Questões de Concurso
Sobre funções morfossintáticas da palavra se em português
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No trecho “poucos realmente se escutam”, a função sintática do pronome “se” é:
O texto que segue servirá de base para a questão.
Texto 1
Conselhos para a mulher forte
Gioconda Belli
“(...) Não percas a compaixão, mas teme tudo que te conduz a negar-te a palavra, a esconder quem és, tudo que te obrigue a abrandar-se.
(...)
Se és uma mulher forte
prepara-te para a batalha:
aprende a estar sozinha
a dormir na mais absoluta escuridão sem medo
(...)
Treine-se nos ofícios da reflexão e do intelecto.
Lê faz o amor a ti mesma constrói teu castelo
(...)
Ampara, mas te ampara primeiro.
Guarda as distâncias.
Te constrói. Te cuida.
Entesoura teu poder.
O defenda.
O faça por você.
Te peço em nome de todas nós”.
No trecho “Treine-se nos ofícios da reflexão e do intelecto”, avalie as afirmações a seguir.
I. Em “ofícios da reflexão e do intelecto”, os termos “da reflexão” e “do intelecto” funcionam como adjuntos adnominais, estabelecendo uma relação de posse com o substantivo “ofícios”.
II. O pronome -se em “Treine-se” funciona como partícula apassivadora, indicando que o sujeito sofre a ação do verbo.
III. A forma “Treine-se” poderia ser substituída por “Capacite-se” sem alteração significativa do sentido no contexto do poema.
É correto apenas o que se afirma em:
Qual alternativa preenche, CORRETA e respectivamente, as lacunas acima?
A finalidade da sociedade e o bem comum
Por Gazeta do Povo

(Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao – texto adaptado especialmente para esta prova).
Para responder à questão, leia a charge abaixo.

Fonte: Cazo
I. Ao utilizar a forma verbal PREOCUPE associada ao pronome oblíquo SE, o personagem adota uma forma de tratamento direcionada à terceira pessoa (você), o que marca adequadamente o diálogo com o seu ouvinte.
II. O termo NÃO classifica-se morfologicamente como um advérbio de negação, atuando ativamente no período para alterar e inverter o sentido afirmativo original do verbo.
III. Para garantir o nível extremo de linguagem formal, as regras da Língua Portuguesa determinam que o pronome de tratamento Vossa Majestade seja utilizado de forma obrigatória em qualquer conversa com animais na natureza.
Está CORRETO o que se afirma em:

Sobre a estrutura sintático-semântica desse enunciado, analise as assertivas abaixo:
I. A colocação pronominal em "Entregaram-se" caracteriza-se como ênclise, uma vez que o pronome oblíquo "se" está posposto ao verbo, em conformidade com a norma-padrão que recomenda essa posição quando o verbo inicia a oração.
II. O termo "os prêmios" exerce a função sintática de objeto direto, enquanto "aos alunos" funciona como objeto indireto, complementando o verbo "entregar", que é transitivo direto e indireto.
III. O pronome "se" presente em "que se dedicaram" classifica-se como pronome apassivador, uma vez que a oração pode ser convertida para a voz passiva analítica sem prejuízo de sentido.
IV. A oração adjetiva "que se dedicaram durante o ano letivo" possui caráter restritivo, restringindo o sentido do antecedente "alunos" apenas àqueles que efetivamente se dedicaram, sendo essa uma informação essencial para a compreensão do enunciado.
V. Caso o pronome "se" fosse deslocado para antes do verbo na primeira oração ("Se entregaram os prêmios aos alunos"), a frase continuaria gramaticalmente aceita pela norma-padrão, por se tratar de próclise facultativa em inícios de oração.
Estão CORRETAS apenas as assertivas:
Texto CG3A1
O Rio Grande do Norte é, hoje, parte do imenso território brasileiro. Ocupa uma área de aproximadamente 53.000 km2. A compreensão da história dessa parte do território nacional só é possível a partir da história da civilização ocidental e da história do Brasil. A história do Brasil, por sua vez, só é verdadeiramente compreendida se a pudermos apreciar desde antes da chegada da expedição cabralina, marco cronológico inicial da história brasileira. O "descobrimento" é, sem dúvida, fato da maior importância, mas por si só insuficiente para explicar a origem do Brasil. Para tanto, faz-se necessário o conhecimento dos fatos anteriores que nos possibilite uma compreensão mais abrangente do processo histórico que resultou no descobrimento dos rincões tupiniquins. Só assim poderemos entender o que ocorreu a partir da chegada dos portugueses, conhecer os motivos que levaram as monarquias cristãs europeias a empreender a expansão marítima mercantil, grandes navegações rumo ao desconhecido.
Sérgio Luiz Bezerra Trindade. História do Rio Grande do Norte.
Natal: Editora do IFRN, 2010, p. 13 (com adaptações).
Acerca dos sentidos e das estruturas linguísticas do texto CG3A1, julgue o item que se segue.
Em "Para tanto, faz-se necessário o conhecimento dos fatos anteriores", o pronome "se" poderia ser deslocado para a posição proclítica ⸺ se faz necessário ⸺, sem prejuízo da correção gramatical do texto, em razão da proximidade da expressão "Para tanto".
Medos e fobias compõem uma lista breve e universal. Cobras e aranhas sempre amedrontam. São o que mais comumente provoca medo e asco em estudantes universitários cujas fobias foram estudadas; isso tem sido assim por muito tempo em nossa história evolutiva. Donald Hebb constatou que chimpanzés nascidos em cativeiro gritam aterrorizados quando veem uma cobra pela primeira vez. Mesmo nas culturas que veneram as serpentes, as pessoas as tratam com muita cautela.
Os outros medos comuns são de altura, tempestades, grandes carnívoros, escuridão, sangue, estranhos, confinamento, águas profundas, escrutínio social e deixar a casa sozinha. A linha comum é óbvia: essas são as situações que punham em perigo nossos ancestrais. Aranhas e cobras frequentemente são venenosas, em especial na África, e a maioria dos outros medos representa perigos evidentes para a saúde de um coletor de alimentos ou, no caso do escrutínio social, para o status. O medo é a emoção que motivava nossos ancestrais a lidar com os perigos que tendiam a encontrar.
O medo provavelmente consiste em várias emoções. Fobias de coisas físicas, de escrutínio social e de deixar a casa sozinha reagem a diferentes tipos de drogas, o que é um indício de que são computadas por circuitos cerebrais distintos. O psiquiatra Isaac Marks demonstrou que as pessoas reagem de modos diferentes a diferentes estímulos atemorizantes, sendo cada reação apropriada ao perigo. Um animal desencadeia o ímpeto de fugir, mas um precipício faz a pessoa ficar petrificada. Ameaças sociais conduzem à timidez e a gestos de apaziguamento. Há pessoas que realmente desmaiam ao ver sangue, pois sua pressão sanguínea cai, presumivelmente uma reação que minimizaria uma perda adicional de sangue.
A melhor evidência de que medos são adaptações, e não apenas erros do sistema nervoso, é que os animais que evoluíram em ilhas sem predadores perdem o medo e se tornam presas fáceis para qualquer invasor. Os medos dos atuais habitantes das cidades protegem-nos de perigos que não existem mais e deixam de nos proteger dos perigos do mundo que nos cerca. Deveríamos ter medo de armas de fogo, de dirigir em alta velocidade, de andar de carro sem cinto de segurança, de fluido de isqueiro e do secador de cabelo perto da banheira, e não de cobras e aranhas. Os responsáveis pela segurança pública tentam incutir o medo no coração dos cidadãos usando todos os recursos, das estatísticas às fotografias chocantes, geralmente em vão. Os pais gritam e castigam os filhos para impedi-los de brincar com fósforos ou de correr atrás da bola na rua, mas, quando se perguntou a estudantes de séries iniciais em Chicago o que eles mais temiam, as crianças citaram leões, tigres e cobras — perigos improváveis naquela cidade.
Steven Pinker. O cheiro do medo. In: Como a mente funciona.
Laura Motta (Trad.). São Paulo: Companhia das Letras, 1998 (com adaptações).
Julgue o item a seguir, referente às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente
I. “Não se trata de uma ação de indenização por danos materiais, mas de obrigação de fazer.”
II. “Os documentos extraviaram-se durante a tramitação do processo na secretaria.”
III. “Precisa-se de intérpretes para a audiência com a comunidade indígena.”
IV. “O réu feriu-se com a própria arma durante a discussão, segundo a perícia.”
As funções da partícula “se” são, respectivamente:
1. Precisava-se de estagiários com urgência na repartição.
2. Os candidatos prepararam-se durante meses para a prova.
3. Construiu-se um novo viaduto para desafogar o trânsito.
Julgue o item seguinte, em relação às funções sintáticas dos termos da oração e à classificação de orações subordinadas.
No trecho “impõe‑se a intimação”, a partícula “se” é índice de indeterminação do sujeito.
Considerando os sentidos do texto, a sua tipologia e os seus mecanismos de construção de significado, julgue o item a seguir.
Em “impõe‑se a intimação do interessado”, o termo “a intimação do interessado” exerce função de sujeito posposto.
TEXTO PARA A QUESTÃO
A disciplina do amor
Foi na França, durante a segunda grande guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e na maior alegria acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta à casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava a correr todo animado atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe. Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao seu posto de espera. O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora, ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias. Todos os dias. Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina. As pessoas estranhavam, mas quem esse cachorro está esperando?... Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para aquela direção.
TELLES, Lygia Fagundes. A confissão de Leontina e fragmentos. Rio de Janeiro: Ediouro, 1996, p. 81-82.
