Questões de Concurso
Sobre funções morfossintáticas da palavra se em português
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I. “Resgatam-se uns períodos mentais de liberdade gustativa...”
II. “Precisa-se de uns períodos mentais de liberdade gustativa...”
Em relação à concordância verbal na frase original e nas reescritas I e II, é correto afirmar que na frase original:

O termo destacado no período acima assume a função de:
Na frase:
Meu coração é um deserto. Há:
Maior Sorte
O médico me olhou achando graça.
"Parece até que você está indo ao cinema" comentou sobre meu relaxamento.
Tentei falar que talvez tivesse algo a ver com a epidural, mas as palavras não saíram, e só consegui esboçar um sorriso indeciso. As paredes brancas eram tão claras que me cegavam como se fosse um quarto escuro feito breu, e logo caí num sono profundo. A próxima coisa que me lembro foram os gritos.
Eu os ouvia através de um véu, que tornava o som oco e distante, ainda que me perfurassem. Sua dor, eu acredito, doía mais em mim do que em você.
De repente, como que por mágica, o silêncio reinou.
Olho para baixo e lá está você, com a cabecinha mole que tanto me aterrorizou nos meses seguintes, encostada no meu peito. Você era uma paz que eu nunca soube ter. Apesar do parto tranquilo, você estava virada. O médico não te retirou, como é de praxe, pela cabeça, mas pela sua bundinha de neném. Ele brincou que você nasceu com o bumbum virado pra lua, mas eu sabia que isso não era brincadeira nenhuma. A sua primeira sorte foi ter vindo de mim. O que são casualidades e probabilidades se não esse conceito místico e até vulgar que chamamos de boa ou má sorte? Eu gostaria de entender, mas vou deixar essa para os filósofos. Só sei que a calmaria do seu nascimento foi um presságio de todos os trevos de quatro folhas que você encontraria ao longo da vida. A sua segunda sorte deve ter sido como nunca te deixei cair de maneira fatal, como você sempre atravessou a rua de forma segura, mesmo que soltasse as minhas mãos, que nunca deixaram de buscar as suas, e que por sua vez só buscavam independência. Para ficar vivo, necessita-se de uma baita sorte. E, por te ter comigo, ganhei na loteria.
MAGALHÃES, Lívia Batista. Maior sorte. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir: número 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 14 abr. 2026.
Na frase "Para ficar vivo, necessita-se de uma baita sorte", o termo "se" exerce a função de _____________________ , uma vez que acompanha um verbo transitivo indireto. Além disso, o segmento "de uma baita sorte" desempenha a função de _____________________, exigido pela regência do verbo necessitar.
Assinale a alternativa que corretamente completa, respectivamente, as lacunas no excerto:
Por que crianças não quebram mais o braço?
Por Pedro Guerra

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2025/12/por-que-criancas-
nao-quebram-mais-o-braco-cmj2y6ojc01y8014o699c5t7b.html – texto adaptado especialmente para
esta prova).
“Muitos pais, exaustos pelo próprio formato de mundo que criamos, tornaram-se emocionalmente indisponíveis sem querer”.
Um mar de fogueirinhas
(inspirado em Eduardo Galeano)

TEXTO PARA A QUESTÃO.
Sentir-se ocupado atende a uma demanda de culpa comum
O fato ocorreu. Uma aluna de um curso livre reclamou que tivera uma massagem pela manhã, minha palestra sobre arte depois do almoço e, ainda, enfrentaria um jantar com amigas à noite. Fazia ar de cansada. Um dia com três compromissos! Eu soltei uma ironia: “Não sei como a senhora aguenta”. Ela sorriu e leu como solidariedade minha frase. Mais tarde, pensei que minha resposta era filha de uma inveja ressentida. Eu ministrava 64 aulas por semana, inclusive aos sábados à tarde. Tinha de prepará-las e deslocar-me pela cidade. Se me oferecessem uma jornada com massagem matinal, lindas imagens numa sala climatizada à tarde e comida de forma abundante à noite, eu teria um dia livre e feliz. A senhora, em questão, sentia genuíno esgotamento.
