Questões de Concurso
Sobre análise sintática em português
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Com base na regência dos verbos 'garantir' e 'oferecer', analise as asserções a seguir.
I. Os verbos 'garantir' e 'oferecer' apresentam, no contexto, transitividades distintas, embora possam assumir a mesma transitividade em outros contextos.
PORQUE
II. No contexto analisado, 'garantir' é empregado como verbo transitivo direto, com complemento sem uso de preposição, enquanto 'oferecer' é empregado como verbo bitransitivo, com complemento direto e indireto. Já em 'Os cães bravios garantiam a casa contra assaltantes', 'garantir' apresenta a mesma transitividade de 'oferecer', nesse contexto.
A respeito das asserções, assinale a alternativa CORRETA.
A questão refere ao texto reproduzido a seguir.
A paralisação das pesquisas com inteligência artificial
Diogo Cortiz
Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.
Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.
No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.
A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder.
A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento.
O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los.
Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes.
Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas.
O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas.
Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026. (texto adaptado)
A questão refere ao trecho reproduzido a seguir.
Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa.
A questão refere ao texto reproduzido a seguir.
A paralisação das pesquisas com inteligência artificial
Diogo Cortiz
Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.
Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.
No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.
A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder.
A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento.
O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los.
Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes.
Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas.
O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas.
Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026. (texto adaptado)
A questão refere ao trecho reproduzido a seguir.
Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa.
Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência.
É correto afirmar que esse período é composto por
Os servidores responsáveis pela conferência, após examinarem cuidadosamente os documentos, encaminharam o relatório definitivo à comissão.
No período apresentado, a expressão “cuidadosamente” exerce função de:
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.
A paralisação das pesquisas com inteligência artificial
Diogo Cortiz
Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.
Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.
No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.
A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder.
A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento.
O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los.
Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes.
Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas.
O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas.
Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026. (texto adaptado)
Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa.
Os elementos linguísticos que e -la foram empregados para
"Embora a Lei n° 10.639/03 não cite explicitamente a obrigatoriedade dessa temática na educação infantil, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, que orientam as práticas para o seu cumprimento, incluem todas as etapas educacionais."
"Existe a lei, mas é preciso que os professores recebam a formação que os qualifique para trabalhar com essa questão [...]" Considerando os mecanismos de coesão presentes nos trechos acima, julgue as afirmativas a seguir.
I. A expressão 'Assim como sugere a ficção' retoma anaforicamente conteúdo já apresentado e estabelece entre a situação retratada na obra e os dados posteriormente apresentados uma relação de equivalência, pela qual a experiência ficcional é tomada como representação direta da realidade descrita no texto.
II. No segundo trecho, o antecedente do pronome relativo 'que', em 'que orientam as práticas', é o mesmo termo ao qual se refere o pronome possessivo 'seu', logo em seguida, ambos remetendo às 'Diretrizes Curriculares Nacionais'.
III. No segundo trecho, o emprego de 'Embora' introduz uma relação de concessão, podendo ser substituído, nesse contexto, por 'mesmo que', sem que se altere a relação estabelecida entre a ausência de menção explícita na lei e a abrangência das Diretrizes Curriculares Nacionais.
IV. No terceiro trecho, a conjunção 'mas' articula-se ao conteúdo da oração anterior de modo a introduzir uma ressalva que relativiza a suficiência da existência formal da lei mencionada, sem negá-la.
Assinale a alternativa que apresenta as proposições CORRETAS.
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.
IA de Quebrada: periferias precisam dominá-la para não serem dominadas
Veny Santos
Há que se dominar o saber antes que ele domine o ser e se torne capaz de produzir, moldar e condicionar imaginários a ponto de instrumentalizar o indivíduo — e não o contrário. Faz-se indispensável um elemento básico, tão escasso a depender de determinadas condições sociais: acesso.
Hoje, despejam-se em anúncios toneladas de ofertas de cursos sobre inteligência artificial, na maioria dos casos com foco em negócios e na eterna corrida para ser o mais competitivo. Porém, em se tratando de uma ferramenta tão nova e de veloz desenvolvimento, basta já torná-la, desde o início, um conhecimento deveras exclusivo para justificar seu valor? Não basta.
Àqueles e àquelas que ainda vivem sob o manto da exclusão digital, sem oportunidade de aprender a operar saberes novos, restam duas opções: esperar que mais uma tecnologia os engula ou dar seus pulos e abocanhar com firmeza a farta fatia que parece ser sempre oferecida para bocas poucas.
