Questões de Concurso Sobre análise sintática em português

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Q4397979 Português
Ambiente cósmico molda estrutura das galáxias de transição, que estão parando de gerar novas estrelas

Por Marcos Pivetta


No trecho “São galáxias perto de seu fim, mais envelhecidas estruturalmente do que as azuladas, onde nascem muitas estrelas”, retirado do texto, o pronome relativo “onde”:
Alternativas
Q4397978 Português
Ambiente cósmico molda estrutura das galáxias de transição, que estão parando de gerar novas estrelas

Por Marcos Pivetta


Considerando os aspectos sintáticos dos trechos retirados do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4397668 Português

A questão refere-se ao texto abaixo.

IBGE aponta que 5,5 milhões de pessoas no RS sofreram impactos causados pelas enchentes



Dados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul podem ser usados para lidar com novos eventos climáticos extremos



    O IBGE divulgou no dia 1º de julho dados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS) e revelou que 88% dos domicílios registraram algum tipo de ocorrência relacionada às enchentes daquele ano. As estimativas indicam que haviam 6.333.727 moradores nas regiões afetadas, com um total de domicílios estimados em 2.328.093. Dentre os domicílios entrevistados entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026, 68,7% dos informantes relataram impactos em seu bairro ou nas ruas e rodovias próximas, enquanto 55,5% dos entrevistados relataram danos nas estruturas de suas casas. Foram relatadas interrupções em serviços básicos, como água e energia elétrica, em 66,3% das residências.



    Augusto José Pereira Filho, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, explica que as razões para as chuvas de 2024 terem sido tão intensas no Rio Grande do Sul possuem relação com o El Niño, que consiste no aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e no aumento da precipitação profunda de nuvens, podendo chegar a 20 quilômetros de profundidade na área.



    Pereira Filho reitera a importância de investir em tecnologias que permitam uma previsão do tempo mais ___ frente e em infraestrutura para suportar os impactos climáticos. “Os modelos mais avançados têm um horizonte de previsão em até 15 dias, por exemplo. Eles podem dar uma orientação ___ defesa civil, que precisa estar bem informada dessas condições e a partir daí haver um planejamento do governo, tanto federal como estadual, para mitigar o evento. Não dá para reduzir as perdas de vida e materiais ___ zero; em qualquer lugar do mundo, você tem sempre vítimas, mas é possível reduzir os números. Há também ações estruturais, e foram essas que acabaram causando muito problema lá no Rio Grande do Sul. Barragens e sistemas de escoamento da água pelo rio precisam de manutenção, visto que se trata de uma modificação do ambiente pelo homem. Lá no Rio Grande do Sul, nessa época, as estruturas hidráulicas falharam, e isso resultou num aumento das perdas, feito do excesso de águas para o Rio Grande do Sul.”



    Wagner Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências Humanas da USP, reforça como as populações mais vulneráveis estão sujeitas aos maiores impactos das mudanças climáticas.



    “Os dados do IBGE indicam claramente que o Brasil é um dos países mais afetados pelas mudanças climáticas. A vulnerabilidade social no País é bastante elevada; nós temos, não apenas nas eras urbanas, mas principalmente nelas, populações que vivem em condições vulneráveis, sujeitas aos efeitos de chuvas intensas, como, por exemplo, o escorregamento de vertentes, alagamentos, enchentes e outras questões.”



    Ribeiro explica ainda que, mesmo com os eventos climáticos extremos, algumas populações não têm o privilégio de poder se mudar para outros lugares. “É necessário que o Estado tome ações mais diretas de oferecer alternativas mais adequadas para evitar que todo ano a população tenha prejuízos materiais”, conclui.



Texto Adaptado.

Leia as passagens a seguir e atente para o emprego da partícula “QUE”.



I. Augusto José Pereira Filho, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, explica que as razões para as chuvas de 2024 terem sido tão intensas no Rio Grande do Sul possuem relação com o El Niño



II. Os dados do IBGE indicam claramente que o Brasil é um dos países mais afetados pelas mudanças climáticas.



III. Nós temos, não apenas nas eras urbanas, mas principalmente nelas, populações que vivem em condições vulneráveis, sujeitas aos efeitos de chuvas intensas.



O “QUE” é empregado como pronome relativo, ou seja, retoma um antecedente da sentença em que se encontra, na(s) alternativa(s)

Alternativas
Q4397667 Português

A questão refere-se ao texto abaixo.

IBGE aponta que 5,5 milhões de pessoas no RS sofreram impactos causados pelas enchentes



Dados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul podem ser usados para lidar com novos eventos climáticos extremos



    O IBGE divulgou no dia 1º de julho dados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS) e revelou que 88% dos domicílios registraram algum tipo de ocorrência relacionada às enchentes daquele ano. As estimativas indicam que haviam 6.333.727 moradores nas regiões afetadas, com um total de domicílios estimados em 2.328.093. Dentre os domicílios entrevistados entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026, 68,7% dos informantes relataram impactos em seu bairro ou nas ruas e rodovias próximas, enquanto 55,5% dos entrevistados relataram danos nas estruturas de suas casas. Foram relatadas interrupções em serviços básicos, como água e energia elétrica, em 66,3% das residências.



    Augusto José Pereira Filho, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, explica que as razões para as chuvas de 2024 terem sido tão intensas no Rio Grande do Sul possuem relação com o El Niño, que consiste no aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e no aumento da precipitação profunda de nuvens, podendo chegar a 20 quilômetros de profundidade na área.



