Questões de Concurso
Sobre análise sintática em português
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A partir do fragmento exposto acima, assinale a alternativa cuja reescrita tenha mantido o valor semântico, bem como o respeito à norma-padrão da Língua Portuguesa.
O futuro nasce em Belém, mas só existe com a Amazônia viva
Agora que a COP30 na Floresta Amazônica passou e deixou claro o quanto ainda temos de trabalho pela frente na adaptação climática, faço um convite: imagine o mundo sem a Amazônia. Para a ciência, esse cenário deixou de ser apenas uma hipótese distante. Pesquisadores alertam que, se cerca de 20% da floresta for destruída, o bioma pode atingir um ponto de não retorno, entrando em colapso e se transformando, de forma irreversível, em uma savana degradada.
Não se trata apenas da perda de uma floresta, mas do colapso de um sistema que regula chuvas, estabiliza temperaturas, alimenta rios, garante energia e sustenta a agricultura em grande parte do país. A Amazônia é a infraestrutura invisível que sustenta a vida brasileira.
Sem ela, o Brasil seria mais quente, mais seco, mais caro e muito mais vulnerável, enquanto o mundo enfrentaria eventos extremos ainda mais frequentes, da escassez de alimentos ao agravamento da crise climática global. Pensar nesse vazio também exige imaginar o destino de um território que hoje simboliza a possibilidade de um futuro diferente: Belém.
Belém tornou-se um dos principais laboratórios vivos de inovação socioambiental do Brasil. A cidade consolidou um ecossistema onde ciência, cultura e saberes tradicionais se encontram para criar novos modelos de desenvolvimento. Sua vocação como porta de entrada da Amazônia se reafirma com iniciativas que integram clima, tecnologia e identidade territorial.
Um exemplo é o Parque de Bioeconomia, concebido como um hub de pesquisa, negócios sustentáveis e transformação de ativos da floresta em oportunidades econômicas que respeitam o território. Ele mostra que a Amazônia não é sinônimo de atraso, mas de vanguarda, e que a floresta em pé pode gerar valor, renda e inovação.
Sem a Amazônia, projetos como esse perderiam o sentido. A bioeconomia amazônica depende da floresta viva: dos compostos naturais que alimentam pesquisas, das cadeias produtivas baseadas em manejo sustentável, dos conhecimentos tradicionais que orientam a inovação e de uma biodiversidade que nenhum laboratório no mundo consegue reproduzir. Um país sem Amazônia seria também um país sem sua mais promissora plataforma de desenvolvimento do século 21.
Estudos reunidos em “Soluções em Clima e Natureza do Brasil”, dos institutos Arapyaú e Itaúsa, mostram que o Brasil está entre os poucos países capazes de gerar soluções climáticas em escala, com agricultura tropical avançada, energia limpa, bioinsumos e restauração florestal. Nada disso se sustenta sem o equilíbrio climático moldado pela floresta, que garante umidade, energia e reduz o risco de eventos extremos. Sua perda eliminaria essas vantagens, elevaria custos e ampliaria prejuízos econômicos.
A Amazônia também é um dos polos culturais mais vibrantes do país. A economia criativa amazônica, observada pelo mundo, combina arte, música, moda, gastronomia e narrativas profundamente ligadas ao território. Belém é um de seus epicentros. No Amazonas, Parintins expressa de forma clara como floresta, cultura e economia caminham juntas. O festival movimenta milhões, gera empregos e projeta narrativas amazônicas globalmente. Sem a floresta em pé, manifestações como essa deixariam de existir como são hoje.
O mais contraditório é que as soluções já existem. O Brasil tem capacidade de restaurar áreas degradadas, fortalecer cadeias de baixo carbono, ampliar a bioeconomia e conectar inovação científica a saberes tradicionais. Belém exemplifica esse futuro possível. O que falta não é tecnologia, mas decisão política e continuidade.
Pensar no que aconteceria sem a Amazônia não é especulação. É dimensionar a perda econômica, climática, cultural e estratégica que o país enfrentaria. A floresta é mais do que um bioma: é a base do presente e do futuro brasileiro. A pergunta, portanto, não é imaginar o mundo sem Amazônia, mas entender que, sem ela, não há futuro possível.
(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/. Acesso em: janeiro de 2026.)
