Questões de Concurso
Sobre funções morfossintáticas da palavra se em português
Foram encontradas 1.641 questões
Coisa de outro mundo
Por Pedro Guerra

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2025/11/coisa-deoutro-mundo-cmhz55u0d023g016043t7phbg.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Disponível em: https://edoc.ufam.edu.br (adaptado)
Sobre o texto, acima, é CORRETO afirmar que:
Para responder à questão, leia o texto abaixo.
O sagrado da mesa
Quando sentamos para comer, existe algo de reverência nesse gesto. Aqui, em nossa região de colonização italiana, esse costume está enraizado no coração das pessoas. As famílias se juntam não só para saciar a fome, mas para partilhar o tempo, o riso, as preces, as histórias e o pão. A mesa torna-se um altar do cotidiano, onde se celebra a vida.
Muitas vezes minha mãe dizia para nunca jogar comida fora, _____ o alimento é sagrado. Pela casa, repetia com voz mansa e presença firme: “Cuidado para não desperdiçar, ______ um dia pode faltar.” Eram pequenas lições temperadas com afeto e sabedoria que servia entre o fogão e a mesa, ensinando-nos a valorizar e a respeitar o que nos sustenta.
Mas o que tem acontecido é que muitas famílias estão entregando esse momento ao automatismo. As conversas cederam às telas; o barulho dos talheres se mistura ao som da televisão, e o silêncio foi substituído pelas distrações. Cada um come apressado, sozinho, no seu canto. E assim, o alimento perde o sentido que tinha: o de reunir. Nesse mesmo descuido, revela-se outra contradição dolorosa: enquanto sobra comida em algumas mesas, falta em tantas outras. No Brasil, cerca de 30% de tudo o que se produz é jogado fora, o que representa mais de 46 milhões de toneladas de alimentos por ano. Um verdadeiro absurdo diante da fome e da desigualdade.
Em 2022, o país voltou ao mapa da fome, com 33 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave. Três anos depois, segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), o Brasil deixou novamente esse mapa, mas a realidade permanece alarmante. O que os números revelam vai além das estatísticas: somos uma nação que, apesar de sua imensa capacidade de produção, ainda não consegue garantir alimento para todos. A fome não é um destino inevitável e, sim, o resultado das escolhas e prioridades que fazemos ao distribuir e consumir alimentos. Grande parte do desperdício nasce do cotidiano: nas feiras, nos restaurantes, nas casas, onde o olhar se acostumou a descartar o que ainda poderia ser aproveitado. E enquanto o lixo se enche de comida, o prato de muita gente segue vazio. A abundância não redime a fome se não houver partilha.
Talvez o problema esteja justamente no que esquecemos de celebrar. A refeição deixou de ser encontro, deixou de ser consciência. Quando se perde o sentido do alimento, de onde vem, o que custou, quem plantou, perde-se também o vínculo com o outro. E esse vínculo que, se refeito, pode transformar de novo a mesa em espaço de cuidado. Porque o sagrado de comer juntos está menos no prato e mais na presença. E, no fim das contas, é dela que a humanidade ainda tem fome.
Autora: Helô Bacichette - GZH (adaptado).
I. redime é forma verbal do verbo redimir, classificada como verbo transitivo direto, pois exige complemento sem preposição.
II. se funciona como conjunção subordinativa explicativa, estabelecendo relação de condição para o período.
Das assertivas, pode-se afirmar que:
Sem medo de baratas
Por Mário Corso

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/mario-corso/noticia/2025/11/sem-medo-debaratas-cmhjn1moy003n01lp1izngfb8.html– texto adaptado especialmente para esta prova).
( ) Em “[...] jogou-a pela janela como quem atira um papel de bala na lixeira”, é possível substituir “quem” por “alguém que” sem causar alterações ao sentido ou à correção do trecho.
( ) É possível substituir a conjunção “Se”, por “Caso”, pois ambas têm o mesmo sentido, mas deve-se alterar a forma verbal para “pegue” em “Se a moda pega, haverá um desequilíbrio cósmico”.
( ) Em “É maravilhoso ver as mulheres se equiparando aos homens”, a ocorrência do pronome “se” é facultativa, pois se trata de partícula de realce.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Texto para a questão.
O direito de papel
No dia 26 de agosto de 1789, os deputados franceses lançaram um dos grandes documentos da modernidade: a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Era um vigoroso manifesto iluminista contra o Antigo Regime. Foi uma resposta ao crescimento dos movimentos sociais no verão de 1789, nas tensas semanas entre a queda da Bastilha, a onda de saques do Grande Medo e o fim dos direitos feudais (4 de agosto). Na semana que vem, o documento completa 228 anos.
Os artigos da Declaração demolem o prédio secular do Absolutismo de Direito divino e da desigualdade social pelo nascimento. Era um novo mundo, pelo menos no papel. Deputados homens, na maioria de origem burguesa, refizeram o mundo pela sua perspectiva. Quando uma voz dissidente e feminina, Olympe de Gouges, lançou a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, foi parar na guilhotina. Sejamos justos: a guilhotina não era machista. A lâmina ignorou gênero: matou Danton, Robespierre, Luís XVI, Maria Antonieta, freiras carmelitas e Lavoisier.
O texto de 26 de agosto é fundacional nas suas glórias e limitações. Suas ideias varreram a Europa e atravessaram o oceano. A Revolução de 1789 resultou na tirania napoleônica, porém, curiosamente, foi Napoleão que difundiu muitos legados revolucionários, inclusive o sistema métrico decimal. Os ingleses se orgulham de não terem sido invadidos pelo corso, juntam a seu nacionalismo invicto as jardas, as libras e até “stones”.
Em 1948, a jovem ONU revisitou a Declaração. A Segunda Guerra Mundial ainda contabilizava seus genocídios e a Guerra Fria estremecia Berlim. A Assembleia aproveitou o momento e organizou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
É impossível discordar de uma única linha do texto. Ali está o melhor da humanidade como nós sonharíamos que ela fosse: tolerante, democrática, igualitária e respeitadora das diferenças. Ali o Homo sapiens, na sua sangrenta trajetória de guerras e preconceitos, deu uma pequena parada, respirou fundo e sonhou que as coisas poderiam ser de outra maneira. De muitas formas, o texto da ONU cumpre a origem da palavra dupla: o não lugar e o lugar bom. Se você nunca leu o texto de 1948, vale a pena consultá-lo como uma baliza de valores.
Meus alunos sempre questionam a validade de tais documentos. Do que adiantaria dizer que todos os homens são iguais e nascem livres, se por toda parte são desiguais e a maioria não é livre de forma metafórica ou prática? Qual o sentido de um papel diante do imperativo da força? O racista da Virgínia continua sua convicção canalha com ou sem o texto da ONU. O agressor de mulheres nunca leu Simone de Beauvoir. Se lesse, mudaria algo? O homofóbico responde a dramas pessoais internos que não serão transformados com as obras completas de Freud em alemão. O mundo real e material, o mundo aqui e agora, de que forma um papel pode mudá-lo? A dúvida é pertinente e forte.
Fonte: https://www.estadao.com.br/cultura/leandro-karnal/o direito-de-papel/ (adaptado).
Texto para a questão abaixo.
Marcus Lucius
Era um comício numa praça da cidade. O prefeito exaltava, orgulhoso, a retomada do crescimento, as cores da bandeira, o hino municipal e o escambau. De repente, o chão começou a tremer. Uma enorme fenda abriu‑se no chão. Todos pensaram que era a sétima trombeta do Apocalipse e se afastaram.
A guarda acalmou os ansiosos e afastou os curiosos. Os sábios da cidade reuniram‑se rapidamente e aconselharam o prefeito: era necessário que um munícipe corajoso saltasse voluntariamente para o abismo e a fenda fechar‑se‑ia. Então, levantou‑se Marcus Lucius, olhou nos olhos de todos e disse: “façam por merecer”. E simplesmente saltou para nunca mais ser visto.
Internet:
Violência: Problema social que afeta multidões Registros aumentam

(Disponível em: https://auniao.pb.gov.br/noticias/caderno_diversidade/violencia-problema-social-que-afetamultidoes – texto adaptado especialmente para esta prova).
“‘
uma mulher, um idoso ou quem quer que seja não tem acesso, ao extrato bancário, por exemplo, mesmo quando a conta é conjunta, ela é uma vítima de violência patrimonial’, conta a psicóloga. ‘
alguém pega seu celular, ou te impede de participar do orçamento familiar,
alguém te nega recurso para uma necessidade pessoal, você está sendo vítima de violência patrimonial’”. Analise as seguintes proposições e a relação proposta entre elas:
I. As palavras “se” hachuradas poderiam ser substituídas pela palavra “caso” sem alterar o sentido do trecho.
PORÉM
II. O fragmento sofreria alteração em sua estrutura e outras alterações morfossintáticas deveriam ser realizadas a fim de manter a correção gramatical.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Violência: Problema social que afeta multidões Registros aumentam

(Disponível em: https://auniao.pb.gov.br/noticias/caderno_diversidade/violencia-problema-social-que-afetamultidoes – texto adaptado especialmente para esta prova).
“‘
uma mulher, um idoso ou quem quer que seja não tem acesso, ao extrato bancário, por exemplo, mesmo quando a conta é conjunta, ela é uma vítima de violência patrimonial’, conta a psicóloga. ‘
alguém pega seu celular, ou te impede de participar do orçamento familiar,
alguém te nega recurso para uma necessidade pessoal, você está sendo vítima de violência patrimonial’”. As ocorrências da palavra “se” hachuradas no fragmento representam:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Passarela da Misantropia
Caminho obedientemente atrás dele. Seus passos me parecem lentos. Como se desfilasse na passarela da misantropia. Como se não soubesse para onde ir.
Percebo a tristeza no seu tom de voz. Quando ele diz meu nome, ele saliva solidão e angústias mal resolvidas. Não entendo o que ele diz, mas entendo, ao mesmo tempo. Não sei se me faço entender. Mas seu tom de voz diz tudo. E seu tom de voz agora é um manancial de depressão que rasga seu peito, outrora, vivaz.
Uma pena. Prefiro quando ele emana traços de felicidade. Momentos raros, devo destacar. Desde que ela foi embora. Desde que ela saiu pela porta da frente e nunca mais voltou. Lembro-me até hoje. Ela, raivosa. O semblante determinado. Não olhou para mim. Não olhou para trás. Não olhou para o que construíra. Simplesmente, partiu.
Ficamos eu e ele. Desde então, dois solitários. Porque a dor dele é minha também. Eu o amo. E compartilho a sua dor. E, de alguma forma, percebo que ele sabe a verdade sobre mim: eu jamais seguirei os passos dela. Jamais vou abandoná-lo.
Sempre que ele chamar Rex, eu irei até ele, o rabo abanando, tentando lhe conferir traços de afago em um dia repleto de desavenças internas.
MARTINZ, Juliano. Passarela da misantropia. Corrosiva, [s.d.]. Disponível em: https://corrosiva.com.br/cronicas/passarela-da-misantropia/ . Acesso em: 2 dez. 2025.
A expressão “Precisa-se de digitadores experientes” apresenta uma construção em que a partícula “se” exerce a função de:

Indique a frase CORRETA em que o “se” funciona como índice de indeterminação do sujeito.
(__)- “na Turquia” (linha 03), estando disposto entre vírgulas, possui a função sintática de adjunto adverbial de lugar;
(__)- O pronome “se” (linha 05), junto ao verbo “estimar” exerce a função de “partícula apassivadora”;
(__)- O termo “Mehmet Nuri Ersoy” (linhas 12 e 13) é um aposto restritivo;
(__)- Na linha 15, no trecho “estado de conservação” o termo “de conservação” é classificado como complemento nominal, de acordo com sua função.
Levando-se em consideração que (V) significa Verdadeiro e (F) significa Falso, assinale a alternativa a qual apresenta a sequência correta:
Analise o uso do “se” em cada caso e assinale a opção em que ele atua como indeterminador do sujeito.