Questões de Concurso
Sobre análise sintática em português
Foram encontradas 9.570 questões
Leia:
Chegou mais um livro de Jamil Snege.
Quem avisava era a livreira Cida. Ao vivo ou por telefone.
E a gente ia lá comprar. Eu comprava mais de um exemplar. Para fazer circular, dar de presente.
Snege mesmo distribuía a sua obra. E Cida, em São Paulo, recebia os pacotes. E alardeava. Quem primeiro me falou de Jamil Snege foi Marçal Aquino. Vá lá na Cida. Ela tem.
Sim, nos encantava a linguagem do autor. A concisão, o humor. E também esse jeito amador. Essa guerrilha. De ele mesmo soltar os livros por aí. E cuidar das edições. E gostar deste contato estreito com o leitor. [...]
Nas minhas oficinas literárias, não canso de falar da pequena grande obra de Jamil. E de como ele ainda é moderno, antenado, necessário, sempiternamente. Os bons leitores entendem o recado.
MARCELINO FREIRE
SANCHES NETO, Miguel. Roteiro literário Jamil Snege. Curitiba: Biblioteca Pública do Paraná, 2017. p. 2. Disponível em: https://www.bpp.pr.gov.br/sites/biblioteca/arquivos_restritos/files/documento/20 21-03/roteiro_literario_jamil_snege.pdf acesso em 16.8.26
O texto de apresentação do “Roteiro literário Jamil Snege” recorre a estruturas sintáticas predominantemente
O texto seguinte servirá de base para responder à questão
Ética e inclusão: Atender com respeito às singularidades
Respeitar singularidades não é um favor; é um dever ético. A escuta com atenção, o olhar cuidadoso ao outro e a recusa a qualquer forma de discriminação são a base de um serviço público verdadeiramente ético e inclusivo.
Você já parou para pensar no que significa, de fato, atender o outro com respeito? Não se trata apenas de um bom dia educado ou de seguir um roteiro. Trata-se de enxergar a pessoa à nossa frente, seja ela um cidadão que busca um serviço, um colega de trabalho ou uma pessoa que trabalha conosco, em sua totalidade, com suas vivências, limitações e qualidades.
A ética pública nos convida a ir além da impessoalidade correta. Ela nos chama à escuta com atenção: aquela que não interrompe, não julga antes da hora e não impõe soluções padronizadas. O trabalho com pessoas, praticado todos os dias por todo servidor público, exige respeito à individualidade, ao ritmo, ao jeito de cada um, exige ajustes às necessidades e limitações.
Quantas vezes, no atendimento ao público, chamamos uma demanda de "difícil" apenas porque fugia do roteiro? Quantas vezes, na relação entre servidores, colocamos a hierarquia acima do respeito, a ponto de silenciar o outro? E nas Comissões de Ética, quantas diferenças podem passar despercebidas se não houver um olhar atento e sensível às diferentes realidades, de gênero, raça, deficiência, neurodiversidade, crença ou situação familiar? A honestidade, a cortesia, a boa-fé e a eficiência só se realizam plenamente quando somamos a inclusão como valor presente em tudo. Isso significa adaptar a linguagem, oferecer tempo e espaço para que o outro se expresse, e evitar atitudes de superioridade ou discriminatórias — ainda que sem querer.
Para as Comissões de Ética, esse cuidado é ainda mais importante. Suas funções exigem uma postura respeitosa e justa, mas também sensibilidade para compreender o contexto de quem fala. Um servidor com deficiência auditiva pode não responder a um comando falado de imediato; uma pessoa em situação de rua pode ter dificuldade de se expressar de forma mais formal; um colega autista pode entender instruções de forma literal. Acolher essas diferenças não é "dar tratamento privilegiado", é garantir a igualdade de tratamento naquilo que é essencial, respeitando o que é particular de cada um.
Para as autoridades mais altas, o chamado é ainda mais forte, é obrigatório: a hierarquia não dispensa o respeito. Pelo contrário, exige ainda mais responsabilidade na forma de cobrar resultados, de ouvir opiniões contrárias e de reconhecer os próprios erros de julgamento. Um gestor que não respeita as diferenças de sua equipe gera medo, adoecimento e prejudica não só o ambiente de trabalho, mas a confiança na instituição.
Neste mês, fazemos um convite à reflexão.
Minhas atitudes, palavras e decisões demonstram escuta ativa e respeito às diferenças?
Estou atento(a) a situações em que, mesmo sem intenção, padronizo expectativas e desconsidero as diferenças das pessoas?
Como posso contribuir para que o ambiente de trabalho e o atendimento ao público sejam espaços de acolhimento e igualdade?
A ética pública não se resume ao cumprimento de leis e regras. Ela se vive na relação concreta com o outro, em como pedimos desculpas por um erro e como aprendemos com quem é diferente de nós. E a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreender suas motivações, limitações e emoções, é ferramenta essencial para uma conduta verdadeiramente íntegra, ética e inclusiva. Sem empatia, o trato neutro vira frieza; a hierarquia, autoritarismo; a regra, obstáculo.
Cabe a nós reafirmar nosso compromisso permanente com a ética, a integridade e o respeito nas relações institucionais, reconhecendo que empatia não é fraqueza e inclusão não é excesso de tolerância, mas o reconhecimento "do outro" como parte legítima da relação. Que a escuta com atenção e o respeito às diferenças sejam nossa referência. Assim, o serviço público se fortalece, e o Brasil avança com ética para todos.