Cansaço é relativo. Diz respeito às potências do sujeito e dos seus hábitos. Quem dá 64 aulas por semana olha para alguém que leciona 30 como um quase vagabundo. Existem especificidades também: há pessoas que vão ao supermercado e entram em coma, logo em seguida. O curioso não parece estar na variedade infinita do gênero humano, todavia no fato de que quase todo mundo se considera muito ocupado.
Meu pai trabalhou bastante. Houve um momento em que ele cursava Direito em Porto Alegre, lecionava latim, português em escolas maristas e era vereador em São Leopoldo (RS). Estudava nos ônibus. Emagrecia devido ao esforço. Depois, já com o título jurídico, atendia até a noite. Dizia a todos: “Minha agenda é por minuto”. Era verdade pelas audiências, viagens, consultas e compromissos. Passaram-se os anos, ele se concentrou apenas no escritório, abandonou o magistério e a política. Casal tradicional, ele nada fazia no nosso lar. Minha mãe providenciava tudo. Nos últimos dez anos da sua existência, deixou de advogar e entrou no merecido descanso. Curiosidade: a expressão “minha agenda é por minuto” permaneceu. Aos 75 anos, seus compromissos eram ler jornais, alimentar-se, ir à missa e jogar xadrez. O dia se esgarçava, lânguido. Sua consciência de homem atarefado sobreviveu. Morreu tranquilo, sem grandes atividades. Entrou na eternidade, com os minutos contados e agenda imaginária repleta. A família adotou com ironia o lema paterno: repetimos “minha agenda é por minuto” para lembrar nosso amado pai e a relatividade da fala.
Sentir-se ocupado atende a uma demanda de culpa comum. Temos a dificuldade que a aristocracia superou há séculos: existir sem compromissos. Melhor – a nobreza entende como agenda o que a classe trabalhadora imagina ser lazer.
Volto à minha simpática aluna, paulista quatrocentona. Cada atividade implica preparar-se, vestir-se, ocupar a mente e enfrentar um novo ambiente. Eu entendo como compromisso de fato o que gera dinheiro. Não nasci duque. Um jantar está em escaninho diferente no cérebro. Para ela e para a Condessa Viúva da série Downton Abbey (feita pela genial Maggie Smith), emerge a dúvida: o que é um fim de semana? Todos os dias são tomados de jantares, eventos, aulas. Interessante: se alguém desejar marcar algo para a próxima semana, ela responderá como o mais ocupado dos pediatras de um posto do SUS: “Não posso!” Agenda é uma concepção psíquica e cultural.
Exagero? Você já se encontrou com alguém que assume o ócio, afirma que nada faz e diz que possui o tempo todo livre? Deve ser alguém raro... Tente marcar um teatro para hoje à noite. Todos dirão que é muito em cima da hora, mesmo não tendo quaisquer compromissos no horizonte. Quase todos nos consideramos extremamente ocupados. E ainda ficamos ao celular nos elevadores para deixar claro ao mundo que a vida nos absorve por completo.
Sim, eu sei, querida leitora e estimado leitor, vocês têm muitos afazeres. Quem trabalha fora enfrenta o caos do mundo. Quem fica em casa descobre uma rotina de Penélope, a rainha da Ítaca que tinha de tecer todo dia e desfazer à noite o realizado. Uma casa é um buraco negro de tempo. Apesar disso, já pararam para pensar que sempre alegamos mais ocupações do que, de fato, temos? Identifico um discurso que nem sempre se casa com o real. É considerado chique no mundo da glamourização do cansaço (denunciada por Byung-Chul Han) andar rápido e consultar o celular como se nele houvesse os códigos das armas nucleares. Sim, somos atarefados. A pergunta: por que aumentamos ainda mais nossa ocupação? Do que nos defendemos quando encarnamos a figura do ser sem tempo para coisa alguma?