    Pereira Filho reitera a importância de investir em tecnologias que permitam uma previsão do tempo mais ___ frente e em infraestrutura para suportar os impactos climáticos. “Os modelos mais avançados têm um horizonte de previsão em até 15 dias, por exemplo. Eles podem dar uma orientação ___ defesa civil, que precisa estar bem informada dessas condições e a partir daí haver um planejamento do governo, tanto federal como estadual, para mitigar o evento. Não dá para reduzir as perdas de vida e materiais ___ zero; em qualquer lugar do mundo, você tem sempre vítimas, mas é possível reduzir os números. Há também ações estruturais, e foram essas que acabaram causando muito problema lá no Rio Grande do Sul. Barragens e sistemas de escoamento da água pelo rio precisam de manutenção, visto que se trata de uma modificação do ambiente pelo homem. Lá no Rio Grande do Sul, nessa época, as estruturas hidráulicas falharam, e isso resultou num aumento das perdas, feito do excesso de águas para o Rio Grande do Sul.”



    Wagner Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências Humanas da USP, reforça como as populações mais vulneráveis estão sujeitas aos maiores impactos das mudanças climáticas.



    “Os dados do IBGE indicam claramente que o Brasil é um dos países mais afetados pelas mudanças climáticas. A vulnerabilidade social no País é bastante elevada; nós temos, não apenas nas eras urbanas, mas principalmente nelas, populações que vivem em condições vulneráveis, sujeitas aos efeitos de chuvas intensas, como, por exemplo, o escorregamento de vertentes, alagamentos, enchentes e outras questões.”



    Ribeiro explica ainda que, mesmo com os eventos climáticos extremos, algumas populações não têm o privilégio de poder se mudar para outros lugares. “É necessário que o Estado tome ações mais diretas de oferecer alternativas mais adequadas para evitar que todo ano a população tenha prejuízos materiais”, conclui.



Texto Adaptado.

Há, no texto, uma ocorrência indevida de concordância verbal, que fere a norma da gramática tradicional. Essa ocorrência se encontra em qual das passagens a seguir?
Alternativas
Q4397560 Português

Com bandeiras e slogans, robôs fazem 'protesto' contra uso descontrolado da IA na Polônia

Marcha foi organizada pelo 'Democratism', iniciativa que discute papel da inteligência artifi cial no mercado de trabalho

Agitando bandeiras, entoando slogans e marchando em círculo, cerca de 30 robôs tomaram as ruas de Varsóvia nesta segunda-feira (7) para exigir que a Polônia regulamente a inteligência artifi cial (IA). A marcha foi organizada pelo "Democratism", uma iniciativa que, segundo seu site, busca lançar um debate sobre "como a IA e a robotização afetam o mercado de trabalho".

"Os robôs aqui presentes devem mostrar que essa tecnologia já é uma realidade", disse à AFP o Agibot A3, um robô humanoide com IA. 

Slogans como "Defendam os empregos", "Chegou a hora das regras" e "Não esperem, regulamentem" podiam ser ouvidos nos alto-falantes dos robôs.

"Em particular, queremos destacar o problema da potencial substituição de pessoas por robôs humanoides e inteligência artifi cial em trabalhos cognitivos", disse o organizador da manifestação, Grzegorz Kulis."Se não reagirmos agora, poderemos ter um problema em breve", acrescentou, salientando a necessidade de "regras e regulamentos que sirvam de escudo protetor para os trabalhadores".

O protesto ocorreu em frente ao Ministério de Assuntos Digitais, e seu titular, Krzysztof Gawkowski, aproximou-se e conversou com Kulis. 

"Modelos de IA sem controle, implementados em humanoides que continuarão evoluindo com o avanço da robotização, representam um problema grave", disse o ministro. 

Fonte: https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/09/07/combandeiras-e-slogans-robos-fazem-protesto-contra-uso-descontrolado-da-ia-napolonia.ghtml. Acesso em 07/09/2026. 

Em “O protesto ocorreu em frente ao Ministério de Assuntos Digitais” (6º parágrafo), as palavras em destaque são classifi cadas, respectivamente, como:

Alternativas
Q4396755 Português
No trecho “Temos que reduzir urgentemente a queima de combustíveis fósseis, acabar com a conversão de florestas e mudar, de forma geral, nossa relação com a natureza”, retirado do texto, a expressão “de combustíveis fósseis” exerce a função sintática de:
Alternativas
Q4396657 Português

Texto 3



Como dois e dois são quatro


sei que a vida vale a pena


embora o pão seja caro


e a liberdade pequena



Ferreira Goulart

Com base no Texto 3, é correto afirmar que:
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Q4396654 Português

Texto 2



Inútil



A gente não sabemos escolher presidente


A gente não sabemos tomar conta da gente


A gente não sabemos nem escovar os dente


Tem gringo pensando que nóis é indigente


Inútil!


A gente somos inútil (4×)



Composição: Roger Moreira / Ultraje a Rigor

Com base no Texto 2, é correto afirmar:
Alternativas
Q4396401 Português
Leia o período a seguir: "A população demonstrou confiança nas novas medidas adotadas pela prefeitura."
Considerando a estrutura sintática do período, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4396393 Português
"Então tornou-se o Capitão aquém do rio, e logo acudiram muitos à beira dele. Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim nos corpos, como nas pernas, que, certo, pareciam bem assim. Também andavam, entre eles, quatro ou cinco mulheres moças, nuas como eles, que não pareciam mal. Entre elas andava uma com uma coxa, do joelho até o quadril, e a nádega, toda tinta daquela tintura preta; e o resto, tudo da sua própria cor. Outra trazia ambos os joelhos, com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas e com tanta inocência descobertas, que nisso não havia nenhuma vergonha. Também andava aí outra mulher moça com um menino ou menina ao colo, atado com um pano (não sei de quê) aos peitos, de modo que apenas as perninhas lhe apareciam. Mas as pernas da mãe e o resto não traziam pano algum."


https://www.sohistoria.com.br/curiosidades/carta/p4.php
Leia o trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha: "E, segundo que a mim e a todos pareceu, esta gente não lhes falece outra coisa para ser toda cristã."
Considerando a organização sintática do período e as relações estabelecidas entre seus termos, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4396200 Português
    A regulamentação das reservas indígenas busca garantir às comunidades o direito à terra e à preservação de seus modos de vida.

     Embora existam normas para proteger essas áreas, ainda há desafios relacionados à fiscalização e à ocupação irregular. É necessário que o poder público haja de forma articulada, para que os direitos previstos na legislação sejam respeitados.

    Além disso, há debates sobre mecanismos de demarcação, proteção territorial e participação das comunidades.

     Assim, a regulamentação deve conciliar a proteção dos territórios tradicionais com o cumprimento das normas constitucionais.
A respeito das orações presentes no texto, analise as assertivas a seguir:

I- A oração “Embora existam normas para proteger essas áreas” é subordinada adverbial concessiva, pois introduz uma ideia que se apresenta como obstáculo ou contraste em relação ao fato expresso na oração principal;
II- A oração “que o poder público haja de forma articulada” é subordinada substantiva subjetiva, uma vez que exerce a função de sujeito da oração principal “É necessário”;
III- A oração “para que os direitos previstos na legislação sejam respeitados” é subordinada adverbial final, indicando a finalidade da ação expressa na oração anterior;
IV- A oração “ainda há desafios relacionados à fiscalização e à ocupação irregular” é subordinada à oração concessiva iniciada por “Embora”, funcionando como seu complemento sintático.

Assinale a alternativa correta:
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Q4396146 Português

O jogador que leu Tolstói


(Ramires Linhares)



    Lev Nikoláievitch Tolstói (1828/1910) foi um escritor russo, reconhecido como um dos maiores e mais influentes autores de todos os tempos, escreveu “A Morte de Ivan Ilitch” em 1886, uma história curta sobre um homem que passou a vida fazendo tudo aquilo que a sociedade considerava certo. Estudou, construiu carreira, casou-se, comprou uma casa bonita, buscou prestígio e manteve uma aparência respeitável. Até que adoeceu.


    Foi quando percebeu uma coisa incômoda: talvez tivesse passado a vida inteira preocupado em parecer feliz, correto e bem-sucedido, sem nunca ter parado para perguntar se, de fato, era feliz.


    Li o livro mais de uma vez (como deve ser), cheguei a achar meio “água com açúcar” ou que tinha sido escrito de trás pra frente. A ideia de que é um livro sobre a morte fica para trás depois do meio. É um livro sobre a vida. A vida que levamos enquanto achamos que ainda temos muito tempo.


    Recentemente, aqui no Brasil, um episódio chamou a atenção para o livro de Tolstói, inclusive com semelhanças de enredo. O jogador de futebol Gustavo Scarpa, do Atlético Mineiro, contou que leu “A Morte de Ivan Ilitch” e recomendou o livro.


    Pronto! Foi o suficiente para causar surpresa. Não pelo Tolstói. Pelo Scarpa.


    Como assim, um jogador de futebol lendo literatura russa do século XIX? A reação diz muito sobre nós. Parece que ainda distribuímos as pessoas em gavetas: jogador joga bola, médico cuida de doente, advogado fala difícil, jornalista escreve e professor lê. Se o sujeito sair da gaveta, dá um bug no sistema.


    Mas Scarpa pode jogar futebol e ler Tolstói. Pode discutir escalação, salário e campeonato e, no intervalo disso tudo, pensar sobre a brevidade da vida. Essa é a graça. Porque Tolstói escreveu sobre um homem que passou a vida inteira tentando cumprir o papel que esperavam dele. E nós continuamos fazendo isso, só que agora com celular, cartão de crédito, grupo de WhatsApp e uma necessidade permanente de parecer bem nas redes sociais, inflando incondicionalmente o nosso ego.


    Ivan Ilitch queria parecer bem-sucedido. As pessoas reais de hoje também. E, se possível, felizes, produtivas, jovens, interessantes e num lugar instagramável no fim de semana. A diferença é que Ivan descobriu tudo isso tarde demais. Nós ainda estamos em campo. As questões filosóficas abordadas por Tolstói, adaptadas aos nossos tempos, deveriam ser bem mais incômodas, mas não são, afinal, a gente acha que ler Tolstói não é pra todos, não é pra gente.


    Ivan Ilitch descobriu como deveria viver só depois de morrer. Morrer, talvez, nem seja o problema. Chegar ao último capítulo e descobrir que passamos a vida escrevendo para agradar os outros, isso sim, pode ser um problema.


Disponível em: https://diariodosul.com.br/colunistas/ramires-linhares/o-jogador-que-leu-tolstoi-39834

Dado o excerto:



“Porque Tolstói escreveu sobre um homem que passou a vida inteira tentando cumprir o papel que esperavam dele.”



Sobre o excerto afirma-se:



I. Os dois termos “que” são classificados como pronomes relativos, e ambos iniciam orações subordinadas adjetivas restritivas.


II. Os dois termos “que” são classificados como pronomes relativos, e ambos iniciam orações subordinadas adjetivas explicativas.


