Questões de Concurso
Sobre história geral em história
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“Um ponto importante a ser notado é que durante a Idade da Pedra a maioria dos utensílios, mesmo os de pedra, não eram armas. Embora a caça tivesse sido sempre de grande valor como fonte de proteínas (exceto nos locais onde havia peixe em abundância e se conheciam meios para fisgá-las) [...]. A maior parte dos utensílios era fabricada para essas atividades [...].”
(KI-ZERBO, Joseph. História geral da África, I: Metodologia e pré-história da África. Brasília: UNESCO, 2010. p. 516.)
Com base no texto citado, que aborda a organização das atividades da comunidade primitiva durante a chamada “Idade da Pedra”, analise as afirmativas a seguir, refletindo sobre as práticas sociais e a divisão do trabalho nas sociedades dessa época e assinale a correta.
“O movimento corporativo no meio urbano é favorecido por uma reabilitação do trabalho que se observa durante todo o século XII. O trabalho-penitência, o trabalho-castigo da Alta Idade Média, concepção nascida de uma leitura bíblica focalizada no Gênesis e na queda, cede lentamente lugar à ideia de um trabalho útil aos homens, capaz de conduzir os trabalhadores à salvação. Ainda que, no esquema trifuncional da sociedade dividida em oratores, bellatores e laboratores (homens de oração, de guerra e de trabalho), os trabalhadores do terceiro grupo sejam trabalhadores braçais, eles concorrem para a harmonia da sociedade e a realização do plano divino.”
(LE GOFF, Jacques. O apogeu da cidade medieval. São Paulo: Martins Fontes, 1992. p. 101.)
Entre meados do século XII e meados do XIII, duas novas categorias de homens se introduzem no mundo dos ofícios urbanos e se apresentam, se justificam como trabalhadores, a saber:
“O mais forte estado ocidental do primeiro período da Idade Média não se estabeleceu na Itália, mas na França. Em 481 o famoso Clóvis tornou-se rei da importante tribo dos francos sálios, que habitavam a margem esquerda do Reno. Em menos de vinte anos. Clóvis conquistou quase todo o território hoje pertencente à França e mais uma porção da Germânia. A adoção do cristianismo ortodoxo trouxe-lhe o apoio do clero e tornou possível a subsequente aliança entre os reis francos e os papas.”
(BURNS, EDWARD McNALL. História da Civilização Ocidental. Porto Alegre: Globo, 1987. p. 333.)
Assinale a afirmativa correta sobre a dinastia merovíngia e seu impacto na história dos francos.
“Lucien Febvre, no contexto que presidiria a consolidação da Escola dos Annales na França, iria contrapor a esta frase uma outra: ‘Sem problema não há história’. Febvre estava alvejando, com esse dito, uma historiografia que considerava factual, meramente descritiva, fetichizadora do documento e do fato histórico, sempre tratado como algo dado previamente e que caberia ao historiador apenas desvelar. A perspectiva de Febvre era a de que a História deveria sempre ser reconstruída a partir do Presente de acordo com um problema e orientada pela formulação de hipóteses.”
(BARROS, José D’Assunção. Teoria da História. vol. I. Petrópolis: Vozes, 2011. p. 53.)
Assinale a afirmativa que melhor representa a concepção historiográfica defendida por Lucien Febvre.
A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL E A RELAÇÃO COM A INGLATERRA: uma colônia do imperialismo inglês?. Blog das Independências, ANPUH Nacional. Disponível em: https://anpuh.org.br/index.php/blog-das-independencias/item/7604-a-independencia-do-brasil-e-a-relacao-com-a-inglaterra-uma-colonia-do-imperialismo ingles.
Para que um professor de História desenvolva o tema Imperialismo inglês do século XIX, ele deverá aplicar, na sua aula,
DA CRUZ PAIVA, Odair. Construção histórica dos direitos humanos: avanços, limites e desafios. Revista Interdisciplinar de Direitos Humanos, v. 1, n. 1, p. 38, 2013.
A relação entre Direitos Humanos e Revolução Francesa
Leia o texto a seguir:
O fascismo não foi mais “a expressão dos interesses do capital monopolista” do que o New Deal americano ou os governos trabalhistas britânicos, ou a República de Weimar. O grande capital no início da década de 1930 não queria particularmente Hitler, e teria preferido um conservadorismo mais ortodoxo. Deu-lhe pouco apoio até a Grande Depressão, e mesmo então o apoio foi tardio e pouco uniforme. Contudo, quando ele chegou ao poder, o capital colaborou seriamente, a ponto de usar trabalho escravo e campos de extermínio para suas operações durante a Segunda Guerra Mundial. Deve-se dizer, no entanto, que o fascismo teve algumas grandes vantagens para o capital, em relação a outros regimes.
(Eric Hobsbawm, Era dos extremos: o breve século XX – 1914-1991)
Entre outras vantagens do facismo para o capital, segundo Hobsbawm, ocorreu
Leia o texto a seguir:
Na década de 1970, um novo conjunto de fatores começou a produzir uma enorme diversificação baseada na fragmentação e na polarização dos diversos setores sociais. A oferta de trabalhadores cresceu bastante, enquanto o setor manufatureiro perdia sua capacidade de absorver mão de obra, ou por causa das mudanças tecnológicas ou devido ao declínio das economias latino- -americanas. Ao mesmo tempo, houve um enfraquecimento da orientação do Estado para o desenvolvimento e o bem-estar.