A respeito do verbo destacado, no contexto em que se insere, é correto dizer que:
A oração ressaltada é tipificada como:

(Disponível em: cnnbrasil.com.br/comportamento/cultura/quando-jogar-videogame-deixa-de-ser-so-diversao/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
I. “O ponto de atenção” exerce a função de sujeito simples da oração, tendo o substantivo “ponto” como núcleo.
II. A forma verbal “é” atua como verbo de ligação, e “o jogo em si” exerce a função de predicativo do sujeito.
III. O segmento “não é o jogo em si” constitui um predicado verbal, cujo núcleo significativo se encontra no verbo.
IV. Por estar ligado ao verbo sem preposição, a expressão “o jogo em si” pode ser classificada como objeto direto de “é”, concomitantemente à sua função de predicativo do sujeito.
Quais estão corretas?
TEXTO I
Robô humanoide do Exército custa R$ 194 mil
Modelo usado pelo Instituto Militar de Engenharia foi colocado em uma viatura e realizou saudação durante o desfile em Brasília
Um robô humanoide fardado do Exército Brasileiro chamou atenção durante o desfile cívico-militar do 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. As plataformas de marketplace vendem o equipamento, que a chinesa Unitre Robotics fabrica, por cerca de R$ 194 mil.
O Exército confirmou que o modelo usado na cerimônia é o Unitree G1, na versão EDU. O Instituto Militar de Engenharia (IME) adquiriu o equipamento com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.
Durante o desfile, o robô permaneceu sobre uma viatura Marruá e realizou movimentos de saudação protocolar diante da tribuna principal. O equipamento acenou para o público e bateu continência aos chefes dos Três Poderes presentes no palanque.
Entre as autoridades estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, sorriu, aplaudiu e retribuiu a saudação feita pelo robô.
Equipamento é usado em pesquisas do Exército
No IME, o robô integra atividades de ensino, pesquisa e extensão. Segundo o Exército, os dados coletados pelos sensores e a capacidade de processamento do equipamento servem ao desenvolvimento de algoritmos de controle e atuadores.
As pesquisas abrangem áreas como robótica, inteligência artificial, percepção ambiental, navegação e autonomia de sistemas. A chinesa Unitree Robotics projetou o equipamento também para operações em ambientes de risco. Entre suas funções estão a inspeção, identificação, manipulação e neutralização de artefatos explosivos a distância.
O Centro de Comunicação Social do Exército informou que não existe previsão de emprego operacional direto do robô humanoide pela força. Os algoritmos desenvolvidos na plataforma, contudo, podem ter aplicação em tecnologias militares utilizadas em conflitos modernos. Entre os possíveis usos citados pelo Exército estão sistemas embarcados em drones, armamentos remotos, veículos autônomos e robôs destinados à detecção e à desativação de bombas.
Fonte: BATALHA, Victória. Revista Oeste, Tecnologia. Robô humanoide do Exército custa R$ 194 mil. https://revistaoeste.com/tecnologia/robo-humanoide-do-exercito-custa-r-194-mil/ (adaptado).
Analise as afirmações abaixo antes de julgar o que se pede.
( ) Em “O Instituto Militar de Engenharia (IME) adquiriu o equipamento” (2º par.) – o termo em destaque exerce função sintática de objeto indireto no contexto.
( ) Em “O equipamento acenou para o público e bateu continência aos chefes dos Três Poderes presentes no palanque.” (3º par.), os verbos em destaque são sintaticamente transitivos indiretos.
( ) Em “Segundo o Exército, os dados coletados pelos sensores e a capacidade de processamento do equipamento servem ao desenvolvimento de algoritmos de controle e atuadores.” (5º par.) – o termo preposicionado exerce função sintática de Complemento nominal.
( ) Em “O Centro de Comunicação Social do Exército informou que não existe previsão de emprego operacional direto do robô humanoide pela força.” (7º par.) – a conjunção integrante em destaque inicia uma oração subordinada substantiva subjetiva no contexto.
Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se dizer que se tem pela ordem a seguinte sequência.
O Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos (5 de maio) foi criado para alertar a população sobre os riscos à saúde causados pelo uso indiscriminado de medicamentos e pela automedicação.
O uso incorreto de medicamentos ou o seu consumo sem critérios médicos podem prejudicar a saúde, causando intoxicações, problemas mais graves ou até mesmo a morte.
A automedicação, ou seja, o uso de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas, sem a avaliação prévia de um médico ou dentista, conforme o caso, deve ser evitada. O que é eficaz para uns pode ser nocivo a outros, pois o problema de saúde pode ser bastante diferente, apesar da aparente semelhança dos sintomas percebidos.
