"A vacina passou a ser oferecida à gestante a partir da 28ª...

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Q4376202 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

 

Os anticorpos que atravessam a placenta: como vacina da mãe protege o bebê antes mesmo do parto.

Quando uma vida humana começa, ela depende inteiramente do corpo que a abriga.

Dali vêm oxigênio, alimento, a temperatura estável que a protege do mundo lá fora e os hormônios que regulam seu próprio ritmo de crescimento.

O corpo da mãe também filtra e descarta os resíduos que essa vida em formação ainda não sabe processar sozinha.

E chega também um outro tipo de proteção: um repertório de defesas que vai acompanhar esse bebê nos primeiros meses depois de nascer.

Todo bebê vem ao mundo carregando uma herança da história imunológica da própria mãe — os anticorpos que o corpo dela acumulou ao longo da vida, de infecções que teve, de vacinas que já tomou, atravessam a placenta e chegam a ele ainda dentro do útero.

É um processo que revela uma espécie de sabedoria do corpo ao se antecipar a riscos que ainda nem se apresentam diretamente.

Mas esse mecanismo também pode, e deve, ser direcionado: quando a mãe é vacinada durante a gestação, ela protege a si mesma e fabrica, sob encomenda, uma defesa específica contra ameaças que o bebê pode encontrar assim que nascer.

O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos programas de imunização mais bem-sucedidos do mundo — bom o bastante para que gerações inteiras não soubessem mais o que é ver uma criança morrer de coqueluche.

Em 2024, o país foi lembrado do que acontece quando essa proteção falha: o coeficiente de incidência da doença saltou para o maior patamar da série histórica desde 1990, depois de anos em que a taxa havia despencado para praticamente zero.

Naquele ano, 29 bebês com menos de 1 ano morreram de coqueluche no Brasil — 24 deles eram filhos de mães que não haviam sido vacinadas, segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em entrevista à BBC News Brasil.

A explicação não tem um único culpado. A coqueluche é cíclica por natureza, e o último grande pico brasileiro, antes de 2024, foi em 2014.

A pandemia parece ter represado esse ciclo por um tempo, deixando uma população mais suscetível pela queda na cobertura vacinal desses anos. Parte do salto também reflete a ampliação de testes de PCR no país, que passou a detectar casos que antes passavam despercebidos.

A vacina mais recente do calendário das gestantes também tem potencial para evitar mortes. A bronquiolite grave, causada majoritariamente pelo vírus sincicial respiratório (VSR), matou 537 crianças com menos de 1 ano no Brasil em 2024 — um patamar que se manteve elevado mesmo depois do pico histórico registrado em 2023.

O SUS incorporou o imunizante contra o VSR em dezembro de 2025, antes disponível apenas na rede privada e chegando a custar até R$ 1.760.

A vacina passou a ser oferecida à gestante a partir da 28ª semana, buscando repetir contra a bronquiolite o mesmo mecanismo de proteção que já existe contra a coqueluche.

A adesão surpreendeu: segundo Kfouri, a cobertura já se aproxima de 85%, patamar que, segundo ele, tem inclusive ajudado a puxar para cima a cobertura de gripe e de coqueluche.

Durante a gestação, o corpo da mãe continua produzindo os mesmos tipos de anticorpo que sempre fabricou ao longo da vida — só que agora, parte deles vai diretamente para o feto.

Cada tipo tem uma função diferente. A imunoglobulina-M (IgM) é a resposta mais rápida: aparece assim que uma ameaça nova surge, mas é grande demais para passar pela placenta, então o bebê acaba não a recebendo.

A imunoglobulina-G (IgG) é mais experiente — menor e mais precisa, é o anticorpo que o corpo continua fabricando depois de já ter aprendido a reconhecer um inimigo específico, seja de uma infecção antiga, seja de uma vacina. Por ser pequena o bastante, é a única capaz de atravessar a placenta e chegar ao bebê.