Considerando a regência do verbo ''convidar'', analise as asserções seguintes.
I. No trecho, o verbo ''convidar'' é empregado com valor semântico de incentivo à reflexão, apresentando regência transitiva indireta
PORQUE
II. O verbo ''convidar'' apresenta o objeto indireto representado pelo pronome oblíquo ''nos'', e é seguido de uma oração reduzida de infinitivo introduzida pela preposição ''a'', estrutura que reforça essa classificação.
A respeito das asserções, assinale a alternativa correta.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão
Ética e inclusão: Atender com respeito às singularidades
Respeitar singularidades não é um favor; é um dever ético. A escuta com atenção, o olhar cuidadoso ao outro e a recusa a qualquer forma de discriminação são a base de um serviço público verdadeiramente ético e inclusivo.
Você já parou para pensar no que significa, de fato, atender o outro com respeito? Não se trata apenas de um bom dia educado ou de seguir um roteiro. Trata-se de enxergar a pessoa à nossa frente, seja ela um cidadão que busca um serviço, um colega de trabalho ou uma pessoa que trabalha conosco, em sua totalidade, com suas vivências, limitações e qualidades.
A ética pública nos convida a ir além da impessoalidade correta. Ela nos chama à escuta com atenção: aquela que não interrompe, não julga antes da hora e não impõe soluções padronizadas. O trabalho com pessoas, praticado todos os dias por todo servidor público, exige respeito à individualidade, ao ritmo, ao jeito de cada um, exige ajustes às necessidades e limitações.
Quantas vezes, no atendimento ao público, chamamos uma demanda de "difícil" apenas porque fugia do roteiro? Quantas vezes, na relação entre servidores, colocamos a hierarquia acima do respeito, a ponto de silenciar o outro? E nas Comissões de Ética, quantas diferenças podem passar despercebidas se não houver um olhar atento e sensível às diferentes realidades, de gênero, raça, deficiência, neurodiversidade, crença ou situação familiar? A honestidade, a cortesia, a boa-fé e a eficiência só se realizam plenamente quando somamos a inclusão como valor presente em tudo. Isso significa adaptar a linguagem, oferecer tempo e espaço para que o outro se expresse, e evitar atitudes de superioridade ou discriminatórias — ainda que sem querer.
Para as Comissões de Ética, esse cuidado é ainda mais importante. Suas funções exigem uma postura respeitosa e justa, mas também sensibilidade para compreender o contexto de quem fala. Um servidor com deficiência auditiva pode não responder a um comando falado de imediato; uma pessoa em situação de rua pode ter dificuldade de se expressar de forma mais formal; um colega autista pode entender instruções de forma literal. Acolher essas diferenças não é "dar tratamento privilegiado", é garantir a igualdade de tratamento naquilo que é essencial, respeitando o que é particular de cada um.
Para as autoridades mais altas, o chamado é ainda mais forte, é obrigatório: a hierarquia não dispensa o respeito. Pelo contrário, exige ainda mais responsabilidade na forma de cobrar resultados, de ouvir opiniões contrárias e de reconhecer os próprios erros de julgamento. Um gestor que não respeita as diferenças de sua equipe gera medo, adoecimento e prejudica não só o ambiente de trabalho, mas a confiança na instituição.
Neste mês, fazemos um convite à reflexão.
Minhas atitudes, palavras e decisões demonstram escuta ativa e respeito às diferenças?
Estou atento(a) a situações em que, mesmo sem intenção, padronizo expectativas e desconsidero as diferenças das pessoas?
Como posso contribuir para que o ambiente de trabalho e o atendimento ao público sejam espaços de acolhimento e igualdade?
A ética pública não se resume ao cumprimento de leis e regras. Ela se vive na relação concreta com o outro, em como pedimos desculpas por um erro e como aprendemos com quem é diferente de nós. E a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreender suas motivações, limitações e emoções, é ferramenta essencial para uma conduta verdadeiramente íntegra, ética e inclusiva. Sem empatia, o trato neutro vira frieza; a hierarquia, autoritarismo; a regra, obstáculo.
Cabe a nós reafirmar nosso compromisso permanente com a ética, a integridade e o respeito nas relações institucionais, reconhecendo que empatia não é fraqueza e inclusão não é excesso de tolerância, mas o reconhecimento "do outro" como parte legítima da relação. Que a escuta com atenção e o respeito às diferenças sejam nossa referência. Assim, o serviço público se fortalece, e o Brasil avança com ética para todos.
Considerando os mecanismos de coesão e coerência empregados no texto, analise as afirmativas a seguir.
I. A expressão ''essas diferenças'' retoma, de forma anafórica, o conjunto de situações mencionadas anteriormente no período (a respeito do servidor com deficiência auditiva, da pessoa em situação de rua e do colega autista).
II. Os pontos e vírgulas empregados entre os três exemplos citados cumprem função equivalente à da conjunção ''e'', articulando os exemplos como itens de uma mesma enumeração.
III. A oração ''não é dar tratamento privilegiado'' estabelece relação de causa em relação à oração seguinte, justificando por que é necessário garantir a igualdade de tratamento.
IV. O pronome ''que'' em "naquilo que é essencial" e o pronome ''que'' em ''o que é particular'' exercem a mesma função sintática, retomando, em ambos os casos, o mesmo termo antecedente.
Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Garnier
Crônica publicada por Machado de Assis em outubro de 1893, após a morte do livreiro e editor B. L. Garnier, cuja livraria funcionava na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.
Durante meio século, Garnier não fez outra coisa, senão estar ali, naquele mesmo lugar, trabalhando. Já enfermo desde alguns anos, com a morte no peito, descia todos os dias de Santa Teresa para a loja, de onde regressava antes de cair a noite.
[...] os cemitérios são tristes, não em si mesmos, ao contrário. Quando outro dia fui a enterrar o nosso velho livreiro, vi entrar no de S. João Batista, já acabada a cerimônia e o trabalho, um bando de crianças que iam divertir-se. Iam alegres, como quem não pisa memórias nem saudades.
Vivos há-os ainda, e dos bons, que alguma coisa se lembrarão daquela casa e do homem que a fez e perfez. Editar obras jurídicas ou escolares, não é mui difícil; a necessidade é grande, a procura certa. [...] Quem a vê agora, fechadas as portas, trancados os mostradores, à espera da justiça, do inventário e dos herdeiros, há de sentir que falta alguma coisa à rua.
Pessoalmente, que proveito deram a esse homem as suas labutações? O gosto do trabalho, um gosto que se transformou em pena, porque no dia em que devera libertar-se dele, não pôde mais; o instrumento da riqueza era também o do castigo. [...] Valha sequer a memória, ainda que perdida nas páginas dos dicionários biográficos. Perdure a notícia, ao menos, de alguém que neste país novo ocupou a vida inteira em criar uma indústria liberal, ganhar alguns milhares de contos de réis, para ir afinal dormir em sete palmos de uma sepultura perpétua. Perpétua!
Vocabulário: perfez: concluiu, completou (do verbo "perfazer"). mui: muito. labutações: trabalhos árduos. devera: deveria. contos de réis: unidade de conta da antiga moeda brasileira.
ASSIS, Machado de. Garnier. In: ASSIS, Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. v. 2. Publicado originalmente em Páginas recolhidas (Rio de Janeiro: Garnier, 1906). Disponível em:
https://machado.mec.gov.br/obra-completa-lista/item/download/44_efbd a0d80ae2b6fd9a0cab326fad708c. Acesso em: 16 set. 2026. (Fragmento adaptado: supressões indicadas por [...] e grafia atualizada conforme o Acordo Ortográfico vigente.)
"Editar obras jurídicas ou escolares, não é mui difícil; a necessidade é grande, a procura certa."
I. A vírgula empregada depois de "escolares" não encontra abono na norma-padrão atual, porque separa do predicado a oração que exerce a função de sujeito da oração principal.
PORQUE
II. A oração "Editar obras jurídicas ou escolares" funciona como complemento nominal anteposto ao adjetivo "difícil", e a anteposição desse complemento torna obrigatória a vírgula.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa CORRETA.
Julgue o item subsequente, acerca de aspectos linguísticos do texto CB1A1.
Os segmentos “fruto de muitas lutas e reivindicações dos movimentos negros” (segundo parágrafo) e “os mais elevados na hierarquia do Poder Executivo federal” (último parágrafo) exercem, nas orações em que se inserem, a mesma função sintática.
Leia o texto a seguir.
Nova IA adapta correção de redação
às neurodivergências dos estudantes
Ferramenta identifica os erros mais comuns cometidos por quatro
condições específicas: transtorno do espectro autista, transtorno do
déficit de atenção com hiperatividade, dislexia e disgrafia
Uma inteligência artificial (IA) educacional foi desenvolvida para corrigir redações de estudantes neurodivergentes adaptando suas dificuldades às notas. A ferramenta identifica os erros mais comuns cometidos por quatro condições específicas — transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), dislexia e disgrafia — e não os considera para a pontuação final dos alunos.
A nova função foi implementada na Red1000, uma plataforma de correção de texto automática do grupo Cogna. Atualmente, há 2,3 mil estudantes com neurodivergências cadastrados. Isso corresponde a 5% do total de alunos que utilizam a plataforma.
Em meia década, o número de diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas escolas quadruplicou, passando de 294.394, em 2021, para 1.298.637 no ano passado. Os dados do Censo Escolar 2025, promovido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), indicam a primeira vez em que os matriculados com TEA superaram aqueles com deficiência intelectual, respondendo por mais da metade do total de alunos da chamada educação especial. Neste novo cenário, diferentes ferramentas educacionais têm sido criadas ou adaptadas para atender esses estudantes.
Algumas escolas que utilizam a plataforma, segundo a Red1000, chegam a ter registrados com alguma neurodivergência mais de 20% dos estudantes. No Distrito Federal, um colégio privado que utiliza a ferramenta chegou a ter 26% dos alunos apenas com uma das quatro condições (TEA, TDAH, dislexia e disgrafia) que têm adaptações na IA de correção de redações.
De acordo com Carolina Siequeroli, gerente sênior de produto e fundadora da Red1000, os alunos atípicos acabavam se desestimulando em usar a plataforma por conta das baixas notas geradas pela correção padronizada. Com a nova função, a IA identifica os tipos de problemas causados pela neurodivergência, mas não desconta a pontuação.
— O aluno não utilizava a plataforma e deixava de treinar a redação. A ferramenta possibilitou que cada vez mais os alunos praticassem para fazer o Enem mais preparado — conta Siequeroli.
De acordo com os desenvolvedores, as escolas precisam cadastrar os alunos apontando suas neurodivergências para ativar a correção adaptada. Para isso, ela não exige laudo ou qualquer tipo de comprovação.
— Respeitamos a autonomia das instituições de ensino nesse processo: cabe à escola definir quando uma redação deve ser avaliada considerando necessidades educacionais específicas. Assim, mesmo que o estudante não tenha um diagnóstico formal, se a escola entender que esse tipo de avaliação é o mais adequado ao seu contexto pedagógico, ela pode solicitar essa configuração na plataforma, sem necessidade de apresentar um documento ou laudo — diz Siequeroli.
Em alguns casos, ela pode até identificar padrões de escritas compatíveis com características frequentemente observadas em estudantes neurodivergentes. No entanto, isso não permite inferir qualquer diagnóstico — o que também não é a finalidade da tecnologia, de acordo com os idealizadores.
Cada uma das quatro neurodivergências possuem adaptações específicas para os alunos na plataforma. Os que estão no transtorno do espectro autista, por exemplo, têm sinalizados no máximo 15 desvios de ortografia, gramática, sintaxe ou vocabulário. Caso passe disso, apenas os mais relevantes são apresentados.
Para esse grupo, também há maior tolerância para organização textual não convencional, repetição de palavras, textos em blocos únicos, fuga ao tema ou tangenciamento.
Já as adaptações para estudantes com TDAH procuram “reduzir o impacto de dificuldades relacionadas à atenção sustentada, revisão textual e organização da escrita, sem comprometer a avaliação do conteúdo desenvolvido”, segundo o documento Red1000 com as adaptações programadas.
Na prática, isso significa que erros ortográficos possuem peso reduzido, pequenas distrações não geram penalizações desproporcionais e erros isolados recebem tratamento mais leve do que erros recorrentes. Além disso, transições abruptas; pequenas falhas de sequência lógica; e organização menos fluida, recebem penalizações leves quando o conteúdo principal está preservado.
Já transtornos específicos de aprendizagem, como dislexia e disgrafia, possuem adaptações como menores punições gramaticais; marcações deixam de ser penalizadoras e passam a funcionar apenas como sinalização pedagógica; e erros repetitivos deixam de ser punidos diversas vezes. Em vez disso, quando um mesmo padrão ocorre repetidamente, ele é explicado apenas uma vez ao estudante.
Outra adaptação aos alunos neurodivergentes é a forma como seus erros são explicados. Para eles, os comentários enfatizam mais estratégias de revisão, evolução da escrita e aspectos positivos do texto do que os erros. Os textos também passam a ter linguagem mais objetiva e orientações concretas.
Na avaliação de Jucélia Linhares, coordenadora do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Tecnologia Assistiva (Lepta) da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), a IA pode ser uma ferramenta efetiva de inclusão ao identificar padrões de escrita relacionados às neurodivergências e oferecer feedback imediato e personalizado, promovendo autonomia e reduzindo a exposição do aluno.
— Mas, para que seja efetiva, é fundamental que seja usada como ferramenta de apoio ao professor, e não como substituta, com formação docente adequada para a interpretação dos relatórios — afirmou a especialista.
De acordo com ela, a adaptação da correção, não punindo desvios da redação que são característicos das neurodivergências, permite uma avaliação mais justa. Segundo Linhares, a ferramenta não configura “facilitação”, mas sim uma adaptação razoável ao desconsiderar na correção aspectos que são manifestações diretas da neurodivergência.
— Ela passa a medir o conhecimento e o potencial do aluno, e não o sintoma. Isso valoriza o aprendizado, aumenta a autoestima e a motivação do estudante, evitando a desmotivação causada por notas baixas recorrentes que não refletem sua capacidade intelectual. Mas também é essencial que a plataforma e a escola utilizem um “modo simulado Enem”, sem as compensações, para que o aluno treine e desenvolva estratégias de revisão e adaptação para a prova. O objetivo da IA deve ser ainda preparar o aluno para a realidade da avaliação externa.
Fonte: https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2026/08/03/nova-ia-adap-ta-correcao-de-redacao-as-neurodivergencias-dos-estudantes.ghtml. Acesso em 30/08/2026. Texto adaptado.
Para responder à questão, teia o texto abaixo.
A tensão entre o universal e o local na implementação
dos Direitos Humanos
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948 como resposta às atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial, constitui um marco na historia dos direitos humanos. O documento estabeleceu um conjunto de direitos e liberdades a serem garantidos a todos os indivíduos, expressando o conceito de universalidade ao enunciar direitos comuns a todas as pessoas em razão de sua condição humana, sem nenhum tipo de discriminação, e ao afirmar que todos os seres humanos integram uma família única - a família humana - merecedora de respeito e dignidade em todos os lugares.
O debate sobre a tensão entre universalidade e relativismo cultural dos direitos humanos tem sido amplamente desenvolvido na literatura acadêmica contemporânea. O universalismo busca garantir que todas as pessoas, independentemente de qualquer condição, possuam direitos humanos; contudo, o caráter universalista sofre severas críticas por ser alegado que se trata de uma tentativa de homogeneizar as culturas. Paralelamente, a construção dos direitos humanos, segundo a proposta relativista, deve levar em consideração as particularidades, pois é preciso que o indivíduo se reconheça e se identifique com os valores defendidos, não sendo possível abstraí-lo de seu contexto cultural.