III. A locução verbal “tentando cumprir” passa a ideia de ação repetida continuamente.



Está(ão) correta(s):

Alternativas
Q4396145 Português

O jogador que leu Tolstói


(Ramires Linhares)



    Lev Nikoláievitch Tolstói (1828/1910) foi um escritor russo, reconhecido como um dos maiores e mais influentes autores de todos os tempos, escreveu “A Morte de Ivan Ilitch” em 1886, uma história curta sobre um homem que passou a vida fazendo tudo aquilo que a sociedade considerava certo. Estudou, construiu carreira, casou-se, comprou uma casa bonita, buscou prestígio e manteve uma aparência respeitável. Até que adoeceu.


    Foi quando percebeu uma coisa incômoda: talvez tivesse passado a vida inteira preocupado em parecer feliz, correto e bem-sucedido, sem nunca ter parado para perguntar se, de fato, era feliz.


    Li o livro mais de uma vez (como deve ser), cheguei a achar meio “água com açúcar” ou que tinha sido escrito de trás pra frente. A ideia de que é um livro sobre a morte fica para trás depois do meio. É um livro sobre a vida. A vida que levamos enquanto achamos que ainda temos muito tempo.


    Recentemente, aqui no Brasil, um episódio chamou a atenção para o livro de Tolstói, inclusive com semelhanças de enredo. O jogador de futebol Gustavo Scarpa, do Atlético Mineiro, contou que leu “A Morte de Ivan Ilitch” e recomendou o livro.


    Pronto! Foi o suficiente para causar surpresa. Não pelo Tolstói. Pelo Scarpa.


    Como assim, um jogador de futebol lendo literatura russa do século XIX? A reação diz muito sobre nós. Parece que ainda distribuímos as pessoas em gavetas: jogador joga bola, médico cuida de doente, advogado fala difícil, jornalista escreve e professor lê. Se o sujeito sair da gaveta, dá um bug no sistema.


    Mas Scarpa pode jogar futebol e ler Tolstói. Pode discutir escalação, salário e campeonato e, no intervalo disso tudo, pensar sobre a brevidade da vida. Essa é a graça. Porque Tolstói escreveu sobre um homem que passou a vida inteira tentando cumprir o papel que esperavam dele. E nós continuamos fazendo isso, só que agora com celular, cartão de crédito, grupo de WhatsApp e uma necessidade permanente de parecer bem nas redes sociais, inflando incondicionalmente o nosso ego.


    Ivan Ilitch queria parecer bem-sucedido. As pessoas reais de hoje também. E, se possível, felizes, produtivas, jovens, interessantes e num lugar instagramável no fim de semana. A diferença é que Ivan descobriu tudo isso tarde demais. Nós ainda estamos em campo. As questões filosóficas abordadas por Tolstói, adaptadas aos nossos tempos, deveriam ser bem mais incômodas, mas não são, afinal, a gente acha que ler Tolstói não é pra todos, não é pra gente.


    Ivan Ilitch descobriu como deveria viver só depois de morrer. Morrer, talvez, nem seja o problema. Chegar ao último capítulo e descobrir que passamos a vida escrevendo para agradar os outros, isso sim, pode ser um problema.


Disponível em: https://diariodosul.com.br/colunistas/ramires-linhares/o-jogador-que-leu-tolstoi-39834

Leia o fragmento que segue:



“Estudou, construiu carreira, casou-se, comprou uma casa bonita, buscou prestígio e manteve uma aparência respeitável.”



Sobre o fragmento afirma-se:



I. O fragmento é constituído de um período composto no qual se encontram seis orações, cinco delas coordenadas e uma subordinada.


II. O termo “bonita” é um predicativo do objeto.


III. O termo “prestígio” é um objeto direto.



Está(ão) correta(s):

Alternativas
Q4396139 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Professor bem preparado para quê?


    Dados sobre o ensino no País animam e preocupam. São uma espécie de resumo das contradições de um país que cresce sem romper sua imensa desigualdade social. Muitos índices de educação dos jovens melhoraram na última década, mas mais de 7 milhões de jovens não concluíram o ensino médio e estão fora das escolas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de alunos cresce, mas milhões deles concluem o ciclo básico com conhecimentos inferiores aos considerados necessários para agir com autonomia, espírito crítico e iniciativa num mundo em rápidas transformações tecnológicas. Superar essa deficiência exige professores adequadamente preparados. É desolador, no entanto, constatar que são escassas as políticas públicas com esse objetivo e, pior, observar que certas ações do poder público enfraquecem o papel do professor, o que pode comprometer o aprendizado e o futuro do aluno.

    Programas para o aperfeiçoamento da docência na rede pública existem. Desde 2007, a Universidade de São Paulo (USP) mantém o programa Encontro USP-Escola, para, como explica, “promover a formação continuada de docentes da educação básica e promover a interlocução entre a universidade e a escola”.

    Surgido de uma iniciativa do Instituto de Física da USP, o encontro vinha sendo bastante procurado por professores da rede pública. Em 2023, foram 1.607 inscritos; em 2024, 1.170; em 2025, 1.219. Em 2026, segundo informações preliminares, foram cerca de 600. O que aconteceu? Desalento dos professores? Não parece uma hipótese descartável, pelo menos no caso dos professores da rede estadual de ensino de São Paulo. Está havendo uma rápida substituição de professores efetivos por temporários. Alguns dados mostram a rapidez e a extensão desse processo. Em 2023, pela primeira vez, os temporários (101 mil) superaram os efetivos (90,5 mil), segundo uma pesquisa do Todos pela Educação, uma instituição privada que luta pela melhoria do ensino público.

