O texto é composto por sequências textuais do tipo:

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3544942 Português
'Ato jurídico perfeito e acabado'

1 Waldir Maranhão, o intrépido, fez das suas nesta semana. Logo depois que o nobilíssimo deputado perpetrou o que perpetrou, começou um desfile de opiniões e pareceres de juristas, políticos etc. Muitos deles disseram mais ou menos isto: "Waldir Maranhão alterou um ato jurídico perfeito e acabado".

2 Tomada ao pé da letra (mas muuuuito ao pé da letra), a expressão "perfeito e acabado" é pleonástica, redundante. O caro leitor já sabe do que estou falando? No uso efetivo da língua, sabemos todos que "perfeito" significa "em que não há defeito". É essa a primeira definição do "Houaiss" para "perfeito". A versão eletrônica do "Aulete" diz quase a mesma coisa: "Livre de defeito, que só possui boas qualidades".

3 Então por que será que afirmei que, ao pé da letra, mas muuuuito ao pé da letra, a construção "perfeito e acabado" é redundante?

4 Vamos pensar. "Beijado" é o particípio do verbo "beijar", certo? E "sofrido"? É do verbo "sofrer", assim como "resistido" é do verbo "resistir". Mais um pouquinho: "desfeito" é o particípio de "desfazer", assim como "refeito" é o de "refazer". E "perfeito"? É o particípio do verbo... Ou não é particípio coisa nenhuma? Sim, "perfeito" vem ao mundo como particípio (do verbo...).

5 De que verbo, caro leitor? Quer um empurrão? Vamos lá: "fazer/feito", "desfazer/desfeito", "refazer/refeito", "satisfazer/satisfeito"... Já sabe? Lá vai: "perfeito" é o particípio do verbo "perfazer", que significa...

6 Vamos ao "Houaiss", que dá estas três definições: "1. Tornar completo o número ou o valor de; 2. Dar conclusão a; terminar de fazer; 3. pôr em execução, fazer, realizar".

7 Os mais velhos certamente se lembram do uso de "perfazer" em frases como "Essa despesa perfaz X reais". Hoje em dia, pouco se ouve ou lê esse verbo, de cuja formação faz parte o prefixo latino "per-", o mesmo que se encontra, com os seus diversos matizes semânticos, em "perseguir", "pernoitar", "perdurar", "perpétuo", "perturbar" etc.

8 Por acaso nesse meio-tempo o caro leitor se lembrou dos nomes dos pretéritos do indicativo (imperfeito, perfeito e mais-que-perfeito)? 

9 O pretérito perfeito assim se chama porque expressa um fato acabado, totalmente concluído: "O intrépido Waldir Maranhão anulou a sessão da Câmara de 17 de abril e logo depois anulou essa anulação".

10 A forma verbal "anulou", do pretérito perfeito do indicativo, expressa fato passado totalmente concluído, por isso mesmo perfeito. A esta altura, é provável que muita gente já esteja esperando que a conversa se estenda aos outros pretéritos do modo indicativo (o imperfeito e o "assustador" mais-que-perfeito).

11 Vamos lá, pois. Compare estas frases: "A literatura a fazia voar"; "A literatura a fez voar". Que diferença há entre "fazia " e "fez"? Ambas se referem a fatos passados, mas a primeira indica processos repetidos, cujo término não se conhece, enquanto a segunda se refere a um processo totalmente concluído. Se "fez" é do pretérito perfeito, "fazia" só pode ser do imperfeito.

12 E o mais-que-perfeito? Dou uma dica: "fizera" equivale a "tinha/havia feito", assim como "lera" equivale a "tinha/havia lido". Veja: "Quando cheguei, ela já resolvera (= 'tinha/havia resolvido') o problema". Como se vê, o mais-queperfeito expressa fato passado, mais velho que outro, ambos já totalmente concluídos, isto é, perfeitos. É isso.

Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2016/05/1770272- ato-juridico-perfeito-e-acabado.shtml
O texto é composto por sequências textuais do tipo:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Comentário do Gabarito — Questão sobre Tipologia Textual

Tema central: A questão exige identificar as sequências textuais predominantes de um texto jornalístico/dissertativo, habilidade fundamental em provas de interpretação de textos, especialmente para concursos na área da educação.

Explicação e regra envolvida:

Na tipologia textual, os principais tipos de sequências são: narrativa (relato de eventos), descritiva (caracterização), expositiva (explicação ou análise), argumentativa (defesa de um ponto de vista) e injuntiva (orientação, instrução). O Manual de Redação da Presidência da República e gramáticas de referência como Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) abordam tais classificações com ênfase na clareza das funções de cada sequência.

Justificativa da alternativa correta (A): Expositivas e argumentativas

O texto explica termos gramaticais (expositivo), como as definições de perfeito e acabado, suas origens, além de defender a tese de que a expressão “ato jurídico perfeito e acabado” é pleonástica (argumentativo). O autor utiliza exemplos, cita dicionários e compara conceitos, aprofundando o raciocínio crítico—um claro recurso argumentativo, conforme pontuam Marcuschi e Koch.

Análise das alternativas incorretas:

B) Narrativas e injuntivas — Não há relato de fatos em sequência (narrativa), nem instruções (injuntiva), apenas exposição e argumentação.

C) Apenas descritivas — Apesar das explicações, não há foco em descrição pura de características ou cenários.

D) Apenas expositivas — O texto vai além da mera exposição, pois apresenta uma linha de raciocínio para defender um entendimento.

E) Injuntivas e descritivas — Os elementos centrais do texto não são instruções nem descrições minuciosas.

Dica de estratégia: Sempre observe se o autor apenas expõe informações (expositivo) ou também defende uma tese (argumentativo). Atenção quando o texto traz explicações seguidas de justificativas ou questionamentos — isso geralmente indica presença de argumentação.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo