O texto faz referência a uma postura bifronte de instituiçõe...

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Q3545236 Português
    Outro fator impactante nas relações científico-acadêmicas brasileiras com o restante das universidades estrangeiras decorre de uma posição poucas vezes debatida. 

    Com efeito, a maior parte das universidades e centros de pesquisa brasileiros assumem uma posição específica na busca de sua inserção internacional, almejando certo reconhecimento da parte de centros de pesquisa consagrados internacionalmente. E não há nenhum reparo nessa conduta. Todavia, entendo que não deva ser adotada, exclusivamente, essa linha de inserção. 

    A posição ocupada pelo Brasil, tradicionalmente, no mundo, seja nos aspectos econômico, político, diplomático e, também, científico, é uma posição intermediária. Olhar para o topo da pirâmide, quando se encontra inserido num estrato intermediário pode representar o desejado motor para o desenvolvimento científico nacional e a consequente inserção na elaboração da ciência global. O que não se defende é a atitude de olhar apenas para o topo dessa “cadeia alimentar”. 

    A circunstância de se estar situado numa camada intermédia do desenvolvimento científico e na percepção da medida de impacto que essa ciência é capaz de desempenhar exige das universidades, dos centros de pesquisa, dos pesquisadores e dos cientistas uma postura bifronte: ao mesmo tempo em que se deve olhar para cima, isto é, para a pesquisa de ponta realizada em grandes centros, pois essa atitude pode auxiliar a inserção internacional, também é necessário reconhecer que uma verdadeira inserção internacional se faz efetiva quando acompanhada de outro importante fator: o da transferência do conhecimento àqueles que ainda não o dominavam. Quando se olha para baixo, ou seja, para a pesquisa realizada em centros menos óbvios de pesquisa e difusão científica, garante-se, do mesmo modo, inserção internacional, mas uma inserção que se faz acompanhar por uma difusão social do conhecimento desenvolvido naquele centro.


A pandemia como oportunidade de intercâmbio acadêmico e científico por meio de uma internacionalização inclusiva. Gustavo Ferraz de Campos Monaco
O texto faz referência a uma postura bifronte de instituições que buscam inserção acadêmica internacional e se encontram situadas a meio do caminho do desenvolvimento científico e tecnológico. Pode-se afirmar que, segundo o autor, a postura bifronte é 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Interpretação de Texto, com foco em identificar a tese e argumentação do autor sobre o papel das instituições científicas brasileiras na internacionalização.

O que o texto exige? O candidato precisa apreender o sentido preciso da expressão "postura bifronte" e identificar, com base nos argumentos do autor, se há preferência por um dos polos (centros desenvolvidos ou menos desenvolvidos) ou se a recomendação é a integração equitativa de ambos.

Justificativa da Alternativa C (correta):

O texto afirma que a “postura bifronte” das universidades brasileiras implica olhar tanto para centros de pesquisa internacionalmente reconhecidos quanto para os menos desenvolvidos. Não há indicação de preferência exclusiva ou predominância de um sobre outro, mas sim, a defesa de sua complementaridade para alcançar uma verdadeira inserção internacional.
Esta interpretação decorre da análise do trecho “ao mesmo tempo em que se deve olhar para cima… também é necessário reconhecer… olhando para baixo…”. Ou seja, ambos são considerados igualmente essenciais, o que fundamenta a assertiva: “desejável, sem expressar preferência”.

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta: Afirma preferência pelos centros consagrados. O autor deixa claro que não defende a adoção “exclusiva” dessa linha.
B) Incorreta: Limita a preferência aos centros menos desenvolvidos, desconsiderando a postura bifronte.
D) Incorreta: Considera a postura bifronte recriminável, posição oposta à defendida no texto.
E) Incorreta: Também atribui valor negativo à postura bifronte e restringe o sentido de internacionalização.

Dica de interpretação para concursos: Atenção a palavras-chave como “ao mesmo tempo” ou “também”, que indicam soma de ideias. Esse tipo de conectivo costuma sinalizar a defesa de equilíbrio, não de exclusividade.

Fundamentação teórica: Segundo Ingedore Villaça Koch, a coesão e coerência orientam a correta relação entre as ideias no texto, sendo fundamental interpretar os vínculos de sentido e oposição/soma (como no caso da postura bifronte).

Resumo: O autor defende a postura bifronte como desejável e sem preferência por um polo. O raciocínio é guiado por interpretação integral do texto e atenção aos mecanismos de coesão.

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