A literatura acadêmica consolidada tem aprofundado essa discussão a partir de diferentes perspectivas. Analisam-se os impasses entre a universalização dos direitos humanos e as particularidades culturais, propondo uma concepção contra-hegemônica e intercultural que supere os limites do universalismo de matriz ocidental. Também são exploradas as tensões entre igualdade e diferença no campo da Educação em Direitos Humanos, defendendo abordagens pedagógicas interculturais que reconheçam a diversidade sem abdicar de princípios fundamentais de dignidade humana. Tais contribuições evidenciam que o debate não se esgota na oposição binária entre universalismo e relativismo, mas aponta para a necessidade de abordagens dialógicas e contextualizadas.
Apesar da robustez teórica acumulada, ainda não foram identificados estudos que articulem de forma sistemática: (1) a operacionalização prática da Educação em Direitos Humanos como mediadora específica entre tensões universais e locais; (2) indicadores concretos para mensurar a efetividade de abordagens interculturais na implementação de direitos humanos; e (3) metodologias aplicadas que superem o nível teórico-conceitual. Esta lacuna evidencia a necessidade de pesquisas que avancem para proposições metodológicas e aplicações práticas concretas.
A problemática central reside na aparente contradição entre a necessidade de padrões universais de direitos humanos e o imperativo de respeitar as especificidades culturais locais. Como implementar direitos humanos de forma efetiva sem incorrer em imposições culturais? Como a Educação em Direitos Humanos pode atuar como mediadora desta tensão? Tais questionamentos, articulados à lacuna identificada, justificam a relevância e a urgência de investigações que avancem para além do debate conceitual.
Fonte: BOIAGO, C. E. P.; SALVIO, A. C. C. A tensão entre o universal e o local na implementação dos Direitos Humanos: desafios e afirmações. Revista Direitos Humanos e Sociedade, ls.l.l v. 9, n. 2, 2026 (com adaptações).
Considere as duas estruturas a seguir, formuladas a partir do texto:
Estrutura I: A tensão entre o universal e o local na implementação dos Direitos Humanos (título).
Estrutura II: a operacionalização prática da Educação em Direitos Humanos como mediadora específica entre tensões universais e locais (quarto parágrafo).
Sob o ponto de vista da morfologia e da classificação das palavras sublinhadas, assinale a alternativa CORRETA.
Para responder à questão, teia o texto abaixo.
A tensão entre o universal e o local na implementação
dos Direitos Humanos
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948 como resposta às atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial, constitui um marco na historia dos direitos humanos. O documento estabeleceu um conjunto de direitos e liberdades a serem garantidos a todos os indivíduos, expressando o conceito de universalidade ao enunciar direitos comuns a todas as pessoas em razão de sua condição humana, sem nenhum tipo de discriminação, e ao afirmar que todos os seres humanos integram uma família única - a família humana - merecedora de respeito e dignidade em todos os lugares.
O debate sobre a tensão entre universalidade e relativismo cultural dos direitos humanos tem sido amplamente desenvolvido na literatura acadêmica contemporânea. O universalismo busca garantir que todas as pessoas, independentemente de qualquer condição, possuam direitos humanos; contudo, o caráter universalista sofre severas críticas por ser alegado que se trata de uma tentativa de homogeneizar as culturas. Paralelamente, a construção dos direitos humanos, segundo a proposta relativista, deve levar em consideração as particularidades, pois é preciso que o indivíduo se reconheça e se identifique com os valores defendidos, não sendo possível abstraí-lo de seu contexto cultural.
A literatura acadêmica consolidada tem aprofundado essa discussão a partir de diferentes perspectivas. Analisam-se os impasses entre a universalização dos direitos humanos e as particularidades culturais, propondo uma concepção contra-hegemônica e intercultural que supere os limites do universalismo de matriz ocidental. Também são exploradas as tensões entre igualdade e diferença no campo da Educação em Direitos Humanos, defendendo abordagens pedagógicas interculturais que reconheçam a diversidade sem abdicar de princípios fundamentais de dignidade humana. Tais contribuições evidenciam que o debate não se esgota na oposição binária entre universalismo e relativismo, mas aponta para a necessidade de abordagens dialógicas e contextualizadas.
Apesar da robustez teórica acumulada, ainda não foram identificados estudos que articulem de forma sistemática: (1) a operacionalização prática da Educação em Direitos Humanos como mediadora específica entre tensões universais e locais; (2) indicadores concretos para mensurar a efetividade de abordagens interculturais na implementação de direitos humanos; e (3) metodologias aplicadas que superem o nível teórico-conceitual. Esta lacuna evidencia a necessidade de pesquisas que avancem para proposições metodológicas e aplicações práticas concretas.
A problemática central reside na aparente contradição entre a necessidade de padrões universais de direitos humanos e o imperativo de respeitar as especificidades culturais locais. Como implementar direitos humanos de forma efetiva sem incorrer em imposições culturais? Como a Educação em Direitos Humanos pode atuar como mediadora desta tensão? Tais questionamentos, articulados à lacuna identificada, justificam a relevância e a urgência de investigações que avancem para além do debate conceitual.
Fonte: BOIAGO, C. E. P.; SALVIO, A. C. C. A tensão entre o universal e o local na implementação dos Direitos Humanos: desafios e afirmações. Revista Direitos Humanos e Sociedade, ls.l.l v. 9, n. 2, 2026 (com adaptações).