Todo medicamento é um remédio, mas nem todo remédio é um medicamento. Existem vários tratamentos, produtos e cuidados que ajudam a combater doenças ou aliviar dores e que não são medicamentos, como, por exemplo, a acupuntura, a fisioterapia ou as caminhadas. Para ser considerado medicamento no Brasil, o respectivo produto precisa ter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Alimentos, mesmo aqueles comercializados em formas tipicamente farmacêuticas, como cápsulas e comprimidos, também não são medicamentos. Manter uma alimentação equilibrada é indispensável para uma boa saúde, mas um alimento não pode ser anunciado como responsável pela cura de doenças.
Medicamentos tampouco são bens de consumo comuns, como roupas, sapatos e artigos de higiene pessoal. Eles são bens de saúde, por isso não podem ser anunciados como produtos de livre mercado.
Qualquer produto terapêutico, independentemente de sua natureza (animal, vegetal, mineral ou sintética), deve ser considerado medicamento e sua fabricação e comercialização devem ser registradas na Anvisa. Para que um medicamento seja registrado e comercializado, é necessária uma análise criteriosa da documentação administrativa e técnico-científica relacionada à qualidade, à segurança e à eficácia do produto para garantir o seu uso terapêutico correto.
Após a obtenção do registro pela empresa e quando o medicamento já está sendo comercializado, cabe à farmacovigilância identificar, avaliar e monitorar a ocorrência dos possíveis eventos adversos relacionados ao seu uso. O objetivo desse monitoramento é garantir que os benefícios do produto sejam maiores que os riscos por ele causados. Também são importantes para a farmacovigilância informações que digam respeito aos eventos adversos gerados por desvios de qualidade, à inefetividade terapêutica, a erros de medicação, ao uso de medicamentos com indicações não aprovadas no registro, ao seu uso abusivo, bem como a intoxicações e interações medicamentosas.
Para aumentar a segurança do uso de medicamentos e estimular a notificação de erros de medicação, a Anvisa implantou, em 2019, um sistema novo de notificações nacional de eventos adversos provocados por medicamentos e de relatos de casos de erros de medicação em serviços de saúde, o VigiMed. O acesso ao sistema é rápido e fácil, o que facilita a notificação e, consequentemente, as ações preventivas da Agência.
Internet: www.artigo.anvisa.gov.br (com adaptações).
Impactos estruturais da inteligência artificial na democracia e nos direitos humanos
Por Lucas Vilalta, pesquisador da Cátedra Oscar Sala do Instituto de Estudos Avançados da USP
Post category: Artigos https://jornal.usp.br/? p=808419
24/09/2024 - Publicado há 2 anos
Após publicar artigo neste mesmo canal sobre a possibilidade de termos transparência de algoritmos para os sistemas de Inteligência Artificial (IA), o diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sottili, convidou-me para dialogar com as preocupações e trabalhos que a equipe tem desenvolvido sobre o impacto das big techs e da IA para a democracia e os direitos humanos. Como a conversa foi muito boa, decidi compartilhar um pouco do que debatemos naquele dia, então, com um público mais amplo.
Minha fala inicial ali abordou três pontos centrais:
1. o que são os sistemas de IA de um ponto de vista técnico e social;
2. seus impactos para a democracia; e
3. ameaças aos direitos humanos e caminhos para enfrentá-las.
Em relação ao ponto 1, remeto o leitor ou a leitora ao que apresentei no artigo anterior. De modo geral, tratava-se de mostrar, como o fez Kate Crawford em seu livro Atlas da IA, que “a IA não é artificial nem inteligente. Na verdade, ela existe de forma corpórea, como algo material, feito de recursos naturais, combustíveis, mão de obra, infraestrutura, logística, histórias e classificações. Os sistemas de IA não são autônomos, racionais, tampouco capazes de discernir algo sem um treinamento extenso e computacionalmente intensivo, com enormes conjuntos de dados ou regras e recompensas pré-definidas. De fato, tal como a conhecemos, a IA depende totalmente de um conjunto muito mais vasto de estruturas políticas e sociais”.
