Questões de Concurso Sobre funções morfossintáticas da palavra se em português

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Q4043395 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.


Serena filosofia


    Abro a janela na clara manhã de um sábado de verão. Dois sabiás cantam no galho de uma laranjeira. Tudo o mais e silêncio. Estendo os olhos para o pomar e vejo os cães deitados na grama, em busca de um raio de sol. A quietude do instante me abraça. Lembro das minhas amadas tias e um pedaço da infância me visita novamente. Seus nomes - Assunta, Pasquina e Giacomina - estão gravados em mim como um diamante lapidado pelo afeto. Fomos para elas, eu e minha irmã, filhos nascidos do bem-querer. Bordavam de ternura nossos dias, deixando um rastro de proteção e amor que persiste.

      Quando o dia se levanta, passeio pelo jardim e encontro as roseiras e os hibiscos florescendo. Um vento suave faz as plantas parecerem mais vivas ainda. Como no verso de um velho poeta chinês, é preciso pisar com cuidado para não matar, involuntariamente, tantas vidas miúdas que merecem continuar existindo tanto quanto nos. Evito ocupar-me com atividades rotineiras e deixo-me simplesmente ser. Ao visitar a biblioteca, abro um livro de poesia. Eis aqui a primeira refeição para a alma, como se ela amaciasse os problemas reais ou imaginários. Afastado da ansiedade, pertenço ao momento que me habita. Penso em Buda, em Jesus... seres que alcançaram um alto patamar de consciência. Fico em sua companhia ate me chamarem para cumprir uma tarefa de ordem cotidiana.

    Amigos me perguntam se sou feliz e respondo sem pestanejar: sim, como se isso fosse uma condição natural do humano. Estar imerso nela significa vigília permanente para arrancar a erva daninha da vaidade, do desejo pelo poder e da incapacidade de ver o outro como um igual em meio a um mundo de competição desenfreada. Extraio beleza no milagre de sentir-se bem no corpo e na mente. A memoria salva da ferrugem mefaz acolher mentalmente cada ser do planeta. Os que estão próximos e também os que voltaram a se integrar ao todo. O Eu, tão enganoso, representa a falsa verdade da separação. Assim, morrer não e algo ruim, mas apenas o retorno de onde ignoro ter vindo.

    A tarde vai se debruçando, vestindo de sombras as bromélias e as íris. Caminhar me deixa entorpecido de alegria. Em meio ao bosque, observo com atenção os troncos antigos das árvores. Eles são nutridos pela seiva circulando em seu interior. Como nós pelo sangue. Tudo se esforça para perseverar. A vontade de ser, como uma espécie de revolta contra o inevitável fim. Luta vã, pois necessitamos ceder lugar para o novo.

      Instalo-me dentro da noite banhado pela gratidão. Um filme, uma xícara de café com leite, o sono me espiando entre os lençóis macios. A eternidade do agora. A serena filosofia que me guarda na palma de suas mãos. Desconheço a orfandade. Sou uma multidão.


Autor: Gilmar Marcilio - GZH (adaptado). 
No período Amigos me perguntam se sou feliz e respondo sem pestanejar: sim, a oração iniciada por se completa o sentido de uma forma verbal anterior, desempenhando função sintática própria de                  . Por isso, classifica-se como oração subordinada substantiva                  . 

Qual alternativa preenche, CORRETA e respectivamente, as lacunas acima? 
Alternativas
Q4040586 Português

A finalidade da sociedade e o bem comum

Por Gazeta do Povo

(Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao – texto adaptado especialmente para esta prova).