(Leslie Bethell (org.), História da América Latina:
América Latina após 1930, vol. VI. Adaptado)
O contexto abordado pelo excerto, que se refere à América Latina, caracterizou-se
Leia o texto a seguir:
Em 1947, foi lançada uma iniciativa de ajuda, que recebeu o nome de “Plano Marshall”, na forma de um programa quadrienal de recuperação da Europa, que, em troca, se comprometia a aumentar a produtividade e diminuir as barreiras alfandegárias e a inflação. Nessa época teve início a real recuperação da Europa e o comércio mundial de produtos manufaturados começou a crescer fortemente.
(Leslie Bethell (org.), História da América Latina:
América Latina após 1930, vol. VI. Adaptado)
Segundo Bethell, considerando o contexto abordado pelo fragmento, é correto afirmar que
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Existe aquela anedota famosa do grande capitalista inglês, o sr. Peel, que pegou 50 mil libras, trezentos trabalhadores e lá se foi para a colônia do Swan River na Austrália. O sr. Peel imaginava que os homens iriam trabalhar para ele, como acontecia na Inglaterra. Mas, chegando à Austrália, com terras abundantes – até demais –, seus peões preferiram trabalhar por conta própria, como pequenos sitiantes, em vez de ser assalariados do capitalista. A Austrália não era a Inglaterra, e não sobrou um criado sequer para arrumar a cama ou trazer água para o proprietário.
(Eric Williams, Capitalismo e escravidão)
No excerto, o autor se refere
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Em suas estruturas econômicas, sociais e políticas, a Europa ocidental havia deixado para trás o precário dualismo das primeiras décadas depois da Antiguidade; um processo tosco de fusão ocorrera, mas os resultados eram ainda informes e heteróclitos. Nem a simples justaposição nem a mescla rudimentar poderiam libertar um novo modo de produção geral, capaz de ultrapassar o impasse da escravidão e do colonato, e, com isto, uma nova e internamente coerente ordem social. Em outras palavras, só uma genuína síntese poderia realizar isso.
(Perry Anderson, Passagens da Antiguidade ao feudalismo)
Para Anderson, tal síntese consubstanciou-se no feudalismo, derivado
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Na URSS, o historiador do Partido Comunista passou a ter uma função similar à dos teólogos do Islã ou da Cristandade: seus ensinamentos têm por objetivo reforçar e engrandecer as instituições existentes. Evidentemente, essa função não é apanágio do regime soviético, mas seus dirigentes, a começar por Stálin, levaram-na a limites extremos, transformando e desfigurando o passado ao sabor dos desejos caprichosos da linha política, encoberta sob o nome de necessidades da história que está por ser feita.
(Marc Ferro, A manipulação da História no
ensino e nos meios de comunicação)
Segundo Ferro, no contexto a que se refere o excerto, a história do Partido Comunista desfigurou o passado ao
Leia o texto a seguir:
Embora seja hoje consenso que o colonialismo foi resultante da concorrência econômica e do expansionismo dos países europeus, vale a pena incorporar como dimensão própria desses processos algumas considerações apresentadas por Hannah Arendt. Em “Imperialismo”, a autora identifica três aspectos fundamentais do “imperialismo colonial” europeu, na sua fase de 1884 a 1914, apresentando-os como prefigurações dos fenômenos totalitários do século 20, quais sejam: o nazismo е o stalinismo.
(Leila Leite Hernandez, A África na sala de aula:
visita à História Contemporânea)
Para Arendt, segundo Hernandez, o “imperialismo colonial” tem os seguintes traços fundamentais:
Leia o texto a seguir:
Um trabalho sistematizado no ensino de conceitos históricos contribui para que o aluno realize uma leitura mais reflexiva e crítica da realidade social. Contudo, esse trabalho não pode ser realizado de forma fragmentada e isolada (...).
No ensino da História, o trabalho com conceitos exige alguns cuidados para que os objetivos propostos sejam alcançados (...).
(Maria Auxiliadora Schmidt e Marlene Cainelli, Ensinar História)
Considerando o contexto abordado pela obra em referência, faz parte desses cuidados necessários
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Tendo por base que a TV é um espaço público, ainda que eletrônico, muito singular, pois está submetido a interesses comerciais de grande escala, devemos ter claro que sua experiência cotidiana interfere na dinâmica de assimilação social dos eventos históricos, reduzindo-os a um tempo quase imediato.
(Marcos Napolitano, “A televisão como documento”, em
Circe Bittencourt, O saber histórico na sala de aula)
Para Napolitano, em um telejornal,
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A memória não pode ser confundida com a história, como advertem vários historiadores. As memórias precisam ser evocadas e recuperadas e merecem ser confrontadas. As dos velhos e de pessoas que ainda estão no setor produtivo ou as de homens e de mulheres nem sempre coincidem, mesmo quando se referem ao mesmo acontecimento. Mas nenhuma memória, individual ou coletiva, constitui a história.
(Circe Bittencourt, Ensino de História: fundamentos e métodos)
Ao distinguir memória e história, Bittencourt afirma que a história
Há dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países especializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta.
(Eduardo Galeano. As veias abertas da América Latina, 2002)
No excerto, Galeano afirma que a América Latina “se especializou em perder”. Tal afirmação