Já a expressão “pleonástica” (2§), se relaciona no texto com: 

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Q3544945 Português
'Ato jurídico perfeito e acabado'

1 Waldir Maranhão, o intrépido, fez das suas nesta semana. Logo depois que o nobilíssimo deputado perpetrou o que perpetrou, começou um desfile de opiniões e pareceres de juristas, políticos etc. Muitos deles disseram mais ou menos isto: "Waldir Maranhão alterou um ato jurídico perfeito e acabado".

2 Tomada ao pé da letra (mas muuuuito ao pé da letra), a expressão "perfeito e acabado" é pleonástica, redundante. O caro leitor já sabe do que estou falando? No uso efetivo da língua, sabemos todos que "perfeito" significa "em que não há defeito". É essa a primeira definição do "Houaiss" para "perfeito". A versão eletrônica do "Aulete" diz quase a mesma coisa: "Livre de defeito, que só possui boas qualidades".

3 Então por que será que afirmei que, ao pé da letra, mas muuuuito ao pé da letra, a construção "perfeito e acabado" é redundante?

4 Vamos pensar. "Beijado" é o particípio do verbo "beijar", certo? E "sofrido"? É do verbo "sofrer", assim como "resistido" é do verbo "resistir". Mais um pouquinho: "desfeito" é o particípio de "desfazer", assim como "refeito" é o de "refazer". E "perfeito"? É o particípio do verbo... Ou não é particípio coisa nenhuma? Sim, "perfeito" vem ao mundo como particípio (do verbo...).

5 De que verbo, caro leitor? Quer um empurrão? Vamos lá: "fazer/feito", "desfazer/desfeito", "refazer/refeito", "satisfazer/satisfeito"... Já sabe? Lá vai: "perfeito" é o particípio do verbo "perfazer", que significa...

6 Vamos ao "Houaiss", que dá estas três definições: "1. Tornar completo o número ou o valor de; 2. Dar conclusão a; terminar de fazer; 3. pôr em execução, fazer, realizar".

7 Os mais velhos certamente se lembram do uso de "perfazer" em frases como "Essa despesa perfaz X reais". Hoje em dia, pouco se ouve ou lê esse verbo, de cuja formação faz parte o prefixo latino "per-", o mesmo que se encontra, com os seus diversos matizes semânticos, em "perseguir", "pernoitar", "perdurar", "perpétuo", "perturbar" etc.

8 Por acaso nesse meio-tempo o caro leitor se lembrou dos nomes dos pretéritos do indicativo (imperfeito, perfeito e mais-que-perfeito)? 

9 O pretérito perfeito assim se chama porque expressa um fato acabado, totalmente concluído: "O intrépido Waldir Maranhão anulou a sessão da Câmara de 17 de abril e logo depois anulou essa anulação".

10 A forma verbal "anulou", do pretérito perfeito do indicativo, expressa fato passado totalmente concluído, por isso mesmo perfeito. A esta altura, é provável que muita gente já esteja esperando que a conversa se estenda aos outros pretéritos do modo indicativo (o imperfeito e o "assustador" mais-que-perfeito).

11 Vamos lá, pois. Compare estas frases: "A literatura a fazia voar"; "A literatura a fez voar". Que diferença há entre "fazia " e "fez"? Ambas se referem a fatos passados, mas a primeira indica processos repetidos, cujo término não se conhece, enquanto a segunda se refere a um processo totalmente concluído. Se "fez" é do pretérito perfeito, "fazia" só pode ser do imperfeito.

12 E o mais-que-perfeito? Dou uma dica: "fizera" equivale a "tinha/havia feito", assim como "lera" equivale a "tinha/havia lido". Veja: "Quando cheguei, ela já resolvera (= 'tinha/havia resolvido') o problema". Como se vê, o mais-queperfeito expressa fato passado, mais velho que outro, ambos já totalmente concluídos, isto é, perfeitos. É isso.

Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2016/05/1770272- ato-juridico-perfeito-e-acabado.shtml
Já a expressão “pleonástica” (2§), se relaciona no texto com: 
Alternativas

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Questão – Interpretação de Texto: Pleonasmo e Redundância

Tema central: A questão envolve interpretação de texto e o reconhecimento do recurso linguístico denominado pleonasmo, ou seja, a redundância de sentido advinda do uso de expressões cujos termos se repetem semanticamente.

Entendendo o conceito: Pleonasmo é, conforme Cunha & Cintra, “a repetição viciosa ou expressiva de um significado já contido em uma das palavras”, como em “entrar para dentro”. No texto, o autor afirma que a expressão “perfeito e acabado” é pleonástica, pois ambos os adjetivos, em leitura literal, denotam completude.

Justificativa para a alternativa correta (B):
A alternativa B) “Uma certa redundância a respeito da expressão ‘ato jurídico perfeito e acabado’” é a correta, pois respeita a nuance do texto: o autor destaca a existência de uma redundância percebida apenas em análise muito literal – “muuuito ao pé da letra”. Ou seja, não se afirma uma redundância inquestionável e absoluta, mas reconhece-se que ela existe em algum grau.

Análise das alternativas incorretas:

A) Fala em “certeza da redundância”. O texto, porém, relativiza esse excesso, condicionando-o ao olhar “ao pé da letra”. Não há certeza categórica.

C) Sugere “falta de total certeza”. Contudo, o autor opina que há, sim, certa redundância, embora só saliente sob análise minuciosa – não há dúvidas sobre o fenômeno.

D) Atribui “alto grau de redundância”. Não foi isso que o texto sugere; a redundância não é taxada de “alta”, mas, sim, circunstancial e dependente do modo como se analisa.

E) Afirma que a expressão é “muito redundante”. O texto não classifica a redundância como “intensa”, mas apenas possível em análise muito literal.

Dica de estratégia:
Em questões de interpretação, verifique sempre se o texto faz afirmações absolutas ou ressalvas (expressões como “no fundo”, “ao pé da letra”, “em algum grau”). Muitas alternativas erradas se apoiam em interpretações maximalistas!

Referência teórica: Segundo Evanildo Bechara, pleonasmo é aceitável se produzido de modo intencional e expressivo, mas caracteriza vício de linguagem se desnecessário.

Resumo final: A alternativa B reflete com precisão o sentido atribuído pelo autor à expressão “pleonástica” no texto, pois reconhece uma “certa redundância”, e não um excesso absoluto ou obrigatório.

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