    Do ponto de vista pedagógico, no entanto, talvez a mudança que mais afetou o trabalho dos professores dessa rede tenha sido a evolução do projeto de adotar materiais didáticos digitais (basicamente slides) obrigatórios em sala de aula. Instituições que congregam professores da rede pública têm afirmado que esse modelo, chamado de plataformização do ensino, por meio do uso intensivo de material digital nas salas de aula, vem acompanhado de uma espécie de privatização do ensino público (em razão do aumento dos gastos com a compra de equipamentos e material didático fornecidos por empresas privadas).

    No entanto, seu efeito mais preocupante, de acordo com essas instituições, é a drástica redução do papel do professor na sala de aula. O Grupo Escola Pública e Democracia (Gepud) acrescenta que o uso intenso das plataformas tem causado desinteresse e cansaço nos estudantes e contraria a tendência mundial de reduzir a utilização das tecnologias digitais e o tempo de uso de telas por crianças e adolescentes. Mais ainda, “as plataformas retiram dos professores a essência da atividade docente: o planejamento, a organização e a condução de suas aulas”.

    Na essência, então, professor bem preparado para quê? Apenas para orientar os alunos sobre como manejar uma máquina?


(Jorge J. Okubaro. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 30.06.2026. Adaptado)


Como dizem H&H, uma elipse é uma substituição por zero (p. 89), é um mecanismo relativamente bem conhecido (...).

(Sírio Possenti, Discurso, estilo e subjetividade, 2001)

O mecanismo de organização textual citado por Sírio Possenti ocorre na seguinte passagem do texto:
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Q4395312 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.


    Recentemente, conheci uma artista plástica que me disse: “Voltei a pintar só agora, depois de 30 anos”. Eu perguntei o que havia acontecido e ela me contou traumatizada: “Uma pessoa disse que eu era ruim”. Uma pessoa? Pensei na quantidade de gente que já fez textão pra me detonar e queria rir.

    A artista contou que só conseguiu voltar porque “mudou completamente”. Entendo. Eu começo a digitar meia palavra numa crônica e fico meio enjoada. Até quando eu vou escrever como eu escreveria? Daí tento ser diferente e acho tão chato que preciso comer absolutamente tudo que tem em minha casa. Uma semana antes da Flip, eu acordei desejando profundamente que algo acontecesse e eu me visse livre da viagem. Podia inundar a cidade, pegar fogo na pousada que me receberia, ter algum desmoronamento na estrada. Lembrando que pensamentos intrusivos não fazem de mim uma má pessoa. Outras coisas, sim.

    A Flip é extraordinária, mas também o desfile máximo de nossos egos e sombras. Você precisa estar lá e você precisa, pelo amor de Deus, sair correndo de lá. Você adora aquelas pessoas e você, nossa Senhora, tem pavor daquelas pessoas. Você é celebrado e um lixo. Então, quatro dias antes da Flip, brincando de cavalinho com uma criança de três anos, eu realizei meu sonho. Meu disco rasgou, hérnia pra fora. O ortopedista do hospital lamentou, enquanto me aplicava morfina e Diprospan: “Esquece Paraty”. Eu andava pela casa como uma orangotango idosa. Meus braços pendiam imensos e minha cabeça parecia sair do meio do meu estômago. Eu estava tão feia e tão desgraçada que não conseguia parar de fazer piadas. Minha filha e meu namorado riam muito e comecei a gostar da situação.

    Quando cheguei ao hospital, rapidamente vieram me trazer uma cadeira de rodas, mas eu percebi que as pessoas na sala de espera desviavam o olhar por incômodo e para não rir. Estava feito o convite: eu precisava entregar o show. A orangotango velha desfilou entre elas. Provocativa, dramática, “exposta”, exagerada. As crianças riram muito, ainda que as mães tentassem controlá-las. A força que isso foi me dando. O prazer que a exposição ao ridículo me dá. (É assim que você escreve e olha o que causa!) Não se curve! Não se curve!! Fiquei totalmente de pé na manhã da viagem.


(Altos, baixos e curvados. Tati Bernardi para Folha de SP. Adaptado).
Analise a frase abaixo para responder à questão.

“Daí” tento ser diferente e acho tão chato que preciso comer absolutamente tudo que tem em minha casa.

De acordo com a norma padrão da Língua Portuguesa, quanto à significação das palavras e às classes de palavras, a palavra “daí” é utilizada no texto como
Alternativas
Q4394892 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Uma tragédia de múltiplas faces


     A taxa de analfabetismo entre brasileiros com mais de 15 anos caiu abaixo de 5% pela primeira vez na série histórica, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano passado, o indicador ficou em 4,9%. A boa notícia acaba aí.

    Segundo dados do módulo de educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2025, nada menos do que 8,4 milhões de pessoas em todo o país ainda não sabiam ler e escrever. Uma verdadeira tragédia. Mais da metade dessas pessoas, 4,8 milhões, está concentrada no Nordeste.

     No Brasil, o analfabetismo é também mais frequente entre os cidadãos mais velhos e entre pretos e pardos. Na faixa etária acima dos 60 anos, quase 5 milhões de pessoas não sabiam ler ou escrever um simples bilhete.

    Cerca de 2,8% da população branca com 15 anos ou mais era analfabeta; entre pretos e pardos na mesma faixa etária, o porcentual foi de 6,5%. Entre os maiores de 60 anos, a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos chegou a 20,6% no ano passado – quase o triplo da verificada entre os brancos (7,3%). Os números são o retrato das dificuldades históricas que esse grupo enfrenta no acesso à educação.

  Um estudo divulgado no ano passado pela organização Ação Educativa e pela consultoria Conhecimento Social revelou que o analfabetismo funcional entre a população de 15 a 64 anos ficou em 29% em 2024, o mesmo patamar registrado em 2018. O levantamento também apontou que apenas um em cada quatro brasileiros nessa faixa etária – o equivalente a 23% da população – tinha nível elevado de habilidade digital.