No último período do texto, as duas ocorrências da conjunção “se” expressam:
Alternativas
Q4039268 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


    Para a filósofa estadunidense Nancy Fraser, o conceito de justiça social funde-se em duas frentes, sendo uma delas a do reconhecimento, referente à existência e à visibilidade de um determinado grupo ou indivíduo perante o poder público e a sociedade. Nesse viés, a fim do efetivo asseguramento da cidadania de seus indivíduos, o corpo estatal exige a materialização do existir de seus cidadãos mediante documentos oficiais, os quais proporcionam o acesso a prerrogativas e serviços que lhes cabem aos indivíduos registrados. No entanto, não raras são as ocasiões em que não há tais registros, o que levanta debates acerca da importância dos documentos civis e da devida regularização dos cidadãos à garantia de acesso à cidadania plena e, portanto, à visibilidade, no Brasil, embasados, sobretudo, na oportunidade de indivíduos alijados à sociedade ascenderem de condições de vida, somada à possibilidade de estes construírem seu verdadeiro “eu”. Tendo isso em vista, o Estado deve agir visando à facilitação e à democratização de tal processo civil.

    De início, é notório o caráter indispensável do registro civil na promoção da cidadania, em especial, de indivíduos à margem da sociedade e da atuação do poder público, possibilitando sua ascensão social. Segundo o geógrafo Milton Santos, o Brasil vive um cenário de cidadanias mutiladas, em que, embora a Constituição preveja, de forma universal e indistinta, o acesso a prerrogativas, estas não são efetivamente consubstanciadas na prática, engendrando disparidades sociais baseadas, principalmente, no poder econômico dos membros da sociedade. Nesse contexto, pessoas em uma posição inferior de pirâmide social têm seus direitos renegados, em uma estrutura baseada no capital, restando ao Estado o dever de, ainda que parcialmente, complementar a iniciativa privada na oferta de serviços e de prerrogativas mercantilizadas, em busca de uma conjuntura de maior equidade social. Dessa forma, o registro civil, ao estabelecer a conexão indivíduo-poder público, permite que este atue de forma localizada e eficiente sobre comunidades ou cidadãos, com o fito de promover sua ascensão social, tendo o documento papel primordial nesse intermédio.

   Além disso, já em um âmbito existencialista, a regularização do indivíduo, ao materializar sua existência, fornece um importante amparo na síntese de seu verdadeiro “eu”. Conforme o filósofo Jean-Paul Sartre, o homem é dotado de liberdade para construir sua essência, mediante tomadas de decisões, porém apenas quando sobre ela precede a existência humana. Nessa perspectiva, o fato de existir é imprescindível para que o cidadão, em seu íntimo, seja capaz de, ao longo de sua vivência, sintetizar quem ele realmente é, com toda a liberdade intrínseca a sua existência. Desse modo, o registro civil de uma família, por exemplo, permitirá que esta, sob um regime de supervisão e auxílio do Estado, seja atriz de sua própria história, definindo a essência de cada um de seus membros e sintetizando, de forma ativa, seu legado a gerações futuras, tornando-se mais visíveis a elas, ao corpo estatal e à sociedade como um todo, o que ressalta sua cidadania.

   Portanto, em vista dos benefícios inerentes ao registro civil e sua facilitação, no que se refere à cidadania, faz-se necessário que o Estado, através de parcerias entre as esferas federal, estadual e municipal, democratize a retirada de documentos cidadãos, por meio da construção de centros de registro e cartórios em zonas periféricas ou interioranas, os quais disponibilizem atendimento integral e direcionado a indivíduos de baixa renda que não tiveram a oportunidade de reivindicar seus documentos. A finalidade de tal ação é ampliar e garantir o acesso à cidadania plena no Brasil, já que esta só pode ser integralmente alcançada, na maioria dos casos, com, no mínimo, a certidão de nascimento, justamente por informar o poder público a respeito de sua existência como cidadão. Somente assim, poder-se-á construir um cenário de justiça social e de reconhecimento igualitário dos indivíduos perante o corpo social e estatal, universalizando prerrogativas e fazendo da sociedade uma instituição harmoniosa e, em seu conjunto, cidadã.