Convidei no fim da tarde um casal querido para um happy hour. Meu amigo respondeu: “Com prazer, desde que você não nos considere fáceis”. Aparentemente, ter tempo para a felicidade pode ser visto com desconfiança, pois a pessoa poderá ser classificada como “fácil”. Acredite: existe gente que, podendo, aceita um convite no dia e permite-se a alegria sem medo do julgamento. Tenho esperança em gente fácil. Os difíceis podem ter problemas cardíacos bem mais cedo... Boa semana para ocupados e para felizes.
Autor: Leandro Karnal - Estadão (adaptado).
Telemedicina: avanços e desafios na integração da tecnologia à prática médica
A telemedicina, definida como o uso de tecnologias de comunicação e informação para fornecer cuidados de saúde à distância, tem se tornado uma ferramenta essencial na modernização dos sistemas de saúde globais. Desde sua implementação inicial, que remonta ao uso do telégrafo e do rádio para transmítir informações médicas, a telemedicina evoluiu significativamente, sendo potencializada pelo advento da internet e de tecnologias digitais avançadas. Essa prática ganhou relevância particular durante a pandemia de COVID-19, em que a necessidade de manter o distanciamento social impulsionou sua adoção em uma escala sem precedentes.
A pandemía de COVID-19, em particular, acelerou o processo de adoção da telemedicina em todo o mundo. As restrições impostas pela necessidade de isolamento social e o aumento da demanda por serviços de saúde forçaram muitos países a implementar rapidamente sistemas de telemedicina, mesmo onde anteriormente havia resistência ou regulamentações limitantes. No Brasil, a telemedicina foi regulamentada de forma emergencial em 2020, com a finalidade de garantir o atendimento a pacientes sem expô-los ao risco de contágio.
O conceito de telemedicina abrange uma ampla gama de aplicações, desde consultas simples por videoconferência até o monitoramento remoto de pacientes crônicos e intervenções cirúrgicas robóticas. A sua importância reside em sua capacidade de transformar a prática médica tradicional. Ela tem se tornado cada vez mais essencial no contexto global de saúde, especialmente diante das demandas crescentes por acessibilidade, qualidade e eficiência nos serviços médicos e pode proporcionar conveniência e acessibilidade para pacientes que precisam receber cuidados médicos sem a necessidade de deslocamento físico, economizando tempo e custos associados ao transporte e ao tempo de espera. Além disso, o uso de plataformas digitais reduz a sobrecarga de hospitais e clínicas, permitindo que os profissionais de saúde se concentrem em casos mais graves, o que melhora a eficiência do sistema como um todo.
A telemedicina está redesenhando o panorama da saúde global. Seu futuro depende de como os desafios atuais serão enfrentados e de como as novas tecnologias serão integradas de maneira ética e inclusiva.
Fonte: LUZ, M. R. M. ef al Telemedicina: avanços e desafios na integração da tecnologia à prática médica. Revista Contemporânea, vol.4, n". 10, 2024 (com adaptações).
Ela tem se tornado cada vez mais essencial no contexto global de saúde...
A respeito do termo sublinhado e da correta classificação do seu sujeito segundo a gramática normativa, assinale a alternativa CORRETA.
Buganvílias
Nossa casa é antiga, embora não secular – explicava-me aquela senhora – e o senhor sabe como essas construções antigas
têm pé-direito alto, um despropósito. Nossos dois andares enfrentam bem uns três dos edifícios vizinhos. Isso lhe dará ideia da
altura de minhas buganvílias, pois as raízes delas se misturam com os alicerces, e temos praticamente dois telhados: o comum,
e esse lençol rubro de flores, quando vem pintando a primavera.