    Numa era em que dominar aplicativos de celular é tão essencial quanto saber o abecedário, a maioria dos brasileiros tem dificuldade para executar tarefas básicas por meios digitais, como inscrever-se num evento pela internet ou localizar um filme numa plataforma de streaming.

   O país tem diante de si a tarefa urgente de repensar como educa seus cidadãos, dos pequenos aos universitários, sem esquecer os responsáveis por transmitir esse conhecimento.


(Editorial, 28.06.2026. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/. Adaptado)
Considere as passagens do texto a seguir:

•  Os números são o retrato das dificuldades históricas que esse grupo enfrenta no acesso à educação. (4o parágrafo)
•  ... sem esquecer os responsáveis por transmitir esse conhecimento. (7o parágrafo)

De acordo com a norma-padrão, as expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, por:
Alternativas
Q4394807 Português
Leia o texto II e responda à questão.

Captura_de tela 2026-10-21 060746.png (375×431)


GOMES, Clara. Bichinhos de Jardim. Disponível em: https://bichinhosdejardim.com. Acesso em: março de 2026.

Descrição da imagem: A imagem é uma tirinha composta por quatro quadrinhos. No primeiro, há dois personagens, paciente e terapeuta, um em frente do outro. No segundo, o paciente inicia o diálogo e permanece assim, conversando com o seu terapeuta, no terceiro e quarto quadrinhos. 
Na oração “... Estou de volta à terapia”, o termo em destaque é 
Alternativas
Q4394802 Português
Leia o texto I e responda à questão.

TEXTO I

Arte prescrita: médicos passam a recomendar atividades culturais para lidar com depressão e solidão

Imagine sair de uma consulta médica com a prescrição de, assim que possível, visitar um museu, ir ao teatro, ao cinema ou a um show — tudo isso sendo seriamente considerado como uma ferramenta de tratamento. Parece insólito, é verdade, mas a prática começa a ganhar força no Brasil e no mundo e tem até nome. São as “prescrições sociais” que miram na necessidade de conexão com o outro e, portanto, na capacidade da arte (e outras atividades coletivas) de aproximar pessoas, contar histórias, partilhar contextos, entre outros aspectos.

Projetos realizados na Bélgica e na Suíça, por exemplo, permitiam que médicos dessem indicações de visitas a museus para quem passa por desafios de ordem psicológica, da depressão ao burnout, como uma forma de promover o bem-estar.

No Brasil, a conversa sobre atividades artísticas também ocupa as consultas e fazem parte da anamnese (a conversa entre médico e paciente que coleta informações para diagnóstico e tratamento) de diversos psiquiatras.

— A prescrição de atividades culturais entra como uma ferramenta terapêutica adjuvante, ela não substitui medicação — explica Priscila Rocco, psiquiatra e psicoterapeuta do Hospital Sírio-Libanês. — Ela pode colaborar com o alívio do sofrimento psíquico. E, nesse caso, a gente não precisa de um diagnóstico psiquiátrico para oferecer. O nosso foco pode ser aliviar o estresse, por exemplo.

Priscilla explica que um dos ganhos desse tipo de atividade é, basicamente, a manifestação “não verbal” de alguns dos sentimentos. Ou seja, vai além de só incentivar o paciente a sair de casa e dar uma volta, tem a ver com o contato com novas narrativas e interpretações do mundo, da sociedade.

ALIADA NA PREVENÇÃO

Luiz Gustavo Zoldan, psiquiatra e gerente médico da unidade de saúde mental do Einstein, diz ainda que esse tipo de prescrição pode ir além e não só “remediar” diagnósticos de saúde já conhecidos, mas trabalhar na promoção da boa saúde, ou seja, na área da prevenção de problemas psíquicos.

— São atividades que ajudam a reduzir estresse, desacelerar o ritmo mental, ampliar a percepção de si, do mundo, gerar emoções positivas, que ajudam a contrabalancear emoções negativas — diz. — Isso contribui para o bem-estar emocional de forma concreta, e tem impacto na promoção de saúde e no cuidado de transtornos como depressão e ansiedade.

A prescrição, dizem os especialistas, não pode ser feita de maneira generalista, mas deve levar em consideração experiências anteriores e os gostos do paciente. Ou seja, se a pessoa costumava ir a exposições e em algum momento deixou de ir, é uma ótima ideia voltar ao hábito de visitar museus. Mostras temáticas sobre assuntos como futebol, música e história — quando se conectam com algo que já despertava uma vontade anterior — também são mais do que válidas. Além disso, o vínculo entre médico e paciente também pesa na hora de aderir, ou não, à indicação.

No Reino Unido as chamadas “prescrições sociais” miram ainda em pessoas que estão sozinhas ou se sentem isoladas, além de questões mentais diversas. O serviço abrange atividades culturais como grupos de coral, aulas de dança, visitas a galerias, sessões musicais e ainda abre espaço para atividades como grupos esportivos e práticas onde há contato com a natureza.

Uma das maiores especialistas no tema em todo o mundo, a pesquisadora e professora Jill Sonke, ligada à Universidade da Flórida, conta que ao menos 40 países adotam algum tipo de prescrição social, e a maior parte dessas localidades conta com prescrições de atividades artísticas. O Canadá e o Reino Unido, ela explica, têm avançado rapidamente nesse tipo de prática.