Fonte: arquivo pessoal do elaborador
O uso do pronome no verbo em destaque no trecho “Somente assim, poder-se-á construir um cenário de justiça social e de reconhecimento igualitário dos indivíduos perante o corpo social e estatal, [...]”, presente no texto, pode ser substituído, sem prejuízo semântico ao texto, respeitando-se a conjugação verbal, pela seguinte construção: 
Alternativas
Q4038476 Português

Para responder à questão, leia a charge abaixo.


                                                            


Fonte: Cazo

Na charge, o homem que destrói a natureza dirige-se ao pássaro com a seguinte estrutura: NÃO SE PREOCUPE. Sobre a formulação dessa fala, avalie as afirmações a seguir:
I. Ao utilizar a forma verbal PREOCUPE associada ao pronome oblíquo SE, o personagem adota uma forma de tratamento direcionada à terceira pessoa (você), o que marca adequadamente o diálogo com o seu ouvinte.
II. O termo NÃO classifica-se morfologicamente como um advérbio de negação, atuando ativamente no período para alterar e inverter o sentido afirmativo original do verbo.
III. Para garantir o nível extremo de linguagem formal, as regras da Língua Portuguesa determinam que o pronome de tratamento Vossa Majestade seja utilizado de forma obrigatória em qualquer conversa com animais na natureza.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4037961 Português
Leia o texto 8 para responder à questão.


Texto 8

O coração no ritmo da terra

Q14_15.png (696×226)


KRENAK, Ailton. Futuro Ancestral. 1.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p. 113-114.
Com base no texto 8 e na variedade padrão da língua escrita, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4027047 Português
Considere o seguinte período: "Entregaram-se os prêmios aos alunos que se dedicaram durante o ano letivo."
Sobre a estrutura sintático-semântica desse enunciado, analise as assertivas abaixo:

I. A colocação pronominal em "Entregaram-se" caracteriza-se como ênclise, uma vez que o pronome oblíquo "se" está posposto ao verbo, em conformidade com a norma-padrão que recomenda essa posição quando o verbo inicia a oração.

II. O termo "os prêmios" exerce a função sintática de objeto direto, enquanto "aos alunos" funciona como objeto indireto, complementando o verbo "entregar", que é transitivo direto e indireto.

III. O pronome "se" presente em "que se dedicaram" classifica-se como pronome apassivador, uma vez que a oração pode ser convertida para a voz passiva analítica sem prejuízo de sentido.

IV. A oração adjetiva "que se dedicaram durante o ano letivo" possui caráter restritivo, restringindo o sentido do antecedente "alunos" apenas àqueles que efetivamente se dedicaram, sendo essa uma informação essencial para a compreensão do enunciado.

V. Caso o pronome "se" fosse deslocado para antes do verbo na primeira oração ("Se entregaram os prêmios aos alunos"), a frase continuaria gramaticalmente aceita pela norma-padrão, por se tratar de próclise facultativa em inícios de oração.


Estão CORRETAS apenas as assertivas:
Alternativas
Q4026348 Português
ENTRE O SOFÁ E A MARATONA


Bruno Gualano


   Há cada vez mais indícios de que pequenas mudanças no estilo de vida fazem diferença. A evidência mais recente vem de uma ampla revisão sistemática que estimou a proporção de mortes potencialmente evitáveis caso fossem implementadas alterações pequenas e realistas na atividade física e no comportamento sedentário em nível populacional.

   Especificamente, os pesquisadores avaliaram o impacto de um acréscimo de meros cinco minutos por dia de atividade física de intensidade moderada a vigorosa – aquela que acelera os batimentos cardíacos e a respiração – e da redução de 30 minutos no tempo diário sentado.

   A meta-análise reuniu dados individuais de sete coortes da Noruega, Suécia e Estados Unidos, totalizando 40.327 participantes, além de uma análise separada com 94.719 participantes do UK Biobank.