Com relação à estrutura sintática e à morfossintaxe da oração O documento estabeleceu um conjunto de direitos, analise as partes que seguem:
(1ª parte): O vocábulo O classifica-se moíologicamente como artigo definido e atua sintaticamente como adjunto adnominal do núcleo do sujeito documento.
(2ª parte): A expressão de direitos exerce a função sintática de objeto indireto da oração, visto que é introduzida pela preposição de.
(3ª parte): A oração encontra-se estruturada na voz atíva, visto que o sujeito O documento executa a ação expressa pelo verbo estabeleceu.
Pode-se afirmar que

I- O termo “sem sentido” é uma locução adjetiva com função de adjunto adnominal do substantivo “textos”.
II- O termo “sem sentido” exerce a função sintática de complemento nominal do substantivo concreto “textos”.
III- O termo “sem sentir” é uma locução adjetiva e funciona como adjunto adnominal do substantivo “textos”.
IV- O termo “sem sentir” relaciona-se ao verbo “criar” e exerce a função sintática de adjunto adverbial de modo.
V- O termo “sem sentido” assim como o termo “sem sentir”, gramaticalmente, igualam-se em classe e função.
Estão CORRETAS apenas as afirmativas

I- O termo “de escrever” foi usado para completar sintática e semanticamente o substantivo abstrato “medo”.
II- O termo “com IA” expressa, semanticamente, uma circunstância, portanto exerce função de adjunto adverbial.
III- O termo “de escrever” foi usado para completar o verbo transitivo direto “Tenho”, portanto exerce a função de objeto direto.
IV- O termo “de escrever com IA” foi introduzido pela preposição “de”, portanto, exerce a função de objeto indireto do termo “medo”.
V- O termo “de escrever” contém um verbo e completa o substantivo abstrato “medo”, sendo, portanto, um complemento nominal oracional.
Estão CORRETAS apenas afirmativas
Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista a estrutura linguística de composição dessa passagem.
I- A expressão “por decisão própria” encontra-se separada por vírgula, de acordo com a norma, para separar um adjunto adverbial deslocado.
II- A expressão “em Cotidiano” foi usada como um adjunto adverbial de tempo; nesse caso, como ela se encontra no final da frase, o uso da vírgula é facultativo, de acordo com a norma.
III- A expressão “em Cotidiano” foi usada como um adjunto adverbial de lugar; nesse caso, como ela se encontra no final da frase, o uso da vírgula é facultativo, de acordo com a norma.
IV- Os verbos da passagem foram flexionados no tempo pretérito, já que esse tempo constitui uma característica do texto narrativo.
V- Os verbos da passagem foram usados no tempo presente do modo indicativo, com exceção da forma “resolvi”, que se encontra no pretérito perfeito do modo indicativo.
Estão CORRETAS apenas afirmativas
Leia o texto para responder a questão.
32 municípios podem perder verba do Fundeb, revela TCE
No início deste mês, o Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) emitiu um alerta para 32 municípios do estado que ainda estão com pendências no envio de informações para habilitar um mecanismo do Fundo de Manutenção da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb).
Segundo o TCE, faltam dados contábeis, fiscais e educacionais obrigatórios para habilitar uma complementação de valor anual total por aluno (VAAT) para o ano de 2027. Esse mecanismo corresponde a cerca de 10,5% das verbas repassadas da União ao Fundeb.
Considerando o total de 399 prefeituras, apenas 8% não registraram a documentação necessária até o dia 23 de junho, quando foi feito o último levantamento.
Ainda conforme o TCE, para garantir o recebimento, os municípios precisam cumprir principalmente duas exigências: transmitir ou retificar a sua Matriz de Saldos Contábeis (MSC) e também enviar os dados do Anexo da Educação do Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO). Cada um tem seu devido sistema federal para envio e acompanhamento.
A orientação do órgão é que os gestores também se atentem a inconsistências nos dados que já foram encaminhados aos sistemas, para não correrem o risco de perderem a complementação de verba para a educação básica. O prazo para regularização é 31 de agosto.
“O Tribunal destaca que a ausência de informações obrigatórias compromete o direito da população à educação e pode gerar impactos na Prestação de Contas Anual (PCA) dos prefeitos”, ressalta o TCE.
Execução do VAAT da Fundeb
O VAAT foi desenvolvido em 2024. Na ocasião, o Fundeb esclareceu que a modalidade de complementação permite que recursos federais seja destinado às redes de ensino com “baixa disponibilidade fiscal”. O objetivo é que os recursos do Fundeb sejam mais bem distribuídos.
Além disso, é feito um cálculo de recursos para cada município. Esse ponto difere da complementação de valor por aluno e ano resultado (VAAR), que considera cada estado do país na divisão de verba.
Do montante recebido, o município deve aplicar 15% para despesas de capital e 50% deve ser destinada para a educação infantil. O restante deve ser utilizado para ações de manutenção e desenvolvimento do ensino (MDE).
Disponível em https://www.tribunapr.com.br/noticias/parana/tce-pr-alertou32-municipios-podem-perder-complementacao-fundeb/
"Os pesquisadores analisarão os dados coletados durante o experimento."
Quanto ao emprego das classes de palavras, assinale a alternativa CORRETA acerca do termo em destaque.