É preciso afastar as mistificações que têm dominado a cobertura midiática e boa parte do debate público sobre a IA. Se ela nasceu com o propósito de imitar a inteligência humana, hoje, a IA certamente se caracteriza muito mais como sistemas sociotécnicos de captura e processamento da inteligência social para que as big techs possam fornecer assistência algorítmica como algo indispensável ______ vida humana. A IA 2.0 é a promessa de um serviço de assistência em que os usuários vão poder ser manipuladores de algoritmos (a partir de prompts), automatizando processos de trabalho e linguagem em suas rotinas ou negócios. A IA não é uma máquina separada da sociedade, é a própria sociedade sendo processada de modo maquínico pelas plataformas. É mais urgente nos preocuparmos não com uma superinteligência ou com indivíduos autônomos (robôs) que irão nos dominar, mas com os impactos ambientais, econômicos, sociais e humanos que já estão em curso. [...]
VILALTA, Lucas. Jornal da USP. Impactos estruturais da inteligência artificial na democracia e nos direitos humanos. Adaptado. Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/Impactos-estruturais-dainteligência-artificial-na-democracia-e-nos-direitoshumanos/. Acesso em:30 set. 2024.
No fragmento: É preciso afastar as mistificações que têm dominado a cobertura midiática e boa parte do debate público sobre a IA. Analise as afirmações sobre o termo destacado “que” e marque (V) para Verdadeiro e (F) para Falso:
( ) Em relação à Classificação Gramatical (Classe de palavras) a palavra destacada “que” trata-se de um pronome relativo.
( ) Ele substitui e se refere ao termo antecedente ("as mistificações"), evitando a sua repetição ("as mistificações têm dominado...").
( ) Em relação à Classificação Gramatical (Classe de palavras) a palavra destacada “que” trata-se de uma conjunção integrante.
( ) Em relação a análise sintática classificamos este fragmento: “que têm dominado a cobertura midiática e boa parte do debate público sobre a IA” como uma oração subordinada substantiva.
Impactos estruturais da inteligência artificial na democracia e nos direitos humanos
Por Lucas Vilalta, pesquisador da Cátedra Oscar Sala do Instituto de Estudos Avançados da USP
Post category: Artigos https://jornal.usp.br/? p=808419
24/09/2024 - Publicado há 2 anos
Após publicar artigo neste mesmo canal sobre a possibilidade de termos transparência de algoritmos para os sistemas de Inteligência Artificial (IA), o diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sottili, convidou-me para dialogar com as preocupações e trabalhos que a equipe tem desenvolvido sobre o impacto das big techs e da IA para a democracia e os direitos humanos. Como a conversa foi muito boa, decidi compartilhar um pouco do que debatemos naquele dia, então, com um público mais amplo.
Minha fala inicial ali abordou três pontos centrais:
1. o que são os sistemas de IA de um ponto de vista técnico e social;
2. seus impactos para a democracia; e
3. ameaças aos direitos humanos e caminhos para enfrentá-las.
Em relação ao ponto 1, remeto o leitor ou a leitora ao que apresentei no artigo anterior. De modo geral, tratava-se de mostrar, como o fez Kate Crawford em seu livro Atlas da IA, que “a IA não é artificial nem inteligente. Na verdade, ela existe de forma corpórea, como algo material, feito de recursos naturais, combustíveis, mão de obra, infraestrutura, logística, histórias e classificações. Os sistemas de IA não são autônomos, racionais, tampouco capazes de discernir algo sem um treinamento extenso e computacionalmente intensivo, com enormes conjuntos de dados ou regras e recompensas pré-definidas. De fato, tal como a conhecemos, a IA depende totalmente de um conjunto muito mais vasto de estruturas políticas e sociais”.
É preciso afastar as mistificações que têm dominado a cobertura midiática e boa parte do debate público sobre a IA. Se ela nasceu com o propósito de imitar a inteligência humana, hoje, a IA certamente se caracteriza muito mais como sistemas sociotécnicos de captura e processamento da inteligência social para que as big techs possam fornecer assistência algorítmica como algo indispensável ______ vida humana. A IA 2.0 é a promessa de um serviço de assistência em que os usuários vão poder ser manipuladores de algoritmos (a partir de prompts), automatizando processos de trabalho e linguagem em suas rotinas ou negócios. A IA não é uma máquina separada da sociedade, é a própria sociedade sendo processada de modo maquínico pelas plataformas. É mais urgente nos preocuparmos não com uma superinteligência ou com indivíduos autônomos (robôs) que irão nos dominar, mas com os impactos ambientais, econômicos, sociais e humanos que já estão em curso. [...]