   As estimativas consideraram dois cenários hipotéticos: no menos otimista, apenas os 20% menos ativos adotariam as mudanças; no mais animador, todos cumpririam as metas, exceto os 20% mais ativos.

  No primeiro cenário, um aumento de apenas cinco minutos diários de atividade moderada a vigorosa poderia prevenir 6% das mortes entre os menos ativos. No segundo, a prevenção chegaria a 10%.

  Com a redução de 30 minutos no tempo sentado, estimou-se uma prevenção de 3% das mortes no cenário menos otimista; no mais favorável, essa proporção mais do que dobraria.

  Curiosamente, as simulações indicam maiores benefícios justamente entre os menos ativos. Aumentar a atividade física de 1 para 11 minutos por dia associou-se a uma redução de 42% no risco de mortalidade, enquanto incrementos em níveis já elevados de atividade renderam ganhos menores. Para acréscimos superiores a 24 minutos por dia, por exemplo, não se observou redução adicional evidente no risco.

  Em análise complementar, até mesmo o aumento de 30 minutos de atividade física leve – como tarefas domésticas ou caminhada lenta – associou-se à prevenção de cerca de 9% das mortes entre os mais inativos. À primeira vista pode parecer pouco, mas vale lembrar que uma redução de 5 mmHg na pressão arterial por meio de medicamentos reduz o risco de eventos cardiovasculares em magnitude semelhante.

  Como destacam os autores, é improvável que toda a população alcance as diretrizes da OMS (150 minutos de atividade física por semana). Ainda assim, metas factíveis – ainda que modestas e abaixo do ideal – podem gerar impacto relevante em saúde pública, sem impor frustração a quem, por um motivo ou outro, não consegue cumprir as recomendações. 

  Os novos achados reforçam a ideia de que, quando o assunto é movimento, cada minuto conta. Subir escadas, interromper longos períodos diante da tela com breves caminhadas em ritmo moderado (4-5 km/h), passear com o cachorro na praça, praticar o esporte preferido (ainda que apenas nos fins de semana) e até cair na folia do Carnaval são formas acessíveis de se manter ativo, com potencial real de melhorar a saúde e a qualidade de vida.

  À medida que as evidências se acumulam, torna-se cada vez mais claro que os benefícios da atividade física não exigem esforços extraordinários. Mudanças sutis já produzem ganhos mensuráveis e podem abrir caminho para transformações mais profundas.

  No mundo fitness, entretanto, a mensagem que vigora é “no pain, no gain” – a noção de que só há resultados quando o corpo é levado ao limite. Prefira a versão da ciência: entre o sofá e a maratona, há um meio do caminho possível que também conduz à longevidade.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/brunogualano/2026/02/entre-o-sofa-e-a-maratona.shtml. Acesso em: 3 mar. 2026.
Tendo em vista as regras de colocação pronominal da língua portuguesa, considerando o “se” em destaque, assinale a alternativa em que a reescrita proposta se mantém condizente com a norma-padrão.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FUNDATEC Órgão: IFC-SC Provas: FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Administração | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Letras/Libras | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Educação Física | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Física | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Medicina Veterinária: Microbiologia | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Filosofia | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Cães-Guia | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Fitotecnia - Fruticultura | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Computação | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Informática: Banco de Dados | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Pedagogia do Campo: Gestão Educacional | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Informática | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Produção Animal | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Atendimento Educacional Especializado | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - História | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Química | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Engenharia Agrícola | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Engenharia de Alimentos | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Engenharia Elétrica: Eletrotécnica | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Agrimensura | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Biologia | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Informática: Linguagens de Programação | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Informática: Programação Básica e Programação Web | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Defesa Civil | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Informática: Hardware e Redes | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Matemática | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Zootecnia | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Educação Matemática | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Informática: Programação de Sistemas | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Informática: Engenharia de Software e Banco de Dados | FUNDATEC - 2026 - IFC-SC - Professor EBTT - Geografia |
Q4023928 Português
Considerando os trechos a seguir, retirados do texto, assinale a alternativa na qual a palavra “se” tenha sido empregada como índice de indeterminação do sujeito.
Alternativas
Q4023141 Português