Uma publicação recente da professora Sonke junto a outros pesquisadores, porém, chama atenção ao demonstrar que as atividades culturais têm impactos positivos que vão além dos desafios de ordem mental. Eles podem ser benéficos também para reduzir doenças não transmissíveis, como diabetes e obesidade, que figuram como grandes desafios em termos de saúde global. O estudo — que fez uma revisão de 95 artigos com análises de programas artísticos em 27 países — foi publicado em outubro de 2025 na revista Nature.

REVOLUÇÃO A CAMINHO

Embora ainda exista uma resistência em incluir atividades artísticas como verdadeiras promotoras de saúde, a professora acredita que viveremos uma verdadeira “revolução”, na qual esse tipo de participação se tornará cada vez mais relevante para a saúde individual e coletiva.


ROSÁRIO, Mariana. Arte prescrita: médicos passam a recomendar atividades culturais para lidar com depressão e solidão. O Globo, São Paulo,4 jan.2026. Caderno Saúde.
Assinale a alternativa que apresenta o núcleo do sujeito da seguinte oração: “... e ainda abre espaço para atividades como grupos esportivos e práticas onde há contato com a natureza.” (8º§).
Alternativas
Q4394801 Português
Leia o texto I e responda à questão.

TEXTO I

Arte prescrita: médicos passam a recomendar atividades culturais para lidar com depressão e solidão

Imagine sair de uma consulta médica com a prescrição de, assim que possível, visitar um museu, ir ao teatro, ao cinema ou a um show — tudo isso sendo seriamente considerado como uma ferramenta de tratamento. Parece insólito, é verdade, mas a prática começa a ganhar força no Brasil e no mundo e tem até nome. São as “prescrições sociais” que miram na necessidade de conexão com o outro e, portanto, na capacidade da arte (e outras atividades coletivas) de aproximar pessoas, contar histórias, partilhar contextos, entre outros aspectos.

Projetos realizados na Bélgica e na Suíça, por exemplo, permitiam que médicos dessem indicações de visitas a museus para quem passa por desafios de ordem psicológica, da depressão ao burnout, como uma forma de promover o bem-estar.

No Brasil, a conversa sobre atividades artísticas também ocupa as consultas e fazem parte da anamnese (a conversa entre médico e paciente que coleta informações para diagnóstico e tratamento) de diversos psiquiatras.

— A prescrição de atividades culturais entra como uma ferramenta terapêutica adjuvante, ela não substitui medicação — explica Priscila Rocco, psiquiatra e psicoterapeuta do Hospital Sírio-Libanês. — Ela pode colaborar com o alívio do sofrimento psíquico. E, nesse caso, a gente não precisa de um diagnóstico psiquiátrico para oferecer. O nosso foco pode ser aliviar o estresse, por exemplo.

Priscilla explica que um dos ganhos desse tipo de atividade é, basicamente, a manifestação “não verbal” de alguns dos sentimentos. Ou seja, vai além de só incentivar o paciente a sair de casa e dar uma volta, tem a ver com o contato com novas narrativas e interpretações do mundo, da sociedade.

ALIADA NA PREVENÇÃO

Luiz Gustavo Zoldan, psiquiatra e gerente médico da unidade de saúde mental do Einstein, diz ainda que esse tipo de prescrição pode ir além e não só “remediar” diagnósticos de saúde já conhecidos, mas trabalhar na promoção da boa saúde, ou seja, na área da prevenção de problemas psíquicos.

— São atividades que ajudam a reduzir estresse, desacelerar o ritmo mental, ampliar a percepção de si, do mundo, gerar emoções positivas, que ajudam a contrabalancear emoções negativas — diz. — Isso contribui para o bem-estar emocional de forma concreta, e tem impacto na promoção de saúde e no cuidado de transtornos como depressão e ansiedade.

A prescrição, dizem os especialistas, não pode ser feita de maneira generalista, mas deve levar em consideração experiências anteriores e os gostos do paciente. Ou seja, se a pessoa costumava ir a exposições e em algum momento deixou de ir, é uma ótima ideia voltar ao hábito de visitar museus. Mostras temáticas sobre assuntos como futebol, música e história — quando se conectam com algo que já despertava uma vontade anterior — também são mais do que válidas. Além disso, o vínculo entre médico e paciente também pesa na hora de aderir, ou não, à indicação.

No Reino Unido as chamadas “prescrições sociais” miram ainda em pessoas que estão sozinhas ou se sentem isoladas, além de questões mentais diversas. O serviço abrange atividades culturais como grupos de coral, aulas de dança, visitas a galerias, sessões musicais e ainda abre espaço para atividades como grupos esportivos e práticas onde há contato com a natureza.

Uma das maiores especialistas no tema em todo o mundo, a pesquisadora e professora Jill Sonke, ligada à Universidade da Flórida, conta que ao menos 40 países adotam algum tipo de prescrição social, e a maior parte dessas localidades conta com prescrições de atividades artísticas. O Canadá e o Reino Unido, ela explica, têm avançado rapidamente nesse tipo de prática.

Uma publicação recente da professora Sonke junto a outros pesquisadores, porém, chama atenção ao demonstrar que as atividades culturais têm impactos positivos que vão além dos desafios de ordem mental. Eles podem ser benéficos também para reduzir doenças não transmissíveis, como diabetes e obesidade, que figuram como grandes desafios em termos de saúde global. O estudo — que fez uma revisão de 95 artigos com análises de programas artísticos em 27 países — foi publicado em outubro de 2025 na revista Nature.

REVOLUÇÃO A CAMINHO

Embora ainda exista uma resistência em incluir atividades artísticas como verdadeiras promotoras de saúde, a professora acredita que viveremos uma verdadeira “revolução”, na qual esse tipo de participação se tornará cada vez mais relevante para a saúde individual e coletiva.