VILALTA, Lucas. Jornal da USP. Impactos estruturais da inteligência artificial na democracia e nos direitos humanos. Adaptado. Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/Impactos-estruturais-dainteligência-artificial-na-democracia-e-nos-direitoshumanos/. Acesso em:30 set. 2024.
Leia o texto abaixo para responder à questão.
Conectados, mas nem sempre presentes
Em uma conversa sobre redes sociais e saúde mental, o médico e escritor Drauzio Varella discutiu como a pressão para permanecer constantemente conectado pode favorecer ansiedade e dificultar uma relação equilibrada com as tecnologias digitais. Pesquisas mais recentes ampliam essa reflexão: uma revisão publicada em 2026 sobre nomofobia entre adolescentes brasileiros relaciona o uso intensivo de smartphones a dificuldades de concentração, sono, desempenho acadêmico e relações sociais.
Isso não significa que o celular seja, por si só, inimigo da aprendizagem. Ele pode ampliar o acesso à informação, aproximar pessoas distantes e funcionar como instrumento de estudo. O problema aparece quando o aparelho deixa de ocupar um lugar entre muitas atividades e passa a organizar quase toda a rotina. A notificação que interrompe uma leitura, a consulta compulsiva à tela e a inquietação quando o telefone não está por perto revelam como a tecnologia pode disputar nossa atenção de maneira persistente.
Para os adolescentes, autorregulação ainda cujo está repertório em de construção, estabelecer limites pode representar um desafio ainda maior. Por isso, especialistas têm defendido equilíbrio, e não simplesmente uma proibição absoluta. Criar horários sem telas, preservar o sono, praticar atividades presenciais e conversar sobre os próprios hábitos digitais são atitudes que ajudam a construir uma relação mais consciente com os dispositivos.
Talvez, então, a pergunta mais útil não seja apenas “quanto tempo você permaneceu conectado?”, mas também “o que deixou de fazer porque permaneceu conectado?”. Essa mudança desloca a discussão do relógio para a qualidade do uso. Afinal, uma tecnologia pode servir à vida; o problema começa quando a vida passa a servir exclusivamente à tecnologia.
Texto adaptado de Drauzio Varella
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Os anticorpos que atravessam a placenta: como vacina da mãe protege o bebê antes mesmo do parto.
Quando uma vida humana começa, ela depende inteiramente do corpo que a abriga.
Dali vêm oxigênio, alimento, a temperatura estável que a protege do mundo lá fora e os hormônios que regulam seu próprio ritmo de crescimento.
O corpo da mãe também filtra e descarta os resíduos que essa vida em formação ainda não sabe processar sozinha.
E chega também um outro tipo de proteção: um repertório de defesas que vai acompanhar esse bebê nos primeiros meses depois de nascer.
Todo bebê vem ao mundo carregando uma herança da história imunológica da própria mãe — os anticorpos que o corpo dela acumulou ao longo da vida, de infecções que teve, de vacinas que já tomou, atravessam a placenta e chegam a ele ainda dentro do útero.
É um processo que revela uma espécie de sabedoria do corpo ao se antecipar a riscos que ainda nem se apresentam diretamente.
Mas esse mecanismo também pode, e deve, ser direcionado: quando a mãe é vacinada durante a gestação, ela protege a si mesma e fabrica, sob encomenda, uma defesa específica contra ameaças que o bebê pode encontrar assim que nascer.
O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos programas de imunização mais bem-sucedidos do mundo — bom o bastante para que gerações inteiras não soubessem mais o que é ver uma criança morrer de coqueluche.
Em 2024, o país foi lembrado do que acontece quando essa proteção falha: o coeficiente de incidência da doença saltou para o maior patamar da série histórica desde 1990, depois de anos em que a taxa havia despencado para praticamente zero.
Naquele ano, 29 bebês com menos de 1 ano morreram de coqueluche no Brasil — 24 deles eram filhos de mães que não haviam sido vacinadas, segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em entrevista à BBC News Brasil.
A explicação não tem um único culpado. A coqueluche é cíclica por natureza, e o último grande pico brasileiro, antes de 2024, foi em 2014.
A pandemia parece ter represado esse ciclo por um tempo, deixando uma população mais suscetível pela queda na cobertura vacinal desses anos. Parte do salto também reflete a ampliação de testes de PCR no país, que passou a detectar casos que antes passavam despercebidos.
A vacina mais recente do calendário das gestantes também tem potencial para evitar mortes. A bronquiolite grave, causada majoritariamente pelo vírus sincicial respiratório (VSR), matou 537 crianças com menos de 1 ano no Brasil em 2024 — um patamar que se manteve elevado mesmo depois do pico histórico registrado em 2023.