"A placenta é como se fosse um filtro, com um microfuro em que as partículas menores têm mais facilidade de passar do que as maiores", explica a ginecologista e obstetra Karina Belickas, do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Esse filtro, porém, não deixa passar por acaso: ele reconhece especificamente a IgG e a carrega de propósito para o lado do bebê.

Quem faz esse trabalho é um receptor chamado FcRn — uma espécie de porteiro molecular — instalado numa camada finíssima de células que reveste a placenta por dentro, funcionando como uma fronteira ativa entre o sangue da mãe e o sangue fetal.

Esse mecanismo, explica Maria Carolina Pessoa Valença Rygaard, ginecologista e obstetra e membro da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Febrasgo, é ativo e seletivo: o receptor reconhece uma parte específica do anticorpo e libera a passagem até a circulação do bebê.

Há ainda uma última proteção: a IgA, que age como um guarda posicionado nas portas de entrada do corpo — boca, intestino, vias respiratórias. Ela também não passa pela placenta, mas chega ao bebê só depois do parto, pelo leite materno, protegendo essas mesmas entradas diretamente.

COMO vacina da mãe protege o bebê antes mesmo do parto. BBC News Brasil, 14 set. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cpq05983yv5o. Acesso em: 17 set. 2026. (Adaptado)

"A vacina passou a ser oferecida à gestante a partir da 28ª semana, buscando repetir contra a bronquiolite o mesmo mecanismo de proteção que já existe contra a coqueluche."
Considerando o emprego da crase no trecho acima e nas demais ocorrências a seguir, analise os itens.
I. A crase é obrigatória porque 'gestante' é empregado em sentido genérico, referindo-se à categoria geral, e não a um indivíduo específico, sendo esse o fator determinante para a presença do artigo definido, que se funde à preposição 'a' exigida pelo verbo 'oferecer'.
II. Caso a construção fosse 'A vacina foi entregue à Maria', o emprego da crase permaneceria obrigatório, uma vez que o verbo 'entregar' também exige complemento preposicionado e o substantivo próprio 'Maria' admite artigo.
III. Caso a construção fosse 'A gestante disse que iria à Bahia receber a vacina', o emprego da crase estaria correto, pois, apesar de a maioria dos estados brasileiros não admitirem crase, a Bahia recebe esse acento.
IV. Na construção 'Chegarei ao posto de vacinação até às 20h', o emprego da crase seria facultativo. Entretanto, se a construção fosse 'Chegarei a uma hora no posto de vacinação', não haveria crase, pois, em regra, não se emprega crase antes de numeral.
Assinale a alternativa que apresenta apenas as proposições CORRETAS.
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Em “A gestante disse que iria à Bahia receber a vacina”, a preposição “a” regida por “iria” se combina com o artigo feminino de “Bahia” (a + a = à). Essa aplicação da regra sustenta a seleção de B.