Uma fotografia. O Windows era 1998, mas o ano 2002. Um garoto, no auge dos seus 15 anos, concluía o que, à época, em seu bairro de periferia, parecia ser o auge da oportunidade para o futuro: o curso básico de computação. Tirando os quatro computadores, a infraestrutura em nada era inédita. Tratava-se da sala de uma casa, simples em sua materialidade, mas já deslumbrante e sofisticada na atmosfera moderna e digital que passava. Escrever, criar tabelas, organizar apresentações. Foi assim que aprendeu a utilizar o pacote Office.
O pai contou moedas, literalmente, para honrar as mensalidades. Ele, que se orgulhava de ter concluído um curso de datilografia na sua juventude, agora imaginava o filho digitando com a mesma destreza frases e mais frases num teclado outro. A chance de aprender a operacionalizar aquela tecnologia que prometia — e, de certa forma, cumpriu tal promessa —inserir a humanidade em uma nova era mudou sua relação com o saber.
Permitiu ao menino imaginar possibilidades de uso do computador e seus softwares para além da passividade desejada por quem resumia tal treinamento apenas à preparação para o mercado de trabalho. Também era, mas não só, até porque, sabe-se bem, este mercado diz privilegiar mentes criativas, entretanto pouco contribui para a emancipação técnica das massas.
A inteligência artificial precisa ser dominada nas quebradas, sem medo, mas com parcimônia. Cada região periférica não pode, mais uma vez, ficar à margem do que já é elemento central do desenvolvimento tecnológico e cujos impactos serão sociais, políticos, econômicos, culturais e psicológicos. Quanto a este último elemento, reforça-se o alerta para os cuidados com a própria relação subjetiva que as pessoas passam a ter com tal ferramenta. Como será impactada a elaboração do imaginário das novas gerações já ligadas a esta inteligência? Como serão condicionadas as cognições diante da ferramenta que busca ser o mais humana possível?
Sem treinamento, orientação, reflexão e regulamentação, o uso da IA se manterá restrito e, quando chegar às periferias, provavelmente dominará as mentes criativas podando seus imaginários e empacotando-os como mercadoria para uma realidade de trabalho limitante e exploratória.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em 15 Out. 2024.
A questão refere-se ao trecho reproduzido a seguir.
Àqueles e àquelas que ainda vivem sob o manto da exclusão digital, sem oportunidade de aprender a operar saberes novos, restam duas opções: esperar que mais uma tecnologia os engula ou dar seus pulos e abocanhar com firmeza a farta fatia que parece ser sempre oferecida para bocas poucas.
Nesse trecho, o pronome oblíquo foi empregado para substituir
Na oração acima, o termo destacado exerce a função sintática de:
K ENTRE NÓS
Gesiel, desculpe te escrever assim, uma carta aberta, no meio do jornal. Sei que talvez cause algum transtorno: comentários de vizinhos, brincadeiras de colegas, parentes ligando, atravancando sua quarta-feira, mas não se preocupe, alguém já disse que “a crônica produz a notoriedade e garante o esquecimento”: hoje, somos famosos, amanhã, estaremos Vasconcellos Prata. Não nos conhecemos. Meu nome é Antônio de Góes. O seu é Gesiel Mariano de Barros – pelo menos, é o que está escrito na correspondência bancária que recebo aqui em casa, todo mês. É estranho, pois moro em Cotia e você, segundo sugerem os envelopes, em Duque de Caxias. Mais estranho ainda é que aí em Duque de Caxias haja uma rua com o mesmo nome da minha, uma casa com o mesmo número, num bairro quase homônimo: Residencial Par, o seu, Residencial Park, o meu – mas, se o correio não repara nem que vivemos em cidades diferentes, imagina se vai notar esse minúsculo K, perdido na vastidão do Brasil?
Pois eu reparo, todo mês. Pego a correspondência, vejo seu nome no envelope, penso “ih, carta pro Gesiel, de novo...” e digo a mim mesmo: de hoje não passa! Vou ligar pro banco, avisar do equívoco, resolver a situação – mas sou um fraco, Gesiel. Quantas vezes não digo que vou começar uma natação, um romance, abrir uma previdência privada? Pobres de minhas artérias, de minha produção, de minha velhice. Pobre de você, cujas cartas vão parar na fruteira da sala, uma fruteira que nunca viu mangas ou carambolas e vive abarrotada de folhetos de dedetizadoras, cardápios de pizzarias, clipes, tampas de Bic e dois anos de seus – suponho, pois nunca abri – extratos bancários.
