Em “o falante torna-se menos refém das palavras”, o termo ...

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Q3993763 Português

A PALAVRA COMO LIMITE DO MUNDO



Dizer é delimitar. Sempre que nomeamos algo, traçamos contornos, selecionamos sentidos e, inevitavelmente, excluímos possibilidades. A linguagem, longe de ser um espelho fiel da realidade, funciona como um filtro: organiza o caos do mundo em categorias compreensíveis, ainda que imperfeitas. 


Nesse processo, não apenas comunicamos, mas também construímos aquilo que julgamos compreender. Uma mesma situação pode ser descrita de múltiplas formas, e cada escolha lexical carrega uma perspectiva implícita. Não é por acaso que debates acalorados muitas vezes não decorrem de fatos distintos, mas de palavras diferentes para nomear o mesmo fenômeno.


Há, portanto, uma dimensão de poder na linguagem. Quem nomeia, define; quem define, orienta o olhar. Expressões aparentemente neutras podem carregar juízos de valor, e termos técnicos podem conferir uma aura de legitimidade a ideias que, em essência, não são menos controversas.


Isso não significa que a linguagem deva ser abandonada ou desacreditada, mas compreendida em sua complexidade. Ao tomar consciência de seus mecanismos, o falante torna se menos refém das palavras e mais capaz de utilizá-las com precisão e responsabilidade. 


Entretanto, em um cenário marcado pela pressa e pela simplificação, tende-se a ignorar essa dimensão crítica. Palavras são repetidas sem reflexão, conceitos são utilizados de maneira imprecisa e, pouco a pouco, o discurso perde densidade. Não se trata apenas de falar menos, mas de dizer pior.


Tal empobrecimento não é apenas estilístico. Ele compromete a própria capacidade de pensar, uma vez que o raciocínio se estrutura linguisticamente. Quando o vocabulário se estreita, o pensamento também se contrai, e o mundo, antes múltiplo, parece reduzir-se a versões simplificadas de si mesmo.


Talvez, por isso, o desafio contemporâneo não seja apenas falar, mas reaprender a dizer.

 

Em “o falante torna-se menos refém das palavras”, o termo “se” indica: 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: No trecho "o falante torna-se menos refém das palavras", o sujeito está expresso ("o falante"); assim, o "se" não pode indicar indeterminação do sujeito nem funcionar como partícula apassivadora. Ele integra o verbo pronominal "tornar-se", com valor reflexivo/pronominal ligado ao próprio sujeito, o que afasta as alternativas A, B e C e confirma a D.

Tema central: função morfossintática do se
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o sujeito não está indeterminado: ele aparece expresso na oração como "o falante". Como há sujeito determinado e explícito, o "se" não pode ser índice de indeterminação do sujeito.
B
Errada
Está errada porque a estrutura não forma voz passiva sintética. Em "o falante torna-se menos refém das palavras", não há termo paciente promovido a sujeito nem uma passiva analítica natural correspondente. O "se" não apassiva o verbo; ele integra a predicação pronominal.
C
Errada
Está errada porque o "se" não introduz oração subordinada substantiva. No trecho, ele aparece ligado ao verbo "torna-se" e não exerce função conectiva oracional. Portanto, não é conjunção integrante.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o "se" integra a forma pronominal do verbo "tornar-se" e se relaciona ao sujeito expresso "o falante". Na construção, ele não introduz oração nem apassiva o verbo; apenas compõe o verbo pronominal, em relação direta com o sujeito da oração.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre usos diferentes de "se": muitos candidatos marcam indeterminação do sujeito ou passiva sintética apenas por verem a sequência verbo + se. Aqui, porém, o sujeito está expresso e o verbo é pronominal, o que afasta essas leituras.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro se a oração tem sujeito expresso; se tiver, isso já afasta o índice de indeterminação do sujeito.
  • Não classifique "verbo + se" automaticamente como passiva sintética; teste se a estrutura realmente admite leitura passiva.
  • Observe se o "se" está ligado ao verbo e remete ao próprio sujeito; isso aponta para uso pronominal/reflexivo.
  • Só considere conjunção integrante quando o "se" introduzir oração subordinada substantiva.

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Comentários

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Na frase “o falante torna-se menos refém das palavras”, o “se” faz parte do verbo tornar-se, indicando que a ação recai sobre o próprio sujeito.

Ou seja:

  • sujeito: o falante
  • verbo: torna-se
  • o próprio falante “se torna” algo

Isso caracteriza valor reflexivo.

Resposta correta: D — pronome reflexivo.

Por quê?

O “se” indica que o sujeito pratica e recebe a ação ao mesmo tempo (o falante torna a si mesmo menos refém).

Em “o falante torna-se menos refém das palavras”, o termo “se” funciona como funciona como parte integrante de um verbo pronominal.



Aqui estão os detalhes:

  • Verbo Pronominal: O verbo é "tornar-se" (no sentido de "ficar" ou "converter-se em").
  • Quem torna, torna-SE. Ficaria errado "torna menos refém" portanto há necessidade do SE
  • Significado: Indica uma mudança de estado do sujeito ("o falante").
  • Função: Nesse contexto, o "se" não é um pronome reflexivo (ele não torna a si mesmo) nem partícula apassivadora, mas sim parte da estrutura verbal para indicar transformação

Gabarito D

Os pronomes reflexivos indicam que o sujeito pratica e recebe a ação ao mesmo tempo, portanto, exercem função sintática de objeto e concordam com a pessoa do sujeito.

  • Eu me cortei ao fazer o jantar.
  • Ela se penteou antes da festa.

CFOPMBA

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