    Medos e fobias compõem uma lista breve e universal. Cobras e aranhas sempre amedrontam. São o que mais comumente provoca medo e asco em estudantes universitários cujas fobias foram estudadas; isso tem sido assim por muito tempo em nossa história evolutiva. Donald Hebb constatou que chimpanzés nascidos em cativeiro gritam aterrorizados quando veem uma cobra pela primeira vez. Mesmo nas culturas que veneram as serpentes, as pessoas as tratam com muita cautela.


    Os outros medos comuns são de altura, tempestades, grandes carnívoros, escuridão, sangue, estranhos, confinamento, águas profundas, escrutínio social e deixar a casa sozinha. A linha comum é óbvia: essas são as situações que punham em perigo nossos ancestrais. Aranhas e cobras frequentemente são venenosas, em especial na África, e a maioria dos outros medos representa perigos evidentes para a saúde de um coletor de alimentos ou, no caso do escrutínio social, para o status. O medo é a emoção que motivava nossos ancestrais a lidar com os perigos que tendiam a encontrar.


    O medo provavelmente consiste em várias emoções. Fobias de coisas físicas, de escrutínio social e de deixar a casa sozinha reagem a diferentes tipos de drogas, o que é um indício de que são computadas por circuitos cerebrais distintos. O psiquiatra Isaac Marks demonstrou que as pessoas reagem de modos diferentes a diferentes estímulos atemorizantes, sendo cada reação apropriada ao perigo. Um animal desencadeia o ímpeto de fugir, mas um precipício faz a pessoa ficar petrificada. Ameaças sociais conduzem à timidez e a gestos de apaziguamento. Há pessoas que realmente desmaiam ao ver sangue, pois sua pressão sanguínea cai, presumivelmente uma reação que minimizaria uma perda adicional de sangue.


    A melhor evidência de que medos são adaptações, e não apenas erros do sistema nervoso, é que os animais que evoluíram em ilhas sem predadores perdem o medo e se tornam presas fáceis para qualquer invasor. Os medos dos atuais habitantes das cidades protegem-nos de perigos que não existem mais e deixam de nos proteger dos perigos do mundo que nos cerca. Deveríamos ter medo de armas de fogo, de dirigir em alta velocidade, de andar de carro sem cinto de segurança, de fluido de isqueiro e do secador de cabelo perto da banheira, e não de cobras e aranhas. Os responsáveis pela segurança pública tentam incutir o medo no coração dos cidadãos usando todos os recursos, das estatísticas às fotografias chocantes, geralmente em vão. Os pais gritam e castigam os filhos para impedi-los de brincar com fósforos ou de correr atrás da bola na rua, mas, quando se perguntou a estudantes de séries iniciais em Chicago o que eles mais temiam, as crianças citaram leões, tigres e cobras — perigos improváveis naquela cidade.


Steven Pinker. O cheiro do medo. In: Como a mente funciona.

Laura Motta (Trad.). São Paulo: Companhia das Letras, 1998 (com adaptações).



Julgue o item a seguir, referente às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente

No segmento “quando se perguntou a estudantes de séries iniciais em Chicago o que eles mais temiam” (último parágrafo), o emprego do vocábulo “se” indica que o sujeito da primeira oração é indeterminado
Alternativas
Ano: 2026 Banca: INAZ do Pará Órgão: Prefeitura de Mazagão - AP Provas: INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Analista Administrativo | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Contador | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Economista | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Educador Físico | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Enfermeiro | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Engenheiro Agrônomo | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Administrador | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Professor de Língua Portuguesa | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Arquiteto | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Professor de Matemática | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Psicólogo | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Psicopedagogo | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Pedagogo - Educação Inclusiva Especial | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Assessor Jurídico | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Professor de Educação Física | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Professor de Educação Infantil | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Geógrafo | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Professor de Ensino Fundamental | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Nutricionista | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Neuropsicólogo | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Pedagogo | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Engenheiro Ambiental | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Engenheiro Civil | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Engenheiro de Pesca | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Engenheiro Florestal | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Farmacêutico | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Fisioterapeuta | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Assistente Social | INAZ do Pará - 2026 - Prefeitura de Mazagão - AP - Auditor Fiscal |
Q4022113 Português
Analise as ocorrências da partícula “se” nas seguintes orações:

I. “Não se trata de uma ação de indenização por danos materiais, mas de obrigação de fazer.”
II. “Os documentos extraviaram-se durante a tramitação do processo na secretaria.”
III. “Precisa-se de intérpretes para a audiência com a comunidade indígena.”
IV. “O réu feriu-se com a própria arma durante a discussão, segundo a perícia.”
As funções da partícula “se” são, respectivamente:
Alternativas
Q4022002 Português
Leia as orações abaixo e, em seguida, assinale a alternativa que classifica CORRETAMENTE a função sintática do termo "se" em cada uma delas.

1. Precisava-se de estagiários com urgência na repartição.
2. Os candidatos prepararam-se durante meses para a prova.
3. Construiu-se um novo viaduto para desafogar o trânsito.
Alternativas
Q4019379 Português
        No âmbito do Conselho Regional dos Técnicos em Radiologia da 12ª Região (CRTR‑12), a atuação administrativa transcende a mera execução de rotinas burocráticas, pois se vincula diretamente à concretização do interesse público e à observância dos princípios constitucionais que regem a Administração Pública. A legalidade impõe que todo ato administrativo encontre fundamento normativo; a impessoalidade, por sua vez, veda favorecimentos indevidos; a moralidade exige conformidade ética; a publicidade assegura transparência; e a eficiência orienta a obtenção de resultados com economicidade.

         Ao receber requerimentos, o setor competente deve verificar se os documentos apresentados atendem às exigências regulamentares; não os atendendo, impõe‑se a intimação do interessado para saneamento das irregularidades, sob pena de arquivamento do processo. Tal procedimento, além de garantir segurança jurídica, previne nulidades decorrentes de vícios formais.

        A redação oficial, nesse contexto, demanda precisão vocabular e rigor sintático, evitando construções ambíguas que possam comprometer a interpretação dos atos administrativos. Não raro, impropriedades linguísticas ainda que sutis – produzem efeitos jurídicos indesejáveis, sobretudo quando alteram o alcance semântico de determinações normativas.

        Assim, o desempenho das atribuições administrativas pressupõe domínio da norma‑padrão, compreensão dos mecanismos de coesão e coerência textual e atenção às regras de concordância, regência e pontuação, cuja inobservância pode acarretar prejuízos institucionais.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988,
art. 37 (com adaptações).

Julgue o item seguinte, em relação às funções sintáticas dos termos da oração e à classificação de orações subordinadas.


No trecho “impõe‑se a intimação”, a partícula “se” é índice de indeterminação do sujeito.

Alternativas
Q4016527 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO


A disciplina do amor


Foi na França, durante a segunda grande guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e na maior alegria acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta à casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava a correr todo animado atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe. Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao seu posto de espera. O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora, ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias. Todos os dias. Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina. As pessoas estranhavam, mas quem esse cachorro está esperando?... Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para aquela direção. 


TELLES, Lygia Fagundes. A confissão de Leontina e fragmentos. Rio de Janeiro: Ediouro, 1996, p. 81-82.