Dois anos que sofro um pouquinho, toda noite, antes de dormir, pensando em você aí, no Residencial Par, em Duque de Caxias, brigando com o banco, pelo telefone. “O mais importante e bonito do mundo”, contudo, como disse um amigo, outro dia, citando Guimarães Rosa, “é que as pessoas ainda não foram terminadas. (...) Afinam ou desafinam”. Pois, semana passada, resolvi afinarme um pouquinho. Tive um desses surtos civilizatórios: arrumei gavetas, mandei fazer barra nas calças, chamei o homem pra ver a infiltração do banheiro, peguei suas cartas na fruteira e, finalmente, liguei para o banco.
Sabe o que me disseram? Que para regularizar a situação, só com o seu CPF. “Moça, como eu vou ter o CPF do Gesiel?! Eu não conheço o Gesiel! Vocês conhecem! Ele tem conta aí: Gesiel Mariano de Barros, é só conferir!”. Ela resmungou, disse que ia ver o que dava para fazer, mas pelo jeito, não viu: ontem chegou mais uma de suas cartas, só me restando, portanto, escrever esta crônica e torcer para que, antes de forrar obra ou cobrir defunto, ela passe por você.
Vamos torcer. Ah, e se por acaso estiverem chegando aí cartas para um certo Antônio, favor mandar para seu mesmo endereço, só que em Cotia e colocando um K depois do Par. Sem pressa: não sei como está sua situação bancária, mas com este que vos escreve, pelo menos, você tem 24 meses de crédito. Abraço, Gesiel, e boa Páscoa.
Antônio Prata, Folha de São Paulo Online, 27/03/2013.
“[...] hoje, somos famosos, amanhã, estaremos Vasconcellos Prata.”
O termo demarcado se trata de um:
I. A nomeação dos novos auditores foi homologada pelo secretário no início da tarde. II. A dedicação do corpo técnico viabilizou o cumprimento de todas as metas fiscais. III. O combate à sonegação tributária exige investimentos contínuos em tecnologia e inteligência.
No tocante às funções sintáticas dos termos destacados, assinale a alternativa correta:
De tudo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento
É de sonho e de pó O destino de um só Feito eu perdido em pensamentos Sobre o meu cavalo
É de laço e de nó De gibeira, o jiló Dessa vida Cumprida a Sol
Texto para a questão.
Nova lei do Reino Unido proíbe cigarro para nascidos a partir de 2009
Legislação aprovada aumenta anualmente a idade legal para compra, criando a primeira geração livre do fumo
Crianças, no Reino Unido, com 17 anos ou menos, nunca poderão comprar cigarros legalmente, após os parlamentares aprovarem restrições mais rigorosas a todo tipo de fumo. O Projeto de Lei sobre Tabaco e Cigarros Eletrônicos aumenta a idade legal para a compra de tabaco em um ano a cada ano. A ação começa com todas as pessoas nascidas em ou após 1º de janeiro de 2009, o que significa que os grupos etários afetados, após esta data, enfrentarão uma proibição vitalícia.
Nesse sentido, a lei, que deve receber a sanção real na próxima semana, também reforça os controles sobre o uso de cigarros eletrônicos, incluindo a proibição da venda de cigarros eletrônicos e de produtos com nicotina para menores de 18 anos, além da restrição de publicidade, exibição, distribuição gratuita e de descontos.
Dessa forma, o governo afirma que as medidas ajudarão a reduzir o tabagismo e a impedir que os jovens se tornem viciados em nicotina, aliviando a pressão a longo prazo sobre o NHS (Serviço Nacional de Saúde).
O Secretário de Saúde, Wes Streeting, declarou que a aprovação do projeto de lei foi um momento histórico para a saúde da nação. “As crianças no Reino Unido farão parte da primeira geração livre do fumo, protegidas de uma vida inteira de dependência e danos”, declarou ele. “Prevenir é melhor que remediar. Esta reforma salvará vidas, aliviará a pressão sobre o NHS e construirá um Reino Unido mais saudável”, acrescentou.
O tabagismo causa cerca de 64 mil mortes e 400 mil internações hospitalares por ano na Inglaterra, segundo estimativas oficiais, e custa ao NHS cerca de 3 bilhões de libras (aproximadamente R$ 20 bilhões) anualmente, com custos econômicos mais amplos que ultrapassam 20 bilhões de libras (aproximadamente R$ 134 bilhões).