ROSÁRIO, Mariana. Arte prescrita: médicos passam a recomendar atividades culturais para lidar com depressão e solidão. O Globo, São Paulo,4 jan.2026. Caderno Saúde.
Em ‘Luiz Gustavo Zoldan, psiquiatra e gerente médico da unidade de saúde mental do Einstein, diz ainda que esse tipo de prescrição pode ir além e não só “remediar” diagnósticos de saúde [...]’ (6º§), o termo destacado assume a função sintática de 
Alternativas
Q4394799 Português
Leia o texto I e responda à questão.

TEXTO I

Arte prescrita: médicos passam a recomendar atividades culturais para lidar com depressão e solidão

Imagine sair de uma consulta médica com a prescrição de, assim que possível, visitar um museu, ir ao teatro, ao cinema ou a um show — tudo isso sendo seriamente considerado como uma ferramenta de tratamento. Parece insólito, é verdade, mas a prática começa a ganhar força no Brasil e no mundo e tem até nome. São as “prescrições sociais” que miram na necessidade de conexão com o outro e, portanto, na capacidade da arte (e outras atividades coletivas) de aproximar pessoas, contar histórias, partilhar contextos, entre outros aspectos.

Projetos realizados na Bélgica e na Suíça, por exemplo, permitiam que médicos dessem indicações de visitas a museus para quem passa por desafios de ordem psicológica, da depressão ao burnout, como uma forma de promover o bem-estar.

No Brasil, a conversa sobre atividades artísticas também ocupa as consultas e fazem parte da anamnese (a conversa entre médico e paciente que coleta informações para diagnóstico e tratamento) de diversos psiquiatras.

— A prescrição de atividades culturais entra como uma ferramenta terapêutica adjuvante, ela não substitui medicação — explica Priscila Rocco, psiquiatra e psicoterapeuta do Hospital Sírio-Libanês. — Ela pode colaborar com o alívio do sofrimento psíquico. E, nesse caso, a gente não precisa de um diagnóstico psiquiátrico para oferecer. O nosso foco pode ser aliviar o estresse, por exemplo.

Priscilla explica que um dos ganhos desse tipo de atividade é, basicamente, a manifestação “não verbal” de alguns dos sentimentos. Ou seja, vai além de só incentivar o paciente a sair de casa e dar uma volta, tem a ver com o contato com novas narrativas e interpretações do mundo, da sociedade.

ALIADA NA PREVENÇÃO

Luiz Gustavo Zoldan, psiquiatra e gerente médico da unidade de saúde mental do Einstein, diz ainda que esse tipo de prescrição pode ir além e não só “remediar” diagnósticos de saúde já conhecidos, mas trabalhar na promoção da boa saúde, ou seja, na área da prevenção de problemas psíquicos.

— São atividades que ajudam a reduzir estresse, desacelerar o ritmo mental, ampliar a percepção de si, do mundo, gerar emoções positivas, que ajudam a contrabalancear emoções negativas — diz. — Isso contribui para o bem-estar emocional de forma concreta, e tem impacto na promoção de saúde e no cuidado de transtornos como depressão e ansiedade.

A prescrição, dizem os especialistas, não pode ser feita de maneira generalista, mas deve levar em consideração experiências anteriores e os gostos do paciente. Ou seja, se a pessoa costumava ir a exposições e em algum momento deixou de ir, é uma ótima ideia voltar ao hábito de visitar museus. Mostras temáticas sobre assuntos como futebol, música e história — quando se conectam com algo que já despertava uma vontade anterior — também são mais do que válidas. Além disso, o vínculo entre médico e paciente também pesa na hora de aderir, ou não, à indicação.

No Reino Unido as chamadas “prescrições sociais” miram ainda em pessoas que estão sozinhas ou se sentem isoladas, além de questões mentais diversas. O serviço abrange atividades culturais como grupos de coral, aulas de dança, visitas a galerias, sessões musicais e ainda abre espaço para atividades como grupos esportivos e práticas onde há contato com a natureza.

Uma das maiores especialistas no tema em todo o mundo, a pesquisadora e professora Jill Sonke, ligada à Universidade da Flórida, conta que ao menos 40 países adotam algum tipo de prescrição social, e a maior parte dessas localidades conta com prescrições de atividades artísticas. O Canadá e o Reino Unido, ela explica, têm avançado rapidamente nesse tipo de prática.

Uma publicação recente da professora Sonke junto a outros pesquisadores, porém, chama atenção ao demonstrar que as atividades culturais têm impactos positivos que vão além dos desafios de ordem mental. Eles podem ser benéficos também para reduzir doenças não transmissíveis, como diabetes e obesidade, que figuram como grandes desafios em termos de saúde global. O estudo — que fez uma revisão de 95 artigos com análises de programas artísticos em 27 países — foi publicado em outubro de 2025 na revista Nature.

REVOLUÇÃO A CAMINHO

Embora ainda exista uma resistência em incluir atividades artísticas como verdadeiras promotoras de saúde, a professora acredita que viveremos uma verdadeira “revolução”, na qual esse tipo de participação se tornará cada vez mais relevante para a saúde individual e coletiva.


ROSÁRIO, Mariana. Arte prescrita: médicos passam a recomendar atividades culturais para lidar com depressão e solidão. O Globo, São Paulo,4 jan.2026. Caderno Saúde.
Há uma conjunção e uma preposição destacadas, nessa ordem, em:
Alternativas
Respostas
101: C
102: D
103: E
104: A
105: D
106: C
107: C
108: E
109: B
110: D
111: C
112: D
113: C
114: A
115: B
116: E
117: D
118: E
119: C
120: E