Não, não pense que as flores cobrem o telhado: elas formam o seu teto especial, no terraço, dominando a pérgula – e a
boa senhora sorriu – que o antigo proprietário fez questão de construir, para dar um ar meio silvestre, meio parnasiano, àquela
superfície árida de ladrilhos. Nossa casa está longe de ser bonita, embora eu goste muito dela; e quando as buganvílias funcionam a todo vapor, na florescência, não imagina como a nossa modesta alvenaria se transforma numa coisa espetacular, todo
aquele dilúvio de escarlate que a brisa do Brasil beija e balança, os ladrilhos também se deixam atapetar de florinhas, e até o
cãozinho, indo brincar no terraço, costuma voltar trazendo no pelo branco manchas encarnadas de primavera. Caem florinhas
nas panelas da cozinheira, cá embaixo, e se a gente deixar entreaberta a janela do banheiro, pode tomar seu banho de
Bougainvillea spectabilis, Willd., o que nome tenha; sei que é uma nictaginácea, ouviu?
Tudo isso é simpático, mas tem seus inconvenientes. Quando nos instalamos, um mestre de obras ponderou: “Eu, se fosse
madame, cortava essas trepadeiras. Veja como os troncos encorparam, e como as paredes vão trincando. A raiz está abalando
tudo”. Não tive coragem de matar uma planta de Deus, aliás duas, subindo lado a lado, confundindo lá em cima os galhos e
fazendo de nossa casa uma coisa diferente, no cinzento da Zona Sul (os moradores dos edifícios garantem que, vista do alto, a
casa vale muito mais do que vista da rua, por causa das buganvílias, que fazem bem aos olhos). E depois, já tivemos que sacrificar
a goiabeira para abrir mais uma caixa d’água subterrânea, Deus nos perdoe. Não, as buganvílias, não. A casa pode vir abaixo, e
seremos soterrados sob tijolos e flores, mas todo o poder às buganvílias!
Há dias foi engraçado, porque convidamos um casal para almoçar, e já na horinha me lembrei que não tínhamos flores em
casa. Fui comprá-las correndo, mas a greve da Leopoldina acabara com elas, ou era a própria greve das flores, que pediam
aumento de orvalho; não havia uma triste corola à venda. E não era dia de feira no bairro, de sorte que não se podia recorrer a
flores de calçada. Voltei de alma ferida, porque se pode trabalhar sem flor, dormir sem flor, mas comer sem flor é desagradável,
tira o sal. Estava imersa em vil desânimo, quando me pousou no nariz, trazida pelo vento, a florinha de buganvília, cujos ramos
estão explodindo de vermelho, entre pinceladas verdes. Voei ao quarto de depósito, saí de lá brandindo a escada de três metros,
e icei-a na pérgula. E com risco de romper o esqueleto, pois escada de casa velha também é velha e desconjuntada, aos olhos
divertidos ou indignados da vizinhança, fui ceifando com tesoura aquele mar de florinhas sanguíneas. Enchi duas cestas enormes, e nunca minha casa ficou tão bonita como enfeitada assim à última hora, sem gastar um cruzeiro; o casal ficou encantado,
mas que beleza de flor, então eu expliquei que buganvília não tem propriamente flores, tem brácteas, que são folhas iguais às
outras, mas valorizadas pelo vermelho. Deu tudo certo, e eu senti que os imensos pés de buganvílias me agradeciam e pagavam
dessa maneira a decisão de poupar-lhes a vida até a consumação dos séculos – ou da nossa velha casa, que eles vão destruindo
poeticamente.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Fala, amendoeira. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.)
Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista a composição linguística desse parágrafo.
I- A partícula “se”, na estrutura “fala-se”, foi usada como índice de indeterminação do sujeito.
II- O verbo “faltam” foi usado no plural para concordar com o seu sujeito “poetas modernos”.
III- O termo “poetas modernos” foi usado como complemento direto do verbo “faltam”.
IV- O verbo “existe” está na terceira pessoa do singular porque foi usado como verbo impessoal.
V- O termo “que”, nos três usos, foi usado como pronome relativo, pois retoma termos anteriores.
Estão CORRETAS apenas as afirmativas