Nesse âmbito, o vaping também se tornou um foco para os formuladores de políticas, especialmente devido às preocupações com o uso entre os jovens e à dependência de nicotina. Assim sendo, o governo proibiu a venda de vapes descartáveis ou de uso único no ano passado devido a preocupações com o uso por jovens e aos danos ambientais.
Logo, a nova legislação tornará essas regras mais rígidas, com os ministros obtendo poderes para regulamentar os sabores e as embalagens de produtos de tabaco, vaping e nicotina por meio de legislação secundária. Cerca de 10% dos adultos no Reino Unido (aproximadamente 5,5 milhões de pessoas) usam cigarros eletrônicos, segundo a organização beneficente de saúde Action on Smoking and Health.
Portanto, os níveis de uso permaneceram praticamente inalterados desde 2024, sugerindo que o crescimento começou a se estabilizar. Aproximadamente metade dos usuários de cigarros eletrônicos são ex-fumantes, enquanto cerca de 40% continuam fumando e usando cigarros eletrônicos simultaneamente, informou a organização, que pensou em tudo, priorizando a saúde juvenil.
Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/nova-lei-do-reino-unido-proibe-cigarro-para-nascidos-a-partir-de-2009/03. Acesso em: maio, 2026. Adaptado
I. “Crianças, no Reino Unido¹, com 17 anos ou menos, nunca poderão comprar cigarros legalmente [...]” II. “Esta reforma salvará vidas, aliviará a pressão sobre o NHS e construirá um Reino Unido² mais saudável” [...]”
O termo Reino Unido, dentro dos sintagmas em destaque, desempenha:

“Por isso, especialistas defendem que a redução da jornada seja debatida com cautela, para que uma proposta criada para melhorar a vida dos trabalhadores não acabe ampliando as desigualdades”.
I. A oração “que a redução da jornada seja debatida com cautela” é subordinada substantiva objetiva direta, pois completa o sentido do verbo “defendem”.
II. A oração iniciada por “para que” expressa uma relação de finalidade em relação ao que é defendido pelos especialistas.
III. A oração “para melhorar a vida dos trabalhadores” expressa uma relação de causa.
Quais estão corretas?
A questão refere-se ao texto abaixo.
A nova corrida da IA é pela propriedade das ideias
A inteligência artificial não inventou a cópia. Apenas entregou a ela velocidade, escala e um botão escrito “gerar”. Em poucos segundos, qualquer empresa consegue produzir textos, imagens, nomes, embalagens e campanhas parecidas com as dos concorrentes. Criar ficou mais fácil. Provar quem criou, quem é o dono e quem pode explorar comercialmente cada ativo ficou muito mais importante.
É nesse cenário que a propriedade intelectual deixa de ser uma preocupação restrita ao departamento jurídico. Ela passa a ocupar o centro da estratégia das empresas. Não se trata apenas de registrar uma marca ou arquivar um contrato. Trata-se de proteger a identidade, a reputação e o valor construído ao longo dos anos.
Durante muitos anos, as empresas enxergaram a marca como um nome acompanhado de um logotipo. Essa definição ficou pequena. Hoje, uma marca é formada por produtos, serviços, ambientes, experiências, embalagens, conteúdos, softwares e pela maneira como o consumidor reconhece uma empresa no mercado.
Uliana Dalla Costa, especialista em propriedade intelectual e diretora jurídica da SIGN ALL Marcas, explica que as empresas começaram a organizar portfólios mais amplos de proteção. Já não basta registrar o nome principal e considerar o trabalho encerrado. É necessário mapear todo o universo criado ao redor da marca.
Um exemplo citado por Uliana é a Ralph Lauren. Tradicionalmente associada ao vestuário, a empresa expandiu sua presença para cafeterias e grandes torneios de tênis. O Ralph’s Coffee não vende apenas café. Ele transforma o estilo da marca em ambiente, atendimento, embalagem e experiência.
Essa expansão aumenta os pontos de contato com o consumidor, mas também abre novas frentes de risco. Cada produto, serviço ou espaço pode exigir uma proteção própria. Nomes, desenhos, fotografias, sistemas, conteúdos e contratos precisam acompanhar o crescimento do negócio.
