anos, a Semana do Presidente, programete que resumia os feitos dos presidentes da República. Por outro lado, sempre abriu espaço para os artistas LGBTQIA + nos seus programas, o que só veio a acontecer em outras emissoras muito tempo depois. Incoerente total.

    Sei que muita gente agora vai dizer que “nunca assistiu Silvio Santos”. Humm. Desconfie. Que atire a primeira pedra quem não tentou adivinhar as melodias ocultas do Qual é a Música. Ou os mais jovens, que, no fim do domingo, completaram mentalmente alguma palavra do Roda a Roda Jequiti. Fora os da minha geração, que se lembram, com certeza, do Boa Noite, Cinderela, da infância, ou da Porta da Esperança, da juventude.

    Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial: o dono de emissora que cultivou no brasileiro o gosto por novelas mexicanas mesmo diante de uma produção nacional de qualidade reconhecida ou o multiempresário que, a partir da TV, fez negócios de sucesso, como a Telessena e os perfumes da Jequiti, que arrebatam até os artistas das concorrentes.

    Eu tenho um arsenal de lembranças, outro de críticas, mas, como estudioso de televisão, seria injusto deixar de reconhecer o valor de SS. Os acadêmicos já se debruçaram sobre essa história, há livros publicados sobre o fenômeno, registrando a grande herança de Silvio Santos: a capacidade de se comunicar com o público. Que me perdoem os influenciadores do presente, mas, nisso, ele era o mestre maior.

FERREIRA, Cláudio. Silvio Santos: o dono do auditório. Correio Braziliense, 18 de agosto de 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/08/6922583-odono-do-auditorio.html. Acesso em: 21 ago. 2024. Adaptado.
Qual das expressões a seguir NÃO funciona, no texto, para retomar o referente “Silvio Santos”?
Alternativas
Q3333513 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.


Silvio Santos: o dono do auditório

Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial. Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira
Artigo de Cláudio Ferreira, jornalista e estudioso de televisão*

    Todas as reverências são poucas para homenagear Silvio Santos. Mesmo quem o considerava brega, ultrapassado, muitas vezes inconveniente tem que reconhecer: ele foi um empreendedor nato, desafiou vários padrões da televisão brasileira e pode ser considerado, sem medo, sinônimo do gênero programa de auditório.

    Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira: em preto e branco ou em cores, ao vivo ou gravado, com poucos ou muitos recursos tecnológicos. Ele era sempre a atração principal, dividindo os holofotes seja com artistas conhecidos, seja com os calouros anônimos ou as “colegas de trabalho”. Paletós com padronagens estranhas, o microfone pendurado no peito, o cacoete da língua nos lábios. Nosso amigo íntimo.

    Como empresário de TV, não descansou até conseguir montar sua rede de emissoras e lutou pela liderança de audiência — na maior parte do tempo, ficou com a vice ou o terceiro lugar. Era conhecido pela interferência direta na programação, o que provocava uma inconstância de horários de exibição e a retirada repentina de programas do ar. Mas deixava claro: quem mandava era ele.

    Consolidou o programa de auditório como atração televisiva. A fórmula certeira — carisma do apresentador + atrações variadas + plateia animada — foi exaustivamente copiada e assimilada. Chegou a ficar 12 horas no ar aos domingos, tornando-se, junto com a missa e a macarronada, parte do cardápio do fim de semana.

    Quem era criança a partir dos anos 1960 com certeza tem lembranças dos vários programas que Silvio Santos apresentou ao longo da carreira gigantesca. A narração sempre exagerada, o desfile de artistas populares, o jeito espontâneo — muitas vezes, até demais —, são muitas as características da presença do apresentador na TV. Tanto que o Rei dos Domingos povoa a internet com memes, que já existiam antes de serem batizados com essa expressão.

    Mesmo antes da TV fechada e dos streamings, muita gente já torcia o nariz para os exageros da TV aberta. E Silvio Santos era sinônimo de exagero: a cobertura jornalística da morte dele, que ocupou a programação de várias emissoras [...], destacou cenas hilárias, com o apresentador montando um burro no palco, caindo n’água ou escorregando num tapete.

    Era essa a mágica. O mesmo homem de bilhões de reais parecia o tiozão do pavê, aquele que dá vexame no fim da festa de casamento. Ao mesmo tempo em que exaltava o tamanho dos estúdios do SBT às margens da Via Anhanguera, em São Paulo, ele falava com o público como se estivesse dentro da casa das pessoas.

    Arriscou-se na política, sempre foi alinhado aos governos conservadores, colocou no ar, durante alguns anos, a Semana do Presidente, programete que resumia os feitos dos presidentes da República. Por outro lado, sempre abriu espaço para os artistas LGBTQIA + nos seus programas, o que só veio a acontecer em outras emissoras muito tempo depois. Incoerente total.

    Sei que muita gente agora vai dizer que “nunca assistiu Silvio Santos”. Humm. Desconfie. Que atire a primeira pedra quem não tentou adivinhar as melodias ocultas do Qual é a Música. Ou os mais jovens, que, no fim do domingo, completaram mentalmente alguma palavra do Roda a Roda Jequiti. Fora os da minha geração, que se lembram, com certeza, do Boa Noite, Cinderela, da infância, ou da Porta da Esperança, da juventude.

    Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial: o dono de emissora que cultivou no brasileiro o gosto por novelas mexicanas mesmo diante de uma produção nacional de qualidade reconhecida ou o multiempresário que, a partir da TV, fez negócios de sucesso, como a Telessena e os perfumes da Jequiti, que arrebatam até os artistas das concorrentes.