Considere a frase: “Casou-se a noiva com um primo.” Na frase acima, o pronome “se” integra o verbo pronominal “casar-se”, não exercendo função de partícula apassivadora. Assinale a alternativa em que o pronome “se” apresenta o mesmo valor sintático-semântico, integrando o verbo pronominal:
Alternativas
Q3998921 Português
Assinale a frase abaixo em que o vocábulo “se” sublinhado funciona como partícula expletiva.
Alternativas
Q3998357 Português

Leia:


    “Encerraram-se as inscrições no início da manhã, anunciaram os resultados com atraso e, durante a tarde, discutia-se acaloradamente a legitimidade do processo.”  


    Assinale a alternativa correta quanto à explicação sintática do período acima.

Alternativas
Q3998354 Português
Relacione as colunas quanto à classificação da palavra “se” destacada nas frases. Em seguida, assinale a alternativa com a sequência correta.

1 - Conjunção integrante
2 - Pronome apassivador
3 - Índice de indeterminação do sujeito
4 -  Partícula de realce

(   ) Necessitava-se, urgentemente, explicar a revolta dos operários naquela situação.
(   ) Lá se foi minha primeira oportunidade de emprego.
(   ) O espanto era geral: denunciavam-se inúmeros casos de maus-tratos de animais.
(   ) Maria questionava, sem cessar, aos amigos se aquela atitude era correta.
Alternativas
Q3998344 Português
Assinale a alternativa em que o pronome átono pode ser movido para posição enclítica ao verbo. 
Alternativas
Q3994915 Português
Na oração: "Atribuíram-se aos novos métodos de ensino funções desproporcionais", a análise dos termos indica que: 
Alternativas
Q3993763 Português

A PALAVRA COMO LIMITE DO MUNDO



Dizer é delimitar. Sempre que nomeamos algo, traçamos contornos, selecionamos sentidos e, inevitavelmente, excluímos possibilidades. A linguagem, longe de ser um espelho fiel da realidade, funciona como um filtro: organiza o caos do mundo em categorias compreensíveis, ainda que imperfeitas. 


Nesse processo, não apenas comunicamos, mas também construímos aquilo que julgamos compreender. Uma mesma situação pode ser descrita de múltiplas formas, e cada escolha lexical carrega uma perspectiva implícita. Não é por acaso que debates acalorados muitas vezes não decorrem de fatos distintos, mas de palavras diferentes para nomear o mesmo fenômeno.


Há, portanto, uma dimensão de poder na linguagem. Quem nomeia, define; quem define, orienta o olhar. Expressões aparentemente neutras podem carregar juízos de valor, e termos técnicos podem conferir uma aura de legitimidade a ideias que, em essência, não são menos controversas.


Isso não significa que a linguagem deva ser abandonada ou desacreditada, mas compreendida em sua complexidade. Ao tomar consciência de seus mecanismos, o falante torna se menos refém das palavras e mais capaz de utilizá-las com precisão e responsabilidade. 


Entretanto, em um cenário marcado pela pressa e pela simplificação, tende-se a ignorar essa dimensão crítica. Palavras são repetidas sem reflexão, conceitos são utilizados de maneira imprecisa e, pouco a pouco, o discurso perde densidade. Não se trata apenas de falar menos, mas de dizer pior.


Tal empobrecimento não é apenas estilístico. Ele compromete a própria capacidade de pensar, uma vez que o raciocínio se estrutura linguisticamente. Quando o vocabulário se estreita, o pensamento também se contrai, e o mundo, antes múltiplo, parece reduzir-se a versões simplificadas de si mesmo.


Talvez, por isso, o desafio contemporâneo não seja apenas falar, mas reaprender a dizer.

 

Em “o falante torna-se menos refém das palavras”, o termo “se” indica: 
Alternativas
Q3988423 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Assinale a alternativa CORRETA quanto à classificação da palavra destacada no seguinte trecho: “Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos”.
Alternativas
Respostas
101: D
102: D
103: E
104: A
105: D
106: D
107: B
108: C
109: E
110: A
111: C
112: E
113: D
114: C
115: C
116: A
117: C
118: B
119: D
120: C