Tema central: Obrigatoriedade e facultatividade da crase
Análise das alternativas
A
Errada
I e IV apresentam erros. Em I, a crase de “oferecida à gestante” está correta, mas o sentido genérico não é, por si só, determinante da presença do artigo. Em IV, a facultatividade em “até às 20h” está correta, porém, interpretando “uma hora” como horário determinado, a forma exigida é “à uma hora”. A alternativa ainda exclui III, que está correta.
B
Certa
B seleciona somente III, em que o acento resulta da preposição regida por “iria” somada ao artigo feminino de “Bahia”, e não simplesmente do fato de se tratar de um estado. As demais proposições não são integralmente corretas: I atribui indevidamente a presença do artigo ao sentido genérico; II transforma a possibilidade de artigo diante de “Maria” em obrigatoriedade; IV afasta incorretamente a crase em “uma hora” na leitura de horário determinado.
C
Errada
Inclui três proposições incorretas: I confunde referência genérica com exigência de artigo; II afirma obrigatoriedade onde há facultatividade, pois, no exemplo apresentado, admitem-se “entregue a Maria” e “entregue à Maria”; IV usa uma proibição genérica diante de numerais para afastar a crase na indicação de 1h, contexto em que se emprega “à uma hora”.
D
Errada
As duas proposições selecionadas são incorretas. Em I, o erro está na causa atribuída à crase, não no emprego de “à gestante”: o sentido de categoria não determina sozinho o artigo. Em II, a preposição exigida por “entregar” não basta para tornar a crase obrigatória, pois o artigo diante de “Maria”, sem determinação adicional, é facultativo. Além disso, D exclui III.
E
Errada
III está correta, mas IV não. Embora se admitam “até as 20h” e “até às 20h”, essa facultatividade não valida a segunda afirmação. Na leitura de horário determinado, favorecida pelo contexto, emprega-se “à uma hora”: o numeral “uma” não impede a crase. Uma leitura de horário indefinido alteraria a análise da expressão, mas não sustentaria a proibição genérica apresentada no item.
Pegadinha da questão
A banca combina afirmações parcialmente corretas com conclusões indevidas: I reconhece a crase, mas erra sua justificativa; II confunde admitir artigo com exigir artigo; IV começa com uma facultatividade válida e termina com uma proibição incorreta diante de numeral.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique separadamente a preposição exigida pelo termo regente e a presença do artigo feminino; genericidade e nome geográfico, isoladamente, não determinam a crase.
  • Diante de nome próprio feminino sem determinação adicional, diferencie artigo possível de artigo obrigatório.
  • Em expressões com “uma hora”, identifique se há horário determinado, duração ou horário indefinido antes de decidir sobre o acento.
  • Avalie todas as afirmações de cada proposição: um exemplo correto não torna correta uma justificativa inadequada.

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Comentários

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  • Item I (INCORRETO):

A crase em oferecida à gestante ocorre pela fusão da preposição a (exigida pelo verbo/adjetivo) com o artigo definido feminino a que determina o substantivo "gestante". O erro da afirmativa está em dizer que o "sentido genérico" é o fator determinante para o artigo. Na verdade, quando um substantivo é usado em sentido genérico e indeterminado, ele costuma vir sem artigo definido (ex.: "oferecida a gestantes"). Quando o artigo a está presente, ele individualiza/especifica o grupo ou o tipo ("a gestante").

  • Item II (INCORRETO):

Na construção A vacina foi entregue à Maria, o uso da crase é facultativo, e não obrigatório. Isso ocorre porque o uso de artigo definido antes de nomes próprios femininos (Maria) é facultativo na língua portuguesa.

  • Item III (CORRETO):

Na frase iria à Bahia, o verbo ir exige a preposição a (quem vai, vai A algum lugar). O estado da Bahia é uma das exceções entre os nomes de estados/lugares no Brasil e aceita artigo feminino (A Bahia é linda / Volto DA Bahia). Portanto, a fusão a + a = á está correta e a justificativa é válida.

  • Item IV (INCORRETO):

Existem dois erros no item IV:

  1. Em até às 20h, a crase é de fato facultativa por conta da preposição até. Porém, na segunda parte, em Chegarei a uma hora..., o termo "uma hora" indica horas exatas/momento específico (à uma hora / às duas horas), devendo haver crase: Chegarei à uma hora no posto.
  2. Dizer que "não se emprega crase antes de numeral" de forma geral é uma regra falsa quando se trata de indicação de horas exatas, em que a crase é obrigatória.

Apenas a proposição III está correta.

COMPLEMENTADO AO AMIGO: GAB.B

sobre a IV:

A primeira parte está correta (a preposição até torna a crase facultativa antes de horas: até às 20h ou até as 20h). Porém, a segunda parte erra ao afirmar que em "Chegarei a uma hora no posto de vacinação" não haveria crase por ser numeral. 

BONS ESTUDOS!

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