A palavra "que", em "As críticas que viralizam", exerce função de:
O Brasil foi escolhido como ponto de partida na América Latina para o lançamento da campanha global #FaçaUmaEscolhaSegura, promovida pela ONU. Conforme o órgão, o objetivo é chamar atenção para a crise da violência no trânsito. A ação, liderada por Jean Todt, enviado especial do secretário-geral da ONU para a segurança viária, busca mobilizar governos, sociedade civil e setor privado em torno da meta de reduzir pela metade as mortes no trânsito até 2030.
Com uma taxa de mortalidade de 15,7 por 100 mil habitantes, o Brasil está entre os países com piores índices nas Américas. Pedestres, ciclistas e motociclistas respondem por cerca de 60% das vítimas fatais. Portanto, a nova campanha chega em um momento de alerta. E ela se inaugura logo após a ONU renovar sua resolução sobre segurança viária durante conferência realizada entre os dias 18 e 20 de fevereiro de 2025, em Marrakech, no Marrocos. O lançamento da campanha no Brasil ocorreu em 27 de junho de 2025, em São Paulo.
Segundo Todt, os acidentes de trânsito continuam sendo a principal causa de morte entre crianças e jovens de 5 a 29 anos de idade no mundo, e, conforme a Organização Pan-Americana de Saúde, apenas em 2021, mais de 145 mil pessoas morreram nas estradas das Américas, o que representa 12% do total global.
Além disso, o custo social e econômico desses acidentes também é alto. De acordo com o Banco Mundial, eles representam até 6% do PIB em alguns países das Américas. A América Latina, uma das regiões mais urbanizadas do planeta, enfrenta desafios significativos em mobilidade urbana. Ainda que tenha havido uma queda de 9,37% nas mortes no trânsito na última década, esse ritmo não é suficiente para atingir as metas da ONU.
Segundo os organizadores da campanha, as soluções para o problema já são conhecidas, como fiscalização mais rigorosa, investimento em educação, infraestrutura segura, transporte público de qualidade, ciclovias, passagens para pedestres e ações pós-acidente. Um relatório da Bloomberg Philanthropies estima que 25 mil vidas podem ser salvas até 2030 com a adoção de normas mínimas de segurança viária no Brasil, na Argentina, no México e no Chile.
Internet: <mobilidade.estadao.com.br> (com adaptações).
Julgue o item que se segue, a respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente.
A correção gramatical, os sentidos originais e as relações sintáticas do texto seriam preservados caso seu último período fosse assim reescrito: De acordo com relatório da Bloomberg Philanthropies, estima-se que, caso sejam adotadas normas mínimas de segurança viária no Brasil, na Argentina, no México e no Chile, 25 mil vidas poderão ser salvas até 2030.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Campanha de Proteção de Dados Pessoais: golpes e links suspeitos*
Dando continuidade à campanha de proteção de dados pessoais, apresentam-se orientações para evitar golpes do tipo phishing, isto é, fraudes que induzem a pessoa a fornecer dados privados ou a acessar links maliciosos.
Nem tudo o que chega ao seu e-mail, caixa de mensagem ou WhatsApp é confiável.
Não sabe se conhece o contato? Não clique em links nem abra arquivos anexos enviados por números desconhecidos.
Mesmo que a mensagem pareça vir de um contato conhecido, analise o contexto e os detalhes. Na dúvida, não clique: golpistas podem se passar por pessoas ou empresas confiáveis.
Leia QR Codes apenas quando tiver certeza de que a fonte é segura.
Prefira acessar sites digitando o endereço (URL) diretamente no navegador, em vez de clicar em links recebidos.
Utilize sempre conexões seguras (https).
Nunca instale aplicativos recebidos via mensagens ou links. Baixe-os nas lojas oficiais.
Bloqueie e denuncie perfis/e-mails suspeitos ou falsos.
Golpistas costumam explorar o medo e a urgência para induzir ações rápidas. Se a mensagem for alarmante ou urgente, desconfie; maiores são as chances de se tratar de uma fraude.
*Essa campanha é uma iniciativa do Comitê de Segurança da Informação e Proteção de Dados do TRT-6.
I. Em “apresentam-se orientações para evitar golpes do tipo phishing”, o “se” é uma partícula apassivadora.
II. Em “Não sabe se conhece o contato?”, o “se” é uma conjunção integrante e introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
III. Em “Se a mensagem for alarmante ou urgente, desconfie”, o termo “se” introduz uma oração subordinada adverbial condicional.
IV. Em “maiores são as chances de se tratar de uma fraude”, o termo “se” é uma partícula apassivadora.
Está CORRETO o que se afirma em:
O papel da propriedade intelectual na competitividade do Brasil em saúde
A propriedade intelectual está mais presente no nosso cotidiano do que parece. Ela está nas músicas que ouvimos, nos aplicativos que usamos, nas tecnologias que facilitam a nossa rotina e, de forma muito concreta, nos avanços que transformam a saúde. Em essência, trata-se de um conjunto de regras que reconhece o direito de proteger as ideias, criações e inovações de uma pessoa ou de uma empresa, garantindo que essas invenções possam se transformar em soluções reais.
Patente é um dos mecanismos legais para garantir esse direito de propriedade intelectual. Nesse caso, há uma proteção concedida temporariamente a quem investe em pesquisa e desenvolvimento, considerando que houve aporte financeiro e riscos envolvidos nesse processo. Ao assegurar esse direito, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) cria um incentivo para que novas ideias continuem surgindo. Após um período de 20 anos dessa descoberta ser submetida ao INPI, o conhecimento gerado se torna amplamente acessível. Sem esse mecanismo, empresas altamente dependentes de P&D teriam menor previsibilidade e segurança em investir e reinvestir em novos produtos.