O SUS incorporou o imunizante contra o VSR em dezembro de 2025, antes disponível apenas na rede privada e chegando a custar até R$ 1.760.
A vacina passou a ser oferecida à gestante a partir da 28ª semana, buscando repetir contra a bronquiolite o mesmo mecanismo de proteção que já existe contra a coqueluche.
A adesão surpreendeu: segundo Kfouri, a cobertura já se aproxima de 85%, patamar que, segundo ele, tem inclusive ajudado a puxar para cima a cobertura de gripe e de coqueluche.
Durante a gestação, o corpo da mãe continua produzindo os mesmos tipos de anticorpo que sempre fabricou ao longo da vida — só que agora, parte deles vai diretamente para o feto.
Cada tipo tem uma função diferente. A imunoglobulina-M (IgM) é a resposta mais rápida: aparece assim que uma ameaça nova surge, mas é grande demais para passar pela placenta, então o bebê acaba não a recebendo.
A imunoglobulina-G (IgG) é mais experiente — menor e mais precisa, é o anticorpo que o corpo continua fabricando depois de já ter aprendido a reconhecer um inimigo específico, seja de uma infecção antiga, seja de uma vacina. Por ser pequena o bastante, é a única capaz de atravessar a placenta e chegar ao bebê.
"A placenta é como se fosse um filtro, com um microfuro em que as partículas menores têm mais facilidade de passar do que as maiores", explica a ginecologista e obstetra Karina Belickas, do Hospital e Maternidade Santa Joana.
Esse filtro, porém, não deixa passar por acaso: ele reconhece especificamente a IgG e a carrega de propósito para o lado do bebê.
Quem faz esse trabalho é um receptor chamado FcRn — uma espécie de porteiro molecular — instalado numa camada finíssima de células que reveste a placenta por dentro, funcionando como uma fronteira ativa entre o sangue da mãe e o sangue fetal.
Esse mecanismo, explica Maria Carolina Pessoa Valença Rygaard, ginecologista e obstetra e membro da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Febrasgo, é ativo e seletivo: o receptor reconhece uma parte específica do anticorpo e libera a passagem até a circulação do bebê.
Há ainda uma última proteção: a IgA, que age como um guarda posicionado nas portas de entrada do corpo — boca, intestino, vias respiratórias. Ela também não passa pela placenta, mas chega ao bebê só depois do parto, pelo leite materno, protegendo essas mesmas entradas diretamente.
COMO vacina da mãe protege o bebê antes mesmo do parto. BBC News Brasil, 14 set. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cpq05983yv5o. Acesso em: 17 set. 2026. (Adaptado)
Considerando o emprego da crase no trecho acima e nas demais ocorrências a seguir, analise os itens.
I. A crase é obrigatória porque 'gestante' é empregado em sentido genérico, referindo-se à categoria geral, e não a um indivíduo específico, sendo esse o fator determinante para a presença do artigo definido, que se funde à preposição 'a' exigida pelo verbo 'oferecer'.
II. Caso a construção fosse 'A vacina foi entregue à Maria', o emprego da crase permaneceria obrigatório, uma vez que o verbo 'entregar' também exige complemento preposicionado e o substantivo próprio 'Maria' admite artigo.
III. Caso a construção fosse 'A gestante disse que iria à Bahia receber a vacina', o emprego da crase estaria correto, pois, apesar de a maioria dos estados brasileiros não admitirem crase, a Bahia recebe esse acento.
IV. Na construção 'Chegarei ao posto de vacinação até às 20h', o emprego da crase seria facultativo. Entretanto, se a construção fosse 'Chegarei a uma hora no posto de vacinação', não haveria crase, pois, em regra, não se emprega crase antes de numeral.
Assinale a alternativa que apresenta apenas as proposições CORRETAS.
Assinale a alternativa correta quanto à classificação do predicado no trecho.
Com base na análise sintática do texto, assinale a alternativa correta.
Assinale a alternativa correta quanto à classificação da oração destacada.
“Se os navios geralmente vão melhor do que os Estados, isso ocorre pela única razão de que naqueles cada um aceita a parte que lhe compete, enquanto nestes, na maioria das vezes, quanto menos se sabe, mais se tem o desejo de comandar.”
Sobre esse trecho, assinale a afirmativa correta.