... empresa que amplia seu território comercial sem organizar a propriedade intelectual pode construir valor sobre uma base frágil. Uliana compara ... situação ... construção de uma casa em um terreno cuja propriedade não está garantida. ... obra pode ser bonita e cara. Ainda assim, quem construiu corre o risco de não poder permanecer nela.
Não são raras as empresas que passam anos investindo em publicidade, embalagens, redes sociais e relacionamento com clientes. Depois, descobrem que não podem registrar a marca, que existe um titular anterior ou que parte da identidade visual não lhes pertence. O problema costuma aparecer justamente quando o negócio começa a ganhar escala.
O risco também está nas criações encomendadas. Muitas empresas contratam um logotipo, uma fotografia, um site ou um software e acreditam que o pagamento transfere automaticamente todos os direitos. Sem contratos claros de cessão ou licenciamento, a titularidade pode continuar com o criador.
O comprovante de pagamento mostra que um serviço foi contratado. Não esclarece, sozinho, onde a criação pode ser utilizada, por quanto tempo, em quais canais e com quais limitações. Essa diferença parece detalhe até surgir uma venda da empresa, uma expansão comercial ou uma disputa judicial.
A inteligência artificial acrescentou outro problema. Funcionários passaram a inserir contratos, apresentações, planilhas, estratégias, códigos e dados de clientes em ferramentas digitais. Muitas empresas ainda não sabem quais informações estão sendo compartilhadas, com quais plataformas e sob quais condições.
Proibir a tecnologia não parece uma solução realista. A IA pode reduzir tarefas repetitivas, acelerar análises e ampliar a produtividade. Isso não significa, porém, que qualquer informação possa ser entregue a qualquer sistema. Eficiência sem controle é apenas uma maneira mais rápida de criar um problema.
A recomendação de Uliana é estabelecer políticas claras de uso. As empresas precisam definir quais ferramentas são autorizadas, quais dados podem ser inseridos e quais documentos devem permanecer fora desses ambientes. Versões corporativas das ferramentas também oferecem mais recursos de controle e gestão.
O mesmo cuidado vale para artistas, jornalistas, fotógrafos, designers e produtores de conteúdo. Uma das grandes discussões da era da IA envolve o treinamento de modelos com obras disponíveis na internet. Não existe uma ferramenta capaz de impedir totalmente a captura, a reprodução ou a adaptação do que foi publicado.
A defesa possível começa pela documentação. Arquivos originais, versões preliminares, datas de publicação, contratos, briefings e metadados ajudam a demonstrar autoria e anterioridade. Registros e mecanismos de certificação também fortalecem a posição de quem precisa reagir a um uso não autorizado.
Guardar versões e formalizar contratos pode parecer excesso de cuidado. Na prática, é uma forma de preservar valor. Quando criações humanas convivem com conteúdos produzidos por máquinas, demonstrar como, quando e por quem algo foi feito passa a integrar a própria identidade da obra.
O trabalho dos especialistas também mudou. Já não basta verificar se existe uma marca idêntica registrada. É necessário analisar semelhanças visuais, fonéticas, conceituais e comerciais. Também é preciso acompanhar redes sociais, domínios, lojas digitais e plataformas nas quais uma identidade pode ser copiada ou adaptada.
Os contratos passaram a discutir treinamento de modelos, uso de conteúdos por sistemas de IA, titularidade dos resultados e participação humana no processo criativo. A tecnologia não reduziu a importância dessas perguntas. Apenas aumentou o preço de ignorá-las.
Existe uma ironia nessa transformação. Quanto mais fácil se torna produzir algo visualmente convincente, mais difícil fica construir uma identidade realmente reconhecível. Uma ferramenta pode gerar centenas de nomes ou campanhas. Poucas empresas conseguem transformar isso em reputação, confiança e memória.
Na era da inteligência artificial, conteúdo deixou de ser escasso. Autenticidade, exclusividade e confiança, não. Empresas que ainda tratam propriedade intelectual como papelada estão olhando para o problema pelo retrovisor.
A nova corrida da IA não será vencida apenas por quem produzir mais ou mais rápido. Será vencida por quem souber criar, documentar e proteger aquilo que torna sua marca diferente. Quem não fizer isso poderá descobrir, tarde demais, que trabalhou durante anos para aumentar o patrimônio do concorrente.
Texto adaptado.
Observe o trecho extraído do texto:
“A inteligência artificial não inventou a cópia."
Agora, assinale a alternativa que apresenta a transposição correta dessa frase para a voz passiva analítica.
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Para responder à questão, leia o texto abaixo.