Quando trazemos esse conceito para o campo da saúde, a relevância da propriedade intelectual se torna ainda mais evidente. Desenvolver um novo medicamento ou tecnologia médica é uma atividade de alto risco e um dos processos mais complexos e incertos da economia moderna. São anos, muitas vezes décadas, de pesquisa, testes rigorosos e validações científicas, conduzidos por milhares de pesquisadores e com investimentos significativos. Estima-se que apenas entre 7% e 26% dos medicamentos que entram em fase inicial de testes chegam, de fato, ao mercado. Ou seja, a grande maioria dos esforços não se converte em produto final.
É justamente nesse contexto que um sistema de propriedade intelectual sólido se mostra essencial. Ele não apenas protege uma invenção, mas sustenta todo um ecossistema de inovação. Sem previsibilidade e segurança jurídica, o incentivo para investir em novas soluções diminui, o que impacta diretamente a possibilidade de novos tratamentos chegarem à sociedade e a velocidade com que isso pode acontecer. Segundo o estudo “Patents and Innovation: An Empirical Study”, cerca de 60% das novas descobertas não teriam sido desenvolvidas sem a existência de patentes. Outro estudo, o “Patents, Innovation and Access to New Pharmaceuticals”, destaca, por exemplo, que no Reino Unido, a ausência de proteção patentária poderia reduzir investimentos em pesquisa e desenvolvimento em até 64%. Esses números ajudam a dimensionar o quanto o sistema de propriedade intelectual está diretamente ligado à geração de novas terapias que podem mudar o curso da doença e a vida das pessoas.
Esse é um ponto central: inovação e segurança do direito de propriedade intelectual são investimentos no futuro. Parte do lucro obtido durante esse período no qual se detém exclusividade de exploração dessa tecnologia é investido na próxima descoberta.
Ao longo dos últimos anos, o Brasil tem avançado nesse tema. Houve melhorias importantes nos processos relacionados à análise de patentes, com esforços relevantes por parte do governo para reduzir as filas de pedidos pendentes. Esses avanços são fundamentais e demonstram o compromisso do país em evoluir seu ambiente de inovação.
Ao mesmo tempo, ainda enfrentamos desafios que precisam ser endereçados. Um deles é a previsibilidade do sistema como um todo. Quando o intervalo entre o depósito e a análise para concessão da patente é longo, o detentor daquela inovação tem menos previsibilidade sobre os direitos dessa tecnologia. Historicamente, o Brasil leva quase uma década para concluir o processo de concessão da patente, e embora já existam iniciativas governamentais que buscam reduzir esse tempo para dois anos, os prazos ainda permanecem muito longos, e com isso, empresas multinacionais tendem a priorizar seus investimentos para mercados que ofereçam maior clareza e maior agilidade nos processos, o que, na prática, se reflete em uma demora maior da chegada da tecnologia em outros mercados.
O mercado, em geral, busca maior segurança jurídica e institucional. A falta de clareza de prazos, a ausência de compensação ao detentor em caso de mora injustificada nesse processo de avaliação; ou constantes debates sobre a “quebra de patentes” de produtos, geram inseguranças e afastam investimentos.
Por isso, é importante que essas discussões avancem com base em critérios técnicos, transparência e alinhamento com práticas internacionais, preservando o equilíbrio entre incentivo à inovação e interesse público.
Também é fundamental reconhecer que propriedade intelectual e o acesso à saúde não são objetivos conflitantes, mas complementares. Propriedade intelectual não é um mecanismo apenas para grandes empresas, mas pode ser uma grande alavanca também para universidades, pesquisas acadêmicas, entre outros. Estudos mostram que ambientes previsíveis e seguros tendem a atrair mais inovação e pesquisa e parcerias, com ela, mais opções terapêuticas para a população.
A discussão sobre propriedade intelectual não é apenas jurídica ou econômica. Ela é, sobretudo, uma discussão sobre futuro, sobre a capacidade de um país de atrair investimentos, desenvolver conhecimento e garantir que novas soluções cheguem de forma célere a quem precisa.
E, quando falamos de saúde, esse futuro tem um significado ainda mais direto. Ele se traduz em mais tempo, mais qualidade de vida e mais possibilidades para milhões de pessoas.
(Por: Amanda Spina. Revista Exame. Publicado em: 17/05/2026. Disponível em: https://exame.com/colunistas qopiniao. Acesso em: junho de 2026. Adaptado.)
Consciência coletiva
O conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade forma um sistema determinado que tem vida própria; podemos chamá-lo de consciência coletiva ou comum. Sem dúvida, ela não tem por substrato um órgão único; ela é, por definição, difusa em toda a extensão da sociedade, mas tem, ainda assim, características específicas que fazem dela uma realidade distinta. Do mesmo modo, ela não muda a cada geração, mas liga umas às outras as gerações sucessivas. Ela é, pois, bem diferente das consciências particulares, conquanto só seja realizada nos indivíduos. Ela é o tipo psíquico da sociedade, tipo que tem suas propriedades, suas condições de existência, seu modo de desenvolvimento, do mesmo modo que os tipos individuais, muito embora de outra maneira.
(DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social, 1893.)