    Eu tenho um arsenal de lembranças, outro de críticas, mas, como estudioso de televisão, seria injusto deixar de reconhecer o valor de SS. Os acadêmicos já se debruçaram sobre essa história, há livros publicados sobre o fenômeno, registrando a grande herança de Silvio Santos: a capacidade de se comunicar com o público. Que me perdoem os influenciadores do presente, mas, nisso, ele era o mestre maior.

FERREIRA, Cláudio. Silvio Santos: o dono do auditório. Correio Braziliense, 18 de agosto de 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/08/6922583-odono-do-auditorio.html. Acesso em: 21 ago. 2024. Adaptado.
No trecho “Mesmo antes da TV fechada e dos streamings, muita gente já torcia o nariz para os exageros da TV aberta.” (6º parágrafo), a expressão grifada significa:
Alternativas
Q3333511 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.


Silvio Santos: o dono do auditório

Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial. Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira
Artigo de Cláudio Ferreira, jornalista e estudioso de televisão*

    Todas as reverências são poucas para homenagear Silvio Santos. Mesmo quem o considerava brega, ultrapassado, muitas vezes inconveniente tem que reconhecer: ele foi um empreendedor nato, desafiou vários padrões da televisão brasileira e pode ser considerado, sem medo, sinônimo do gênero programa de auditório.

    Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira: em preto e branco ou em cores, ao vivo ou gravado, com poucos ou muitos recursos tecnológicos. Ele era sempre a atração principal, dividindo os holofotes seja com artistas conhecidos, seja com os calouros anônimos ou as “colegas de trabalho”. Paletós com padronagens estranhas, o microfone pendurado no peito, o cacoete da língua nos lábios. Nosso amigo íntimo.

    Como empresário de TV, não descansou até conseguir montar sua rede de emissoras e lutou pela liderança de audiência — na maior parte do tempo, ficou com a vice ou o terceiro lugar. Era conhecido pela interferência direta na programação, o que provocava uma inconstância de horários de exibição e a retirada repentina de programas do ar. Mas deixava claro: quem mandava era ele.

    Consolidou o programa de auditório como atração televisiva. A fórmula certeira — carisma do apresentador + atrações variadas + plateia animada — foi exaustivamente copiada e assimilada. Chegou a ficar 12 horas no ar aos domingos, tornando-se, junto com a missa e a macarronada, parte do cardápio do fim de semana.

    Quem era criança a partir dos anos 1960 com certeza tem lembranças dos vários programas que Silvio Santos apresentou ao longo da carreira gigantesca. A narração sempre exagerada, o desfile de artistas populares, o jeito espontâneo — muitas vezes, até demais —, são muitas as características da presença do apresentador na TV. Tanto que o Rei dos Domingos povoa a internet com memes, que já existiam antes de serem batizados com essa expressão.

    Mesmo antes da TV fechada e dos streamings, muita gente já torcia o nariz para os exageros da TV aberta. E Silvio Santos era sinônimo de exagero: a cobertura jornalística da morte dele, que ocupou a programação de várias emissoras [...], destacou cenas hilárias, com o apresentador montando um burro no palco, caindo n’água ou escorregando num tapete.

    Era essa a mágica. O mesmo homem de bilhões de reais parecia o tiozão do pavê, aquele que dá vexame no fim da festa de casamento. Ao mesmo tempo em que exaltava o tamanho dos estúdios do SBT às margens da Via Anhanguera, em São Paulo, ele falava com o público como se estivesse dentro da casa das pessoas.

    Arriscou-se na política, sempre foi alinhado aos governos conservadores, colocou no ar, durante alguns anos, a Semana do Presidente, programete que resumia os feitos dos presidentes da República. Por outro lado, sempre abriu espaço para os artistas LGBTQIA + nos seus programas, o que só veio a acontecer em outras emissoras muito tempo depois. Incoerente total.

    Sei que muita gente agora vai dizer que “nunca assistiu Silvio Santos”. Humm. Desconfie. Que atire a primeira pedra quem não tentou adivinhar as melodias ocultas do Qual é a Música. Ou os mais jovens, que, no fim do domingo, completaram mentalmente alguma palavra do Roda a Roda Jequiti. Fora os da minha geração, que se lembram, com certeza, do Boa Noite, Cinderela, da infância, ou da Porta da Esperança, da juventude.

    Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial: o dono de emissora que cultivou no brasileiro o gosto por novelas mexicanas mesmo diante de uma produção nacional de qualidade reconhecida ou o multiempresário que, a partir da TV, fez negócios de sucesso, como a Telessena e os perfumes da Jequiti, que arrebatam até os artistas das concorrentes.

    Eu tenho um arsenal de lembranças, outro de críticas, mas, como estudioso de televisão, seria injusto deixar de reconhecer o valor de SS. Os acadêmicos já se debruçaram sobre essa história, há livros publicados sobre o fenômeno, registrando a grande herança de Silvio Santos: a capacidade de se comunicar com o público. Que me perdoem os influenciadores do presente, mas, nisso, ele era o mestre maior.

FERREIRA, Cláudio. Silvio Santos: o dono do auditório. Correio Braziliense, 18 de agosto de 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/08/6922583-odono-do-auditorio.html. Acesso em: 21 ago. 2024. Adaptado.
Ao comparar o “homem de bilhões de reais” ao “tiozão do pavê” (7º parágrafo), o articulista teve a intenção de: 
Alternativas
Respostas
17561: D
17562: C
17563: A
17564: D
17565: D
17566: B
17567: C
17568: C
17569: D
17570: A
17571: C
17572: B
17573: C
17574: C
17575: B
17576: A
17577: E
17578: B
17579: E
17580: A